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- Biografia | Pasteur Brasil
Biografia Resumida Cronologia Biógrafos Da origem simples nas montanhas do Jura às contribuições científicas que marcaram a História da Medicina Dole Cidade natal Arbois Lar por toda a vida Infância e juventude Primeiros amigos e início dos estudos Beneméritos Professores e benfeitores Besançon Estudos e novos amigos Arte Pinturas realizadas até a juventude École Normale Supérieure Ingresso na ENS em Paris Cristalografia Despontar científico Estrasburgo Capital universitária e comercial Casamento Esposa e filhos Academia de Ciências Contatos produtivos Viagem científica Em busca do ácido racêmico Fermentação Vida dos microorganismos Trabalho na ENS Gestão e pesquisas Absorção reflexiva Silêncio olímpico Pasteurização Patente entregue ao público Orçamento da ciência Crítica ao subfinanciamento Gerações ditas espontâneas Teoria dos germes Doenças do Bicho-da-seda Micróbios em seres vivos Doenças Infectocontagiosas Animais e humanos Início da Vacinação Precursores e experimentos Vacinação: Raiva Imunoterapia ativa Pasteurianos Colaboradores multiprofissionais Academia de Medicina Preleções e contestações Academia Francesa "Honra suprema"
- Família Laurent | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Família Laurent Claude Henri Aristide Laurent 1795-1869 O sogro de Louis Pasteur era francês e tinha formação em Letras. Na época em que se conheceram, ele era reitor da Universidade de Estrasburgo. Aristide Laurent ocupou os cargos de professor, diretor, chefe de colégio e inspetor em pelo menos 13 cidades: Paris, Riom, Guéret, Saintes, Sens, Amiens, Orléans, Clermond-Ferrand, Angoulême, Douai, Toulouse, Cahors até chegar a Estrasburgo, como reitor da Universidade. Por onde passou, ajudou a reerguer colégios em vias de desaparecer, colocou ordem onde havia desordem (Vallery-Radot, 1945, p. 39). “Um homem que se destacou por uma especial capacidade para o ensino, pela sua lealdade aos alunos e seus dotes organizacionais aplicados ao sistema escolar” (Viñas, 1991, p. 68). Pierre-Augustin Bertin, amigo de Pasteur, é quem o apresenta ao Sr. Laurent. Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio de Biot, Dumas e Balard (Viñas, 1991, p. 74-75). Nos domingos à tarde, o Sr. Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários (Vallery-Radot, 1945, p. 58). Ao visitar a sua casa, Pasteur conhece Marie, por quem se sente cativado imediatamente. Em uma decisão relâmpago, dirige uma carta ao reitor com um pedido de casamento à sua filha (Viñas, 1991, p. 75). Casa-se com Amélie Huet em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Obs. Em várias biografias, o sogro de Pasteur é nomeado erroneamente de Charles Laurent (V. Debré, 1995, p. 79). Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/aristide%20laurent/page/1 Amélie Hélène Huet (Madame Laurent) 1797-1867 A sogra de Pasteur, madame Laurent, era francesa, filha de livreiros e impressores de Orleans. A livraria da família dos pais de Amélie recebia diversos intelectuais, inclusive o general Beauharnais, que se tornaria posteriormente Napoleão Bonaparte (1769-1821), e Josefina de Beauharnais (1763-1814), que seria a futura imperatriz. Amélie e Aristide Laurent conheceram-se nesta livraria, e casaram-se em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Em 1849, ao conhecer Louis Pasteur, Amélie capturou logo algumas de suas características: lealdade, dedicação profissional, inteligência (Viñas, 1991, p. 76). Pasteur compreendeu que Madame Laurent era sua aliada ao pedido de casamento, e em uma carta confiou as inquietudes que sentia, por temer que as primeiras impressões tenham sido desfavoráveis, e agrega a seguinte observação à Marie: “Minha experiência ensina que aqueles que me conhecem muito bem me amaram muito” (Vallery-Radot, 1945, p. 62; Birch, 1993, p. 24). Marie Anne Laurent (Marie Pasteur / Madame Pasteur) 1826-1910 Criada em ambiente intelectual, a esposa de Pasteur, Marie, era francesa e tinha 3 irmãs e 1 irmão, sendo que este último faleceu aos 23 anos de febre tifoide. Quando Pasteur a viu pela primeira vez, sentiu que havia encontrado a sua companheira de vida, e escreveu ao amigo Chappuis: “Creio que serei muito feliz com ela. Tem todas as qualidades que eu poderia desejar em uma mulher” (Báez, 1995, p. 463). Marie foi descrita como: discreta, comedida, autoritária, circunspecta. Uma mulher de ordem e dever, porém positiva, alegre e sólida. “Passou pela glória procurando ser despercebida” (Vallery-Radot, 1945, p. 31, 33; Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Devota-se a Pasteur e cria, em torno dele, uma vida familiar tranquila, removendo as preocupações materiais. “Soube, desde os primeiros dias, não somente a admitir, mas a aprovar que o laboratório vinha acima de tudo” (Debré, 1995, p. 82). Madame Pasteur lia as atas da Academia de Ciências em vez de ler novelas (Vallery-Radot, 1945, p. 66, 68). “Marie recopia as cartas e os relatórios enviados ao Ministério ou Academia. Nunca um manuscrito vai para impressão antes de ter sido meticulosamente relido, anotado, verificado” (Debré, 1995, p. 147). "Ela se tornou, de modo informal, secretária, contadora e o que hoje chamaríamos de assessora de comunicação e assessora de imprensa" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Marie dispensava participar de círculos sociais prestigiosos que ela teria a oportunidade de frequentar (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Segundo Émile Roux, colaborador de Louis Pasteur: “A senhora Pasteur era não apenas uma companheira incomparável para Pasteur, mas também seu melhor colaborador” (Debré, 1995, p. 82). Nas cartas do casal, observa-se afeto, confidências e companheirismo (Viñas, 1991, p. 89), ainda que por vezes Pasteur manifeste-se de modo autoritário. Marie se torna figura tutelar do Instituto Pasteur após a morte do marido. Falece em 23 de setembro de 1910, aos 84 anos na cidade de Arbois. Seu corpo foi sepultado no Instituto Pasteur em Paris, junto ao marido. O epitáfio latino, inscrito na cripta de estilo neo-bizantino, diz: "Socia rei humanae atque divinae", ou seja, "companheira da vida humana e das coisas divinas". O casal teve 5 filhos, dos quais somente 2 sobreviveram até a idade adulta. Em carta ao sogro (Jean-Joseph Pasteur) em 1851 , Marie escreve sobre Louis Pasteur. “É um pai de família modelo que, apesar de seu trabalho, encontra tempo para consagrar todos os dias um bom tempo ao recém-nascido e para cuidar da menina, se estou ocupada” (Vallery-Radot, 1945, p. 70). "Realmente parece", escreveu o colaborador de Pasteur, Émile Roux, que essa união predestinada foi feita em vista das grandes coisas que Pasteur teve que produzir (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 11; Baéz, 1995, p. 467). Albert Calmette, um dos pasteurianos, fala sobre Pasteur em seus últimos anos de vida, e também menciona Marie Pasteur: "Nós o mantínhamos a par das pesquisas. Ele sugeria ou discutia as experiências a serem feitas e a senhora Pasteur que, como mulher de cientista, se interessava por tudo, adivinhava os pensamentos e os sentimentos de cada um de nós antes que fossem exprimidos, velava com uma tocante solicitude para que nenhuma inquietação, nenhuma preocupação perturbasse as meditações ou os sonhos sobre o futuro, aos quais os trabalhadores do instituto se abandonavam com entusiasmo e confiança. (...) Todo esse passado de miséria e de grandeza foi uma era heroica, foi o tempo da epopeia pasteuriana. (...) Durante os sete anos que viveu no instituto, entre os colaboradores e os alunos Pasteur teve a suprema satisfação de presenciar algumas das mais preciosas conquistas dessa ciência experimental que ele levou ao ponto mais alto" (Debré, 1995, p. 535-536). Amélie Laurent (Amélie Loir) 1830-1925 A irmã mais nova de Marie, Amélie, era francesa e casou-se com Adrien Joseph Jean Loir. O casal tem um filho, Adrien Loir, que será estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Louis Pasteur. Adrien Joseph Jean Loir 1816-1899 Professor francês associado da Escola de Farmácia de Paris (1847-1849). Professor de química na Faculdade de Ciências de Besançon (1855), depois em Lyon (1861). Doutor em ciências físicas (1851). Adrien Joseph Loir foi sucessor de Louis Pasteur na Faculdade de Farmácia e trabalhou no laboratório na companhia de Pasteur. Foi o primeiro discípulo de Pasteur. Casa-se com a irmã mais nova de Marie, Amélie. O filho do casal, Adrien Loir, trabalhará diretamente com Pasteur. Ref. https://data.bnf.fr/en/10604888/adrien_loir/ Adrien Charles Marie Loir 1862-1941 Bacteriologista francês. Estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Pasteur. Doutor em medicina (Paris, 1892). Bioquímico. Diretor do Instituto Pasteur na Austrália. Fundador do primeiro instituto anti-rábico em São Petersburgo. Filho de Amélie Laurent (irmã mais nova de Marie Pasteur) e de Adrien Joseph Loir, professor de química e diretor da Faculdade de Lyon (Debré, p. 83). Adrien Loir descreve o dia a dia com o tio: “Pasteur ficava completamente absorvido pelo assunto que estudava e que escolhera. Ele o dissecava, o experimentava de todas as maneiras, em silêncio, sem a intervenção de ninguém. Pasteur não se alterava nunca, e quando algo não ocorria como desejava, ele dizia: ‘Ai meu Deus, e andava como um leão enjaulado. Era tudo” (Debré, 1995, p. 164). O governo de Sidney na Austrália entra em contato com Pasteur. Adrien Loir é enviado em missão. Demorará muitos meses para chegar à Austrália e ficará lá por 5 anos. Funda em Road Island, perto de Sidney, o primeiro Instituto Pasteur além-mar. Regularmente, Loir informava ao tio sobre seus trabalhos e prosseguia, sob a orientação dele, nas pesquisas sobre a transmissão do carbúnculo e sobre a peripneumonia do gado (Debré, 1995, p. 527-528). Loir auxiliou bastante, desde o laboratório na Rua Ulm (antes do Instituto Pasteur), especialmente devido ao comprometimento de movimentos de Pasteur a partir do AVC aos 45 anos. Pasteur dá diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao jovem: aprender a soprar vidro, assimilar as bases da cristalografia, faça curso de caligrafia e também direcionou sua formação em Medicina (Debré, 1995, p. 380-381). Loir escreveu a obra "A l'ombre de Pasteur: souvenirs personnels" (Na sombra de Pasteur: memórias pessoais) pela editora Le Mouvement Sanitaire,1938. Adrien Loir desempenhou um papel importante ao lado de Pasteur, ele mesmo, como seu assistente pessoal e, em seguida, como um agente para a difusão da ciência pasteuriana em todo o mundo. No entanto, Loir permaneceu nas sombras. "Algo aconteceu em sua vida: quando ele havia sido mais ou menos casado por sua família com uma filha de um amigo da família, ele se divorciou dessa mulher e saiu com a babá das crianças, depois se casou novamente com essa outra mulher. E isso foi extremamente desaprovado. Na época, ele foi rejeitado pelos pasteurianos, por sua família, etc. Foi por isso que ele foi completamente esquecido" [Maxime Schwartz, em trecho traduzido livremente da obra Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, acadêmico e globetrotter (1862-1941) , publicado por Odile Jacob, em março de 2020]. Ref. https://data.bnf.fr/en/13012138/adrien_loir/ Mais informações: https://en.odilejacob.fr/catalogue/documents/biographies-memoirs/pasteurs-nephew_9782738151353.php Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/research-journal/news/pasteur-s-nephew-adventurous-life-adrien-loir-scholar-and-globe-trotter Mais informações: https://www.franceculture.fr/emissions/le-cours-de-lhistoire/un-destin-pour-le-soin-quatre-figures-de-lhistoire-du-soin-et-de-la-medecine-14-adrien-loir-etre-le Mais informações: https://atlantico.fr/article/decryptage/adrien-loir--une-vie-a-l-ombre-de-louis-pasteur-histoire-science-decouverte-medecine-biologie-virus-epidemie-cholera-rage-annick-perrot-maxime-schwartz Célie Laurent (Célie Zévort) 1820-1859 Célie, a irmã mais velha de Marie Pasteur, era francesa e casou-se com Charles Zévort. Charles Zévort 1816-1887 Agrégé em filosofia (1840). Doutor em Letras (1884). Inspetor Geral da Instrução Pública do Ensino Superior (nomeado em 1879). Professor de latim. Traduziu várias obras gregas, inclusive Metafísica de Aristóteles (2 vol., 1840-1841), A Vida de Filósofos da Antiguidade, de Diógenes Laërce (2 vols., 1848). Era francês, casado com a irmã mais velha de Marie, Célie Laurent. Tiveram Edgar Zévort como filho. Ref. https://data.bnf.fr/en/12436431/charles_zevort/ Edgar Zévort 1842-1908 Professor do ensino médio e historiador francês. Doutor em Letras (1880). Reitor da Académie de Caen (nomeado em 1884). Ref. https://data.bnf.fr/en/12569035/edgar_zevort/ Próximo Grupo
- Personalidades | Pasteur Brasil
Grupos de Personalidades Família, amigos, cientistas, industriais, colaboradores, membros de Academias, políticos... Pasteur se relacionou com muitas personalidades ao longo da vida, as quais foram organizadas em 25 grupos. Para melhor compreensão da notação utilizada nesta pesquisa, acesse anteriormente a Legenda do Grupocarmograma . A seguir, confira os grupos de personalidades, seguidos da Análise dos Grupos e da Enumerologia (ordem alfabética por sobrenome). Ao acessar cada grupo, será possível consultar as microbiografias das principais personalidades. Família Nuclear Pai, mãe e irmãos Amigos de Infância e Adolescência Arte Pinturas de Pasteur e artistas Primeiros Beneméritos Professores, preceptores e apoiadores Leituras Iniciais Primeiras Influências Científicas Contemporâneos e antecessores Família Laurent Sogros, esposa, cunhados, sobrinhos Família Louis Pasteur Academia de Ciências Cristalografia Fermentação Geração Espontânea x Teoria dos Germes Doenças do Bicho-da-Seda Doenças Infectocontagiosas Início da Vacinação Vacinação: Raiva Pasteurianos Academia de Medicina Academia Francesa Políticos Instituto Pasteur Jubileu: 70 Anos Saúde e Morte Parapsiquismo Equipe Extrafísica Análise dos Grupos Enumerologia
- Citações | Pasteur Brasil
Citações Excertos de escritos e declarações de Louis Pasteur, agrupados por temas. Acesse as referências utilizadas nesta compilação. Foi utilizada tradução livre de trechos extraídos de outros idiomas. Ciência e Pesquisa "O grande segredo consiste em fazer experiências que não deixem lugar à fantasia do observador. No começo das pesquisas em torno de um determinado objetivo, a força da imaginação deve dar asas ao pensamento. No momento de se tirar uma consequência e da demonstração de fatos colhidos pelas observações, a fantasia deve, pelo contrário, ser dominada pelos resultados concretos das experiências e a eles submetida" (Unger, [196-], p. 24). “Na ciência, algumas pessoas têm convicções; outros têm apenas opiniões. A convicção supõe prova; as opiniões são frequentemente baseadas em hipóteses" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Acreditar que se descobriu um fato científico importante, ansiar anunciá-lo e ainda assim esperar dias, semanas ou até anos; esforçar-se para invalidar as próprias experiências; publicar as descobertas só depois de exaustivas verificações - sim, a tarefa é dura. Mas, quando se consegue a certeza, a recompensa é um dos melhores bálsamos para a alma humana" (Birch, 1993, p. 32; Cuny, 1963, p. 172 ). "Sempre duvide de si mesmo, até que os fatos se apresentem de forma indubitável" (Birch, 1993, p. 7). "Não apresente nada que não possa ser comprovado de forma simples e decisiva" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Vamos, revolucionemos o mundo com os nossos descobrimentos!"(Unger, [196-], p. 97). "Nada é mais gratificante para um cientista do que aumentar o número de descobertas, mas o máximo é ver suas observações colocadas em prática" (Birch, 1993, p. 33). "Para quem dedica sua vida à ciência, nada pode dar-lhe mais felicidade do que aumentar o número de suas descobertas, mas sua alegria transborda quando os resultados de seus estudos encontram imediatamente aplicações práticas" (Dubos, 1967a, p. 76). "Não há ciência pura e ciência aplicada - há apenas ciência, e as aplicações da ciência" (Dubos, 1967b, p. 51). "Não existe uma categoria de ciências que possa ser chamada de ciências aplicadas. Existe a ciência e as aplicações da ciência, ligadas entre si como o fruto à árvore que o gerou" (Cuny, 1963, p. 173 ). "Sem teoria, a prática nada mais é do que rotina nascida do hábito. Somente a teoria pode trazer o avanço e o desenvolvimento do espírito de invenção" (Dubos, 1967a, p. 22). "Quando medito sobre uma doença nunca penso encontrar um remédio para ela, porém, em vez disso procuro meios de preveni-la" (Dubos, 1967b, p. 106). "A cultura das ciências em sua expressão mais elevada talvez seja ainda mais necessária para o estado moral de uma nação do que sua prosperidade material" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O papel dos infinitamente pequenos na Natureza é infinitamente grande" (Dubos, 1967b, p. 57). "As concepções mais elevadas, as especulações mais legítimas, ganham corpo e alma apenas no dia em que são consagradas pela observação e pela experiência. Acabem com o trabalho, as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade e da morte. Não serão mais do que ciências da educação, limitadas e impotentes, e não ciências do progresso e do futuro" ( Cuny, 1963, p. 175) . "O verdadeiro sábio tem um só dever e uma única tarefa: procurar aquilo que existe" (Unger, [196-], p. 66). Vida "A vida não tem valor, quando não se pode ser útil a outrem" (Unger, [196-], p. 12). "Há na vida de todo homem, na carreira das ciências experimentais, uma idade em que o emprego do tempo é inestimável: a idade rápida em que floresce o espírito de invenção, na qual cada ano deve ser marcado por um progresso" (Debré, 1995, p. 162). "Gostaria de ser mais jovem para me dedicar com novo ardor ao estudo de novas doenças" ( Cuny, 1963, p. 171) . "Se eu tivesse outra vida para viver, tentaria sempre me lembrar do admirável preceito de Bossuet: 'A pior atitude que podemos tomar é acreditar que as coisas são como são porque queremos que elas assim sejam´" (Birch, 1993, p. 36; Cuny, 1963, p. 171). "O único consolo, quando começamos a sentir que as nossas próprias forças se esvaem, é dizer a nós mesmos que podemos ajudar quem nos segue a fazer mais e melhor do que nós, caminhando com os olhos fixos nos grandes horizontes que só podemos vislumbrar" ( Cuny, 1963, p. 172) . Personalidade "Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade" (Birch, 1993, p. 6). "No campo da experimentação, o acaso favorece as mentes preparadas" (Birch, 1993, p. 52). "Não basta amar a verdade, é preciso defendê-la também" (Unger, [196-], p. 49). "Sou o mais hesitante dos homens, o que mais teme se comprometer quando não tem provas. Mas, ao contrário, nenhuma consideração pode me impedir de defender o que penso ser a verdade quando posso contar com sólidas provas científicas" (Birch, 1993, p. 6). "Querer é muito, porque do querer se segue sempre uma ação, um trabalho, a maioria das vezes coroado de êxito. Destas três coisas, vontade, trabalho e êxito é que se compõe a vida humana. A vontade abre as portas de uma carreira feliz; o trabalho tudo vence; e o êxito coroa a obra" (Unger, [196-], p. 74). "Seria aos meus próprios olhos um ladrão, se passasse um dia inteiro sem trabalhar" (Unger, [196-], p. 112). "Meu trabalho, minha família, minha pátria, isso é o que sempre amei" (Vallery-Radot, 1994, p. 58). Residindo em Lille, Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Tenho, finalmente, o que sempre quis, um laboratório que posso ir a qualquer hora, no andar térreo do meu aposento; e, por vezes, enquanto estou dormindo, principalmente nestes dias, o gás queima toda a noite e as operações continuam em curso (...) Trabalhemos todos, só isso é que diverte" (Debré, 1995, p. 111). "É na leitura das obras dos inventores que a chama sagrada da invenção se acende e se mantém unida" (Blaringhem, 1923, p. vii). "Seria muito interessante e proveitoso se dos progressos da ciência participasse também o coração" (Unger, [196-], p. 84). "A grandeza dos atos humanos mede-se pela intenção de que se originam" (Unger, [196-], p. 123). "Frequentemente, uma observação do homem mais inculto, mas que faz bem o que faz, é infinitamente preciosa" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O cientista que se entrega à tentação das aplicações industriais deixa assim de ser o homem da ciência pura, complica a sua vida e a ordem normal dos seus pensamentos de preocupações que paralisam nele qualquer inventividade para o futuro" ( Cuny, 1963, p. 174) . "Mantenha o seu entusiasmo, mas dê a este companheiro um controle severo" (Cuny, 1963, p. 175) . "Cultive o pensamento crítico. Reduzido apenas a ele, não será um despertador de ideias, nem um estimulante de grandes coisas, mas sem ele, tudo é nulo e vazio. Ele sempre tem a última palavra" (Cuny, 1963, p. 175) . "Quando me aproximo de uma criança, ela me inspira dois sentimentos: o de ternura pelo presente, e o de respeito por aquilo que um dia pode se tornar"(Cuny, 1963, p. 175) . Religião e Espiritualidade "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). "Os gregos nos deram uma das mais belas palavras de nossa linguagem, a palavra 'entusiasmo' um deus interno. A grandeza dos atos dos homens é medida pela inspiração que lhes dá origem. Feliz é aquele que tem um deus interno" (Dubos, 1967a, p. 25; Dubos, 1967b, p. 119). "A ciência é incapaz de resolver a questão da origem e do fim das coisas" (Vallery-Radot, 1994, p. 377). "Além desta abóbada estrelada, o que há? Novos céus estrelados, que assim seja! E além? ... Além... é infinito". "Aquele que proclama a existência do infinito, e ninguém pode escapar disso, acumula nesta afirmação mais sobrenatural que não há em todos os milagres [religiosos], porque a noção de infinito tem esse duplo caráter de ser imposta e de ser incompreensível" (Vallery-Radot, 1994, p. 399-400). "Pretender introduzir a religião na ciência é um equívoco da mente. Ainda mais falsa é a mente de quem afirma introduzir a ciência na religião, porque é obrigada a respeitar o método científico" ( Cuny, 1963, p. 173-174) . "Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade e da democracia moderna, senão na noção do infinito perante o qual todos os homens são iguais?" ( Cuny, 1963, p. 174) . Pátria / Nação "A ciência não tem pátria" (Vieira, 2014, p. 885). "A ciência não tem pátria, ou melhor, a pátria da ciência é o mundo inteiro" (Unger, [196-], p. 7). "Estou imbuído de duas profundas impressões; a primeira, que a ciência não conhece países; a segunda, que parece contradizer a primeira, embora seja na realidade uma consequência direta dela, que a ciência é a mais alta personificação da nação. A ciência não conhece país, porque o conhecimento pertence à humanidade, e ela é a tocha que ilumina o mundo. A ciência é a mais alta personificação de uma nação porque a primeira dentre as nações será aquela que levar mais longe os trabalhos do pensamento e da inteligência. A convicção de ter alcançado a verdade é uma das maiores alegrias do homem, e a ideia de ter contribuído para a honra do nosso país torna esta alegria ainda mais profunda. Se a ciência não tem país, o homem de ciência tem. E é ao seu país que deve dedicar sua influência para que sua obra tenha impacto no mundo" (Dubos, 1967a, p. 76; Dubos, 1967b, p. 118-119). "Quem sofre não é questionado sobre qual é o seu país e qual é a sua religião. Diz-se simplesmente: 'Você sofre, isso me basta: você me preocupa e eu o ajudarei" (Dubos, 1967a, p. 76-77). "Estou absolutamente convencido de que a Ciência e a Paz triunfarão sobre a Ignorância e a Guerra. Que as nações finalmente se unirão, não para destruir, mas para construir, e que o futuro pertencerá àqueles que trabalharam mais para o benefício da humanidade sofredora" (Dubos, 1967a, p. 77). Política "Não tenho e não quero ter nenhuma coloração política. Não quero ser nada senão um cidadão, um trabalhador dedicado ao seu país" ( Cuny, 1963, p. 171) . "A ciência, em nosso século, é a alma da prosperidade das nações e a fonte viva em todo o progresso. Sem dúvida, a política, com suas discussões cansativas e diárias parecem ser a nossa guia. Aparência vã! O que nos conduz são as descobertas científicas e suas aplicações... É a ciência que representarei no Senado" ( Cuny, 1963, p. 22-23). "Uma das grandes desgraças da França é que existem muitos políticos nas Assembleias. A política com suas fatigantes e cotidianas discussões parece ser nosso guia. Vã aparência! O que nos governa são algumas descobertas científicas e suas aplicações. No século atual, a ciência é a alma da prosperidade dos povos e a fonte festejada de todo o progresso" (Debré, 1995, p. 337). "É a Ciência na sua pureza, sua dignidade, sua independência que representarei no Senado" (Debré, 1995, p. 336). "A verdadeira democracia é aquela que permite a cada indivíduo dar o seu máximo esforço no mundo. Por que é necessário que ao lado desta fecunda democracia haja outra, estéril e perigosa, que, não sei sob que pretexto de igualdade quimérica, sonha em absorver ou aniquilar o indivíduo no Estado? Esta falsa democracia tem o gosto, atrevo-me a dizer o culto, da mediocridade ... Poderíamos definir esta democracia: a liga de todos aqueles que querem viver sem trabalhar, consumir sem produzir, chegar ao trabalho sem estar preparados para isso, para honrar sem ser digno..." ( Cuny, 1963, p. 29). Pasteur, enquanto candidato ao Senado confessa não aderir a nenhum partido, e seu discurso suscita indignação tanto da direita quanto da esquerda. Para o cientista, enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível: "Se, na nossa infeliz França, há trinta ou quarenta anos, os governos e as grandes corporações do Estado não se tivessem desinteressado das instituições próprias para fazer florescer as ciências, a Alemanha teria sido vencida. Ignoram vocês que, enquanto a política nos irrita por suas divisões insensatas que fazem a alegria satânica de nossos inimigos, o vapor, a telegrafia e tantas outras maravilhas transformam as sociedades modernas?" (Debré, 1995, p. 336). Arte "Grandes artistas quase sempre têm grandes corações" ( Cuny, 1963, p. 171). Animais " O sofrimento de um animal me impressiona o suficiente para que eu nunca quisesse matar um animal enquanto caçava (pescava). O gemido de uma cotovia ferida iria rasgar meu coração. Mas se se trata de escrutinar os mistérios da vida e adquirir uma nova verdade, a soberania da meta carrega tudo consigo (Em resposta a um protesto antiviseccionista) ( Cuny, 1963, p. 173). Com cães, você nunca deve começar. É muito difícil separar-se de um cachorro que você ama. Tudo bem não começar a amar um. Nunca tenha um (Resposta a uma pergunta feita durante a pesquisa sobre raiva) ( Cuny, 1963, p. 172 ). Exposições orais Após os desastres franceses na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, quando o governo italiano ofereceu-lhe uma cadeira de Química na Universidade de Pisa, com um alto salário: "O pensamento da França sustentou minha coragem durante as horas difíceis que foram uma parte inevitável dos prolongados esforços. Associei sua grandeza à grandeza da Ciência". "Eu me sentiria como um desertor se procurasse, fora de meu país em desgraça, uma situação material melhor do que aquela que ele pode oferecer-me (Dubos, 1967b, p. 116-117). Conferência pública na Sorbonne: "Na imensidão da criação, peguei minha gota de água, cheia de um alimento rico - ou seja, para usar a linguagem científica, cheia de elementos apropriados para o desenvolvimento de pequenos seres. E espero, observo, interrogo-a, peço-lhe mais uma vez que tenha a gentileza de começar, só para me agradar, o ato primário da criação. Seria tão lindo se ela me atendesse! Mas ela é muda! Permaneceu muda por anos. Ah! Isso aconteceu porque eu a mantive longe, e ainda a mantenho, da única coisa que o homem não pode produzir. Eu a mantive protegida dos micróbios que flutuam no ar; eu a protegi da vida, da vida de um micróbio, pois um micróbio é uma vida. A teoria da geração espontânea jamais se recuperará do golpe mortal que sofreu com esta simples experiência" (Birch, 1993, p. 10). Em discurso na Academia de Medicina: "Essa água, essa esponja, esse algodão com o qual vocês lavam ou cobrem uma ferida, podem depositar germes que têm o poder de se multiplicar rapidamente dentro dos tecidos... Se eu tivesse a honra de ser um cirurgião, impressionado como estou com os perigos a que o paciente está sujeito pelos micróbios presentes sobre as superfícies de todos os objetos, particularmente nos hospitais, não apenas usaria somente instrumentos perfeitamente limpos, como limparia minhas mãos com o maior cuidado e as sujeitaria a um rápido flambar... Eu usaria algodão, ataduras e esponjas previamente expostas a uma temperatura de 130 a 150º C." (Dubos, 1967b, p. 106-107). Para jovens cientistas no Instituto Pasteur: "Aquele entusiasmo que vocês mostraram desde o início, meus queridos colaboradores, conservem-no, mas deixem que a checagem precisa seja sua companheira de viagem. Jamais emitam uma opinião que não possa ser provada, cultuem o espírito crítico. Ele sozinho não pode despertar ideias nem levar a mente a fazer coisas brilhantes. Mas, sem ele, tudo é precário. Invariavelmente, ele dá a última palavra" (Birch,1993, p. 63). No discurso de seu jubileu: "Jovens, confiem no método científico, cujos primeiros segredos nós mal desvendamos. Não percam a coragem. Vivam no sereno ambiente dos laboratórios e das bibliotecas. No fim da vida, que vocês possam dizer: 'Fiz o que pude'." (Birch, 1993, p. 63; Dubos, 1967a, p. 52 ). "Jovens, tenham fé nos métodos eficientes e seguros dos quais ainda não conhecemos todos os segredos. E, qualquer que seja vossa carreira, não vos deixei desencorajar pela tristeza de certas horas que passam sobre as nações. Vivam na paz serena dos laboratórios e bibliotecas..." (Dubos, 1967b, p. 121). Sobre os laboratórios: "Tomem interesse, eu lhes imploro, naquelas sagradas instituições que designamos sob o expressivo nome de laboratórios. Peçam que elas sejam multiplicadas e adornadas; eles são os templos da riqueza e do futuro. Lá é que a humanidade cresce, torna-se mais forte e melhor. Lá é que ela aprende a ler nos trabalhos da Natureza, símbolos do progresso e da harmonia universal, enquanto que os trabalhos do ser humano são muito frequentemente aqueles do fanatismo e da destruição" ( Dubos, 1967a, p. 71; Dubos, 1967b, p. 119-120 ). Um dia, disse a seus alunos: "Vocês me trazem toda a alegria que pode sentir um homem cuja crença inabalável é a de que a ciência e a paz triunfarão sobre a ignorância e a guerra (...) que o futuro pertence àqueles que mais trabalharem para amenizar o sofrimento da humanidade" (Birch, 1993, p. 59). No discurso de inauguração do Instituto Pasteur: "Duas leis contrárias parecem estar lutando entre si atualmente: a primeira, a lei do sangue e da morte, sempre imaginando novos meios de destruição e forçando as nações a se encontrarem constantemente prontas para a batalha; a outra, a lei da paz, trabalho e saúde, sempre desenvolvendo novos meios para libertar o homem dos flagelos que o assolam" ( Dubos, 1967b, p. 120 ). Ao olhar pelo microscópio pela última vez em vida (micróbio da peste bubônica descoberto por Alexandre Yersin), comentou: "Ah, quanta coisa ainda há por fazer!" (Birch, 1993, p. 58). Em construção
- Pasteurianos | Pasteur Brasil
Pasteurianos Com o aperfeiçoamento de suas pesquisas, Pasteur precisa se cercar de estagiários, com tarefas de grandes responsabilidades: alimentar os micróbios (culturas em desenvolvimento) e controlar o desenrolar das experiências. Os estagiários são quase todos saídos da École Normale Supérieure e voltam a lecionar depois do estágio no laboratório. O amigo da juventude de Pasteur, o físico Pierre-Augustin Bertin, é quem os seleciona para ele, que escolhe entre seus próprios alunos. Jules Raulin pertencia à primeira geração de estagiários, na época da química fermentativa. Passou a fazer parte da história das ciências como inventor de um novo caldo de cultura. Era um dos alunos preferidos de Pasteur e terminou sua carreira como professor de química industrial em Lyon. Raulin e Eugène Maillot ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu primeiro AVC aos 45 anos. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Jules Joubert colabora até a época do início das pesquisas em biologia médica. Como é físico, interrompe a colaboração com Pasteur para se voltar aos campos magnéticos. Charles Chamberland o substitui. Tem 27 anos quando entra para o laboratório. Suas origens no Jura despertam a simpatia de Pasteur. Alegre e bon vivant, possui uma mente engenhosa e aprecia a inovação técnica. Devemos a ele a invenção da autoclave. Uma curiosidade: ao se queixar de numerosos furúnculos no pescoço, nuca e coxa, Pasteur o examina e propõe uma experiência: colhe um pouco de pus de sua nuca e o cultiva. Deste modo, descobre o estafilococo, o mais frequente dos germes patogênicos (Debré, 1995, p. 384-385). Chamberland, no Instituto Pasteur é quem orienta o serviço das vacinas (Debré, 1995, p. 521). Louis Thuillier é designado como novo estagiário, escolhido por Bertin, e se dedica ao estudo da erisipela suína. Pasteur cria grande amizade pelo jovem e fica muito abalado com a sua morte precoce no Egito, com apenas 26 anos, onde havia ido estudar a cólera. Dentre todos os colaboradores no laboratório da Rua Ulm em Paris, é preciso destacar três que tiveram um papel especial ao lado de Pasteur: Duclaux, Roux e Loir. Émile Duclaux chega em 1862, em plena época da discussão sobre as gerações espontâneas. Mesmo atuando como professor de química, participa ativamente dos trabalhos de Pasteur, tanto na época do bicho-da-seda como nos estudos do vinho. Ele se torna o diretor técnico do laboratório. Muito ordeiro, controla para que tudo fique no lugar. É a ele que procuram quando é necessário tomar alguma decisão e não querem incomodar Pasteur. Diante das respostas de Pasteur a todos os seus contestadores, Duclaux, pela proximidade afetiva, escreve a Pasteur “enxergo perfeitamente o que o senhor perde nessas lutas: seu descanso, seu tempo, sua saúde. Procuro, em vão, o que o senhor pode ganhar com isso” (Debré, 1995, p. 364). No Instituto Pasteur, Duclaux é o responsável pela microbiologia geral (Debré, 1995, p. 521). Após a morte de Pasteur em 1895, Duclaux tornou-se diretor do Instituto, com Roux e Chamberland servindo como seus sub-diretores. Várias cartas de Pasteur atestam a autoridade que ele confere a Duclaux no seio desta equipe encarregada dos preparativos essenciais e emergências sucessivas: primeira redação dos estatutos, constituição da assinatura destinada a financiar o projeto, postagem diária de resultados, organização administrativa, primeiras aquisições de terrenos, construção de edifícios, acolhimento de jovens cientistas. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Na época, ele era um jovem estudante de Medicina e um dos mais assíduos ouvintes dos debates de Pasteur na Academia de Medicina. Sua chegada começa com a aplicação de uma injeção na ausência de Pasteur, o que contrariou Pasteur, mas a continuação da experiência mostrou que o jovem sabia o que estava fazendo, então Pasteur o escolheu como estagiário (Debré, 1995, p. 360, 379). Roux foi descrito como uma pessoa solitária, sem ambição aparente. Ele se tornará o mais próximo colaborador de Pasteur (Debré, 1995, p. 360, 379). Roux se torna, nas palavras de Debré (1995, p. 531-532) o campeão das terapias antiinfecciosas, com imensas contribuições na cura da difteria, por exemplo. É considerado também o discípulo mais contraditório de Pasteur. Em certas ocasiões ele não hesitava em se opor ao mestre, apesar de respeitar a hierarquia e os 30 anos de diferença de idade que os separavam. Quando Pasteur chegava a algum resultado, construía uma teoria e a expunha, Roux nunca deixava de procurar uma falha, o que se tornou irritante para Pasteur, que reclamava: “como esse Roux é desagradável. Se eu o escutasse, ele poria fim em qualquer coisa que eu quisesse realizar” (Debré, 1995, p. 379). O caráter de Roux é descrito como muito particular. Ele compreendia que a calma e a concentração eram as palavras mestras do laboratório, e embora fizesse críticas constantes, isso não o impedia de conservar o silêncio e de servir de filtro entre Pasteur e o mundo exterior. Na hora certa, por exemplo, se desembaraçava dos rivais de Pasteur, mantendo-os à distância. Durante 8 anos, Roux será o único médico admitido no laboratório da Rua Ulm. Ele se torna um inoculador de profissão, sabendo, por exemplo, injetar precisamente os germes (Debré, 1995, p. 382). No Instituto Pasteur, Roux é o responsável pela microbiologia médica técnica (Debré, 1995, p. 521). Roux dedicou 46 anos de sua vida ao Instituto Pasteur. Foi ele quem recomendou Oswaldo Cruz às autoridades brasileiras para a criação de um laboratório (Lima; Marchand, 2005, p. 33). Roux foi um dos mais próximos colaboradores de Louis Pasteur, cofundador do Instituto Pasteur e descobridor do soro anti-difteria, a primeira terapia efetiva contra esta enfermidade. A Rua do Instituto Pasteur em Paris, se tornou Rua Doutor Roux. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur (filho da irmã caçula de Marie, Amélie), começa atuando como um estagiário onipresente, com o qual Pasteur pode contar, especialmente para completar seus movimentos devido ao braço paralisado. Pasteur dá suas diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao seu sobrinho: aprender a soprar o vidro, assimilar as bases da cristalografia, melhorar a letra em curso de caligrafia. Uma curiosa relação se estabelece entre tio e sobrinho. Loir escreve, em tom de reclamação, que Pasteur o usava para realizar o que sua mente concebia. Também escolheu a formação que ele deveria fazer, no caso, Medicina (Debré, 1995, p. 381). A pedido de Pasteur, Loir vai à Rússia (Debré, 1995, p. 497), à Austrália (ficará por 5 anos) e lá fundará o primeiro Instituto Pasteur além-mar (Debré, 1995, p. 527, 528). Também funda o Instituto Pasteur de Túnis (Tunísia - norte da África) quando volta da Austrália (Debré, 1995, p. 541). Loir recorda que Pasteur era bastante influenciado pela visão de Duclaux, e que se tornava calmo e se punha a trabalhar, diferentemente de Roux (Debré, 1995, 379). Pasteur se cerca de personalidades científicas notáveis, construindo uma rede de inteligências (Debré, 1995, p. 407). Além de dar seguimento às suas pesquisas, são também responsáveis pelo ensino e formação dos alunos (Debré, 1995, p. 522). Quando Pasteur ouve falar das descobertas do russo Élie Metchnikoff (ou Metchnikov) sobre a fagocitose, manda publicar seus trabalhos nos Anais do Instituto Pasteur e lhe outorga um duplo posto: diretor do laboratório de microbiologia morfológica e chefe de serviço no Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 521, 533-534). Metchnikoff trabalhou na mesma estação bacteriológica na Rússia que Nicolas Gamaleia (Nikolay Gamaleya), que foi diretor do Instituto da Raiva na cidade de Odessa. No Instituto Pasteur, Gamaleia é o responsável pela pesquisa em microbiologia médica (Debré, 1995, p. 521). Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). Albert Calmette entra para o laboratório de Roux em 1890. Ele era médico da marinha. Apaixonado pela microbiologia levava consigo um microscópio em todas as campanhas e andava atrás de micróbios em várias partes. Mostra seu trabalho a Roux, que logo fica impressionado. Trabalha por um tempo em Paris. Pasteur, para aproveitar a experiência na Indochina, o envia para fundar em Saigon um laboratório de preparação de vacinas antivariólicas e anti-rábicas, que será o Instituto Pasteur de Saigon (Debré, 1995, p. 537). Pouco antes de morrer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. É neste momento que Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva. No local, durante uma necropsia, encontra Roux e eles se entendem profundamente. Em 1886, Yersin passa todas as tardes no laboratório na Rua Ulm onde assiste Roux nas preparações e se torna o estagiário pessoal de Roux. Pasteur o encarrega de fazer os curativos nos doentes. Desde a criação do Instituto Pasteur, ele vai participar, aos 25 anos, dos primeiros trabalhos sobre a toxina diftérica (Debré, 1995, p. 538, 522, 531). Yersin, de caráter ansioso, não se habitua à lenta rotina do Instituto Pasteur e quer correr o mundo. Engaja-se como médico a bordo de um navio-correio e desembarca no Vietnã. Em Saigon, encontra-se com Albert Calmette que o encoraja a montar expedições, que ele faz várias. Em 1894 uma grave epidemia de peste aparece na China e o governo da Indochina lembra que Yersin havia trabalhado no Instituto Pasteur, e o enviam a uma missão. Ele vai até Hong-Kong prestar socorro e monta lá um pequeno laboratório e lá descobre o bacilo da peste e consegue montar o soro contra a peste. Além disso, consegue provar que os ratos estão na origem da epidemia (Debré, 1995, p. 538-539). No fim da vida, na última visita que Pasteur faz ao laboratório, pede para examinar os bacilos da peste que Yersin havia isolado. Seria sua última observação ao microscópio (Debré, 1995, p. 546-547). Charles Nicolle teve pouco tempo de conhecer Pasteur antes de sua morte. Suas contribuições na microbiologia renderam um prêmio nobel em Medicina. Ele trabalha como estagiário ao lado de Élie Metchnikoff e também ajuda Roux. O irmão mais velho de Charles, Maurice, foi enviado por Roux para fundar o Instituto Pasteur em Constantinopla. André Chantemesse foi enviado por Pasteur para estudar as causas das epidemias de cólera, sugeriu fundar um laboratório de microbiologia na Turquia. Em 1887 foi criada a Instituição de Tratamento da Raiva, a primeira do Oriente (Debré, 1995, p. 540). Nicolle é solicitado a dirigir o Instituto Pasteur de Túnis, na Tunísia, criado por Adrien Loir em sua volta da Austrália. Em Túnis estabelece que a leishmaniose é transmitida pelo piolho, além de identificar também este piolho como o vetor do tifo. Ganha um Prêmio Nobel (Debré, 1995, p. 541). Jules Bordet é o último dos grandes pasteurianos desta geração. Entra no Instituto Pasteur em 1894 e trabalha com Metchnik off. Descobre os anticorpos, os antígenos, e inventa os princípios do sorodiagnóstico das afecções microbianas. Em 1901, quando regressa ao seu país, a Bélgica, pede e obtém de Marie Pasteur, depositária do Instituto Pasteur, o direito de batizar o nome de seu laboratório de Instituto Pasteur de Brabante. Em Bruxelas descobre o bacilo da coqueluche e estuda a coagulação do sangue. Em 1919, ao ganhar o Prêmio Nobel de Medicina, homenageia Pasteur. Os próprios colaboradores de Pasteur se autodenominavam “pasteurianos” (Masi, 1999, p. 112). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. Pasteur e parte de seus colaboradores em 1894. Laboratório no Instituto Pasteur em Paris. Émile Duclaux. Charles Chamberland. Adrien Loir. Albert Calmette Élie Metchnikoff Alexandre Yersin. Louis Thuillier. Continue lendo a biografia
- Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Doenças do Bicho-da-Seda Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1865, a pedido de Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967b, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos. Émile Duclaux 1840-1904 Politécnico e normalista francês. Doutor em ciências físicas (Paris, 1865). Professor de Química na Faculdade de Ciências de Lyon; de física e meteorologia, no Instituto Agronômico de Paris, depois no Instituto Pasteur, diretor do Instituto Pasteur (1895-1904). Membro da Academia de Ciências (1888). Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos. Resumidamente, Duclaux iniciou uma carreira clássica como físico e químico. Depois de conhecer Louis Pasteur, ele foi rapidamente atraído pela nova ciência do "infinitamente pequeno", conhecida por volta de 1880 como microbiologia. Próximo de seu mestre, mas de espírito independente, participou ativamente da realização em 1888 do ousado projeto do Instituto Pasteur. Apreciado professor, escritor mediador e historiador da ciência, fervoroso patriota, goza então de uma autoridade que lhe permite falar publicamente: o cientista, torna-se cidadão, reivindica o estatuto de intelectual. Lutando por justiça, junto à Liga dos Direitos Humanos, a favor da revisão do julgamento de Dreyfus, ele afirma sua preocupação pela democratização do conhecimento por meio do apoio às universidades populares. De modo mais detalhado, Duclaux em 1857, ao completar sua educação clássica no colégio local, deixou Aurillac e foi para Paris para frequentar o curso especial de matemática no Lycée St. Louis. Dois anos depois, ele foi aceito na École Polytechnique e na École Normale Supérieure; ele escolheu o último. Em 1862 ele se tornou agrégé nas ciências físicas e foi então contratado por Pasteur como seu assistente de laboratório ( agrégé-préparateur)na escola. Foi durante esse período que as discussões sobre a possibilidade ou impossibilidade da geração espontânea estavam mais vivas. Pasteur afirmou que as criaturas microscópicas responsáveis pela fermentação vieram de pais semelhantes a eles. Nicolas Joly, Pouchet e Musset afirmaram que, ao contrário, essas criaturas nasceram espontaneamente em fluidos orgânicos. De vez em quando, Dumas e Balard, membros da comissão nomeada pela Académic des Sciences para resolver a questão, iam à École Normale. Duclaux, que já havia participado das experiências de seu mentor, passou a participar dos debates. A impressão que causaram nele mostrou-lhe seu verdadeiro curso de vida. Dissociado do laboratório de Pasteur, um agrégé-préparateur enfrentava um futuro incerto. Depois de defender sua tese de doutorado em ciências físicas em 1865, Duclaux decidiu deixar Paris. Ele se tornou professor primeiro no liceuem Tours, depois na Faculdade de Ciências de Clermont-Ferrand, cidade em que se juntou a ele sua mãe, viúva desde 1860. Ele pôde renovar sua colaboração com Pasteur, primeiro em Pont-Gisquet, Gard, onde o mestre estava desenvolvendo seu trabalho sobre doenças do bicho-da-seda, e um pouco mais tarde em Clermont-Ferrand. Os experimentos - de fermentação - começaram em um laboratório improvisado montado por Duclaux e foram repetidos em uma escala muito maior na cervejaria Kuhn em Chamalières, que fica entre Clermont-Ferrand e Royat. É bem sabido que esses experimentos foram solicitados a fim de reanimar a indústria cervejeira. Novas funções profissionais trouxeram Duclaux para Lyon em 1873 e finalmente para Paris em 1878. Em Paris, ele ganhou um concurso para a cátedra de meteorologia no Institut Agronomique, e também foi professor de química biológica na Sorbonne. Ele imediatamente aproveitou a oportunidade para ministrar um curso de microbiologia, o primeiro desse tipo em qualquer lugar. Sua jovem esposa, a ex-Mathilde Briot, sucumbiu repentinamente à febre puerperal após o nascimento de seu segundo filho. Para esquecer sua dor, Duclaux se dedicou ao trabalho com ainda mais energia. Ele ensinou, experimentou e escreveu; e ele acompanhou, dia após dia, a extraordinária série de realizações de Pasteur. Isso incluiu o desenvolvimento de vacinas contra a cólera aviária, o antraz, a peste suína e, em 1885, contra a raiva. Em 1888, o Instituto Pasteur foi fundado em Paris, na rue Dutot. Duclaux, que entretanto havia se tornado professor titular da Sorbonne, transferiu suas atividades de ensino para o Instituto Pasteur. Um pouco antes, por meio de seus esforços, um novo jornal mensal, o Annales de l'Institut Pasteur, foi criado para publicar pesquisas em microbiologia. A partir desse período, pode-se dizer que a vida de Duclaux foi quase inseparável da do Instituto Pasteur. Com a morte de Pasteur em 1895, ele assumiu sua direção e em poucos anos a transformou em uma espécie de “cooperativa científica”, na qual cada cientista, ao mesmo tempo que preservava a independência de suas próprias ideias, trabalhava em direção a um objetivo comum . Aos edifícios originais foram acrescentados, no início do século, o Institut de Chimie Biologique e um hospital. Duclaux tornou-se membro da Académie des Sciences em 1888, da Société Nationale d'Agriculture em 1890 e da Académie de Médecine em 1894. Em 1901 casou-se com a sra. James Darmesteter (a ex-Mary Robinson), uma mulher notável por sua inteligência e cordialidade. Ele finalmente encontrou a felicidade familiar novamente, mas essa felicidade não durou. Em janeiro de 1902, ele sofreu seu primeiro derrame. Mal recuperado, ele começou a escrever novamente para os Annales na primavera de 1903 recomeçou suas palestras. Mas isso era muito para exigir de um corpo sobrecarregado. Na noite de 2 de maio de 1904, Duclaux perdeu repentinamente a consciência e morreu durante a noite. Seu lugar como diretor do Instituto Pasteur foi assumido por um de seus alunos de Clermont-Ferrand, Émile Roux. Este último ficou conhecido por sua pesquisa com Pasteur, sua descoberta do bacilo da difteria e seu desenvolvimento de uma antitoxina diftérica específica. O trabalho científico de Duclaux é ao mesmo tempo o de um físico e o de um químico. Como físico, ele estudou os fenômenos da osmose, da adesão molecular e da tensão superficial. Como químico, ele se concentrou especialmente nos processos de fermentação. Nessa área, ele estava até certo ponto acompanhando o trabalho de Pasteur. Com o passar dos anos, ele foi levado a aceitar enzimas (então chamadas de diástases) um papel cada vez mais importante nos fenômenos da vida. Ele dedicou uma longa série de investigações aos respectivos papéis desempenhados no trato intestinal de homens e animais por enzimas emitidas por glândulas e por aquelas liberadas por micróbios. Ele reconheceu que os micróbios não tinham papel na digestão gástrica e pancreática, que envolve apenas sucos liberados dos tecidos. A digestão microbiana não começa até o intestino, mas rapidamente se torna importante. Em área afim, Duclaux percebeu que os micróbios são indispensáveis na formação dos nutrientes das plantas no solo. Sem micróbios, a terra é infértil, porque as enzimas nas células vegetais não podem deixar as células e, portanto, não podem agir fora da planta. O leite forneceu a Duclaux um material ideal para o estudo de enzimas. Numa primeira fase, através de um grande número de análises, conseguiu desenvolver métodos que permitissem determinar as proporções dos seus constituintes. Na segunda etapa, ele estudou as enzimas capazes de modificar os constituintes. A grande importância das enzimas foi demonstrada na transformação do leite em queijo. Nesse caso, entretanto, os agentes ativos são de origem externa. Na verdade, um queijo é o resultado da cooperação microbiana: “Cada um dos trabalhadores microscópicos deve agir por sua vez e parar no momento certo. Tal oficina é difícil de dirigir, e pode-se dizer que foi necessária a experiência de séculos para obter produtos cujo sabor e aparência sejam sempre os mesmos ”(Émile Roux, em Annales de l'Institut Pasteur, 18 [1904], 337). Duclaux estudou vários tipos de queijos, mas sem dúvida com particular gosto o queijo do Cantal, uma das riquezas da sua região natal. O professor Duclaux não foi menos notável do que o pesquisador Duclaux. Seu aluno Roux, relembrando seus dias como estudante de medicina em Clermont-Ferrand, escreveu: “Duclaux apresentou um assunto com tanta clareza que todos entenderam. Suas palavras foram as de um cientista queimando com o 'fogo sagrado'. Pôs-se a pensar, a tal ponto que, ao terminar o curso, parecia ainda estar lá ”(ibid .). Além de seus trabalhos de pesquisa, Duclaux escreveu muitas obras didáticas; e as resenhas críticas que publicou nos Annales permanecem modelos. Diz-se deles que exibem “a lógica do cientista e o estilo do poeta ... Ele poderia extrair de um livro de memórias ... consequências possíveis das quais o próprio autor nem sempre suspeitou. Quantas ideias ele explorou; que novas percepções ele generosamente concedeu. Duclaux semeou o vento forte ...” (Émile Roux, em Bulletin de l'Institut Pasteur , 2 [1904], 369). Duclaux era cativante, cheio de inteligência e entusiasmo. Ele também era um homem justo com uma alma apaixonada. Ele sonhava com uma fraternidade universal sob a bandeira da ciência - "a pátria comum", como costumava dizer, "onde se pudesse ter paixões sem ódio". Mas ele não estava alheio ao que estava acontecendo fora de seu laboratório. Em várias ocasiões, sua devoção à verdade o levou a entrar em conflitos políticos. Em particular, ele teve um papel muito ativo na campanha que finalmente forçou a reintegração do capitão Dreyfus. Em 1865, Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (D ebré, 1995, p. 209). "Nesta fase de sua pesquisa", ressalta Duclaux, ele não tinha o direito de manter o silêncio olímpico com o qual gostava de se cercar até o dia em que seu trabalho parecesse maduro para a publicação. Em circunstâncias normais, ele não diria uma palavra sobre ela, mesmo no laboratório, onde os assistentes só viam o exterior e o esqueleto de seus experimentos, sem nada de vida para animá-los. Aqui, por outro lado, ele tinha a obrigação de falar e estimular o julgamento do público, tão logo encontrava algo, tanto sobre a prática industrial quanto em suas descobertas de laboratório (Dubos, 1967b, p. 185-186). Ref. https://data.bnf.fr/en/12514448/emile_duclaux/ Ref. https://www.franceculture.fr/oeuvre/emile-duclaux-de-pasteur-dreyfus Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/duclaux-emile Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/emile-duclaux-apotre Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Jean-Henri Casimir Fabre 1823-1915 Entomologista francês. Divulgador da ciência e autor de livros didáticos. Fabre era filho de Antoine Fabre, um homme de chicane (uma espécie de oficial da lei), e de Victorie Salgues. Iniciou os estudos no colégio paroquial de sua aldeia natal, depois os continuou, a partir de 1833, no colégio de Rodez. Bolsista na École Normale Primaries de Avignon, ele obteve seu brevet supérieur em 1842 e foi nomeado professor no liceu de Carpentras no mesmo ano. Em Montpellier, ele se preparou para o bacharelado, no qual ele foi aprovado, e então ganhou uma licença dupla em ciências em matemática e física. Em seguida, foi para o liceu de Ajaccio, na Córsega, como professor de física, permanecendo lá até dezembro de 1851. Depois disso, ele lecionou no liceu de Avignon (1853), depois recebeu a licença em história natural em Toulouse, e finalmente defendeu sua tese para o doctorat ès sciences naturelles em Paris em 1854. A partir de então, Fabre se dedicou quase exclusivamente à pesquisa sobre a biologia e o comportamento dos insetos que o tornariam uma das grandes figuras da entomologia. Em 1855, Fabre publicou seu primeiro trabalho sobre um vespídeo himenóptero (Cerceris) que paralisa sua presa (besouros). Sua segunda memória (1857) tratou da hipermetamorfose dos Meloidae (coleópteros). Em 1856, Fabre recebeu o Prix Montyon (de fisiologia experimental) do Institut de France, e em 1859 Charles Darwin o citou em sua Origem das Espécies , um incentivo valioso para um jovem professor mal pago. Na tentativa de melhorar sua situação financeira, Fabre empreendeu uma pesquisa sobre o princípio de coloração da garança (alizarina), que conseguiu isolar em 1866. Essa descoberta resultou em sua conquista da Legião de Honra e foi recebido em Paris por Napoleão III . Mas em seu retorno a Avignon, Fabre soube que o alizarin acabara de ser obtido de alcatrões de carvão e que seu processo fora substituído. Passou a escrever livros didáticos e ministrou um curso gratuito de ciências, ao mesmo tempo em que fez amizade com o filósofo John Stuart Mill , que então morava em Avignon. Vítima de vários ciúmes e vexames, Fabre deixou aquela cidade em novembro de 1870 e mudou-se para Orange, e depois em 1879 para Sérignan. onde dedicou todo o seu tempo a observações sobre a vida e hábitos dos insetos. Em 11 de julho de 1887 foi eleito membro correspondente da Académie des Sciences, e seu jubileu foi celebrado em 3 de abril de 1910. O primeiro casamento de Fabre foi com Marie Villard (30 de outubro de 1844); eles tiveram muitos filhos, incluindo três filhos e uma filha. Viúvo pouco depois de se mudar para Sérignan, voltou a casar e teve um filho e duas filhas com a segunda mulher. Uma de suas filhas casou-se com o médico GV Legros, que foi seu primeiro biógrafo. O trabalho científico de Fabre inclui os dez volumes Souvenirs entomologiques (1879–1907), que apresenta um número considerável de observações originais sobre o comportamento de insetos (e também de aracnídeos); estes foram precedidos por várias memórias publicadas como livros ou artigos de periódicos (1855-1879). É este último grupo de publicações que contém as principais descobertas de Fabre: hipermetamorfose dos Meloidae; a relação entre o sexo do ovo e as dimensões da célula entre as abelhas solitárias; os hábitos dos besouros de esterco; e o instinto paralisante das vespas solitárias Cerceris, Sphex, Tachytes, Ammophila e Scolia. Essas últimas pesquisas, que colocaram o problema do instinto e sua aquisição pelos insetos, foram muito discutidas e objeto de vivas críticas de E. Rabaud. Trabalhos recentes, como os de A. Steiner (1962) sobre a vespa Liris nigra , que ataca grilos, confirmam as observações de Fabre e mostram que a presa é um tabuleiro de damas de zonas estimulantes, cada uma das quais provoca uma resposta precisa e praticamente inalterável de o predador. Embora suas obras fossem admiradas por Darwin, Fabre se opôs durante toda a vida à evolução, permanecendo convencido da fixidez das espécies. Para ele, cada espécie animal foi criada como a vemos hoje, com o mesmo equipamento instintivo (ao passo que a explicação moderna do instinto se baseia na noção de seleção natural ). Fabre teve o grande mérito de demonstrar a importância do instinto entre os insetos, enquanto alguns de seus predecessores (JCW Illiger, Jean Th. Lacordaire) supunham que os insetos são dotados “de faculdades de raciocínio ou invenção comparáveis às dos animais superiores, e de homem ”(J. Rostand,“ Jean-Henri Fabre, ”p. 157). Responsável por descobertas significativas sobre a vida e os hábitos dos insetos, Fabre permanece especialmente importante na história da ciência por causa da popularidade de suas Souvenirs entomologiques; sua leitura levou mais de uma pessoa a se tornar naturalista. Além disso, para ganhar a vida, Fabre, entre 1862 e 1901, escreveu cerca de quarenta obras de divulgação científica, voltadas principalmente para os jovens e que vão da matemática e da física à história natural. Ele também compôs poemas em francês e em provençal; o último resultou em seu nome de felibre di Tavan. Fabre continua sendo o modelo do cientista autodidata - solitário, pobre, orgulhoso e independente. Foi também um observador atento e minucioso e um escritor de talento inquestionável. Pasteur tem contato com este entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902115/jean-henri_fabre/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/jean-henri-fabre Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Físico francês. Foi professor da Normale Supérieure de Sèvres (1882-1902). Membro da Academia de Ciências (1906). Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480243/desire_gernez/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/keyword/8790/gernez-desire Mais informações: https://www.persee.fr/authority/445678 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Eugène Maillot 1841-1889 Biólogo francês. Especialista em sericicultura. Diretor da estação de sericicultura da escola agrícola de Montpellier. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/10363116/eugene_maillot/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/maillot,%20eug%C3%A8ne/page/1 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Jules Raulin 1836-1896 Doutor em Ciências (Paris, 1870) francês. Estudou as doenças do bicho-da-seda em colaboração com Louis Pasteur. Professor de química industrial na Faculdade de Ciências de Lyon, criador da Escola de Química de Lyon. Raulin foi aluno de Pasteur na École Normale Supérieure. onde começou a estudar a nutrição mineral das plantas. Ele continuou seu trabalho nos liceus de Brest e Caen, depois voltou para a École Normale Superieure como diretor assistente do laboratório de Pasteur. Pasteur havia cultivado fermento em um meio contendo sacarose, tartarato de amônio e cinzas de fermento, que supriam todas as necessidades minerais da planta em crescimento. Raulin, portanto, decidiu nutrir uma planta experimentalmente com uma mistura cuidadosamente controlada de minerais específicos. Ele escolheu trabalhar com o fungo Sterigmatocystis nigra (ou Aspergillus niger ), que se alimenta de sacarose. Tendo verificado o ambiente ideal para seu crescimento - um grande prato contendo. 3 centímetros de água a 35 ° C, adequadamente arejada, em uma sala mantida a 70 por cento de umidade - ele se propôs a estabelecer empiricamente a combinação de nutrientes minerais que produziria o melhor rendimento, medido em peso seco, em um determinado período de tempo. Após uma série de tentativas, Raulin determinou que a mistura mais eficiente de nutrientes era 1.500 gramas de água, 70 gramas de sacarose, 4 gramas de ácido tartárico, 4 gramas de nitrato de amônio, 0,6 grama de fosfato de amônio, 0,6 grama de carbonato de potássio, 0,4 grama de carbonato de magnésio, 0,25 grama de sulfato de amônio, 0,07 grama de sulfato de zinco, 0,07 grama de sulfato ferroso e 0,07 grama de silicato de potássio. Essa mistura agora é chamada de meio de Raulin ou fluido de Raulin. O principal valor do experimento de Raulin residia em seu estabelecimento, por métodos de tentativa e erro, da importância de cada um dos nutrientes em sua mistura, especialmente os minerais. Por exemplo, ele eliminou o potássio da mistura, e o peso da produção caiu de 24,4 gramas para 0,92 gramas; ele foi, portanto, capaz de demonstrar que a presença de potássio no meio resultou em um rendimento de 26,6 vezes maior em peso - ou. em outros termos, que a utilidade específica do potássio era de 87, já que 0,271 grama de potássio aumentava o rendimento em 23,48 gramas. Raulin estudou cada elemento da mesma maneira e descobriu que o nitrogênio produzia 153 vezes o rendimento, fósforo 182, magnésio 91, enxofre II, ferro aproximadamente 2 e zinco aproximadamente 2,4. Ao adicionar alguns miligramas de ferro e zinco ao meio, Raulin introduziu o problema dos oligoelementos. A pureza dos produtos químicos que ele usava era, na melhor das hipóteses, duvidosa, e não havia como ele analisar quanto ferro ou zinco poderia estar contido nos quatro gramas de nitrato de amônio ou ácido tartárico que ele adicionou ao meio. Mesmo assim, ele foi capaz de isolar o zinco como um oligoelemento; seu papel na nutrição das plantas não havia sido reconhecido anteriormente. Raulin publicou os resultados de seus experimentos como “Etudes chimiques sur la vegetation”, pelo qual recebeu o doutorado em ciências. O próprio Pasteur estava entusiasmado com o trabalho de Raulin e, em 1868, escreveu-lhe que suas pesquisas abriram horizontes completamente novos na pesquisa de plantas. Em 1876, Raulin foi nomeado professor de química na Faculte des Sciences de Lyon, da qual mais tarde se tornou reitor. Ele também fundou uma escola de química industrial, fez uma série de mapas agronômicos e publicou um grande número de trabalhos sobre uma variedade de assuntos, dos quais a maior parte diz respeito à produção de seda. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480837/jules_raulin/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/raulin,%20jules/page/1 Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/raulin-jules Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Marie Pasteur 1826-1910 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Laurent. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura (Dumas) em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos” (Debré, 1995, p. 234). Marie-Louise Pasteur 1858-1934 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967b, p. 188). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Pierre-Jacques-Antoine Béchamp 1816-1908 Médico, químico e farmacêutico francês. Agrégé de farmácia (1851), doutor em ciências (Estrasburgo, 1853) e doutor em medicina (Stasbourg, 1856) francês. Professor nas universidades de Estrasburgo, Montpellier e Lille. Correspondente da Academia de Medicina. Béchamp, filho de um moleiro, deixou a França muito jovem para viver em Bucareste, onde estudou farmácia, provavelmente no St. Sava College. No final da adolescência mudou-se para Estrasburgo, onde foi aprendiz em uma farmácia e obteve o título de farmacêutico em 1843. Ele rapidamente abandonou a farmácia para retomar seus estudos. No início de 1851, ele foi nomeado professeur agrégé por um júri incluindo Louis Pasteur, Béchamp lecionou na Faculdade de Ciências de Estrasburgo (1853-1854), onde sucedeu a Pasteur, e depois na Escola de Farmácia de Estrasburgo (1854-1856), em Em 1853 obteve o doutoramento em ciências físicas e em 1856 obteve o doutoramento em medicina com uma importante tese sobre substâncias albuminoides. De 1856 a 1876, Béchamp ensinou química médica na Faculdade de Medicina de Montpellier. Ele renunciou ao cargo para se tornar reitor da Faculdade de Medicina Livre (Católica) de Lille. Ele se aposentou do último cargo em 1886, em meio a uma controvérsia amarga. Com seu filho. Béchamp retomou o comércio farmacêutico em Le Havre. A morte acidental de seu filho levou Béchamp a se mudar para Paris, onde a generosa hospitalidade de Charles Friedel lhe proporcionou um pequeno laboratório. Lá, ele realizou experiências até 1899. Béchamp fez descobertas em vários campos. Sua tese de doutorado de 1856 resultou em um volumoso tratado (1884). Por meio de um uso hábil e sistemático da atividade óptica de substâncias albuminóides, Béchamp foi capaz de distinguir um grande número de compostos complexos que seus predecessores, contando com métodos analíticos mais padronizados, não conseguiram descobrir. Ele também desenvolveu um processo industrial barato para produzir anilina (1852) e, assim, contribuiu muito para o surgimento da indústria de corantes sintéticos. Por este trabalho em particular, a Société Industrielle de Mulhouse concedeu a Béchamp o Prêmio Daniel Dollfus (1864) juntamente com WH Perkin AW von Hofmann e E. Verguin. Ele também identificou a natureza parasitária de duas doenças do bicho-da-seda e, nesse contexto, antecipou os resultados de Pasteur. Os dois se tornaram rivais amargos nesse assunto. A teoria da vida de Béchamp constituiu o principal impulso de sua atividade, no entanto, e também gerou uma sequência interminável de disputas, com Pasteur em particular. Ele não aceitava a geração espontânea nem a teoria parasitária da doença e da fermentação. Ele alegou, em vez disso, que toda a vida era derivada de pequenas “granulações moleculares” subcelulares, caso contrário, como micozimas. Béchamp, erroneamente, gostava de comparar seu projeto com o de Lavoisier e, de fato, as microzimas desempenharam um papel análogo aos elementos químicos. Eles diferiam dos elementos, no entanto, por serem considerados os fundamentos finais das estruturas vivas, enquanto para Lavoisier os elementos existiam apenas como construções experimentais. Quando os organismos vivos morrem, argumentou Béchamp, eles voltam a substâncias químicas inertes e microzimas, sendo estas últimas essencialmente eternas. Os microzyams também atuam como o princípio organizador dos seres vivos. A forma como a organização procede, entretanto, depende tanto das substâncias químicas realmente presentes e das circunstâncias quanto da natureza das microzimas. Em outras palavras, os microzimas não têm especificidade de ação, como os micróbios na teoria de Pasteur; pelo contrário, são bastante polivalentes. A força da teoria de Béchamp repousava em sua capacidade de usar um único princípio para explicar uma ampla gama de fenômenos; com isso, ele poderia explicar resultados tão contraditórios como os aduzidos por Pasteur e Pouchet no curso de sua famosa controvérsia sobre a geração espontânea. Mas essa também era a fraqueza da teoria de Béchamp: ela explicava muito sem se prestar a testes experimentais. Sua base empírica assentou em duas afirmações gerais: o microscópio revela granulações moleculares; e sempre que (e aparentemente apenas quando) aparecem granulações moleculares. processos de vida ocorrem. É claro que a alegação de ter descoberto o local básico e material da vida, formulada em termos científicos e apoiada pelo método científico, teve importância direta para debates extra-científicos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que a teoria de Béchamp foi mantida ou atacada por católicos, evolucionistas e materialistas. Mas estar no centro de muitas questões controversas nem sempre é a melhor maneira de buscar uma carreira de sucesso, especialmente se estiver confinado a cargos de ensino provinciais; e Béchamp terminou sua vida em isolamento quase completo. Ele morreu ignorado pela maioria e elogiado como um mártir científico por alguns. Nesta mesma época em que Pasteur, Béchamp também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária (Brunet, 2017, p. 147-148). Enquanto Pasteur começava a estudar doenças do bicho-da-seda, Béchamp repetidamente afirmava que a pebrina era causada por um parasita, uma teoria que Pasteur refutou completamente no início. Mais tarde, Béchamp cairia no descrédito ao promover uma teoria obscura das "microzimas", tipos de corpúsculos elementares cujo aglomerado teria constituído organismos vivos e que seriam a causa de todas as doenças. No final da vida, em 1904, Béchamp publicou um panfleto anti-Pasteur, onde se lia em particular: “O plagiador mais descarado do século XIX e de todos os séculos: é Pasteur” (Perrot; Schwartz, 2017, p. 174). Existe uma obra chamada "Pasteur ou Béchamp" do início do séc. XX que usa a rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. De qualquer forma, diz-se que Pasteur não deu os devidos créditos à obra de Béchamp. Ref. https://data.bnf.fr/en/12459796/antoine_bechamp/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/bechamp-pierre-jacques-antoine Jean-Baptiste Philibert Vaillant 1790-1872 Marechal francês. Ministro da Guerra (1854-1859). Ministro da Casa do Imperador (1860-1870). Participou das campanhas da Rússia (1812) e da Alemanha (1813) antes de participar da captura de Argel (1830). Ministro da Guerra de 1854 a 1859, foi nomeado em 1859 Comandante-em-Chefe do Exército da Itália. (Academia de Ciências, 1853). Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o Marechal Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). Ref. https://data.bnf.fr/en/13756998/jean-baptiste_philibert_vaillant/ Ref. https://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Jean-Baptiste_Philibert_Vaillant/148013 Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos” (Debré, 1995, p. 242). A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Eugénia de Montijo 1826-1920 *Ver a microbiografia de Eugénia de Montijo no grupo Políticos. A estada na propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Próximo Grupo
- Orçamento da ciência | Pasteur Brasil
Orçamento da Ciência Em 1867, na qualidade de diretor do laboratório na Rua d´Ulm, Pasteur dirige uma carta ao imperador Napoleão III: “Senhor, minhas pesquisas sobre as fermentações e sobre o papel dos microorganismos microscópicos abriram à química fisiológica novas vias de que as indústrias agrícolas e os estudos médicos começam a recolher frutos. Porém o campo que resta percorrer é imenso. Meu maior desejo seria explorar com novo ardor, sem estar à mercê da insuficiência de recursos materiais (...) É chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, Napoleão III pede a Victor Duruy que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo, em dezembro de 1867 surgem obstáculos que fazem parar a obra. Os créditos para a construção do novo prédio são recusados. Encontra-se dinheiro para levantar o novo Ópera de Charles Garnier, mas não há mais dinheiro nos cofres imperiais para a pesquisa científica. Furioso, Pasteur publica um artigo para o jornal Le Moniteur Universel, intitulado “O Orçamento da Ciência” a fim de sacudir a opinião pública: “Laboratório e descoberta são termos correlatos. Suprimam os laboratórios e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte (...) Deem-lhe os laboratórios e com eles reaparecerá a vida, sua fecundidade, e seu poder” (Debré, 1995, p. 166). Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um areópago de cientistas: Louis Pasteur, Henri Milne-Edwards, Claude Bernard e Henri Sainte-Claire Deville. Pasteur recorda ainda a criação da função de estagiário, demonstrando a necessidade de iniciar os melhores alunos à pesquisa, e diz: “Olhem para os cientistas alemães. Eles moram nas cercanias de seu laboratório. Sigamos o exemplo!” (Debré, 1995, p. 168). Indo além, pensa que as próprias cidades deveriam se interessar pelos trabalhos científicos. A passagem de Victor Duruy como Ministro da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajudas concedidas aos homens de ciência, além de desenvolver uma amizade verdadeiramente pessoal com Louis Pasteur. Uma decisão de Duruy vai ser particularmente cara a Pasteur: um decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades. A convicção de ambos os amigos de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, assim como o apoio de Napoleão III, vão vencer os obstáculos administrativos: o desbloqueio de créditos para a continuação da construção do laboratório na Rua Ulm, o berço de prodigiosas descobertas. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Ópera Garnier Jornal Le Moniteur Universel. Henri Milne-Edwards. Claude Bernard. Henri Sainte-Claire Deville. Laboratório na Rue d´ Ulm em Paris. Victor Duruy. Continue lendo a biografia
- Cristalografia | Pasteur Brasil
Cristalografia Aos 24 anos, Pasteur é designado professor-estagiário no laboratório do químico Antoine-Jérôme Balard (1802-1876), seu ex-professor, de personalidade simples e bem-humorada, que descobriu o bromo. Balard o apresenta ao experiente Auguste Laurent (1807-1853), que ajudou na fundação da química orgânica e trabalhava com a cristalografia. Pasteur começa suas investigações junto a este pesquisador de temperamento calmo, que o influenciará na formulação de hipóteses e teorias. No início do século XIX, a Mineralogia e a Cristalografia eram inseparáveis das pesquisas óticas que se desenvolviam a passos largos. O polarímetro era um dos principais instrumentos utilizados, permitindo observar as modificações angulares que a luz sofria ao passar pelos materiais. Dentre outras pesquisas, Pasteur vai se dedicar ao mistério do ácido tartárico, posto pelo químico alemão Eilhard Mitscherlich (1794-1863): porque dois produtos químicos aparentemente idênticos têm um efeito diferente na luz polarizada? Após observações meticulosas dos cristais, Pasteur conclui que só os produtos nascidos sob a influência da vida são assimétricos, isto porque o seu desenvolvimento preside forças cósmicas que também são assimétricas. Constata que a dissimetria é a principal linha de demarcação entre o mundo orgânico e o mundo mineral, ou seja, d emonstra que a dissimetria molecular é marca registrada dos seres vivos. Esta descoberta esclarece a característica central dos isômeros, ou seja, moléculas idênticas, porém que desviam a luz de modo contrário. Balard, que captou a importância destas conclusões, comunica-as a Jean-Baptiste Biot (1774-1862), que recebe Pasteur para uma entrevista e demonstração. Ao analisar o experimento, e visivelmente emocionado com o que via, Biot disse a Pasteur “Meu filho querido, em minha vida amei tanto as ciências que isso me faz disparar o coração” (Debré, 1995, p. 74). Desde seus primeiros trabalhos, Pasteur se referia constantemente a Biot, que agora tinha a felicidade de conhecer. Este astrônomo, matemático, físico e químico, com o passar do tempo, irá considerar Pasteur igual a um filho adotivo, tamanha a proximidade científica e afetiva entre os dois. Das críticas científicas aos conselhos mais pessoais, Biot desempenhou um papel ativo em toda a vida de Pasteur. Posteriormente, o filho de Pasteur receberá o nome deste amigo, que será também o padrinho da criança. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Litografia de 1857 de Balard, químico francês. Descobriu o bromo aos 24 anos. Levava uma vida simples e estava sempre de bom humor. Foi professor de Pasteur na École Normale, que o convida a se tornar professor-estagiário em seu laboratório. Foi no laboratório de Balard que Pasteur, trabalhando com o ácido tartárico, descobre as formas dextrógiras e levógiras. Balard apresenta Pasteur a Auguste Laurent. Moeda em homenagem a Balard, químico francês descobridor do bromo. Auguste Laurent, químico. Ajudou na fundação da química orgânica. Seus trabalhos sobre cristalografia valeram-lhe a nomeação de correspondente da Academia de Ciências. De espírito muito original, Laurent reparou em Pasteur, e oferece que ele pesquise junto a ele. Pasteur gosta muito de trabalhar com este pesquisador de temperamento calmo, mas o trabalho dura poucos meses, pois Laurent se torna suplente de Dumas na Sorbonne. Polarímetro usado por Pasteur. Eilhard Mitscherlich, químico e físico alemão. Professor de química na Universidade de Berlim. Construiu o primeiro polarizador. Foi o primeiro a anunciar o mistério do ácido tartárico. Pasteur, na época um jovem químico recém-formado, se debruçou sobre este mistério colocado por Mitscherlich: porque 2 produtos químicos aparentemente idênticos tem um efeito diferente na luz polarizada? Cristalografia e Dessimetria Molecular. Jean-Baptiste Biot, astrônomo, matemático, físico e químico. Membro de 3 Academias (Ciências, Belle-Lettres, Francesa). Em 1804, Gay-Lussac subiu num balão de hidrogênio com Jean-Baptiste Biot para investigar o campo magnético da Terra a elevada altitude e a composição atmosférica. Atingiram uma altitude de 4000 metros. Moldes dos cristais. Carta de Pasteur a Biot sobre o ácido racêmico. Caderno de experiências de Pasteur e amostras de ácidos tartáricos. Continue lendo a biografia
- Beneméritos | Pasteur Brasil
Beneméritos Louis Pasteur teve seu pai como primeiro preceptor. O primeiro dicionário da família “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia” foi publicado por Rolland e Rivoire em 1803. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho. O pai de Louis tinha poucos amigos, mas eruditos, a exemplo de professores e o médico de Arbois, Dr. Dumont. Aos 9 anos, L. Pasteur é admitido no Collège d´Arbois (atualmente Lycée Pasteur). Seu primeiro mestre foi o jovem Etienne Renaud, apegado aos alunos e contador de seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, ao receber homenagens e prêmios, Pasteur sempre reconhecerá este primevo professor. Emmanuel Bousson de Mairet (1796-1871), literato e filósofo, foi o amigo que ajudou a família Pasteur a se instalar em Arbois. Este erudito local escreveu pelo menos 30 textos, dentre os quais, a história dos habitantes de Arbois, a batalha de Alésia de Júlio César, e uma tragédia sobre Joana d´Arc. Mairet foi professor no Collège d´Arbois, mas, acometido pela surdez, precisou se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis, ajudando-o a progredir consideravelmente nos estudos, inclusive em retórica, onde Pasteur amealha vários prêmios. No entanto, quem terá influência decisiva nos futuros estudos de Pasteur será o Sr. Romanet, diretor do Collège d´Arbois. Ele ajuda a desenvolver no jovem aluno a circunspecção e a motivação pelos estudos. Pasteur o admira e, ainda criança, o escuta enaltecer os benefícios da educação, descrevendo a instituição que seria digna às suas capacidades: a École Normale Supérieure em Paris. A proposta prática para viabilizar a ida do jovem a Paris provém do capitão Barbier. Este amigo do pai de Pasteur, proveniente de Arbois, é Oficial da Guarda Municipal de Paris, e é quem fala de uma instituição no Quartier Latin, onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Etienne Renaud foi o 1º professor em Arbois (escola primária). É um jovem e ardente professor que se apega aos alunos e sabe como diverti-los. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este professor que lhe deu suas primeiras aulas. Romanet era Diretor do Collège d´Arbois. Teve influência decisiva na carreira de Pasteur. Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê na criança Pasteur: a École Normale. O primeiro dicionário da família de Pasteur, “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia”, foi publicado por Rolland e Rivoire em 1803. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho, Louis Pasteur. Emmanuel Bousson de Mairet (1796-1871). Homem de letras e filósofo, amigo do pai de Louis. É autor de pelo menos 30 textos: história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a ele que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios. Barbet, dono do internato em Paris onde Pasteur vai aos 15 anos com Jules Vercel, e aos 17 com Chappuis se preparar para o concurso da École Normale. Barbet cortou pela metade as mensalidades dos jovens. Aconselhou-os e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de taxas. Lições elementares a Louis Pasteur na infância. Placa Rue du Collège Pasteur em Arbois. Lycée Pasteur. Placa em frente ao Collège Pasteur, onde o cientista estudou de 1831 a 1838. Vista interior do Collège Pasteur. Concours publics em 1832. Livro de Louis Pasteur sobre a história dos imperadores. Busto de Pasteur em praça de Arbois. Continue lendo a biografia
- Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil
Doenças do Bicho-da-Seda Em 1865, a pedido de Jean-Baptiste Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967a, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos . As doenças do bicho-da-seda permitirão Pasteur compreender as causas das epidemias. É dito que a lagarta é que o conduzirá ao homem. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Tem contato com Jean Henri Fabre, entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Pasteur é criticado pelos sericicultores antes mesmo das primeiras verificações práticas e acham lamentável que o governo tenha confiado a um químico o cuidado de esclarecer uma doença tão misteriosa. Ele vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene. Duclaux afirma que obviamente eles não eram a cabeça pensante, pois Pasteur guardava para si suas ideias e projetos. Porém, relata que eles acreditavam adivinhá-las e que isso era suficiente para que as milhares de observações microscópicas de todo dia se tornassem atraentes e despertassem interesse. Depois da morte da filha de Pasteur, Cécile, aos 12 anos, a esposa Marie e a filha mais nova, Marie-Louise, vão se juntar a Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. O filho mais velho, Jean-Baptiste, fica em Paris para estudar. Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967a, p. 188). Existem aqueles que se convencem e também os céticos que se recusam a aplicar o método e continuam a criticá-lo, preferindo usar outros remédios. A maioria dos jornais de agricultura prática divulgam relatórios, pareceres e testemunhos, a maioria favoráveis a Pasteur. Nesta mesma época, Pierre-Jacques-Antoine Béchamp era professor da Faculdade de Montpellier, e também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária. Diz-se que Pasteur ocultou a obra de Béchamp (Brunet, 2017, p. 147-148). Depois de alguns anos, a doença (pebrina) é esclarecida, porém, nem tudo estava resolvido. Depois, Pasteur percebe que havia uma segunda doença no bicho-da-seda, chamada flacidez. Duclaux e os outros colaboradores ficam entusiasmados para recomeçar a identificação e a prevenção da nova doença descoberta. Pasteur, de início está desencorajado. Duclaux escreve “éramos jovens e tínhamos confiança, não em nós, mas nele” (Debré, 1995, p. 227). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena filha Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Por outro lado, os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura, Jean-Baptiste Dumas, em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos”. Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o marecham Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos”. A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho à imperatriz Eugénia de Montijo, escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Banner da Expo Pasteur na fachada do Palais de la Découverte em Paris, França. Expo Pasteur no Palais de la Découverte em Paris, França. Personalidades envolvidas na resolução das doenças do bicho-da-seda. Imagem da Expo Pasteur no Palais de la Découverte em Paris, França. Em 1865, a pedido de Jean-Baptiste Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda no Instituto Pasteur de Lille, na França. Désiré Gernez. Eugène Maillot. Jules Raulin. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda no Instituto Pasteur de Lille, na França. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda no Instituto Pasteur de Lille, na França. Jean-Henri Fabre. Émile Duclaux. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda na Maison natale de Pasteur na cidade de Dole, França. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda na Maison natale de Pasteur na cidade de Dole, França. Marie e Louis Pasteur. Marie-Louise Pasteur. Continue lendo a biografia
- Equipe Extrafísica | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Equipe Extrafísica Marco Antônio Ferreira de Almeida 1971- Médico pneumologista e conscienciólogo brasileiro, Marco Almeida n asceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil, em 30 de outubro de 1971. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez residência médica em Pneumologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), sendo membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Fez e specialização em Educação Médica na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), sendo preceptor da residência de Clínica Médica no Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Acessou a Conscienciologia em 1991, no Rio de Janeiro, RJ, por meio de Palestra Pública do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC). Voluntário da Conscienciologia desde 2001, nas Instituições Conscienciocêntricas: IIPC, de 2001 a 2002; Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC) em 2003; Organização Internacional de Consciencioterapia (OIC) desde 2003, sendo coordenador geral de 2015 a 2019. Docente de Conscienciologia desde 2001; consciencioterapeuta desde 2003; tenepessista desde 2004; epicon desde 2017. É radicado em Foz do Iguaçu / PR desde novembro de 2002, sendo voluntário-residente no Campus da Organização Internacional de Consciencioterapia (OIC), no bairro Cognópolis, desde 08 de janeiro de 2011. Coautor de capítulo de livro: SARA / SDRA (Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo) na obra Emergências Respiratórias, organizada por Eduardo Cesar Faria, publicada no Rio de Janeiro, RJ pela Editora de Publicações Biomédicas (EPUB) em 2002. Títulos de artigos conscienciológicos: Síndrome da Banalização dos Autodiagnósticos; Fundamentos da Consciencioterapia Dessomática; Posturas Grupais visando à Desperticidade; Autoconscienciometria e Infogrupalidade; Autoprofilaxia das Irracionalidades Antiassistenciais; Apriorismose; Miniconscienciograma das Patologias Humanas; Para-Afetividade: Proposição de Técnicas Consciencioterápicas; A Evolução Histórica dos Paradigmas de Saúde. Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia: Autorremissibilidade Consciencioterápica (2012); Percepção de Auteficácia Consciencioterápica (2013); Síndrome da Banalização do Autodiagnóstico (2013); Parafetividade Terapêutica (2013); Ação Trafaricida (2013); Inteligência Autoconsciencioterápica (2014); Inquietação Aversiva Autocogniciofóbica (2015); Consciencioterapia Metacognitiva (2016); Atendimento consciencioterápico (2017); Antiofensividade Interconsciencial (2018); Ferida Emocional (2019); Superação da Tanatofobia (2020); Traumastenia Consciencial (2020); Interação Coronavírus-Coronochacra (2020); Negacionismo da Autorrealidade (2020); Cicatriz Evolutiva (2020). Tertúlias Matinais: Fisiologia da Autocognição (2017); Alegria: Tonalidades e Sutilezas (2019); Autexposição Interassistencial (2020); Aspectos Autoconsciencioterápicos da Ortodessomaticidade (2023); Expedição Seriexológica Interassistencial (2024). Epicentrismo em Debate: Biparatranse Heurístico (2021); Diligência Assistencial Parapsíquica (2022); P rofilaxia da Iatrogenia Consciencial (2022); Megadesafios Homeostaticológicos do Epicon (2022); Saúde Somática do Epicon (2023); Saúde Energossomática do Epicon (2023); Saúde Psicossomática do Epicon (2023); Saúde Mentalsomática do Epicon (2023); Autocognição Energoterapeuticológica (2023); Saúde Holossomática do Epicon (2024); Síndrome de Cassandra (2024); Expedição Parapsíquica de Desassédio (2024). Ref. https://www.icge.org.br/?page_id=1417 Ref. https://www.conselhodeepicons.org.br/?page_id=651 Ref. Faria, Eduardo Cesar. Emergências Respiratórias. Rio de Janeiro, RJ: EPUB, 2002, p. 97-106. Ref. Vieira, Waldo (org). 500 Verbetógrafos da Enciclopédia da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016, p. 393. Waldo Vieira 1932-2015 Waldo Vieira nasceu em Monte Carmelo, Minas Gerais, em 12 de abril de 1932, filho do dentista Armante Vieira e da professora Aristina Rocha. Pesquisador independente, escritor e professor, graduou-se em Odontologia (1954) e em Medicina (1960), com pós-graduação em Plástica e Cosmética em Tóquio, Japão. Foi o propositor das neociências Projeciologia e Conscienciologia, sistematizadas nos tratados “Projeciologia: Panorama das Experiências da Consciência Fora do Corpo Humano” (1986) e “700 Experimentos da Conscienciologia” (1994). Sensitivo, ainda na infância iniciou seus estudos sobre as habilidades parapsíquicas (percepção extrassensorial, mediunidade, paranormalidade) e tornou-se, posteriormente, membro das principais instituições internacionais e nacionais de pesquisa do parapsiquismo, a exemplo da SPR – Society for Psychical Research (Londres, Reino Unido), ASPR – American Society for Psychical Research (Nova York, EUA), Associação Brasileira de Parapsicologia (Rio de Janeiro – RJ) e CEAEC – Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (Foz do Iguaçu – PR). O pesquisador escreveu dezenas de livros e centenas de artigos relacionados à pesquisa da consciência, de caráter científico, porém sempre apontando a necessidade de um paradigma que considerasse o fenômeno consciencial (e, portanto, o parapsiquismo humano) para além da matéria ou do cérebro biológico apenas. Antes disso, nas décadas de 1950 e 1960, atuou no Movimento Espírita. A psicografia (escrita mediúnica), manifesta aos 13 anos, foi aperfeiçoada e, já com 23 anos, quando conheceu o famoso médium Chico Xavier, já estava plenamente desenvolvida. Desde o início, o encontro de Vieira e Xavier sinalizava ser promissor: o primeiro livro psicografado em coautoria foi “Evolução em Dois Mundos”, publicado em 1958. No Espiritismo, Vieira psicografou dezenas de obras solo ou em parceria com Chico Xavier, além de várias outras ações assistenciais, como a fundação do centro “Comunhão Espírita Cristã”, na cidade de Uberaba (MG). Em 1966, desliga-se do Movimento Espírita e passa a dedicar-se à pesquisa independente, radicando-se na cidade do Rio de Janeiro. Projetor consciente desde os nove anos, o que equivale a dizer que tinha experiências lúcidas fora do corpo desde o início da década de 1940, tornou-se a referência mundial quando o assunto é Projeciologia, o estudo técnico deste fenômeno, principalmente após a publicação, em 1981, do livro “Projeções da Consciência”, onde propõe publicamente, de maneira inédita, a especialidade. Ainda na década de 80, é um dos fundadores do IIP, atual IIPC – Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia, instituição de educação e pesquisa reconhecida como de utilidade pública federal a partir de 1998 e que completou 27 anos de existência no último mês de janeiro. Em 2000, Vieira muda residência para Foz do Iguaçu e passa a morar no campus do CEAEC. A partir de então, concentrou os esforços pessoais na aglutinação de pesquisadores interessados na expansão dos trabalhos da Conscienciologia na Tríplice Fronteira, visando à instalação do bairro Cognópolis, também conhecido por Bairro do Saber ou Cidade do Conhecimento, de modo semelhante ao que havia feito em Uberaba décadas atrás com o Parque das Américas. O bairro Cognópolis foi oficialmente criado através do Decreto Municipal 18.887, de 20 de maio de 2009. Em 2018, o bairro possui, quatro campus conscienciológicos com laboratórios de autopesquisa e auditórios para cursos e palestras, sete condomínios residenciais, instituições de pesquisa da Conscienciologia (várias delas fundadas pelo próprio Vieira), o Hotel Mabu Interludium Iguassu Convention, além de projetos em construção, a exemplo da Ágora Cognopolita e o Megacentro Cultural Holoteca, projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. Na sustentação destes megaempreendimentos, está o aporte humano de mais de 800 voluntários, que transferiram domicílio para Foz do Iguaçu, afora os iguaçuenses com colaboração diária. Com a vida inteira dedicada à pesquisa, docência, autorado e interassistência, nos últimos meses de vida dedicava-se às minitertúlias conscienciológicas, que aconteciam diariamente no Tertuliarium, no campus do CEAEC, e ao terceiro volume de sua obra “Léxico de Ortopensatas”, que deixou no prelo. Conforme sempre fazia questão de enfatizar, todas as atividades intelectuais que desenvolvia eram inteiramente orientadas pelo Princípio da Descrença, que enuncia que “não se deve acreditar em nada”, pois o mais importante para cada indivíduo é usar o senso crítico, o raciocínio e aprender com as próprias experiências. Waldo Vieira veio a óbito no dia 02 de julho de 2015, em Foz do Iguaçu (PR) depois de sofrer um AVC. Síntese das ponto ações de Waldo Vieira: 23 Livros Conscienciológicos, sendo 7 tratados. 89 Artigos nas Revistas Científicas. 2.220 Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia. 19 Livros Psicografados no Espiritismo, sendo 13 solo ou em parceria com o médium Chico Xavier e 6 obras atribuídas ao espírito André Luiz. 14.100 Temos do Dicionário de Neologismos da Conscienciologia, termos neológicos e orismológicos. 101 Cursos Idealizados. 2.191 Tertúlias Conscienciológicas realizadas. 822 Minitertúlias no Tertuliarium no período de março de 2013 a junho de 2015 (atividade diária – número aproximado). 116 Círculos Mentaissomáticos realizados. Ref. https://www.icge.org.br/?page_id=3940 Ref. https://www.icge.org.br/?page_id=6820 Ref. Vieira, Waldo (org). 500 Verbetógrafos da Enciclopédia da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016, p. 25-74. Zéfiro Desde a Antiguidade A consciência Zéfiro é o epíteto que identifica, nas dimensões extrafísicas desde a Antiguidade, a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira (1932-2015). Detalhes acerca da trajetória evolutiva de Zéfiro, considerando retrovidas (vidas pretéritas) e períodos intermissivos (entre vidas), podem ser obtidos no livro "Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira" (Teles, 2014). De acordo com registros de Minitertúlias Conscienciológicas realizadas no Tertuliarium do CEAEC, "A equipex do Zéfiro atuava dando inspiração e segurando a barra no caso do Pasteur: segurança de melhoria do holopensene de onde ele pensava mais, onde a pessoa desenvolvia os melhores pensamentos dela. É o que eles fazem com o Waldo hoje. A melhor coisa que os amparadores podem fazer é melhorar o holopensene de quando a pessoa está fazendo um bom pensamento, isso é o resumo da assistência. Este era o trabalho básico do Zéfiro: dando inspiração e segurando a barra, para não haver excesso, as besteiras da pessoa (ex. pensatas erradas, excessivas, bobeiras, aquelas que mais tarde pode se arrepender). Porque, às vezes, a pessoa pode se entusiasmar com a ideia e aparecer no manuscrito distorcida. O processo dele (Pasteur) não foi só de holopensene, mas também para sossegar o temperamento, ver o neurovegetativo. Ele (Pasteur) levou isso (germes) a sério e conseguiu comprovar. Os castelos não tinham banheiro, era sujeira demais. Muita gente não queria saber disso, pois dá trabalho demais limpar tudo. Ele (Pasteur) começou a raciocinar nisso com clareza, bem claro. Quando se está mexendo com uma coisa nova, se quer saber de tudo" (anotações de Minitertúlia Conscienciológica em 25/09/2013). Nesta mesma Minitertúlia de 25/09/2013, ao ser questionado sobre a holobiografia de Pasteur, Waldo Vieira responde: “Ele é ligado aos nossos processos, é ligado ao Transmentor, é de casa. Tudo é da mesma equipe, ele (Pasteur) e o Littré. É preciso saber onde estão estes foragidos. Semmelweis morreu louco no hospício, porque possivelmente os germes entraram na cabeça dele. É um monte de gente deste jeito. Ampliação da longevidade na Terra, isso está na ficha dele (Pasteur). Naquela época tudo era uma favela, um lixão”. Ref. Teles, Mabel. Zéfiro: a Paraidentidade Intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2014. Mais informações: https://www.shopcons.com.br/produto/zefiro-a-paraidentidade-intermissiva-de-waldo-vieira-5874 Mais informações: https://editares.org.br/livro/zefiro-a-paraidentidade-intermissiva-de-waldo-vieira/ Sandro Botticelli, O Nascimento de Vênus (1485). Recorte da parte superior esquerda do quadro, com a representação de Zéfiro (vento oeste). Transmentor De acordo com Teles (2014, p. 154-155), Transmentor "é o evoluciólogo mais atuante no grupo dos intermissivistas da Conscienciologia. É holobiógrafo e especialista em Paragenética, conhecendo profundamente a retrogenética de cada integrante do grupo que orienta. Apresenta mentalidade enciclopédica, multicultural e universalista. Costuma apresentar-se extrafisicamente com paravisual de homem, tipo inglês, dolicocéfalo, de pele clara e cabelos castanhos, quase louro. Usa roupas ocidentais, estilo casual. É sério, austero, com grande força presencial e capacidade de aglutinação interconsciencial, estado geral- mente acompanhado por chusma de consciexes. Na atual existência, apresentou-se a Vieira ainda na infância, em Monte Carmelo, tendo sido trazido pela Serenona Monja. Desde então, tem assistido o pesquisador em distintas conjunturas de vida, sempre visando a maxiproéxis grupal. Quando o pesquisador decidiu mudar residência para Foz do Iguaçu, o Transmentor se prontificou em estar mais presente nos arre dores extrafísicos da Cognópolis, de modo a auxiliar o encaminhamen to do grupo de intermissivistas. Na juventude de Vieira, em Uberaba, auxiliou o então rapaz a posicionar-se perante os colegas de colégio contra os idiotismos culturais e as automimeses dispensáveis da juventude, através da seguinte inspiração extrafísica: isso não é para você. A partir deste dia, Vieira passa a adotar enquanto princípio evolutivo o bordão isso não é para mim, principalmente nos momentos de decisões críticas de destino, onde se faz necessário aplicar a omissão superavitária. No passado, o Transmentor conviveu com Zéfiro ressomado em várias retrovidas, tendo sido inclusive integrante da mesma família nuclear, na posição de irmão. Vieira o considera seu melhor amigo (Amizade Raríssima)". Em registro de Minitertúlia Conscienciológica no dia 25/09/2013, ao ser questionado sobre a holobiografia de Louis Pasteur, Waldo Vieira responde: “Ele é ligado aos nossos processos, é ligado ao Transmentor, é de casa. Tudo é da mesma equipe, ele (Pasteur) e o Littré. É preciso saber onde estão estes foragidos. Semmelweis morreu louco no hospício, porque possivelmente os germes entraram na cabeça dele. É um monte de gente deste jeito. Ampliação da longevidade na Terra, isso está na ficha dele (Pasteur). Naquela época tudo era uma favela, um lixão”. Ref. Teles, Mabel. Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu. PR: Editares, 2014. Mais informações: https://www.icge.org.br/?page_id=1677 Everton Souza dos Santos 1961- Everton Santos nasceu em Porto Alegre, RS, Brasil. Atualmente está radicado na Cognópolis Foz do Iguaçu, PR. Graduado em Arquitetura e Urbanismo. Especialização em Projeto de Arquitetura Habitacional, Expressão Gráfica, Gestão de Recursos Humanos e Dinâmica de Grupos. Arquiteto, Urbanista e Professor Universitário. Acessou a Conscienciologia em 1991, em Porto Alegre, RS, por meio de Palestra Pública do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC). Voluntário da Conscienciologia desde 1994, nas Instituições Conscienciocêntricas: IIPC, de 1994 a 1996; Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC) desde 1996. Docente de Conscienciologia desde 2000; tenepessista desde 1996; epicon desde 2011; assumiu a Desperticidade na 2ª turma do PROAD. Coautor do livro Manual de Verbetografia da Enciclopédia da Conscienciologia (2012). Títulos de artigos conscienciológicos: Criatividade Evolutiva; Inversão Mesológica. Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia: Criatividade Evolutiva; Edificação Conscienciocêntrica; Assertividade Cosmoética. De acordo com registros de Minitertúlias Conscienciológicas realizadas no Tertuliarium do CEAEC, "A equipex do Zéfiro variou de acordo com o período e o objetivo da assistência que era feita. As modalidades de assistência variam de elemento para elemento. Às vezes vai ter equipex com 10 que atuam na mesma linha de assistencialidade, mas nem sempre é assim. A temporada que teve mais gente foi da época do Everton” (anotações de Minitertúlia Conscienciológica em 16/10/2014). Ainda de acordo com registros da fala de Waldo Vieira em Minitertúlia, “Everton auxiliou a personalidade de Littré e Pasteur. O ponto principal de ajuda é no paracérebro, o processo de interlocução, de comunicação, de transmissão do pensamento” (anotações de Minitertúlia Conscienciológica em 24/09/2013). Ref. https://www.conselhodeepicons.org.br/?page_id=556 Ref. Vieira, Waldo (org). 500 Verbetógrafos da Enciclopédia da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016, p. 221. Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) 1910-2002 Médium brasileiro nascido em Pedro Leopoldo / MG no dia 02 de abril de 1910. Chico Xavier era filho do operário João Cândido Xavier e da lavadeira Maria João de Deus, que morreu quando ele tinha apenas cinco anos. Chico e seus oito irmãos tiveram que ser distribuídos por vários familiares e amigos. Quando estava com nove anos, seu pai casou-se novamente, com dona Cidália, que fez questão de reunir todos os filhos do primeiro casamento do esposo e ainda lhe deu mais cinco filhos. Chico frequentava a escola primária pública pela manhã e depois trabalhava numa indústria de fiação e tecelagem, mal tendo aprendido a ler e a escrever. Depois foi empregado como caixeiro numa loja e, mais tarde, como ajudante de cozinha. Em 1933 o dr. Rômulo Joviano, administrador da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo, ofereceu a Chico um emprego modesto. A carreira de funcionário público foi até a década de 1950, quando Chico Xavier se aposentou por invalidez, na função de escrevente datilógrafo, devido a uma doença nos olhos. Mudou-se então para Uberaba, a conselho médico, onde permaneceu até a sua morte. A mediunidade de Chico Xavier manifestou-se aos quatro anos de idade, pela clarividência e clariaudiência. Incompreendido pelo pai, ao se queixar das vozes que o atormentavam, foi repreendido e levado aos cuidados de um padre. Aos 17 anos, no grupo espírita Luiz Gonzaga, desenvolveu a psicografia. Foi nessa época que se desligou da Igreja Católica (onde não encontrava explicação para os fenômenos que se manifestavam nele) e procurou seguir os preceitos do espiritismo. Psicografou poemas de famosos escritores falecidos: Artur Azevedo, Olavo Bilac, Castro Alves, António Nobre, João de Deus e outros. A nove de julho de 1932, publicou "Parnaso De Além-Túmulo", uma coletânea de 259 poesias, ditadas por 56 poetas mortos. Durante a vida, Chico recebeu mais de mil entidades espirituais, entre eles Emmanuel, que foi o seu protetor espiritual e manifestou-se pela primeira vez em 1931, acompanhado-o desde então. Entre as muitas dezenas de obras mediúnicas de Emmanuel, destacam-se "Há 2 mil Anos", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo", "Renúncia" e "Paulo e Estevão". Em 1943, uma nova entidade espiritual assinaria algumas de suas mensagens, com o nome André Luiz. Esses relatos começam com o livro "Nosso Lar". Chico Xavier se considerava humildemente apenas uma ponte entre o mundo material e o espiritual. Todos os seus direitos autorais foram cedidos a instituições espíritas e de solidariedade social. O médium atendeu, no seu centro em Uberaba, multidões de pessoas que chegavam de todas as partes do Brasil e do exterior para ouvir conselhos, receber tratamentos e conforto espiritual. Em 1981, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Morreu em 2002 aos 92 anos. Especificamente no livro "Libertação" psicografado por Chico Xavier, pelo espírito André Luiz, pode-se ler: "Pasteur, o cientista, defende a saúde do corpo humano, devotando-se, abnegado, ao combate silencioso contra a selva microbiana: todavia, não pode evitar que seus contemporâneos se destruam reciprocamente em disputas incompreensíveis e cruéis" ( Xavier, 2010, p. 15-16). Ref. https://educacao.uol.com.br/biografias/chico-xavier.htm Ref. Xavier, Francisco Cândido. Libertação. Rio de Janeiro, RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 15-16. Ref. Campetti Sobrinho, Geraldo. A Vida no Mundo Espiritual: estudo da obra de André Luiz. Brasília, DF: FEB, 2018, p. 18, 181, 478. Mais informações: Hirsch, Daniela. 12 Grandes Médiuns Brasileiros: conheça a história de personalidades que viveram com a missão de fazer o bem e de divulgar a doutrina espírita. Rio de Janeiro, RJ: HarperCollins Brasil, 2016, p. 69-85. André Luiz André Luiz é o nome atribuído por Francisco Cândido Xavier à consciência extrafísica que ditou diversos textos psicografados. Segundo Chico Xavier, André Luiz se apresentou informando que escreveriam alguns livros juntos. "Desde o início, o encontro de Vieira e Xavier sinalizava ser promissor, principalmente quando descobriram que ambos recebiam mensagens de espírito em comum: a consciex Carlos Chagas, acostumada a assinar os textos psicografados com o nome André Luiz" ( Teles, 2014, p. 76). Na obra "Libertação", ditada por André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier, há menção à Pasteur: "Pasteur, o cientista, defende a saúde do corpo humano, devotando-se, abnegado, ao combate silencioso contra a selva microbiana: todavia, não pode evitar que seus contemporâneos se destruam reciprocamente em disputas incompreensíveis e cruéis" (Xavier, 2010, p. 15-16). Ref. Teles, Mabel. Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu. PR: Editares, 2014. Ref. Xavier, Francisco Cândido. Libertação. Rio de Janeiro, RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010. Mais informações: https://super.abril.com.br/historia/quem-foi-o-espirito-andre-luiz/ Análise dos Grupos
- Absorção reflexiva | Pasteur Brasil
Absorção Reflexiva Durante muitos anos Pasteur trabalhou sozinho. Mais tarde, jovens colaboradores se uniram a ele, sendo informados apenas da parte essencial do trabalho diário. “O silêncio olímpico que ele gostava de se ver rodeado ia até o dia em que seu trabalho lhe parecia maduro para dar publicidade”, disse Émile Duclaux. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur e seu assistente técnico, confirmou essa característica: “ele queria ficar sozinho em seu laboratório e nunca falava do objetivo que tinha em mente”. Mesmo durante períodos de maior movimento, ele tinha poucos ajudantes, cada um em sua sala, onde trabalhavam em silêncio para não incomodar o cientista, exceto quando era chamado para participar de alguma discussão. Enquanto formulava as fases seguintes dos experimentos, Pasteur se absorvia em si mesmo e no estudo de suas notas, permanecendo isolado de todo o mundo e sem levantar a cabeça por muitas horas. Daí emergiam fragmentos ideativos que, como em um campo magnético pela força de seu pensamento, se organizariam em novas e inesperadas formas. Essas meditações solitárias duravam vários dias. Nestes períodos, ele ficava tão absorto em seus pensamentos que não notava as pessoas a seu redor. Quando Duclaux levou um assunto urgente a discutir, Pasteur reagiu como se despertasse de um sonho, mas não demonstrava impaciência. Depois que suas ideias tomavam forma, Pasteur se reconectava com seus colaboradores, falando o essencial para a elaboração dos detalhes técnicos dos experimentos, que eram realizados com cuidado para determinar se a hipótese inicial tinha uma base verdadeira. Se os resultados fossem negativos, as ideias eram imediatamente rejeitadas de sua mente. Do contrário, se resultados positivos sugeriam que a hipótese fosse válida, os experimentos eram multiplicados incansavelmente para explorar e desenvolver suas possibilidades. Pasteur não se desanimava com obstáculos, qualidade que ele se referia como seu maior dom. “Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade". Este juízo foi confirmado por Émile Roux, que mais tarde dirá “Quantas vezes, na presença de dificuldades imprevistas, quando nós não imaginávamos como sairíamos delas, ouvi Pasteur nos dizer: ‘Façamos o mesmo experimento outra vez; o essencial é não abandonar o caso!´” (Dubos, 1967a, p. 55-59). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Émile Duclaux. Émile Roux. Adrien Loir. Continue lendo a biografia

