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  • Saúde e Morte | Pasteur Brasil

    Saúde e Morte Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham sua recuperação. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos. Os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin. Além destes, o imperador e a imperatriz enviam um lacaio encarregado de se informar do seu estado de saúde (Debré, 1995, p. 235). Claude Bernard é um dos primeiros a comparecer à cabeceira de Pasteur para trazer, afetuosamente, seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Nos dias seguintes, há uma lenta melhora. A fala retorna, e oito dias após começa a ditar uma nota a Gernez para a Academia sobre um procedimento para a prevenção da flacidez. Também dita à Marie Pasteur uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). O primeiro pensamento de Pasteur é para o laboratório que Napoleão III havia prometido mandar construir na Rua Ulm. Da janela da sala de jantar que dá para o jardim da École Normale, ele vigia o canteiro de obras. Os operários desaparecem ao primeiro sinal da doença. Por intermédio do general Favé, Pasteur manda dizer que estão com muita pressa de enterrá-lo. Napoleão III e Victor Duruy se desculpam por tal precipitação, e é dada uma ordem para que a construção seja retomada (Debré, 1995, p. 236). Pasteur perde o uso da mão esquerda a ponto de depender de seus colaboradores para as experiências mais delicadas. Em janeiro de 1869 Pasteur consegue andar novamente e retorna ao sul com alguns dos seus colaboradores para retomar o trabalho com o bicho-da-seda. De sua cadeira ou de sua cama, Pasteur aconselha e orienta seus discípulos. Na primavera, retornam para Pont-Gisquet e a partir de então são organizadas missões para cada um dos alunos, transformados em “apóstolos”: Duclaux e Gernez. Um ano antes da inauguração do Instituto Pasteur, em 23/10/1887 Pasteur sofre um novo AVC seguido de afasia e recupera a fala. Alguns dias depois sofre novo ataque, mais difícil de reabsorver, então sua fala se torna fraca e embaralhada (Debré, 1995, p. 522-523). Em 01/11/1894 quando se preparava, como fazia diariamente para ver os netos, Pasteur é tomado por um terrível mal-estar e desmaia. Só volta a si à noite para pedir que fiquem a seu lado. Durante 3 meses não sai da cama. Seus filhos e netos se instalam no Instituto Pasteur. Organizam turnos para lhe fazer companhia. Em grupos de 2, pasteurianos e membros da família se revezam na cabeceira de Pasteur, noite e dia. Roux e Chantemesse ficam nos turnos da noite. Quando tem algum tempo livre, Metchnikoff o visita, não importa a hora. O mesmo acontece com Grancher. Em 1º de janeiro de 1895, Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho) para cumprimentá-lo. No Instituto Pasteur, Louis Pasteur passa muitas horas durante a tarde sob os castanheiros conversando em voz baixa com seus colaboradores ou com o fiel amigo desde à infância, Charles Chappuis (Debré, 1995, p. 546-547). Em maio recebe a notícia que a Academia de Ciências de Berlim quer conceder-lhe a medalha da Ordem do Mérito da Prússia pelo imperador Guilherme II, mas sua raiva ainda está presente, pela perda da Alsácia e Lorena em 1870, e recusa a honr a. No dia 13 de junho de 1895, Pasteur deixa o Instituto Pasteur e vai para Villeneuve-l´Etang, para passar a primavera, mas está cada vez mais fraco e não aproveita o parque. Suas forças declinam. Depois de um novo ataque, falece em 28 de setembro de 1895 às 16h40. De acordo com a vontade da família, é sepultado em uma cripta construída no subsolo de seu Instituto (Debré, 1995, p. 547-552). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Com quase 46 anos Pastuer sofre um AVC que o deixa hemiplégico. Pouco a pouco recupera a fala, mas continua a mancar e perde definitivamente o uso da mão esquerda. Casa em Villeneuve-l´Etang onde Pasteur passa os últimos meses de vida. As janelas do quarto de Pasteur tinham vista para o parque. Um recanto do parque de Villeneuve-l´Etang. Em frente à fonte havia faias roxas sob as quais Pasteur descansava todas as tardes. Quarto de Pasteur, com aparência monacal (monástica), em Villeneuve-l'Etang. Acima da cama foi afixado na parede um desenho de Maurice Leloir representando Pasteur em seu leito de morte. Obséquias Nacionais a Pasteur. Capa do Le Petit Journal de 13 de outubro de 1895. Contra-capa do Le Petit Journal de 13 de outubro de 1895. Cripta no subsolo do Instituto Pasteur. Estátua de Pasteur em Paris. Saguão de entrada da Expo Pasteur no Palais de la Découverte em Paris, 2018. Retorne para a biografia

  • Contato | Pasteur Brasil

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  • Parapsiquismo | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Parapsiquismo Paul Gibier 1851-1900 Médico e cientista francês. Naturalista assistente na cadeira de patologia comparada do Museu Nacional de História Natural (em 1882). Dirigiu o Instituto Pasteur de Nova York em 1891. Interessou-se pela história comparada das religiões. Paul Gibier interessou-se pela pesquisa psíquica em 1885 e encontrou um médium notável na Sra. Salmon (pseudônimo de Carrie M. Sawyer), com quem conduziu experimentos por dez anos tanto em seu laboratório em Nova York quanto em sua casa de campo. Gibier estabeleceu a realidade de alguns fenômenos surpreendentes e planejou levar a médium para a Inglaterra, França e Egito, mas seus planos foram interrompidos quando ele foi morto por um cavalo em fuga. Na noite anterior ao acidente, ele teria sonhado que cavalgou sozinho, foi jogado de seu carrinho e morreu; ele contou seu sonho à esposa e riu de seus medos. No obituário da US National Library of Medicine de 14 de julho de 1900 consta, em tradução livre: “Dr. Paul Gibier, Diretor do Instituto Pasteur de Nova York em 1879, cujo falecimento em resultado de um acidente foi o recentemente anunciado no British Medical Journal, nasceu na França em 1851. Formou-se em Paris. Por suas investigações sobre o cólera na Espanha, ele recebeu uma medalha de ouro, e por seu trabalho sobre a mesma doença no sul da França e foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra. O governo francês o enviou para a Flórida e Havana em 1888 para estudar a febre amarela, e dois anos depois ele estabeleceu o Instituto Pasteur para a inoculação de pessoas mordidas por animais em Nova York. Dr. Gibier era um membro do New York Academy of Medicine e da Medical Association of New York, e foi o editor do Therapeutic Review. Ele estava muito interessado em fenômenos psíquicos e escreveu um livro intitulado Spiritisme: Analyze des Choses, que foi traduzido para o inglês sob o título Psychism: Analysis of Things Eristing. Ele foi um escritor volumoso. O Banner of Light diz que com a ‘transição’ do Dr. Gibler, o espiritualismo perdeu um de seus amigos mais verdadeiros. Por testamento, ele deixou 4.000 francos para o Instituto Pasteur, em Nova York”. Gibier pesquisou e escreveu sobre o tratamento da raiva e estudos sobre a cólera, como pode ser consultado no site da Biblioteca Nacional Francesa, indicado abaixo. O governo francês havia confiado a Gibier o estudo local de duas epidemias de cólera (Antilhas) e duas epidemias de febre amarela (Antilhas e Flórida). Ele era muito estimado por Pasteur, que considerava bastante a sua pessoa e suas pesquisas. Paul Gibier foi à Nova Iorque, onde fundou um Instituto Pasteur. Após a publicação da sua primeira obra, denominada “Espiritismo” em 1886, os inimigos do Espiritismo acusaram-no de fraude, de ser cúmplice de prestidigitadores, que o teriam usado. Paul Gibier, impulsionado pela necessidade de se defender, publicou relatórios de serviços, indícios de as faculdades de observação e também uma carta de Louis Pasteur, para cortar pela raiz as polêmicas. A carta dizia: “Caro Sr. Gibier, Conhecendo os novos métodos aplicados ao estudo das doenças contagiosas, o senhor poderá abordar as difíceis pesquisas que irá empreender. Desconfie sobretudo, de uma coisa: a precipitação no desejo de concluir. Seja um inimigo vigilante e tenaz consigo mesmo. Pense sempre que está em erro... Meus parabéns e um cordial aperto de mão. L. Pasteur” (Gibier, 2001, p. 12-13). Ref. https://data.bnf.fr/en/13002175/paul_gibier/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/gibier-paul-1851-1900 Ref. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2463115/?page=1 e https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2463115/?page=2 Mais informações: https://www.scientificamerican.com/article/death-of-dr-paul-gibier/ Mais informações: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM190006141422408 Charles Robert Richet 1850-1935 Fisiologista francês. Membro da Academia de Ciências. Professor de fisiologia na Faculdade de Medicina de Paris (1887-1925). Prêmio Nobel de Medicina em 1913. Richet era filho de Alfred Richet, um ilustre cirurgião. Enquanto frequentava o Lycée Bonaparte, ficou indeciso se se dedicava à literatura ou à ciência. Ele entrou na faculdade de medicina, mas estava entediado com anatomia e cirurgia, e escrevia poesia e drama para se divertir. Servindo como estagiário em 1873, ele foi colocado à frente de uma enfermaria feminina, onde testemunhou um experimento hipnótico. Nos dois anos seguintes, ele produziu inúmeros transes hipnóticos em seus pacientes, publicando um resumo de suas experiências em 1875. O comportamento característico dos sujeitos hipnóticos, argumentou ele, não pode ser explicado como simulação. Os fenômenos básicos de um transe hipnótico seguiram um curso tão regular quanto uma doença. Quanto mais frequentemente uma pessoa é colocada em um estado hipnótico, observou Richet, mais distintos se tornam os fenômenos hipnóticos. A experiência de Richet com o hipnotismo estimulou um interesse vitalício nas associações entre fenômenos psíquicos e fisiológicos e ajudou a persuadi-lo a abandonar a carreira de cirurgião e voltar-se para a fisiologia. Charles Richet nasceu em 26 de agosto de 1850, em Paris. Ele era filho de Alfred Richet, Professor de Cirurgia Clínica na Faculdade de Medicina de Paris, e de sua esposa Eugenie, nascida Renouard. Ele estudou em Paris, tornando-se Doutor em Medicina em 1869, Doutor em Ciências em 1878 e Professor de Fisiologia a partir de 1887 na Faculdade de Medicina de Paris. Durante 24 anos (1878-1902) foi Editor da Revue Scientifique, e a partir de 1917 foi co-editor do Journal de Physiologie et de Pathologie Générale. Ele publicou artigos sobre fisiologia, química fisiológica, patologia experimental, psicologia normal e patológica e numerosas pesquisas, todas feitas no laboratório fisiológico da Faculdade de Medicina de Paris, onde tentou estudar fatos normais e patológicos juntos. Em fisiologia, ele trabalhou o mecanismo de termorregulação em animais homoiotérmicos. Antes de suas pesquisas (1885-1895) sobre polipneia e tremores devido à temperatura, pouco se sabia sobre os métodos pelos quais animais privados de transpiração cutânea podem se proteger do superaquecimento e como os animais gelados podem se aquecer novamente. Em terapêutica experimental, Richet mostrou que o sangue de animais vacinados contra uma infecção protege contra essa infecção (novembro de 1888). Aplicando esse princípio à tuberculose, ele aplicou a primeira injeção soroterapêutica no homem (6 de dezembro de 1890). Em 1900, Charles Richet mostrou que alimentar com leite e carne crua (zomoterapia) pode curar cães tuberculosos. Em 1901, ele estabeleceu que, ao diminuir o cloreto de sódio nos alimentos, o brometo de potássio se torna tão eficaz no tratamento da epilepsia que a dose terapêutica cai de 10 g para 2 g. Em 1913, ele recebeu o Prêmio Nobel por suas pesquisas sobre anafilaxia. Ele inventou essa palavra para designar a sensibilidade desenvolvida por um organismo após ter recebido uma injeção parenteral de um coloide, substância proteica ou toxina (1902). Mais tarde, ele demonstrou os fatos de anafilaxia passiva e anafilaxia in vitro. As aplicações da anafilaxia na medicina são extremamente numerosas. Já em 1913, mais de 4000 memórias foram publicadas sobre esta questão e ela desempenha um papel importante hoje em dia na patologia. Ele mostrou que de fato a injeção parenteral de substância proteica modifica profunda e permanentemente a constituição química dos fluidos corporais. A maioria dos trabalhos fisiológicos de Charles Richet espalhados em várias revistas científicas foram publicados no Travaux du Laboratoire de la Faculté de Médecine de Paris (Alcan, Paris, 6 vols. 1890-1911) (Trabalhos do Laboratório de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Paris). Entre suas outras obras estão: Suc Gastrique chez l'Homme et chez les Animaux, 1878 (Suco gástrico no homem e nos animais); Leçons sur les Muscles et les Nerfs, 1881 (Palestras sobre os músculos e nervos); Leçons sur la Chaleur Animale, 1884 (Palestras sobre o calor animal); Essai de Psychologie Générale, 1884 (Ensaio sobre psicologia geral); Souvenirs d'un Physiologiste, 1933 (Memórias de um fisiologista). Ele também foi o editor do Dictionnaire de Physiologie, 1895-1912 (Dicionário de Fisiologia), do qual apareceram 9 volumes. Entre seus interesses estava o espiritualismo e a escrita de algumas obras dramáticas. Em 1877, Charles Richet casou-se com Amélie Aubry. Tiveram cinco filhos, Georges, Jacques, Charles (que, como seu pai, foi professor na Faculdade de Medicina de Paris e foi, por sua vez, sucedido por seu filho Gabriel), Albert e Alfred, e duas filhas, Louise (Mme Lesné) e Adèle (Mme le Ber). Charles Richet era filho de Alfred Richet, reconhecido cirurgião e professor da Faculté de Médecine de Paris, de quem Pasteur era colega (Debré, 1995, p. 384, 394). Na época do levantamento de fundos para a construção do Instituto Pasteur, em que muitas ações foram feitas, Charles Richet também contribuiu sugerindo a organização de uma noite de gala, que ocorre em 11 de maio de 1886 (Debré, 1995, p. 515). Dentre as várias obras (dentre artigos, livros e tratados) de Fisiologia, Psicologia e Metapsíquica, Charles Richet escreveu o livro “L´Oeuvre de Pasteur” (A obra de Pasteur: Aulas Ministradas na Faculdade de Medicina de Paris) em 1923, em homenagem ao centenário do nascimento de Pasteur. Também escreveu “La Gloire de Pasteur”, a qual ganhou prêmio de poesia na Academia Francesa. Ref. https://data.bnf.fr/en/11921904/charles_richet/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1913/richet/biographical/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/charles-robert-richet Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Charles-Richet Mais informações: https://www.interparadigmas.org.br/wp-content/uploads/2019/01/Interparadigmas-Chiesa-N5.pdf Michel de Nostredame (Nostradamus) 1503-1563 *Ver microbiografia de Nostradamus no grupo Doenças Infectocontagiosas. Nas Profecias de Nostradamus - Centúria 25, chama a atenção a citação nominal de Pasteur (Cheetham, 1977, p. 24). “Perdu trouvé, caché de si long siecle, Perdido recuperado, escondido por muitos séculos. Sera Pasteur demi Dieu honoré: Pasteur será celebrado como semideus. Ains que la lune acheve son grand siecle, E assim que a lua complete seu grande ciclo, Par autres vents sera deshonoré”. Por outros ventos será desonrado. “Não bastasse citar o nome de Pasteur, também especifica a data, embora isso não seja logo evidente. A descoberta de Pasteur, de que germes poluem a atmosfera, foi das mais importantes da história de medicina e levou à teoria da esterilização de Lister. A Enciclopédia Britânica diz que Pasteur, o “semi-deus”, “era agora reconhecido como o iniciador do maior movimento da química da época”. Ele fundou o Instituto Pasteur a 14 de novembro de 1888; o ciclo da lua teve lugar de 1535 a 1889. Os ventos (rumores) que o teriam desonrado podem significar a violenta oposição aos seus métodos, entre os poderosos membros da Academia, contra as novas práticas do Instituto, tais como, vacinas contra a hidrofobia, etc.” (Cheetham, 1977, p. 24). Edgard Pereira Armond 1894-1982 Militar brasileiro. Médium. Aos 21 anos, ingressa na Força Pública de São Paulo, onde inicia a carreira que lhe daria o um título, pelo qual é conhecido até hoje: “Comandante”. Participou de vários movimentos militares, atuando nas revoluções de 1922 e 1924 onde fez parte das tropas de ocupação nas nossas fronteiras com o Paraguai e Argentina. Em 1926 diploma-se como dentista pela Escola de Farmácia e Odontologia do Estado de São Paulo. Paralelamente, começa a estudar e trabalhar no Espiritismo. Em 1939, já considerado inválido para o serviço militar após um acidente de carro, é convidado a ocupar o cargo de secretário-geral da Federação Espírita do Estado de São Paulo, após reestruturar seus trabalhos espirituais. Em 1950, após a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, Edgard cria também o Curso de Médiuns, visando à melhoria do intercâmbio com o mundo espiritual e a Fraternidade dos Discípulos de Jesus, como órgão de agrupamento dos trabalhadores do campo religioso. Uma destas Fraternidades, chamada Fraternidade dos Irmãos Humildes, é por hipótese, o agrupamento de médicos e cientistas, orientando trabalhos de cura e pesquisa. Colaboram neste setor: Bezerra de Menezes, Louis Pasteur, André Luiz, Eurípedes Barsanulfo, e ainda, Hilarion e Ramatis, em caráter pessoal (Armond, 2000, p. 140). Por hipótese, Pasteur orientou o Comandante Armond na criação dos atendimentos personalizados. A padronização do passe Pasteur foi introduzida na FEESP por iniciativa de Edgard Armond, por meio do livro “Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura”, de 1950 (Valenti, 2005, p. 41). Na Federação Espírita, os agrupamentos de médiuns experientes e selecionados para processos avançados, são denominados Grupos Pasteur, em homenagem ao espírito chefe da equipe que atua no plano espiritual, sendo os passes conhecidos como Pasteur 1 (P1), Pasteur 2 (P2), Pasteur 3 (P3) e Pasteur 4 (P4) (Armond, 1950, p. 138-144; Zühlke, 2002, p. 109). Edgard Armond escreveu mais de 20 livros. Ref. https://feesp.com.br/edgard-pereira-armond/ Martha Gallego Thomaz (Vó Martha) 1915-2014 Médium brasileira. Martha teve sua primeira experiência mediúnica aos 3 anos, em 1918, e desenvolveu uma extensa carreira na área. Autora de dois livros ditados e três psicografados, ela dirigiu trabalhos na Federação Espírita do Estado de São Paulo, desde 1956, e no Grupo Noel, casa que ajudou a fundar em 1977 e que oferece atendimento social e doutrinário a mais de 3 mil pessoas por mês. Autora de 5 obras, dentre elas “O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço”, em que explica que as “Fraternidades” são agrupamentos espirituais dedicados ao bem (Thomaz, 1994, p. 29). Martha escreve sobre a ajuda de Pasteur, orientando Edgard Armond, na criação dos atendimentos padronizados, e que Pasteur trouxe consigo, para esta mesma tarefa, Santo Agostinho, ambos dedicados a harmonizar os tratamentos existentes (Thomaz, 1994, p. 46). Ref. https://www.revistaplaneta.com.br/martha-gallego-thomaz/ Neide Prado Zühlke ? Médium e autora brasileira. Em sua obra, "O Mestre Louis Pasteur", Zühlke (2002, p. 103-112 ) afirma que a implantação dos trabalhos espirituais aconteceu a partir de 1936, data da Fundação da Federação Espírita do estado de São Paulo (FEESP). Por volta de 1940, o cientista Pasteur agrupou-se à Fraternidade dos Irmãos Humildes. Com os cooperadores encarnados, entre eles Edgard Armond, foram fundados os Trabalhos Especializados Pasteur, para o atendimento de moléstias e curas magnéticas, de obsessão profunda, males físicos, doenças graves (câncer, Aids), tabagistas, toxicômanos, alcoolistas, pessoas com ideação / tentativa de suicídio, crianças e adolescentes, etc. Próximo Grupo

  • Biografia | Pasteur Brasil

    Biografia Resumida Cronologia Biógrafos Da origem simples nas montanhas do Jura às contribuições científicas que marcaram a História da Medicina Dole Cidade natal Arbois Lar por toda a vida Infância e juventude Primeiros amigos e início dos estudos Beneméritos Professores e benfeitores Besançon Estudos e novos amigos Arte Pinturas realizadas até a juventude École Normale Supérieure Ingresso na ENS em Paris Cristalografia Despontar científico Estrasburgo Capital universitária e comercial Casamento Esposa e filhos Academia de Ciências Contatos produtivos Viagem científica Em busca do ácido racêmico Fermentação Vida dos microorganismos Trabalho na ENS Gestão e pesquisas Absorção reflexiva Silêncio olímpico Pasteurização Patente entregue ao público Orçamento da ciência Crítica ao subfinanciamento Gerações ditas espontâneas Teoria dos germes Doenças do Bicho-da-seda Micróbios em seres vivos Doenças Infectocontagiosas Animais e humanos Início da Vacinação Precursores e experimentos Vacinação: Raiva Imunoterapia ativa Pasteurianos Colaboradores multiprofissionais Academia de Medicina Preleções e contestações Academia Francesa "Honra suprema"

  • Estrasburgo | Pasteur Brasil

    Estrasburgo Em 1846 Pasteur obteve a agrégation em Física. Em 1847 defendeu suas teses em Química e Física na Faculdade de Paris e, em 1848, realiza sua primeira comunicação na Academia de Ciências. A pós o doutoramento em Física e Química, Pasteur é nomeado professor secundário de física no Liceu de Dijon, onde atua por pouco tempo. Com a ajuda de Jérôme Balard e Jean-Baptiste Biot, consegue um cargo de professor de química na Faculdade de Estrasburgo. Chega à cidade alsaciana em 22/01/1849, e instala-se na casa do grande amigo Pierre-Augustin Bertin, que exalta as qualidades desta capital universitária e comercial, com numerosas indústrias. Prontamente, Louis Pasteur envia uma carta ao industrial Charles Kestner (1803-1870), para solicitar a gentileza de ceder alguns quilos de ácido racêmico para continuar suas pesquisas sobre a cristalografia. Este industrial fornecerá apoio fundamental para o aprofundamento das pesquisas de Pasteur. No 4º dia em Estrasburgo, o amigo Bertin o apresenta ao reitor da Universidade, Aristide Laurent (1795-1862). Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam lhe rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio dos respeitados químicos Biot, Dumas e Balard. Nos domingos à tarde, Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários. Ao visitar a sua residência, Pasteur se sente imediatamente cativado por uma das filhas do reitor, Marie Anne Laurent (1826-1910). A jovem, criada em ambiente intelectual, era educada e séria, com inflexão vocal doce e macia. Ela lhe contou sobre as origens desta que era uma das mais velhas cidades da Europa, mesmo antes da fundação romana. Marie tocou Chopin ao piano e ambos interagiam de modo fluido. No dia seguinte, em uma decisão relâmpago, Pasteur escreve ao pai dizendo-se apaixonado e que faria uma carta respeitosa ao Sr. Laurent com um pedido de casamento à filha do reitor. Pasteur havia completado 26 anos. Após o retorno do pai, despachou a carta ao Sr. Laurent e aguardou ansiosamente pela resposta. Neste ínterim, escreveu às irmãs: “Temo que Marie dê muita importância às primeiras impressões (...) Nada tenho que possa agradar a uma jovem. Mas minhas lembranças me dizem, todavia, que quando as pessoas me conhecem bem, passam a gostar de mim” (Garozzo, 1974, p. 74). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. RICHET, Charles. L´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Félix Alcan, 1923. Webgrafia: https://phototheque.pasteur.fr/ Pasteur em 1852 em Estrasburgo. Pasteur defende duas teses em 1847. A tese de Química trata sobre a capacidade de saturação do ácido arsenioso; a de Física sobre a capacidade das soluções de desviar o plano de polarização de uma onda luminosa que os atravessa (poder rotatório). Teses de Física e Química. Primeiros trabalhos de envergadura de Pasteur expostos na Academia de Ciências. Graças aos experimentos sobre o poder rotatório das soluções e sobre os cristais, Louis Pasteur mostra que os mesmos átomos podem se organizar espacialmente de diversas maneiras, formando assim substâncias de propriedades distintas. "Pesquisa sobre as propriedades específicas de dois ácidos que compõem o ácido racêmico por ML Pasteur." Annals of Chemistry and Physics, 3rd series. (Janeiro de 1850). Charles Kestner, industrial alsaciano que produziu acidentalmente o ácido tartárico. Esta segunda forma de ácido tartárico foi descoberta em 1819 no vinho por esse industrial da Alsácia. Gay-Lussac visitou a sua fábrica em 1826 e recolheu amostra e depois deu o nome de ácido racêmico. Universidade de Estrasburgo. Marie Pasteur, nascida Laurent (1826-1910), por volta de 1854. Desenhado por sua prima Adèle Laurent. Exibido no museu Pasteur, quarto de Madame Pasteur. Continue lendo a biografia

  • Análise dos Grupos | Pasteur Brasil

    Análise dos Grupos de Personalidades Voltar para os Grupos

  • Amigos de Infância e Adolescência | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Amigos de Infância e Adolescência Alexandre Charrière, Guillemin e Ferdinand Coulon ? Junto a estes três amigos franceses de infância em Arbois, Pasteur e os irmãos Vercel (descritos a seguir) pescavam no rio Cuisance, onde banhavam-se no verão. Gostavam de escorregar na neve no inverno em pequenos trenós, além dos jogos da época: bolinhas de gude, jogo da péla (ancestral do tênis) (Debré, 1995, p. 32). Os meninos também participavam da colheita e das festas da uva. Gostavam de matar passarinhos, mas Pasteur se recusava (Garozzo, 1974, p. 31). Louis Pasteur junta-se às propostas de brincadeiras dos amigos, mas afasta-se desgostoso quando se trata de ferir ou apanhar um pássaro (Viñas, 1991, p. 33). Jules Vercel e Altin Vercel 1819-1894 / 1820-1901 Os irmãos Vercel se tornaram amigos de Pasteur desde à infância em Arbois. Eram franceses, filhos de vinhateiros. Pasteur faz o retrato, em pastel, de Altin Vercel. Aos 15 anos Pasteur e Jules vão à Paris para estudar. Alojam-se no Instituto Barbet (senhor do Franco-Condado). Jules era divertido e alegre, de modo que tudo era bom e agradável em Paris. Porém, Pasteur fica sem dormir, não come direito e só fala do Jura. Então, retorna para a casa dos pais logo depois. Jean-Joseph, o pai, vai até Paris buscá-lo (Garozzo, 1974, p. 30, 40-42). Mais tarde, em 1870, em pesquisas sobre os microorganismos, Pasteur visita diferentes localidades, dentre elas Arbois, onde, acompanhado pelo amigo de infância Jules Vercel, carregou vinte frascos e adentrou os campos para a coleta do ar ambiente (Garozzo, 1974, p. 97-98). Em fevereiro de 1894, Pasteur recebe com tristeza a comunicação da morte de seu querido amigo de infância Jules Vercel (Debré, 1995, p. 546). Ao saber do falecimento, Pasteur escreve à esposa de Jules: “Minha esposa e meus filhos esconderam de mim por alguns dias a perda cruel que você acabou de sofrer, sabendo bem a profunda tristeza que eu experimentaria. Durante todo o inverno este querido amigo passou por uma cruel provação. Eu senti muito, do fundo do meu coração. Agora eu choro por ele, o melhor dos homens e o mais fiel dos amigos” (Ref. https://ader.auction.fr/_fr/lot/louis-pasteur-las-paris-27-fevrier-1894-a-mme-jules-vercel-a-arbois-frac34-page-13987739#.YC96I-hKjnY ). Mais informações: https://www.confrerie-royal-vin-jaune.fr/Mystn-rieux-vin-jaune-17.html Charles Chappuis 1822-1897 Filósofo francês. Inspetor Geral Honorário da Educação Primária em 1894. Amigo de Pasteur desde a época dos estudos no Collége Royal de Besançon. “É o único capaz de tirar Pasteur do mutismo e diverti-lo” (Debré, 1995, p. 41). Este grande amigo de Pasteur é filho do tabelião de Saint-Vit. Pasteur sente-se bem com "esse camarada pouco expansivo e aprecia sua tenacidade e autoridade, quando ambos mergulham em seus deveres de filosofia" (Debré, 1995, p. 41). Pasteur e Chappuis têm uma excelente relação afetiva e intelectual. Compartilham leituras e deveres de filosofia. Aos 17 anos, Pasteur vai com Chappuis para Paris estudarem no Liceu Saint-Louis e se prepararem para o concurso da École Normale Superieure. Aloja-se novamente no Instituto Barbet (senhor do Franco-Condado). Gostavam de passar os finais de semana em uma biblioteca, lendo obras filosóficas. Fizeram raros passeios pela cidade. Chappuis torna-se filósofo, doutor em Letras, professor de Filosofia da Faculdade de Letras de Besançon e escritor. “Chappuis vai tornar-se, na vida, o amigo privilegiado e confidente de Pasteur, respeitando suas escolhas e guiando as suas ambições” (Debré, 1995, p. 41). Ref. https://data.bnf.fr/en/10429857/charles_chappuis/ Pierre-Augustin Bertin 1818-1884 Físico francês. Amigo de Pasteur desde o tempo do Collège Royal de Besançon, onde Pasteur vai estudar aos 17 anos, diplomando-se bacharel em Letras. Bertin estudará com Pasteur na École Normale Supérieure em Paris e se tornará professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Bertin foi companheiro jovial e agradável, sempre fiel ao amigo. Foi um dos únicos amigos capazes de divertir o introvertido Louis Pasteur, se tornando companhia inseparável. Torna-se professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Pasteur chega a Estrasburgo em 22/01/1849. "Assim que desembarca, instala-se na casa de Pierre-Augustin Bertin, no cais des Pêcheurs, a alguns passos da faculdade" (Debré, 1995, p. 79). Bertin receberá o cientista na cidade e o apresentará ao reitor da Universidade, Aristide Laurent, o futuro sogro de Pasteur. Em Paris, também ajudará Louis na seleção dos estagiários para o laboratório na Rua Ulm. Jules Marcou 1824-1898 Geólogo francês. Trabalhou vários anos com Louis Agassiz (1807-1873) nos Estados Unidos. Jules Marcou nasceu no Jura, colega de classe em Besançon, amigo por toda vida de Louis Pasteur. Pasteur faz seu desenho em pastel, de uniforme escolar. Como geólogo, Marcou participa da exploração científica das Montanhas Rochosas nos EUA. Ainda jovem, publicou o primeiro Mapa Geológico dos Estados Unidos (1853) e posteriormente o Mapa Geológico da Terra (1861 e 1875), que teve grande sucesso. Torna-se professor na Universidade de Harvard. Em fevereiro de 1893, devido às sequelas do AVC, Marie Pasteur escreve a Jules Marcou: "Caro senhor Marcou, seu amigo Pasteur continua a passar bem, mas precisa se resignar a deixar de lado todo o trabalho cansativo. Ele se interessa pelo trabalho dos outros. É com prazer que ainda comparece às Academias. Solícito, observa seus netos crescerem, e, com os cuidados que deve dispensar à saúde, o tempo passa sem muita dificuldade" (Debré, 1995, p. 546). Próximo Grupo

  • Gerações ditas espontâneas | Pasteur Brasil

    Gerações Ditas Espontâneas Do estudo dos fermentos, Pasteur passa ao da geração dita espontânea, seguindo uma sequência lógica. Não é a primeira vez que o cientista tenta explicar a origem da vida. Suas pesquisas sobre a dissimetria molecular e suas descobertas no campo dos microorganismos responsáveis pelas fermentações, levaram-no a enfrentar a própria definição do que é vivo e as condições do seu aparecimento. Pasteur não escapa de uma das questões fundamentais da ciência: pode-se criar vida a partir do nada? O século todo levanta interrogações sobre a noção de vida. Darwin parte para Galápagos e teoriza sobre a evolução das espécies, enquanto Pasteur, junto ao seu microscópio, investiga a origem dos germes. Félix Archimède Pouchet, naturalista e médico, adquiriu renome pelas diversas pesquisas no campo da biologia animal e vegetal, e enviava comunicações à Academia de Ciências especialmente sobre a geração espontânea, da qual era um fervoroso apóstolo. Em 1859, Pasteur responde uma carta de Pouchet acerca de suas notas ao Instituto: “Penso, pois, que o senhor não tem razão, não por crer na geração espontânea, dado que é difícil em semelhante questão não possuir uma ideia preconcebida, mas por afirmar a certeza da geração espontânea. Nas ciências experimentais, sempre se está errado ao não se duvidar quando o resultado não tende obrigatoriamente à afirmação”. Naquele ano, Pasteur ainda não dispunha de meios para comprovar sua intuição e caracterizar rigorosamente o papel do ar no fenômeno observado: o surgimento da fermentação em seus tubos de ensaio. Mas o cientista vai procurar, por toda uma série de experiências, aprofundar a questão. Pasteur combinava rigor teórico e precisão experimental quando afirmava que nada mais faltava para confrontar um dos mais antigos problemas da humanidade: “a clareza de um raciocínio aritmético para convencer os adversários das suas conclusões” (Debré, 1995, p. 176). Félix Archimède Pouchet desenvolve o conceito de heterogenia e publica em 1859 o espesso livro intitulado “Traité de la Génération Spontanée”, no qual postula que se existe o fenômeno é porque Deus o quis aplicar e afirma: “A geração espontânea é a produção de um ser orgânico novo, desprovido de genitores e cujos elementos primordiais foram todos tirados da matéria ambiente” (Debré, 1995, p. 181). Pouchet não está só: outros dois cientistas o apoiam, Nicolas Joly e Charles Musset. Em contrapartida, na Academia de Ciências mostram-se todos reticentes. Henri Milne-Edwards, Jean-Baptiste Dumas e Claude Bernard, principalmente, tentam suscitar determinadas críticas e levantar-se contra as assertivas do trio espontaneísta. Em 1862 a Academia propôs estabelecer um concurso com o seguinte tema: “Procurar, por meio de experiências bem-feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas”. Pasteur já se mostrava inventivo pela instalação de uma bomba a vácuo para captar o ar da vizinhança, mas será Balard que vai lhe inspirar um outro modelo experimental: balões que se comunicam com o ar exterior através de um gargalo de diferentes formas e comprimentos. Caso se deposite nesses diferentes balões um líquido fermentável, que será fervido após a introdução, e se se colocam esses balões num lugar onde o ar é tranquilo, o líquido permanece límpido durante meses. O pescoço de cisne evita a passagem das partículas; o vidro, dadas suas sinuosidades, extravia os micróbios, que caem nas partes em declive. O sucesso da experiência possibilitará o recebimento do prêmio supracitado, relativo à questão da geração espontânea. No entanto, inúmeras controvérsias vão surgir. Pouchet não valida a presença de germes no ar, e muitas outras experiências são realizadas. A Academia, cansada das discórdias, decide criar uma comissão de investigação. O júri avalia os experimentos e rejeita as reclamações de Pouchet, que deixa o local do debate renunciando ao teste comparativo. Pasteur vai à Sorbonne defender sua posição contrária à geração espontânea em 1864. O público é numeroso. Nos corredores puderam ser vistos Alexandre Dumas, George Sand e a princesa Mathilde. Pasteur vai falar perante toda Paris. Há aplausos, a maioria faz uma ovação a Pasteur, mas o orador não convence a todos. O divulgador Louis Figuier deixa a sala dizendo: “Entrei aqui se ter nenhuma opinião sobre as gerações espontâneas, e parto convencido de que o senhor Pasteur está do lado da falsidade, e o afirmarei” (Debré, 1995, p. 194). O debate deixa a arena estritamente científica para atingir o grande público. Logo se acusa Pasteur de estar a serviço de uma doutrina, e as hostilidades alimentadas pela imprensa continuam a arrastar seus partidários para fora do laboratório e do microscópio. As questões suscitadas pertencem desde então à metafísica e mobilizam jornalistas e filósofos. Os jornais, as revistas literárias e a opinião pública apossam-se de balões de pescoço de cisne da mesma forma que o fazem com a obra “A Vida de Jesus” de Ernest Renan e com a divulgação das ideias de Darwin. Inevitavelmente, tal publicidade falseia os dados e a confusão se instala, porque já não se trata de questão de ciência: é a eterna oposição dos espiritualistas e dos materialistas que reaparece. Por muitos anos os estudos sobre a geração espontânea foram realizados numa atmosfera de intensa excitação e de apaixonada controvérsia, pois era erroneamente julgado, por alguns dos participantes, que o problema envolvia questões religiosas – um ponto de vista que Pasteur negava energicamente (Dubos, 1967, p. 420). Pasteur afirma: "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). As polêmicas envolvendo as gerações ditas espontâneas não se encerram. Tardias controvérsias irão ocorrer. Pasteur segue lutando contra toda uma série de contraditores, cujas objeções se multiplicarão até o fim do século. No entanto, diante do falecimento de Félix Pouchet em 1872, Pasteur pronunciará: “Este cientista consciencioso merece o reconhecimento de todos pelo o que fez de bom e de útil, e até em seus erros, ele deve ser totalmente respeitado” (Debré, 1995, p. 200). Cansado do combate de cientistas espontaneístas, Pasteur adota um tom cortante aos seus contraditores. De irônico, torna-se duro e exclama com impaciência. Este período perdura inclusive mais tempo que o debate original com Pouchet. Pasteur põe-se a lutar contra todos os adversários com meticulosidade, paixão, força do tom e convicção: “Em resumo, aonde querem chegar, partidários da heterogenia ou sustentáculos complacentes e inconsciente dessa doutrina? Combater as minhas asserções? Ataquem as minhas experiências. Provem que são inexatas, em vez de fazer constantemente outras que não passam de variantes das minhas, mas nas quais os senhores introduzem erros que, em seguida, é preciso mostrar-lhes com o dedo”. Não é por acaso que o início da notoriedade de Pasteur junto ao grande público date desse período. A posição do cientista é desprovida de ambiguidade, a qual ele faz questão de reafirmar continuamente: “Não se trata aqui nem de religião, nem de filosofia, nem de qualquer sistema. Pouco importam as afirmações e as visões a priori, é uma questão de fatos” (Debré, 1995, p. 200). Na palestra em Sorbonne, Pasteur se absteve de filosofar. Não negou que a geração espontânea era uma possibilidade; meramente afirmou que nunca havia sido demonstrada sua ocorrência: “Não há circunstância alguma conhecida na qual tenha sido demonstrado que os seres microscópicos vieram ao mundo sem a presença de gérmens, sem origens semelhantes a eles mesmos. Aqueles que afirmam isso foram enganados por ilusões, por experiências mal conduzidas, por erros que eles não perceberam ou não souberam como evitar” (Dubos, 1967, p. 44). Referências: BIRCH, Beverley. Louis Pasteur. São Paulo, SP: Globo, 1993. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Charles Darwin. Felix-Archimede Pouchet. Continue lendo a biografia

  • Arte | Pasteur Brasil

    Arte Entre os 13 e 20 anos, Pasteur produziu cerca de 40 pinturas, sendo a maioria em pastel, sem benefícios financeiros. Desde criança sempre se deleitou desenhando: copiava as gravuras dos livros a carvão ou grafite. Retratou homens, mulheres e crianças: familiares, amigos, o prefeito de Arbois, o escrivão da corte de Arbois, uma freira, um professor da Faculdade de Medicina de Besançon, a costureira da família, um viticultor, dentre outros. Em Arbois, teve aulas de desenho com Étienne-Charles Pointurier (1809-1853) e em Besançon torna-se aluno de Charles-Antoine Flajoult (1774-1840), que havia sido professor de Gustave Coubert (1819-1877). O estilo deste último pintor, bem como de impressionistas como Manet, Monet, Sisley e Pissarro não agradavam L. Pasteur, que preferia a arte clássica de Thomas Couture, Jean-Jacques Henner e Paul Dubois, a quem o cientista conheceu pessoalmente. Ao ingressar na École Normale Supérieure, Louis dedicou-se definitivamente à ciência. No entanto, suas habilidades artísticas foram transpostas, por exemplo, para a compreensão da existência de moléculas idênticas, porém espelhadas no espaço (3D). Deste modo, Pasteur funda a Estereoquímica, o ramo científico que estuda os aspectos tridimensionais das moléculas. Moldes dos ácidos tartárico e paratartárico, construídos por Pasteur, podem ser vistos em exposições e museus ao redor do mundo. Quanto à avaliação das obras que Pasteur produziu, Albert Edelfelt (1854-1905), pintor finlandês de diversos quadros de L. Pasteur e sua família, disse em 1887: “Seus trabalhos são bons ao extremo, e feitos com energia, cheios de caráter, muito superiores ao trabalho habitual de jovens que se dedicam à carreira artística. Há algo de um grande analisador nestes retratos. Estou seguro que se Pasteur tivesse escolhido a arte em vez da ciência, a França contaria hoje com um de seus mais capazes pintores” (Dubos, 1967, p. 28). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/WS/HOME_MENU/node/173/slug/oeuvre-artistique-de-louis-pasteur/nobc/1/page/1 Continue lendo a biografia

  • Descobertas | Pasteur Brasil

    Principais Descobertas O químico lançou as bases para várias disciplinas: Biologia Molecular, Epidemiologia Infecciosa, Imunologia, Vacinologia. Primeiras descobertas Cristalografia Os trabalhos nesta área abriram um novo campo na química, denominado Estereoquímica, trazendo o caráter operativo das representações tridimensionais das moléculas. Início da microbiologia científica Fermentação Desvendou-se o mistério da fermentação: o papel dos microorganismos. As repercussões vão desde o fim da era da geração espontânea até ao papel dos organismos invisíveis na etiologia de uma série de doenças. Em construção Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Extensão do método experimental Teoria dos Germes A elucidação detalhada das doenças do bicho-da-seda permitiram a comprovação científica de contágios de microorganismos nas áreas agrícola, animal e humana. Houve o estabelecimento do método científico experimental. Estabelecimento da vacinação Imunologia Abertura ao vasto campo de tratamentos de doenças infectocontagiosas e o início da vacinação em massa.

  • Academia Francesa | Pasteur Brasil

    Academia Francesa Pasteur fica lisonjeado com as solicitações de candidatura à Academia Francesa, que além de literatos acolhe também políticos, membros de tribunais e das cátedras. Entrar na Academia Francesa seria aquilo que “muitos consideram como a honra suprema” (Debré, p. 418). Foi dito também que esta Academia era uma sociedade composta por 40 das pessoas mais importantes da França. Pasteur parece não duvidar da própria eleição, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (canal de Suez), o poeta Sully Prudhomme (que será em 1901 o primeiro laureado do prêmio Nobel de Literatura), Paul de Saint-Victor (jornalista brilhante patrocinado / apoiado por Victor Hugo) e Victor Cherbuliez (romancista) (Debré, 1995, p. 419-420). A candidatura de Pasteur é apresentada por Ernest Legouvé, dramaturgo de sucesso, e tio avô de René Vallery-Radot, seu genro. Legouvé prepara o terreno e se encarrega de desencorajar os adversários. Pasteur então envia ao secretário vitalício da Academia Francesa, Camille Doucet sua candidatura oficial. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia. Dos 40 membros, 38 votaram, sendo 20 a seu favor (em segundo lugar, Victor Cherbuliez recebeu 8 votos) (Debré, 1995, p. 420). Charles-Augustin Sainte-Beuve solicita a Pasteur sua candidatura na Academia Francesa. Conquanto suas opiniões, em política e religião, sejam opostas às de Pasteur, ele admira o cientista. E a recíproca é verdadeira (Debré, 1995, p. 143, 152, 154-159). Alexandre Dumas (filho) agradece a Pasteur por “querer ser um dos nossos” (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Em 1º de janeiro de 1895 (ano da morte de ambos), Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho), colega da Academia Francesa, para cumprimentá-lo (Debré, 1995, p. 546). Pasteur é admitido na Academia Francesa em 08/12/1881, pouco antes de completar 60 anos, sucedendo Émile Littré (Debré, 1995, p. 392). Quando Littré era vivo, Pasteur o presenteou com a obra escrita por ele em 1879 “Exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação”. O livro contém uma dedicatória de Pasteur a Émile Littré: “ao senhor Littré, da Academia Francesa, homenagem de profundo respeito. L. Pasteur”. Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). Ao ingressar na Academia, a preocupação de Pasteur passa a ser o discurso tradicional de sucessão, no qual deve elogiar o seu predecessor. Além do desacordo quanto ao positivismo, a antipatia de Pasteur deve-se a um desacordo político, pois Littré foi um dos primeiros a pedir a perda do trono de Napoleão III. Um longo espaço de tempo vai separar a eleição da recepção: mais de 4 meses. Pasteur passa todo o inverno a trabalhar nisso. À noite, se isola e tenta polir as frases. Contudo, não quer deixar de ser justo (em sua visão): o positivismo lhe parece um erro perigoso que é preciso combater, mas nada o impede de reconhecer as qualidades pessoais de Littré e o valor de seus trabalhos. Então, vai até a casa de campo onde vive a viúva e a filha de Littré. Lá Pasteur se sente comovido pela simplicidade com a qual Littré vivia, cujo trabalho, na intimidade da vida em família era sua verdadeira felicidade (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Percorrendo a casa e o pequeno jardim onde Littré cultivava seus legumes e colhia frutas, Pasteur tenta compreendê-lo, mas considera um erro que o positivismo não tinha em conta a noção do infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 315). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam seus manuscritos. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Em 27 de abril de 1882, Pasteur vai à cúpula. Nem todos os 40 membros estão presentes. Victor Hugo, doente, manda se desculpar pela ausência. No entanto, há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Antes da eleição, Pasteur havia se apresentado a Victor Hugo, e este respondeu resmungando “O que o senhor diria se eu pretendesse ser eleito para a Academia de Ciências?” (Debré, 1995, p. 420). Em 27 de abril de 1882 Pasteur entra na Academia Francesa acompanhado dos dois padrinhos (Dumas e Nisard), com um estilo enérgico e físico robusto (como descreve um jornalista). Além dos vários membros da Academia e de toda a família de Pasteur, está presente também a princesa Matilde, que veio aplaudi-lo. Na época, alguns jornalistas destacam que neste mesmo dia, Charles Darwin, que havia falecido em 19 de abril, é enterrado com grande pompa na abadia de Westminster. Cabe lembrar que foi Littré quem popularizou na França as teorias sobre a evolução das espécies. Pasteur discursa com uma homenagem a Littré, mas também com a confissão quase imediata de um distanciamento filosófico. Pasteur mostra, em sua visão, o erro do positivismo ao querer suprimir a ideia de infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 319). Também critica a pretensão positivista de encontrar um fundamento científico na política e sociologia devido ao grande número de fatores que concorrem para a solução de questões que elas levantam, e diz “nesse lugar onde as paixões humanas intervêm, o campo do imprevisto é imenso” (Debré, 1995, p. 423). O diretor da Academia Francesa em exercício, Ernest Renan (autor de Vida de Jesus), recebe Pasteur na Academia Francesa e profere um discurso após o cientista A obra e a personalidade de Renan foi descrita como situada na junção do espiritualismo com o positivismo. Convertido ao positivismo, torna-se o porta voz do ceticismo, embora continue a se dizer “católico fervoroso”. Em seu discurso, Renan diz que “na ordem intelectual também existem sentidos diversos, oposições aparentes que não excluem um fundo de similitude” (Debré, 1995, p. 424). Segue parte da resposta de Renan ao discurso de Pasteur: "Sua vida austera, inteiramente devotada à pesquisa altruísta, é a melhor resposta àqueles que consideram nosso século privado dos grandes dons da alma. Sua diligência meticulosa não queria conhecer distrações nem descanso. Recebam a recompensa pelo respeito que vos rodeia, por esta simpatia cujas marcas hoje tão numerosas se produzem ao vosso redor e, sobretudo, pela alegria de ter cumprido bem a vossa tarefa, de teres lugar na primeira fila". Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. VALLERY-RADOT, René. A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Ref. http://www.academie-francaise.fr/reponse-au-discours-de-reception-de-louis-pasteur Academia Francesa em Paris, que funciona no mesmo endereço da Academia de Ciências. Ferdinand de Lesseps. Émile Littré Victor Hugo. Jean-Baptiste Dumas. Désiré Nisard. Charles Darwin. Ernest Renan. Continue lendo a biografia

  • Viagem Científica | Pasteur Brasil

    Viagem Científica Pasteur decide viajar para a Alemanha em busca do ácido paratartárico, sabendo que procura a “pedra filosofal”, remetendo-se aos antepassados alquimistas. Não obstante o hábito de destinar uma parte significativa de seu salário às próprias pesquisas, os gastos desta vez eram altíssimos. Seria impossível ir àquele país sem subvenção. Jean-Baptiste Dumas consegue financiamento à viagem de 1852, que foi considerada uma missão oficial francesa aos laboratórios alemães. Pasteur começa sua viagem em Zwickau, encontrando o industrial Friedrich Fikentscher (1799-1864), que explica que obteve muito paratártaro, mas que sua produção estava interrompida há 10 anos. A molécula desapareceu na Alemanha, tal como ocorreu no Thann, com o industrial Charles Kestner (1803-1870). Em Leipzig, passa 10 dias examinando amostras. É ajudado por colegas alemães. Otto Linné Erdmann (1804-1869) coloca gentilmente o próprio laboratório à disposição de Pasteur. Enquanto estuda os cristais, o cientista francês recebe Wilhelm Gottlieb Hankel (1814-1899), professor titular de física na Universidade de Leipzig. Hankel traduziu todas as dissertações de Pasteur para uma revista alemã. Deste modo, seu trabalho cruzava fronteiras. Sai de Leipzig a caminho de Veneza e consegue o endereço do prof. de química Josef Redtenbacher (1810-1870), que atuou como seu guia e levou-o a visitar a fábrica do industrial E. Seybel. Esta fábrica usava o ácido tartárico austríaco para produzir o que julgava ser o sulfato de magnésio. Porém, tratava-se justamente do ácido paratartárico e a questão essencial de Pasteur estava resolvida. Os dois meses de viagem se destinam à pesquisa, praticamente sem visitas a museus e monumentos. Em carta à esposa, Pasteur relata que, em sua opinião, a França é cheia de preconceitos sobre os estrangeiros, seus costumes, civilização e gostos. Na volta, Pasteur presta contas da viagem a Kestner e propõe o método para fabricação e venda do ácido racêmico. Redige uma nota à Academia de Ciências e insiste no fato de que a química pôde progredir graças à indústria. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Fotografia de escadaria no Palais de la Découvert em Paris, em local designado à Expo Pasteur de 14/12/2017 a 19/08/2018. Carta de Pasteur a Jean-Baptiste Biot comunicando sobre o ácido racêmico. Mapa designando as viagens de Pasteur. Friedrich Christian Fikentscher. Otto Linné Erdmann. Wilhelm Gottlieb Hankel. Josef Redtenbacher. Carta à esposa Marie, com detalhes da viagem e suas descobertas. Nota apresentada à Academia de Ciências sobre a transformação do ácido tartárico em ácido racêmico. Continue lendo a biografia

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