top of page

Resultados da Busca

66 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Academia Francesa | Pasteur Brasil

    Academia Francesa Pasteur fica lisonjeado com as solicitações de candidatura à Academia Francesa, que além de literatos acolhe também políticos, membros de tribunais e das cátedras. Entrar na Academia Francesa seria aquilo que “muitos consideram como a honra suprema” (Debré, p. 418). Foi dito também que esta Academia era uma sociedade composta por 40 das pessoas mais importantes da França. Pasteur parece não duvidar da própria eleição, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (canal de Suez), o poeta Sully Prudhomme (que será em 1901 o primeiro laureado do prêmio Nobel de Literatura), Paul de Saint-Victor (jornalista brilhante patrocinado / apoiado por Victor Hugo) e Victor Cherbuliez (romancista) (Debré, 1995, p. 419-420). A candidatura de Pasteur é apresentada por Ernest Legouvé, dramaturgo de sucesso, e tio avô de René Vallery-Radot, seu genro. Legouvé prepara o terreno e se encarrega de desencorajar os adversários. Pasteur então envia ao secretário vitalício da Academia Francesa, Camille Doucet sua candidatura oficial. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia. Dos 40 membros, 38 votaram, sendo 20 a seu favor (em segundo lugar, Victor Cherbuliez recebeu 8 votos) (Debré, 1995, p. 420). Charles-Augustin Sainte-Beuve solicita a Pasteur sua candidatura na Academia Francesa. Conquanto suas opiniões, em política e religião, sejam opostas às de Pasteur, ele admira o cientista. E a recíproca é verdadeira (Debré, 1995, p. 143, 152, 154-159). Alexandre Dumas (filho) agradece a Pasteur por “querer ser um dos nossos” (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Em 1º de janeiro de 1895 (ano da morte de ambos), Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho), colega da Academia Francesa, para cumprimentá-lo (Debré, 1995, p. 546). Pasteur é admitido na Academia Francesa em 08/12/1881, pouco antes de completar 60 anos, sucedendo Émile Littré (Debré, 1995, p. 392). Quando Littré era vivo, Pasteur o presenteou com a obra escrita por ele em 1879 “Exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação”. O livro contém uma dedicatória de Pasteur a Émile Littré: “ao senhor Littré, da Academia Francesa, homenagem de profundo respeito. L. Pasteur”. Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). Ao ingressar na Academia, a preocupação de Pasteur passa a ser o discurso tradicional de sucessão, no qual deve elogiar o seu predecessor. Além do desacordo quanto ao positivismo, a antipatia de Pasteur deve-se a um desacordo político, pois Littré foi um dos primeiros a pedir a perda do trono de Napoleão III. Um longo espaço de tempo vai separar a eleição da recepção: mais de 4 meses. Pasteur passa todo o inverno a trabalhar nisso. À noite, se isola e tenta polir as frases. Contudo, não quer deixar de ser justo (em sua visão): o positivismo lhe parece um erro perigoso que é preciso combater, mas nada o impede de reconhecer as qualidades pessoais de Littré e o valor de seus trabalhos. Então, vai até a casa de campo onde vive a viúva e a filha de Littré. Lá Pasteur se sente comovido pela simplicidade com a qual Littré vivia, cujo trabalho, na intimidade da vida em família era sua verdadeira felicidade (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Percorrendo a casa e o pequeno jardim onde Littré cultivava seus legumes e colhia frutas, Pasteur tenta compreendê-lo, mas considera um erro que o positivismo não tinha em conta a noção do infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 315). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam seus manuscritos. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Em 27 de abril de 1882, Pasteur vai à cúpula. Nem todos os 40 membros estão presentes. Victor Hugo, doente, manda se desculpar pela ausência. No entanto, há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Antes da eleição, Pasteur havia se apresentado a Victor Hugo, e este respondeu resmungando “O que o senhor diria se eu pretendesse ser eleito para a Academia de Ciências?” (Debré, 1995, p. 420). Em 27 de abril de 1882 Pasteur entra na Academia Francesa acompanhado dos dois padrinhos (Dumas e Nisard), com um estilo enérgico e físico robusto (como descreve um jornalista). Além dos vários membros da Academia e de toda a família de Pasteur, está presente também a princesa Matilde, que veio aplaudi-lo. Na época, alguns jornalistas destacam que neste mesmo dia, Charles Darwin, que havia falecido em 19 de abril, é enterrado com grande pompa na abadia de Westminster. Cabe lembrar que foi Littré quem popularizou na França as teorias sobre a evolução das espécies. Pasteur discursa com uma homenagem a Littré, mas também com a confissão quase imediata de um distanciamento filosófico. Pasteur mostra, em sua visão, o erro do positivismo ao querer suprimir a ideia de infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 319). Também critica a pretensão positivista de encontrar um fundamento científico na política e sociologia devido ao grande número de fatores que concorrem para a solução de questões que elas levantam, e diz “nesse lugar onde as paixões humanas intervêm, o campo do imprevisto é imenso” (Debré, 1995, p. 423). O diretor da Academia Francesa em exercício, Ernest Renan (autor de Vida de Jesus), recebe Pasteur na Academia Francesa e profere um discurso após o cientista A obra e a personalidade de Renan foi descrita como situada na junção do espiritualismo com o positivismo. Convertido ao positivismo, torna-se o porta voz do ceticismo, embora continue a se dizer “católico fervoroso”. Em seu discurso, Renan diz que “na ordem intelectual também existem sentidos diversos, oposições aparentes que não excluem um fundo de similitude” (Debré, 1995, p. 424). Segue parte da resposta de Renan ao discurso de Pasteur: "Sua vida austera, inteiramente devotada à pesquisa altruísta, é a melhor resposta àqueles que consideram nosso século privado dos grandes dons da alma. Sua diligência meticulosa não queria conhecer distrações nem descanso. Recebam a recompensa pelo respeito que vos rodeia, por esta simpatia cujas marcas hoje tão numerosas se produzem ao vosso redor e, sobretudo, pela alegria de ter cumprido bem a vossa tarefa, de teres lugar na primeira fila". Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. VALLERY-RADOT, René. A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Ref. http://www.academie-francaise.fr/reponse-au-discours-de-reception-de-louis-pasteur Academia Francesa em Paris, que funciona no mesmo endereço da Academia de Ciências. Ferdinand de Lesseps. Émile Littré Victor Hugo. Jean-Baptiste Dumas. Désiré Nisard. Charles Darwin. Ernest Renan. Continue lendo a biografia

  • Referências | Pasteur Brasil

    Referências Bibliográficas 137 livros organizados em 3 seções, discriminadas a seguir. Idiomas: 66 em português, 54 em francês, 9 em espanhol e 8 em inglês. I. Biografias e Obras sobre Pasteur (75) ATHIAS, Armand et al. Autour de Louis Pasteur. Dole, França: Cahiers Dolois, 1995. BÁEZ, Manuel Martínez. Vida y Obra de Pasteur. 2ª ed. México, DF: 1995. BARBE, Noël et al. Caricaturer Pasteur. Besançon, França: Sekoya, 2014. BAZIN, Hervé. Mémoire en Images: Louis Pasteur. Tours, França: Alan Sutton, 2009. BESSON, André. Louis Pasteur: um aventurier de la science. França: Éditions du Rocher, 2013. BIRCH, Beverley. Louis Pasteur. São Paulo, SP: Globo, 1993. BIRCH, Beverley. Pasteur: a luta contra os micróbios. Blumenau, SC: Eko, 1994. BLARINGHEM, L. Pasteur et le Transformisme. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1923. BRUNET, Jean-Pierre. La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation? Besançon, França: Éditions Graine d´Auteur, 2017. BRUNIAUX, Phillippe; PRÉVOST, Marie-Laure. Pasteur à l´ Œuvre . Besançon, França: Sekoya, 2018. CHANLAINE, Pierre. Pasteur et ses Découvertes. Paris, França: Fernand Nathan, 1966. CUNY, Hilaire. Louis Pasteur et le Mystère de la Vie . Paris, França: Pierre Seghers, 1963. CUNY, Hilaire. Louis Pasteur: the man and his theories. Londres, Grã-Bretanha: The Camelot Press, 1965. DAGOGNET, François. Pasteur san la Legende. Paris, França: Géraldine Billon, 1994. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DELAUNAY, Albert. L´Institut Pasteur des Origines a Aujourd´hui. Paris, França: France-Empire, 1962. DELAUNAY, Albert. Pasteur e os Micróbios. Lisboa, Portugal: Publicações Europa-América, [ca. 1950]. DROUIN, Henri. La Vie de Louis Pasteur. Paris, França: Librairie Gallimard, 1929. DUBOS, René J. Louis Pasteur: free lance of science. Boston, Estados Unidos: Little, Brown and Company, 1950. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967b. DUCLAUX, Émile. Annales de l´Institut Pasteur. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1916. DUCLAUX. Émile. Pasteur, Histoire d'un Esprit. Paris, França: Imprimerie Charaire, 1896. ESCAMEZ, J. M. Pasteur. São Paulo, SP: Cultura Moderna, [19--]. FRAITOT, V. Pasteur: l´œuvre – l´homme – le savant. Paris, França: Librairie Vuibert, [19--]. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. GEISON, Gerald. A Ciência Particular de Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Contraponto, 2002. HOLMES, S. J. Louis Pasteur. New York, Estados Unidos: Harcourt, Brace and Company, 1924. HUME, Ethel D. Béchamp or Pasteur?: a lost chapter in the history of biology. Austrália: 1923. INSTITUT PASTEUR. Institut Pasteur: recherche d´aujourd´hui, médecine de demain. Paris, França: Éditions de La Martinière, 2017. KAHANE, Ernest. Louis Pasteur: pages choisies. Paris, França: Éditions Sociales, 1970. KEIM, Albert; LUMET, Louis. Louis Pasteur. Estados Unidos: First Rate Publishers, 2015. KEIM, Albert; LUMET, Louis. Les Grands Hommes: Louis Pasteur. Paris, França: Pierre Lafitte et Cie, 1913. LATOUR, Bruno. Pasteur: Guerre et Paix des Microbes: suivi de irréductions. Paris, França: La Découverte, 2011. LATOUR, Bruno. Pasteur: une science, une style, um siècle. Paris, França: Perrin, 1994. LIBRARIE HACHETTE. Encyclopédie par l´Image Pasteur. França, 1926. LIMA, Nísia Trindade; MARCHAND, Marie-Hélène (org.). Louis Pasteur & Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, 2005. LOMONT, A. Pasteur: sa vie, son oeuvre, ses continuateurs. 2ª ed. Paris, França: Gedalge, 1923. MALKUS, Alida Sims. Louis Pasteur. Porto, Portugal: Livraria Civilização, 1971. MARCHAND, Marie-Hélène. Une Histoire de l´Institut Pasteur: au coeur de la santé publique mondiale. França: Privat, 2015. MUÑIZ, Henri. Pasteur. Madri, Espanha: Palabra, 1992. PARKER, Steve. Pasteur e os Microrganismos. São Paulo, SP: Scipione, 2007. PASTEUR, Louis. Estudios sobre la Generación Espontánea. Buenos Aires, Argentina: Emecé, 1944. PASTEUR, Louis. Comunicaciones sobre la Rabia. Madrid, Espanha: Alhambra, 1956. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Mémoires d´un Non-conformiste. Paris, França: Bernard Grasset, 1966. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome I: Dissymétrie Moléculaire. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1922. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome II: Fermentations et Génerations Dites Spontanées. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1922. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome III: Études sur le Vinaigre et sur le Vin. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1924. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome IV: Études sur la Maladie des vers à Soir. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1926. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome V: Études sur la Bière. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1928. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome VI: Maladies Virulentes, Virus - Vaccins et Prophylaxie de la Rage. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1933. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Œuvre s de Pasteur. Tome VII: Mélanges Scientifiques et Littéraires. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1939. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Pasteur: correspondance 1840-1895. Paris, França: Librairie Bernard Grasset, 1940. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Pasteur Inconnu. Paris, França: Flammarion, 1954. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Le Génie de Pasteur au Secours des Poilus. Paris, França: Odile Jacob, 2016. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Pasteur et Koch. Paris, França: Odile Jacob, 2014. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Pasteur et ses Lieutenants: Roux, Yersin et les autres. Paris, França: Odile Jacob, 2013. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. RAICHVARG, Daniel. Louis Pasteur: l´empire des microbes. Paris, França: Gallimard, 1995. RICHET, Charles. L´ Œuvre de Pasteur: leçons professés a la faculté de médecine de Paris . Paris, França: Félix Alcan, 1923. RODRIGUES, Sabrina Páscoli. Louis Pasteur: da química à microbiologia. São Paulo, SP: Livraria da Física, 2015. SAUVEBOIS, Gaston. Louis Pasteur. Estados Unidos: [s.n.], 1923. SIMONNET, Henri. L´ Œuvre de Louis Pasteur. Paris, França: Masson et Cie Editeurs, 1947. STOKES, Donald E. O Quadrante de Pasteur: a ciência básica e a inovação tecnológica. Campinas, SP: Unicamp, 2005. TEIXEIRA, Luiz Antonio. Ciência e Saúde na Terra dos Bandeirantes: a trajetória do Instituto Pasteur de São Paulo no período de 1903-1916. Rio de Janeiro, RJ: Fiocruz, 1995. TROTEREAU, Janine. Pasteur. Paris, França: Gallimard, 2008. UNGER, Hellmuth. Luís Pasteur: retrato de um gênio. São Paulo, SP: Melhoramentos, [196-]. VALLERY-RADOT, Maurice. Pasteur. Paris, França: Perrin, 1994. VALLERY-RADOT, René. A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951. VALLERY-RADOT, René. Madame Pasteur. 2ª ed. Buenos Aires, Argentina: Espasa-Calpe, 1945. VIÑAS, David. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Labor, 1991. ZÜHLKE, Neyde Prado. O Mestre Louis Pasteur. São Paulo, SP: FEESP, 2002. ZW EIG-WINTERNITZ, F. M. Pasteur. Porto, Portugal: Livraria Civilização, 1940. II. Referências a Pasteur e Personalidades Relacionadas (45) ALLAMEL-RAFFIN, Catherine; LEPLÈGE, Alain; MARTIRE JUNIOR, Lybio. História da Medicina. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2011. AMEISEN, Jean Claude; BERCHE, Patrick; BROHARD, Yvan. Une Histoire de la Médecine. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2011. ARP, Robert. 1001 Ideias que Mudaram nossa Forma de Pensar. Rio de Janeiro, RJ: Sextante, 2014, p. 201, 286, 469, 501, 523. ASHTON, Kevin. A História Secreta da Criatividade. Rio de Janeiro, RJ: Sextante, 2016, p. 98. BARELLI, Ettore; PENNACCHIETTI, Sergio. Dicionário das Citações. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2001, p. 569. BARTHÉLEMY, Georges (org.). Histoires des Sciences. Paris, França: Ellipses, 2009. BELL, Madison Smartt. Lavoisier no Ano Um: o nascimento de uma nova ciência numa era de revolução. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2007. BROWN, Tim. Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias. Rio de Janeiro, RJ: Elsevier, 2010, p. 58. BRYSON, Bill. Breve História de Quase Tudo. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2005, p. 308, 383. BRYSON, Bill. Corpo: um guia para usuários. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2020, p. 312. BYNUM, William. Uma Breve História da Ciência. Porto Alegre, RS: L&PM, 2013. DACHEZ, Roger. Histoire de la Médicine de l´Antiquité à nos Jours. Paris, França: Tallandier, 2012. DEVILLE, Patrick. Peste e Cólera. São Paulo, SP: Editora 34, 2017. DUNANT, P. L. Quatrième Congrès International d´Higiene et de Démographie a Genève (du 4 au 9 septembre 1882). Genebra, Suíça: H. Georg, 1883. ELLIOT, Charles W. The Harvard Classics: scientific papers. Norwalk, Estados Unidos, 1994. EVEILLARD, James; HUCHET, Patrick. Il y a um Siècle une Médicine si Étrange. Rennes, França: Éditions Ouest-France, 2008. FARA, Patricia. Uma Breve História da Ciência. São Paulo, SP: Fundamento, 2014. FILGUEIRAS, Carlos A. L. Lavoisier: o estabelecimento da química moderna. São Paulo, SP: Odysseus, 2002. FITZHARRIS, Lindsey. De Matasanos a Cirujanos: Joseph Lister y la revolución que transformo el truculento mundo de la medicina victoriana. Barcelona, Espanha: Debate, 2018. FRIEDMAN, Meyer; FRIEDLAND, Gerald W. As Dez Maiores Descobertas da Medicina. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2000. GORDON, Richard. A Assustadora História da Medicina. São Paulo, SP: Ediouro, 2002. HART-DAVIS, Adam et al. O Livro da Ciência. São Paulo, SP: Globo Livros, 2014. HECKETSWEILER, Philippe. Histoire de la Médicine, des Malades, des Médicins, des Soins et de l´Ethique Biomédicale. Paris, França: Ellipses, 2010. IAMARINO, Átila; LOPES, Sônia. Coronavírus: explorando a pandemia que mudou o mundo. São Paulo, SP: Moderna, 2020, p. 134-148. JOHNSON, Steven. De Onde Vêm as Boas Ideias. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 2011, p. 218. LATOUR, Bruno. Ciência em Ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora. São Paulo, SP: UNESP, 2000. LOIR, Adrien. A l'Ombre de Pasteur: souvenirs personnels. Paris, França: Le Mouvement Sanitaire, 1938. MARTIN, Sean. A Short History of Disease: plagues, poxes and civisations. Reino Unido: Pocket Essentials, 2015. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. MOSLEY, Michael; LYNCH, John. Uma História da Ciência: experiência, poder e paixão. Rio de Janeiro, RJ: Zahar, 2011. NAMORA, Fernando. Deuses e Demônios da Medicina. Lisboa, Portugal: Arcádia, [s.a]. NULAND, Sherwin B. A Peste dos Médicos: germes, febre pós-parto e a estranha história de Ignác Semmelweis. São Paulo, SP: Companhia das Letras, 2005. PARKER, Steve. Médecine: histoire illustrée de l´antiquité à nos jours. Paris, França: Larousse, 2017. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Discours de réception de M. Pasteur Vallery-Radot a l´Académie Française. Paris, França: Darantiere, 1946. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Os Grandes Problemas da Medicina Contemporânea. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1937. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, savant et globetrotter (1862-1941). Paris, França: Odile Jacob, 2020. PICKOVER, Clifford. El Libro de la Medicina: de los médicos brujos a los robots cirurgianos, 250 hitos en la historia de la medicina. Madrid, Espanha: Librero, 2019. PINHEIRO, Lourdes. Valores Evolutivos Universais: acervo transdisciplinar. Foz do Iguaçu, PR: Epígrafe, 2015, p. 401-403. PORTER, Roy. Das Tripas Coração: uma breve história da medicina. Rio de Janeiro, RJ: Record, 2004. ROONEY, Anne. A História da Medicina: das primeiras curas aos milagres da medicina moderna. São Paulo, SP: M. Books, 2013. SIMMONS, John. Os 100 Maiores Cientistas da História. 3ª ed. Rio de Janeiro, RJ: DIFEL, 2003. THE HISTORY CHANNEL IBERIA B. V. 365 Dias que Mudaram o Mundo. São Paulo, SP: Planeta, 2014, p. 410-411. UJVARI, Stefan Cunha. A História da Humanidade Contada pelos Vírus, Bactérias e outros Microorganismos... São Paulo, SP: Contexto, 2014. UJVARI, Stefan Cunha; ADONI, Tarso. A História do Século XX pelas Descobertas da Medicina. São Paulo, SP: Contexto, 2014. WITKOWSKI, Nicolas. Uma História Sentimental das Ciências. Rio de Janeiro, RJ: Jorge Zahar, 2004. III. Obras Parapsíquicas e Conscienciológicas (17) ARMOND, Edgard. Passes e Radiações: métodos espíritas de cura. 11ª ed. São Paulo, SP: Lake, 1950. ARMOND, Edgard. Vivência do Espiritismo Religioso. 5ª ed. São Paulo, SP: Aliança, 2000. BOZZANO, Ernesto; GIBIER, Paul. Materializações de Espíritos. 5ª ed. Bragança Paulista, SP: Instituto Lachâtre, 2013. CAMPETTI SOBRINHO, Geraldo. A Vida no Mundo Espiritual: estudo da obra de André Luiz. Brasília, DF: FEB, 2018, p. 18, 181, 478. CHEETHAM, Erika. As Profecias de Nostradamus. 6ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Nova Fronteira, 1977, p. 30. FERNANDES, Pedro. Seriexologia: evolução multiexistencial lúcida. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2021. GIBIER, Paul. As Materializações de Fantasmas: a penetrabilidade da matéria e outros fenômenos psíquicos. Rio de Janeiro, RJ: CELD, 2001. LAVÔR, Luciana (org.). I Noite de Gala Mnemônica: história ilustrada: 2015. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016. MAGALHÃES, Samuel Nunes. Charles Richet: o apóstolo da ciência e o espiritismo. Rio de Janeiro, RJ: Federação Espírita Brasileira, 2007. NAHAS, Jacqueline; F ERNANDES, Pedro. Homo lexicographus. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2017. TELES, Mabel. Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2014. THOMAZ, Martha Gallego. O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço. São Paulo, SP: FEESP, 1994. VALENTI, Maria Cotroni. Orientação e Encaminhamento na Casa Espírita. São Paulo, SP: Aliança, 2005. VIEIRA, Waldo. Dicionário de Argumentos da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2014, p. 885. VIEIRA, Waldo. Homo sapiens pacificus. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2007, p. 29. VIEIRA, Waldo. Homo sapiens reurbanisatus. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2003, p. 486. XAVIER, Francisco Cândido. Libertação. Rio de Janeiro, RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 15-16. Outras Fontes de Pesquisa 25 Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia, 11 Websites, 4 Filmes Verbetografia Específica (Enciclopédia da Conscienciologia) Autoconscientização Seriexológica. Autopesquisa Retrocognitiva. Autoposicionamento Seriexológico. Ciclo Multiexistencial Pessoal. Cotejo Seriexológico. Colheita Intermissiva. Dividendo da Personalidade Consecutiva. Duplocarma. Gatilho Retrocognitivo. Grupocarmograma. Grupocarmograma Retrocognitivo. Inseperabilidade Grupocármica. Intermissão Mudancista. Intermissiometria. Marca Parapsíquica. Materpensene. Nódulo Holomnemônico. Paramicrochip. Personalidade Consecutiva. Olhar Seriexológico. Raiz do Temperamento. Retrossenha Pessoal. Seriéxis Alheia. Seriexograma. Seriexometria. Webgrafia Específica Academie des Sciences. Academie Nationale de Médecine. Academie Française. Bibliothèque Nationale de France (BNF). Google Arts & Culture: Institut Pasteur. Institut Pasteur. Nobel Prize. Palais de la Découverte: Pasteur l'expérimentateur. Phototeque Pasteur. Societé des Amis de Pasteur. Terre de Louis Pasteur. Filmografia Específica Louis Pasteur, Portrait d'un Visionnaire. Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios. Que reste-t-il de Pasteur? The Story of Louis Pasteur (A História de Louis Pasteur).

  • Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Doenças do Bicho-da-Seda Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1865, a pedido de Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967b, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos. Émile Duclaux 1840-1904 Politécnico e normalista francês. Doutor em ciências físicas (Paris, 1865). Professor de Química na Faculdade de Ciências de Lyon; de física e meteorologia, no Instituto Agronômico de Paris, depois no Instituto Pasteur, diretor do Instituto Pasteur (1895-1904). Membro da Academia de Ciências (1888). Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos. Resumidamente, Duclaux iniciou uma carreira clássica como físico e químico. Depois de conhecer Louis Pasteur, ele foi rapidamente atraído pela nova ciência do "infinitamente pequeno", conhecida por volta de 1880 como microbiologia. Próximo de seu mestre, mas de espírito independente, participou ativamente da realização em 1888 do ousado projeto do Instituto Pasteur. Apreciado professor, escritor mediador e historiador da ciência, fervoroso patriota, goza então de uma autoridade que lhe permite falar publicamente: o cientista, torna-se cidadão, reivindica o estatuto de intelectual. Lutando por justiça, junto à Liga dos Direitos Humanos, a favor da revisão do julgamento de Dreyfus, ele afirma sua preocupação pela democratização do conhecimento por meio do apoio às universidades populares. De modo mais detalhado, Duclaux em 1857, ao completar sua educação clássica no colégio local, deixou Aurillac e foi para Paris para frequentar o curso especial de matemática no Lycée St. Louis. Dois anos depois, ele foi aceito na École Polytechnique e na École Normale Supérieure; ele escolheu o último. Em 1862 ele se tornou agrégé nas ciências físicas e foi então contratado por Pasteur como seu assistente de laboratório ( agrégé-préparateur)na escola. Foi durante esse período que as discussões sobre a possibilidade ou impossibilidade da geração espontânea estavam mais vivas. Pasteur afirmou que as criaturas microscópicas responsáveis pela fermentação vieram de pais semelhantes a eles. Nicolas Joly, Pouchet e Musset afirmaram que, ao contrário, essas criaturas nasceram espontaneamente em fluidos orgânicos. De vez em quando, Dumas e Balard, membros da comissão nomeada pela Académic des Sciences para resolver a questão, iam à École Normale. Duclaux, que já havia participado das experiências de seu mentor, passou a participar dos debates. A impressão que causaram nele mostrou-lhe seu verdadeiro curso de vida. Dissociado do laboratório de Pasteur, um agrégé-préparateur enfrentava um futuro incerto. Depois de defender sua tese de doutorado em ciências físicas em 1865, Duclaux decidiu deixar Paris. Ele se tornou professor primeiro no liceuem Tours, depois na Faculdade de Ciências de Clermont-Ferrand, cidade em que se juntou a ele sua mãe, viúva desde 1860. Ele pôde renovar sua colaboração com Pasteur, primeiro em Pont-Gisquet, Gard, onde o mestre estava desenvolvendo seu trabalho sobre doenças do bicho-da-seda, e um pouco mais tarde em Clermont-Ferrand. Os experimentos - de fermentação - começaram em um laboratório improvisado montado por Duclaux e foram repetidos em uma escala muito maior na cervejaria Kuhn em Chamalières, que fica entre Clermont-Ferrand e Royat. É bem sabido que esses experimentos foram solicitados a fim de reanimar a indústria cervejeira. Novas funções profissionais trouxeram Duclaux para Lyon em 1873 e finalmente para Paris em 1878. Em Paris, ele ganhou um concurso para a cátedra de meteorologia no Institut Agronomique, e também foi professor de química biológica na Sorbonne. Ele imediatamente aproveitou a oportunidade para ministrar um curso de microbiologia, o primeiro desse tipo em qualquer lugar. Sua jovem esposa, a ex-Mathilde Briot, sucumbiu repentinamente à febre puerperal após o nascimento de seu segundo filho. Para esquecer sua dor, Duclaux se dedicou ao trabalho com ainda mais energia. Ele ensinou, experimentou e escreveu; e ele acompanhou, dia após dia, a extraordinária série de realizações de Pasteur. Isso incluiu o desenvolvimento de vacinas contra a cólera aviária, o antraz, a peste suína e, em 1885, contra a raiva. Em 1888, o Instituto Pasteur foi fundado em Paris, na rue Dutot. Duclaux, que entretanto havia se tornado professor titular da Sorbonne, transferiu suas atividades de ensino para o Instituto Pasteur. Um pouco antes, por meio de seus esforços, um novo jornal mensal, o Annales de l'Institut Pasteur, foi criado para publicar pesquisas em microbiologia. A partir desse período, pode-se dizer que a vida de Duclaux foi quase inseparável da do Instituto Pasteur. Com a morte de Pasteur em 1895, ele assumiu sua direção e em poucos anos a transformou em uma espécie de “cooperativa científica”, na qual cada cientista, ao mesmo tempo que preservava a independência de suas próprias ideias, trabalhava em direção a um objetivo comum . Aos edifícios originais foram acrescentados, no início do século, o Institut de Chimie Biologique e um hospital. Duclaux tornou-se membro da Académie des Sciences em 1888, da Société Nationale d'Agriculture em 1890 e da Académie de Médecine em 1894. Em 1901 casou-se com a sra. James Darmesteter (a ex-Mary Robinson), uma mulher notável por sua inteligência e cordialidade. Ele finalmente encontrou a felicidade familiar novamente, mas essa felicidade não durou. Em janeiro de 1902, ele sofreu seu primeiro derrame. Mal recuperado, ele começou a escrever novamente para os Annales na primavera de 1903 recomeçou suas palestras. Mas isso era muito para exigir de um corpo sobrecarregado. Na noite de 2 de maio de 1904, Duclaux perdeu repentinamente a consciência e morreu durante a noite. Seu lugar como diretor do Instituto Pasteur foi assumido por um de seus alunos de Clermont-Ferrand, Émile Roux. Este último ficou conhecido por sua pesquisa com Pasteur, sua descoberta do bacilo da difteria e seu desenvolvimento de uma antitoxina diftérica específica. O trabalho científico de Duclaux é ao mesmo tempo o de um físico e o de um químico. Como físico, ele estudou os fenômenos da osmose, da adesão molecular e da tensão superficial. Como químico, ele se concentrou especialmente nos processos de fermentação. Nessa área, ele estava até certo ponto acompanhando o trabalho de Pasteur. Com o passar dos anos, ele foi levado a aceitar enzimas (então chamadas de diástases) um papel cada vez mais importante nos fenômenos da vida. Ele dedicou uma longa série de investigações aos respectivos papéis desempenhados no trato intestinal de homens e animais por enzimas emitidas por glândulas e por aquelas liberadas por micróbios. Ele reconheceu que os micróbios não tinham papel na digestão gástrica e pancreática, que envolve apenas sucos liberados dos tecidos. A digestão microbiana não começa até o intestino, mas rapidamente se torna importante. Em área afim, Duclaux percebeu que os micróbios são indispensáveis na formação dos nutrientes das plantas no solo. Sem micróbios, a terra é infértil, porque as enzimas nas células vegetais não podem deixar as células e, portanto, não podem agir fora da planta. O leite forneceu a Duclaux um material ideal para o estudo de enzimas. Numa primeira fase, através de um grande número de análises, conseguiu desenvolver métodos que permitissem determinar as proporções dos seus constituintes. Na segunda etapa, ele estudou as enzimas capazes de modificar os constituintes. A grande importância das enzimas foi demonstrada na transformação do leite em queijo. Nesse caso, entretanto, os agentes ativos são de origem externa. Na verdade, um queijo é o resultado da cooperação microbiana: “Cada um dos trabalhadores microscópicos deve agir por sua vez e parar no momento certo. Tal oficina é difícil de dirigir, e pode-se dizer que foi necessária a experiência de séculos para obter produtos cujo sabor e aparência sejam sempre os mesmos ”(Émile Roux, em Annales de l'Institut Pasteur, 18 [1904], 337). Duclaux estudou vários tipos de queijos, mas sem dúvida com particular gosto o queijo do Cantal, uma das riquezas da sua região natal. O professor Duclaux não foi menos notável do que o pesquisador Duclaux. Seu aluno Roux, relembrando seus dias como estudante de medicina em Clermont-Ferrand, escreveu: “Duclaux apresentou um assunto com tanta clareza que todos entenderam. Suas palavras foram as de um cientista queimando com o 'fogo sagrado'. Pôs-se a pensar, a tal ponto que, ao terminar o curso, parecia ainda estar lá ”(ibid .). Além de seus trabalhos de pesquisa, Duclaux escreveu muitas obras didáticas; e as resenhas críticas que publicou nos Annales permanecem modelos. Diz-se deles que exibem “a lógica do cientista e o estilo do poeta ... Ele poderia extrair de um livro de memórias ... consequências possíveis das quais o próprio autor nem sempre suspeitou. Quantas ideias ele explorou; que novas percepções ele generosamente concedeu. Duclaux semeou o vento forte ...” (Émile Roux, em Bulletin de l'Institut Pasteur , 2 [1904], 369). Duclaux era cativante, cheio de inteligência e entusiasmo. Ele também era um homem justo com uma alma apaixonada. Ele sonhava com uma fraternidade universal sob a bandeira da ciência - "a pátria comum", como costumava dizer, "onde se pudesse ter paixões sem ódio". Mas ele não estava alheio ao que estava acontecendo fora de seu laboratório. Em várias ocasiões, sua devoção à verdade o levou a entrar em conflitos políticos. Em particular, ele teve um papel muito ativo na campanha que finalmente forçou a reintegração do capitão Dreyfus. Em 1865, Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (D ebré, 1995, p. 209). "Nesta fase de sua pesquisa", ressalta Duclaux, ele não tinha o direito de manter o silêncio olímpico com o qual gostava de se cercar até o dia em que seu trabalho parecesse maduro para a publicação. Em circunstâncias normais, ele não diria uma palavra sobre ela, mesmo no laboratório, onde os assistentes só viam o exterior e o esqueleto de seus experimentos, sem nada de vida para animá-los. Aqui, por outro lado, ele tinha a obrigação de falar e estimular o julgamento do público, tão logo encontrava algo, tanto sobre a prática industrial quanto em suas descobertas de laboratório (Dubos, 1967b, p. 185-186). Ref. https://data.bnf.fr/en/12514448/emile_duclaux/ Ref. https://www.franceculture.fr/oeuvre/emile-duclaux-de-pasteur-dreyfus Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/duclaux-emile Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/emile-duclaux-apotre Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Jean-Henri Casimir Fabre 1823-1915 Entomologista francês. Divulgador da ciência e autor de livros didáticos. Fabre era filho de Antoine Fabre, um homme de chicane (uma espécie de oficial da lei), e de Victorie Salgues. Iniciou os estudos no colégio paroquial de sua aldeia natal, depois os continuou, a partir de 1833, no colégio de Rodez. Bolsista na École Normale Primaries de Avignon, ele obteve seu brevet supérieur em 1842 e foi nomeado professor no liceu de Carpentras no mesmo ano. Em Montpellier, ele se preparou para o bacharelado, no qual ele foi aprovado, e então ganhou uma licença dupla em ciências em matemática e física. Em seguida, foi para o liceu de Ajaccio, na Córsega, como professor de física, permanecendo lá até dezembro de 1851. Depois disso, ele lecionou no liceu de Avignon (1853), depois recebeu a licença em história natural em Toulouse, e finalmente defendeu sua tese para o doctorat ès sciences naturelles em Paris em 1854. A partir de então, Fabre se dedicou quase exclusivamente à pesquisa sobre a biologia e o comportamento dos insetos que o tornariam uma das grandes figuras da entomologia. Em 1855, Fabre publicou seu primeiro trabalho sobre um vespídeo himenóptero (Cerceris) que paralisa sua presa (besouros). Sua segunda memória (1857) tratou da hipermetamorfose dos Meloidae (coleópteros). Em 1856, Fabre recebeu o Prix Montyon (de fisiologia experimental) do Institut de France, e em 1859 Charles Darwin o citou em sua Origem das Espécies , um incentivo valioso para um jovem professor mal pago. Na tentativa de melhorar sua situação financeira, Fabre empreendeu uma pesquisa sobre o princípio de coloração da garança (alizarina), que conseguiu isolar em 1866. Essa descoberta resultou em sua conquista da Legião de Honra e foi recebido em Paris por Napoleão III . Mas em seu retorno a Avignon, Fabre soube que o alizarin acabara de ser obtido de alcatrões de carvão e que seu processo fora substituído. Passou a escrever livros didáticos e ministrou um curso gratuito de ciências, ao mesmo tempo em que fez amizade com o filósofo John Stuart Mill , que então morava em Avignon. Vítima de vários ciúmes e vexames, Fabre deixou aquela cidade em novembro de 1870 e mudou-se para Orange, e depois em 1879 para Sérignan. onde dedicou todo o seu tempo a observações sobre a vida e hábitos dos insetos. Em 11 de julho de 1887 foi eleito membro correspondente da Académie des Sciences, e seu jubileu foi celebrado em 3 de abril de 1910. O primeiro casamento de Fabre foi com Marie Villard (30 de outubro de 1844); eles tiveram muitos filhos, incluindo três filhos e uma filha. Viúvo pouco depois de se mudar para Sérignan, voltou a casar e teve um filho e duas filhas com a segunda mulher. Uma de suas filhas casou-se com o médico GV Legros, que foi seu primeiro biógrafo. O trabalho científico de Fabre inclui os dez volumes Souvenirs entomologiques (1879–1907), que apresenta um número considerável de observações originais sobre o comportamento de insetos (e também de aracnídeos); estes foram precedidos por várias memórias publicadas como livros ou artigos de periódicos (1855-1879). É este último grupo de publicações que contém as principais descobertas de Fabre: hipermetamorfose dos Meloidae; a relação entre o sexo do ovo e as dimensões da célula entre as abelhas solitárias; os hábitos dos besouros de esterco; e o instinto paralisante das vespas solitárias Cerceris, Sphex, Tachytes, Ammophila e Scolia. Essas últimas pesquisas, que colocaram o problema do instinto e sua aquisição pelos insetos, foram muito discutidas e objeto de vivas críticas de E. Rabaud. Trabalhos recentes, como os de A. Steiner (1962) sobre a vespa Liris nigra , que ataca grilos, confirmam as observações de Fabre e mostram que a presa é um tabuleiro de damas de zonas estimulantes, cada uma das quais provoca uma resposta precisa e praticamente inalterável de o predador. Embora suas obras fossem admiradas por Darwin, Fabre se opôs durante toda a vida à evolução, permanecendo convencido da fixidez das espécies. Para ele, cada espécie animal foi criada como a vemos hoje, com o mesmo equipamento instintivo (ao passo que a explicação moderna do instinto se baseia na noção de seleção natural ). Fabre teve o grande mérito de demonstrar a importância do instinto entre os insetos, enquanto alguns de seus predecessores (JCW Illiger, Jean Th. Lacordaire) supunham que os insetos são dotados “de faculdades de raciocínio ou invenção comparáveis às dos animais superiores, e de homem ”(J. Rostand,“ Jean-Henri Fabre, ”p. 157). Responsável por descobertas significativas sobre a vida e os hábitos dos insetos, Fabre permanece especialmente importante na história da ciência por causa da popularidade de suas Souvenirs entomologiques; sua leitura levou mais de uma pessoa a se tornar naturalista. Além disso, para ganhar a vida, Fabre, entre 1862 e 1901, escreveu cerca de quarenta obras de divulgação científica, voltadas principalmente para os jovens e que vão da matemática e da física à história natural. Ele também compôs poemas em francês e em provençal; o último resultou em seu nome de felibre di Tavan. Fabre continua sendo o modelo do cientista autodidata - solitário, pobre, orgulhoso e independente. Foi também um observador atento e minucioso e um escritor de talento inquestionável. Pasteur tem contato com este entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902115/jean-henri_fabre/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/jean-henri-fabre Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Físico francês. Foi professor da Normale Supérieure de Sèvres (1882-1902). Membro da Academia de Ciências (1906). Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480243/desire_gernez/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/keyword/8790/gernez-desire Mais informações: https://www.persee.fr/authority/445678 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Eugène Maillot 1841-1889 Biólogo francês. Especialista em sericicultura. Diretor da estação de sericicultura da escola agrícola de Montpellier. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/10363116/eugene_maillot/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/maillot,%20eug%C3%A8ne/page/1 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Jules Raulin 1836-1896 Doutor em Ciências (Paris, 1870) francês. Estudou as doenças do bicho-da-seda em colaboração com Louis Pasteur. Professor de química industrial na Faculdade de Ciências de Lyon, criador da Escola de Química de Lyon. Raulin foi aluno de Pasteur na École Normale Supérieure. onde começou a estudar a nutrição mineral das plantas. Ele continuou seu trabalho nos liceus de Brest e Caen, depois voltou para a École Normale Superieure como diretor assistente do laboratório de Pasteur. Pasteur havia cultivado fermento em um meio contendo sacarose, tartarato de amônio e cinzas de fermento, que supriam todas as necessidades minerais da planta em crescimento. Raulin, portanto, decidiu nutrir uma planta experimentalmente com uma mistura cuidadosamente controlada de minerais específicos. Ele escolheu trabalhar com o fungo Sterigmatocystis nigra (ou Aspergillus niger ), que se alimenta de sacarose. Tendo verificado o ambiente ideal para seu crescimento - um grande prato contendo. 3 centímetros de água a 35 ° C, adequadamente arejada, em uma sala mantida a 70 por cento de umidade - ele se propôs a estabelecer empiricamente a combinação de nutrientes minerais que produziria o melhor rendimento, medido em peso seco, em um determinado período de tempo. Após uma série de tentativas, Raulin determinou que a mistura mais eficiente de nutrientes era 1.500 gramas de água, 70 gramas de sacarose, 4 gramas de ácido tartárico, 4 gramas de nitrato de amônio, 0,6 grama de fosfato de amônio, 0,6 grama de carbonato de potássio, 0,4 grama de carbonato de magnésio, 0,25 grama de sulfato de amônio, 0,07 grama de sulfato de zinco, 0,07 grama de sulfato ferroso e 0,07 grama de silicato de potássio. Essa mistura agora é chamada de meio de Raulin ou fluido de Raulin. O principal valor do experimento de Raulin residia em seu estabelecimento, por métodos de tentativa e erro, da importância de cada um dos nutrientes em sua mistura, especialmente os minerais. Por exemplo, ele eliminou o potássio da mistura, e o peso da produção caiu de 24,4 gramas para 0,92 gramas; ele foi, portanto, capaz de demonstrar que a presença de potássio no meio resultou em um rendimento de 26,6 vezes maior em peso - ou. em outros termos, que a utilidade específica do potássio era de 87, já que 0,271 grama de potássio aumentava o rendimento em 23,48 gramas. Raulin estudou cada elemento da mesma maneira e descobriu que o nitrogênio produzia 153 vezes o rendimento, fósforo 182, magnésio 91, enxofre II, ferro aproximadamente 2 e zinco aproximadamente 2,4. Ao adicionar alguns miligramas de ferro e zinco ao meio, Raulin introduziu o problema dos oligoelementos. A pureza dos produtos químicos que ele usava era, na melhor das hipóteses, duvidosa, e não havia como ele analisar quanto ferro ou zinco poderia estar contido nos quatro gramas de nitrato de amônio ou ácido tartárico que ele adicionou ao meio. Mesmo assim, ele foi capaz de isolar o zinco como um oligoelemento; seu papel na nutrição das plantas não havia sido reconhecido anteriormente. Raulin publicou os resultados de seus experimentos como “Etudes chimiques sur la vegetation”, pelo qual recebeu o doutorado em ciências. O próprio Pasteur estava entusiasmado com o trabalho de Raulin e, em 1868, escreveu-lhe que suas pesquisas abriram horizontes completamente novos na pesquisa de plantas. Em 1876, Raulin foi nomeado professor de química na Faculte des Sciences de Lyon, da qual mais tarde se tornou reitor. Ele também fundou uma escola de química industrial, fez uma série de mapas agronômicos e publicou um grande número de trabalhos sobre uma variedade de assuntos, dos quais a maior parte diz respeito à produção de seda. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480837/jules_raulin/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/raulin,%20jules/page/1 Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/raulin-jules Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Marie Pasteur 1826-1910 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Laurent. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura (Dumas) em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos” (Debré, 1995, p. 234). Marie-Louise Pasteur 1858-1934 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967b, p. 188). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Pierre-Jacques-Antoine Béchamp 1816-1908 Médico, químico e farmacêutico francês. Agrégé de farmácia (1851), doutor em ciências (Estrasburgo, 1853) e doutor em medicina (Stasbourg, 1856) francês. Professor nas universidades de Estrasburgo, Montpellier e Lille. Correspondente da Academia de Medicina. Béchamp, filho de um moleiro, deixou a França muito jovem para viver em Bucareste, onde estudou farmácia, provavelmente no St. Sava College. No final da adolescência mudou-se para Estrasburgo, onde foi aprendiz em uma farmácia e obteve o título de farmacêutico em 1843. Ele rapidamente abandonou a farmácia para retomar seus estudos. No início de 1851, ele foi nomeado professeur agrégé por um júri incluindo Louis Pasteur, Béchamp lecionou na Faculdade de Ciências de Estrasburgo (1853-1854), onde sucedeu a Pasteur, e depois na Escola de Farmácia de Estrasburgo (1854-1856), em Em 1853 obteve o doutoramento em ciências físicas e em 1856 obteve o doutoramento em medicina com uma importante tese sobre substâncias albuminoides. De 1856 a 1876, Béchamp ensinou química médica na Faculdade de Medicina de Montpellier. Ele renunciou ao cargo para se tornar reitor da Faculdade de Medicina Livre (Católica) de Lille. Ele se aposentou do último cargo em 1886, em meio a uma controvérsia amarga. Com seu filho. Béchamp retomou o comércio farmacêutico em Le Havre. A morte acidental de seu filho levou Béchamp a se mudar para Paris, onde a generosa hospitalidade de Charles Friedel lhe proporcionou um pequeno laboratório. Lá, ele realizou experiências até 1899. Béchamp fez descobertas em vários campos. Sua tese de doutorado de 1856 resultou em um volumoso tratado (1884). Por meio de um uso hábil e sistemático da atividade óptica de substâncias albuminóides, Béchamp foi capaz de distinguir um grande número de compostos complexos que seus predecessores, contando com métodos analíticos mais padronizados, não conseguiram descobrir. Ele também desenvolveu um processo industrial barato para produzir anilina (1852) e, assim, contribuiu muito para o surgimento da indústria de corantes sintéticos. Por este trabalho em particular, a Société Industrielle de Mulhouse concedeu a Béchamp o Prêmio Daniel Dollfus (1864) juntamente com WH Perkin AW von Hofmann e E. Verguin. Ele também identificou a natureza parasitária de duas doenças do bicho-da-seda e, nesse contexto, antecipou os resultados de Pasteur. Os dois se tornaram rivais amargos nesse assunto. A teoria da vida de Béchamp constituiu o principal impulso de sua atividade, no entanto, e também gerou uma sequência interminável de disputas, com Pasteur em particular. Ele não aceitava a geração espontânea nem a teoria parasitária da doença e da fermentação. Ele alegou, em vez disso, que toda a vida era derivada de pequenas “granulações moleculares” subcelulares, caso contrário, como micozimas. Béchamp, erroneamente, gostava de comparar seu projeto com o de Lavoisier e, de fato, as microzimas desempenharam um papel análogo aos elementos químicos. Eles diferiam dos elementos, no entanto, por serem considerados os fundamentos finais das estruturas vivas, enquanto para Lavoisier os elementos existiam apenas como construções experimentais. Quando os organismos vivos morrem, argumentou Béchamp, eles voltam a substâncias químicas inertes e microzimas, sendo estas últimas essencialmente eternas. Os microzyams também atuam como o princípio organizador dos seres vivos. A forma como a organização procede, entretanto, depende tanto das substâncias químicas realmente presentes e das circunstâncias quanto da natureza das microzimas. Em outras palavras, os microzimas não têm especificidade de ação, como os micróbios na teoria de Pasteur; pelo contrário, são bastante polivalentes. A força da teoria de Béchamp repousava em sua capacidade de usar um único princípio para explicar uma ampla gama de fenômenos; com isso, ele poderia explicar resultados tão contraditórios como os aduzidos por Pasteur e Pouchet no curso de sua famosa controvérsia sobre a geração espontânea. Mas essa também era a fraqueza da teoria de Béchamp: ela explicava muito sem se prestar a testes experimentais. Sua base empírica assentou em duas afirmações gerais: o microscópio revela granulações moleculares; e sempre que (e aparentemente apenas quando) aparecem granulações moleculares. processos de vida ocorrem. É claro que a alegação de ter descoberto o local básico e material da vida, formulada em termos científicos e apoiada pelo método científico, teve importância direta para debates extra-científicos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que a teoria de Béchamp foi mantida ou atacada por católicos, evolucionistas e materialistas. Mas estar no centro de muitas questões controversas nem sempre é a melhor maneira de buscar uma carreira de sucesso, especialmente se estiver confinado a cargos de ensino provinciais; e Béchamp terminou sua vida em isolamento quase completo. Ele morreu ignorado pela maioria e elogiado como um mártir científico por alguns. Nesta mesma época em que Pasteur, Béchamp também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária (Brunet, 2017, p. 147-148). Enquanto Pasteur começava a estudar doenças do bicho-da-seda, Béchamp repetidamente afirmava que a pebrina era causada por um parasita, uma teoria que Pasteur refutou completamente no início. Mais tarde, Béchamp cairia no descrédito ao promover uma teoria obscura das "microzimas", tipos de corpúsculos elementares cujo aglomerado teria constituído organismos vivos e que seriam a causa de todas as doenças. No final da vida, em 1904, Béchamp publicou um panfleto anti-Pasteur, onde se lia em particular: “O plagiador mais descarado do século XIX e de todos os séculos: é Pasteur” (Perrot; Schwartz, 2017, p. 174). Existe uma obra chamada "Pasteur ou Béchamp" do início do séc. XX que usa a rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. De qualquer forma, diz-se que Pasteur não deu os devidos créditos à obra de Béchamp. Ref. https://data.bnf.fr/en/12459796/antoine_bechamp/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/bechamp-pierre-jacques-antoine Jean-Baptiste Philibert Vaillant 1790-1872 Marechal francês. Ministro da Guerra (1854-1859). Ministro da Casa do Imperador (1860-1870). Participou das campanhas da Rússia (1812) e da Alemanha (1813) antes de participar da captura de Argel (1830). Ministro da Guerra de 1854 a 1859, foi nomeado em 1859 Comandante-em-Chefe do Exército da Itália. (Academia de Ciências, 1853). Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o Marechal Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). Ref. https://data.bnf.fr/en/13756998/jean-baptiste_philibert_vaillant/ Ref. https://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Jean-Baptiste_Philibert_Vaillant/148013 Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos” (Debré, 1995, p. 242). A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Eugénia de Montijo 1826-1920 *Ver a microbiografia de Eugénia de Montijo no grupo Políticos. A estada na propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Próximo Grupo

  • Cristalografia | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Cristalografia Jean-Baptiste Biot 1774-1862 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste Biot no grupo Primeiras Influências Científicas. Após observações meticulosas dos cristais, Pasteur conclui que só os produtos nascidos sob a influência da vida são assimétricos, isto porque o seu desenvolvimento preside forças cósmicas que também são assimétricas. Constata que a dissimetria é a principal linha de demarcação entre o mundo orgânico e o mundo mineral, ou seja, demonstra que a dissimetria molecular é marca registrada dos seres vivos. Esta descoberta esclarece a característica central dos isômeros, ou seja, moléculas idênticas, porém que desviam a luz de modo contrário. Balard, que captou a importância destas conclusões, comunica-as a Jean-Baptiste Biot, que recebe Pasteur para uma entrevista e demonstração. Ao analisar o experimento, e visivelmente emocionado com o que via, Biot disse a Pasteur “Meu filho querido, em minha vida amei tanto as ciências que isso me faz disparar o coração” (Debré, 1995, p. 74). Em 1852 Pasteur decide viajar em busca do ácido paratártaro, sabendo que procura a “pedra filosofal – se remetendo aos alquimistas” –, mas não possui dinheiro para financiá-la. Prepara uma carta endereçada ao presidente da república. Biot no entanto, garante que vai dar os passos para conseguir a subvenção e segura Pasteur antes do envio da carta. Propõe até mesmo adiantar a quantia se a subvenção demorar vir (Debré, 1995, p. 88). Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Dumas consegue a subvenção à viagem de Pasteur em 1852, que foi considerada uma missão oficial aos laboratórios alemães. Na volta, Pasteur escreve agradecendo ao amigo, pois a viagem teria sido impossível sem esse apoio financeiro. Afirma que para agradecer-lhe a confiança, vai trabalhar “tanto quanto lhe for humanamente possível” (Debré, 1995, p. 88, 93). Eilhardt Mitscherlich 1794-1863 *Ver a microbiografia de Eilhardt Mitscherlich no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1852, Pasteur começa sua viagem encontrando o sr. Fikentscher, o industrial que Mitscherlich havia lhe falado (Debré, 1995, p. 89). Gustav Rose 1798-1873 *Ver a microbiografia de Gustav Rose no grupo Academia de Ciências. Mineralogista alemão. Presidente da Sociedade Geológica Alemã. Charles Kestner 1803-1870 Industrial e político francês. Cavaleiro da Legião de Honra na sequência da Exposição Nacional de 1847, recebeu uma medalha de honra na Exposição Universal de 1855 pela descoberta e exploração do ácido paratartárico. Kestner produziu acidentalmente o ácido paratartárico. Esta segunda forma de ácido tartárico foi descoberta em 1819 no vinho por esse industrial da Alsácia. Gay-Lussac visitou a sua fábrica em 1826 e recolheu amostra e depois deu o nome de ácido racêmico (Debré, 1995, p. 87). Kestner foi também representante parlamentar em 1848 e em 1850. Rico fabricante de produtos químicos na cidade alsaciana de Thann (Haut-Rhin), conquistou junto aos trabalhadores da região uma popularidade que o fez ele elegeu, em 23 de abril de 1848, representante de Haut-Rhin na Assembleia Constituinte, o 6º de 12, por 50.873 votos (94.408 eleitores). Ele ocupou seu lugar à esquerda, foi vice-presidente do comitê de comércio e votou com o partido Cavaignac: - contra o restabelecimento da coação pelo corpo, - pela abolição da pena de morte, - contra a emenda Grévy, - contra o direito ao trabalho, - pela ordem do dia em homenagem a Cavaignac, - pela abolição do imposto sobre o sal, - contra a proposta Rateau, - contra os créditos da expedição a Roma, - pela anistia, etc. Não reeleito primeiro para o Legislativo, ele ingressou, na eleição parcial de 10 de março de 1850, motivado pela perda de três representantes do Haut-Rhin condenados por causa do caso de 13 de junho; O Sr. Charles Kestner, inscrito na lista republicana, foi eleito, em 1º de 3, por 44.582 votos (89.791 eleitores, 121.053 registrados). Ele se juntou às votações e manifestações da minoria democrática, protestou contra o golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851, foi preso por um tempo. Em 29 de fevereiro de 1852, ele se reuniu novamente como candidato da oposição ao Corpo Legislativo, no 3º distrito de Haut-Rhin, 1.019 votos contra 25.846 do eleito, Sr. Migeon. Ele então voltou à vida privada. Em 1849, Louis Pasteur envia uma carta ao industrial Charles Kestner para solicitar a gentileza de ceder alguns quilos de ácido racêmico para continuar suas pesquisas sobre a cristalografia. Este industrial fornecerá apoio fundamental para o aprofundamento das pesquisas de Pasteur. Ref. https://www2.assemblee-nationale.fr/sycomore/fiche/%28num_dept%29/10879 Louis-Joseph Gay-Lussac 1778-1850 *Ver a microbiografia de Louis-Joseph Gay-Lussac no grupo Primeiras Influências Científicas. Friedrich Christian Fikentscher 1799-1864 *Ver a microbiografia de Fikentscher no grupo Academia de Ciências. Na viagem de 1852, Pasteur passa 10 dias em Leipzig para examinar as amostras de tártaros que Fikentscher, industrial alemão, lhe oferece. É ajudado, em suas pesquisas, pelos colegas alemães; um deles Erdmann, põe muito gentilmente o próprio laboratório à disposição (Debré, 1995, p. 90). Otto Linné Erdmann 1804-1869 Químico e médico alemão. Erdmann era filho do médico e botânico Carl Gottfried Erdmann, o qual introduziu a vacinação contra a varíola no estado alemão da Saxônia. Em 1820, depois de ser aprendiz de farmacêutico, Otto Erdmann estudou medicina na Academia Médico-Cirúrgica de Dresden; em 1822 ingressou na Universidade de Leipzig, onde seu interesse pela química foi estimulado por LW Gilbert, professor de física. Depois de se formar em medicina em 1824 e se qualificar como professor universitário em 1825, Erdmann dedicou o resto de sua vida à química. Em 1827, após um ano dirigindo uma mina de níquel e fundição em Hasserode, foi nomeado professor extraordinário e, em 1830, professor de química técnica em Leipzig, onde estabeleceu sua reputação como professor e pesquisador. Erdmann foi Rektor Magnificus de Leipzig de 1848 a 1849 e, a partir de 1835, foi diretor e, eventualmente, presidente da Companhia Ferroviária Leipzig-Dresden. Maçom de destaque, ele dedicou muito tempo à melhoria das instalações culturais e à prosperidade tecnológica da cidade de Leipzig. Casou-se com Clara Jungnickel, com quem teve três filhos e uma filha. O governo saxão foi persuadido por Erdmann a construir laboratórios químicos na universidade; e depois que eles foram abertos em 1842. Erdmann era capaz de competir com Liebig em Giessen e atrair um grande número de estudantes, muitos dos quais alcançaram eminência, por exemplo, CF Gerhardt. Ele viajou pela Alemanha e França em 1836 para encontrar outros químicos, incluindo seu futuro colaborador, RF Marchand. Erdmann visitou a Inglaterra em 1842 e foi um porta-voz volúvel da não interferência com o direito do químico individual à liberdade de escolha entre os pesos atômicos e equivalentes na importante Conferência de Karlsruhe em 1860. 3 Ele enriqueceu muito as comunicações químicas com a criação em 1834 do Journal für praktische Chemie. Seus livros didáticos, e especialmente sua enciclopédia de química industrial, ajudaram a educar a geração revolucionária de Kolbe e Kekulé. Para essa geração alemã mais jovem, no entanto, ele veio a tipificar a química estereotipada e sem imaginação contra a qual eles se rebelaram de forma tão apaixonada e frutífera. As pesquisas de Erdmann, que abrangeram a química mineralógica, industrial, inorgânica e orgânica , foram principalmente descritivas e analíticas. Na química orgânica , entre 1840 e 1841 (simultaneamente com Laurent, que o corrigiu), ele investigou a natureza da indigotina e preparou uma série de derivados que foram importantes mais tarde, incluindo a isatina e a tetracloro- p -benzoquinona. Ele subsequentemente investigou e isolou hematoxilina de logwood e ácido euxântico de amarelo indiano. A confusão de Erdmann sobre a fórmula empírica da isatina levou-o com ceticismo a redeterminar o peso atômico do carbono em 1841. Em colaboração com Marchand, ele apoiou Dumas e Stas na redução de seu peso atômico do valor de Berzelius de 76,43 (O = 100) para 75,08. Posteriormente, até a morte de Marchand em 1850, eles fizeram uma série de redeterminações precisas. Na maioria dos casos, eles obtiveram valores significativamente diferentes daqueles estabelecidos por Berzelius e suficientemente próximos dos números inteiros para persuadi-los de que pode haver alguma verdade na hipótese de Prout de que os pesos atômicos eram múltiplos de uma unidade comum. Seguiu-se uma disputa com Berzelius, que odiava o Multiplenfieber, em que Erdmann manteve uma posição empírica de que os químicos deveriam ser guiados apenas por experimentos acurados. Em 1852, Pasteur passa 10 dias em Leipzig para examinar as amostras de tártaros que Fikentscher lhe oferece. É ajudado, em suas pesquisas, pelos colegas alemães; um deles Erdmann, põe muito gentilmente o próprio laboratório à disposição (Debré, 1995, p. 90). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/erdmann-otto-linne Mais informações: https://www.chemistryviews.org/details/ezine/11187802/150th_Anniversary_Death_of_Otto_Linne_Erdmann.html Wilhelm Gottlieb Hankel 1814-1899 Físico alemão. Hankel pertence aos físicos mais velhos do século XIX, que normalmente representavam o cientista clássico. Filho de um maestro e professor de coro, ele se interessava muito por questões práticas desde criança, e era muito visto nas oficinas de artesãos. Aos 10 anos ele foi para o colégio Quedlinburg. O professor de matemática era o futuro Reitor Schumann, a quem Hankel era particularmente ligado e que presumivelmente teve uma influência em seu curso posterior de estudos. Hankel perdeu seus pais muito jovem e como membro mais velho de seus irmãos e sem outros parentes, tinha que ganhar a vida para si e sua família dando aulas particulares. Depois de se formar no ensino médio, Hankel mudou-se para a Universidade de Halle; deixou-se inscrever como teólogo e também cursou a faculdade de teologia no primeiro semestre. Mas logo ele se voltou para os estudos científicos. Em particular, seguiu o seu professor Prof. Schweigger, de quem se tornou assistente, e em cujo gabinete físico trabalhou muito. Depois de se formar no Gymnasium de Quedlinburg, ele estudou na Universidade de Halle com Johann Schweigger. Em 1835 foi assistente no laboratório de física e, em 1836, professor na recém-fundada Realschule da Frankische Stiftung em Halle. Em 1838 ele se casou com a filha de um fazendeiro de perto de Halberstadt; em 1839, eles tiveram um filho, Hermann, que se tornou famoso como matemático. Também em 1839, Hankel obteve seu doutorado com um a dissertação sobre a eletricidade dos cristais e, em 1840, qualificou-se para lecionar química na Universidade de Halle. Em 1842-1843, um caso grave de pleurisia forçou Hankel a desistir de seu trabalho no laboratório de química, e ele voltou sua atenção completamente para a física, uma decisão que não havia feito anteriormente por respeito a seu professor Schweigger. Em 1847 obteve o cargo de professor de física na Universidade de Halle e, em 1849, cargo semelhante na Universidade de Leipzig, que ocupou até 1887. Como um experimentador, Hankel investigou principalmente fenômenos piezoelétricos e termoelétricos em cristais e se tornou um pioneiro neste campo especializado. Suas observações e medições minuciosas basearam-se no uso de instrumentos de medição novos e mais confiáveis, que ele mesmo construiu ou aprimorou. Em 1850, ele desenvolveu um novo eletrômetro de alta sensibilidade e baixa capacidade própria, que foi utilizado em conjunto com um microscópio. Em suas pesquisas, Hankel descobriu a relação nos cristais entre as propriedades piroelétricas e a rotação do plano de polarização da luz . Ele chamou a atenção para a estrutura cristalina e para cristais com e sem centros de inversão, esclarecendo as peculiaridades de suas propriedades elétricas. Além disso, ele investigou as correntes termoelétricas entre metais e minerais, bem como a fotoeletricidade da fluorita e a actinoeletricidade do quartzo. Além disso, Hankel realizou determinações mais precisas da série eletromotriz galvânica. Ele também estudou eletricidade em chamas e formação de gás. Ele reduziu suas observações sobre a eletricidade atmosférica, através do uso de uma balança de torção , a valores do sistema de medida absoluta por um método experimental (comparação de um campo eletrostático conhecido com o campo elétrico atmosférico) que era complicado, mas bastante exato para o período (1858). Em 1856, ele escreveu uma crítica completa dos instrumentos usados até então no estudo da eletricidade atmosférica. Hankel propôs uma nova teoria da eletricidade que postulava, em vez da ação à distância, a existência de movimentos rotacionais orientados variadamente em um único fluido: o éter. A teoria despertou pouco entusiasmo quando foi anunciada e agora merece apenas interesse histórico como parte de uma série de esforços infrutíferos para reduzir a eletrodinâmica à mecânica. Em 1852, enquanto estudava os cristais em Leipzig, Pasteur recebe o prof. Hankel, professor alemão titular de física na Universidade de Leipzig . Hankel traduziu todas as suas dissertações para uma revista alemã. Deste modo, o trabalho de Pasteur cruzava fronteiras e os cientistas alemães tinham a mesma informação que os franceses (Debré, 1995, p. 90). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/hankel-wilhelm-gottlieb Mais informações: https://www.deutsche-biographie.de/sfz70001.html Josef Redtenbacher 1810-1870 Químico austríaco. Professor de química na Universidade de Viena. Era irmão do entomologista Ludwig Redtenbacher (1814-1876). Josef e studou medicina e botânica na Universidade de Viena e foi influenciado pelo trabalho do mineralogista Friedrich Mohs. Após a formatura, ele permaneceu em Viena como assistente do químico Joseph Franz von Jacquin. Mais tarde, ele viajou para a Alemanha, onde estudou mineralogia com Heinrich Rose em Berlim e química orgânica com Justus von Liebig na Universidade de Giessen. Posteriormente, tornou-se professor de química na Universidade de Praga e, em 1849, voltou a Viena como sucessor de Adolf Martin Pleischl. Pouco antes de sua morte, ele planejava, junto com o arquiteto Heinrich von Ferstel, a construção de um novo laboratório universitário em Viena. A ele são creditadas as descobertas da acroleína e do ácido acrílico. Ele também realizou pesquisas importantes envolvendo a composição da taurina. Na viagem de 1852, Pasteur sai de Leipzig a caminho de Veneza e consegue o endereço deste professor de química, Josef Redtenbacher, que atuou como seu guia e levou-o a visitar a fábrica do industrial Seybel. Esta fábrica usava o ácido tartárico austríaco para produzir o que julgava ser o sulfato de magnésio. Porém, tratava-se do ácido racêmico (paratártaro) e a questão essencial de Pasteur estava resolvida (Debré, 1995, p. 91). Antes de retornar para casa, em Estrasburgo, Pasteur decide fazer um desvio por Praga, pois corre um boato de que um industrial tcheco consegue maciçamente transformar o ácido tartárico em racêmico. Uma vez em Praga, Pasteur vai à casa do professor de química Rasmann, mas depois Pasteur percebe que ele estava equivocado, e que não havia descoberto o meio de produzir o ácido racêmico, mas sim a somente isolá-lo dos tártaros brutos. Deste modo, Pasteur retorna à França (Debré, 1995, p. 92). Mais informações: https://pubs.acs.org/doi/pdf/10.1021/ed024p366 Mais informações: https://wellcomecollection.org/works/dh946byh Próximo Grupo

  • Fermentação | Pasteur Brasil

    Fermentação Durante séculos a fermentação vem sendo utilizada na produção de vinho, vinagre, pães, cerveja e outras substâncias, e muitas questões foram levantadas acerca de sua origem. No século XVIII se identificam vários modos de fermentação (alcoólica, acética, pútridra), mas esse conhecimento não era suficiente para a prática do setor agroalimentício que enfrentava problemas de irregularidade na qualidade da produção. Em 1854, aos 32 anos, Louis Pasteur foi nomeado reitor da faculdade de ciências da Universidade de Lille, no norte da França, perto da fronteira com a Bélgica. Entre as tarefas de ensino e gestão universitária havia o contexto específico da indústria agroalimentícia da região, e Pasteur vai abrir mais os olhos para as questões práticas. Lille é uma cidade industrial e Pasteur leva os alunos para conhecer as fábricas dos arredores. Nesta região, onde há muitas destilarias, Pasteur é solicitado pelo industrial Louis Bigo (1787-1876) a estudar as desigualdades na produção de álcool de beterraba. Ele observa que a fermentação alcoólica é devida a um organismo vivo (fermento), o que o levou a afirmar o papel e a especificidade da ação dos microrganismos neste processo, até então uma proposta inédita. Desse modo, ele começa a se voltar para a biologia. Antes de Pasteur, Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) e Justus von Liebig (1803-1873) já haviam enfrentado a questão da fermentação. Pasteur estava convencido de que a simplificação de Lavoisier, ao ignorar a levedura era falsa e que, muito pelo contrário, a produção de álcool é um fenômeno tão complexo quanto um ato de natureza biológica. Liebig não admitia que a fermentação era um fenômeno biológico. Afirmava que o fermento agia por decomposição da matéria morta. Pasteur rejeita esta teoria, pois aborda a fermentação pensando na vida. Após alguns anos de pesquisas, Pasteur estabelece com precisão que o ácido lático das cubas de beterrabas do Sr. Bigo provém de uma contaminação de leveduras e propõe o seguinte procedimento: o aquecimento para destruir a levedura lática e o repique para produzir a levedura alcoólica. Assim surgiram os princípios da “pasteurização”. As reflexões advindas da introdução da biologia na compreensão da fermentação vão inicialmente mais surpreender do que convencer os contemporâneos de Pasteur. Ao afirmar que a fermentação é um fenômeno complexo, correlato à vida, Pasteur vai ao encontro de grandes interrogações filosóficas e científicas do século XIX sobre o papel da vida. Pasteur tinha a reputação de um cientista sério e um excelente professor, mas agora teria que adotar o papel de um tribuno. Para ousar opor-se à sombra sagrada de Lavoisier e à autoridade de Liebig no auge de sua glória, era preciso não somente ser dono de si, mas também saber argumentar e convencer. Pasteur submete constantemente suas experiências às leis, cujos resultados e interpretações são frutos de uma experimentação rigorosa, enunciando detalhadamente os fatos estabelecidos. Ele escreve a revistas científicas e dirige-se a industriais. Em 1860 publica uma dissertação sobre fermentação alcoólica. O tom é decisivo, por vezes, irônico. É de um cientista, mas também semelhante a um advogado. Até aquele momento, Pasteur era conhecido pelos estudos cristalográficos, e eis que surge como teórico dos fermentos. As áreas têm pouco em comum. Pasteur observa os microorganismos no microscópio e observa variações na concentração de oxigênio. Com esta ideia em mente, imagina que a quantidade de oxigênio influi no desenvolvimento dos germes. Realiza experimentos e observa que o oxigênio contraria a vida dos chamados animálculos, quando se pensava que era indispensável à sua sobrevivência. Ao mesmo tempo em que os observa, Pasteur os nomeia, chamando estes organismos de “anaeróbios” em oposição aos seres microscópicos que precisam de ar para sobreviver, os “aeróbios”. Nota, ainda, que alguns germes podem ter dupla capacidade, de viver com e sem oxigênio. Estas conclusões serão de grande importância para futuros progressos da Medicina. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. 1854 Louis Bigo, industrial. A ação se passa na Faculdade de Ciências de Lille, na fábrica de vinagre de Orleans, na casa da família de Pasteur em Arbois, nas vinhas e laboratórios efêmeros instalados em vários pontos da vila, na cervejaria dos irmãos Tourtel em Tantonville, na do Sr. Kuhn em Chamalières, na cervejaria Carlsberg em Copenhagen, no laboratório de Duclaux em Clermont-Ferrand durante a Comuna de Paris. A cada fermentação um microorganismo. Antoine Laurent Lavoisier Justus von Liebig. Fermentações e gerações ditas espontâneas. A fermentação se mostra correlata à vida, e não à morte ou putrefação (Louis Pasteur, 1859). Memoire sur la fermentation alcoolique, publicada em 1860. Vida sem oxigênio. A vida sem oxigênio. 1861 Continue lendo a biografia

  • Amigos de Infância e Adolescência | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Amigos de Infância e Adolescência Alexandre Charrière, Guillemin e Ferdinand Coulon ? Junto a estes três amigos franceses de infância em Arbois, Pasteur e os irmãos Vercel (descritos a seguir) pescavam no rio Cuisance, onde banhavam-se no verão. Gostavam de escorregar na neve no inverno em pequenos trenós, além dos jogos da época: bolinhas de gude, jogo da péla (ancestral do tênis) (Debré, 1995, p. 32). Os meninos também participavam da colheita e das festas da uva. Gostavam de matar passarinhos, mas Pasteur se recusava (Garozzo, 1974, p. 31). Louis Pasteur junta-se às propostas de brincadeiras dos amigos, mas afasta-se desgostoso quando se trata de ferir ou apanhar um pássaro (Viñas, 1991, p. 33). Jules Vercel e Altin Vercel 1819-1894 / 1820-1901 Os irmãos Vercel se tornaram amigos de Pasteur desde à infância em Arbois. Eram franceses, filhos de vinhateiros. Pasteur faz o retrato, em pastel, de Altin Vercel. Aos 15 anos Pasteur e Jules vão à Paris para estudar. Alojam-se no Instituto Barbet (senhor do Franco-Condado). Jules era divertido e alegre, de modo que tudo era bom e agradável em Paris. Porém, Pasteur fica sem dormir, não come direito e só fala do Jura. Então, retorna para a casa dos pais logo depois. Jean-Joseph, o pai, vai até Paris buscá-lo (Garozzo, 1974, p. 30, 40-42). Mais tarde, em 1870, em pesquisas sobre os microorganismos, Pasteur visita diferentes localidades, dentre elas Arbois, onde, acompanhado pelo amigo de infância Jules Vercel, carregou vinte frascos e adentrou os campos para a coleta do ar ambiente (Garozzo, 1974, p. 97-98). Em fevereiro de 1894, Pasteur recebe com tristeza a comunicação da morte de seu querido amigo de infância Jules Vercel (Debré, 1995, p. 546). Ao saber do falecimento, Pasteur escreve à esposa de Jules: “Minha esposa e meus filhos esconderam de mim por alguns dias a perda cruel que você acabou de sofrer, sabendo bem a profunda tristeza que eu experimentaria. Durante todo o inverno este querido amigo passou por uma cruel provação. Eu senti muito, do fundo do meu coração. Agora eu choro por ele, o melhor dos homens e o mais fiel dos amigos” (Ref. https://ader.auction.fr/_fr/lot/louis-pasteur-las-paris-27-fevrier-1894-a-mme-jules-vercel-a-arbois-frac34-page-13987739#.YC96I-hKjnY ). Mais informações: https://www.confrerie-royal-vin-jaune.fr/Mystn-rieux-vin-jaune-17.html Charles Chappuis 1822-1897 Filósofo francês. Inspetor Geral Honorário da Educação Primária em 1894. Amigo de Pasteur desde a época dos estudos no Collége Royal de Besançon. “É o único capaz de tirar Pasteur do mutismo e diverti-lo” (Debré, 1995, p. 41). Este grande amigo de Pasteur é filho do tabelião de Saint-Vit. Pasteur sente-se bem com "esse camarada pouco expansivo e aprecia sua tenacidade e autoridade, quando ambos mergulham em seus deveres de filosofia" (Debré, 1995, p. 41). Pasteur e Chappuis têm uma excelente relação afetiva e intelectual. Compartilham leituras e deveres de filosofia. Aos 17 anos, Pasteur vai com Chappuis para Paris estudarem no Liceu Saint-Louis e se prepararem para o concurso da École Normale Superieure. Aloja-se novamente no Instituto Barbet (senhor do Franco-Condado). Gostavam de passar os finais de semana em uma biblioteca, lendo obras filosóficas. Fizeram raros passeios pela cidade. Chappuis torna-se filósofo, doutor em Letras, professor de Filosofia da Faculdade de Letras de Besançon e escritor. “Chappuis vai tornar-se, na vida, o amigo privilegiado e confidente de Pasteur, respeitando suas escolhas e guiando as suas ambições” (Debré, 1995, p. 41). Ref. https://data.bnf.fr/en/10429857/charles_chappuis/ Pierre-Augustin Bertin 1818-1884 Físico francês. Amigo de Pasteur desde o tempo do Collège Royal de Besançon, onde Pasteur vai estudar aos 17 anos, diplomando-se bacharel em Letras. Bertin estudará com Pasteur na École Normale Supérieure em Paris e se tornará professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Bertin foi companheiro jovial e agradável, sempre fiel ao amigo. Foi um dos únicos amigos capazes de divertir o introvertido Louis Pasteur, se tornando companhia inseparável. Torna-se professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Pasteur chega a Estrasburgo em 22/01/1849. "Assim que desembarca, instala-se na casa de Pierre-Augustin Bertin, no cais des Pêcheurs, a alguns passos da faculdade" (Debré, 1995, p. 79). Bertin receberá o cientista na cidade e o apresentará ao reitor da Universidade, Aristide Laurent, o futuro sogro de Pasteur. Em Paris, também ajudará Louis na seleção dos estagiários para o laboratório na Rua Ulm. Jules Marcou 1824-1898 Geólogo francês. Trabalhou vários anos com Louis Agassiz (1807-1873) nos Estados Unidos. Jules Marcou nasceu no Jura, colega de classe em Besançon, amigo por toda vida de Louis Pasteur. Pasteur faz seu desenho em pastel, de uniforme escolar. Como geólogo, Marcou participa da exploração científica das Montanhas Rochosas nos EUA. Ainda jovem, publicou o primeiro Mapa Geológico dos Estados Unidos (1853) e posteriormente o Mapa Geológico da Terra (1861 e 1875), que teve grande sucesso. Torna-se professor na Universidade de Harvard. Em fevereiro de 1893, devido às sequelas do AVC, Marie Pasteur escreve a Jules Marcou: "Caro senhor Marcou, seu amigo Pasteur continua a passar bem, mas precisa se resignar a deixar de lado todo o trabalho cansativo. Ele se interessa pelo trabalho dos outros. É com prazer que ainda comparece às Academias. Solícito, observa seus netos crescerem, e, com os cuidados que deve dispensar à saúde, o tempo passa sem muita dificuldade" (Debré, 1995, p. 546). Próximo Grupo

  • Família Laurent | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Família Laurent Claude Henri Aristide Laurent 1795-1869 O sogro de Louis Pasteur era francês e tinha formação em Letras. Na época em que se conheceram, ele era reitor da Universidade de Estrasburgo. Aristide Laurent ocupou os cargos de professor, diretor, chefe de colégio e inspetor em pelo menos 13 cidades: Paris, Riom, Guéret, Saintes, Sens, Amiens, Orléans, Clermond-Ferrand, Angoulême, Douai, Toulouse, Cahors até chegar a Estrasburgo, como reitor da Universidade. Por onde passou, ajudou a reerguer colégios em vias de desaparecer, colocou ordem onde havia desordem (Vallery-Radot, 1945, p. 39). “Um homem que se destacou por uma especial capacidade para o ensino, pela sua lealdade aos alunos e seus dotes organizacionais aplicados ao sistema escolar” (Viñas, 1991, p. 68). Pierre-Augustin Bertin, amigo de Pasteur, é quem o apresenta ao Sr. Laurent. Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio de Biot, Dumas e Balard (Viñas, 1991, p. 74-75). Nos domingos à tarde, o Sr. Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários (Vallery-Radot, 1945, p. 58). Ao visitar a sua casa, Pasteur conhece Marie, por quem se sente cativado imediatamente. Em uma decisão relâmpago, dirige uma carta ao reitor com um pedido de casamento à sua filha (Viñas, 1991, p. 75). Casa-se com Amélie Huet em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Obs. Em várias biografias, o sogro de Pasteur é nomeado erroneamente de Charles Laurent (V. Debré, 1995, p. 79). Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/aristide%20laurent/page/1 Amélie Hélène Huet (Madame Laurent) 1797-1867 A sogra de Pasteur, madame Laurent, era francesa, filha de livreiros e impressores de Orleans. A livraria da família dos pais de Amélie recebia diversos intelectuais, inclusive o general Beauharnais, que se tornaria posteriormente Napoleão Bonaparte (1769-1821), e Josefina de Beauharnais (1763-1814), que seria a futura imperatriz. Amélie e Aristide Laurent conheceram-se nesta livraria, e casaram-se em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Em 1849, ao conhecer Louis Pasteur, Amélie capturou logo algumas de suas características: lealdade, dedicação profissional, inteligência (Viñas, 1991, p. 76). Pasteur compreendeu que Madame Laurent era sua aliada ao pedido de casamento, e em uma carta confiou as inquietudes que sentia, por temer que as primeiras impressões tenham sido desfavoráveis, e agrega a seguinte observação à Marie: “Minha experiência ensina que aqueles que me conhecem muito bem me amaram muito” (Vallery-Radot, 1945, p. 62; Birch, 1993, p. 24). Marie Anne Laurent (Marie Pasteur / Madame Pasteur) 1826-1910 Criada em ambiente intelectual, a esposa de Pasteur, Marie, era francesa e tinha 3 irmãs e 1 irmão, sendo que este último faleceu aos 23 anos de febre tifoide. Quando Pasteur a viu pela primeira vez, sentiu que havia encontrado a sua companheira de vida, e escreveu ao amigo Chappuis: “Creio que serei muito feliz com ela. Tem todas as qualidades que eu poderia desejar em uma mulher” (Báez, 1995, p. 463). Marie foi descrita como: discreta, comedida, autoritária, circunspecta. Uma mulher de ordem e dever, porém positiva, alegre e sólida. “Passou pela glória procurando ser despercebida” (Vallery-Radot, 1945, p. 31, 33; Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Devota-se a Pasteur e cria, em torno dele, uma vida familiar tranquila, removendo as preocupações materiais. “Soube, desde os primeiros dias, não somente a admitir, mas a aprovar que o laboratório vinha acima de tudo” (Debré, 1995, p. 82). Madame Pasteur lia as atas da Academia de Ciências em vez de ler novelas (Vallery-Radot, 1945, p. 66, 68). “Marie recopia as cartas e os relatórios enviados ao Ministério ou Academia. Nunca um manuscrito vai para impressão antes de ter sido meticulosamente relido, anotado, verificado” (Debré, 1995, p. 147). "Ela se tornou, de modo informal, secretária, contadora e o que hoje chamaríamos de assessora de comunicação e assessora de imprensa" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Marie dispensava participar de círculos sociais prestigiosos que ela teria a oportunidade de frequentar (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Segundo Émile Roux, colaborador de Louis Pasteur: “A senhora Pasteur era não apenas uma companheira incomparável para Pasteur, mas também seu melhor colaborador” (Debré, 1995, p. 82). Nas cartas do casal, observa-se afeto, confidências e companheirismo (Viñas, 1991, p. 89), ainda que por vezes Pasteur manifeste-se de modo autoritário. Marie se torna figura tutelar do Instituto Pasteur após a morte do marido. Falece em 28 de setembro, no mesmo dia e mês que Pasteur, após 15 anos. O casal teve 5 filhos, dos quais somente 2 sobreviveram até a idade adulta. Em carta ao sogro (Jean-Joseph Pasteur) em 1851 , Marie escreve sobre Louis Pasteur. “É um pai de família modelo que, apesar de seu trabalho, encontra tempo para consagrar todos os dias um bom tempo ao recém-nascido e para cuidar da menina, se estou ocupada” (Vallery-Radot, 1945, p. 70). "Realmente parece", escreveu o colaborador de Pasteur, Émile Roux, que essa união predestinada foi feita em vista das grandes coisas que Pasteur teve que produzir (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 11; Baéz, 1995, p. 467). Albert Calmette, um dos pasteurianos, fala sobre Pasteur em seus últimos anos de vida, e também menciona Marie Pasteur: "Nós o mantínhamos a par das pesquisas. Ele sugeria ou discutia as experiências a serem feitas e a senhora Pasteur que, como mulher de cientista, se interessava por tudo, adivinhava os pensamentos e os sentimentos de cada um de nós antes que fossem exprimidos, velava com uma tocante solicitude para que nenhuma inquietação, nenhuma preocupação perturbasse as meditações ou os sonhos sobre o futuro, aos quais os trabalhadores do instituto se abandonavam com entusiasmo e confiança. (...) Todo esse passado de miséria e de grandeza foi uma era heroica, foi o tempo da epopeia pasteuriana. (...) Durante os sete anos que viveu no instituto, entre os colaboradores e os alunos Pasteur teve a suprema satisfação de presenciar algumas das mais preciosas conquistas dessa ciência experimental que ele levou ao ponto mais alto" (Debré, 1995, p. 535-536). Amélie Laurent (Amélie Loir) 1830-1925 A irmã mais nova de Marie, Amélie, era francesa e casou-se com Adrien Joseph Jean Loir. O casal tem um filho, Adrien Loir, que será estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Louis Pasteur. Adrien Joseph Jean Loir 1816-1899 Professor francês associado da Escola de Farmácia de Paris (1847-1849). Professor de química na Faculdade de Ciências de Besançon (1855), depois em Lyon (1861). Doutor em ciências físicas (1851). Adrien Joseph Loir foi sucessor de Louis Pasteur na Faculdade de Farmácia e trabalhou no laboratório na companhia de Pasteur. Foi o primeiro discípulo de Pasteur. Casa-se com a irmã mais nova de Marie, Amélie. O filho do casal, Adrien Loir, trabalhará diretamente com Pasteur. Ref. https://data.bnf.fr/en/10604888/adrien_loir/ Adrien Charles Marie Loir 1862-1941 Bacteriologista francês. Estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Pasteur. Doutor em medicina (Paris, 1892). Bioquímico. Diretor do Instituto Pasteur na Austrália. Fundador do primeiro instituto anti-rábico em São Petersburgo. Filho de Amélie Laurent (irmã mais nova de Marie Pasteur) e de Adrien Joseph Loir, professor de química e diretor da Faculdade de Lyon (Debré, p. 83). Adrien Loir descreve o dia a dia com o tio: “Pasteur ficava completamente absorvido pelo assunto que estudava e que escolhera. Ele o dissecava, o experimentava de todas as maneiras, em silêncio, sem a intervenção de ninguém. Pasteur não se alterava nunca, e quando algo não ocorria como desejava, ele dizia: ‘Ai meu Deus, e andava como um leão enjaulado. Era tudo” (Debré, 1995, p. 164). O governo de Sidney na Austrália entra em contato com Pasteur. Adrien Loir é enviado em missão. Demorará muitos meses para chegar à Austrália e ficará lá por 5 anos. Funda em Road Island, perto de Sidney, o primeiro Instituto Pasteur além-mar. Regularmente, Loir informava ao tio sobre seus trabalhos e prosseguia, sob a orientação dele, nas pesquisas sobre a transmissão do carbúnculo e sobre a peripneumonia do gado (Debré, 1995, p. 527-528). Loir auxiliou bastante, desde o laboratório na Rua Ulm (antes do Instituto Pasteur), especialmente devido ao comprometimento de movimentos de Pasteur a partir do AVC aos 45 anos. Pasteur dá diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao jovem: aprender a soprar vidro, assimilar as bases da cristalografia, faça curso de caligrafia e também direcionou sua formação em Medicina (Debré, 1995, p. 380-381). Loir escreveu a obra "A l'ombre de Pasteur: souvenirs personnels" (Na sombra de Pasteur: memórias pessoais) pela editora Le Mouvement Sanitaire,1938. Adrien Loir desempenhou um papel importante ao lado de Pasteur, ele mesmo, como seu assistente pessoal e, em seguida, como um agente para a difusão da ciência pasteuriana em todo o mundo. No entanto, Loir permaneceu nas sombras. "Algo aconteceu em sua vida: quando ele havia sido mais ou menos casado por sua família com uma filha de um amigo da família, ele se divorciou dessa mulher e saiu com a babá das crianças, depois se casou novamente com essa outra mulher. E isso foi extremamente desaprovado. Na época, ele foi rejeitado pelos pasteurianos, por sua família, etc. Foi por isso que ele foi completamente esquecido" [Maxime Schwartz, em trecho traduzido livremente da obra Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, acadêmico e globetrotter (1862-1941) , publicado por Odile Jacob, em março de 2020]. Ref. https://data.bnf.fr/en/13012138/adrien_loir/ Mais informações: https://en.odilejacob.fr/catalogue/documents/biographies-memoirs/pasteurs-nephew_9782738151353.php Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/research-journal/news/pasteur-s-nephew-adventurous-life-adrien-loir-scholar-and-globe-trotter Mais informações: https://www.franceculture.fr/emissions/le-cours-de-lhistoire/un-destin-pour-le-soin-quatre-figures-de-lhistoire-du-soin-et-de-la-medecine-14-adrien-loir-etre-le Mais informações: https://atlantico.fr/article/decryptage/adrien-loir--une-vie-a-l-ombre-de-louis-pasteur-histoire-science-decouverte-medecine-biologie-virus-epidemie-cholera-rage-annick-perrot-maxime-schwartz Célie Laurent (Célie Zévort) 1820-1859 Célie, a irmã mais velha de Marie Pasteur, era francesa e casou-se com Charles Zévort. Charles Zévort 1816-1887 Agrégé em filosofia (1840). Doutor em Letras (1884). Inspetor Geral da Instrução Pública do Ensino Superior (nomeado em 1879). Professor de latim. Traduziu várias obras gregas, inclusive Metafísica de Aristóteles (2 vol., 1840-1841), A Vida de Filósofos da Antiguidade, de Diógenes Laërce (2 vols., 1848). Era francês, casado com a irmã mais velha de Marie, Célie Laurent. Tiveram Edgar Zévort como filho. Ref. https://data.bnf.fr/en/12436431/charles_zevort/ Edgar Zévort 1842-1908 Professor do ensino médio e historiador francês. Doutor em Letras (1880). Reitor da Académie de Caen (nomeado em 1884). Ref. https://data.bnf.fr/en/12569035/edgar_zevort/ Próximo Grupo

  • Pasteurianos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Pasteurianos Jules Raulin 1836-1896 *Ver microbiografia de Jules Raulin no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Jules Raulin pertencia à primeira geração de estagiários, na época da química fermentativa. Passou a fazer parte da história das ciências como inventor de um novo caldo de cultura. Era um dos alunos preferidos de Pasteur e terminou sua carreira como professor de química industrial em Lyon. Raulin e Eugène Maillot ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu 1º AVC. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Eugène Maillot 1841-1889 *Ver microbiografia de Eugène Maillot no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Eugène Maillot e Jules Raulin ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu 1º AVC. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 *Ver microbiografia de Désiré Gernez no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Quando Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis, retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). Jules François Joubert 1834-1910 Doutor em Ciências Físicas (1874) francês. Professor de física. Inspetor Geral de Educação Secundária. Jules Joubert é da segunda geração, a da biologia médica. Professor de física em um liceu de Paris, vai para a rua Ulm testar a ação dos agentes físicos sobre os micróbios. Físico, antes de tudo, interrompe a colaboração com Pasteur para voltar aos campos magnéticos e aos solenoides, acabando como Inspetor da Academia de Paris (Debré, 1995, p. 377). Ref. https://data.bnf.fr/en/13479027/jules_joubert/ Mais informações: https://digital.sciencehistory.org/works/0k225b14x Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 *Ver microbiografia de Charles Chamberland no grupo Doenças Infectocontagiosas. Charles Chamberland substitui Jules Joubert. Na época, tem 27 anos ao entrar para o laboratório. Suas origens no Jura despertam a simpatia de Pasteur. Alegre e bom vivant, possui uma mente engenhosa e aprecia a inovação técnica. Devemos a ele a invenção da autoclave. Uma curiosidade: ao se queixar de numerosos furúnculos no pescoço, nuca e coxa, Pasteur o examina e propõe uma experiência: colhe um pouco de pus de sua nuca e o cultiva. Deste modo, descobre o estafilococo, o mais frequente dos germes patogênicos (Debré, 1995, p. 384-385). Chamberland, no Instituto Pasteur é quem orienta o serviço das vacinas (Debré, 1995, p. 521). Louis Thuillier 1856-1883 *Ver microbiografia de Louis Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. Pierre-Augustin B ertin, físico, amigo desde a juventude de Pasteur é quem seleciona os primeiros estagiários entre seus próprios alunos. Louis Thuillier é um dos escolhidos e se dedica ao estudo da erisipela suína. Pasteur cria grande amizade pelo jovem e fica muito abalado com a sua morte precoce no Egito, onde havia ido estudar a cólera. Thuillier falece em serviço, na cidade de Alexandria, com apenas 26 anos. Émile Duclaux 1840-1904 *Ver microbiografia de Émile Duclaux no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Duclaux chega em 1862, em plena época da discussão sobre as gerações espontâneas. Mesmo atuando como professor de química, participa ativamente dos trabalhos de Pasteur, tanto na época do bicho-da-seda como nos estudos do vinho. Ele se torna o diretor técnico do laboratório. Muito ordeiro, controla para que tudo fique no lugar. É a ele que procuram quando é necessário tomar alguma decisão e não querem incomodar Pasteur. Diante das respostas de Pasteur a todos os seus contestadores, Duclaux, pela proximidade afetiva, escreve a Pasteur “enxergo perfeitamente o que o senhor perde nessas lutas: seu descanso, seu tempo, sua saúde. Procuro, em vão, o que o senhor pode ganhar com isso” (Debré, 1995, p. 364). No Instituto Pasteur, Duclaux é o responsável pela microbiologia geral (Debré, 1995, p. 521). Após a morte de Pasteur em 1895, Duclaux tornou-se diretor do Instituto, com Roux e Chamberland servindo como seus sub-diretores. Duclaux escreve a biografia de Pasteur, denominada Pasteur, histoire d'un esprit. Paris, França: Imprimerie Charaire, 1896. Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos, e pela defesa do capitão Dreyfus, antes mesmo de Émile Zola, Duclaux é recebido com entusiasmo nos círculos Dreyfus, principalmente pela elite científica. A posição de Duclaux em março de 1898 o faz aparecer como um dos mais destacados porta-vozes dessa nova força que são os intelectuais. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 *Ver microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Na época, ele era um jovem estudante de Medicina e um dos mais assíduos ouvintes dos debates de Pasteur na Academia de Medicina. Sua chegada começa com a aplicação de uma injeção na ausência de Pasteur, o que contrariou Pasteur, mas a continuação da experiência mostrou que o jovem sabia o que estava fazendo, então Pasteur o escolheu como estagiário (Debré, 1995, p. 360, 379). Pessoa solitária, sem ambição aparente e que se tornará o mais próximo colaborador de Pasteur (Debré, 1995, p. 360, 379), Roux se torna, nas palavras de Debré (1995, p. 531-532) o campeão das terapias antiinfecciosas, com imensas contribuições na cura da difteria, por exemplo. É considerado também o discípulo mais contraditório de Pasteur. Em certas ocasiões ele não hesitava em se opor ao mestre, apesar de respeitar a hierarquia e os 30 anos de diferença de idade que os separavam. Quando Pasteur chegava a algum resultado, construía uma teoria e a expunha, Roux nunca deixava de procurar uma falha, o que se tornou irritante para Pasteur, que reclamava: “como esse Roux é desagradável. Se eu o escutasse, ele poria fim em qualquer coisa que eu quisesse realizar” (Debré, 1995, p. 379). O caráter de Roux é descrito como muito particular. Ele compreendia que a calma e a concentração eram as palavras mestras do laboratório, e embora fizesse críticas constantes, isso não o impedia de conservar o silêncio e de servir de filtro entre Pasteur e o mundo exterior. Na hora certa, por exemplo, se desembaraçava dos rivais de Pasteur, mantendo-os à distância. Durante 8 anos, Roux será o único médico admitido no laboratório da Rua Ulm. Ele se torna um inoculador de profissão, sabendo, por exemplo, injetar precisamente os germes (Debré, 1995, p. 382). No Instituto Pasteur, Roux é o responsável pela microbiologia médica técnica (Debré, 1995, p. 521). Roux dedicou 46 anos de sua vida ao Instituto Pasteur. Foi ele quem recomendou Oswaldo Cruzàs autoridades brasileiras para a criação de um laboratório (Lima & Marchand, 2005, p. 33). Foi um dos mais próximos colaboradores de Louis Pasteur, cofundador do Instituto Pasteur e descobridor do soro anti-difteria, a primeira terapia efetiva contra esta enfermidade. A Rua do Instituto Pasteur em Paris, se tornou Rua Doutor Roux. Edmond Isidore Etienne Nocard 1850-1903 *Ver microbiografia de Edmond Nocard no grupo Doenças Infectocontagiosas. Na época das pesquisas sobre a cólera, Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isidore Straus (Debré, 1995, p. 388). Adrien Charles Marie Loir 1862-1941 *Ver microbiografia de Adrien Loir no grupo Família Laurent. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur (filho da irmã caçula de Marie Pasteur, Amélie), começa atuando como um estagiário onipresente, com o qual Pasteur pode contar, especialmente para completar seus movimentos devido ao braço paralisado. Pasteur dá suas diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao seu sobrinho: aprender a soprar o vidro, assimilar as bases da cristalografia, melhorar a letra em curso de caligrafia. Uma curiosa relação se estabelece entre tio e sobrinho. Loir escreve, em tom de reclamação, que Pasteur o usava para realizar o que sua mente concebia. Também escolheu a formação que ele deveria fazer, no caso, Medicina (Debré, 1995, p. 381). A pedido de Pasteur, Loir vai à Rússia (Debré, 1995, p. 497), à Austrália (ficará por 5 anos) e lá fundará o primeiro Instituto Pasteur além-mar (Debré, 1995, p. 527, 528). Loir também funda o Instituto Pasteur de Túnis (capital da Tunísia, no norte da África) quando volta da Austrália (Debré, 1995, p. 541). Loir recorda que Pasteur era bastante influenciado pela visão de Duclaux, e que se tornava calmo e se punha a trabalhar, diferentemente de Roux (Debré, 1995, p. 379). Loir escreveu a obra "A l'ombre de Pasteur: souvenirs personnels" (Na sombra de Pasteur: memórias pessoais) pela editora Le Mouvement Sanitaire,1938. Adrien Loir desempenhou um papel importante ao lado de Pasteur, ele mesmo, como seu assistente pessoal e, em seguida, como um agente para a difusão da ciência pasteuriana em todo o mundo. No entanto, Loir permaneceu nas sombras. "Algo aconteceu em sua vida: quando ele havia sido mais ou menos casado por sua família com uma filha de um amigo da família, ele se divorciou dessa mulher e saiu com a babá das crianças, depois se casou novamente com essa outra mulher. E isso foi extremamente desaprovado. Na época, ele foi rejeitado pelos pasteurianos, por sua família, etc. Foi por isso que ele foi completamente esquecido" [Maxime Schwartz, em trecho traduzido livremente da obra Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, acadêmico e globetrotter (1862-1941) , publicado por Odile Jacob, em março de 2020]. Mais informações: https://en.odilejacob.fr/catalogue/documents/biographies-memoirs/pasteurs-nephew_9782738151353.php Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/research-journal/news/pasteur-s-nephew-adventurous-life-adrien-loir-scholar-and-globe-trotter Mais informações: https://www.franceculture.fr/emissions/le-cours-de-lhistoire/un-destin-pour-le-soin-quatre-figures-de-lhistoire-du-soin-et-de-la-medecine-14-adrien-loir-etre-le Mais informações: https://atlantico.fr/article/decryptage/adrien-loir--une-vie-a-l-ombre-de-louis-pasteur-histoire-science-decouverte-medecine-biologie-virus-epidemie-cholera-rage-annick-perrot-maxime-schwartz Élie Metchnikoff (Ilya Ilyich Mechnikov) 1845-1916 Microbiologista e zoólogo russo. Professor de zoologia em Odessa, Ucrânia (1870), diretor do instituto bacteriológico de Odessa, Ucrânia (1870-1882), colaborador científico do Instituto Pasteur, Paris (1888-1916). Prêmio Nobel de Medicina (em 1908). Ilya Ilyich Mechnikov nasceu em 15 de maio de 1845, em uma vila perto de Kharkoff, na Rússia. Ele era filho de um oficial da Guarda Imperial, que era proprietário de terras nas estepes da Ucrânia. Sua mãe, née Nevakhowitch, era de origem judaica. Mechnikov foi para a escola em Kharkoff e, mesmo quando era pequeno, tinha um interesse apaixonado por história natural, sobre a qual costumava dar palestras para seus irmãos menores e outras crianças. Na época, ele estava especialmente interessado em botânica e geologia. Quando ele deixou a escola, ele foi para a Universidade de Kharkoff para estudar ciências naturais e trabalhou lá tanto que foi capaz de concluir o curso de quatro anos em dois anos. Graduando-se em Kharkoff, ele foi, primeiro para estudar a fauna marinha em Heligoland, e depois para a Universidade de Giessen, onde trabalhou com Leuckart. Posteriormente, ele foi para a Universidade de Göttingen e a Academia de Munique, onde trabalhou no laboratório de von Siebold. Enquanto ele estava em Giessen, ele descobriu, em 1865, a digestão intracelular em um dos platelmintos, uma observação que influenciou suas descobertas posteriores. Em Nápoles preparou uma tese de doutorado sobre o desenvolvimento embrionário da choco.Sepiola e o Crustáceo Nelalia. Em 1867 ele retornou à Rússia, tendo sido nomeado docente na nova Universidade de Odessa e de lá ele foi assumir um cargo semelhante na Universidade de São Petersburgo. Mas em 1870 ele foi nomeado Professor Titular de Zoologia e Anatomia Comparada na Universidade de Odessa. Em São Petersburgo, ele conheceu sua primeira esposa, Ludmilla Feodorovitch, que sofria de tuberculose tão grave que teve de ser carregada em uma cadeira para o casamento na igreja. Por cinco anos Mechnikov fez tudo o que pôde para salvar sua vida, mas ela morreu em 20 de abril de 1873. Destruído por essa perda, perturbado por problemas de visão e coração e por dificuldades na Universidade, Mechnikov tornou-se, nessa época, tão pessimista que ele tentou tirar a própria vida engolindo uma grande dose de ópio; mas, felizmente para ele e para o mundo, ele não morreu. Foi em Odessa, de fato, que conheceu a sua segunda mulher, Olga, com quem se casou em 1875. Em 1880 a sua segunda mulher teve um grave ataque de febre tifoide e, embora não tenha morrido, Mechnikov, cuja saúde ainda era fraca, mais uma vez tentou tirar a própria vida. Desta vez, no entanto, ele decidiu, para evitar o constrangimento de sua esposa e de outros, fazer isso por meio da experiência científica de se inocular com febre recorrente para descobrir se ela era transmissível pelo sangue. O ataque de febre recorrente que se seguiu foi severo, mas não o matou. Em 1882, após sua recuperação desta doença, Mechnikov renunciou à sua nomeação em Odessa por causa de dificuldades na Universidade durante o período de governo reacionário que se seguiu ao assassinato de Alexandre II. Em seguida, foi a Messina para continuar, em um laboratório particular que instalou ali; seu trabalho em embriologia comparada, e foi aqui que ele descobriu o fenômeno da fagocitose ao qual seu nome sempre será associado. Essa descoberta foi feita quando Mechnikov observou, nas larvas de estrelas do mar, células móveis que poderiam, segundo ele, servir como parte das defesas desses organismos e, para testar essa ideia, introduziu neles pequenos espinhos de uma tangerina que tinha foi preparado como uma árvore de Natal para seus filhos. Na manhã seguinte ele encontrou os espinhos circundados por células móveis e, sabendo que, quando ocorre inflamação em animais que possuem um sistema vascular sanguíneo, os leucócitos escapam de seus vasos sanguíneos. Voltando a Odessa, Mechnikov visitou Viena no caminho e explicou suas ideias a Claus, professor de zoologia da cidade, e foi Claus quem sugeriu o termo fagócito para as células móveis que agem dessa maneira. Finalmente, em 1883, Mechnikov deu, em Odessa, seu primeiro artigo sobre fagocitose. Além de sua importância fundamental na imunologia, a descoberta teve uma influência marcante no próprio Mechnikov. Ele mudou completamente sua visão da vida; abandonou sua filosofia pessimista e decidiu encontrar mais provas de sua hipótese. Alguma prova disso ele encontrou no pequeno crustáceo Daphnia de água doce, no qual ele descobriu que os esporos de fungos que o atacavam eram eles próprios atacados pelos fagócitos do crustáceo. Ele então estudou os bacilos do antraz e descobriu que as cepas mais virulentas desses não eram atacadas pelos fagócitos, enquanto as cepas menos virulentas eram. Durante este período, Mechnikov foi nomeado Diretor de um Instituto estabelecido em 1886 em Odessa para realizar o tratamento da vacina contra a raiva de Pasteur, mas havia muita hostilidade local a esse tratamento. Mechnikov descobriu que, em parte por não ser médico, as circunstâncias se tornaram tão difíceis que, em 1888, ele deixou Odessa e foi a Paris pedir conselho a Pasteur. Quando Pasteur ouve falar das descobertas deste russo sobre a fagocitose, manda publicar seus trabalhos nos Anais do Instituto Pasteur e lhe outorga um duplo posto: diretor do laboratório de microbiologia morfológica e chefe de serviço no Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 521, 533-534). Ali ele permaneceu para o resto de sua vida. Além de seu trabalho sobre fagocitose, Mechnikov publicou, durante seu período inicial de atividade científica, muitos artigos sobre embriologia de invertebrados. Estes incluíram trabalhos sobre a embriologia de insetos, publicados em 1866, e, em 1886, seus estudos sobre a embriologia de Medusas. No Instituto Pasteur em Paris, Mechnikov estava envolvido no trabalho associado ao estabelecimento de sua teoria da imunidade celular, que, como muitos grandes avanços da ciência, encontrou considerável hostilidade. Ele publicou, durante este período, vários artigos e dois volumes sobre a patologia comparativa da inflamação (1892), e seu tratado intitulado L'Immunité dans les Maladies Infectieuses (Imunidade em doenças infecciosas, 1901). Em 1908 ele foi premiado, junto com Paul Ehrlich , o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Além desse trabalho, ele, junto com Roux, provou que a sífilis pode ser transmitida para macacos. Mais tarde, ele se dedicou ao estudo da flora do intestino humano e desenvolveu uma teoria de que a senilidade se deve ao envenenamento do corpo por produtos de algumas dessas bactérias. Para evitar a multiplicação desses organismos, ele propôs uma dieta contendo leite fermentado por bacilos que produzem grandes quantidades de ácido láctico e por um tempo essa dieta tornou-se amplamente popular. Mechnikov recebeu muitas distinções, entre as quais o honorário D. Sc. da Universidade de Cambridge, a Medalha Copley da Royal Society da qual era um membro estrangeiro, os membros honorários da Academia de Medicina de Paris e das Academias de Ciências e de Medicina de São Petersburgo. Além disso, ele era um membro correspondente de várias outras sociedades e um membro estrangeiro da Sociedade Médica Sueca. Fotos tiradas quando ele trabalhava no Instituto Pasteur mostram-no com cabelo comprido e uma barba desgrenhada. Diz-se dele que, nessa época, geralmente usava galochas em todos os climas e carregava um guarda-chuva, seus bolsos estavam cheios de artigos científicos, e que sempre usava o mesmo chapéu. A partir de 1913, Mechnikov começou a sofrer ataques cardíacos e, embora tenha se recuperado por um tempo e se recuperado da angústia que a Guerra de 1914-1918 lhe causou, ele morreu em 15 de julho de 1916. Ref. https://data.bnf.fr/en/12938930/il_a_il_ic_mecnikov/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1908/mechnikov/biographical/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Elie-Metchnikoff Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/institut-pasteur/history/ilya-mechnikov-elie-metchnikoff-french-1845-1916 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/elie-metchnikoff Nicolas Gamaleia (Nikolay Gamaleya) 1859-1949 Médico microbiologista russo. Metchnikoff trabalhou na mesma estação bacteriológica na Rússia que Nicolas Gamaleia, que foi diretor do Instituto da Raiva na cidade de Odessa. No Instituto Pasteur, Gamaleia foi o responsável pela pesquisa em microbiologia médica (Debré, 1995, p. 521). Gamaleya veio de uma família ucraniana que havia crescido por meio do serviço ao país desde o século XVII. Seu pai, Fyodor Mikhailovich Gamaleya, era um soldado; sua mãe, Karolina Vikentievna Gamaleya, era de origem polonesa. Tendo se formado no Gymnasium em 1876, Gamaleya matriculou-se na Faculdade de Física e Matemática da Universidade Novorossysky. Enquanto estudante lá, ele ficou fascinado com biologia. Um de seus professores foi EI Mechniknov, e em Estrasburgo, onde Gamaleya passava férias, ele estudou bioquímica com Hoppe-Seyler. Depois de se formar na universidade em 1881, Gamaleya matriculou-se na Academia Médica Militar de São Petersburgo, então o centro de educação médica na Rússia. Seus professores incluíram figuras proeminentes como SP Botkin. V. V, Pashutin e VA Manassein. Após a formatura em 1883 com o título de médico, Gamaleya voltou para Odessa. O jovem médico interessou-se ativamente pela bacteriologia, uma ciência então em sua infância, e conduziu pesquisas em um laboratório bacteriológico que havia instalado em seu apartamento. A inoculação bem-sucedida de Pasteur contra a raiva em 1885 determinou definitivamente os interesses científicos de Gamaleya. Em 1886, a Odessa Society of Physicians o encarregou de se familiarizar no laboratório de Pasteur com a técnica de inoculação anti-rábica. Sua persistência e curiosidade, conhecimento médico e treinamento microbiológico lhe permitiram dominar o método. A convivência com Pasteur foi o início de uma colaboração criativa e de uma amizade pessoal que foi fortalecida pela luta com os oponentes do método de Pasteur. Na época de críticas especialmente duras a seu método na Inglaterra, Pasteur pediu a Gamaleya que o defendesse. Gamaleya foi o primeiro a se inocular com a vacina anti-rábica, provando assim sua inocuidade para um organismo saudável. Em 1886, a segunda estação bacteriológica mundial - já havia uma em Paris - foi instalada em Odessa, com a participação de Mechnikov e Gamaleya. Ali as inoculações anti-rábicas foram administradas com sucesso de acordo com o método de Pasteur, que sem dúvida era sua melhor propaganda e defesa. Defensor fervoroso desse método, Gamaleya o utilizou amplamente e introduziu importantes acréscimos à sua base teórica e valiosos refinamentos práticos. Em preparações contendo o vírus vivo, Gamaleya estabeleceu que a eficácia da vacinação anti-rábica depende de seu conteúdo quantitativo. Com base neste princípio, ele desenvolveu um método intensivo de vacinação através da utilização de tecido cerebral menos sujeito a ressecamento. Além disso, ele descobriu que a imunidade anti-raiva inoculativa é fisiologicamente limitada e que a vacinação é ineficaz contra a raiva manifesta, bem como durante o período latente da infecção (cerca de quatorze dias). Na década de 1880, Gamaleya estudou questões relacionadas ao preparo de uma vacina contra a peste siberiana (antraz). Em 1887, ele descobriu um vibrião semelhante ao da cólera nos intestinos de aves doentes, que chamou de bacilo Mechnikov. O estudo desse bacilo marcou o início de muitos anos de pesquisas sobre o cólera. No laboratório de Pasteur, bem como nos de Charles Bouchard e Joseph Strauss, Gamaleya estudou os fenômenos de inflamação e os processos pelos quais os micróbios são destruídos em um organismo. Ele acreditava que os micróbios que invadem um organismo vivo estão sujeitos à ação de dois fatores intimamente relacionados - humoral e celular, ou seja, a ação de anticorpos solúveis produzidos pelas células do sistema reticuloendotelial. Esta pesquisa produziu novos dados e conceitos sobre esses fenômenos. Retornando à Rússia em 1892 da França, onde trabalhou por um total de seis anos, Gamaleya iniciou seu estudo sobre cólera. Em 1893, ele defendeu sua tese de doutorado, Etiologia kholery s tochki zrenia eksperimentalnoy patologii (“A etiologia do cólera do ponto de vista da patologia experimental”). O estudo da cólera e a luta contra esta doença ocuparam um lugar de destaque no trabalho científico de Gamaleya e em suas atividades como médico. Em 1899, Gamaleya publicou o livro didático Osnovy obshchey bakteriologii (“Foundations of General Bacteriology”); suas generalizações frutíferas e visões originais sobre questões fundamentais em bacteriologia tiveram grande significado para o desenvolvimento da nova ciência. A hipótese de uma origem viral para o câncer foi declarada pela primeira vez neste livro e, em 1910, Mechnikov apoiou essa hipótese. Até 1910, Gamaleya trabalhou em Odessa no Instituto Bacteriológico-Fisiológico por ele fundado, lecionou bacteriologia geral na escola de estomatologia e publicou diversos trabalhos. A importância de Gamaleya na história da bacteriologia é como um destacado pesquisador e lutador contra a peste bubônica. Em 1902, em conexão com uma epidemia de peste que eclodiu em Odessa, Gamaleya iniciou uma investigação teórica de sua epidemiologia. O sistema de medidas práticas que ele desenvolveu teve um significado decisivo na liquidação e prevenção dessa temida doença. No período anterior à Revolução de 1917, Gamaleya se preocupou ativamente com a prevenção de epidemias. Em 1908-1909, ele conduziu investigações sobre o tifo; ele foi o iniciador de um programa de fumigação na Rússia. De 1912 a 1928 ele estudou a varíola, que era endêmica na Rússia. Como diretor do Instituto de Inoculação da Varíola, ele desenvolveu um meio novo e refinado de obter detritos da varíola. O estudo exaustivo da teoria e do uso prático das inoculações contra a raiva permitiu a Gamaleya explicar as causas das falhas observadas na aplicação do método e propor o denominado método intensivo, que foi imediatamente aceito por Pasteur e divulgado amplamente. uso em casos críticos de raiva. O trabalho de Gamaleya na raiva paralítica, então não estudado, foi importante. Sua pesquisa ganhou o grande apreço de Pasteur, que em 1887 expressou seu “grande apreço por seus raros serviços”. As propostas de Gamaleya em relação à luta contra a cólera foram excepcionalmente valiosas na Rússia pré-revolucionária, onde o baixo nível de saneamento levou a uma ampla propagação de doenças epidêmicas. Em oposição à ideia então aceita de que a cólera era transmitida exclusivamente por contato pessoal, Gamaleya argumentou que as epidemias resultavam da multiplicação colossal de bacilos da cólera em águas estagnadas. Nesse sentido, ele insistiu na máxima observância das medidas de saneamento em áreas densamente povoadas. Além disso, Gamaleya propôs que a vacinação contra o cólera fosse administrada como profilaxia. O sucesso desse arranjo levou à eliminação completa da cólera na União Soviética na década de 1920. Em 1883, Mechnikov expressou sua teoria da imunidade por fagócitos. Gamaleya voltou-se para um estudo do mecanismo de imunidade contra o antraz. Experimentos extensos e cuidadosos na preparação de vacinas e estudo microscópico de sua ação sobre os bacilos do antraz em todos os organismos permitiram a Gamaleya estabelecer a importante regularidade da relação entre a febre no organismo vacinado e a fabricação de anticorpos. O estudo da epidemiologia da peste bubônica confirmou que ela foi transferida por pulgas em roedores. Tendo explicado, em particular, o papel dos ratos cinzentos como portadores da peste, Gamaleya lançou uma campanha durante uma epidemia de peste para seu extermínio completo nas cidades. Ele também demonstrou que icterícia epidêmica, sarna e tifo também são transmitidos por ratos. Seguindo a sugestão de Gamaleya, os ratos foram aniquilados não só por veneno, mas também com a ajuda de micróbios pertencentes ao grupo dos paratifóides. As muitas investigações de Gamaleya sobre o tifo foram o resultado de muito trabalho na vigilância do saneamento público. Já em 1874, o médico GN Minkh, tendo-se inoculado com o sangue de uma pessoa que sofria de febre recorrente, provou a contagiosidade da doença e levantou a hipótese de que fosse transmitida por piolhos. Em 1908, Gamaleya confirmou essa hipótese por meio de investigações epidemiológicas. Estudando métodos de aniquilação de piolhos, ele descobriu que o único método eficaz era o tratamento com calor seco (100 ° C) dos insetos infectados, já que seu comportamento não é determinado por quimiotaxia, como se supunha, mas apenas por termotaxia. Ao estudar a tuberculose, Gamaleya descobriu vários tipos de micróbios que causam a doença. Em 1910, ele descobriu um método para o cultivo do bacilo da tuberculose em meio artificial. Ele trabalhou persistentemente na criação de imunidade à tuberculose e métodos específicos para o tratamento da doença. Gamaleya contribuiu muito para a história da virologia. Ele foi o primeiro a afirmar, já em 1886, que os vírus filtráveis são patógenos de várias doenças. O desenvolvimento subsequente da virologia confirmou essa visão brilhante. O estudo da inflamação e dos processos de destruição dos micróbios levou Gamaleya à descoberta, em 1898, de certas substâncias bacteriolíticas que destroem os micróbios. Esses agentes até então desconhecidos revelaram-se bacteriófagos, cuja presença na natureza foi confirmada por d'Hérelle. Depois de 1917, Gamaleya trabalhou com sucesso em problemas de imunologia, virologia e tuberculose. Questões de saneamento, higiene e medicina profilática continuaram a ser o centro de sua atenção. Ele foi o diretor científico do Instituto Central de Microbiologia e Epidemiologia (1929-1931), que agora leva seu nome. Em 1931, ele chefiou a organização do Instituto de Epidemiologia e Microbiologia de Yerevan. A partir de 1938, Gamaleya chefiou o departamento de microbiologia do Segundo Instituto de Medicina de Moscou. Ele serviu como organizador e presidente permanente da All-Union Society of Microbiologists, Epidemiologists e Infectionists. Das mais de 350 obras de Gamaleya, mais de 100 - principalmente obras e monografias fundamentais - foram escritas depois de 1917. Muitas foram traduzidas e publicadas em diversos idiomas. Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/gamaleya-nikolay-fyodorovich Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 *Ver microbiografia de Joseph Grancher no grupo Vacinação: Raiva. Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). André Chantemesse 1851-1919 Médico e biólogo francês vinculado ao Instituto Pasteur (1885-1897). Membro do Conselho de Administração (em 1909). Inspetor-geral dos serviços de saúde (1893-1908). Professor de patologia experimental e comparativa na Faculdade de Medicina de Paris (1897-1903). André Chantemesse foi um bacteriologista francês nascido em Le Puy-en-Velay, Haute-Loire. De 1880 a 1885 atuou como interne des hôpitaux em Paris, obtendo seu doutorado em 1884 com uma dissertação sobre meningite tuberculosa adulta intitulada Étude sur la méningite tuberculeuse de l'adulte les formes anormales en particulier. Em 1885, ele viajou para Berlim para estudar bacteriologia no laboratório de Robert Koch (1843-1910). Após seu retorno a Paris, ele tornou-se associado à obra de Louis Pasteur. Em 1886, ele iniciou uma extensa pesquisa sobre a febre tifoide. Em colaboração com Georges-Fernand Widal (1862–1929), ele estudou a etiologia da doença e, em 1888, desenvolveu uma inoculação antitifoide experimental. Também com Widal, isolou o bacilo causador da disenteria, mas os dois cientistas não conseguiram estabelecer a ligação etiológica da doença. De 1897 a 1903 foi professor de patologia comparativa e experimental em Paris, tornando-se membro da Académie de Médecine em 1901. Em 1904 tornou-se membro do conselho editorial dos Annales de l'Institut Pasteur. Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). André Chantemesse foi enviado por Pasteur para junto do sultão Abdül-Hamid II para estudar as causas das epidemias de cólera e sugeriu fundar um laboratório de microbiologia na Turquia (Debré, 1995, p. 540). Ref. https://data.bnf.fr/en/12011714/andre_chantemesse/ Ref. https://mahlerfoundation.org/mahler/contemporaries/andre-chantemesse/ Mais informações: https://www.laposte.fr/toutsurletimbre/connaissance-du-timbre/dicotimbre/timbres/andre-chantemesse-2229 Mais informações: https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/WS/HOME_MENU/node/95/slug/typhoid-fever/nobc/1/page/1 Albert-Léon-Charles Calmette 1863-1933 Médico bacteriologista francês. Fundador do Instituto Pasteur de Lille. Professor Catedrático de Bacteriologia e Higiene da Faculdade de Lille. Vice-diretor do Instituto Pasteur de Paris (1917-1933). Desenvolveu a vacina BCG, em colaboração com Camille Guérin (1921). Membro da Academia Francesa de Ciências. Albert Calmette ficou mais conhecido por estabelecer a cepa viva atenuada do bacilo da tuberculose que foi usada como vacina contra a tuberculose. O Bacillus Calmette-Guérin (BCG) foi originalmente produzido por Calmette e Camille Guérin em 1906. Desde a década de 1920, o BCG é utilizado como vacina contra a tuberculose em crianças. Calmette também conduziu estudos de venenos, imunizou animais para criar soros terapêuticos e investigou vacinas para a peste bubônica e purificação de água. Calmette entra para o laboratório de Émile Roux em 1890. Ele era médico da marinha. Apaixonado pela microbiologia, levava consigo um microscópio em todas as campanhas e andava atrás de micróbios em várias partes. Mostra seu trabalho a Roux que logo fica impressionado. Trabalha por um tempo em Paris. Pasteur, para aproveitar a sua experiência na Indochina, o envia para fundar em Saigon um laboratório de preparação de vacinas antivariólicas e anti-rábicas, que será o Instituto Pasteur de Saigon (Debré, 1995, p. 537). Pouco antes de morrer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. Nesta época, Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose (Debré, 1995, p. 538, 522, 531). Ref. https://data.bnf.fr/en/12360554/albert_calmette/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Albert-Calmette Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/leon-charles-albert-calmette Alexandre-Émile-John Yersin 1863-1943 Médico bacteriologista suíço. Descobridor do bacilo da peste (Yersinia pestis) em 1894. Doutor em medicina (Paris, 1888). Grande Oficial da Legião de Honra (1939). Alexandre Yersin recebeu sua educação secundária em Lausanne antes de entrar na Academia; posteriormente frequentou a Universidade de Marburg e a Faculdade de Medicina de Paris. Tendo se cortado durante a autópsia de um paciente que morrera de raiva, Yersin imediatamente contatou Émile Roux, um dos colaboradores mais brilhantes de Pasteur, que lhe deu uma injeção de um novo soro terapêutico que salvou sua vida. Este incidente colocou Yersin em contato próximo com Roux, que o contratou como seu assistente em 1888 e com quem conduziu pesquisas sobre raiva. Ele então trabalhou com Robert Koch, em Berlim, colaborando com o famoso microbiologista em sua pesquisa sobre o bacilo da tuberculose. Ao retornar a Paris, Yersin iniciou sua própria pesquisa com Roux, no Instituto Pasteur, sobre as propriedades tóxicas do bacilo da difteria. Em 1889, entretanto, ele embarcou repentinamente como médico de navio em um vapor com destino a Saigon e Manila. Ele voltou para Paris e partiu novamente para a Indochina; e durante três expedições perigosas ao interior, ele descobriu o planalto de Langbiang, onde fundou uma pequena aldeia colonial. A área logo se tornou um centro de férias para europeus, e a cidade de Dalat foi desenvolvida ali. Em 1935, as autoridades municipais estabeleceram o Liceu Yersin em Dalat. Em 1894, Yersin tornou-se oficial médico do serviço colonial francês e fez pesquisas sobre a epidemia de peste bubônica que assolava a China, a fim de determinar as medidas que deveriam ser tomadas para evitar sua propagação à Indochina. Em um pequeno laboratório de pesquisa bacteriológica, criado para ele em Hong Kong, ele descobriu a bactéria da peste, praticamente ao mesmo tempo que Kitasato o fez de forma independente; e depois de muito trabalho, isolou um soro eficaz. Em 1904, ele foi chamado de volta a Paris e continuou suas pesquisas no Instituto Pasteur, do qual Roux havia se tornado diretor. Com Albert Calmette e Amédée Borrel, ele fez a importante observação de que certos animais podem ser imunizados contra a peste por meio da injeção de bactérias mortas da peste. Ele então retornou a Nha Trang, onde uma filial do Instituto Pasteur havia sido estabelecida sob sua direção. Lá, em modestos laboratórios, Yersin aperfeiçoou um soro anti-praga que tornou possível reduzir a taxa de mortalidade de 90% para cerca de 7%. Com a ajuda de Paul Doumer, então governador-geral da Indochina, uma escola de medicina foi fundada em Hanói; Yersin dirigiu este centro de estudo e pesquisa por muitos anos. Por meio do trabalho de Yersin, a Indochina conseguiu controlar as epidemias que assolam o país, especialmente a malária. Em homenagem às suas conquistas médicas, o governo francês nomeou Yersin como diretor honorário do Instituto Pasteur. Além de sua atividade científica e médica na Indochina, Yersin conduziu pesquisas na área de agronomia. Seu interesse pelo cultivo de grãos e pelas condições do solo o levou a iniciar uma série de estudos ecológicos. Também refletiu sobre a história natural da Indochina, tendo-se fascinado pela flora e fauna de seu país de adoção. Yersin ficou profundamente preocupado com as necessidades dos doentes e dos pobres e lutou muito contra a exploração das classes mais baixas. Durante o curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva. No local, durante uma necropsia, encontra Roux e eles se entendem profundamente. Em 1886, Yersin passa todas as tardes no laboratório na Rua Ulm onde assiste Roux nas preparações e se torna o estagiário pessoal de Roux. Pasteur o encarrega de fazer os curativos nos doentes. Desde a criação do Instituto Pasteur, ele vai participar, aos 25 anos, dos primeiros trabalhos sobre a toxina diftérica (Debré, p. 538, 522, 531). No idioma português, a biografia de Alexandre Yersin pode ser lida na obra "Peste e Cólera" de Patrick Deville, Editora 34, 2017. Ref. https://data.bnf.fr/en/12366805/alexandre_yersin/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/yersin-alexandre Charles Robert Richet 1850-1935 Fisiologista francês. Membro da Academia de Ciências. Professor de fisiologia na Faculdade de Medicina de Paris (1887-1925). Prêmio Nobel de Medicina em 1913. Fundador da Metapsíquica. Charles Richet nasceu em 26 de agosto de 1850, em Paris. Ele era filho de Alfred Richet, Professor de Cirurgia Clínica na Faculdade de Medicina de Paris, e de sua esposa Eugenie, nascida Renouard. Ele estudou em Paris, tornando-se Doutor em Medicina em 1869, Doutor em Ciências em 1878 e Professor de Fisiologia a partir de 1887 na Faculdade de Medicina de Paris. Durante 24 anos (1878-1902) foi Editor da Revue Scientifique , e a partir de 1917 foi co-editor do Journal de Physiologie et de Pathologie Générale . Ele publicou artigos sobre fisiologia, química fisiológica, patologia experimental, psicologia normal e patológica e numerosas pesquisas feitas no laboratório fisiológico da Faculdade de Medicina de Paris, onde tentou estudar fatos normais e patológicos juntos. Em fisiologia, ele trabalhou o mecanismo de termorregulação em animais homoiotérmicos. Antes de suas pesquisas (1885-1895) sobre polipneia e tremores devido à temperatura, pouco se sabia sobre os métodos pelos quais animais privados de transpiração cutânea podem se proteger do superaquecimento e como os animais gelados podem se aquecer novamente. Em terapêutica experimental, Richet mostrou que o sangue de animais vacinados contra uma infecção protege contra essa infecção (novembro de 1888). Aplicando esse princípio à tuberculose, ele aplicou a primeira injeção soroterapêutica no homem (6 de dezembro de 1890). Em 1900, Charles Richet mostrou que alimentar com leite e carne crua (zomoterapia) pode curar cães tuberculosos. Em 1901, ele estabeleceu que, ao diminuir o cloreto de sódio nos alimentos, o brometo de potássio se torna tão eficaz no tratamento da epilepsia que a dose terapêutica cai de 10 g para 2 g. Em 1913, ele recebeu o Prêmio Nobel por suas pesquisas sobre anafilaxia. Ele inventou essa palavra para designar a sensibilidade desenvolvida por um organismo após ter recebido uma injeção parenteral de um coloide, substância proteica ou toxina (1902). Mais tarde, ele demonstrou os fatos de anafilaxia passiva e anafilaxia in vitro . As aplicações da anafilaxia na medicina são extremamente numerosas. Já em 1913, mais de 4000 memórias foram publicadas sobre esta questão e ela desempenha um papel importante hoje em dia na patologia. Ele mostrou que de fato a injeção parenteral de substância proteica modifica profunda e permanentemente a constituição química dos fluidos corporais. A maioria dos trabalhos fisiológicos de Charles Richet espalhados em várias revistas científicas foram publicados noTravaux du Laboratoire de la Faculté de Médecine de Paris (Alcan, Paris, 6 vols. 1890-1911) (Trabalhos do Laboratório de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Paris). Entre suas outras obras estão: Suc Gastrique chez l'Homme et chez les Animaux , 1878 (Suco gástrico no homem e nos animais); Leçons sur les Muscles et les Nerfs , 1881 (Palestras sobre os músculos e nervos); Leçons sur la Chaleur Animale , 1884 (Palestras sobre o calor animal); Essai de Psychologie Générale , 1884 (Ensaio sobre psicologia geral); Souvenirs d'un Physiologiste , 1933 (Memórias de um fisiologista). Ele também foi o editor do Dictionnaire de Physiologie , 1895-1912 (Dicionário de Fisiologia), do qual apareceram 9 volumes. Entre suas recreações estava o interesse pelo espiritualismo e a escrita de algumas obras dramáticas. Em 1877, Charles Richet casou-se com Amélie Aubry. Tiveram cinco filhos, Georges, Jacques, Charles (que, como seu pai, foi professor na Faculdade de Medicina de Paris e foi, por sua vez, sucedido por seu filho Gabriel), Albert e Alfred, e duas filhas, Louise ( Mme Lesné) e Adèle (Mme le Ber). Ele morreu em Paris em 4 de dezembro de 1935. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva (Debré, 1995, p. 538). Largamente conhecido pela fundação da Metapsíquica e grandes contribuições à Medicina, Charles Richet (1850-1935) foi colaborador próximo de Louis Pasteur, mesmo antes da fundação do Instituto em 1888. Richet escreveu uma biografia sobre Pasteur, cujo título em tradução livre é: "A Obra de Pasteur: lições professadas na Faculdade de Medicina de Paris", a qual pode ser consultada gratuitamente. Destaca-se o último parágrafo desta obra, em que Richet, na página 118, direciona sua fala aos jovens: "Meditem, jovens, nesta bela vida de trabalho perseverante e tenaz, e compreendam que o que faz o cientista não é apenas sua inteligência, seu trabalho, seu saber. Você ainda precisa de fé, ardor, entusiasmo. Ninguém mais que Pasteur era apaixonado pela ciência, e é porque ele fertilizou seu poderoso gênio com entusiasmo perpétuo que ele foi o maior benfeitor da humanidade". Ademais, Richet publicou uma poesia intitulada "La Gloire de Pasteur", tendo recebido prêmio de poesia pela Academia Francesa. Ref. https://data.bnf.fr/en/11921904/charles_richet/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1913/richet/biographical/ Mais informações: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6564248t.texteImage Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/charles-robert-richet Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Charles-Richet Paul Gibier 1872-1961 *Ver microbiografia de Paul Gibier no grupo Parapsiquismo. Médico francês. Diretor do Laboratório de Patologia Experimental e Comparada do Museu de História Natural de Paris. Ex-interno dos Hospitais de Paris, condecorado pela Faculdade de Medicina de Paris pela apresentação de tese sobre a raiva, incumbido pelo governo francês de estudar na França e no Exterior várias epidemias de "cólera-morbo" e de febre amarela. Diretor do Instituto Bacteriológico (Instituto Pasteur) de Nova Iorque, membro da Academia de Ciências de Nova Iorque, membro da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, Cavaleiro da Legião de Honra (Gibier, 2001, p. 7). Jean-Marie Camille Guérin 1872-1961 Veterinário e biólogo francês. Descobridor da vacina BCG (Bacille Calmette-Guérin). Chefe de departamento no Instituto Pasteur em Lille, em seguida, em Paris. Membro (eleito em 1935), depois presidente (em 1951), da Academia Nacional de Medicina. Membro (1936), então presidente da Academia Veterinária da França. Vice-presidente da Sociedade de Patologia Comparada e do Comitê Nacional de Defesa da Tuberculose. Veterinário francês que desenvolveu o bacilo Calmette-Guérin, ou BCG, em associação com Albert Calmette no Instituto Pasteur de Lille. O BCG foi amplamente utilizado como vacina para prevenir a tuberculose infantil. Guérin e Calmette passaram 13 anos desenvolvendo uma cepa fraca da bactéria da tuberculose bovina. Na década de 1920, convencidos de que o BCG era inofensivo para os humanos, mas poderia induzir imunidade ao bacilo da tuberculose, eles começaram uma série de inoculações experimentais em bebês recém-nascidos no Hospital Charité, em Paris. Pouco antes de falecer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. É neste momento que Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG (Debré, 1995, p. 537-538). Ref. https://data.bnf.fr/en/12936575/camille_guerin/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/camille-guerin Félix Le Dantec 1869-1917 Biólogo francês. Professor da Faculdade de Ciências de Paris (em 1899). Le Dantec, cujo pai era um médico naval e amigo de Ernest Renan, foi excepcionalmente precoce. Ele teve um desempenho brilhante no exame de admissão para a École Normale Supérieure; durante sua estada lá, ele foi influenciado por C. Hermite e J. Tannery, que cultivou sua inclinação para a matemática. De repente atraído pelas ciências naturais, ele conheceu A. Giard, que, por meio de seu senso crítico implacável, libertou Le Dantec da rigidez intelectual. Pasteur nomeou-o assistente de laboratório no Instituto Pasteur em 1888, e o enviou primeiro para o Laos e depois para o Brasil, onde fundou um laboratório para o estudo da febre amarela . Le Dantec então deu rédea solta aos amplos interesses de uma mente insaciavelmente curiosa. Em 1891, ele defendeu uma tese de doutorado sobre a digestão intracelular em protozoários, seguida de inúmeras pesquisas científicas e brilho de seu intelecto. Embora ateu, Le Dantec sempre esteve aberto à discussão religiosa. Ele foi professor titular na Universidade de Lyon em 1893, professor assistente em 1899 e professor titular de biologia geral na Sorbonne em 1908. Os dons de Le Dantec para generalização traziam a marca de seu treinamento matemático. Seu trabalho biológico começou com um estudo de bactérias. Ele sustentava que sua atividade fisiológica podia ser interpretada nos termos simbólicos de uma equação química e que a vida elementar era explicável pela existência de uma substância específica que só era transmitida por hereditariedade. Assim, ele procurou reconstruir a biologia de acordo com a linguagem precisa da química, eliminando qualquer antropomorfismo. Sua lógica o levou aos princípios lamarckianos de adaptação e à herança de características adquiridas , que eram a base de sua lei de assimilação funcional. Para Le Dantec, o protoplasma cresce com a vida; a vida e o crescimento são um fenômeno único. A estase produz erosão, destruição e morte. Partindo dessa concepção, ele explicou a lei da seleção natural e considerou questões psicológicas e sociais. A consciência, acreditava ele, não existe: os homens são fantoches, sujeitos apenas às leis da mecânica. A obra de Le Dantec sobrevive apenas por seus lampejos de percepção e clareza. Embora tenha construído um sistema precário baseado em fatos obtidos em segunda mão, seus ataques vigorosos ao antropomorfismo, sua paixão pela verdade, seu caráter nobre e sua veneração pela ciência explicam que ele foi descrito como um santo secular. --------- O primeiro diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo foi Félix Alex Le Dantec, na época com 23 anos, já renomado bacteriologista francês indicado pelo próprio Pasteur para presidir a instituição. Entretanto, sua permanência no Brasil foi bastante curta, de apenas quatro meses (Teixeira, 1995, p. 42). Segundo Lima e Marchand (2005, p. 32), na ata do Conselho de Administração do Instituto Pasteur, datada de 22 de fevereiro de 1893, lê-se "O Sr. Pasteur comunica ao Conselho as mudanças efetuadas no quadro de pessoal do Instituto. O Sr. Le Dantec viajou para fundar uma instituição bacteriológica no Brasil; o Sr. Yersin, para explorar o reino de Sião. Os Srs. Loir, Calmette, Haffkine foram dirigir laboratórios em Sydney, Saigon e Calcutá". Na Revista do Instituto Adolfo Lutz de 1954, Fernando Cerqueira Lemos escreve: "Le Dantec, 'hábil e ilustre professor', chegou a São Paulo no mesmo ano da criação do nóvel Laboratório, ou melhor, no dia 15 de dezembro, tomando posse de sua direção, no mesmo mês. ("O Estado de São Paulo", de 15-12-1892).O professor Le Dantec, autor de várias obras científicas de importância sôbre o parasitismo intracelular e protozoários, muitas das quais feitas na Ásia, onde esteve comissionado, montou o Laboratório e iniciou suas atividades. Estudou diversos casos de febre amarela e preparou meios de cultura indispensáveis aos estudos bacteriológicos". Nesta mesma Revista, em 1955, Augusto de E. Taunay registra:"Quando, em 1893, Le Dantec, primeiro diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo teve de voltar à França, recomendou ao governo do Estado que nomeasse para seu sucessor Adolfo Lutz, então seu assistente". Ref. https://data.bnf.fr/en/12174264/felix_le_dantec/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/le-dantec-felix Mais informações: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/RIAL/article/view/33259 Mais informações: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/RIAL/article/view/33274 Charles Jules Henri Nicolle 1866-1936 Médico bacteriologista e filósofo francês. Foi diretor do Instituto Pasteur de Tunis (1903-1936), professor de medicina no Collège de France (1932). Prêmio Nobel de Medicina (1928). Charles Nicolle nasceu em Rouen em 21 de setembro de 1866, onde seu pai, Eugène Nicolle, era médico em um hospital local. Charles recebeu, junto com seus irmãos, aulas precoces em biologia de seu pai e, após a educação no Lycée Corneille de Rouen, ele ingressou na escola de medicina local, onde estudou por três anos antes de seguir seu irmão mais velho, Maurice, que estava trabalhando em Hospitais de Paris. (Maurice mais tarde se tornou Diretor do Instituto Bacteriológico de Constantinopla e professor do Instituto Pasteur, Paris.) Enquanto isso, Charles estudou com A. Gombault na Faculdade de Medicina e com Roux no Instituto Pasteur (servindo ao mesmo tempo como demonstrador no curso de microbiologia) para concluir a tese “Recherches sur la chancre mou” (Pesquisas sobre o cancro mole), que lhe rendeu o MD Licenciado em 1893. Regressou a Rouen para se tornar membro da Faculdade de Medicina e em 1896 foi nomeado Diretor do Laboratório de Bacteriologia. Ele continuou nesta posição até 1903, quando foi nomeado Diretor do Instituto Pasteur de Túnis, cargo que ocupou até sua morte em 1936. No início de sua carreira, Nicolle trabalhou com câncer e, em Rouen, investigou a preparação de anti-soro contra difteria. No Norte da África, sob sua influência, o Instituto de Túnis rapidamente se tornou um centro mundialmente famoso de pesquisa bacteriológica e para a produção de vacinas e soros para combater a maioria das doenças infecciosas prevalentes. Sua descoberta em 1909 de que a febre do tifo é transmitida pelo piolho do corpo ajudou a fazer uma distinção clara entre o tifo epidêmico clássico ligado ao piolho e o tifo murino, que é transmitido ao homem pela pulga do rato. Ele também fez contribuições inestimáveis para o conhecimento atual da febre de Malta, onde introduziu a vacinação preventiva; febre do carrapato, onde descobriu os meios de transmissão; escarlatina, por reprodução experimental com estreptococos; peste bovina, sarampo, gripe, por seu trabalho sobre a natureza do vírus; tuberculose e tracoma. Ele foi responsável pela introdução de muitas novas técnicas e inovações em bacteriologia. Nicolle foi uma das primeiras a reconhecer as propriedades protetoras do soro de convalescença contra o tifo e o sarampo; e conseguiu cultivar Leishmania donovani e Leishmania tropica em meios de cultura artificiais. Sua descoberta do mecanismo de transmissão da febre tifóide criou a base para os cuidados preventivos contra essa doença, durante as Guerras de 1914-1918 e 1939-1945. e conseguiu cultivar Leishmania donovani e Leishmania tropica em meios de cultura artificiais. Sua descoberta do mecanismo de transmissão da febre tifóide criou a base para os cuidados preventivos contra essa doença, durante as Guerras de 1914-1918 e 1939-1945. e conseguiu cultivar Leishmania donovani e Leishmania tropica em meios de cultura artificiais. Sua descoberta do mecanismo de transmissão da febre tifoide criou a base para os cuidados preventivos contra essa doença, durante as Guerras de 1914-1918 e 1939-1945. Nicolle escreveu vários livros importantes, incluindo Le Destin des Maladies infectieuses ; La Nature, concepção et moral biologiques ; Responsabilités de la Médecine e La Destinée humaine. Nicolle era associado da l'Academie de Médecine e recebeu o Prix Montyon em 1909, 1912 e 1914; o Prix Osiris em 1927, e uma medalha de ouro especial para comemorar seu Jubileu de Prata em Tunis em 1928. Nesta ocasião, ele também foi nomeado membro da Académie des Sciences de Paris. Em 1932, foi eleito Professor do Colégio da França. Charles Nicolle também gozava de considerável reputação como filósofo e escritor de histórias fantásticas, como Le Pâtissier de Bellone , Les deux Larrons e Les Contes de Marmouse . Ele foi dito por Jean Rostand ser “um poeta e realista, um homem de sonhos e um homem de verdade”. Nicolle se casou com Alice Avice em 1895; desse casamento nasceram dois filhos, Marcelle (n. 1896) e Pierre (n. 1898). Ele morreu em 28 de fevereiro de 1936. Charles Nicolle teve pouco tempo de conhecer Pasteur antes de sua morte. Ele trabalhou como estagiário ao lado de Élie Metchnihov e também ajuda Roux. Ele sofria de uma pequena surdez. O irmão mais velho de Charles, Maurice Nicolle, foi enviado por Roux para fundar o Instituto Pasteur em Constantinopla. Charles é solicitado a dirigir o Instituto Pasteur de Túnis, criado em 1893 por Adrien Loir, em sua volta da Austrália. Em Túnis estabelece que a leishmaniose é transmitida pelo piolho, além de identificar também este piolho como o vetor do tifo (Debré, 1995, p. 540-541). Ref. https://data.bnf.fr/en/12515901/charles_nicolle/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1928/nicolle/biographical/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/charles-jules-henri-nicolle Jules Jean Baptiste Vincent Bordet 1870-1961 Médico e bacteriologista belga. Doutor em medicina (1892). Isola o bacilo da coqueluche (em 1906). Titular da cadeira de bacteriologia da Université Libre de Bruxelles (1907-1935). Diretor do Instituto Pasteur de Brabante, Bruxelas (1901-1940). Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina (1919). Jules Bordet nasceu em Soignies, Bélgica, em 13 de junho de 1870. Foi educado em Bruxelas, onde se graduou como Doutor em Medicina em 1892. Em 1894 foi para Paris trabalhar no Instituto Pasteur até 1901, quando retornou à Bélgica para fundou o Instituto Pasteur, em Bruxelas. É Diretor do Instituto Belga desde o seu início (honorário desde 1940) e Professor de Bacteriologia da Universidade de Bruxelas desde 1907 (honorário desde 1935). Os primeiros estudos de Bordet mostraram que os soros antimicrobianos incluem duas substâncias ativas, uma existente antes da imunização, conhecida como alexina, e a outra um anticorpo específico criado pela vacinação: ele desenvolveu um método de diagnóstico de micróbios por soros. Em 1898, ele descobriu os soros hemolíticos e mostrou que o mecanismo de sua ação sobre o sangue estranho é semelhante àquele pelo qual um soro antimicrobiano atua sobre os micróbios e, além disso, que as reações dos soros são de natureza coloidal. Ele tem contribuído muito para a compreensão da formação da coagulina e também dos venenos anafiláticos. Junto com Gengou (em 1906), ele cultivou B. pertussise lançou as bases da opinião geralmente aceita de que este organismo é a causa bacteriana da tosse convulsa. Além de ser uma autoridade mundial reconhecida em muitos ramos da bacteriologia, Bordet era considerado um grande expoente e trabalhador da imunologia. Ele foi o autor de Traité de l'Immunité dans les Maladies Infectieuses (2ª ed., 1939) (Tratado sobre a imunidade em doenças infecciosas) e de um grande número de publicações médicas. Bordet foi membro permanente do Conselho Administrativo da Universidade de Bruxelas, foi Presidente do Primeiro Congresso Internacional de Microbiologia (Paris, 1930) e Ex-Presidente do Primeiro Conselho de Higiene da Bélgica, o Conselho Científico do Instituto Pasteur de Paris e a Academia Belga de Medicina. Ele era doutor, honoris causa, das Universidades de Cambridge, Paris, Estrasburgo, Toulouse, Edimburgo, Nancy, Caen, Montpellier, Cairo, Atenas e Quebec. Ele foi membro da Academia Real da Bélgica, da Royal Society (Londres), da Royal Society de Edimburgo, da Academy of Medicine (Paris), da National Academy of Sciences (EUA) e de muitas outras academias e sociedades. Bordet ganhou muitos prêmios durante sua carreira, incluindo o Grande Cordon de l'Ordre de la Couronne de Belgique (1930), o Grande Cordon de l'Ordre de Léopold (1937), o Grand Croix de la Légion d'Honneur (1938) e honras públicas da Romênia, Suécia e Luxemburgo. Em 1899, Bordet casou-se com Marthe Levoz. Eles tiveram um filho, Paul, que sucedeu seu pai como Chefe do Instituto Pasteur em Bruxelas e também como Professor de Bacteriologia, e duas filhas. Jules Bordet morreu em 6 de abril de 1961. Jules Bordet é o último dos grandes pasteurianos desta geração, talvez o menos conhecido do público. Entra no Instituto Pasteur em 1894 e trabalha com Metchnikov. Descobre os anticorpos, os antígenos, e inventa os princípios do sorodiagnóstico das afecções microbianas. Em 1901, quando regressa ao seu país, a Bélgica, pede e obtém de Marie Pasteur, depositária do Instituto Pasteur, o direito de batizar o nome de seu laboratório de Instituto Pasteur de Brabante. Em Bruxelas descobre o bacilo da coqueluche e estuda a coagulação do sangue. Em 1919, ao ganhar o Prêmio Nobel de Medicina, homenageia Pasteur (Debré, 1995, p. 541-543). Ref. https://data.bnf.fr/en/12347861/jules_bordet/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1919/bordet/biographical/ Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/institut-pasteur/history/jules-bordet-1870-1961 Émile Marchoux 1862-1943 Médico e biólogo francês. Doutor em medicina (Paris, 1887). Chefe do Departamento de Microbiologia Tropical, Instituto Pasteur, Paris. Fundador e presidente da Société de pathologie exotique. Membro da Academia Nacional de Medicina. Émile Marchoux nasceu em Saint-Amand-de-Boixe, Charente, França, a 24 de março de 1862. Depois de estudar em Angoulême, estudou medicina em Paris e em 1887 escreveu a sua tese sobre a história da febre tifoide nas tropas marítimas. Após a universidade, ele embarcou na carreira de médico do exército em Daomé e na Indochina. Entre 1893 e 1905, fez curso no Instituto Pasteur, dirigiu o laboratório em Saint-Louis, no Senegal e contribuiu com a missão de estudos da febre amarela no Brasil. Em 1905 deixou o exército para assumir um posto permanente no Instituto Pasteur, como chefe do Serviço de Microbiologia Tropical. Durante esse tempo, ele liderou importantes pesquisas sobre hanseníase e malária. Ele se tornou um campeão da profilaxia anti-hansênica e a maior parte de seu trabalho científico foi feito sobre a hanseníase. Ele fez um estudo detalhado da hanseníase em ratos e relatou hanseníase "inaparente" no rato, infecção sendo comprovada pela presença de bacilos álcool-ácido resistentes nas glândulas linfáticas. Ele descreveu um caso de hanseníase humana em que apresentou evidências que sugeriam ser atribuível à inoculação subcutânea acidental de material contendo o bacilo de Stefansky. Foi cofundador da Société de Pathologie Exotique (SPE) em 1908, da qual foi posteriormente presidente, de 1928 a 1932. Em 1923, foi presidente do Congresso Internacional da Hanseníase, após o que foi eleito o segundo presidente da Associação Internacional da Hanseníase (ILA), e em 1931 fundou o Institut Central de la Lèpre em Bamako, com F Sorel. Ele foi presidente do Primeiro Congresso Internacional de Higiene do Mediterrâneo em 1932 e em 1934 tornou-se Secretário Geral da Fundação Roux. Ele também foi membro da Academia Francesa de Medicina e Grande Oficial da Legião de Honra. Ele morreu em 19 de agosto de 1943. Marchoux fundou o Instituto Pasteur do Senegal (Debré, 1995, p. 543). Ref. https://data.bnf.fr/en/11184293/emile_marchoux/ Ref. https://leprosyhistory.org/database/person59 Jean Marie Marcel Mérieux 1870-1937 Bioquímico francês. Marcel Mérieux, aluno de Émile Roux, criou sua própria empresa em Lyon, no ano de 1897 (Debré, 1995, p. 543). Em 1897, Marcel Mérieux, que foi aluno de Louis Pasteur, fundou um laboratório de análises em Lyon, que posteriormente se tornaria no Instituto Mérieux. Em 1937, seu filho, Dr. Charles Mérieux, assumiu a direção do laboratório de seu pai. Na década de 1940, introduziu uma técnica desenvolvida pelo professor holandês Frenkel - cultura in vitro - que revolucionou a produção de vacinas e foi pioneiro na produção de reagentes para testes de diagnóstico in vitro. Em 1963, Alain Mérieux, neto de Marcel, fundou a bioMérieux, uma empresa de diagnóstico. Hoje faz parte do Instituto Mérieux, empresas de diagnósticos, imunoterapia, saúde alimentar e nutrição. Ref. https://www.biomerieux.com.br/sobre-nos/biomerieux-no-mundo/nossa-historia Ref. https://data.bnf.fr/en/11875957/fondation_merieux/ Mais informações: https://www.fondation-merieux.org/en/who-we-are/history/ Mais informações: https://www.youtube.com/watch?v=kM7SG3rlosU Charles Louis Alphonse Laveran 1845-1922 Médico militar francês. Descobriu o hematozoário responsável pela malária (1880). Prêmio Nobel de Medicina (1907). Membro da Academia de Medicina, seção de terapêutica e da Academia de Ciências. Alphonse Laveran foi o pioneiro da parasitologia no Instituto Pasteur com Félix Mesnil. Antes de ingressar no Instituto Pasteur, ele descobriu o que pensava ser o agente da malária, um protozoário que infectava as células vermelhas do sangue de seu hospedeiro. Isso foi no hospital Constantine em 1880. De 1880 a 1882, ele descreveu os protozoários em várias publicações. Em 1889, Alphonse Laveran participou de palestras de microbiologia no Instituto Pasteur e cinco anos depois começou a trabalhar como cientista voluntário. De 1900 a 1903, ele investigou a conexão potencial entre os mosquitos Anopheles e a malária. Ele viajou para a Córsega e a Camargue para estudar os mosquitos. Aqui ele também examinou mosquitos que recebeu de todo o mundo. Ele acreditava que poderia haver uma ligação entre esses mosquitos e a propagação da malária. Em 1900, Laveran e Mesnil estudaram os tripanossomos, os agentes causadores de várias epizootias e doenças humanas, como a doença do sono. Quatro anos depois publicaram um tratado sobre o assunto, concluído posteriormente em 1912. Em 1903, os cientistas mostraram que o parasita causador de Kala-azar, uma febre disseminada na Índia anteriormente identificada por Sir William Boog Leishman, era um novo protozoário, diferente dos tripanossomas e hematozoários que causam a malária. Eles o chamaram de Piroplasma donovani depois de Charles Donovan, que também estava trabalhando com leishmaniose. Ronald Ross criou o gênero Leishmania para o parasita que mais tarde foi denominado Leishmania donovani. O trabalho de Alphonse Laveran foi recebido com ceticismo de vários colegas cientistas. A importância de seu trabalho foi reconhecida, no entanto, e em 1907 ele foi agraciado com o Prêmio Nobel "por seu trabalho sobre o papel dos protozoários em causar doenças". Ele deixou quase toda a receita de seu prêmio para o Instituto Pasteur para o desenvolvimento de instalações dedicadas à parasitologia. Ref. https://data.bnf.fr/en/12511339/alphonse_laveran/ Ref. https://www.pasteur.fr/en/institut-pasteur/history/alphonse-laveran-1845-1922 Mais informações: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1907/laveran/biographical/ Próximo Grupo

  • Beneméritos | Pasteur Brasil

    Beneméritos Louis Pasteur teve seu pai como primeiro preceptor. O primeiro dicionário da família “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia” foi publicado por Rolland e Rivoire em 1803. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho. O pai de Louis tinha poucos amigos, mas eruditos, a exemplo de professores e o médico de Arbois, Dr. Dumont. Aos 9 anos, L. Pasteur é admitido no Collège d´Arbois (atualmente Lycée Pasteur). Seu primeiro mestre foi o jovem Etienne Renaud, apegado aos alunos e contador de seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, ao receber homenagens e prêmios, Pasteur sempre reconhecerá este primevo professor. Emmanuel Bousson de Mairet (1796-1871), literato e filósofo, foi o amigo que ajudou a família Pasteur a se instalar em Arbois. Este erudito local escreveu pelo menos 30 textos, dentre os quais, a história dos habitantes de Arbois, a batalha de Alésia de Júlio César, e uma tragédia sobre Joana d´Arc. Mairet foi professor no Collège d´Arbois, mas, acometido pela surdez, precisou se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis, ajudando-o a progredir consideravelmente nos estudos, inclusive em retórica, onde Pasteur amealha vários prêmios. No entanto, quem terá influência decisiva nos futuros estudos de Pasteur será o Sr. Romanet, diretor do Collège d´Arbois. Ele ajuda a desenvolver no jovem aluno a circunspecção e a motivação pelos estudos. Pasteur o admira e, ainda criança, o escuta enaltecer os benefícios da educação, descrevendo a instituição que seria digna às suas capacidades: a École Normale Supérieure em Paris. A proposta prática para viabilizar a ida do jovem a Paris provém do capitão Barbier. Este amigo do pai de Pasteur, proveniente de Arbois, é Oficial da Guarda Municipal de Paris, e é quem fala de uma instituição no Quartier Latin, onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Etienne Renaud foi o 1º professor em Arbois (escola primária). É um jovem e ardente professor que se apega aos alunos e sabe como diverti-los. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este professor que lhe deu suas primeiras aulas. Romanet era Diretor do Collège d´Arbois. Teve influência decisiva na carreira de Pasteur. Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê na criança Pasteur: a École Normale. O primeiro dicionário da família de Pasteur, “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia”, foi publicado por Rolland e Rivoire em 1803. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho, Louis Pasteur. Emmanuel Bousson de Mairet (1796-1871). Homem de letras e filósofo, amigo do pai de Louis. É autor de pelo menos 30 textos: história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a ele que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios. Barbet, dono do internato em Paris onde Pasteur vai aos 15 anos com Jules Vercel, e aos 17 com Chappuis se preparar para o concurso da École Normale. Barbet cortou pela metade as mensalidades dos jovens. Aconselhou-os e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de taxas. Lições elementares a Louis Pasteur na infância. Placa Rue du Collège Pasteur em Arbois. Lycée Pasteur. Placa em frente ao Collège Pasteur, onde o cientista estudou de 1831 a 1838. Vista interior do Collège Pasteur. Concours publics em 1832. Livro de Louis Pasteur sobre a história dos imperadores. Busto de Pasteur em praça de Arbois. Continue lendo a biografia

  • Arbois | Pasteur Brasil

    Arbois Arbois é a cidade onde Louis Pasteur passa a infância e juventude. Igualmente a Dole, a casa da família abre-se diretamente para o rio, onde no subsolo há fossas redondas para o curtimento de peles, ofício de seu pai. Anos antes, seu pai, Jean-Joseph Pasteur (1791-1865) havia sido convocado para a Guerra da Espanha (1812-1813), na qual foi nomeado sargento-mor e recebeu a cruz de Cavalheiro da Legião de Honra pelo imperador Napoleão Bonaparte (1769-1821). De personalidade reservada, o pai de Louis zelava pela educação do filho, tornando-se seu professor particular. Sua presença foi marcante durante toda a vida do cientista, fornecendo-lhe conselhos, ensinando sobre honra, justiça e dever. Jeanne-Etienette Roqui (1793-1848), mãe de L. Pasteur, tinha características contrastantes e complementares ao marido, mostrando-se entusiasta e imaginativa. Na pequena cidade de Arbois, às margens do Rio Cuisance, Louis Pasteur passou os primeiros anos de sua vida, sem nada chamar a atenção, exceto seus desenhos e pastéis que revelavam um poderoso dom da observação e uma rara preocupação com a precisão ( Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Pinturas de ambos os pais foram realizadas por Louis Pasteur na juventude. Aos 13 anos, retratou sua mãe, em sua primeira obra em pastel. Aos 19 anos, sua última pintura é de seu pai. O irmão mais velho de L. Pasteur, Jean-Denis, faleceu nos primeiros meses de vida. A irmã mais velha, Jeanne-Antoine (apelidada de Virginie), casa-se com o primo Gustave Vichot. Futuramente, o casal sucede a Jean-Joseph no curtume em Arbois. As duas irmãs mais novas do cientista, Joséphine e Émilie, falecem jovens, aos 25 e 26 anos. A primeira, de doença pulmonar, e a segunda, após sequelas de uma encefalite adquirida aos 3 anos de idade, que progrediu para uma deficiência mental. Bastante jovem, L. Pasteur tomou consciência de ser o único “macho da ninhada”. Em suas cartas, pode-se ler todos os tipos de conselhos e atenções às irmãs. Da casa em Arbois, Louis partiu com o coração pesado, numa manhã de outubro de 1838, com seu amigo Jules Vercel, para ir à Paris para se preparar para o concurso para a École Normale. Poucas semanas depois, ele pega o caminho para Arbois, com saudades de casa. Porém, nos meses seguintes, ele dobra sua alma sensível sob a disciplina de sua vontade. Saiu de novo da casa do pai para ir ao colégio de Besançon, onde passou no bacharelado em ciências, com nota medíocre em química (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Busto de Louis Pasteur e panfletos na entrada da Maison Pasteur. Fachada atual da Maison de Louis Pasteur. Pintura em pastel de Jean-Joseph, realizada por Louis Pasteur aos 19 anos. Cruz de Cavalheiro da Legião de Honra recebida pelo pai de Pasteur pelo imperador Napoleão Bonaparte. Junto, a Medalha de Santa Helena. Jeanne-Etienette Roqui, mãe do cientista, em pastel realizado por Louis Pasteur aos 13 anos de idade. Sinalização na entrada da Maison Pasteur, indicando estar aberta à visitação. Sinalização nas ruas de Arbois indicando o caminho da Maison Pasteur. Folder ilustrado da Maison de Louis Pasteur. Uma das muitas placas informativas na cidade de Arbois, com dados históricos. Continue lendo a biografia

  • Infância e Juventude | Pasteur Brasil

    Infância e Juventude Pasteur cresceu entre o cheiro do curtume da família e o aroma da uva das viticulturas locais de Arbois, no Jura. Essas primeiras sensações olfativas serão fundamentais para seus futuros trabalhos sobre as leveduras e seus preceitos higiênicos. Dois dos melhores amigos de infância, os irmãos Jules e Altin Vercel, são filhos de vinhateiros, e residem em frente à sua casa. Pasteur produz o retrato de Altin em pastel. O amigo do pai de Pasteur, capitão Barbier, fala de uma instituição no Quartier Latin, onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet. Aos 15 anos, Pasteur e Jules vão à Paris para estudar e alojam-se neste local, Instituto Barbet, situado na Rua des Feuillantines, sem saída. Jules era divertido e alegre, de modo que tudo era bom e agradável em Paris. Porém, Pasteur fica sem dormir, não come direito e só fala do Jura. O Sr. Barbet faz tudo o que pode para ajudar na nostalgia do jovem Pasteur, que se encontra mudo e triste pela distância da família e saudades de Arbois. No entanto, vendo a situação não mudar, o dono do internato escreve ao pai para vir buscá-lo. Futuramente, aos 17 anos, Pasteur retornará a este mesmo internato em Paris para se preparar para as provas da École Normale Supérieure. Desta vez irá com o amigo Charles Chappuis, conhecido desde o período em que estudou na cidade de Besançon, dos 15 aos 17 anos. Logo, Pasteur prontificou-se a dar aulas particulares aos colegas mais atrasados, e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. O sr. Barbet permitiu, desde que o jovem não lecionasse nos horários dedicados aos estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias, das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, pela sua dedicação e ajuda ao internato. Pasteur e Chappuis eram amigos próximos, compartilhavam leituras e mergulhavam em seus deveres de Filosofia. Gostavam de passar os finais de semana em uma biblioteca, lendo obras filosóficas. Os passeios na cidade eram raros. Futuramente, Chappuis torna-se filósofo, doutor em Letras, professor e escritor, atuando como professor de Filosofia da Faculdade de Letras de Besançon. Uma das principais obras de Chappuis é sobre a Travessia dos Alpes por Aníbal (247 a.e.c-184 a.e.c), um dos primeiros eventos da Segunda Guerra Púnica. Uma litografia deste amigo é feita por Pasteur em 1841, na época em que estudaram juntos em Besançon. “Chappuis vai tornar-se, na vida, o amigo privilegiado e confidente de Pasteur” (Debré, 1995, p. 41). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Pintura em pastel de Altin Vercel, amigo de infância, feita por Louis Pasteur em 1839, aos 16 anos. Altin e Jules eram filhos de vinhateiros. Este último acompanhou Louis Pasteur em sua primeira estada na cidade de Paris. Jules Vercel, amigo de infância de Pasteur. Eles mantiveram contato por toda a vida. Cartas ao amigo Jules Vercel. Placa sinalizadora da Maison Vercel em Arbois. Maison Vercel em Arbois, situada em frente à Maison Louis Pasteur. Charles Chappuis, em litografia realizada por Louis Pasteur e dedicada: "Retrato do meu amigo da filosofia, Ch. Chappuis. Feito em Besançon em 1841", Chappuis foi amigo e confidente de Pasteur até o fim da vida. Obra de Charles Chappuis. Continue lendo a biografia

  • Enumerologia | Pasteur Brasil

    Enumerologia Consulte as 250 personalidades do Grupocarmograma por ordem alfabética de sobrenome. São 217 homens e 33 mulheres, distribuídos em 25 grupos de personalidades. Ao clicar no nome, você será direcionado para um dos grupos no qual a personalidade está alocada. Obs. Há personalidades em mais de um grupo. Posteriormente, disponibilizaremos tabela completa com as informações. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 234 235 236 237 238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 250 Albert, Jacques Victor Alexander III Almeida, Marco Antônio Ferreira de Anderson, Thomas Andral, Gabriel Arago, Dominique François Jean Aristóteles Armond, Edgard Pereira Augier, G. V. Émile Auzias-Turenne, Joseph-Alexandre Balard, Antoine-Jérôme Barbet Barbier Béchamp, Pierre-Jacques-Antoine Bernard, Claude Berthelot, Pierre-Eugène-Marcellin Bertin, Pierre-Augustin Berzelius, Jöns Jacob Bigo, Louis Dominique Joseph Biot, Jean-Baptiste Bonaparte, Charles-Louis-Napoléon (Napoléon III) Bonaparte, Mathilde Laetitia Wilhemine Bordet, Jules Jean Baptiste Vincent Boucicaut, Marguerite Bouley, Henri-Marie Boutet, Antoine-François-Daniel Boutroux, Jeanne Boyle, Robert Bragança, Pedro de Alcântara... (Dom Pedro II) Brébant, Félicien Brongniart, Adolphe-Théodore Brouardel, Paul Camille Hippolyte Bussy, Alexandre Antoine Brutus Calmette, Albert-Léon-Charles Carnot, Marie-François-Sadi Caventou, Joseph-Bienaimé Chamberland, Charles-Édouard Chambon, Ernest Chantemesse, André Chappuis, Charles Charcot, Jean-Martin Charrière, Alexandre Chassaignac, Édouard Chevreul, Michel-Eugène Clemenceau, Georges Colin, Gabriel Constant Corelli, Marie (Mary Mackay) Coubert, Gustave Coulon, Ferdinand Courture, Thomas Cruz, Oswaldo Gonçalves D´Orleans, Henri Eugène Philippe Louis Darwin, Charles Davaine, Casimir Joseph Delafosse, Gabriel Després, Armand Deville, Henri Étienne Sainte-Claire Doucet, Camille Droz, François-Xavier-Joseph Dubois, Paul Duboué, Pierre-Henri Duclaux, Émile Dumas, Alexandre (filho) Dumas, Jean-Baptiste-André Duruy, Jean-Victor Edelfelt, Albert Ehrlich, Paul Erdmann, Otto Linné Fabre, Jean-Henri Casimir Falloux, Alfred de Favé, Ildefonse Feuillet, Octave Fikentscher, Friedrich Christian Flajoulot, Charles-Antoine Flourens, Marie-Jean-Pierre Furtado-Heine, Cécile Gallé, Émile Galtier, Pierre-Victor Gamaleia, Nicolas (Nikolay Gamaleya) Gay-Lussac, Louis-Joseph Gernez, Désiré Jean Baptiste Gibier, Paul Godélier Grancher, Jacques-Joseph Gravière, Edmond Jurien de la Guérin, Alphonse François Marie Guérin, Jean-Marie Camille Guérin, Jules-René Guillemin Guzmán, María Eugénia Ignacia Augustina de Montijo de Haffkine, Waldemar-Mordecai Hamilton-Temple-Blackwood, Frederick (Lord Dufferin) Hankel, Wilhelm Gottlieb Haüy, René Just Henner, Jean-Jacques Hervieux, Jacques François Édouard Hirsh, Clara de Huet, Amélie Hélène (Madame Laurent) Hugo, Victor-Marie Iffla, Daniel "Osiris" Jacobsen, Jacob Christian Jenner, Edward Joly, Nicolas Joubert, Jules François Jupille, Jean-Baptiste Kestner, Charles Koch, Heinrich Hermann Robert Labiche, Eugène Marin Lamartine, Alphonse Marie Louis de Prat de Lamotte, Gérard Élisabeth Alfred de Vergnette de Laubespin, Léonel-Antoine Mouchet de Battefort Laurent, Amélie (Amélie Loir) Laurent, Aristide Laurent, Auguste Laurent, Célie (Célie Zévort) Laurent, Henri Laurent, Marie Anne (Marie Pasteur / Madame Pasteur) Laveran, Charles Louis Alphonse Lavoisier, Antoine-Laurent de Lebaudy, Jules Le Dantec, Félix Leeuwenhoek, Antonie van Legouvé, Ernest Lesseps, Ferdinand Marie de Liebig, Justus von L'Isle, Jean-Baptiste Louis de Romé de Lister, Joseph Littré, Maximilien-Paul-Émile Loir, Adrien Charles Marie Loir, Adrien Joseph Jean Longchamps, Jacqueline Gohièrre de Lucas-Championnière, Just Marie-Marcellin Luiz, André Maillot, Eugène Mairet, Emmanuel Bousson de Maizier, Ferdinand Malus, Étienne-Louis Manet, Édouard Marchetti, Paola Marchoux, Émile Marcou, Jules Martin, Bon Louis Henri Meister, Joseph Mendeleev, Dmitrÿ Ivanovič Mérieux, Jean Marie Marcel Metchnikoff, Élie (Ilya Ilyich Mechnikov) Mignet, François Milne-Edwards, Henri Mitscherlich, Eilhardt Monatgu, Mary Wortlay Monet, Claude Musset, Charles Mussy, Noël-François-Odon Guéneau de Needham, John Tuberville Netzer, Didier Nicolle, Charles Jules Henri Nightingale, Florence Nisard, Jean-Marie-Napoléon-Desiré Noailles, Paul de Nocard, Edmond Isidore Etienne Nostredame, Michel de (Nostradamus) Ollivier, Émile Pareau, Emanuel Pasteur, Camille Pasteur, Cécile Pasteur, Émilie Pasteur, Jean-Baptiste Pasteur, Jean-Denis Pasteur, Jean-Joseph Pasteur, Jeanne Pasteur, Jeanne-Antoine (Virginie) Pasteur, Joséphine Pasteur, Marie-Louise Péligot, Eugène Melchior Pelletier, Louise Pelletier, Pierre-Joseph Pellico, Silvio Pelouze, Théophile-Jules Perraud, Jean-Joseph Peter, Charles-Félix-Michel Pissarro, Jacob Abraham Camille Plínio Segundo (ou Plínio, o Velho) Pointurier, Étienne-Charles Pouchet, Félix-Archimède Prévost, Louis Constant Rasmann Raulin, Jules Rayer, Pierre-François-Olive Redi, Francesco Redtenbacher, Josef Regnault, Henri-Victor Renan, Joseph Ernest Renaud, Etienne Répécaud Richet, Charles Robert Romanet Roqui, Jeanne-Etiennette (Jeanne-Etiennette Pasteur) Rose, Gustav Rossignol, Hippolyte Rothschild, Alphonse James de Rouland, Gustave Roux, Pierre-Paul-Émile Rueff, Adolphe Sainte-Beuve, Charles-Augustin Saint-Hilaire, Albert Geoffroy Saintine, Xavier Boniface de Santos, Everton Souza dos Schwann, Theodor Ambrose Hubert Sédillot, Charles-Emmanuel Semmelweis, Ignaz Philipp Sénarmont, Henri Hureau de Serres, Albert Seybel Sículo, Diodoro (ou Diodoro de Sicília) Sisley, Alfred Somerville, Mary Fairfax Grieg Spallanzani, Lazzaro Straus, Isidore Taine, Hyppolyte Tarnier, Étienne-Stéphane Teofrasto de Eresos Terrier, Louis-Félix Thénard, Louis-Jacques Thomaz, Martha Gallego (Vó Martha) Thuillier, Louis Tour, Charles Cagniard de la Tourtel, Jules Tourtel, Prosper Toussaint, Jean-Joseph-Henri Transmentor Trélat, Ulysse Vaillant, Jean-Baptiste Philibert Vallery-Radot, Camille Vallery-Radot, Louis Pasteur Vallery-Radot, Madeleine Vallery-Radot, René Vercel, Altin Vercel, Jules Vieira, Waldo Vinsot, Auguste (Jules?) Virchow, Rudolf Vulpian, Edmé Félix Alfred Warfield, Bessie Wallis Whittel, Elsie Xavier, Francisco Cândido Yersin, Alexandre-Émile-John Zéfiro Zévort, Charles Zévort, Edgar Zühlke, Neide Prado Voltar para os Grupos

bottom of page