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  • Família Nuclear | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Família Nuclear Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 Origem. O pai de Louis Pasteur era francês, nascido em 16 de março de 1791 na região do Jura. Tornou-se órfão na primeira infância. Sua mãe, Gabrielle Jourdan faleceu em 1792, aos 20 anos. Seu pai, Jean-Henri Pasteur, dessomou aos 27 anos. Jean-Joseph foi filho único, sendo criado pela avó e tias (Vallery-Radot, 1951, p. 6; Viñas, 1991, p. 23-25). Guerra. Aos 21 anos, convocado para a guerra da Espanha (1812-1813), foi denominado “bravo entre os bravos”, sendo nomeado sargento-mor. Recebeu a cruz de Cavalheiro da Legião de Honra pelo imperador Napoleão Bonaparte (Debré, 1995, p. 28-29). Ele foi descrito como um soldado corajoso, disciplinado e atencioso (Keim & Lumet, 1913, p. 8). Ofício. Após a guerra, retornou à cidade de Salins. Igualmente ao pai, seu ofício era de curtidor de peles (Debré, 1995, p. 28). Logo depois, casou-se com Jeanne-Etienette Roqui, de uma antiga família de classe baixa (Keim & Lumet, 1913, p. 8). Casal. A vida financeira do casal era difícil, e eles decidem se mudar para Dole, estabelecendo-se em uma pequena casa na Rue des Tanneurs, onde Pasteur nasceu (Debré, 1995, p. 30; Keim & Lumet, 1913, p. 8). O interior da casa foi descrito como de uma simplicidade que se aproximava da pobreza (Debré, 1995, p. 31). Caráter. Quanto às características pessoais, Jean-Joseph dava a impressão de que vivia uma vida interior, e apresentava espírito ponderado (Vallery-Radot, 1951, p. 9). Era reservado e taciturno (Viñas, 1991, p. 25). Tinha caráter firme, meditativo e corajoso (Garozzo, 1974, p. 50). Resmungão, às vezes causava medo aos seus netos (Debré, 1995, p. 149). Preceptoria. O genitor de Louis zelava pela educação do filho, tornando-se seu professor particular, seu primeiro preceptor, fazendo-se todos os dias o seu explicador (Vallery-Radot, 1951, p. 10). Livros. Jean-Joseph adquiriu o primeiro dicionário da família “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia”, publicado por Rolland e Rivoire em 1803 (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 52). História. O pai de Pasteur passava as suas próprias noites, depois de dias difíceis no curtume, lendo livros de história, atos de glórias francesas passadas e adquirindo a educação que lhe parecia o símbolo da mais alta linhagem humana (Dubos, 1967a, p. 27). Autoridade. Vuillame, vizinho da família, relata: “o pai exercia sobre todos os seus uma autoridade absoluta, porém sábia e raciocinada” (Debré, 1995, p. 33). Educação. O patriarca tinha a reputação de ser pouco comunicativo, mas honesto e leal, sempre disposto a educar os filhos no respeito às grandes virtudes adequadas para elevar suas almas (Chanlaine, 1966, p. 9). Anseios. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho. Naquela época, o que gostaria era vê-lo diretor do Collège d´Arbois. Louis compartilhava com o pai seus progressos nos estudos, dúvidas e preocupações (Vallery-Radot, 1951, p. 99). Amigos. O chefe da família tinha poucos amigos, mas eruditos, a exemplo de professores e o médico da cidade de Arbois, Dr. Dumont, um ex-médico militar que se tornou médico do Hospital desta urbe (Debré, 1995, p. 34). Presença. A presença paterna foi marcante na vida de Louis Pasteur, dando-lhe conselhos, ensinando sobre honra, justiça e dever. Possivelmente o pai influenciou no patriotismo do filho. Pasteur dirá: “Ensinando-me a ler, tiveste o cuidado de ensinar-me a grandeza da França” (Debré, 1995, p. 33). Lema. Jean-Joseph era um homem atencioso e trabalhador, que tinha como lema: "Nunca pense em nada além do que você está dizendo ou fazendo no momento" (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Inclusive, há uma tira de couro que ele carregava consigo, junto aos livros de contabilidade do curtume, com dizeres “Só pensar no que se está fazendo no momento” (Debré, 1995, p. 39). Gratidão. À época dos estudos iniciais em Paris, Louis, sabendo que seu pai sofreu a vida toda por falta de educação e, sem fazê-lo perceber, com delicadeza, e sob o pretexto de que é Josephine, sua irmã, quem precisa se expandir sua riqueza de conhecimentos, envia uma abundante bibliografia, que se torna material de estudo para seu pai. É assim que, à distância, Louis cumpre seu papel de instrutor do pai e das irmãs, mantendo intacto o sentimento de gratidão para com aqueles que o apoiaram nos seus primórdios (Vinãs, 1991, p. 54). Falecimento. Em 1865, um telegrama endereçado a Louis chama-o a Arbois, para perto de seu pai, que se encontrava bastante doente. Louis não chegou a tempo. Viu o corpo do pai já no caixão mortuário. Na tarde daquele dia, escreveu à esposa: “Minha querida Marie, meus caros filhos, o pobre avô já não existe e nós levamo-lo esta manhã para sua derradeira morada. Ele está aos pés da pobrezinha da Jeanne. Em meio à minha dor, senti-me feliz pelo bom pensamento de Virginie, que o fez colocar lá, e espero que um dia poderei reuni-los a minha terna mãe e a minhas irmãs, até o momento em que eu mesmo vá reunir-me a eles. Até o último instante, esperei tornar a vê-lo, abraçá-lo uma última vez, dar-lhe o consolo de apertar em seus braços o filho que ele tanto amou; mas, chegando à estação, vi uns primos, que vinham de Salins, todos de preto. Só então foi que compreendi que podia apenas acompanhá-lo ao cemitério. Ele morreu no dia de tua primeira comunhão, minha querida Cécile: duas lembranças que não sairão do teu coração, minha filhinha. Tive o pressentimento disto quando, na mesma manhã, na hora em que ele foi atingido para não mais se levantar, eu te pedia para rezares a Deus pelo avô de Arbois. Tuas orações devem ter sido bem agradáveis a Deus, e quem sabe se o próprio avô não as ouviu e não se alegrou, junto da pranteada Jeanne, com os sagrados fervores de Cécile. Durante todo o dia, repassei em minha memória as provas de afeto de meu pobre pai. De trinta anos para cá, fui sua constante e quase única preocupação. Devo-lhe tudo. Jovem, ele me afastou das más companhias e deu-me o hábito do trabalho e o exemplo da vida mais leal e mais bem empregada. Pela distinção do espirito e de caráter, este homem estava muito acima de sua posição, a julgar pelas coisas que se fazem neste mundo. Ele não se enganava a este respeito: bem sabia que é o homem que honra sua posição, e não a posição que honra o homem. Não o conheceste, minha querida Marie, no tempo em que minha mãe e ele trabalhavam tão arduamente por seus filhos queridos que tanto amavam por mim sobretudo, por mim cujos livros, cujas taxas de colégio, cuja pensão em Besançon custavam caríssimo. Vejo-o ainda, o meu pobre pai, nas folgas que lhe deixava o trabalho manual, lendo muito, instruindo-se sem descanso, outras vezes desenhando ou esculpindo a madeira. Não há muito tempo ainda, ele mostrava-me um desenho meu no qual fez uma cruz; neste desenho, de bom só há isto. Tinha a paixão do saber e do estudo. Vi-o estudando gramáticas, caneta na mão, comparando-as, comentando-as, a fim de aprender aos quarenta ou cinquenta anos aquilo que lhe recusaram os infortúnios de seus primeiros anos. Mas, os livros de que gostava e que procurava mais que tudo, eram aqueles que lhe rememoravam os feitos da grande época imperial, a que ele servira em seu tempo, e que renovara a sociedade. E o que há de tocante em sua afeição por mim, é que ela nunca se poluiu de ambição. Recordas-te de que, segundo suas palavras, ele me veria com prazer regente do colégio de Arbois. É que, por trás de meu adiantamento possível, via o trabalho que isto me traria, e por trás deste trabalho, minha saúde que poderia ser afetada. E no entanto, tal como ele era, tal como o vejo melhor hoje, alguns dos sucessos de minha carreira científica deviam tê-lo orgulhado imensamente, enchendo-o de alegria. Era seu filho, era seu nome. Ah! meu pobre pai! Sinto-me bem feliz ao pensar que pude dar-te algumas alegrias (...)” (Vallery-Radot, 1951, p. 98-99). Homenagem. Em 1883, Louis Pasteur, relembrando a memória de seus pais na frente da casa onde nasceu, disse: "Ó meu pai e minha mãe! Ó meus queridos falecidos que viveram tão modestamente nesta casinha, é a vocês que devo tudo! (...) Você, meu querido pai, cuja vida foi tão difícil quanto sua árdua profissão, me mostrou o que a paciência pode fazer em longos esforços. É a você que devo a tenacidade em meu trabalho diário. Você não só tinha as qualidades perseverantes que tornam a vida útil, mas também tinha a admiração de grandes homens e grandes coisas. Olhe para cima, aprenda além, busque sempre se elevar, foi isso que você me ensinou. Ainda posso vê-lo, depois de seu dia de trabalho, lendo, à noite, alguma história de batalha de um daqueles livros de história contemporânea que o lembrava de tempos gloriosos que você testemunhou. Enquanto me ensinava a ler, você teve a preocupação de ensinar-me a grandeza da França. Sejam abençoados ambos, meus queridos pais, pelo o que vocês foram” (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Jeanne-Etienette Roqui 1793-1848 Origem. A mãe de Pasteur era uma mulher francesa simples e trabalhadora, proveniente de família de jardineiros (Vallery-Radot, 1951, p. 8; Garozzo, 1974, p. 25). Características. Possuía bom senso, imaginação e entusiasmo. Apresentava características contrastantes e complementares ao marido, mostrando-se entusiasta e imaginativa (Vallery-Radot, 1951, p. 9; Debré, 1995, p. 30; Viñas, 1991, p. 28). Foi descrita também como uma pessoa gentil, com uma inteligência intuitiva e um amor pelas artes e poesia (Chanlaine, 1966, p. 9). Pintura. Aos 13 anos, Louis Pasteur faz o desenho de sua mãe, em pastel (Debré, 1995, p. 37). Teses. No dia 23 de agosto de 1847, aos 24 anos, Louis Pasteur apresentou duas teses de doutoramento em química e em física: Recherches sur la Capacité de Saturation de l'Acide Arsénieux - Étude des Arsenites de Potasse de Soude et d'Ammoniaque para a primeira matéria; e Étude des Phénomènes Relatifs à la Polarisation Rotatoire des Liquides, para a segunda (Garozzo, 1974, p. 61). A primeira tese de Pasteur, dedica-a ao pai. A segunda tese, dedica-a à mãe (Viñas, 1991, p. 56). Correspondência. Em última carta direcionada à Louis Pasteur, no início de 1848, Jeanne-Etienette parece se despedir para sempre do filho ao escrever "Meu querido menino, desejo-lhe um bom ano. Cuide de sua saúde. Às vezes me consolo de sua ausência pensando quanto me foi reconfortante ter um filho que conquistou uma posição que o tem feito feliz, como você mesmo nos disse em sua última carta" (Viñas, 1991, p. 59). E despede-se da seguinte forma: "O que quer que te aconteça, não fiques triste; na vida, tudo não passa de quimeras..." (Debré, 1995, p. 68; Dubos, 1967a, p. 28). Falecimento. Estas palavras parecem pressagiar um evento que não tardará a ocorrer: a mãe de Pasteur falece em 21 de maio daquele ano aos 55 anos de um fulminante ataque de apoplexia (AVC) (Debré, 1995, p. 68). Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Ela sucumbiu em poucas horas, e quando cheguei não estava mais entre nós. Vou pedir uma licença" (Viñas, 1991, p. 61). Vínculo. Fica evidente que o vínculo com a mãe era muito intenso já que, durante semanas após o falecimento da mãe, Pasteur se fecha em um mutismo total e suspende toda a atividade científica (Viñas, 1991, p. 61). “Durante semanas, sua vida intelectual ficou interrompida” (Vallery-Radot, 1951, p. 33). Báez (1995, p. 22) afirma que a dor de Pasteur foi imensa; durante vários dias parecia não encontrar consolo, mas conseguiu controlar seus sentimentos e encontrar no trabalho um calmante para as suas dores. Homenagem. Em 1883, na época da inauguração da placa comemorativa em sua casa natal na cidade de Dole, Pasteur dirá sobre a mãe: “Os teus entusiasmos, minha valente mãe, tu os passaste para mim. Se sempre associei a grandeza da ciência à grandeza da pátria foi porque eu estava impregnado dos sentimentos que tu me inspiraras” (Debré, 1995, p. 34). Jean-Denis Pasteur 1816-1816 Primogênito. Primeiro filho do casal Pasteur, Jean-Denis falece nos primeiros meses de vida (Debré, 1995, p. 30; Chanlaine, 1966, p. 9). Jeanne-Antoine Pasteur (Virginie) 1818-1880 Segunda filha. Irmã mais velha de Pasteur, Viginie, como era apelidada, casa-se com seu primo Gustave Vichot, que será sócio de Jean-Joseph antes de o suceder à frente do curtume. Falecerá em Arbois, em 1880 (Debré, 1995, p. 30). Cartas. As primeiras cartas de Pasteur à família, recomenda que a mãe não dedique às irmãs trabalhos domésticos demasiados, aconselhando-as bom comportamento e estudo diligente, e complementa: “Trabalho é amor mútuo (...) Pode causar repulsa e tédio no início; mas quem começou a se acostumar com o trabalho não pode mais viver sem ele (...) Com o conhecimento se é feliz, com o conhecimento se eleva muito acima dos outros (...) A atividade e o trabalho seguem sempre a vontade, e o trabalho quase sempre vem acompanhado de sucesso. Essas três coisas, vontade, trabalho e sucesso, dividem toda a existência humana uma da outra; a vontade abre as portas de carreiras brilhantes e felizes; o trabalho nos permite passar por essas portas e, quando se chega ao fim do dia, o sucesso vem coroar nossos esforços” (Dubos, 1967a, p. 29). Joséphine Pasteur 1825-1850 Quarta filha. A irmã mais nova de Pasteur, Joséphine sofria dos pulmões e morreu aos 25 anos (Debré, 1995, p. 31). Correspondências. Antes do falecimento de Joséphine, quando Pasteur tinha 18 anos e era estudante em Besançon, ele se correspondia com a família. Em uma das cartas, Louis recomenda às suas irmãs leituras de obras que ele considerava edificantes. Destacou a narrativa de Silvio Pellico, denominada Minhas prisões, na qual Louis proferiu: “Gostaria que elas lessem essa obra interessante em que se respira, a cada página, um perfume religioso que eleva e enobrece a alma” (Debré, 1995, p. 40). Conselhos. Durante as férias de verão em Arbois, o jovem Louis ficava conversando com a família à noite, e especialmente quanto à irmã Joséphine, gostava-lhe de dar sábios conselhos sobre as leituras e a maneira de se comportar no mundo (Garozzo, 1974, p. 61). Obra. Pasteur escreveu para a família recomendando que o pai fizesse o possível para que as irmãs, especialmente Joséphine lesse a obra Ensaio sobre a arte de ser feliz, de Joseph Droz, que via na vaidade dos homens o maior obstáculo para um mundo de paz e amor. Louis redige, em seu entusiasmo de jovem: “Nunca li nada de mais sábio, de mais moral e tão virtuoso! Esse livro deveria ser obrigatório a todo e qualquer habitante do Franco-Condado” (Garozzo, 1974, p. 48). Carta. Em 1841, aos 18 anos de idade, Pasteur começa a ganhar os seus primeiros francos como professor interino - trezentos por ano. Pasteur parecia se sentir incomodado por ser o único na família a ter o privilégio de receber estudos formais. Este sentimento aparece refletido na carta enviada a seus pais em 9 de maio daquele ano: “Meus queridos pais, vocês me disseram em sua última carta que esta semana decidiriam colocar minha irmã Josephine em um internato ou não. É absolutamente necessário que ela seja instruída, e se no ano que vem vocês não quiserem colocá-la em um colégio interno, serei eu quem pagarei por ela (Viñas, 1991, p. 42-43). Estudos. Nesta mesma carta se prontifica a pagar os estudos da irmã, dizendo: "Eu vivo gratuitamente, pois minha pensão é paga pelo colégio", dizia aos pais. "E dando aulas particulares, conseguirei talvez dobrar esse meu estipêndio inicial. Já estou acostumado a trabalhar. E quando uma pessoa está acostumada com isso, torna-se impossível viver sem. Tudo no mundo depende do trabalho! Portanto, o que acham? Não é uma boa ideia a minha?". O pai respondeu-lhe: "Não, não é uma boa ideia. Você não poderá dar aulas particulares e estudar ao mesmo tempo. Você necessita de todo tempo livre para estudar mais e se aprimorar, para enfrentar um dia os exames de admissão à Escola Normal. A melhor coisa a fazer, portanto, é continuar a estudar. Fazendo isso, eu, sua mãe e suas irmãs ficaremos muito satisfeitos” (Garozzo, 1974, p. 49). Apoio. Ao conhecer Marie Anne Laurent, futura esposa de Louis, a quem se refere ter encontrado todas as qualidades que poderia desejar em uma esposa, o cientista escreve ao amigo Charles Chappuis, dizendo: “Está apaixonado, dirás tu. Sim, mas parece-me que não exagero em nada, e minha irmã Joséphine é inteiramente de minha opinião” (Vallery-Radot, 1951, p. 41). Casamento. Em 1849, quando propôs e casou-se com Marie, Louis não havia se atentado para todos os preparativos indispensáveis para a nova residência. Ao ser questionado pelo pai sobre a casa, móveis e tudo o que era necessário para iniciar a vida doméstica, Pasteur percebeu que precisava de ajuda. Jean-Joseph julgou conveniente que Joséphine se encarregasse de auxiliar o irmão a encontrar uma casa cômoda e pequena, condizente ao seu orçamento, cuidando de mobiliá-la da melhor maneira possível (Garozzo, 1974, p. 77-78). Émilie Pasteur 1826-1853 Caçula. Émilie, caçula da família, contrai uma encefalite aos 3 anos de idade, o que lhe acarreta um "retardo mental". Viveu no convento das Ursulinas em Voiteur, na região do Jura na França. Faleceu aos 26 anos (Debré, 1995, p. 31, 556). Próximo Grupo

  • Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil

    Vacinação: Raiva Para designar o micróbio invisível da raiva, Pasteur usa a palavra “vírus”. Ele mantém este termo porque é mais abstrato, porque torna o contágio uma força nociva que é exercida no organismo. Ele adivinha a existência de um vírus porque espera por ele, sem nunca duvidar de sua existência pelo fato de não poder vê-lo (Debré, 1995, p. 463). Nesta etapa, Pasteur se dedica à patologia humana, e ultrapassa a abordagem profilática para inventar uma imunoterapia ativa, o tratamento por estimulação da imunidade. Pasteur se lembrava da angústia de ouvir o comentário de um lobo com raiva que andava na região de Arbois e mordia homens e animais. Na época ele tinha 8 anos. Estudar a raiva seria um benefício para a humanidade e um triunfo para a difusão das descobertas sobre a vacinação. No estudo experimental da raiva, Pasteur tem um predecessor, Pierre Victor Galtier, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo. Para os adversários de Pasteur, encabeçados por Michel Peter, essa descoberta prova que não é possível acreditar nos micróbios, e diz “Pasteur pretende trabalhar com a raiva, e na verdade estuda outra afecção?”. Com a ajuda de Chamberland, Roux e Thuillier, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas, Inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). O segundo paciente será Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). O mesmo sucesso não ocorre com a criança Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). A notícia do tratamento da raiva atravessa oceanos, e 4 crianças norte-americanas são tratadas em Paris e são salvas, trazendo uma publicidade de proporções inesperadas. Poucos meses depois, é a vez de a Rússia apelar para Pasteur e 19 vítimas também são tratadas. Devido ao longo tempo até chegarem a Paris, algumas já estão em estado muito grave, mas 16 se curam. Sabendo do sucesso, o príncipe Alexandre Oldenburg decide fundar em São Petesburgo um laboratório anti-rábico. Adrien Loir é quem vai para a Rússia. O tratamento se difunde e logo também se vacina em Londres, Viena, na Versóvia, e outros. As pessoas vêm de toda parte para o laboratório na Rua Ulm. Pasteur afirma em 1886 que de 1.235 franceses (França e Argélia) tratados preventivamente contra a raiva, o tratamento só foi ineficaz para 3, e diz, “desafio qualquer um a contradizer esses fatos e asserções” (Debré, 1995, p. 497). No entanto, por mais eloquentes que sejam os números apresentados, os adversários de Pasteur procuram as menores falhas, fazendo com que ele tenha que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continua a atacá-lo. Há vezes em que Vulpian é quem responde as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, há aqueles que acusam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Roux continua denegrindo o método e as críticas diárias chegam a impressionar os mais fiéis colaboradores, em particular Adrien Loir. Os ataques repetidos de Peter e a desconfiança de Roux modificam a atmosfera do tratamento, e Pasteur tem dificuldades em convencer os médicos a respeito da eficácia do método. Mesmo com os ataques, inclusive dos jornais da época, Pasteur se mantém seguro de suas convicções, mas já se encontra com mais de 60 anos e começa a sentir alterações do ritmo cardíaco. Cedendo às orientações dos médicos, aceita fazer um pouco de repouso e viaja com a família para a Itália (Debré, 1995, p. 501-504). Os raros fracassos do tratamento são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necrópsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Broudael observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Broudael sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Broudael. Pasteur também precisou lidar com os ataques hostis das revistas especializadas e de publicações da imprensa geral, especialmente alemãs e italianas, e responde cada um dos argumentos. Contudo, só excepcionalmente escreve em jornais de grandes tiragens, preferindo atuar por meio de comunicações acadêmicas. No entanto, Grancher, Vulpian e Charles Richet o defendem sempre que necessário, publicando numerosos artigos que se propagam por toda a França. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Doenças e vacinas. Cão raivoso. Coleta de saliva de cão raivoso. Pasteur e coelhos usados nos experimentos. Pasteur em seu laboratório na École Normale Supérieure em 1885, segurando o frasco contendo a vacina anti-rábica. Óleo sobre tela de Albert Edelfelt, 1886. Joseph Meister, por volta de 1885, quando recebeu a vacina anti-rábica desenvolvida por Pasteur. Pasteur e Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos que foi o segundo paciente vacinado. Pacientes russos de Smolensk em 1886. Pacientes árabes e bretões em 1890. Pasteur, Metchnikoff, pacientes e equipe de apoio ao serviço de vacinação. Pasteur rodeado de pacientes que buscam seu laboratório para a vacinação anti-rábica. Conferência antipasteuriana. Continue lendo a biografia

  • Enumerologia | Pasteur Brasil

    Enumerologia Consulte as 250 personalidades do Grupocarmograma por ordem alfabética de sobrenome. São 217 homens e 33 mulheres, distribuídos em 25 grupos de personalidades. Ao clicar no nome, você será direcionado para um dos grupos no qual a personalidade está alocada. Obs. Há personalidades em mais de um grupo. Posteriormente, disponibilizaremos tabela completa com as informações. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 234 235 236 237 238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 250 Albert, Jacques Victor Alexander III Almeida, Marco Antônio Ferreira de Anderson, Thomas Andral, Gabriel Arago, Dominique François Jean Aristóteles Armond, Edgard Pereira Augier, G. V. Émile Auzias-Turenne, Joseph-Alexandre Balard, Antoine-Jérôme Barbet Barbier Béchamp, Pierre-Jacques-Antoine Bernard, Claude Berthelot, Pierre-Eugène-Marcellin Bertin, Pierre-Augustin Berzelius, Jöns Jacob Bigo, Louis Dominique Joseph Biot, Jean-Baptiste Bonaparte, Charles-Louis-Napoléon (Napoléon III) Bonaparte, Mathilde Laetitia Wilhemine Bordet, Jules Jean Baptiste Vincent Boucicaut, Marguerite Bouley, Henri-Marie Boutet, Antoine-François-Daniel Boutroux, Jeanne Boyle, Robert Bragança, Pedro de Alcântara... (Dom Pedro II) Brébant, Félicien Brongniart, Adolphe-Théodore Brouardel, Paul Camille Hippolyte Bussy, Alexandre Antoine Brutus Calmette, Albert-Léon-Charles Carnot, Marie-François-Sadi Caventou, Joseph-Bienaimé Chamberland, Charles-Édouard Chambon, Ernest Chantemesse, André Chappuis, Charles Charcot, Jean-Martin Charrière, Alexandre Chassaignac, Édouard Chevreul, Michel-Eugène Clemenceau, Georges Colin, Gabriel Constant Corelli, Marie (Mary Mackay) Coubert, Gustave Coulon, Ferdinand Courture, Thomas Cruz, Oswaldo Gonçalves D´Orleans, Henri Eugène Philippe Louis Darwin, Charles Davaine, Casimir Joseph Delafosse, Gabriel Després, Armand Deville, Henri Étienne Sainte-Claire Doucet, Camille Droz, François-Xavier-Joseph Dubois, Paul Duboué, Pierre-Henri Duclaux, Émile Dumas, Alexandre (filho) Dumas, Jean-Baptiste-André Duruy, Jean-Victor Edelfelt, Albert Ehrlich, Paul Erdmann, Otto Linné Fabre, Jean-Henri Casimir Falloux, Alfred de Favé, Ildefonse Feuillet, Octave Fikentscher, Friedrich Christian Flajoulot, Charles-Antoine Flourens, Marie-Jean-Pierre Furtado-Heine, Cécile Gallé, Émile Galtier, Pierre-Victor Gamaleia, Nicolas (Nikolay Gamaleya) Gay-Lussac, Louis-Joseph Gernez, Désiré Jean Baptiste Gibier, Paul Godélier Grancher, Jacques-Joseph Gravière, Edmond Jurien de la Guérin, Alphonse François Marie Guérin, Jean-Marie Camille Guérin, Jules-René Guillemin Guzmán, María Eugénia Ignacia Augustina de Montijo de Haffkine, Waldemar-Mordecai Hamilton-Temple-Blackwood, Frederick (Lord Dufferin) Hankel, Wilhelm Gottlieb Haüy, René Just Henner, Jean-Jacques Hervieux, Jacques François Édouard Hirsh, Clara de Huet, Amélie Hélène (Madame Laurent) Hugo, Victor-Marie Iffla, Daniel "Osiris" Jacobsen, Jacob Christian Jenner, Edward Joly, Nicolas Joubert, Jules François Jupille, Jean-Baptiste Kestner, Charles Koch, Heinrich Hermann Robert Labiche, Eugène Marin Lamartine, Alphonse Marie Louis de Prat de Lamotte, Gérard Élisabeth Alfred de Vergnette de Laubespin, Léonel-Antoine Mouchet de Battefort Laurent, Amélie (Amélie Loir) Laurent, Aristide Laurent, Auguste Laurent, Célie (Célie Zévort) Laurent, Henri Laurent, Marie Anne (Marie Pasteur / Madame Pasteur) Laveran, Charles Louis Alphonse Lavoisier, Antoine-Laurent de Lebaudy, Jules Le Dantec, Félix Leeuwenhoek, Antonie van Legouvé, Ernest Lesseps, Ferdinand Marie de Liebig, Justus von L'Isle, Jean-Baptiste Louis de Romé de Lister, Joseph Littré, Maximilien-Paul-Émile Loir, Adrien Charles Marie Loir, Adrien Joseph Jean Longchamps, Jacqueline Gohièrre de Lucas-Championnière, Just Marie-Marcellin Luiz, André Maillot, Eugène Mairet, Emmanuel Bousson de Maizier, Ferdinand Malus, Étienne-Louis Manet, Édouard Marchetti, Paola Marchoux, Émile Marcou, Jules Martin, Bon Louis Henri Meister, Joseph Mendeleev, Dmitrÿ Ivanovič Mérieux, Jean Marie Marcel Metchnikoff, Élie (Ilya Ilyich Mechnikov) Mignet, François Milne-Edwards, Henri Mitscherlich, Eilhardt Monatgu, Mary Wortlay Monet, Claude Musset, Charles Mussy, Noël-François-Odon Guéneau de Needham, John Tuberville Netzer, Didier Nicolle, Charles Jules Henri Nightingale, Florence Nisard, Jean-Marie-Napoléon-Desiré Noailles, Paul de Nocard, Edmond Isidore Etienne Nostredame, Michel de (Nostradamus) Ollivier, Émile Pareau, Emanuel Pasteur, Camille Pasteur, Cécile Pasteur, Émilie Pasteur, Jean-Baptiste Pasteur, Jean-Denis Pasteur, Jean-Joseph Pasteur, Jeanne Pasteur, Jeanne-Antoine (Virginie) Pasteur, Joséphine Pasteur, Marie-Louise Péligot, Eugène Melchior Pelletier, Louise Pelletier, Pierre-Joseph Pellico, Silvio Pelouze, Théophile-Jules Perraud, Jean-Joseph Peter, Charles-Félix-Michel Pissarro, Jacob Abraham Camille Plínio Segundo (ou Plínio, o Velho) Pointurier, Étienne-Charles Pouchet, Félix-Archimède Prévost, Louis Constant Rasmann Raulin, Jules Rayer, Pierre-François-Olive Redi, Francesco Redtenbacher, Josef Regnault, Henri-Victor Renan, Joseph Ernest Renaud, Etienne Répécaud Richet, Charles Robert Romanet Roqui, Jeanne-Etiennette (Jeanne-Etiennette Pasteur) Rose, Gustav Rossignol, Hippolyte Rothschild, Alphonse James de Rouland, Gustave Roux, Pierre-Paul-Émile Rueff, Adolphe Sainte-Beuve, Charles-Augustin Saint-Hilaire, Albert Geoffroy Saintine, Xavier Boniface de Santos, Everton Souza dos Schwann, Theodor Ambrose Hubert Sédillot, Charles-Emmanuel Semmelweis, Ignaz Philipp Sénarmont, Henri Hureau de Serres, Albert Seybel Sículo, Diodoro (ou Diodoro de Sicília) Sisley, Alfred Somerville, Mary Fairfax Grieg Spallanzani, Lazzaro Straus, Isidore Taine, Hyppolyte Tarnier, Étienne-Stéphane Teofrasto de Eresos Terrier, Louis-Félix Thénard, Louis-Jacques Thomaz, Martha Gallego (Vó Martha) Thuillier, Louis Tour, Charles Cagniard de la Tourtel, Jules Tourtel, Prosper Toussaint, Jean-Joseph-Henri Transmentor Trélat, Ulysse Vaillant, Jean-Baptiste Philibert Vallery-Radot, Camille Vallery-Radot, Louis Pasteur Vallery-Radot, Madeleine Vallery-Radot, René Vercel, Altin Vercel, Jules Vieira, Waldo Vinsot, Auguste (Jules?) Virchow, Rudolf Vulpian, Edmé Félix Alfred Warfield, Bessie Wallis Whittel, Elsie Xavier, Francisco Cândido Yersin, Alexandre-Émile-John Zéfiro Zévort, Charles Zévort, Edgar Zühlke, Neide Prado Voltar para os Grupos

  • Trabalho na ENS | Pasteur Brasil

    Trabalho na ENS Pasteur consegue uma transferência à Paris e uma promoção: em 1857 é nomeado administrador da École Normale Supérieure (ENS) e diretor de estudos científicos, a pedido do diretor da instituição, Désiré Nisard (1806-1888). Instala-se na Rua d’Ulm, localidade onde futuramente funcionará seu laboratório, berço do vindouro Instituto Pasteur. As funções administrativas daquela época demandam diplomacia, o que convém pouco ao temperamento inflexível de Pasteur, que professa um gosto, quase militar, pela ordem e hierarquia. Tomadas de posições autoritárias o privam de simpatias, o que não o preocupa. Os alunos do científico, mais chegados a Pasteur, aceitam melhor o seu caráter, mas os de literatura suportam mal a sua tutela. Em uma das situações em que procura instalar a ordem, Pasteur pronuncia um discurso no refeitório anunciando que quem for surpreendido fumando nas dependências da École, será excluído. “Mas a falta não será por ter fumado, mas por ter desrespeitado a injunção que vocês estão recebendo agora” (Debré, 1995, p. 144). Não obstante esta falta de jeito, a história da École vai guardar o seu nome. O papel de diretor de estudos científicos é certamente mais dotado do que o administrador. Pasteur intervém nos programas, e inova ao incluir a história do processo experimental, recordando os esforços individuais dos principais inventores. Duas ações administrativas importantes são a atribuição de cargos de estagiários agrégés e a criação dos Annales scientifiques de l´École Normale, em que propõe redação gratuita, o que é aceito apesar dos riscos de não receber subvenções nem do Ministério nem da École Normale. “Possam esses Annales tornar-se uma honra e uma força para um estabelecimento cuja prosperidade caminha par a par com a instrução pública do nosso país” (Debré, 1995, p. 147). Pasteur compreendeu que só formaria professores de valor se houvesse a possibilidade de eles exercerem uma função científica. Esta nova medida, ainda atual hoje em dia, liga o ensino acadêmico à prática da pesquisa, sendo L. Pasteur um pioneiro da dupla vinculação. As instalações modestas do laboratório na Rua d´Ulm foram conquistadas a duras penas. No seu retorno à École Normale, a preocupação científica de Pasteur foi poder continuar suas pesquisas sobre as fermentações. Naquela época, fazer pesquisa era feito que o professor de ensino superior consagrava o tempo que podia, com meios bastante escassos. O orçamento das faculdades só concedia mínimos recursos, destinados majoritariamente à preparação das aulas. Não sobrava quase nada para as pesquisas. Mesmo em Paris, as condições de trabalho eram tais que se faziam ironias a respeito dos laboratórios, como se fossem os túmulos dos cientistas. Claude Bernard, por exemplo, efetuava seus trabalhos num laboratório estreito, onde a umidade transudava, o que o levou a adoecer. Pasteur teve que se contentar com os últimos metros quadrados disponíveis na Rua d´Ulm: um recanto sob os escombros, inutilizado por ser julgado incômodo demais, em particular no calor do verão. Além disso, os cômodos eram invadidos por ratos e foi preciso começar por desinfectá-los. Pasteur não tinha nenhuma subvenção para instalar-se. Escreveu a Gustave Rouland, então ministro da Instrução Pública e acabou obtendo alguns subsídios. Mas, para equipar e manter o seu laboratório com estufa, microscópio, produtos químicos e recipientes de vidro, o cientista utilizou o seu próprio salário. Pasteur também não tinha o direito de ser assistido por estagiários, que eram concedidos com parcimônia draconiana. Depois de inúmeras andanças aos chefes de gabinetes do Ministério, com uma tenacidade a toda prova, acabou por obter ganho de causa. Com o primeiro estagiário, Jules Raulin, o cientista dividia um espaço bastante incômodo. A pequenez do local tornava difícil instalar uma estufa. Foi preciso colocá-la em local que só era acessível por meio de uma escada, pondo-se de joelhos. Pasteur, entretanto, passou horas neste local. “Foi deste pequeno pardieiro, de que hoje hesitaríamos fazer uma gaiola de coelhos”, testemunhará Émile Duclaux, o sucessor de Raulin, “que surgiu o movimento que revolucionou, sob todos os aspectos, a ciência da física” (Debré, 1995, p. 163). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Désiré Nisard (1806-1888). Claude Bernard Gustave Rouland Jules Raulin. Émile Duclaux. Continue lendo a biografia

  • Doenças Infectocontagiosas | Pasteur Brasil

    Doenças Infectocontagiosas Ao longo da História humana, muitos foram os higienistas que alertaram para o contágio de doenças e a influência da falta de medidas de higiene: médicos e médicas da Escola Médica de Salerno na Itália, Michel de Nostredame (Nostradamus), Ignaz Semmelweis, dentre muitas outras personalidades de épocas e locais distintos. Por exemplo, o físico Robert Boyle já afirmava no século XVII: “aquele que conseguir sondar, até o fundo, a natureza dos fermentos e das fermentações estará mais apto, do que qualquer outro, para dar uma justa explicação dos fenômenos mórbidos”. Todos os tratados dos séculos XVIII e XIX assinalam as similitudes entre fermentação e doença: “o que se passa na fermentação do vinho pode servir muito bem para explicar certas doenças, principalmente a varíola” disse Nicolas Lémery em 1713 (Debré, 1995, p. 303). Portanto, o debate sobre a etiologia das doenças infecciosas não começou com Pasteur, mas ganhou uma intensidade particular quando ele quis impor a ideia da origem microbiana dessas doenças. Para Pasteur, os microrganismos, responsáveis pelos fenômenos de fermentação e putrefação, também deveriam ser a causa das doenças contagiosas. “Quando você vê cerveja e vinho”, escreveu ele, “sofrem profundas alterações porque esses líquidos deram refúgio a organismos microscópicos que entraram invisível e acidentalmente em seu interior, onde então enxamearam, como não ficar obcecados com o pensamento que fatos da mesma ordem podem e às vezes devem ocorrer em humanos e animais? No entanto, o papel de Pasteur em validar essa hipótese deve, não sem razão, ser questionado (Perrot; Schwartz, 2017, p. 173). Na época do debate sobre a geração espontânea, o médico Gilbert Déclat fez uma conferência sobre o papel dos micróbios e louvou os trabalhos de Pasteur sobre a fermentação e a compreensão das doenças. No fim da preleção, Pasteur, que não conhecia Déclat aproxima-se para agradecer e para fazer suas críticas: “Os argumentos que o senhor usou para sustentar minhas teorias são bem engenhosos mas faltam com o rigor. A analogia não é uma prova”. Pasteur está convencido que não adianta alimentar controvérsias por hipóteses, mesmo hábeis. Só o que conta é a experimentação (Debré, 1995, p. 304). Pasteur encontrava-se ocupado com outros estudos, pressionado pelas doenças do bicho-da-seda e dos vinhos, que foram retardados pela guerra de 1870 e pela hemiplegia. Além disso, Pasteur não é médico. Desde 1860, a difusão dos conceitos evolucionistas de Charles Darwin dá ênfase à hereditariedade, e a doença passa a ser interpretada habitualmente como uma predisposição mórbida. Havia o dogma “a doença está em nós, é nossa e para nós”. Pasteur não desaprova inteiramente, mas acrescenta que não crê que isso seja verdadeiro para todas as doenças (Debré, 1995, p. 305). Deste modo, no século XIX, diversas teorias médicas coexistiam: a favor e contra o papel dos micróbios nas doenças. Na Prússia, Rudolf Virchow rejeita a teoria microbiana, dizendo que “a doença não é uma aberração enxertada num organismo sadio. Ela é uma simples desordem da saúde”. Pasteur combaterá as ideias de Virchow na patologia do mesmo modo que recusou as ideias de Justus von Liebig sobre a fermentação (Debré, 1995, p. 345). Na França, havia cirurgiões que não estavam convencidos do papel dos micróbios nas doenças, dentre eles Édouard Chassaignac, Jules Émile Péan e Armand Després (Debré, 1995, p. 305). Havia também os partidários do contágio, os médicos contagionistas, dentre eles Pierre Bretonneau, René Laennec, Trousseau, Casimir Davaine, Jean-Antoine Villemin, por exemplo (Debré, 1995, p. 305-306). Diversos cirurgiões higienistas como Alphonse Guérin, Just Lucas-Championnière, Jules Helot, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat e Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da antissepsia e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene (Debré, 1995, p. 307). Mas, é ao cirurgião inglês Joseph Lister, que se atribui oficialmente a primeira aplicação das descobertas de Pasteur na Medicina. Lister tem acesso aos relatórios de Pasteur para a Academia de Ciências de Paris por meio de Thomas Anderson e se interessa pelos problemas de putrefação. Ele compreende a ligação que pode existir entre a decomposição da matéria orgânica e a infecção pós-operatória. Ajudado pela esposa, Lister reproduz no laboratório doméstico as experiências de Pasteur e confirma a que a putrefação e a fermentação só aparecem se são introduzidos germes externos. Entende, assim como Pasteur, que o ar ambiente é uma das principais causas da propagação dos micróbios. Também inventa um modo de destruir as bactérias no tecido lesado, descobrindo então a antissepsia (Debré, 1995, p. 317-318). Lister se corresponde com Pasteur agradecendo pelas suas pesquisas, e refere-se ao amor comum dos dois à ciência. Pasteur se surpreende com o reconhecimento de um cirurgião estrangeiro e retorna a carta de Lister dizendo-se admirado com a precisão de suas manipulações e a compreensão do método experimental, e também toma a liberdade de apresentar algumas observações críticas ao novo amigo para aumentar o rigor do método de cultura utilizado (Debré, 1995, p. 322). Em 1867, Lister anuncia no The Lancet a invenção da antissepsia e suas indicações para o tratamento. Nesta e em outras apresentações, Lister expõe primeiro as teorias de Pasteur e depois descreve seus próprios resultados (Debré, 1995, p. 319). Por outro lado, Armand Després, cirurgião, nega a assepsia e antissepsia, defendendo os curativos contaminados. Demonstra franca antipatia pelos métodos de Lister e pelos princípios de Pasteur (Debré, 1995, p. 331-332). Em 1877, os trabalhos de Pasteur sobre a origem das doenças infecciosas são direcionados para a medicina veterinária. Ele se dedica ao carbúnculo, a pedido do amigo e Ministro da Agricultura Jean-Baptiste Dumas. Pasteur havia vencido o flagelo do bicho-da-seda e é indicado a encontrar o remédio desta afecção que assola os rebanhos (Debré, 1995, p. 347). Casimir Davaine foi um dos primeiros a notar, no sangue carbunculoso, microorganismos na forma de bastonetes. Junto com o seu colega também médico, Pierre-François-Olive Rayer, fez um extenso estudo sobre o carbúnculo em animais de chifre em 1850. Davaine fez a seguinte pergunta: trata-se de um agente contagioso ou só de uma consequência inofensiva da doença? Na época, ele não avaliou o alcance de sua observação. Em 1863, já conhecedor dos trabalhos de Pasteur, retoma a sua observação e faz uma nova comunicação à Academia de Ciências sobre o papel mortal das bactérias do carbúnculo. Em sua nota, homenageia formalmente os trabalhos de Pasteur. Na Alemanha, aparecem as experiências de Robert Koch (Debré, 1995, p. 350, 388, 391), que tem 33 anos quando se interessa pelo problema do carbúnculo. Ele foi aluno de Jacob Henle, que o instruiu sobre a teoria microbiana e os seus obstáculos teóricos e experimentais (Debré, 1995, p. 344, 350). Num laboratório primitivo que organiza em casa, Koch, sozinho, se dedica ao problema, procurando repetir e ir além das observações de Davaine. Pasteur toma conhecimento da publicação de Koch sobre o carbúnculo e está de acordo com sua tese de que há esporos nos campos, mas acha suas provas insuficientes e propõe uma demonstração mais rigorosa. Há relatos de que o artigo de Koch foi um empurrão para Pasteur estudar as enfermidades nos animais e posteriormente em humanos. Durante as pesquisas, Pasteur, com a ajuda de um veterinário, que o acompanha, Daniel Boutet, consegue uma amostra de sangue de um animal morto recentemente de carbúnculo e constata que a inoculação de uma cultura, ainda que diluída deste sangue, mata. Deste modo, conclui que a doença com certeza é transmitida pela bactéria (Debré, 1995, p. 351). Pasteur vai além e descobre que há outra doença associada (assim como no bicho-da-seda) e batiza o microorganismo de vibrião séptico (Debré, 1995, p. 353). A partir do momento em que Pasteur se interessa pela doença do carbúnculo do carneiro, sua conversão para a Medicina está feita. Uma nova geração de estudos e experiências se iniciam (Debré, 1995, p. 339). Nas pesquisas em campo, junto ao rebanho, colaboram Charles Chamberland (estagiário titular do momento), Auguste Vinsot (veterinário) e Émile Roux (médico de 25 anos à época, e um dos mais assíduos ouvintes de Pasteur na Academia de Medicina). Pasteur encontra a explicação para a propagação do carbúnculo e orienta os criadores (Debré, 1995, p. 362-363). Porém, são as grandes epidemias da época, a peste, a cólera e a febre amarela que interessam mais a Pasteur (Debré, 1995, p. 386). Em 1865 Pasteur precisou pela primeira vez enfrentar um problema da medicina humana: uma epidemia de cólera que veio do Egito atinge a França (Debré, 1995, p. 345-346). Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isidore Straus. Louis Thuillier inicialmente hesita e depois decide que fará parte da viagem. Infelizmente ele morre de um ataque fulminante de cólera, em Alexandria, aos 26 anos (Debré, 1995, p. 388). Robert Koch, que na mesma época dirigia uma equipe alemã, vai até a cabeceira de Thuillier e lhe presta as homenagens fúnebres. Pasteur fica devastado, pois um dos seus assistentes é vítima do dever. Sente-se torturado pelas lembranças das hesitações de Thuillier em embarcar nesta missão (Debré, 1995, p. 388). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. https://homoprojector.iipc.org/index.php/homoprojector/article/view/116 https://www.terredelouispasteur.fr/2020/03/20/pasteur-et-koch/ Escola Médica de Salerno, na Itália. Michel de Nostredame (Nostradamus). Ignaz Semmelweis em 1860. Robert Koch Louis Pasteur confirma as conclusões de Casimir Davaine e Robert Koch: é efetivamente uma bactéria que origina o carbúnculo, uma enfermindade que semeia estragos nos rebanhos de ovinos e bovinos. Jean-Baptiste Dumas. A invenção da antissepsia e da assepssia. "Se é bem espantoso pensar que a vida possa estar à merce da multiplicação do infinitamente pequeno, nos fica o consolo de esperar que a ciência não será sempre impotente frente a tais inimigos" (Louis Pasteur, 1878). Continue lendo a biografia

  • Saúde e Morte | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Saúde e Morte Henri Étienne Sainte-Claire Deville 1818-1881 Químico francês. Professor da Sorbonne. Diretor dos laboratórios de química da École normale supérieure e da École normale des Hautes Etudes (EHESS). Deville foi um dos químicos mais prolíficos e versáteis do século XIX, fazendo contribuições importantes na maioria das áreas de sua ciência. Ele e seu irmão Charles, mais tarde um físico conhecido, eram filhos do cônsul francês nas Ilhas Virgens, que era um proeminente armador. Os irmãos foram educados em Paris, onde Henri se formou em medicina em 1843. Mesmo antes de se formar, ele se sentiu atraído pelo estudo da química pelas palestras de Thenard. Ele estabeleceu um laboratório privado em seus próprios aposentos e em 1839 publicou seu primeiro artigo, um estudo de terebintina. Logo depois de receber seu doutorado em medicina, ele o seguiu com um em ciências. Em 1845, por influência de Thenard, Deville foi nomeado professor de química e reitor da recém-criada faculdade de ciências da Universidade de Besançon. Aqui, ele estabeleceu tal reputação que, em janeiro de 1851, foi escolhido como professor de química na École Normale Supérieure de Paris. As instalações para pesquisa eram, a princípio, precárias e o ensino, elementar. Deville, no entanto, era um excelente professor e também era ativo na pesquisa. Sempre interessado em ensinar alunos iniciantes, ele aprimorou muito o laboratório de pesquisas da instituição. Muitos químicos mais jovens e notáveis foram treinados por ele. De 1853 a 1866, ele deu aulas de química na Sorbonne. Deville sempre esteve perto de seu irmão, cuja morte em 1876 foi um duro golpe para ele. Sua saúde piorou gradualmente e ele se aposentou em 1880. Deville era essencialmente um experimentalista e tinha pouco interesse na teoria química. Ele começou seus estudos de laboratório em uma época em que a química orgânica estava se desenvolvendo mais ativamente, e seus primeiros trabalhos foram neste campo: investigações de terebintina, tolueno e anidridos ácidos. No entanto, sua habilidade analítica e sua importante síntese de pentóxido de nitrogênio em 1849 voltou sua atenção para a química inorgânica. Ele desenvolveu um processo para a produção de alumínio puro, reduzindo seus sais com sódio. Os métodos de Deville tornaram os dois metais prontamente disponíveis e reduziram drasticamente seus custos, mas ele mesmo não participou muito de seu desenvolvimento industrial posterior. Ele usou o sódio obtido por seu método para a preparação de elementos como silício, boro e titânio. Suas investigações sobre a metalurgia da platina renderam honras do governo russo. Em muitos de seus estudos, como os da produção artificial de minerais naturais, Deville empregou temperaturas altíssimas e se tornou uma autoridade reconhecida no uso dessa técnica. Suas medições das densidades de vapor de compostos em várias temperaturas ajudaram a confirmar a hipótese de Avogadro. Esses estudos levaram Deville a sua descoberta mais notável, a dissociação de compostos químicos aquecidos e sua recombinação em temperaturas mais baixas. Ele aqueceu substâncias como água, dióxido de carbono e cloreto de hidrogênio e depois resfriou-os repentinamente para recuperar os produtos de decomposição. Este trabalho levou a uma melhor compreensão do mecanismo das reações químicas e a desenvolvimentos significativos na físico-química. Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, Pasteur deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos. Os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/13164283/henri_sainte-claire_deville/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/deville-henri-etienne-sainte-claire Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Henri-Etienne-Sainte-Claire-Deville Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 *Ver microbiografia de Antoine Balard no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, Pasteur deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 Pierre-Augustin Bertin 1818-1884 Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Émile Duclaux 1840-1904 Jules Raulin 1836-1896 Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. *Ver a microbiografia de Pierre-Augustin Bertin no grupo Amigos de Infância e Adolescência. *Ver as microbiografias de Désiré Gernez, Émile Duclaux e Jules Raulin no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Após o primeiro AVC, aos 45 anos, os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin (Debré, 1995, p. 235). Claude Bernard é um dos primeiros a comparecer à cabeceira de Pasteur para trazer, afetuosamente, seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Nos dias seguintes, há uma lenta melhora. A fala retorna, e oito dias após começa a ditar uma nota a Gernez para a Academia sobre um procedimento para a prevenção da flacidez. Também dita à Marie Pasteur uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). Noël-François-Odon Guéneau de Mussy 1813-1885 Médico francês. Membro da Academia de Medicina (em 1867). Membro fundador da Therapeutic Society (em 1866). Autor de numerosos artigos nos periódicos "Medical Union", "General Bulletin of Therapeutics" e "General Archives of Medicine". Guéneau de Mussy era filho do escritor Philibert Guéneau de Mussy (1776-1854) e neto do higienista Jean Noël Hallé (1754-1822). Em 1835, ele se tornou interno em hospitais de Paris e em 1837 recebeu seu doutorado em medicina. Em 1842 ele se tornou médecin des hôpitaux, trabalhando no Hôpital Saint-Antoine, no Hôpital de la Pitié e no Hôtel-Dieu de Paris. Ele era membro da Académie Nationale de Médecine. Dois de seus assistentes mais conhecidos foram o oftalmologista Henri Parinaud (1844 a 1905) e o cirurgião pediátrico Edouard Francis Kirmisson (1848 a 1927). Ele fez contribuições em sua pesquisa sobre coqueluche, hemiglossite, bócio exoftálmico e angina glandular. Entre suas obras escritas estava a Clinique médicale de quatro volumes (1874-1885). Seu nome é emprestado ao epônimo "ponto Guéneau de Mussy", uma localização anatômica pertinente em casos de pleurisia diafragmática. Ele está localizado na margem esquerda do esterno, no final da porção óssea da décima costela. Se houver pleurisia diafragmática, o ponto torna-se extremamente dolorido quando é aplicada pressão sobre ele. Em 1868, aos 45 anos, Pasteur sofre o primeiro AVC. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham sua recuperação. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/13423570/noel_gueneau_de_mussy/ Ref. https://academictree.org/idtree/peopleinfo.php?pid=58497 Ref. https://peoplepill.com/people/noel-gueneau-de-mussy/ Mais informações: https://www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/portrait-de-noel-gueneau-de-mussy-1813-1885-medecin-0#infos-principales Gabriel Andral 1797-1876 Médico francês. Foi professor de patologia geral da Faculdade de Medicina de Paris. Embora um tanto esquecido, Gabriel Andral, segundo Ackerknecht, foi o mais famoso de todos os ecléticos. OW Holmes e Rudolf Virchow o classificaram como um dos principais médicos da Escola de Paris. Wunderlich tinha uma estima especial por ele. Andral se considerava um "eclético por necessidade". Esse ecletismo tinha para ele dois objetivos: conciliar os pontos de vista de grupos rivais como os de Laennec e Broussais, por um lado, e se opor vigorosamente a qualquer tentativa de ditadura doutrinária na medicina, por outro. O termo "ecletismo" é frequentemente aplicado para se referir à tendência que superou a oposição entre Broussais e seus seguidores e Laennec e seus seguidores. Do ponto de vista da pesquisa de laboratório, duas posições se distinguem. O primeiro foi o ceticismo que permaneceu em torno do grupo Charité em relação ao uso do microscópio, análises químicas e experimentação animal. O representante mais proeminente foi Armand Trousseau (1801-1867). Por outro lado, o ecletismo que se abriu à pesquisa laboratorial é personificado em Gabriel Andral. Ele estava em condições adequadas para superar a oposição entre brusistas e "anatomopatologistas". A segunda edição de sua Clinique Medicale (1829-1833) reflete como ele abraçou criativamente as contribuições de ambos os grupos. Andral introduziu análises microscópicas, químicas e pesquisas experimentais em animais. Junto com Gavarret, aplicou esses métodos ao estudo das doenças do sangue, tanto que é considerado um dos criadores da hematologia moderna. Seu Essai d'hematologie pathologique , no qual ele expressa sua dívida para com Magendie, é um claro exemplo ou símbolo da transição de um estágio para outro na patologia e na clínica. Posições semelhantes foram tomadas por Pierre F. Olivier Rayer (1793-1867) e Pierre A. Piorry (1794-1879). Gabriel Andral nasceu em 6 de novembro de 1797 em Paris. Seu pai chamava-se Guillaume; Ele foi um médico militar e mais tarde, na Itália, um médico de Murat, rei de Nápoles. Sua mãe chamava-se Madeleine Louis Jobineau de Marolles. Andral passou parte de sua infância na Itália, onde recebeu os primeiros ensinamentos. Em 1813 ele retornou à França e passou dois anos no Lycée Louis-le-Grand. Em 1915 ele começou a estudar medicina. Ele era um interno não oficial a serviço de TN Lerminier (1770-1836) no Hospital de la Charité, amigo de seu pai, discípulo de Corvisart e médico dos exércitos napoleônicos. Durante esta fase, ele também fez amizade com Pierre-Charles-Alexandre Louis (1787–1872), a quem ajudou na cruzada contra a “sede de sangue” de Broussais [4]. Ele não entrou no concurso do internato como de costume, pois pertencia a uma família muito abastada. Em 1820, como aluno da École prática, ganhou o prêmio de química. A partir de 1820, Andral publicou vários trabalhos sobre temas patológicos (sobre hemorragias intersticiais dos músculos e sobre cânceres de estômago) na Gazette de Santé. Em 1821, ele obteve seu doutorado com a tese De la valeur des signes fournis par l'expectoration dans les maladies . Em junho de 1823 foi eleito membro associado da Royal Academy of Medicine, fundada em 1820. Em 1833 tornou-se membro titular. Dez anos depois, ele também entrou na Academia de Ciências. Entre 1823 e 1827, Andral publicou a primeira edição de sua Clinique Medicale, ou choix d'observations recuillies a la Clinique de M. Lerminier, que teve muito sucesso. Consistia em quatro volumes que continham de forma clara e precisa a descrição de numerosos casos clínicos com achados post-mortem do serviço de Lerminier no Charité. Uma síntese dela foi traduzida para o inglês por Spillan em 1836. É um grande compêndio da medicina francesa da época. A segunda edição apareceu entre 1831 e 1833; a terceira, em Bruxelas, em 1838; e a quarta entre 1838 e 1840. Após a reorganização do corpo docente, em 1823 foi criado o corpo de docentes adstritos. Em 1824, Andral entrou na primeira competição com quatro outros médicos, incluindo Jean Cruveilhier, Jacques André Rochoux, Dugès e Alfred Velpeau [8]. Foi o primeiro com sua obra An Antiquorum doctrina de crisibus et diebus criticis admittenda? Um in curandis morbis et praesertim acutis observado? Em 1825 organizou um curso gratuito de anatomia patológica na escola prática. Em 1827 casou-se com Angélique Augustine Royer-Collard, filha de Pierre-Paul Royer-Collard, um dos políticos mais importantes da época. Eles tiveram um filho, Paul Andral, que se tornou vice-presidente do Conselho de Estado entre 1874 e 1879. Em 1826 criou em colaboração com Jean Baptiste Bouillaud, AC Reynaud, Pierre Louis Cazenave, Delmas e Philippe Frédéric Blandin o Journal Hebdomadaire de Médecine . Foi publicado por dois anos. Em seguida, Andral tornou-se médico no Hospital Cochin, depois no Hospital Maternity e mais tarde na Royal House of Health e La Pitié. Em janeiro de 1828, Andral foi chamado para substituir Joseph René Hyacinthe Bertin (1757-1827) como Professor de Higiene. Permaneceu no cargo até a revolução de julho de 1830. Posteriormente, em outubro do mesmo ano, assumiu a cadeira de Patologia Médica, substituindo Pierre Éloy Fouquier, que ocupou até a morte de Broussais, que foi sucedido em sua cadeira pelo 25 de janeiro de 1839. Em 1829, ele publicou o Précis d'anatomie pathologique , dedicado a Lerminier, em três volumes, que logo foi traduzido para o inglês em dois volumes por Townsend e West. O texto é apoiado por um grande número de observações de anatomia comparada feitas por Dupuy, da Escola de Veterinária Alfont. Suas observações tinham um duplo objetivo: relacionar lesões e sintomas, por um lado, e reconhecer que as lesões poderiam existir sem sintomas e sintomas sem eles, por outro. Dessa forma, ele descreveu a importância da inflamação aguda e crônica da membrana que reveste as câmaras cardíacas nos aneurismas cardíacos. A primeira parte é dedicada à anatomia patológica geral, "tout ce que les lesions du corps humain ont de commun entre'elles, soit dans leur forme extérieure, soit dans leur disposition intime, soit dans leur mode de production". O segundo à anatomia patológica especial, onde, "j'ai essay d'appliquer à l'histoire des maladies de quelques appareils la méthode que j'avais suivie dans la première partie. J'ai choisi ceux de ces appareils dont les maladies, étant plus spécialement du domaine de la pathologie interne, ontété plus spécialement also l'objet de mes études. /. É eficaz para mim me recuperar das causas de lesões que foram diminuídas, de saisir leurs rapports, leur mode d'enchaînement et de succession. J'ai eu discuti l ' importância do papel que jouent ces lesões dans la production des maladies. J'ai recherché jusqu'a que aponta o reconhecimento de lesões ces, mas não ajuda a determinar o seguimento e a natureza das doenças. J'ai enfin examinou quelle sorte d'influence l'anatomie pathologique doit avoir sur la thérapeutique ... ”. A primeira seção da primeira parte trata das lesões circulatórias; no segundo, os da nutrição; na terceira, de secreção; no quarto daqueles do sangue; e no quinto daqueles de inervação. Os outros dois volumes tratam de anatomia patológica especial: sistema digestivo, pulmões, coração, vasos linfáticos, fígado, baço, tórax, gônadas e sangue. Ele também se aprofundou no estudo do sistema nervoso central, rejeitando alguns locais. Por meio da análise de 36 tumores intra ou supracerebelares, ele notou que a inteligência permanecia intacta durante o curso da doença. Andral é dito ter sido o primeiro descritor de linfangite carcinomatosa. Costuma-se dizer que a primeira referência ao assunto apareceu em seu Précis d'anatomie pathologique . No entanto, parece que ele já se referia à doença em dois trabalhos anteriores: "Recherches pour servant à la histoire des maladies du système lymphatique" que publicou nos Archives de médecine em 1824, e no segundo volume de sua Clinique Medicale ( 1826). Entre 1840 e 1842, Andral apresentou à Academia de Ciências duas memórias sobre as modificações das proporções de alguns princípios do sangue e sobre a composição do mesmo de alguns animais domésticos em colaboração com Gavarret e Delafond: “Recherches sur les changes de proportion de quelques principes du sang, fibrina, glóbulos, matériaux solides du soro, et eau, dans les maladies ”(Andral e Gavarret) e“ Recherches sur la composition du sang de quelques animaux domestiques, dans l'état de santé et de maladie (Andral , Gavarret e Delafond). A moda do humoralismo voltou na França na década de 1930, mas de forma renovada e científica, principalmente no que diz respeito à patologia hemática. Os trabalhos experimentais de Prévost e Dumas, bem como os de Magendie e Gaspard durante a década anterior, influenciaram. Foi a memória de Andral e Gavarret Recherches sur les modificações de proporção de quelques príncipes du sang (1840) que desempenhou o papel mais proeminente. Era lógico que foram encontrados sintomas que não foram acompanhados por lesões em órgãos sólidos. Em 1843, ele publicou seu Essai d'hématologie pathologiqueque lhe trouxe fama internacional. Nele fala dos estudos do sangue do ponto de vista físico, químico e microscópico, e numa frase, quase profética, diz que onde a anatomia não consegue detectar alterações, é a química que as mostra. Aos poucos, ele se tornará uma das bases da patologia, não apenas estudando os líquidos alterados pela doença, mas também como um estudo das modificações das partes sólidas. Nesse período, estudava-se o que então era permitido pela química: álcalis livres ou combinados, fibrina, dosagem de albumina sérica, hemácias em processos de pletora, febres e processos inflamatórios. Ele observou a modificação da albumina no decorrer do edema de fome e as variações na taxa de sedimentação no decorrer do consumo. Nesta peça, “A hematologia patológica começa no efeito dos faits do quelque valeur, que é o nome de um grande nome da maldade, aura été soumis à l'investigation chimique, e examinado ao microscópio. Sans doute, en étudiant par ce double moyen d'analyse les divers principes du sang, et en les suivant ainsi a un dans tous leurs mudanças possíveis de proporção ou de natureza, il ne sènsuit pas qu'il faille négliger l'étude des mudanças que são feitas com o propósito de fazer propriedade física; É melhor reconhecer o fato de que a pessoa deriva do estudo se presume insuficiente, e que emprega seule, sem o controle do analista, a única lembrança de se tornar uma fonte d'erreur ”. O livro está dividido em dois grandes capítulos. O primeiro refere-se ao "melhor método a ser seguido nos estudos de hematologia patológica". No segundo, ao sangue em diferentes doenças: pletora, anemia, pirexia, fleuma, hemorragia, hidropisia, nas doenças "comumente chamadas de orgânicas" e nas "neuroses". O Essai foi traduzido para o inglês por Meigs e Stillé e publicado na Filadélfia em 1844. De acordo com Duffin, Andral e Alfred Donné (1801-1878) foram os pioneiros no uso da quantificação em hematologia, relacionando várias doenças ao número, concentração, tamanho e formato das hemácias. Além disso, Andral foi o primeiro a sugerir que a anemia era consequência da destruição das hemácias (hemólise) e a descreveu como uma diminuição do número de hemácias no sangue. Ele o associou à gravidez e à clorose. As descobertas de Andral e Donné representaram um avanço na medicina clínica. Em 1845, ele estudou a capacidade pulmonar por espirometria. Ele o fez como um clínico interessado em cardiologia. Em 1828 criou o termo "cardite reumática" que acabou sendo denominado "endocardite". Ele também estudou o edema pulmonar em suas formas de origem cardíaca. Entre 1852 e 1856, Andral foi responsável pelo ensino de História da Medicina. Ele colecionou aulas em várias edições da revista L'Union Medicale . É surpreendente que ele não considerasse Hipócrates um autor vivo e atual, como era costume em sua época. Nisso ele seguiu Bichat mais do que Laennec. Em 1856, ele praticamente abandonou o ensino e a pesquisa para cuidar de sua esposa doente. Em novembro de 1866 ele se aposentou e foi substituído por Charles Ernest Lasègue (1816-1883) em 1867. Quando Pasteur sofreu uma paralisia em 1868, foi Andral quem foi chamado para atendê-lo. Durante a guerra de 1870, ele deixou Paris com sua família para ir para Chateauvieux, onde os Royer-Collards possuíam uma propriedade. Sua esposa faleceu em 1872. Posteriormente, ele ainda participou de algum ato e em 1875 encerrou sua carreira com uma nota que apresentou à Academia de Ciências sobre glicosúria. Nesse mesmo ano, contraiu uma pneumonia que o matou poucas semanas depois, no dia 13 de fevereiro, sendo tratado por Béhier. Andral é uma figura importante no que veio a ser chamado de Escola de Medicina de Paris, à frente da qual Rene Laennec é frequentemente colocado. Como já foi dito, foi eleito membro associado da Academia de Medicina em 1823 e titular em 1833 na secção de patologia médica. Em 1843 ele substituiu Double na Academia de Ciências. Ele também foi membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciências desde 1849. Comandante da Legião de Honra em 1858. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham a recuperação de Pasteur. Andral, célebre médico da Academia de Medicina, prescreve a aplicação de sanguessugas atrás das orelhas. Ele reconhece que esse ataque de hemiplegia, tão diferente de todos os outros que testemunhou até o momento, deixa-o perturbado. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/12544310/gabriel_andral/ Ref. https://www.historiadelamedicina.org/andral.html Napoleão III 1808-1873 Eugénia de Montijo 1826-1920 Ildephonse Favé 1794-1878 Jean-Victor Duruy 1794-1878 *Ver a microbiografia de Napoleão III, Eugénia de Montijo, Ildephonse Favé e Victor Duruy no grupo Políticos. Após o primeiro AVC, Pasteur dita à Marie uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). O primeiro pensamento de Pasteur é para o laboratório que Napoleão III havia prometido mandar construir na Rua Ulm. Da janela da sala de jantar que dá para o jardim da École Normale, ele vigia o canteiro de obras. Os operários desaparecem ao primeiro sinal da doença. Por intermédio do general Favé, Pasteur manda dizer que estão com muita pressa de enterrá-lo. Napoleão III e Victor Duruy se desculpam por tal precipitação, e é dada uma ordem para que a construção seja retomada (Debré, 1995, p. 236). Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 André Chantemesse 1851-1919 Élie Metchnikoff (Ilya Ilyich Mechnikov) 1845-1916 Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 Alexandre Dumas (filho) 1824-1895 Charles Chappuis 1822-1897 *Ver a microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. *Ver a microbiografia de André Chantemesse e Élie Metchnikoff no grupo Pasteurianos. *Ver a microbiografia de Jacques Grancher no grupo Vacinação: Raiva. *Ver a microbiografia de Alexandre Dumas (filho) no grupo Academia Francesa. *Ver a microbiografia de Charles Chappuis no grupo Amigos de Infância e Adolescência. Um ano antes da inauguração do Instituto Pasteur, em 23/10/1887 Pasteur sofre um novo AVC seguido de afasia e recupera a fala. Alguns dias depois sofre novo ataque, mais difícil de reabsorver, então sua fala e fraca e embaralhada (Debré, 1995, p. 522-523). Em 01/11/1894 quando se preparava, como fazia diariamente para ver os netos, Pasteur é tomado por um terrível mal-estar e desmaia. Só volta a si à noite para pedir que fiquem a seu lado. Durante 3 meses não sai da cama. Seus filhos e netos se instalam no Instituto Pasteur. Organizam turnos para lhe fazer companhia. Em grupos de 2, pasteurianos e membros da família se revezam na cabeceira de Pasteur, noite e dia. Roux e Chantemesse ficam nos turnos da noite. Quando tem algum tempo livre, Metchnikoff o visita, não importa a hora. O mesmo acontece com Grancher. Em 1º de janeiro de 1895, Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho) para cumprimentá-lo. No Instituto Pasteur, Louis Pasteur passa muitas horas durante a tarde sob os castanheiros conversando em voz baixa com seus colaboradores ou com o fiel amigo Charles Chappuis (Debré, 1995, p. 546-547). No dia 13 de junho de 1895, Pasteur deixa o Instituto Pasteur e vai para Villeneuve-l´Etang, para passar a primavera, mas está cada vez mais fraco e não aproveita o parque. Suas forças declinam. Depois de um novo ataque, falece em 28 de setembro de 1895 às 16h40. De acordo com a vontade da família, é sepultado em uma cripta construída no subsolo de seu Instituto (Debré, 1995, p. 547-552). Próximo Grupo

  • Primeiros Beneméritos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Primeiros Beneméritos Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 *Ver a microbiografia de Jean-Joseph Pasteur no grupo Família Nuclear. O pai de Pasteur foi seu primeiro preceptor. Ele gostaria de ver o filho diretor do Collège d´Arbois. Tinha poucos amigos, mas eruditos: professores, o médico da cidade (Dr. Dumont – ex-médico militar que se tornou médico do hospital de Arbois) e outros (Debré, 1995, p. 33-34). Etienne Renaud ? Renaud era um jovem e ardente professor francês que se apegava aos alunos e sabia como diverti-los. Foi o primeiro professor de Louis Pasteur na escola primária, em 1831, na cidade de Arbois. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este docente que ministrou suas primeiras aulas (Debré, 1995, p. 32-33; Garozzo, 1974, p. 29-30). Emmanuel Bousson de Mairet 1796-1871 Amigo do pai de Pasteur, Mairet era homem de letras, filósofo e historiador francês. É autor de pelo menos 30 textos, dentre estes, sobre a história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, escreveu uma tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a este erudito local que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Emmanuel foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis Pasteur, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios (Debré, 1995, p. 34-35; Viñas, 1991, p. 34; Garozzo, 1974, p. 32). Ref. https://data.bnf.fr/en/12251066/emmanuel_bousson_de_mairet/ Romanet ? Diretor do Collège d´Arbois, o francês Romanet teve influência decisiva na carreira de Louis Pasteur. Na época, Louis Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê no infante Louis: a École Normale Supérieure (Debré, 1995, p. 35, 39; Viñas, 1991, p. 36; Garozzo, 1974, p. 32-33). Barbier ? Amigo do pai de Pasteur, o capitão Barbier provinha de Arbois, na França. Era Oficial da Guarda Municipal de Paris. Propõe ao pai de Louis ser o correspondente do jovem caso fique decidido que ele prossiga os estudos em Paris. Barbier fala de uma instituição no Quartier Latin onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet (Debré, 1995, p. 35-36, 39; Viñas, 1991, p. 36). Barbet ? Barbet, proveniente de Pagnoz, cidade do Franco-Condado, na França. Era dono do internato onde Louis Pasteur vai, primeiro aos 15 anos com Jules Vercel, e depois aos 17 anos com Cahrles Chappuis, se preparar para o concurso da École Normale Supérieure. Este senhor cortou pela metade as mensalidades de Pasteur e Jules. Aconselhou os rapazes e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Barbet permitiu, desde que não lecionasse nos horários dedicados aos seus estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, por toda sua dedicação e ajuda ao internato (Debré, 1995, p. 36; Viñas, 1991, p. 34, 36; Garozzo, 1974, p. 37, 39). Répécaud ? *Mais informações sobre os autores Droz e Pellico podem ser encontradas no grupo Leituras Iniciais. Répécaud era provedor do Colège de Besançon. Depois da formatura de Louis Pasteur, ofereceu-lhe o cargo de professor suplementar neste mesmo colégio, mas sem remuneração (Garozzo, 1974, p. 47-49). Louis aceitou a proposta, aos 18 anos, ganhando prática e com o tempo se tornando um dos professores mais queridos do colégio. Foi nesta época que achou indispensável aperfeiçoar o seu caráter, e algumas obras ajudaram bastante neste período, dentre elas a de Joseph Droz e de Silvio Pellico. Jean-Marie-Napoléon-Désiré Nisard 1806-1888 *Ver microbiografia de Désiré Nisard no grupo Academia Francesa. Crítico acadêmico e literato francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1850). Deputado (em 1842) e depois senador (em 1867). Publicou a "Coleção de autores latinos com tradução francesa" com muitos colaboradores, incluindo seus irmãos: Nisard, Auguste (1809-1892) e Nisard, Charles (1808-1889). Désiré Nisard nomeia Pasteur como Diretor de Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Ref. https://data.bnf.fr/en/12052360/desire_nisard/ Próximo Grupo

  • Cronologia | Pasteur Brasil

    Cronologia Louis Pasteur nasceu em 27 de dezembro de 1822 em Dole, cidade na região do Jura, França, em uma família de curtidores. Ele estudou em Arbois, depois em Besançon, onde recebeu o baccalauréat em letras. Em 1842 foi admitido na École Normale Supérieure em Paris, mas em 15º lugar, o que não lhe pareceu suficiente. Preferiu fazer um novo ano de preparação e refazer o concurso no ano seguinte, em 1843, sendo aprovado em 4º lugar. Em 1846 obteve a agrégation em física. Em 1847 defendeu suas teses em química e física na Faculdade de Paris e, em 1848, realiza sua primeira comunicação na Academia de Ciências. Demonstra que a dissimetria molecular é marca registrada dos seres vivos. Em 1849 foi nomeado professor adjunto de química da Universidade de Estrasburgo. Neste ano, casou-se com a filha do reitor desta universidade, Marie Laurent. Continuou a trabalhar na assimetria molecular. Em 1852 viaja para a Alemanha e Áustria. Visita diversas fábricas e contata cientistas. Em 1853 redige nota à Academia de Ciências sobre a origem do ácido racêmico. É nomeado Cavaleiro da Ordem Imperial da Legião de Honra. Recebe prêmio da Sociedade de Farmácia. Em 1854, foi nomeado reitor da nova Faculdade de Ciências de Lille. Começa seu trabalho com a fermentação. Em 1856 recebe a medalha Rumford da Royal Society de Londres por seus estudos sobre a cristalografia. Em 1857 é nomeado coordenador e diretor dos estudos científicos na École Normale Supérieure em Paris. Manteve este cargo até 1867. Neste mesmo ano, publica uma dissertação sobre a fermentação lática, sendo esta considerada a certidão de nascimento da Microbiologia. Em 1858 instala um laboratório no sótão da École Normale. Começa seu trabalho sobre geração espontânea, enquanto segue estudando a fermentação. Em 1859 recebe o prêmio da Academia de Ciências em fisiologia experimental, depois de um relatório de Claude Bernard. Em 1861 descobre a vida sem oxigênio (anaeróbia). Recebe o prêmio Jecker da Academia de Ciências por seus trabalhos sobre geração espontânea. Em 1862 foi eleito para a Academia de Ciências na seção de Mineralogia. Em 1863, solicitado por Napoleão III, Pasteur estuda doenças do vinho. É nomeado professor de geologia, física e química na Escola de Belas Artes de Paris, ministrando aulas a estudantes de arquitetura (ficará neste posto até 1867). Em 1864 instala, na cidade de Arbois, um laboratório para as pesquisas sobre o vinho. Em 1865 comunica à Academia de Ciências o processo de conservação e melhora dos vinhos. Início da pasteurização. Neste ano vai a Alès estudar as doenças do bicho-da-seda. Com o início da epidemia de cólera em Paris, é nomeado membro da comissão encarregada de investigar a doença. Em 1866 emite comunicações sobre as doenças dos bichos-da-seda. Em 1867, deixando o cargo de administrador, cria um laboratório de química fisiológica na École Normale S upérieure na Rua Ulm. Em 1868 recebe o título de doutor honoris causa em medicina, pela Universidade de Bonn. Sofre um ataque de apoplexia (AVC) que o deixa hemiplégico. Em 1869 continuou suas pesquisas sobre as doenças do bicho-da-seda e, em 1870, seus estudos sobre a cerveja. Neste ano é nomeado senador do Império, mas o decreto nunca será promulgado devido à guerra. Em 1871 ao tomar conhecimento do bombardeiro no Museu de História Natural, pelos prussianos, devolve seu diploma de doutor honoris causa da Universidade de Bonn. Neste ano, vai a Londres para continuar seus estudos sobre a cerveja e entrevista Tyndall, que lhe fala de Joseph Lister. Em 1872 usa seus direitos para a aposentadoria como professor da Sorbonne. Em 1873 é eleito para a Academia de Medicina. Recebe o título de comendador da Ordem da Rosa do Brasil. Em 1874 troca as primeiras cartas com o cirurgião inglês Joseph Lister. A Royal Society de Londres entrega a medalha Copley por seus trabalhos sobre a fermentação. Em 1875 instala em Arbois um laboratório para pesquisas sobre a fermentação. Em 1876 concorreu às eleições senatoriais no Jura, mas não é eleito. Neste ano, representa a França no Congresso Internacional Sericícola de Milão. Em 1877 realiza comunicações à Academia de Ciências sobre o carbúnculo e a septicemia. Em 1878 emite nota sobre o carbúnculo das galinhas. É promovido a grande oficial da Legião de Honra. Em 1879 faz comunicação sobre a septicemia puerperal. Em 1880 é nomeado membro da Sociedade Central de Medicina Veterinária. Realiza comunicação sobre as doenças virulentas, no qual expõe, pela primeira vez o princípio vírus-vacina. Ameaça pedir demissão da Academia de Medicina. Jules Guérin desafia Pasteur em um duelo, que não se realiza. Início das pesquisas sobre a raiva. Em 1881 realiza o experimento Pouilly-le-Fort, onde vacina um rebanho de ovelhas contra o carbúnculo. Declara sua candidatura à cadeira de Émile Littré na Academia Francesa, na qual é eleito. Recebe a grã-cruz da Legião de Honra. Em 1882 é recebido na Academia Francesa. Comparece ao Congresso de Higiene em Genebra. Controvérsia com Robert Koch. Em 1883 controvérsias com Michel Peter. Discurso na cidade natal, Dole, por ocasião da colocação de uma placa na casa onde nasceu. Envia Émile Roux, Isidore Straus, Edmond Nocard e Louis Thuillier ao Egito, para estudarem a cólera. Este último falece da doença. Em 1884 é publicada a primeira biografia de Pasteur: Histoire d´un savant par un ignorant, escrita (mas não assinada) pelo seu genro, René Vallery-Radot. Experiências com cães raivosos. Comunicação no Congresso Internacional de Medicina em Copenhague sobre o princípio geral das vacinações e os métodos preventivos contra a raiva humana. Carta de Pasteur ao imperador D. Pedro II do Brasil sobre a experimentação humana da vacina anti-rábica. Em 1885 vacinou Joseph Meister, que havia sido mordido por um cachorro raivoso. Prosseguiu com a vacinação em pessoas de diversos países. Em 1886 decidiu criar um instituto de combate à raiva (hidrofobia) e são recebidos os primeiros donativos. Nikolay Gamaleya e Élie Metchnikov criam um laboratório anti-rábico em Odessa. Alexandre Yersin torna-se assistente de Roux. Em 1887 Pasteur é vítima de um segundo AVC, e teve que diminuir sua atividade. É lançado o primeiro número dos Annales de l´Institut Pasteur, revista criada por Émile Duclaux. Em 1888 é inaugurado o Instituto Pasteur. Em 1891 é criado o Instituto Pasteur em Saigon (cidade no atual Vietnã), dirigido por Albert Calmette. Em 1892 uma cidade da Argélia recebe o nome de Pasteur. É celebrado o jubileu de Louis Pasteur na Sorbonne. Em 1894 sofre outro AVC que o deixa bastante enfraquecido. Em 1895 os alunos da École Normale são recebidos no Instituto Pasteur, por ocasião do centenário da École. Pasteur recusa a condecoração de Ordem ao Mérito da Prússia, e deixa Paris para ir à Villeneuve-l´Etang, onde falece aos 72 anos, em 28 de setembro. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. RICHET, Charles. L´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Félix Alcan, 1923. Biografia resumida

  • Academia de Medicina | Pasteur Brasil

    Academia de Medicina Apesar de ser químico, Pasteur foi admitido na Academia Médica de Paris em 25 de março de 1873, onde desde o início defendeu seus pontos de vista sobre os microrganismos e os fenômenos de putrefação que ocorriam no homem. Assim, são poucos os que vêm Pasteur sentar-se na Academia de Medicina de bom grado, mas graças à sua reputação e conexões, o cientista torna-se membro. Sua eleição é disputada por um voto, o que novamente mostra quão grande é a desconfiança do químico. Pasteur foi escolhido para ser ouvido como um especialista. Raros foram os que imaginaram Pasteur intervindo nos debates, ousando aconselhar e até a dar ordens sobre a arte de curar (Debré, 1995, p. 340). Claude Bernard vê em Pasteur um aliado contra médicos que desprezam a fisiologia (Debré, 1995, p. 327). Eles sentam-se lado a lado e conversam familiarmente (Debré, 1995, p. 392). Bernard defende as experiências de Pasteur e reconhece sua originalidade, concedendo-o o prêmio de fisiologia experimental. Bernard é mais cientista do que médico, pois a seus olhos, o trabalho de laboratório é que fundamenta a medicina experimental e permite às antigas terapias se transformarem em ciências (Debré, 1995, p. 395). Durante muito tempo o bisturi ficou separado do microscópio. Só as lições de Pasteur e de Claude Bernard, juntos, na Academia de Medicina conseguirão mudar essa mentalidade. Por chocar com os hábitos de uma casta médica, as contribuições conceituais da microbiologia levarão mais de ¼ de século para penetrar nos costumes e práticas médicas (Debré, 1995, p. 301). Bernard preparou o terreno e foi Pasteur quem redesenhou a paisagem médica onde evoluímos há 1 século (Debré, 1995, p. 550). Bernard fala pouco, não sorri e raramente faz algum comentário. Faz inúmeras experiências com animais, relata as observações feitas e redige comunicações extensas para os padrões das Academias. Nunca faz propaganda de si mesmo e diferentemente de Pasteur, nunca quis sair falando de suas teorias e resultados. Apesar de ser reconhecido em toda a Europa como o primeiro fisiologista de sua época, Bernard só se sente à vontade em seu laboratório (Debré, 1995, p. 395). Uma estima recíproca vai unir estes dois amigos, em laços verdadeiramente pessoais. Bernard, uns 10 anos mais velho, sempre apoiou Pasteur prontamente, sobretudo na época da eleição de Pasteur para a Academia de Ciências. Eles se encontravam regularmente e participaram juntos de um pequeno grupo de peritos encarregado por Napoleão III para fazer um relatório sobre a situação do ensino científico na França (Debré, 1995, p. 397). Na ocasião do adoecimento por enterite de Bernard, Pasteur, para apoiar seu amigo em convalescença e em repouso afastado de Paris, publica o artigo “Claude Bernard, importância de seus trabalhos, seus ensinamentos e de seu método”. Para isso, releu todos os trabalhos do amigo fisiologista. Bernard fica emocionado e agradecido, e lhe escreve “a admiração que o senhor demonstra por mim é recíproca”. Quando, por sua vez, Pasteur é atingido por um AVC, Bernard é um dos primeiros a comparecer à sua cabeceira para lhe trazer, afetuosamente, o seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Mais adiante, em 1878, Bernard fica gravemente doente. Acamado, é assistido pelo seu aluno Arsène d´Arsonval, a quem revela suas dúvidas sobre as teorias de Pasteur a respeito das fermentações. Ele acha que o fenômeno independe das leveduras, negando o papel da bactéria como organismo vivo, e diz ter anotações de resultados preliminares confirmando suas hipóteses. Neste mesmo ano, Bernard falece e seu aluno encontra seus papéis no quarto, e percebe que não são resultados, mas um esboço de trabalhos a realizar. D´Arsonoval e seus amigos optam pela publicação e enviam os papéis a Marcellin Berthelot, que não acredita no papel do ser vivo na fermentação, e publica as notas de Bernard em revista científica. A curiosidade é grande por esta publicação, pois Bernard não era amigo de Pasteur? (Debré, 1995, p. 399). Pasteur inicialmente não sabe se deve reagir publicamente, pois sabia ser uma atitude inerente de Bernard a de questionar tudo, a fim de não deixar passar nenhum erro de raciocínio. Pasteur consulta então a opinião de colegas na Academia. Alguns aconselham a não se deixar incomodar pelo que seria uma volta ao passado; outros pensam que o respeito à memória de Bernard obriga a responder apenas com fatos, já que Bernard não está presente para sustentar uma discussão. O que mais choca a retidão de Pasteur é polemizar com um morto, no entanto, após ler os documentos por inteiro, decide se posicionar sugerindo que a publicação de Berthelot não é fiel ao pensamento de Bernard e anuncia que está começando uma nova série de experiências sobre fermentação, não para defender sua teoria, mas para dar continuidade aos trabalhos que Bernard não teve tempo de terminar. Naquele ano, as férias de Pasteur são consagradas a estas experiências e consegue resultados taxativos: a levedura é indispensável para a fermentação. Pasteur publica suas conclusões sob a forma de um exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação, onde afirma no final que “a glória do nosso ilustre colega não foi diminuída” (Debré, 1995, p. 401). Michel Peter afirma que um médico não precisa se sobrecarregar com os saberes de um químico, de um físico ou de um fisiologista. Dirigindo-se a Pasteur, fala a respeito da febre tifoide: “O que me importa o seu micróbio?”. Em resposta, Pasteur denuncia o que para ele é uma “blasfêmia médica” e insiste que o médico deve não só curar, mas prevenir a doença, e recomenda a profilaxia e a higiene (Debré, 1995, p. 301). Peter é um dos mais influentes membros da Academia, e afirma que “as descobertas das bactérias são curiosidades da história moderna (...) quase sem nenhum proveito para a Medicina”. "Na Academia, Peter se arvora de promotor e transforma a assembleia em uma audiência de acusação: 'A desculpa do senhor Pasteur é a de ser um químico, que inspirado no desejo de ser útil, quis dar força à medicina, ciência que lhe é totalmente estranha" (Debré, 1995, p. 460). Peter e Pasteur se desprezam, mas são parentes afastados do lado de suas esposas, por meio de um ancestral comum, Joseph Loir, que foi veterinário do exército do Egito. Ele havia se casado sob as ordens de Napoleão Bonaparte. Seu neto é Adrien Loir, sobrinho de Pasteur, que trabalha de manhã com Peter e de tarde com Pasteur. Deste modo, participa da briga dos dois “patrões” (Debré, 1995, p. 459). Gabriel Constant Colin se revela um adversário da teoria de Pasteur. Este veterinário se apoia em 12 anos de trabalho com o carbúnculo para afirmar que Pasteur está errado em acreditar que o bacilo é o responsável pela doença. Colin também se recusa a admitir o fenômeno de incubação de certas doenças. Pasteur se esforça em vão em convencê-lo apesar das explicações. Colin conserva vários adeptos entre os médicos. Diante de vários debates contraditórios na Academia, Pasteur exclama aos jovens que assistem às sessões: “jovens, vocês que se sentam no alto destas arquibancadas provavelmente são a esperança do futuro médico do nosso país. Não venham aqui para procurar a excitação da polêmica; venham se instruir com os métodos” (Debré, 1995, p. 356-358). Henri-Marie Bouley, veterinário, se declara impressionado com a interpretação de Colin e embora partidário de Pasteur, convida-o a examinar de perto as objeções que lhe são feitas, as quais Pasteur replica vigorosamente. Porém, cabe ressaltar que Bouley é um dos grandes apoios de Pasteur (Debré, 1995, p. 355, 448, 460, 495). Na Academia, cada vez que Bouley tenta louvar os méritos de Pasteur, Peter intervém e é aplaudido em nome da medicina tradicional (Debré, 1995, p. 460). Alphonse Guérin cria o laboratório de anatomia e química patológica para observar os benefícios do uso dos curativos acolchoados. Ele associa o abcesso às febres infecciosas (Debré, 1995, p. 327). Pasteur constata que os curativos de Guérin, assim como os de Lister, são os verdadeiros responsáveis pelos sucessos cirúrgicos constatados, graças à filtragem dos germes por essa separação acolchoada e a consequente destruição destes pela solução anti-séptica (Debré, 1995, p. 328). Quando Pasteur faz uma comunicação à Academia de Medicina dizendo que pretende produzir vacinas, mas ainda sem relatar o processo (que ainda iria dar início), os adversários de Pasteur, encabeçados por Jules Guérin o censuram por não comunicar os detalhes de sua técnica e conseguem que a Academia repreenda a conduta de Pasteur. Ele fica furioso e abatido, pois naquele mesmo período sua irmã Virginie acaba de falecer. Pasteur faz diversos rascunhos de uma carta de demissão da Academia, mas volta atrás. Mais adiante, Pasteur estará apto a revelar em detalhes o seu processo experimental de virulência atenuada (vacinação), que marcará o nascimento de uma nova disciplina, a imunologia (Debré, 1995, p. 427-428). As discussões sobre a varíola e a vacina continuam na Academia, o que se torna cansativo para Pasteur. O conflito entre os dois se agrava e Pasteur o responde grosseiramente e recusando-se a responder a Jules Guérin, e acrescenta: “Doravante, seremos dois no combate e veremos qual de nós sairá ferido e machucado desta luta”. A sessão é suspensa por um grande tumulto. Guérin furioso se precipita sobre Pasteur e é impedido pelo barão Larrey, que se interpõe. Na época, Guérin tem quase 80 anos e Pasteur quase 60 anos. Depois de alguns dias, o conflito vai se extinguir e Pasteur aceita se desculpar, cujas palavras ficaram registradas na ata: “Se, no calor do debate, pronunciei alguma palavra ou julgamento que pudesse prejudicar o renome do senhor Jules Guérin, eu as retiro e declaro que nunca desejei ferir nosso sábio colega. Em nossas discussões, só tive uma preocupação, a de defender, energicamente, a exatidão dos meus trabalhos” (Debré, 1995, p. 441-442). Gabriel Colin e Jules Guérin continuam a atacar Pasteur, mesmo após o sucesso do experimento em Poilly-le-Fort. Não raro, Pasteur deixa a sala, com raiva contra os que não compreendem o valor de suas experiências. Finalmente, resigna-se a não mais assistir às sessões da Academia. Sua ausência, no entanto, não impede as controvérsias sobre a teoria microbiana, a teoria do contágio e sobre as terapias propostas (Debré, 1995, p. 459). Charles-Emmanuel Sédillot (não era membro da Academia) era um fervoroso partidário de Pasteur. Com 64 anos, foi um dos primeiros a aceitar e encorajar os trabalhos de Pasteur e suas aplicações cirúrgicas. Ele lê uma nota na Academia resumindo a evolução positiva do tratamento das lesões, com curas mais frequentes e redução de gangrenas e amputações. Se relatório termina com uma apologia à palavra micróbio (em vez de animálculo), dizendo: “a palavra micróbio tem a vantagem de ser mais curta e de possuir um significado mais geral e, tendo meu ilustre amigo Littré, o linguista mais competente da França, aprovado esse nome, nós o adotaremos” (Debré, 1995, p. 408). Maximilien-Paul-Émile Littré era unanimemente respeitável, sendo descrito como uma das grandes mentes do século, e pela sagacidade de sua mente, Ernest Renan disse ser “uma das consciências mais completas do universo”. Foi autor do célebre Dictionnaire, e mesmo deixando de praticar a medicina, torna-se um erudito na área. Deste modo, torna-se a autoridade mais competente para batizar os pequenos organismos que Pasteur detectou em seu microscópio. Em resposta a Sédillot, afirma: “para designar os animálculos, eu daria preferência a ‘micróbio’; primeiro, porque, como você diz, é mais curto, depois porque ele destina ´microbia´, substantivo feminino, para a designação de estudo do micróbio” (Debré, 1995, p. 410). Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). "Nos bancos da antiga Casa de Caridade, Pasteur encontra cinco dos maiores positivistas: Claude Bernard, Émile Littré e, é claro, Marcelin Berthelot; também Paul Broca, o célebre neurologista a quem se deve a primeira descrição anatômica do cérebro e Charles Robin, colaborador de Littré, inventor das palavras "hemácias" e "leucócitos" para designar os glóbulos vermelhos e brancos do sangue. Como revelam as atas das sessões, depois da morte de Claude Bernard, esses cientistas deixam Pasteur lutar sozinho. Por ocasião da famosa comunicação de maio de 1880, quando Pasteur descreve o estafilococo do furúnculo como sendo também responsável pela osteomielite, nenhum deles toma a palavra para destacar a importância da descoberta" (Debré, 1995, p. 416). Alfred Vulpian é um dos médicos mais respeitados de sua época. Se torna membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. Após o sucesso do tratamento e diante da Academia de Ciências, Vulpian pede a palavra dizendo que Pasteur trabalhou durante anos, com uma série de pesquisas feitas sem interrupção até criar um tratamento do qual não duvida do sucesso (Debré, 1995, p. 489, 494). Após a descoberta da vacina da raiva, Jean-Martin Charcot aproveita para posicionar-se perante os inimigos de Pasteur na Academia de Medicina: “o inventor da vacina antirrábica hoje, com mais razão do que nunca, pode andar com a cabeça erguida e prosseguir o cumprimento de seu glorioso labor sem deixar-se desviar dele, no mínimo pelos clamores da contradição sistemática ou pelas insidiosas murmurações da difamação” (Viñas, 1991, p. 156). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. VIÑAS, David. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Labor, 1991. https://www.ccih.med.br/wp-content/uploads/2014/07/capitulo7-As-bases-do-hospital-contempor%C3%A2neo-a-enfermagem-os-ca%C3%A7adores-de-micr%C3%B3bios-e-o-controle-de-infec%C3%A7%C3%A3o.pdf https://www.pourlascience.fr/sd/histoire-sciences/la-mort-par-les-microbes-3896.php Fachada da Academia de Medicina. Frente da Academia de Medicina. Detalhe da inscrição da Academia de Medicina em Paris. Biblioteca da Academia de Medicina. Interior da Academia de Medicina. Continue lendo a biografia

  • Academia de Ciências | Pasteur Brasil

    Academia de Ciências Mais tarde, Pasteur dirá sobre a época que viveu em Estrasburgo como “o tempo em que floresceu o espírito da invenção”. De fato, o desabrochar de experiências cristalográficas audaciosas datam deste período, cujos resultados são comunicados por Biot à Academia de Ciências, despertando interesse pelos trabalhos de Pasteur. Em 1852, Pasteur vai a Paris apresentar seus trabalhos à Academia de Ciências. Em geral, o clima é favorável, mas há também críticas, pois alguns começam a achar que o jovem cientista começa a dar muito o que falar de si próprio. Louis Jaques Thénard (1777-1857), um dos membros desta Academia, é barão e o químico mais coberto de honra do momento. Descobriu a água oxigenada, fez uma classificação dos metais e foi colaborador de Gay-Lussac (1778-1850). Thénard é descrito como bom-vivant e um grande comilão. Oferece um jantar em honra ao cientista alemão Eilhard Mitscherlich (1794-1863) para eminentes cientistas da Academia. Pasteur é convidado. O interesse de Thénard pelo jovem Pasteur reside especialmente pelo fato de Louis se preocupar com as aplicações industriais de suas pesquisas. O químico alemão Mitscherlich vai a Paris como correspondente estrangeiro na Academia de Ciências, em companhia do mineralogista Gustav Rose (1798-1873), professor na Faculdade de Berlim. Ambos quiseram se encontrar com Pasteur para ouvir de sua própria boca as circunstâncias detalhadas de suas descobertas sobre o tártaro. Pasteur, Mitscherlich e Rose passam duas horas juntos discutindo as circunstâncias da observação e refletindo sobre as consequências. Durante o jantar, Mitscherlich levanta o copo e brinda o jovem cientista Louis dizendo: “Estudamos tanto e tanto esses cristais que estamos persuadidos de que se você não encontrasse, ao observá-los de novo, esse fato tão notável, nossa descoberta ficaria ignorada durante um tempo considerável” (Debré, 1995, p. 87). Portas se abrirão para Pasteur. Mitscherlich conhece um produtor de ácido paratartárico na Alemanha, o industrial Friedrich Fikentscher (1799-1864), e o cientista decide viajar à Alemanha para encontrar a tal molécula, sabendo que procura a “pedra filosofal”, remetendo-se aos seus antecessores alquimistas. Pasteur escreve ao pai sobre a busca que estava prestes a empreender: “Sabes muito bem que eu procuro a pedra filosofal e já leste todas as alegrias, depois todas as decepções dos alquimistas que me precederam. Eles acreditavam que estavam às vésperas de encontrá-la. Estou a ponto de achá-la. Eles morreram na busca. Espero muito que o meu zelo não falhe antes da hora final. Meu venerável mentor dá-me o exemplo, e eu acho, assim como ele, que só há uma coisa que me entretém: o trabalho” (Debré,1995, p. 89). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Academia de Ciências. Jean-Baptiste Biot. Louis-Jacques Thénard, barão e químico. Joseph-Louis Gay-Lussac. Eilhard Mitscherlich. Gustav Rose. Alquimista aquecendo um pote com fole. Continue lendo a biografia

  • Personalidades | Pasteur Brasil

    Acesse os Grupos Legenda do Grupocarmograma Conheça a notação utilizada na pesquisa.

  • Políticos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Políticos Charles-Louis-Napoléon Bonaparte (Napoléon III) 1808-1873 Napoleão III, também chamado (até 1852) Louis-Napoléon, nome completo Charles-Louis-Napoléon Bonaparte, nascido Paris e falecido em Chislehurst, Kent, Inglaterra, sobrinho de Napoleão I, foi presidente da Segunda República da França (1850 a 1852) e imperador dos franceses (1852 a 1870). Devido à extensão da biografia de Napoleão III, sugere-se consultar os links referentes a "mais informações". Em ano seguinte à sua eleição para a Academia de Ciências, Pasteur é apresentado a Napoleão III, por Jean-Baptiste Dumas, segundo o costume da época ao ingressar na Academia. Naquele mesmo ano, Ildefonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, p. 245-246, 254). Dois anos depois, Napoleão III disse ter muito interesse em se manter informado do andamento das pesquisas e o convida para passar uma semana no castelo de Compiègne (Debré, 1995, p. 246). É realizada uma demonstração aos imperadores ao microscópio, com amostras de vinho (Debré, 1995, p. 251). Em 1863, Pasteur escreve a Napoleão III dizendo que “é chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, o imperador pede a Victor Duruy, Ministro da Instrução Pública, que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo surgem obstáculos para a continuidade da obra, pois os créditos suplementares que a construção exige são recusados pela administração. Encontra-se dinheiro para levantar a Ópera Garnier, mas não para a pesquisa científica. Pasteur fica indignado e, em 1868, prepara um artigo denominado “O orçamento da ciência” para o jornal Le Moniteur a fim de mobilizar a opinião pública. Em um dos trechos ele diz: “suprimam os laboratórios, e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte”. Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um conjunto de cientistas, inclusive Pasteur. Napoleão III convida cada um a se exprimir. Pasteur recorda a criação da função de estagiário e fala em seguirem o exemplo da Alemanha, onde inclusive eles moram nas proximidades do seu laboratório (Debré, 1995, p. 166-168). Ref. https://data.bnf.fr/fr/12462544/napoleon_3/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Napoleon-III-emperor-of-France Mais informações: https://www.napoleon.org/en/young-historians/napodoc/napoleon-iii-emperor-of-the-french-1808-1873/ Ildefonse Favé 1812-1894 General francês de artilharia. Ajudante de campo do imperador Napoleão III. - Membro da Academia das Ciências (eleito em 1876). Natural de Dreux, França, foi general de artilharia, comandante da Escola Politécnica Imperial, ajudante de campo do imperador e membro da Academia das Ciências (eleito em 1876). Favé passou pela Escola de Aplicação Metz e se tornou tenente de artilharia. Em 1841, ele publicou um Novo Sistema para a Defesa de Fortalezas e foi destacado para a Manufatura de Armas de Tule. Em 1845, foi vice-diretor das oficinas de precisão do depósito central de artilharia; ele publicou uma História Tática das Três Armas. Em 1846, ele publicou o primeiro volume de Estudos sobre o Passado e o Futuro da Artilharia, escrito por Louis-Napoleón durante sua detenção em Fort Ham; em 1847, ele estudou um novo modelo de rifle. Louis-Napoléon, que se tornou Presidente da República em 1848, chamou Favé que publicou seu Novo Sistema de Artilharia em 1850. Em seguida, foi enviado em uma missão de estudos à Inglaterra, Holanda e Bélgica para avaliar seus equipamentos. Artilharia (fabricação de explosivos e organização de fábricas de armas). Em seu retorno, nomeado professor de arte militar na École Polytechnique, ele se tornou o oficial ordenado de Luís Napoleão em 1852 e depois o líder de seu esquadrão. Em 1853, durante a Guerra da Crimeia, ele desenvolveu navios de guerra flutuantes a vapor para o ataque ao porto de Kronstadt, três dos quais foram usados em Sebastopol em 1855. Chefe do gabinete militar de Napoleão III durante a campanha da Itália, ele depois trabalhou na artilharia de canhão rifled e criou as primeiras metralhadoras. Coronel em 1859, general de brigada em 1865, Favé foi nomeado comandante da École Polytechnique em 1865 e juntou-se ao estado-maior do imperador em 1870, onde participou na defesa de Paris. Ele mudou-se para o quadro da reserva em 1874. Em 1876, foi eleito para a Academia de Ciências. Professou arte militar na Polytechnique de 1874 a 1882. Publicou, além das obras citadas acima, entre outras: O exército francês desde a guerra, 1874-1875; Curso de Arte Militar, 1877 e 1878-1879. Em 1870, Favé, comandante da Escola, participou da defesa de Paris. Em 1855, Ildefonse Favé, então oficial ordenado do imperador e professor na École Polytechnique, apoiou o trabalho de Henri Sainte-Claire Deville (1818-1881) com o imperador. Ildefonse Favé apoiará outros cientistas, que também contarão com a ajuda financeira do imperador, incluindo dois próximos a Sainte-Claire Deville, Louis Pasteur (1822-1895) e Léon Foucault (1819-1868). Ildefonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, p. 245-246, 254). Ref. https://data.bnf.fr/fr/13486599/ildefonse_fave/ Mais informações: https://www.polytechnique.edu/bibliotheque/fr/1865-fave-ildefonse-dreux-1812-paris-1894 Jean-Victor Duruy 1811-1894 Político e historiador francês. Agrégé d'histoire (1833). Doutor em Letras (1853). Professor de História no Lycée Henri IV em Paris. Inspetor Geral da Educação Secundária (1862). Ministro da Instrução Pública (1863-1869). Senador (1869-1870). Membro da Académie des Inscriptions et Belles-Lettres (eleito em 1873), Academy of Moral and Political Sciences (eleito em 1879), Académie française (eleito em 1884). Victor Duruy, natural de Paris, França foi um acadêmico francês e funcionário público que, como ministro nacional da educação ( 1863-69), iniciou reformas extensas e controversas. Ele foi professor em Reims e Paris e, como ministro da instrução pública (1863-1869) sob Napoleão III, incentivou a adoção do princípio da educação primária obrigatória gratuita. Sua obra mais conhecida é sua Histoire des Romans (7 vol., 1870-85; tr., 8 vol., 1883), mas ele também escreveu outras histórias populares, notadamente da Grécia e da França. Victor Duruy foi um interlocutor muito próximo de Pasteur, construindo uma verdadeira relação de amizade. Inclusive, a filha de Duruy, Hélène, era colega de Cécile, filha de Pasteur que faleceu ainda criança. A passagem de Duruy no Ministério da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajuda concedida aos cientistas, não só a Pasteur. Ele é responsável por criar o decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades, devido à forte influência de Pasteur. Ambos tinham a convicção de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, e Duruy ajuda a vencer obstáculos administrativos para desbloquear o crédito para a finalização do laboratório de química fisiológica (Debré, 1995, p. 168-170). Duruy vela pelo ingresso de Pasteur na Legião de Honra e faz com que seja atribuído um prêmio pelos seus trabalhos sobre a fermentação do vinho, por ocasião da Exposição Universal de 1867. Nesta ocasião, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Ref. https://data.bnf.fr/en/12453369/victor_duruy/ Ref. https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/duruy-victor Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Victor-Duruy Mais informações: https://www.jstor.org/stable/286006?seq=1 Mathilde Laetitia Wilhemine Bonaparte 1820-1904 Mathilde Bonaparte, filha de Jerônimo Bonaparte (1784–1860), rei da Westfália (irmão mais novo de Napoleão) e Catarina de Wurttemberg (1783–1835); irmã do Príncipe Napoleão (Plon-Plon) e sobrinha de Napoleão I, imperador da França. Casou-se em 1840 com o Príncipe Anatole Demidoff, Príncipe de San Donato (1813-1870). Ela passou os primeiros anos de sua infância em Roma e quase se casou com seu primo Luís Napoleão em 1836, mas o noivado foi rompido após o fracasso do golpe de Estrasburgo. Casada em 1840 com o príncipe russo Anatoli Demidoff de San Donato, ela se separou dele em 1845 e se estabeleceu em Paris. Lá ela manteve um salão de renome frequentado pela elite intelectual e artística do Segundo Império. Ela organizava jantares de homens de letras às quartas-feiras, onde se podia conhecer escritores como Sainte-Beuve, Ernest Renan, Émile Littré, Guy de Maupassant, Gustave Flaubert, Théophile Gautier, Alexandre Dumas ou François Coppée. Também convidou jornalistas como Émile de Girardin, Doutor Véron, diretor do Constitutionnel, ou Villemessant, fundador do Le Figaro. Os cientistas não foram esquecidos: Louis Pasteur, Claude Bernard ou Marcelin Berthelot. A princesa Mathilde foi extremamente influente durante o Segundo Império por causa de sua estreita amizade com seu primo Napoleão III. Por volta de 1863, Pasteur vai ao salão da princesa Mathilde. Lá fala da necessidade de uma reforma na produção do vinho ou do vinagre e queixa-se da pouca consideração de que dispõem os laboratórios e da inércia dos poderes públicos. No fundo esta é a intenção de Pasteur ao comparecer nestas ocasiões. O resultado obtido é a criação de uma cátedra de física e química aplicadas na École de Belas Artes, onde leciona para estudantes de arquitetura, onde fala bastante de higiene e do mal emprego da ventilação (Debré, 1995, p. 152-153). Ref. https://data.bnf.fr/en/12071715/mathilde_bonaparte/ Ref. https://histoire-image.org/fr/etudes/salon-princesse-mathilde Mais informações: https://www.encyclopedia.com/women/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/mathilde-1820-1904 Pedro de Alcântara... de Bragança (Dom Pedro II) 1825-1891 Dom Pedro II foi o segundo e último Imperador do Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 02 de dezembro de 1825. Filho do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina, recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança. Tornou-se príncipe regente aos cinco anos de idade, quando seu pai, Dom Pedro I, abdicou do trono. Aos 15 anos foi declarado maior e coroado Imperador do Brasil. Seu reinado teve início no dia 23 de julho de 1840 e terminou no dia 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República. D. Pedro II acompanhava com grande interesse os trabalhos de Pasteur, e desejava que o Brasil seguisse os passos do cientista. Durante os anos 1880 eles trocam algumas cartas. Pedro II preocupa-se particularmente com a febre amarela e em uma carta de 1882 escreve “espero que não se esqueça das pesquisas de micróbios da febre amarela, descobrindo-lhe uma vacina”. O imperador brasileiro desejava muito a vinda de Pasteur para o Brasil, o que não ocorreu devido à idade avançada de Pasteur e as sequelas do AVC. Em 1886, Pedro II confere a Pasteur a “Ordem da Rosa” pelo serviço prestado à humanidade ( Lima; Marchand, 2005, p. 17, 25 ) . Em 1884, em carta a Dom Pedro II, Pasteur participa ao imperador do Brasil que até aquele momento ainda não havia efetuado nenhuma experiência com humanos. Verifica a possibilidade de no dia da execução da sentença de morte dos condenados (que ele pensava existir), ser oferecida a escolha de ter uma morte iminente ou a possibilidade de participar de um experimento científico que consistiria em inoculações preventivas da raiva, de modo a tornar-se refratário à doença. Disse: “No caso de ser salvo, e estou persuadido de que isso aconteceria, como garantia para a sociedade que condenou o criminoso, eu o submeteria a uma vigilância para o resto da vida” (Debré, 1995, p. 484). Mais informações: https://www.encyclopedia.com/humanities/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/pedro-ii-brazil-1825-1891 Mais informações: https://www.ebiografia.com/dompedro_ii/ Frederick Hamilton-Temple-Blackwood (Lord Dufferin) 1826-1902 Frederick Hamilton-Temple-Blackwood, nasceu em Florença, Itália, e faleceu perto de Belfast, Irlanda. Foi primeiro marquês de Dufferin e AVA. Ele se destacou como diplomata, especialmente como embaixador britânico em São Petersburgo e como governador-geral do Canadá, o que levou à sua nomeação como vice-rei da Índia (1884 - 1896). Após, foi embaixador britânico em Paris (1891 – 1896). Lord Dufferin, enquanto embaixador britânico em Paris, escreveu às autoridades britânicas na Índia sugerindo que fossem oferecidas instalações a Waldemar Haffkine, bacteriologista ucraniano do império da Rússia, que iniciou os seus experimentos sobre a cólera no Instituto Pasteur, para continuar seus estudos de cólera naquele local. Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Frederick-Temple-Hamilton-Temple-Blackwood-1st-Marquess-of-Dufferin-and-Ava Mais informações: https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/dufferin-lord Gustave Rouland 1806-1878 Gustave Rouland, nascido em França, foi deputado por Dieppe, Seine-Maritime (1846), vice-presidente do Senado (1863) Ministro da Educação Pública (1856-1863), Advogado-Geral no Tribunal de Cassação, Presidente do Conselho de Estado (1863) e Governador do Banque de France (1863-1878). Deputado de 1846 a 1848, senador do segundo império, ministro senador de 1876 a 1878, nascido em Yvetot (Seine-Inférieure) em 1º de fevereiro de 1806, falecido em Paris em 12 de dezembro de 1878, estudou no colégio de Rouen, seu direito a Paris, foi admitido como advogado em 1827, entrou no judiciário como juiz no tribunal des Andelys e, sucessivamente, tornou-se procurador-adjunto do rei em Louviers (1828), em Evreux (1º de junho de 1831), procurador do rei em Dieppe (1º de outubro após), procurador-geral adjunto em Rouen, procurador-geral adjunto no tribunal (17 de janeiro de 1835), advogado-geral (1 de novembro de 1838) na mesma cadeira, procurador-geral em Douai (28 de abril de 1843). Eleito em 1º de agosto de 1846, deputado do 7º colégio de Seine-Inférieure (Dieppe) por 268 votos em 490 eleitores e 517 registrados, contra 221 do senhor Levavasseur, foi majoritário, falou sobre questões legislativas, e foi nomeado, em 23 de maio de 1847, advogado-geral no Tribunal de Cassação: nesta ocasião, os seus eleitores renovaram o seu mandato legislativo por 314 votos em 441 eleitores. M. Rouland renunciou ao cargo de magistrado na revolução de fevereiro de 1848, foi reintegrado em suas funções em 10 de julho de 1849 e foi nomeado procurador-geral no tribunal de Paris em 10 de fevereiro de 1853. Ele falou, nesta qualidade, em negócios de os enredos da Opéra-comique e do Hipódromo, no dos correspondentes estrangeiros, de Pianori, etc. Com a morte de M. Fortoul, o imperador confiou-lhe a pasta de Educação Pública e Culto (13 de agosto de 1856-24 de junho de 1863): ele modificou o chamado sistema de bifurcação, inaugurou a educação profissional, fundada por M. Renan assumiu a cadeira de lingüística comparada no Collège de France (11 de janeiro de 1862) e suspendeu o curso no dia seguinte à aula de abertura (18 de janeiro) por "ataques às crenças cristãs". Como Ministro da Religião, ele tentou impedir o movimento dos bispos em favor do Papa (1860); ao Senado, onde havia sido convocado pelo Imperador em 14 de novembro de 1857, respondeu ao Arcebispo de Bordéus, em 1865, na discussão do Discurso, que a camarilha da Ency e o Syllabus eram apenas uma resposta à convenção de 25 de setembro, a vingança do partido ultramontano, cuja influência crescia a cada dia; em 1867, discursou contra o ensino gratuito, dizendo que "o professor deveria ser amigo da ordem pública, amigo do governo", e que era preciso deixar aos prefeitos o direito de escolher e nomeá-los. Na mesma discussão, em uma alusão ao Sr. Renan, o Sr. Rouland afirmou que este último, antes de sua nomeação, havia feito compromissos condicionais com o Ministro que não havia cumprido; M. Renan se opôs a esta alegação, no Journal des Débats no dia seguinte, uma negação formal. M. Rouland foi nomeado Ministro que preside o Conselho de Estado (18 de outubro de 1863 - 27 de setembro de 1864), membro do Conselho Superior da Educação Pública (7 de novembro), Governador do Banque de France (28 de setembro de 1864) ; ele foi vice-presidente do Senado desde o ano passado. Em 5 de junho de 1871, foi chamado ao cargo de Procurador-Geral do Tribunal de Contas. Mas o Sr. Ernest Picard, nomeado em seu lugar Governador do Banque de France, tendo recusado este cargo, o Sr. Rouland foi reintegrado nessas funções no dia 29 de dezembro seguinte. Conselheiro geral do cantão de Yvetot, secretário e presidente da assembleia departamental, foi eleito, em 30 de janeiro de 1876, senador de Seine-Inferior por 495 votos em 868 eleitores; sentou-se à direita bonapartista, concedeu a dissolução da Câmara solicitada pelo gabinete de 16 de maio, lutou contra os ministérios republicanos com seus votos e morreu durante a legislatura. Grã-cruz da Legião de Honra (14 de agosto de 1862). Temos dele: Discursos e acusações (1804). No final de 1859, Pasteur não tinha a mínima subvenção para ins talar-se na Rua Ulm. Escreveu a Gustave Rouland, então ministro da Instrução Pública a fim de chamar a atenção para os benefícios que poderiam ser extraídos de um estudo completo sobre a doença dos vinhos, solicitando fundos necessários para a instalação e experimentos no laboratório na rua Ulm em Paris : "Acho que obedeço, senhor ministro, a uma parte de suas instruções, con sagrando todo o tempo de que disponho aos progressos da ciência." Era uma maneira indireta de pedir os fundos necessários destinados à instala ção de um rico material. Responderam-lhe que os créditos deveriam ser "inteiramente consagrados à conservação dos edifícios e não à execução dos trabalhos que a conveniência das pessoas alojadas nesse edifícios reclama". De tanto insistir, Pasteur acabou, entretanto, obtendo alguns subsídios. Mas só podia tratar-se de uma instalação provisória. Todavia, o equipamento de que Pasteur precisava na época era modes to. Suas pesquisas sobre a fermentação só exigiam uma estufa, um micros cópio, produtos químicos, recipientes de vidro. Mas, se o Ministério quises se dar algum dinheiro para a reparação da água-furtada, claro estava que era impensável assegurar os respectivos equipamentos ou o funcionamento: "Não há orçamento ad hoc que nos permita subvencionar cinqu enta cêntimos para os seus gastos com experiências." Foi, portanto, com seu próprio salá rio que Pasteur teve de equipar e manter seu laboratório. Tal instalação lhe custou cerca de dois mil francos, soma considerável para a época (Debré, 1995, p. 161, 551). Ref. https://data.bnf.fr/fr/15587634/gustave_rouland/ Ref. https://www.senat.fr/senateur-3eme-republique/rouland_gustave1602r3.html Marie-François-Sadi Carnot 1837-1894 Político francês. Presidente da República Francesa (1887-1894). Ex-aluno da École Polytechnique. Filho de: Carnot, Hippolyte (1801-1888). Sadi Carnot, nome completo Marie-François-Sadi Carnot, natural de Limoges, França foi um engenheiro e político francês que se tornou estadista e serviu como presidente (1887-94) da Terceira República. Carnot era um engenheiro que se tornou estadista que serviu como quarto presidente (1887-94) do Terceiro República até ser assassinado por um anarquista italiano. Carnot era filho de um deputado de esquerda (Hippolyte Carnot) que era um vigoroso oponente da Monarquia de Julho (depois de 1830) e neto de Lazare Carnot, o famoso “Organizador da Vitória” da Revolução Francesa. Ele se formou como engenheiro na École Polytechnique e depois na École des Ponts et Chaussées (Escola de Pontes e Rodovias). Sadi Carnot comparece à cerimônia de inauguração do Instituto Pasteur (1888) e ao Jubileu de 70 anos de Pasteur (1892). Carnot disse “não faltarei, vosso Instituto é uma honra para a França” (Masi, 1999, p. 111). Ref. https://data.bnf.fr/en/12466621/sadi_carnot/ Ref.: https://www.britannica.com/biography/Sadi-Carnot María Eugénia Ignacia Augustina de Montijo de Guzmán 1826-1920 Eugénia ou Eugénie (em francês), condessa de Teba, era natural de Granada, Espanha. Esposa de Napoleão III e imperatriz da França (1853-70), que passou a ter uma influência importante na política externa de seu marido. Eugénie era filha de um nobre espanhol que lutou ao lado da França durante a Guerra Peninsular de Napoleão I na Espanha, Eugénie foi para Paris quando Luís Napoleão se tornou presidente da Segunda República em dezembro de 1848. Eles se casaram em janeiro de 1853, depois que ele se tornou imperador Napoleón III. A estada de Pasteur na propriedade imperial em parte da tempo de pesquisa das doencças do bicho-da-seda, coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, o cientista dedica a publicação de seu trabalho à imperatriz Eugénia, escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Ref. https://data.bnf.fr/en/13013975/eugenie/ Ref.: https://www.britannica.com/biography/Eugenie Ferdinand Marie de Lesseps 1805-1894 Natural de Versailles, França, foi diplomata e administrador, presidente da Compagnie de l'isthme de Suez e membro da Academia Francesa (eleito em 1884). Ferdinand de Lesseps nasceu em 19 de novembro de 1805 em uma família de diplomatas de carreira franceses. Ele seguiu a mesma profissão e, no início de sua carreira, foi enviado para a Tunísia e o Egito. No Egito, ele fez amizade com Said Pasha, filho do vice-rei. De Lesseps ficou fascinado com as culturas do Mediterrâneo e do Oriente Médio e com o crescimento do comércio da Europa Ocidental. Depois de postagens na Espanha e na Itália, em 1849 ele se aposentou após um desentendimento com o governo francês. Em 1854, seu amigo Said Pasha tornou-se o novo vice-rei do Egito. De Lesseps retornou imediatamente ao Egito, onde foi recebido calorosamente e, logo em seguida, permissão para iniciar as obras no Canal de Suez. De Lesseps inspirou-se lendo sobre Napoleão ' O esquema de De Lesseps foi apoiado por uma comissão internacional de engenheiros, mas não conseguiu obter o apoio do governo britânico, apesar de De Lesseps fazer uma série de viagens a Londres. Ele perseverou e acabou atraindo apoio financeiro do imperador francês Napoleão III e de outros. De Lesseps não era um engenheiro - sua conquista consistiu em organizar o apoio político e financeiro necessário e em fornecer o suporte técnico necessário para um projeto tão grande. A construção começou em abril de 1859 e o Canal de Suez foi inaugurado em novembro de 1869. As atitudes britânicas mudaram quando o canal foi considerado um sucesso e de Lesseps foi tratado como uma grande celebridade em sua visita subsequente à Grã-Bretanha. Em 1875, o governo egípcio vendeu suas ações no canal e o primeiro-ministro britânico, Benjamin Disraeli. Em seu 74º ano, de Lesseps começou a planejar um novo canal no Panamá. Em 1879, um congresso internacional foi realizado em Paris, que escolheu o caminho para o Canal do Panamá e nomeou de Lesseps como líder do empreendimento. O trabalho começou em 1881, mas o canal revelou-se muito mais complicado de construir do que o Canal de Suez. Depois de oito anos, pouco progresso parecia ter sido feito (acabou sendo concluído em 1914). Um tribunal francês considerou De Lesseps e seu filho Charles culpados de má administração. Ambos foram multados pesadamente e condenados à prisão. No caso, de Lesseps não foi para a prisão, mas seu filho pagou pelos erros de julgamento do pai idoso com um ano de prisão. De Lesseps morreu em 7 de dezembro de 1894. Na ocasião da Exposição Universal de 1867, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Em 1881, Pasteur parece não duvidar da própria eleição para a Academia Francesa, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (Debré, 1995, p. 419-420). Ref.: https://data.bnf.fr/fr/12068024/ferdinand_de_lesseps/ Ref. http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/de_lesseps_ferdinand.shtml Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Ferdinand-vicomte-de-Lesseps Jean-Baptiste-André Dumas 1774-1862 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Ao ingressar na Academia de Ciências, é Dumas quem apresenta Pasteur a Napoleão III. Dumas consegue a subvenção à viagem de pesquisa de Pasteur 1852, que foi considerada uma missão oficial aos laboratórios alemães. Na volta, Pasteur escreve agradecendo ao amigo, pois a viagem teria sido impossível sem esse apoio financeiro. Afirma que para agradecer-lhe a confiança, vai trabalhar “tanto quanto lhe for humanamente possível” (Debré, 1995, p. 93). Em 1865, a pedido de Jean-Baptiste Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Dumas solicita então a cooperação de Pasteur para salvar a seda. Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio (Debré, 1995, p. 202; Dubos, 1967a, p. 184). Próximo Grupo

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