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- Personalidades | Pasteur Brasil
Grupos de Personalidades Família, amigos, cientistas, industriais, colaboradores, membros de Academias, políticos... Pasteur se relacionou com muitas personalidades ao longo da vida, as quais foram organizadas em 25 grupos. Para melhor compreensão da notação utilizada nesta pesquisa, acesse anteriormente a Legenda do Grupocarmograma . A seguir, confira os grupos de personalidades, seguidos da Análise dos Grupos e da Enumerologia (ordem alfabética por sobrenome). Ao acessar cada grupo, será possível consultar as microbiografias das principais personalidades. Família Nuclear Pai, mãe e irmãos Amigos de Infância e Adolescência Arte Pinturas de Pasteur e artistas Primeiros Beneméritos Professores, preceptores e apoiadores Leituras Iniciais Primeiras Influências Científicas Contemporâneos e antecessores Família Laurent Sogros, esposa, cunhados, sobrinhos Família Louis Pasteur Academia de Ciências Cristalografia Fermentação Geração Espontânea x Teoria dos Germes Doenças do Bicho-da-Seda Doenças Infectocontagiosas Início da Vacinação Vacinação: Raiva Pasteurianos Academia de Medicina Academia Francesa Políticos Instituto Pasteur Jubileu: 70 Anos Saúde e Morte Parapsiquismo Equipe Extrafísica Análise dos Grupos Enumerologia
- Citações | Pasteur Brasil
Citações Excertos de escritos e declarações de Louis Pasteur, agrupados por temas. Acesse as referências utilizadas nesta compilação. Foi utilizada tradução livre de trechos extraídos de outros idiomas. Ciência e Pesquisa "O grande segredo consiste em fazer experiências que não deixem lugar à fantasia do observador. No começo das pesquisas em torno de um determinado objetivo, a força da imaginação deve dar asas ao pensamento. No momento de se tirar uma consequência e da demonstração de fatos colhidos pelas observações, a fantasia deve, pelo contrário, ser dominada pelos resultados concretos das experiências e a eles submetida" (Unger, [196-], p. 24). “Na ciência, algumas pessoas têm convicções; outros têm apenas opiniões. A convicção supõe prova; as opiniões são frequentemente baseadas em hipóteses" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Acreditar que se descobriu um fato científico importante, ansiar anunciá-lo e ainda assim esperar dias, semanas ou até anos; esforçar-se para invalidar as próprias experiências; publicar as descobertas só depois de exaustivas verificações - sim, a tarefa é dura. Mas, quando se consegue a certeza, a recompensa é um dos melhores bálsamos para a alma humana" (Birch, 1993, p. 32; Cuny, 1963, p. 172 ). "Sempre duvide de si mesmo, até que os fatos se apresentem de forma indubitável" (Birch, 1993, p. 7). "Não apresente nada que não possa ser comprovado de forma simples e decisiva" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Vamos, revolucionemos o mundo com os nossos descobrimentos!"(Unger, [196-], p. 97). "Nada é mais gratificante para um cientista do que aumentar o número de descobertas, mas o máximo é ver suas observações colocadas em prática" (Birch, 1993, p. 33). "Para quem dedica sua vida à ciência, nada pode dar-lhe mais felicidade do que aumentar o número de suas descobertas, mas sua alegria transborda quando os resultados de seus estudos encontram imediatamente aplicações práticas" (Dubos, 1967a, p. 76). "Não há ciência pura e ciência aplicada - há apenas ciência, e as aplicações da ciência" (Dubos, 1967b, p. 51). "Não existe uma categoria de ciências que possa ser chamada de ciências aplicadas. Existe a ciência e as aplicações da ciência, ligadas entre si como o fruto à árvore que o gerou" (Cuny, 1963, p. 173 ). "Sem teoria, a prática nada mais é do que rotina nascida do hábito. Somente a teoria pode trazer o avanço e o desenvolvimento do espírito de invenção" (Dubos, 1967a, p. 22). "Quando medito sobre uma doença nunca penso encontrar um remédio para ela, porém, em vez disso procuro meios de preveni-la" (Dubos, 1967b, p. 106). "A cultura das ciências em sua expressão mais elevada talvez seja ainda mais necessária para o estado moral de uma nação do que sua prosperidade material" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O papel dos infinitamente pequenos na Natureza é infinitamente grande" (Dubos, 1967b, p. 57). "As concepções mais elevadas, as especulações mais legítimas, ganham corpo e alma apenas no dia em que são consagradas pela observação e pela experiência. Acabem com o trabalho, as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade e da morte. Não serão mais do que ciências da educação, limitadas e impotentes, e não ciências do progresso e do futuro" ( Cuny, 1963, p. 175) . "O verdadeiro sábio tem um só dever e uma única tarefa: procurar aquilo que existe" (Unger, [196-], p. 66). Vida "A vida não tem valor, quando não se pode ser útil a outrem" (Unger, [196-], p. 12). "Há na vida de todo homem, na carreira das ciências experimentais, uma idade em que o emprego do tempo é inestimável: a idade rápida em que floresce o espírito de invenção, na qual cada ano deve ser marcado por um progresso" (Debré, 1995, p. 162). "Gostaria de ser mais jovem para me dedicar com novo ardor ao estudo de novas doenças" ( Cuny, 1963, p. 171) . "Se eu tivesse outra vida para viver, tentaria sempre me lembrar do admirável preceito de Bossuet: 'A pior atitude que podemos tomar é acreditar que as coisas são como são porque queremos que elas assim sejam´" (Birch, 1993, p. 36; Cuny, 1963, p. 171). "O único consolo, quando começamos a sentir que as nossas próprias forças se esvaem, é dizer a nós mesmos que podemos ajudar quem nos segue a fazer mais e melhor do que nós, caminhando com os olhos fixos nos grandes horizontes que só podemos vislumbrar" ( Cuny, 1963, p. 172) . Personalidade "Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade" (Birch, 1993, p. 6). "No campo da experimentação, o acaso favorece as mentes preparadas" (Birch, 1993, p. 52). "Não basta amar a verdade, é preciso defendê-la também" (Unger, [196-], p. 49). "Sou o mais hesitante dos homens, o que mais teme se comprometer quando não tem provas. Mas, ao contrário, nenhuma consideração pode me impedir de defender o que penso ser a verdade quando posso contar com sólidas provas científicas" (Birch, 1993, p. 6). "Querer é muito, porque do querer se segue sempre uma ação, um trabalho, a maioria das vezes coroado de êxito. Destas três coisas, vontade, trabalho e êxito é que se compõe a vida humana. A vontade abre as portas de uma carreira feliz; o trabalho tudo vence; e o êxito coroa a obra" (Unger, [196-], p. 74). "Seria aos meus próprios olhos um ladrão, se passasse um dia inteiro sem trabalhar" (Unger, [196-], p. 112). "Meu trabalho, minha família, minha pátria, isso é o que sempre amei" (Vallery-Radot, 1994, p. 58). Residindo em Lille, Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Tenho, finalmente, o que sempre quis, um laboratório que posso ir a qualquer hora, no andar térreo do meu aposento; e, por vezes, enquanto estou dormindo, principalmente nestes dias, o gás queima toda a noite e as operações continuam em curso (...) Trabalhemos todos, só isso é que diverte" (Debré, 1995, p. 111). "É na leitura das obras dos inventores que a chama sagrada da invenção se acende e se mantém unida" (Blaringhem, 1923, p. vii). "Seria muito interessante e proveitoso se dos progressos da ciência participasse também o coração" (Unger, [196-], p. 84). "A grandeza dos atos humanos mede-se pela intenção de que se originam" (Unger, [196-], p. 123). "Frequentemente, uma observação do homem mais inculto, mas que faz bem o que faz, é infinitamente preciosa" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O cientista que se entrega à tentação das aplicações industriais deixa assim de ser o homem da ciência pura, complica a sua vida e a ordem normal dos seus pensamentos de preocupações que paralisam nele qualquer inventividade para o futuro" ( Cuny, 1963, p. 174) . "Mantenha o seu entusiasmo, mas dê a este companheiro um controle severo" (Cuny, 1963, p. 175) . "Cultive o pensamento crítico. Reduzido apenas a ele, não será um despertador de ideias, nem um estimulante de grandes coisas, mas sem ele, tudo é nulo e vazio. Ele sempre tem a última palavra" (Cuny, 1963, p. 175) . "Quando me aproximo de uma criança, ela me inspira dois sentimentos: o de ternura pelo presente, e o de respeito por aquilo que um dia pode se tornar"(Cuny, 1963, p. 175) . Religião e Espiritualidade "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). "Os gregos nos deram uma das mais belas palavras de nossa linguagem, a palavra 'entusiasmo' um deus interno. A grandeza dos atos dos homens é medida pela inspiração que lhes dá origem. Feliz é aquele que tem um deus interno" (Dubos, 1967a, p. 25; Dubos, 1967b, p. 119). "A ciência é incapaz de resolver a questão da origem e do fim das coisas" (Vallery-Radot, 1994, p. 377). "Além desta abóbada estrelada, o que há? Novos céus estrelados, que assim seja! E além? ... Além... é infinito". "Aquele que proclama a existência do infinito, e ninguém pode escapar disso, acumula nesta afirmação mais sobrenatural que não há em todos os milagres [religiosos], porque a noção de infinito tem esse duplo caráter de ser imposta e de ser incompreensível" (Vallery-Radot, 1994, p. 399-400). "Pretender introduzir a religião na ciência é um equívoco da mente. Ainda mais falsa é a mente de quem afirma introduzir a ciência na religião, porque é obrigada a respeitar o método científico" ( Cuny, 1963, p. 173-174) . "Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade e da democracia moderna, senão na noção do infinito perante o qual todos os homens são iguais?" ( Cuny, 1963, p. 174) . Pátria / Nação "A ciência não tem pátria" (Vieira, 2014, p. 885). "A ciência não tem pátria, ou melhor, a pátria da ciência é o mundo inteiro" (Unger, [196-], p. 7). "Estou imbuído de duas profundas impressões; a primeira, que a ciência não conhece países; a segunda, que parece contradizer a primeira, embora seja na realidade uma consequência direta dela, que a ciência é a mais alta personificação da nação. A ciência não conhece país, porque o conhecimento pertence à humanidade, e ela é a tocha que ilumina o mundo. A ciência é a mais alta personificação de uma nação porque a primeira dentre as nações será aquela que levar mais longe os trabalhos do pensamento e da inteligência. A convicção de ter alcançado a verdade é uma das maiores alegrias do homem, e a ideia de ter contribuído para a honra do nosso país torna esta alegria ainda mais profunda. Se a ciência não tem país, o homem de ciência tem. E é ao seu país que deve dedicar sua influência para que sua obra tenha impacto no mundo" (Dubos, 1967a, p. 76; Dubos, 1967b, p. 118-119). "Quem sofre não é questionado sobre qual é o seu país e qual é a sua religião. Diz-se simplesmente: 'Você sofre, isso me basta: você me preocupa e eu o ajudarei" (Dubos, 1967a, p. 76-77). "Estou absolutamente convencido de que a Ciência e a Paz triunfarão sobre a Ignorância e a Guerra. Que as nações finalmente se unirão, não para destruir, mas para construir, e que o futuro pertencerá àqueles que trabalharam mais para o benefício da humanidade sofredora" (Dubos, 1967a, p. 77). Política "Não tenho e não quero ter nenhuma coloração política. Não quero ser nada senão um cidadão, um trabalhador dedicado ao seu país" ( Cuny, 1963, p. 171) . "A ciência, em nosso século, é a alma da prosperidade das nações e a fonte viva em todo o progresso. Sem dúvida, a política, com suas discussões cansativas e diárias parecem ser a nossa guia. Aparência vã! O que nos conduz são as descobertas científicas e suas aplicações... É a ciência que representarei no Senado" ( Cuny, 1963, p. 22-23). "Uma das grandes desgraças da França é que existem muitos políticos nas Assembleias. A política com suas fatigantes e cotidianas discussões parece ser nosso guia. Vã aparência! O que nos governa são algumas descobertas científicas e suas aplicações. No século atual, a ciência é a alma da prosperidade dos povos e a fonte festejada de todo o progresso" (Debré, 1995, p. 337). "É a Ciência na sua pureza, sua dignidade, sua independência que representarei no Senado" (Debré, 1995, p. 336). "A verdadeira democracia é aquela que permite a cada indivíduo dar o seu máximo esforço no mundo. Por que é necessário que ao lado desta fecunda democracia haja outra, estéril e perigosa, que, não sei sob que pretexto de igualdade quimérica, sonha em absorver ou aniquilar o indivíduo no Estado? Esta falsa democracia tem o gosto, atrevo-me a dizer o culto, da mediocridade ... Poderíamos definir esta democracia: a liga de todos aqueles que querem viver sem trabalhar, consumir sem produzir, chegar ao trabalho sem estar preparados para isso, para honrar sem ser digno..." ( Cuny, 1963, p. 29). Pasteur, enquanto candidato ao Senado confessa não aderir a nenhum partido, e seu discurso suscita indignação tanto da direita quanto da esquerda. Para o cientista, enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível: "Se, na nossa infeliz França, há trinta ou quarenta anos, os governos e as grandes corporações do Estado não se tivessem desinteressado das instituições próprias para fazer florescer as ciências, a Alemanha teria sido vencida. Ignoram vocês que, enquanto a política nos irrita por suas divisões insensatas que fazem a alegria satânica de nossos inimigos, o vapor, a telegrafia e tantas outras maravilhas transformam as sociedades modernas?" (Debré, 1995, p. 336). Arte "Grandes artistas quase sempre têm grandes corações" ( Cuny, 1963, p. 171). Animais " O sofrimento de um animal me impressiona o suficiente para que eu nunca quisesse matar um animal enquanto caçava (pescava). O gemido de uma cotovia ferida iria rasgar meu coração. Mas se se trata de escrutinar os mistérios da vida e adquirir uma nova verdade, a soberania da meta carrega tudo consigo (Em resposta a um protesto antiviseccionista) ( Cuny, 1963, p. 173). Com cães, você nunca deve começar. É muito difícil separar-se de um cachorro que você ama. Tudo bem não começar a amar um. Nunca tenha um (Resposta a uma pergunta feita durante a pesquisa sobre raiva) ( Cuny, 1963, p. 172 ). Exposições orais Após os desastres franceses na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, quando o governo italiano ofereceu-lhe uma cadeira de Química na Universidade de Pisa, com um alto salário: "O pensamento da França sustentou minha coragem durante as horas difíceis que foram uma parte inevitável dos prolongados esforços. Associei sua grandeza à grandeza da Ciência". "Eu me sentiria como um desertor se procurasse, fora de meu país em desgraça, uma situação material melhor do que aquela que ele pode oferecer-me (Dubos, 1967b, p. 116-117). Conferência pública na Sorbonne: "Na imensidão da criação, peguei minha gota de água, cheia de um alimento rico - ou seja, para usar a linguagem científica, cheia de elementos apropriados para o desenvolvimento de pequenos seres. E espero, observo, interrogo-a, peço-lhe mais uma vez que tenha a gentileza de começar, só para me agradar, o ato primário da criação. Seria tão lindo se ela me atendesse! Mas ela é muda! Permaneceu muda por anos. Ah! Isso aconteceu porque eu a mantive longe, e ainda a mantenho, da única coisa que o homem não pode produzir. Eu a mantive protegida dos micróbios que flutuam no ar; eu a protegi da vida, da vida de um micróbio, pois um micróbio é uma vida. A teoria da geração espontânea jamais se recuperará do golpe mortal que sofreu com esta simples experiência" (Birch, 1993, p. 10). Em discurso na Academia de Medicina: "Essa água, essa esponja, esse algodão com o qual vocês lavam ou cobrem uma ferida, podem depositar germes que têm o poder de se multiplicar rapidamente dentro dos tecidos... Se eu tivesse a honra de ser um cirurgião, impressionado como estou com os perigos a que o paciente está sujeito pelos micróbios presentes sobre as superfícies de todos os objetos, particularmente nos hospitais, não apenas usaria somente instrumentos perfeitamente limpos, como limparia minhas mãos com o maior cuidado e as sujeitaria a um rápido flambar... Eu usaria algodão, ataduras e esponjas previamente expostas a uma temperatura de 130 a 150º C." (Dubos, 1967b, p. 106-107). Para jovens cientistas no Instituto Pasteur: "Aquele entusiasmo que vocês mostraram desde o início, meus queridos colaboradores, conservem-no, mas deixem que a checagem precisa seja sua companheira de viagem. Jamais emitam uma opinião que não possa ser provada, cultuem o espírito crítico. Ele sozinho não pode despertar ideias nem levar a mente a fazer coisas brilhantes. Mas, sem ele, tudo é precário. Invariavelmente, ele dá a última palavra" (Birch,1993, p. 63). No discurso de seu jubileu: "Jovens, confiem no método científico, cujos primeiros segredos nós mal desvendamos. Não percam a coragem. Vivam no sereno ambiente dos laboratórios e das bibliotecas. No fim da vida, que vocês possam dizer: 'Fiz o que pude'." (Birch, 1993, p. 63; Dubos, 1967a, p. 52 ). "Jovens, tenham fé nos métodos eficientes e seguros dos quais ainda não conhecemos todos os segredos. E, qualquer que seja vossa carreira, não vos deixei desencorajar pela tristeza de certas horas que passam sobre as nações. Vivam na paz serena dos laboratórios e bibliotecas..." (Dubos, 1967b, p. 121). Sobre os laboratórios: "Tomem interesse, eu lhes imploro, naquelas sagradas instituições que designamos sob o expressivo nome de laboratórios. Peçam que elas sejam multiplicadas e adornadas; eles são os templos da riqueza e do futuro. Lá é que a humanidade cresce, torna-se mais forte e melhor. Lá é que ela aprende a ler nos trabalhos da Natureza, símbolos do progresso e da harmonia universal, enquanto que os trabalhos do ser humano são muito frequentemente aqueles do fanatismo e da destruição" ( Dubos, 1967a, p. 71; Dubos, 1967b, p. 119-120 ). Um dia, disse a seus alunos: "Vocês me trazem toda a alegria que pode sentir um homem cuja crença inabalável é a de que a ciência e a paz triunfarão sobre a ignorância e a guerra (...) que o futuro pertence àqueles que mais trabalharem para amenizar o sofrimento da humanidade" (Birch, 1993, p. 59). No discurso de inauguração do Instituto Pasteur: "Duas leis contrárias parecem estar lutando entre si atualmente: a primeira, a lei do sangue e da morte, sempre imaginando novos meios de destruição e forçando as nações a se encontrarem constantemente prontas para a batalha; a outra, a lei da paz, trabalho e saúde, sempre desenvolvendo novos meios para libertar o homem dos flagelos que o assolam" ( Dubos, 1967b, p. 120 ). Ao olhar pelo microscópio pela última vez em vida (micróbio da peste bubônica descoberto por Alexandre Yersin), comentou: "Ah, quanta coisa ainda há por fazer!" (Birch, 1993, p. 58). Em construção
- Pasteurianos | Pasteur Brasil
Pasteurianos Com o aperfeiçoamento de suas pesquisas, Pasteur precisa se cercar de estagiários, com tarefas de grandes responsabilidades: alimentar os micróbios (culturas em desenvolvimento) e controlar o desenrolar das experiências. Os estagiários são quase todos saídos da École Normale Supérieure e voltam a lecionar depois do estágio no laboratório. O amigo da juventude de Pasteur, o físico Pierre-Augustin Bertin, é quem os seleciona para ele, que escolhe entre seus próprios alunos. Jules Raulin pertencia à primeira geração de estagiários, na época da química fermentativa. Passou a fazer parte da história das ciências como inventor de um novo caldo de cultura. Era um dos alunos preferidos de Pasteur e terminou sua carreira como professor de química industrial em Lyon. Raulin e Eugène Maillot ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu primeiro AVC aos 45 anos. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Jules Joubert colabora até a época do início das pesquisas em biologia médica. Como é físico, interrompe a colaboração com Pasteur para se voltar aos campos magnéticos. Charles Chamberland o substitui. Tem 27 anos quando entra para o laboratório. Suas origens no Jura despertam a simpatia de Pasteur. Alegre e bon vivant, possui uma mente engenhosa e aprecia a inovação técnica. Devemos a ele a invenção da autoclave. Uma curiosidade: ao se queixar de numerosos furúnculos no pescoço, nuca e coxa, Pasteur o examina e propõe uma experiência: colhe um pouco de pus de sua nuca e o cultiva. Deste modo, descobre o estafilococo, o mais frequente dos germes patogênicos (Debré, 1995, p. 384-385). Chamberland, no Instituto Pasteur é quem orienta o serviço das vacinas (Debré, 1995, p. 521). Louis Thuillier é designado como novo estagiário, escolhido por Bertin, e se dedica ao estudo da erisipela suína. Pasteur cria grande amizade pelo jovem e fica muito abalado com a sua morte precoce no Egito, com apenas 26 anos, onde havia ido estudar a cólera. Dentre todos os colaboradores no laboratório da Rua Ulm em Paris, é preciso destacar três que tiveram um papel especial ao lado de Pasteur: Duclaux, Roux e Loir. Émile Duclaux chega em 1862, em plena época da discussão sobre as gerações espontâneas. Mesmo atuando como professor de química, participa ativamente dos trabalhos de Pasteur, tanto na época do bicho-da-seda como nos estudos do vinho. Ele se torna o diretor técnico do laboratório. Muito ordeiro, controla para que tudo fique no lugar. É a ele que procuram quando é necessário tomar alguma decisão e não querem incomodar Pasteur. Diante das respostas de Pasteur a todos os seus contestadores, Duclaux, pela proximidade afetiva, escreve a Pasteur “enxergo perfeitamente o que o senhor perde nessas lutas: seu descanso, seu tempo, sua saúde. Procuro, em vão, o que o senhor pode ganhar com isso” (Debré, 1995, p. 364). No Instituto Pasteur, Duclaux é o responsável pela microbiologia geral (Debré, 1995, p. 521). Após a morte de Pasteur em 1895, Duclaux tornou-se diretor do Instituto, com Roux e Chamberland servindo como seus sub-diretores. Várias cartas de Pasteur atestam a autoridade que ele confere a Duclaux no seio desta equipe encarregada dos preparativos essenciais e emergências sucessivas: primeira redação dos estatutos, constituição da assinatura destinada a financiar o projeto, postagem diária de resultados, organização administrativa, primeiras aquisições de terrenos, construção de edifícios, acolhimento de jovens cientistas. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Na época, ele era um jovem estudante de Medicina e um dos mais assíduos ouvintes dos debates de Pasteur na Academia de Medicina. Sua chegada começa com a aplicação de uma injeção na ausência de Pasteur, o que contrariou Pasteur, mas a continuação da experiência mostrou que o jovem sabia o que estava fazendo, então Pasteur o escolheu como estagiário (Debré, 1995, p. 360, 379). Roux foi descrito como uma pessoa solitária, sem ambição aparente. Ele se tornará o mais próximo colaborador de Pasteur (Debré, 1995, p. 360, 379). Roux se torna, nas palavras de Debré (1995, p. 531-532) o campeão das terapias antiinfecciosas, com imensas contribuições na cura da difteria, por exemplo. É considerado também o discípulo mais contraditório de Pasteur. Em certas ocasiões ele não hesitava em se opor ao mestre, apesar de respeitar a hierarquia e os 30 anos de diferença de idade que os separavam. Quando Pasteur chegava a algum resultado, construía uma teoria e a expunha, Roux nunca deixava de procurar uma falha, o que se tornou irritante para Pasteur, que reclamava: “como esse Roux é desagradável. Se eu o escutasse, ele poria fim em qualquer coisa que eu quisesse realizar” (Debré, 1995, p. 379). O caráter de Roux é descrito como muito particular. Ele compreendia que a calma e a concentração eram as palavras mestras do laboratório, e embora fizesse críticas constantes, isso não o impedia de conservar o silêncio e de servir de filtro entre Pasteur e o mundo exterior. Na hora certa, por exemplo, se desembaraçava dos rivais de Pasteur, mantendo-os à distância. Durante 8 anos, Roux será o único médico admitido no laboratório da Rua Ulm. Ele se torna um inoculador de profissão, sabendo, por exemplo, injetar precisamente os germes (Debré, 1995, p. 382). No Instituto Pasteur, Roux é o responsável pela microbiologia médica técnica (Debré, 1995, p. 521). Roux dedicou 46 anos de sua vida ao Instituto Pasteur. Foi ele quem recomendou Oswaldo Cruz às autoridades brasileiras para a criação de um laboratório (Lima; Marchand, 2005, p. 33). Roux foi um dos mais próximos colaboradores de Louis Pasteur, cofundador do Instituto Pasteur e descobridor do soro anti-difteria, a primeira terapia efetiva contra esta enfermidade. A Rua do Instituto Pasteur em Paris, se tornou Rua Doutor Roux. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur (filho da irmã caçula de Marie, Amélie), começa atuando como um estagiário onipresente, com o qual Pasteur pode contar, especialmente para completar seus movimentos devido ao braço paralisado. Pasteur dá suas diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao seu sobrinho: aprender a soprar o vidro, assimilar as bases da cristalografia, melhorar a letra em curso de caligrafia. Uma curiosa relação se estabelece entre tio e sobrinho. Loir escreve, em tom de reclamação, que Pasteur o usava para realizar o que sua mente concebia. Também escolheu a formação que ele deveria fazer, no caso, Medicina (Debré, 1995, p. 381). A pedido de Pasteur, Loir vai à Rússia (Debré, 1995, p. 497), à Austrália (ficará por 5 anos) e lá fundará o primeiro Instituto Pasteur além-mar (Debré, 1995, p. 527, 528). Também funda o Instituto Pasteur de Túnis (Tunísia - norte da África) quando volta da Austrália (Debré, 1995, p. 541). Loir recorda que Pasteur era bastante influenciado pela visão de Duclaux, e que se tornava calmo e se punha a trabalhar, diferentemente de Roux (Debré, 1995, 379). Pasteur se cerca de personalidades científicas notáveis, construindo uma rede de inteligências (Debré, 1995, p. 407). Além de dar seguimento às suas pesquisas, são também responsáveis pelo ensino e formação dos alunos (Debré, 1995, p. 522). Quando Pasteur ouve falar das descobertas do russo Élie Metchnikoff (ou Metchnikov) sobre a fagocitose, manda publicar seus trabalhos nos Anais do Instituto Pasteur e lhe outorga um duplo posto: diretor do laboratório de microbiologia morfológica e chefe de serviço no Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 521, 533-534). Metchnikoff trabalhou na mesma estação bacteriológica na Rússia que Nicolas Gamaleia (Nikolay Gamaleya), que foi diretor do Instituto da Raiva na cidade de Odessa. No Instituto Pasteur, Gamaleia é o responsável pela pesquisa em microbiologia médica (Debré, 1995, p. 521). Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). Albert Calmette entra para o laboratório de Roux em 1890. Ele era médico da marinha. Apaixonado pela microbiologia levava consigo um microscópio em todas as campanhas e andava atrás de micróbios em várias partes. Mostra seu trabalho a Roux, que logo fica impressionado. Trabalha por um tempo em Paris. Pasteur, para aproveitar a experiência na Indochina, o envia para fundar em Saigon um laboratório de preparação de vacinas antivariólicas e anti-rábicas, que será o Instituto Pasteur de Saigon (Debré, 1995, p. 537). Pouco antes de morrer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. É neste momento que Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva. No local, durante uma necropsia, encontra Roux e eles se entendem profundamente. Em 1886, Yersin passa todas as tardes no laboratório na Rua Ulm onde assiste Roux nas preparações e se torna o estagiário pessoal de Roux. Pasteur o encarrega de fazer os curativos nos doentes. Desde a criação do Instituto Pasteur, ele vai participar, aos 25 anos, dos primeiros trabalhos sobre a toxina diftérica (Debré, 1995, p. 538, 522, 531). Yersin, de caráter ansioso, não se habitua à lenta rotina do Instituto Pasteur e quer correr o mundo. Engaja-se como médico a bordo de um navio-correio e desembarca no Vietnã. Em Saigon, encontra-se com Albert Calmette que o encoraja a montar expedições, que ele faz várias. Em 1894 uma grave epidemia de peste aparece na China e o governo da Indochina lembra que Yersin havia trabalhado no Instituto Pasteur, e o enviam a uma missão. Ele vai até Hong-Kong prestar socorro e monta lá um pequeno laboratório e lá descobre o bacilo da peste e consegue montar o soro contra a peste. Além disso, consegue provar que os ratos estão na origem da epidemia (Debré, 1995, p. 538-539). No fim da vida, na última visita que Pasteur faz ao laboratório, pede para examinar os bacilos da peste que Yersin havia isolado. Seria sua última observação ao microscópio (Debré, 1995, p. 546-547). Charles Nicolle teve pouco tempo de conhecer Pasteur antes de sua morte. Suas contribuições na microbiologia renderam um prêmio nobel em Medicina. Ele trabalha como estagiário ao lado de Élie Metchnikoff e também ajuda Roux. O irmão mais velho de Charles, Maurice, foi enviado por Roux para fundar o Instituto Pasteur em Constantinopla. André Chantemesse foi enviado por Pasteur para estudar as causas das epidemias de cólera, sugeriu fundar um laboratório de microbiologia na Turquia. Em 1887 foi criada a Instituição de Tratamento da Raiva, a primeira do Oriente (Debré, 1995, p. 540). Nicolle é solicitado a dirigir o Instituto Pasteur de Túnis, na Tunísia, criado por Adrien Loir em sua volta da Austrália. Em Túnis estabelece que a leishmaniose é transmitida pelo piolho, além de identificar também este piolho como o vetor do tifo. Ganha um Prêmio Nobel (Debré, 1995, p. 541). Jules Bordet é o último dos grandes pasteurianos desta geração. Entra no Instituto Pasteur em 1894 e trabalha com Metchnik off. Descobre os anticorpos, os antígenos, e inventa os princípios do sorodiagnóstico das afecções microbianas. Em 1901, quando regressa ao seu país, a Bélgica, pede e obtém de Marie Pasteur, depositária do Instituto Pasteur, o direito de batizar o nome de seu laboratório de Instituto Pasteur de Brabante. Em Bruxelas descobre o bacilo da coqueluche e estuda a coagulação do sangue. Em 1919, ao ganhar o Prêmio Nobel de Medicina, homenageia Pasteur. Os próprios colaboradores de Pasteur se autodenominavam “pasteurianos” (Masi, 1999, p. 112). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. Pasteur e parte de seus colaboradores em 1894. Laboratório no Instituto Pasteur em Paris. Émile Duclaux. Charles Chamberland. Adrien Loir. Albert Calmette Élie Metchnikoff Alexandre Yersin. Louis Thuillier. Continue lendo a biografia
- Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Doenças do Bicho-da-Seda Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1865, a pedido de Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967b, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos. Émile Duclaux 1840-1904 Politécnico e normalista francês. Doutor em ciências físicas (Paris, 1865). Professor de Química na Faculdade de Ciências de Lyon; de física e meteorologia, no Instituto Agronômico de Paris, depois no Instituto Pasteur, diretor do Instituto Pasteur (1895-1904). Membro da Academia de Ciências (1888). Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos. Resumidamente, Duclaux iniciou uma carreira clássica como físico e químico. Depois de conhecer Louis Pasteur, ele foi rapidamente atraído pela nova ciência do "infinitamente pequeno", conhecida por volta de 1880 como microbiologia. Próximo de seu mestre, mas de espírito independente, participou ativamente da realização em 1888 do ousado projeto do Instituto Pasteur. Apreciado professor, escritor mediador e historiador da ciência, fervoroso patriota, goza então de uma autoridade que lhe permite falar publicamente: o cientista, torna-se cidadão, reivindica o estatuto de intelectual. Lutando por justiça, junto à Liga dos Direitos Humanos, a favor da revisão do julgamento de Dreyfus, ele afirma sua preocupação pela democratização do conhecimento por meio do apoio às universidades populares. De modo mais detalhado, Duclaux em 1857, ao completar sua educação clássica no colégio local, deixou Aurillac e foi para Paris para frequentar o curso especial de matemática no Lycée St. Louis. Dois anos depois, ele foi aceito na École Polytechnique e na École Normale Supérieure; ele escolheu o último. Em 1862 ele se tornou agrégé nas ciências físicas e foi então contratado por Pasteur como seu assistente de laboratório ( agrégé-préparateur)na escola. Foi durante esse período que as discussões sobre a possibilidade ou impossibilidade da geração espontânea estavam mais vivas. Pasteur afirmou que as criaturas microscópicas responsáveis pela fermentação vieram de pais semelhantes a eles. Nicolas Joly, Pouchet e Musset afirmaram que, ao contrário, essas criaturas nasceram espontaneamente em fluidos orgânicos. De vez em quando, Dumas e Balard, membros da comissão nomeada pela Académic des Sciences para resolver a questão, iam à École Normale. Duclaux, que já havia participado das experiências de seu mentor, passou a participar dos debates. A impressão que causaram nele mostrou-lhe seu verdadeiro curso de vida. Dissociado do laboratório de Pasteur, um agrégé-préparateur enfrentava um futuro incerto. Depois de defender sua tese de doutorado em ciências físicas em 1865, Duclaux decidiu deixar Paris. Ele se tornou professor primeiro no liceuem Tours, depois na Faculdade de Ciências de Clermont-Ferrand, cidade em que se juntou a ele sua mãe, viúva desde 1860. Ele pôde renovar sua colaboração com Pasteur, primeiro em Pont-Gisquet, Gard, onde o mestre estava desenvolvendo seu trabalho sobre doenças do bicho-da-seda, e um pouco mais tarde em Clermont-Ferrand. Os experimentos - de fermentação - começaram em um laboratório improvisado montado por Duclaux e foram repetidos em uma escala muito maior na cervejaria Kuhn em Chamalières, que fica entre Clermont-Ferrand e Royat. É bem sabido que esses experimentos foram solicitados a fim de reanimar a indústria cervejeira. Novas funções profissionais trouxeram Duclaux para Lyon em 1873 e finalmente para Paris em 1878. Em Paris, ele ganhou um concurso para a cátedra de meteorologia no Institut Agronomique, e também foi professor de química biológica na Sorbonne. Ele imediatamente aproveitou a oportunidade para ministrar um curso de microbiologia, o primeiro desse tipo em qualquer lugar. Sua jovem esposa, a ex-Mathilde Briot, sucumbiu repentinamente à febre puerperal após o nascimento de seu segundo filho. Para esquecer sua dor, Duclaux se dedicou ao trabalho com ainda mais energia. Ele ensinou, experimentou e escreveu; e ele acompanhou, dia após dia, a extraordinária série de realizações de Pasteur. Isso incluiu o desenvolvimento de vacinas contra a cólera aviária, o antraz, a peste suína e, em 1885, contra a raiva. Em 1888, o Instituto Pasteur foi fundado em Paris, na rue Dutot. Duclaux, que entretanto havia se tornado professor titular da Sorbonne, transferiu suas atividades de ensino para o Instituto Pasteur. Um pouco antes, por meio de seus esforços, um novo jornal mensal, o Annales de l'Institut Pasteur, foi criado para publicar pesquisas em microbiologia. A partir desse período, pode-se dizer que a vida de Duclaux foi quase inseparável da do Instituto Pasteur. Com a morte de Pasteur em 1895, ele assumiu sua direção e em poucos anos a transformou em uma espécie de “cooperativa científica”, na qual cada cientista, ao mesmo tempo que preservava a independência de suas próprias ideias, trabalhava em direção a um objetivo comum . Aos edifícios originais foram acrescentados, no início do século, o Institut de Chimie Biologique e um hospital. Duclaux tornou-se membro da Académie des Sciences em 1888, da Société Nationale d'Agriculture em 1890 e da Académie de Médecine em 1894. Em 1901 casou-se com a sra. James Darmesteter (a ex-Mary Robinson), uma mulher notável por sua inteligência e cordialidade. Ele finalmente encontrou a felicidade familiar novamente, mas essa felicidade não durou. Em janeiro de 1902, ele sofreu seu primeiro derrame. Mal recuperado, ele começou a escrever novamente para os Annales na primavera de 1903 recomeçou suas palestras. Mas isso era muito para exigir de um corpo sobrecarregado. Na noite de 2 de maio de 1904, Duclaux perdeu repentinamente a consciência e morreu durante a noite. Seu lugar como diretor do Instituto Pasteur foi assumido por um de seus alunos de Clermont-Ferrand, Émile Roux. Este último ficou conhecido por sua pesquisa com Pasteur, sua descoberta do bacilo da difteria e seu desenvolvimento de uma antitoxina diftérica específica. O trabalho científico de Duclaux é ao mesmo tempo o de um físico e o de um químico. Como físico, ele estudou os fenômenos da osmose, da adesão molecular e da tensão superficial. Como químico, ele se concentrou especialmente nos processos de fermentação. Nessa área, ele estava até certo ponto acompanhando o trabalho de Pasteur. Com o passar dos anos, ele foi levado a aceitar enzimas (então chamadas de diástases) um papel cada vez mais importante nos fenômenos da vida. Ele dedicou uma longa série de investigações aos respectivos papéis desempenhados no trato intestinal de homens e animais por enzimas emitidas por glândulas e por aquelas liberadas por micróbios. Ele reconheceu que os micróbios não tinham papel na digestão gástrica e pancreática, que envolve apenas sucos liberados dos tecidos. A digestão microbiana não começa até o intestino, mas rapidamente se torna importante. Em área afim, Duclaux percebeu que os micróbios são indispensáveis na formação dos nutrientes das plantas no solo. Sem micróbios, a terra é infértil, porque as enzimas nas células vegetais não podem deixar as células e, portanto, não podem agir fora da planta. O leite forneceu a Duclaux um material ideal para o estudo de enzimas. Numa primeira fase, através de um grande número de análises, conseguiu desenvolver métodos que permitissem determinar as proporções dos seus constituintes. Na segunda etapa, ele estudou as enzimas capazes de modificar os constituintes. A grande importância das enzimas foi demonstrada na transformação do leite em queijo. Nesse caso, entretanto, os agentes ativos são de origem externa. Na verdade, um queijo é o resultado da cooperação microbiana: “Cada um dos trabalhadores microscópicos deve agir por sua vez e parar no momento certo. Tal oficina é difícil de dirigir, e pode-se dizer que foi necessária a experiência de séculos para obter produtos cujo sabor e aparência sejam sempre os mesmos ”(Émile Roux, em Annales de l'Institut Pasteur, 18 [1904], 337). Duclaux estudou vários tipos de queijos, mas sem dúvida com particular gosto o queijo do Cantal, uma das riquezas da sua região natal. O professor Duclaux não foi menos notável do que o pesquisador Duclaux. Seu aluno Roux, relembrando seus dias como estudante de medicina em Clermont-Ferrand, escreveu: “Duclaux apresentou um assunto com tanta clareza que todos entenderam. Suas palavras foram as de um cientista queimando com o 'fogo sagrado'. Pôs-se a pensar, a tal ponto que, ao terminar o curso, parecia ainda estar lá ”(ibid .). Além de seus trabalhos de pesquisa, Duclaux escreveu muitas obras didáticas; e as resenhas críticas que publicou nos Annales permanecem modelos. Diz-se deles que exibem “a lógica do cientista e o estilo do poeta ... Ele poderia extrair de um livro de memórias ... consequências possíveis das quais o próprio autor nem sempre suspeitou. Quantas ideias ele explorou; que novas percepções ele generosamente concedeu. Duclaux semeou o vento forte ...” (Émile Roux, em Bulletin de l'Institut Pasteur , 2 [1904], 369). Duclaux era cativante, cheio de inteligência e entusiasmo. Ele também era um homem justo com uma alma apaixonada. Ele sonhava com uma fraternidade universal sob a bandeira da ciência - "a pátria comum", como costumava dizer, "onde se pudesse ter paixões sem ódio". Mas ele não estava alheio ao que estava acontecendo fora de seu laboratório. Em várias ocasiões, sua devoção à verdade o levou a entrar em conflitos políticos. Em particular, ele teve um papel muito ativo na campanha que finalmente forçou a reintegração do capitão Dreyfus. Em 1865, Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (D ebré, 1995, p. 209). "Nesta fase de sua pesquisa", ressalta Duclaux, ele não tinha o direito de manter o silêncio olímpico com o qual gostava de se cercar até o dia em que seu trabalho parecesse maduro para a publicação. Em circunstâncias normais, ele não diria uma palavra sobre ela, mesmo no laboratório, onde os assistentes só viam o exterior e o esqueleto de seus experimentos, sem nada de vida para animá-los. Aqui, por outro lado, ele tinha a obrigação de falar e estimular o julgamento do público, tão logo encontrava algo, tanto sobre a prática industrial quanto em suas descobertas de laboratório (Dubos, 1967b, p. 185-186). Ref. https://data.bnf.fr/en/12514448/emile_duclaux/ Ref. https://www.franceculture.fr/oeuvre/emile-duclaux-de-pasteur-dreyfus Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/duclaux-emile Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/emile-duclaux-apotre Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Jean-Henri Casimir Fabre 1823-1915 Entomologista francês. Divulgador da ciência e autor de livros didáticos. Fabre era filho de Antoine Fabre, um homme de chicane (uma espécie de oficial da lei), e de Victorie Salgues. Iniciou os estudos no colégio paroquial de sua aldeia natal, depois os continuou, a partir de 1833, no colégio de Rodez. Bolsista na École Normale Primaries de Avignon, ele obteve seu brevet supérieur em 1842 e foi nomeado professor no liceu de Carpentras no mesmo ano. Em Montpellier, ele se preparou para o bacharelado, no qual ele foi aprovado, e então ganhou uma licença dupla em ciências em matemática e física. Em seguida, foi para o liceu de Ajaccio, na Córsega, como professor de física, permanecendo lá até dezembro de 1851. Depois disso, ele lecionou no liceu de Avignon (1853), depois recebeu a licença em história natural em Toulouse, e finalmente defendeu sua tese para o doctorat ès sciences naturelles em Paris em 1854. A partir de então, Fabre se dedicou quase exclusivamente à pesquisa sobre a biologia e o comportamento dos insetos que o tornariam uma das grandes figuras da entomologia. Em 1855, Fabre publicou seu primeiro trabalho sobre um vespídeo himenóptero (Cerceris) que paralisa sua presa (besouros). Sua segunda memória (1857) tratou da hipermetamorfose dos Meloidae (coleópteros). Em 1856, Fabre recebeu o Prix Montyon (de fisiologia experimental) do Institut de France, e em 1859 Charles Darwin o citou em sua Origem das Espécies , um incentivo valioso para um jovem professor mal pago. Na tentativa de melhorar sua situação financeira, Fabre empreendeu uma pesquisa sobre o princípio de coloração da garança (alizarina), que conseguiu isolar em 1866. Essa descoberta resultou em sua conquista da Legião de Honra e foi recebido em Paris por Napoleão III . Mas em seu retorno a Avignon, Fabre soube que o alizarin acabara de ser obtido de alcatrões de carvão e que seu processo fora substituído. Passou a escrever livros didáticos e ministrou um curso gratuito de ciências, ao mesmo tempo em que fez amizade com o filósofo John Stuart Mill , que então morava em Avignon. Vítima de vários ciúmes e vexames, Fabre deixou aquela cidade em novembro de 1870 e mudou-se para Orange, e depois em 1879 para Sérignan. onde dedicou todo o seu tempo a observações sobre a vida e hábitos dos insetos. Em 11 de julho de 1887 foi eleito membro correspondente da Académie des Sciences, e seu jubileu foi celebrado em 3 de abril de 1910. O primeiro casamento de Fabre foi com Marie Villard (30 de outubro de 1844); eles tiveram muitos filhos, incluindo três filhos e uma filha. Viúvo pouco depois de se mudar para Sérignan, voltou a casar e teve um filho e duas filhas com a segunda mulher. Uma de suas filhas casou-se com o médico GV Legros, que foi seu primeiro biógrafo. O trabalho científico de Fabre inclui os dez volumes Souvenirs entomologiques (1879–1907), que apresenta um número considerável de observações originais sobre o comportamento de insetos (e também de aracnídeos); estes foram precedidos por várias memórias publicadas como livros ou artigos de periódicos (1855-1879). É este último grupo de publicações que contém as principais descobertas de Fabre: hipermetamorfose dos Meloidae; a relação entre o sexo do ovo e as dimensões da célula entre as abelhas solitárias; os hábitos dos besouros de esterco; e o instinto paralisante das vespas solitárias Cerceris, Sphex, Tachytes, Ammophila e Scolia. Essas últimas pesquisas, que colocaram o problema do instinto e sua aquisição pelos insetos, foram muito discutidas e objeto de vivas críticas de E. Rabaud. Trabalhos recentes, como os de A. Steiner (1962) sobre a vespa Liris nigra , que ataca grilos, confirmam as observações de Fabre e mostram que a presa é um tabuleiro de damas de zonas estimulantes, cada uma das quais provoca uma resposta precisa e praticamente inalterável de o predador. Embora suas obras fossem admiradas por Darwin, Fabre se opôs durante toda a vida à evolução, permanecendo convencido da fixidez das espécies. Para ele, cada espécie animal foi criada como a vemos hoje, com o mesmo equipamento instintivo (ao passo que a explicação moderna do instinto se baseia na noção de seleção natural ). Fabre teve o grande mérito de demonstrar a importância do instinto entre os insetos, enquanto alguns de seus predecessores (JCW Illiger, Jean Th. Lacordaire) supunham que os insetos são dotados “de faculdades de raciocínio ou invenção comparáveis às dos animais superiores, e de homem ”(J. Rostand,“ Jean-Henri Fabre, ”p. 157). Responsável por descobertas significativas sobre a vida e os hábitos dos insetos, Fabre permanece especialmente importante na história da ciência por causa da popularidade de suas Souvenirs entomologiques; sua leitura levou mais de uma pessoa a se tornar naturalista. Além disso, para ganhar a vida, Fabre, entre 1862 e 1901, escreveu cerca de quarenta obras de divulgação científica, voltadas principalmente para os jovens e que vão da matemática e da física à história natural. Ele também compôs poemas em francês e em provençal; o último resultou em seu nome de felibre di Tavan. Fabre continua sendo o modelo do cientista autodidata - solitário, pobre, orgulhoso e independente. Foi também um observador atento e minucioso e um escritor de talento inquestionável. Pasteur tem contato com este entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902115/jean-henri_fabre/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/jean-henri-fabre Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Físico francês. Foi professor da Normale Supérieure de Sèvres (1882-1902). Membro da Academia de Ciências (1906). Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480243/desire_gernez/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/keyword/8790/gernez-desire Mais informações: https://www.persee.fr/authority/445678 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Eugène Maillot 1841-1889 Biólogo francês. Especialista em sericicultura. Diretor da estação de sericicultura da escola agrícola de Montpellier. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/10363116/eugene_maillot/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/maillot,%20eug%C3%A8ne/page/1 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Jules Raulin 1836-1896 Doutor em Ciências (Paris, 1870) francês. Estudou as doenças do bicho-da-seda em colaboração com Louis Pasteur. Professor de química industrial na Faculdade de Ciências de Lyon, criador da Escola de Química de Lyon. Raulin foi aluno de Pasteur na École Normale Supérieure. onde começou a estudar a nutrição mineral das plantas. Ele continuou seu trabalho nos liceus de Brest e Caen, depois voltou para a École Normale Superieure como diretor assistente do laboratório de Pasteur. Pasteur havia cultivado fermento em um meio contendo sacarose, tartarato de amônio e cinzas de fermento, que supriam todas as necessidades minerais da planta em crescimento. Raulin, portanto, decidiu nutrir uma planta experimentalmente com uma mistura cuidadosamente controlada de minerais específicos. Ele escolheu trabalhar com o fungo Sterigmatocystis nigra (ou Aspergillus niger ), que se alimenta de sacarose. Tendo verificado o ambiente ideal para seu crescimento - um grande prato contendo. 3 centímetros de água a 35 ° C, adequadamente arejada, em uma sala mantida a 70 por cento de umidade - ele se propôs a estabelecer empiricamente a combinação de nutrientes minerais que produziria o melhor rendimento, medido em peso seco, em um determinado período de tempo. Após uma série de tentativas, Raulin determinou que a mistura mais eficiente de nutrientes era 1.500 gramas de água, 70 gramas de sacarose, 4 gramas de ácido tartárico, 4 gramas de nitrato de amônio, 0,6 grama de fosfato de amônio, 0,6 grama de carbonato de potássio, 0,4 grama de carbonato de magnésio, 0,25 grama de sulfato de amônio, 0,07 grama de sulfato de zinco, 0,07 grama de sulfato ferroso e 0,07 grama de silicato de potássio. Essa mistura agora é chamada de meio de Raulin ou fluido de Raulin. O principal valor do experimento de Raulin residia em seu estabelecimento, por métodos de tentativa e erro, da importância de cada um dos nutrientes em sua mistura, especialmente os minerais. Por exemplo, ele eliminou o potássio da mistura, e o peso da produção caiu de 24,4 gramas para 0,92 gramas; ele foi, portanto, capaz de demonstrar que a presença de potássio no meio resultou em um rendimento de 26,6 vezes maior em peso - ou. em outros termos, que a utilidade específica do potássio era de 87, já que 0,271 grama de potássio aumentava o rendimento em 23,48 gramas. Raulin estudou cada elemento da mesma maneira e descobriu que o nitrogênio produzia 153 vezes o rendimento, fósforo 182, magnésio 91, enxofre II, ferro aproximadamente 2 e zinco aproximadamente 2,4. Ao adicionar alguns miligramas de ferro e zinco ao meio, Raulin introduziu o problema dos oligoelementos. A pureza dos produtos químicos que ele usava era, na melhor das hipóteses, duvidosa, e não havia como ele analisar quanto ferro ou zinco poderia estar contido nos quatro gramas de nitrato de amônio ou ácido tartárico que ele adicionou ao meio. Mesmo assim, ele foi capaz de isolar o zinco como um oligoelemento; seu papel na nutrição das plantas não havia sido reconhecido anteriormente. Raulin publicou os resultados de seus experimentos como “Etudes chimiques sur la vegetation”, pelo qual recebeu o doutorado em ciências. O próprio Pasteur estava entusiasmado com o trabalho de Raulin e, em 1868, escreveu-lhe que suas pesquisas abriram horizontes completamente novos na pesquisa de plantas. Em 1876, Raulin foi nomeado professor de química na Faculte des Sciences de Lyon, da qual mais tarde se tornou reitor. Ele também fundou uma escola de química industrial, fez uma série de mapas agronômicos e publicou um grande número de trabalhos sobre uma variedade de assuntos, dos quais a maior parte diz respeito à produção de seda. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480837/jules_raulin/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/raulin,%20jules/page/1 Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/raulin-jules Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Marie Pasteur 1826-1910 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Laurent. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura (Dumas) em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos” (Debré, 1995, p. 234). Marie-Louise Pasteur 1858-1934 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967b, p. 188). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Pierre-Jacques-Antoine Béchamp 1816-1908 Médico, químico e farmacêutico francês. Agrégé de farmácia (1851), doutor em ciências (Estrasburgo, 1853) e doutor em medicina (Stasbourg, 1856) francês. Professor nas universidades de Estrasburgo, Montpellier e Lille. Correspondente da Academia de Medicina. Béchamp, filho de um moleiro, deixou a França muito jovem para viver em Bucareste, onde estudou farmácia, provavelmente no St. Sava College. No final da adolescência mudou-se para Estrasburgo, onde foi aprendiz em uma farmácia e obteve o título de farmacêutico em 1843. Ele rapidamente abandonou a farmácia para retomar seus estudos. No início de 1851, ele foi nomeado professeur agrégé por um júri incluindo Louis Pasteur, Béchamp lecionou na Faculdade de Ciências de Estrasburgo (1853-1854), onde sucedeu a Pasteur, e depois na Escola de Farmácia de Estrasburgo (1854-1856), em Em 1853 obteve o doutoramento em ciências físicas e em 1856 obteve o doutoramento em medicina com uma importante tese sobre substâncias albuminoides. De 1856 a 1876, Béchamp ensinou química médica na Faculdade de Medicina de Montpellier. Ele renunciou ao cargo para se tornar reitor da Faculdade de Medicina Livre (Católica) de Lille. Ele se aposentou do último cargo em 1886, em meio a uma controvérsia amarga. Com seu filho. Béchamp retomou o comércio farmacêutico em Le Havre. A morte acidental de seu filho levou Béchamp a se mudar para Paris, onde a generosa hospitalidade de Charles Friedel lhe proporcionou um pequeno laboratório. Lá, ele realizou experiências até 1899. Béchamp fez descobertas em vários campos. Sua tese de doutorado de 1856 resultou em um volumoso tratado (1884). Por meio de um uso hábil e sistemático da atividade óptica de substâncias albuminóides, Béchamp foi capaz de distinguir um grande número de compostos complexos que seus predecessores, contando com métodos analíticos mais padronizados, não conseguiram descobrir. Ele também desenvolveu um processo industrial barato para produzir anilina (1852) e, assim, contribuiu muito para o surgimento da indústria de corantes sintéticos. Por este trabalho em particular, a Société Industrielle de Mulhouse concedeu a Béchamp o Prêmio Daniel Dollfus (1864) juntamente com WH Perkin AW von Hofmann e E. Verguin. Ele também identificou a natureza parasitária de duas doenças do bicho-da-seda e, nesse contexto, antecipou os resultados de Pasteur. Os dois se tornaram rivais amargos nesse assunto. A teoria da vida de Béchamp constituiu o principal impulso de sua atividade, no entanto, e também gerou uma sequência interminável de disputas, com Pasteur em particular. Ele não aceitava a geração espontânea nem a teoria parasitária da doença e da fermentação. Ele alegou, em vez disso, que toda a vida era derivada de pequenas “granulações moleculares” subcelulares, caso contrário, como micozimas. Béchamp, erroneamente, gostava de comparar seu projeto com o de Lavoisier e, de fato, as microzimas desempenharam um papel análogo aos elementos químicos. Eles diferiam dos elementos, no entanto, por serem considerados os fundamentos finais das estruturas vivas, enquanto para Lavoisier os elementos existiam apenas como construções experimentais. Quando os organismos vivos morrem, argumentou Béchamp, eles voltam a substâncias químicas inertes e microzimas, sendo estas últimas essencialmente eternas. Os microzyams também atuam como o princípio organizador dos seres vivos. A forma como a organização procede, entretanto, depende tanto das substâncias químicas realmente presentes e das circunstâncias quanto da natureza das microzimas. Em outras palavras, os microzimas não têm especificidade de ação, como os micróbios na teoria de Pasteur; pelo contrário, são bastante polivalentes. A força da teoria de Béchamp repousava em sua capacidade de usar um único princípio para explicar uma ampla gama de fenômenos; com isso, ele poderia explicar resultados tão contraditórios como os aduzidos por Pasteur e Pouchet no curso de sua famosa controvérsia sobre a geração espontânea. Mas essa também era a fraqueza da teoria de Béchamp: ela explicava muito sem se prestar a testes experimentais. Sua base empírica assentou em duas afirmações gerais: o microscópio revela granulações moleculares; e sempre que (e aparentemente apenas quando) aparecem granulações moleculares. processos de vida ocorrem. É claro que a alegação de ter descoberto o local básico e material da vida, formulada em termos científicos e apoiada pelo método científico, teve importância direta para debates extra-científicos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que a teoria de Béchamp foi mantida ou atacada por católicos, evolucionistas e materialistas. Mas estar no centro de muitas questões controversas nem sempre é a melhor maneira de buscar uma carreira de sucesso, especialmente se estiver confinado a cargos de ensino provinciais; e Béchamp terminou sua vida em isolamento quase completo. Ele morreu ignorado pela maioria e elogiado como um mártir científico por alguns. Nesta mesma época em que Pasteur, Béchamp também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária (Brunet, 2017, p. 147-148). Enquanto Pasteur começava a estudar doenças do bicho-da-seda, Béchamp repetidamente afirmava que a pebrina era causada por um parasita, uma teoria que Pasteur refutou completamente no início. Mais tarde, Béchamp cairia no descrédito ao promover uma teoria obscura das "microzimas", tipos de corpúsculos elementares cujo aglomerado teria constituído organismos vivos e que seriam a causa de todas as doenças. No final da vida, em 1904, Béchamp publicou um panfleto anti-Pasteur, onde se lia em particular: “O plagiador mais descarado do século XIX e de todos os séculos: é Pasteur” (Perrot; Schwartz, 2017, p. 174). Existe uma obra chamada "Pasteur ou Béchamp" do início do séc. XX que usa a rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. De qualquer forma, diz-se que Pasteur não deu os devidos créditos à obra de Béchamp. Ref. https://data.bnf.fr/en/12459796/antoine_bechamp/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/bechamp-pierre-jacques-antoine Jean-Baptiste Philibert Vaillant 1790-1872 Marechal francês. Ministro da Guerra (1854-1859). Ministro da Casa do Imperador (1860-1870). Participou das campanhas da Rússia (1812) e da Alemanha (1813) antes de participar da captura de Argel (1830). Ministro da Guerra de 1854 a 1859, foi nomeado em 1859 Comandante-em-Chefe do Exército da Itália. (Academia de Ciências, 1853). Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o Marechal Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). Ref. https://data.bnf.fr/en/13756998/jean-baptiste_philibert_vaillant/ Ref. https://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Jean-Baptiste_Philibert_Vaillant/148013 Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos” (Debré, 1995, p. 242). A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Eugénia de Montijo 1826-1920 *Ver a microbiografia de Eugénia de Montijo no grupo Políticos. A estada na propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Próximo Grupo
- Orçamento da ciência | Pasteur Brasil
Orçamento da Ciência Em 1867, na qualidade de diretor do laboratório na Rua d´Ulm, Pasteur dirige uma carta ao imperador Napoleão III: “Senhor, minhas pesquisas sobre as fermentações e sobre o papel dos microorganismos microscópicos abriram à química fisiológica novas vias de que as indústrias agrícolas e os estudos médicos começam a recolher frutos. Porém o campo que resta percorrer é imenso. Meu maior desejo seria explorar com novo ardor, sem estar à mercê da insuficiência de recursos materiais (...) É chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, Napoleão III pede a Victor Duruy que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo, em dezembro de 1867 surgem obstáculos que fazem parar a obra. Os créditos para a construção do novo prédio são recusados. Encontra-se dinheiro para levantar o novo Ópera de Charles Garnier, mas não há mais dinheiro nos cofres imperiais para a pesquisa científica. Furioso, Pasteur publica um artigo para o jornal Le Moniteur Universel, intitulado “O Orçamento da Ciência” a fim de sacudir a opinião pública: “Laboratório e descoberta são termos correlatos. Suprimam os laboratórios e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte (...) Deem-lhe os laboratórios e com eles reaparecerá a vida, sua fecundidade, e seu poder” (Debré, 1995, p. 166). Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um areópago de cientistas: Louis Pasteur, Henri Milne-Edwards, Claude Bernard e Henri Sainte-Claire Deville. Pasteur recorda ainda a criação da função de estagiário, demonstrando a necessidade de iniciar os melhores alunos à pesquisa, e diz: “Olhem para os cientistas alemães. Eles moram nas cercanias de seu laboratório. Sigamos o exemplo!” (Debré, 1995, p. 168). Indo além, pensa que as próprias cidades deveriam se interessar pelos trabalhos científicos. A passagem de Victor Duruy como Ministro da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajudas concedidas aos homens de ciência, além de desenvolver uma amizade verdadeiramente pessoal com Louis Pasteur. Uma decisão de Duruy vai ser particularmente cara a Pasteur: um decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades. A convicção de ambos os amigos de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, assim como o apoio de Napoleão III, vão vencer os obstáculos administrativos: o desbloqueio de créditos para a continuação da construção do laboratório na Rua Ulm, o berço de prodigiosas descobertas. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Ópera Garnier Jornal Le Moniteur Universel. Henri Milne-Edwards. Claude Bernard. Henri Sainte-Claire Deville. Laboratório na Rue d´ Ulm em Paris. Victor Duruy. Continue lendo a biografia
- Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Vacinação: Raiva Pierre-Victor Galtier 1846-1908 Veterinário francês. Membro da Academia Veterinária Francesa (1903-1908). Galtier nasceu em 1846 em Langogne, filho de pais de baixos recursos. Em 1853, ele foi confiado às freiras que dirigiam a escola local. Ele escapou desta escola duas vezes e foi então colocado com sua avó na cidade de Langogne. A partir daquele momento, com o incentivo de professores que lhe incutiram a importância do trabalho escolar, sua atitude em relação à escola mudou. Frequentou a escola secundária em Langone e depois em Mende, Lozère, saindo após a décima série. Ele leu os estudos greco-romanos em La Chapelle-Saint-Mesmin no "Petit Séminaire", a famosa escola secundária eclesiástica do bispo Félix Dupanloup, um posto avançado do Seminar d'Orléans. Ele recebeu seu diploma de bacharel com honras. Ele estudou para seu mestrado e sua licença veterinária na faculdade Marvejols. Por volta dessa época, Lozère criou uma bolsa para ajudar estudantes pobres a estudar para se tornarem veterinários, que Galtier recebeu e usou para estudar na École Vétérinaire de Lyon. Ele foi o primeiro da classe por quatro anos consecutivos e se formou em 1873 como orador da turma, recebendo o "Grande Prêmio Bourgelat". Galtier começou sua carreira profissional como associado de Monsieur Delorme, um veterinário em Arles, com quem se casou com a filha. Ele começou a ensinar patologia veterinária e eventualmente se tornou o Presidente de Doenças Infecciosas. Aos 33 anos, ele começou seu trabalho com a raiva. Em 1876, foi nomeado Presidente de Patologia e Medicina Interna do Departamento de Ciências Veterinárias de Lyon. Em 1877, seu departamento começou a realizar estudos sobre patologia microbiana e microbiologia. Isso fez com que a escola apoiasse a ideia de doenças contagiosas como a tuberculose, o resfriado comum e a raiva, em oposição à Escola de Alfort que sustentava a ideia de geração espontânea. Em 1878 foi nomeado professor de patologia de doenças infecciosas, saúde animal, comércio e direito médico. No mesmo ano, o Sr. Bouley, Inspetor Geral das escolas veterinárias, cria um novo departamento que separaria o ensino de patologia geral do de doenças transmissíveis. Pierre Victor Galtier foi nomeado chefe do departamento e ocupou o cargo por 30 anos. Em 1879, ele fez descobertas importantes sobre duas doenças mortais: o resfriado comum e a raiva. Em 1883, ele se formou em direito. Galtier foi indicado ao Prêmio Nobel por seu trabalho sobre a raiva. Mas ele morreu em 1908, pouco antes de o vencedor ser escolhido, então foi concedido a Paul Ehrlich e Ilya Ilyich Mechnikov. Em 1879, Pierre-Victor Galtier (1846–1908), professor da Escola de Veterinária de Lyon, demonstrou que a raiva podia ser transmitida de cães para coelhos, o que fornecia um animal experimental mais seguro. Pasteur e seus associados prepararam uma vacina suspendendo a medula espinhal de coelhos infectados em uma câmara de secagem para atenuar o vírus da raiva. Após cerca de duas semanas, o material tornou-se essencialmente inofensivo. Usando essas preparações, Pasteur poderia proteger cães que foram mordidos por animais raivosos ou inoculados com preparações de laboratório virulentas contendo o vírus vivo. No estudo experimental da raiva, Pasteur teve Galtier como predecessor, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo (Debré, 1995, p. 468-469). Convém especificar que a parte de Galtier no sucesso de Pasteur nunca foi suficientemente destacada (Debré, 1995, p. 470). Ref. https://data.bnf.fr/en/10352816/victor_galtier/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/science-magazines/biomedicine-and-health-virology Mais informações: https://peoplepill.com/people/pierre-victor-galtier Pierre-Henri Duboué 1834-1889 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1859). Correspondente da Academia de Medicina. Com a ajuda de seus assistentes, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Duboué escreve: 'O agente mórbido progride lentamente, numa direção centripeta, do lugar da mordida para o bulbo raquiano, e muito rapidamente, numa direção centrífuga, deste último para os nervos que saem dele'. Contudo, Pierre-Victor Galtier está inquieto com os trabalhos de Pasteur: não precisava de um rival com tanto prestigio... Por isso, ele se apressa a oferecer a Henri Bouley novos dados pedindo-lhe que os comunique, urgentemente, à Academia de Medicina. No início de 1881, afirma só encontrar o vírus rábico na saliva e assinala, também, que os tecidos nervosos não são contagiosos: ' Inoculei mais de dez vezes, sem nenhum sucesso, o produto extraído da substância cerebral do cerebelo e da medula do cão raivoso'. A partir dessas constatações científicas opostas, Pasteur formula um problema para resolver, ao mesmo tempo que deduz o esboço de um procedimento. Trata-se, em primeiro lugar, de localizar o vírus rábico e depois responder às seguintes perguntas: a substância cerebral é ou não infectada A baba é o único lugar onde o vírus está presente? Se Pasteur segue a pista indicada por Duboué e por Galtier, é porque ainda não conseguiu isolar o vírus rábico na saliva e porque está pesquisando novas vias de inoculação. A substância cerebral de um cão raivoso vai constituir sua primeira e principal abordagem da doença" (Debré, 1995, p. 469-470). Ref. https://data.bnf.fr/en/10432755/henri_duboue/ Mais informações: https://bibliotheques-numeriques.defense.gouv.fr/document/aabcc7fd-08ad-4d08-a512-2ee70838d61a Charles Darwin 1809-1882 Naturalista e geólogo inglês. Autor da teoria da seleção natural. Charles Darwin foi um cientista inglês que estudou a natureza e se tornou célebre por sua teoria da evolução por meio da seleção natural. De acordo com essa teoria, todos os seres vivos estão em uma constante luta para sobreviver. Aqueles que possuem as características mais úteis em seu ambiente tendem a permanecer. Esses seres vivos então transmitem tais características úteis à prole (isto é, seus filhos). Dessa maneira, os animais se transformam, ou evoluem, ao longo de centenas de anos. Darwin apresentou essas ideias em seu importante livro Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou A conservação das raças favorecidas na luta pela vida (1859), mais conhecido como A origem das espécies. Charles Robert Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shropshire, na Inglaterra. Na escola, nunca se saiu muito bem, mas mesmo assim estudou na Universidade de Edimburgo e na Universidade de Cambridge. Um professor em Cambridge incentivou seu interesse por história natural. Em 1831, Darwin partiu em uma expedição para explorar o litoral da América do Sul. O grupo iniciou a viagem em 27 de dezembro de 1831 no navio HMS Beagle. O propósito era estudar a história natural das regiões visitadas. A viagem durou cerca de cinco anos. As observações que Darwin fez durante esse período o levaram a indagar-se sobre como se desenvolvem novas espécies. Para explicar esse processo, ele formulou a teoria da seleção natural. Darwin apresentou sua teoria pela primeira vez em 1858. O conceito de evolução não era novo, mas a teoria de Darwin explicava como ela se dava. Quando Darwin publicou A origem das espécies, o livro fez sucesso imediato. No entanto, não foi bem recebido pelos criacionistas (os criacionistas acreditam que Deus criou tudo o que existe no mundo, tudo ao mesmo tempo). Darwin continuou a escrever sobre sua teoria em vários outros livros. Ele morreu em 19 de abril de 1882. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas,inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). Ref.https://data.bnf.fr/en/11898689/charles_darwin/ Ref. https://escola.britannica.com.br/artigo/Charles-Darwin/481114 Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 Louis Thuillier 1856-1883 Adrien Loir 1862-1941 *Ver microbiografias de Chamberland, Roux e Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. *Ver microbiografia de Adrien Loir no grupo Família Laurent. Com a ajuda de seus colaboradores Chamberland, Roux, Thuillier e Loir Pasteur começa a estudar a raiva (Debré, 1995, p. 469). Porém, Roux se opõe frontalmente à vacinação da primeira criança (Joseph Meister), recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). Joseph Meister 1876-1940 O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança francesa de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). Edmé Félix Alfred Vulpian 1826-1887 Médico francês. Professor e Reitor da Faculdade de Medicina de Paris. Membro da Academia de Ciências e da Academia de Medicina, seção de anatomia e fisiologia. Médico neurologista e patologista. Ele foi o co-descobridor da atrofia muscular espinhal de Vulpian-Bernhardt e do fenômeno Vulpian-Heidenhain-Sherrington. Entre outras descobertas e experimentos notáveis, Vulpian descobriu adrenalina na medula adrenal. Ele foi o primeiro a usar o termo "fibrilação" para descrever um ritmo caótico e irregular do coração. Antes de se pronunciar sobre a vacinação da criança Joseph Meister, Pasteur consulta Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação (Debré, 1995, p. 489). Ref. https://data.bnf.fr/en/13084570/alfred_vulpian/ Ref. https://dbpedia.org/page/Alfred_Vulpian Mais informações: https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/people/cp83366/edme-felix-alfred-vulpian Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1873). Presidente do Conselho de Administração do Instituto Pasteur, Paris, e membro da Academia de Medicina na seção de anatomia patológica. Além de Alfred Vulpian, outro médico que Pasteur consulta é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Os dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). Ref. https://data.bnf.fr/en/12487158/joseph_grancher/ Mais informações: https://artsandculture.google.com/entity/jacques-joseph-grancher/m02pk6lc?categoryid=historical-figure Mais informações: http://himetop.wikidot.com/jacques-joseph-grancher-s-bust Mais informações: https://web.archive.org/web/20070221115153/http://www.pasteur.fr/infosci/archives/grc0.html Jean-Baptiste Jupille 1869-1923 O segundo paciente será Jean-Baptiste Jupille, um jovem francês de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). Louise Pelletier ? O mesmo sucesso da vacinação contra a raiva não ocorre com a criança francesa Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). Charles-Félix-Michel Peter 1824-1893 Médico francês. Foi professor de patologia interna na Faculdade de Paris. Membro da Academia de Medicina. "Michel Peter (1824-1893) era parente de um cunhado de Pasteur. Isso não o impediu de ser um de seus adversários mais ferozes. Nascido em Paris, de pais muito pobres, começou como aprendiz e depois como tipógrafo em uma gráfica. Autodidata, preparou e obteve o bacharelado em ciências. Enquanto permanecia como chefe de oficina na mesma gráfica, ele começou seus estudos médicos. Estagiário aos 30 anos, doutor em medicina aos 35, chefe da clínica de Armand Trousseau no Hôtel-Dieu em 1863, encerrou a carreira como professor da faculdade de medicina, membro da Academia de Medicina. Excelente médico, orador eloquente e espirituoso, infelizmente considerou uma heresia aplicar experimentos de laboratório à patologia. Ele defendeu uma teoria, 'espontaneidade mórbida', que se opunha à teoria dos germes de Pasteur. Segundo ele, '... toda essa pesquisa sobre micróbios não vale o tempo que passamos lá, nem o barulho que fazemos a respeito ...'. Nisso se enganou, mas teve o mérito de fazer as pessoas admitirem que nem sempre é suficiente que um germe entre no organismo para que uma doença infecciosa se desenvolva; isso também requer o que ele chamou de 'consentimento do organismo'. A oposição entre Peter e Pasteur era particularmente violenta na época do trabalho de vacinação contra a raiva. Ela liderou as sessões da Academia de Medicina por dez anos" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 176). Por mais eloquentes que fossem os números apresentados, os adversários de Pasteur procuraram as menores falhas, fazendo com que ele tivesse que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continuou a atacá-lo. Havia vezes em que Vulpian é quem respondia as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, havia aqueles que acusavam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Ref. https://data.bnf.fr/en/13167090/michel_peter/ Adolphe Rueff 1854-1912 Médico francês. Vice-chefe da clínica de patologia mental da Faculdade de Medicina de Paris, anexo à enfermaria especial da Prefeitura de Polícia de Paris, então médico da cidade de Paris. Os raros fracassos do tratamento contra a raiva são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necropsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur (Debré, 1995, p. 505-506). Ref. https://data.bnf.fr/fr/17145865/adolphe_rueff/ Mais informações: https://curiosity.lib.harvard.edu/contagion/catalog?f%5Bcreators-contributors_ssim%5D%5B%5D=Rueff%2C+Ad.+%28Adolphe%29&f%5Bplace-of-origin_ssim%5D%5B%5D=France&f%5Bsubjects_ssim%5D%5B%5D=Tuberculosis--Treatment Georges Clemenceau 1841-1929 Estadista francês, apelidado de "O Tigre" ou "O Pai da Vitória" após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Chefe do Governo (1906-1909; 1917-1920). Deputado pelo Sena (1876-1885), depois pelo Var (1885-1893). Senador de Var (1902-1920). Jornalista, diretor-fundador do jornal "La Justice" (em 1880), depois de "L'Homme libre" (em 1913) que se tornou "L'Homme enchaîné" (em 1914). Doutor em medicina (Paris, 1865). Membro da Academia de Ciências e da Academia Francesa (eleito em 1918). Foi primeiro-ministro da França por vários mandatos, dos quais o mais importante ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, quando assumiu o cargo em 15 de novembro de 1917. Seus sentimentos antialemães antes da guerra e uma ardente determinação para derrotar a Alemanha o fizeram insistir que o Tratado de Versalhes exigisse o desarmamento alemão e estritas indenizações à França. Esta fotografia faz parte da Guerra das Nações, uma compilação de 1.398 imagens de rotogravura com breves legendas descritivas referentes à Primeira Guerra Mundial e suas consequências imediatas. O livro foi publicado pela New York Times Company e inclui imagens que apareceram na Mid-Week Pictorial, uma revista semanal de fotografias de notícias publicada pela New York Times Company entre 1914 e 1937. As fotografias retratam os principais líderes militares e civis dos países envolvidos na guerra, cenas de batalha, importantes sistemas de armas, ruínas e destruições causadas pelo conflito, o retorno das tropas depois da guerra e as celebrações de vitória em vários países, e cenas da Conferência de Paz de Paris. Além da frente ocidental na França e na Bélgica, as imagens abrangem outros teatros de operações, incluindo as frentes orientais, italianas e dos Balcãs, a Campanha de Galípoli (ou Batalha dos Dardanelos), e a campanha na Mesopotâmia e na Palestina. Entre os acontecimentos do pós-guerra estão as revoluções na Alemanha e na Rússia e a intervenção de tropas aliadas e americanas na Sibéria. O livro contém um índice; 32 mapas, incluindo mapas pictóricos que ilustram frentes e campanhas; e um apêndice de três páginas que fornece uma cronologia de 1914 a 1919, estatísticas (incluindo a força mobilizada e o número de mortos, feridos e desaparecidos de todos os beligerantes), os principais eventos durante a guerra, e as principais disposições do Tratado de Versalhes, que encerrou formalmente a guerra. "Muito mais grave foi a oposição de parte da Academia de Medicina, liderada em particular pelo médico Michel Peter. Segundo os opositores, que contavam com o jovem médico Georges Clemenceau, não só o tratamento de Pasteur era ineficaz, mas perigoso" (Perrot; Schwartz, 2017, p. 182). Georges Clemenceau inicialmente era defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur (Debré, 1995, p. 506). Como um jovem jornalista, Clemenceau atacou violentamente o trabalho de Louis Pasteur (que não era médico). No entanto, uma vez que as demonstrações deste último foram realizadas e endossadas por Joseph Lister, ele admitiu seu erro. Ref. https://data.bnf.fr/en/11897013/georges_clemenceau/ Ref. https://www.histoiredumonde.net/Georges-Clemenceau.html Mais informações: https://www.wdl.org/pt/item/19316/ Paul Camille Hippolyte Brouardel 1837-1906 Médico patologista francês. Médico do hospital Saint-Antoine (desde 1873), depois do hospital Pitié, em Paris. Doutor em medicina (1865). Decano da Faculdade de Medicina de Paris (desde 1887). Membro da Academia Nacional de Medicina (eleito em 1880). Membro do Instituto, membro livre da Academia das Ciências (eleito em 1892). Em 1858 ele se tornou um externe do Hôpital Cochin, em Paris, e em 1865 obteve seu doutorado médico. Em 1873 ele se tornou diretor de serviços médicos no Hôpital Saint-Antoine e de la Pitié. Em 1879 ele se tornou um professor de ciência forense na Faculté de Médecine de Paris, e conseguiu Auguste Ambroise Tardieu, como decano da medicina forense francesa. De 1884 a 1904 foi presidente da Comissão Consultiva de Higiene, e em 1899 foi eleito presidente da Associação Francesa para o Avanço das Ciências. Brouardel foi uma das principais autoridades da medicina legal e também foi um defensor apaixonado sobre todos os aspectos da saúde pública e higiene. Ele estava na vanguarda de questões como segurança alimentar, tuberculose, doenças venéreas, abuso infantil, alcoolismo e da decência pública. Brouardel exerceu uma grande influência sobre a carreira do neurologista Georges Gilles de la Tourette. Os raros fracassos do tratamento contra a raiva são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necropsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Brouardel observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Brouardel sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Brouard el (Debré, 1995, p. 506-507). Ref. https://data.bnf.fr/en/12208850/paul_brouardel/ Ref. https://artsandculture.google.com/entity/paul-brouardel/m02q_xf0 Próximo Grupo

