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  • Família Nuclear | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Família Nuclear Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 Origem. O pai de Louis Pasteur era francês, nascido em 16 de março de 1791 na região do Jura. Tornou-se órfão na primeira infância. Sua mãe, Gabrielle Jourdan faleceu em 1792, aos 20 anos. Seu pai, Jean-Henri Pasteur, dessomou aos 27 anos. Jean-Joseph foi filho único, sendo criado pela avó e tias (Vallery-Radot, 1951, p. 6; Viñas, 1991, p. 23-25). Guerra. Aos 21 anos, convocado para a guerra da Espanha (1812-1813), foi denominado “bravo entre os bravos”, sendo nomeado sargento-mor. Recebeu a cruz de Cavalheiro da Legião de Honra pelo imperador Napoleão Bonaparte (Debré, 1995, p. 28-29). Ele foi descrito como um soldado corajoso, disciplinado e atencioso (Keim & Lumet, 1913, p. 8). Ofício. Após a guerra, retornou à cidade de Salins. Igualmente ao pai, seu ofício era de curtidor de peles (Debré, 1995, p. 28). Logo depois, casou-se com Jeanne-Etienette Roqui, de uma antiga família de classe baixa (Keim & Lumet, 1913, p. 8). Casal. A vida financeira do casal era difícil, e eles decidem se mudar para Dole, estabelecendo-se em uma pequena casa na Rue des Tanneurs, onde Pasteur nasceu (Debré, 1995, p. 30; Keim & Lumet, 1913, p. 8). O interior da casa foi descrito como de uma simplicidade que se aproximava da pobreza (Debré, 1995, p. 31). Caráter. Quanto às características pessoais, Jean-Joseph dava a impressão de que vivia uma vida interior, e apresentava espírito ponderado (Vallery-Radot, 1951, p. 9). Era reservado e taciturno (Viñas, 1991, p. 25). Tinha caráter firme, meditativo e corajoso (Garozzo, 1974, p. 50). Resmungão, às vezes causava medo aos seus netos (Debré, 1995, p. 149). Preceptoria. O genitor de Louis zelava pela educação do filho, tornando-se seu professor particular, seu primeiro preceptor, fazendo-se todos os dias o seu explicador (Vallery-Radot, 1951, p. 10). Livros. Jean-Joseph adquiriu o primeiro dicionário da família “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia”, publicado por Rolland e Rivoire em 1803 (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 52). História. O pai de Pasteur passava as suas próprias noites, depois de dias difíceis no curtume, lendo livros de história, atos de glórias francesas passadas e adquirindo a educação que lhe parecia o símbolo da mais alta linhagem humana (Dubos, 1967a, p. 27). Autoridade. Vuillame, vizinho da família, relata: “o pai exercia sobre todos os seus uma autoridade absoluta, porém sábia e raciocinada” (Debré, 1995, p. 33). Educação. O patriarca tinha a reputação de ser pouco comunicativo, mas honesto e leal, sempre disposto a educar os filhos no respeito às grandes virtudes adequadas para elevar suas almas (Chanlaine, 1966, p. 9). Anseios. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho. Naquela época, o que gostaria era vê-lo diretor do Collège d´Arbois. Louis compartilhava com o pai seus progressos nos estudos, dúvidas e preocupações (Vallery-Radot, 1951, p. 99). Amigos. O chefe da família tinha poucos amigos, mas eruditos, a exemplo de professores e o médico da cidade de Arbois, Dr. Dumont, um ex-médico militar que se tornou médico do Hospital desta urbe (Debré, 1995, p. 34). Presença. A presença paterna foi marcante na vida de Louis Pasteur, dando-lhe conselhos, ensinando sobre honra, justiça e dever. Possivelmente o pai influenciou no patriotismo do filho. Pasteur dirá: “Ensinando-me a ler, tiveste o cuidado de ensinar-me a grandeza da França” (Debré, 1995, p. 33). Lema. Jean-Joseph era um homem atencioso e trabalhador, que tinha como lema: "Nunca pense em nada além do que você está dizendo ou fazendo no momento" (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Inclusive, há uma tira de couro que ele carregava consigo, junto aos livros de contabilidade do curtume, com dizeres “Só pensar no que se está fazendo no momento” (Debré, 1995, p. 39). Gratidão. À época dos estudos iniciais em Paris, Louis, sabendo que seu pai sofreu a vida toda por falta de educação e, sem fazê-lo perceber, com delicadeza, e sob o pretexto de que é Josephine, sua irmã, quem precisa se expandir sua riqueza de conhecimentos, envia uma abundante bibliografia, que se torna material de estudo para seu pai. É assim que, à distância, Louis cumpre seu papel de instrutor do pai e das irmãs, mantendo intacto o sentimento de gratidão para com aqueles que o apoiaram nos seus primórdios (Vinãs, 1991, p. 54). Falecimento. Em 1865, um telegrama endereçado a Louis chama-o a Arbois, para perto de seu pai, que se encontrava bastante doente. Louis não chegou a tempo. Viu o corpo do pai já no caixão mortuário. Na tarde daquele dia, escreveu à esposa: “Minha querida Marie, meus caros filhos, o pobre avô já não existe e nós levamo-lo esta manhã para sua derradeira morada. Ele está aos pés da pobrezinha da Jeanne. Em meio à minha dor, senti-me feliz pelo bom pensamento de Virginie, que o fez colocar lá, e espero que um dia poderei reuni-los a minha terna mãe e a minhas irmãs, até o momento em que eu mesmo vá reunir-me a eles. Até o último instante, esperei tornar a vê-lo, abraçá-lo uma última vez, dar-lhe o consolo de apertar em seus braços o filho que ele tanto amou; mas, chegando à estação, vi uns primos, que vinham de Salins, todos de preto. Só então foi que compreendi que podia apenas acompanhá-lo ao cemitério. Ele morreu no dia de tua primeira comunhão, minha querida Cécile: duas lembranças que não sairão do teu coração, minha filhinha. Tive o pressentimento disto quando, na mesma manhã, na hora em que ele foi atingido para não mais se levantar, eu te pedia para rezares a Deus pelo avô de Arbois. Tuas orações devem ter sido bem agradáveis a Deus, e quem sabe se o próprio avô não as ouviu e não se alegrou, junto da pranteada Jeanne, com os sagrados fervores de Cécile. Durante todo o dia, repassei em minha memória as provas de afeto de meu pobre pai. De trinta anos para cá, fui sua constante e quase única preocupação. Devo-lhe tudo. Jovem, ele me afastou das más companhias e deu-me o hábito do trabalho e o exemplo da vida mais leal e mais bem empregada. Pela distinção do espirito e de caráter, este homem estava muito acima de sua posição, a julgar pelas coisas que se fazem neste mundo. Ele não se enganava a este respeito: bem sabia que é o homem que honra sua posição, e não a posição que honra o homem. Não o conheceste, minha querida Marie, no tempo em que minha mãe e ele trabalhavam tão arduamente por seus filhos queridos que tanto amavam por mim sobretudo, por mim cujos livros, cujas taxas de colégio, cuja pensão em Besançon custavam caríssimo. Vejo-o ainda, o meu pobre pai, nas folgas que lhe deixava o trabalho manual, lendo muito, instruindo-se sem descanso, outras vezes desenhando ou esculpindo a madeira. Não há muito tempo ainda, ele mostrava-me um desenho meu no qual fez uma cruz; neste desenho, de bom só há isto. Tinha a paixão do saber e do estudo. Vi-o estudando gramáticas, caneta na mão, comparando-as, comentando-as, a fim de aprender aos quarenta ou cinquenta anos aquilo que lhe recusaram os infortúnios de seus primeiros anos. Mas, os livros de que gostava e que procurava mais que tudo, eram aqueles que lhe rememoravam os feitos da grande época imperial, a que ele servira em seu tempo, e que renovara a sociedade. E o que há de tocante em sua afeição por mim, é que ela nunca se poluiu de ambição. Recordas-te de que, segundo suas palavras, ele me veria com prazer regente do colégio de Arbois. É que, por trás de meu adiantamento possível, via o trabalho que isto me traria, e por trás deste trabalho, minha saúde que poderia ser afetada. E no entanto, tal como ele era, tal como o vejo melhor hoje, alguns dos sucessos de minha carreira científica deviam tê-lo orgulhado imensamente, enchendo-o de alegria. Era seu filho, era seu nome. Ah! meu pobre pai! Sinto-me bem feliz ao pensar que pude dar-te algumas alegrias (...)” (Vallery-Radot, 1951, p. 98-99). Homenagem. Em 1883, Louis Pasteur, relembrando a memória de seus pais na frente da casa onde nasceu, disse: "Ó meu pai e minha mãe! Ó meus queridos falecidos que viveram tão modestamente nesta casinha, é a vocês que devo tudo! (...) Você, meu querido pai, cuja vida foi tão difícil quanto sua árdua profissão, me mostrou o que a paciência pode fazer em longos esforços. É a você que devo a tenacidade em meu trabalho diário. Você não só tinha as qualidades perseverantes que tornam a vida útil, mas também tinha a admiração de grandes homens e grandes coisas. Olhe para cima, aprenda além, busque sempre se elevar, foi isso que você me ensinou. Ainda posso vê-lo, depois de seu dia de trabalho, lendo, à noite, alguma história de batalha de um daqueles livros de história contemporânea que o lembrava de tempos gloriosos que você testemunhou. Enquanto me ensinava a ler, você teve a preocupação de ensinar-me a grandeza da França. Sejam abençoados ambos, meus queridos pais, pelo o que vocês foram” (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Jeanne-Etienette Roqui 1793-1848 Origem. A mãe de Pasteur era uma mulher francesa simples e trabalhadora, proveniente de família de jardineiros (Vallery-Radot, 1951, p. 8; Garozzo, 1974, p. 25). Características. Possuía bom senso, imaginação e entusiasmo. Apresentava características contrastantes e complementares ao marido, mostrando-se entusiasta e imaginativa (Vallery-Radot, 1951, p. 9; Debré, 1995, p. 30; Viñas, 1991, p. 28). Foi descrita também como uma pessoa gentil, com uma inteligência intuitiva e um amor pelas artes e poesia (Chanlaine, 1966, p. 9). Pintura. Aos 13 anos, Louis Pasteur faz o desenho de sua mãe, em pastel (Debré, 1995, p. 37). Teses. No dia 23 de agosto de 1847, aos 24 anos, Louis Pasteur apresentou duas teses de doutoramento em química e em física: Recherches sur la Capacité de Saturation de l'Acide Arsénieux - Étude des Arsenites de Potasse de Soude et d'Ammoniaque para a primeira matéria; e Étude des Phénomènes Relatifs à la Polarisation Rotatoire des Liquides, para a segunda (Garozzo, 1974, p. 61). A primeira tese de Pasteur, dedica-a ao pai. A segunda tese, dedica-a à mãe (Viñas, 1991, p. 56). Correspondência. Em última carta direcionada à Louis Pasteur, no início de 1848, Jeanne-Etienette parece se despedir para sempre do filho ao escrever "Meu querido menino, desejo-lhe um bom ano. Cuide de sua saúde. Às vezes me consolo de sua ausência pensando quanto me foi reconfortante ter um filho que conquistou uma posição que o tem feito feliz, como você mesmo nos disse em sua última carta" (Viñas, 1991, p. 59). E despede-se da seguinte forma: "O que quer que te aconteça, não fiques triste; na vida, tudo não passa de quimeras..." (Debré, 1995, p. 68; Dubos, 1967a, p. 28). Falecimento. Estas palavras parecem pressagiar um evento que não tardará a ocorrer: a mãe de Pasteur falece em 21 de maio daquele ano aos 55 anos de um fulminante ataque de apoplexia (AVC) (Debré, 1995, p. 68). Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Ela sucumbiu em poucas horas, e quando cheguei não estava mais entre nós. Vou pedir uma licença" (Viñas, 1991, p. 61). Vínculo. Fica evidente que o vínculo com a mãe era muito intenso já que, durante semanas após o falecimento da mãe, Pasteur se fecha em um mutismo total e suspende toda a atividade científica (Viñas, 1991, p. 61). “Durante semanas, sua vida intelectual ficou interrompida” (Vallery-Radot, 1951, p. 33). Báez (1995, p. 22) afirma que a dor de Pasteur foi imensa; durante vários dias parecia não encontrar consolo, mas conseguiu controlar seus sentimentos e encontrar no trabalho um calmante para as suas dores. Homenagem. Em 1883, na época da inauguração da placa comemorativa em sua casa natal na cidade de Dole, Pasteur dirá sobre a mãe: “Os teus entusiasmos, minha valente mãe, tu os passaste para mim. Se sempre associei a grandeza da ciência à grandeza da pátria foi porque eu estava impregnado dos sentimentos que tu me inspiraras” (Debré, 1995, p. 34). Jean-Denis Pasteur 1816-1816 Primogênito. Primeiro filho do casal Pasteur, Jean-Denis falece nos primeiros meses de vida (Debré, 1995, p. 30; Chanlaine, 1966, p. 9). Jeanne-Antoine Pasteur (Virginie) 1818-1880 Segunda filha. Irmã mais velha de Pasteur, Viginie, como era apelidada, casa-se com seu primo Gustave Vichot, que será sócio de Jean-Joseph antes de o suceder à frente do curtume. Falecerá em Arbois, em 1880 (Debré, 1995, p. 30). Cartas. As primeiras cartas de Pasteur à família, recomenda que a mãe não dedique às irmãs trabalhos domésticos demasiados, aconselhando-as bom comportamento e estudo diligente, e complementa: “Trabalho é amor mútuo (...) Pode causar repulsa e tédio no início; mas quem começou a se acostumar com o trabalho não pode mais viver sem ele (...) Com o conhecimento se é feliz, com o conhecimento se eleva muito acima dos outros (...) A atividade e o trabalho seguem sempre a vontade, e o trabalho quase sempre vem acompanhado de sucesso. Essas três coisas, vontade, trabalho e sucesso, dividem toda a existência humana uma da outra; a vontade abre as portas de carreiras brilhantes e felizes; o trabalho nos permite passar por essas portas e, quando se chega ao fim do dia, o sucesso vem coroar nossos esforços” (Dubos, 1967a, p. 29). Joséphine Pasteur 1825-1850 Quarta filha. A irmã mais nova de Pasteur, Joséphine sofria dos pulmões e morreu aos 25 anos (Debré, 1995, p. 31). Correspondências. Antes do falecimento de Joséphine, quando Pasteur tinha 18 anos e era estudante em Besançon, ele se correspondia com a família. Em uma das cartas, Louis recomenda às suas irmãs leituras de obras que ele considerava edificantes. Destacou a narrativa de Silvio Pellico, denominada Minhas prisões, na qual Louis proferiu: “Gostaria que elas lessem essa obra interessante em que se respira, a cada página, um perfume religioso que eleva e enobrece a alma” (Debré, 1995, p. 40). Conselhos. Durante as férias de verão em Arbois, o jovem Louis ficava conversando com a família à noite, e especialmente quanto à irmã Joséphine, gostava-lhe de dar sábios conselhos sobre as leituras e a maneira de se comportar no mundo (Garozzo, 1974, p. 61). Obra. Pasteur escreveu para a família recomendando que o pai fizesse o possível para que as irmãs, especialmente Joséphine lesse a obra Ensaio sobre a arte de ser feliz, de Joseph Droz, que via na vaidade dos homens o maior obstáculo para um mundo de paz e amor. Louis redige, em seu entusiasmo de jovem: “Nunca li nada de mais sábio, de mais moral e tão virtuoso! Esse livro deveria ser obrigatório a todo e qualquer habitante do Franco-Condado” (Garozzo, 1974, p. 48). Carta. Em 1841, aos 18 anos de idade, Pasteur começa a ganhar os seus primeiros francos como professor interino - trezentos por ano. Pasteur parecia se sentir incomodado por ser o único na família a ter o privilégio de receber estudos formais. Este sentimento aparece refletido na carta enviada a seus pais em 9 de maio daquele ano: “Meus queridos pais, vocês me disseram em sua última carta que esta semana decidiriam colocar minha irmã Josephine em um internato ou não. É absolutamente necessário que ela seja instruída, e se no ano que vem vocês não quiserem colocá-la em um colégio interno, serei eu quem pagarei por ela (Viñas, 1991, p. 42-43). Estudos. Nesta mesma carta se prontifica a pagar os estudos da irmã, dizendo: "Eu vivo gratuitamente, pois minha pensão é paga pelo colégio", dizia aos pais. "E dando aulas particulares, conseguirei talvez dobrar esse meu estipêndio inicial. Já estou acostumado a trabalhar. E quando uma pessoa está acostumada com isso, torna-se impossível viver sem. Tudo no mundo depende do trabalho! Portanto, o que acham? Não é uma boa ideia a minha?". O pai respondeu-lhe: "Não, não é uma boa ideia. Você não poderá dar aulas particulares e estudar ao mesmo tempo. Você necessita de todo tempo livre para estudar mais e se aprimorar, para enfrentar um dia os exames de admissão à Escola Normal. A melhor coisa a fazer, portanto, é continuar a estudar. Fazendo isso, eu, sua mãe e suas irmãs ficaremos muito satisfeitos” (Garozzo, 1974, p. 49). Apoio. Ao conhecer Marie Anne Laurent, futura esposa de Louis, a quem se refere ter encontrado todas as qualidades que poderia desejar em uma esposa, o cientista escreve ao amigo Charles Chappuis, dizendo: “Está apaixonado, dirás tu. Sim, mas parece-me que não exagero em nada, e minha irmã Joséphine é inteiramente de minha opinião” (Vallery-Radot, 1951, p. 41). Casamento. Em 1849, quando propôs e casou-se com Marie, Louis não havia se atentado para todos os preparativos indispensáveis para a nova residência. Ao ser questionado pelo pai sobre a casa, móveis e tudo o que era necessário para iniciar a vida doméstica, Pasteur percebeu que precisava de ajuda. Jean-Joseph julgou conveniente que Joséphine se encarregasse de auxiliar o irmão a encontrar uma casa cômoda e pequena, condizente ao seu orçamento, cuidando de mobiliá-la da melhor maneira possível (Garozzo, 1974, p. 77-78). Émilie Pasteur 1826-1853 Caçula. Émilie, caçula da família, contrai uma encefalite aos 3 anos de idade, o que lhe acarreta um "retardo mental". Viveu no convento das Ursulinas em Voiteur, na região do Jura na França. Faleceu aos 26 anos (Debré, 1995, p. 31, 556). Próximo Grupo

  • Estrasburgo | Pasteur Brasil

    Estrasburgo Em 1846 Pasteur obteve a agrégation em Física. Em 1847 defendeu suas teses em Química e Física na Faculdade de Paris e, em 1848, realiza sua primeira comunicação na Academia de Ciências. A pós o doutoramento em Física e Química, Pasteur é nomeado professor secundário de física no Liceu de Dijon, onde atua por pouco tempo. Com a ajuda de Jérôme Balard e Jean-Baptiste Biot, consegue um cargo de professor de química na Faculdade de Estrasburgo. Chega à cidade alsaciana em 22/01/1849, e instala-se na casa do grande amigo Pierre-Augustin Bertin, que exalta as qualidades desta capital universitária e comercial, com numerosas indústrias. Prontamente, Louis Pasteur envia uma carta ao industrial Charles Kestner (1803-1870), para solicitar a gentileza de ceder alguns quilos de ácido racêmico para continuar suas pesquisas sobre a cristalografia. Este industrial fornecerá apoio fundamental para o aprofundamento das pesquisas de Pasteur. No 4º dia em Estrasburgo, o amigo Bertin o apresenta ao reitor da Universidade, Aristide Laurent (1795-1862). Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam lhe rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio dos respeitados químicos Biot, Dumas e Balard. Nos domingos à tarde, Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários. Ao visitar a sua residência, Pasteur se sente imediatamente cativado por uma das filhas do reitor, Marie Anne Laurent (1826-1910). A jovem, criada em ambiente intelectual, era educada e séria, com inflexão vocal doce e macia. Ela lhe contou sobre as origens desta que era uma das mais velhas cidades da Europa, mesmo antes da fundação romana. Marie tocou Chopin ao piano e ambos interagiam de modo fluido. No dia seguinte, em uma decisão relâmpago, Pasteur escreve ao pai dizendo-se apaixonado e que faria uma carta respeitosa ao Sr. Laurent com um pedido de casamento à filha do reitor. Pasteur havia completado 26 anos. Após o retorno do pai, despachou a carta ao Sr. Laurent e aguardou ansiosamente pela resposta. Neste ínterim, escreveu às irmãs: “Temo que Marie dê muita importância às primeiras impressões (...) Nada tenho que possa agradar a uma jovem. Mas minhas lembranças me dizem, todavia, que quando as pessoas me conhecem bem, passam a gostar de mim” (Garozzo, 1974, p. 74). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. RICHET, Charles. L´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Félix Alcan, 1923. Webgrafia: https://phototheque.pasteur.fr/ Pasteur em 1852 em Estrasburgo. Pasteur defende duas teses em 1847. A tese de Química trata sobre a capacidade de saturação do ácido arsenioso; a de Física sobre a capacidade das soluções de desviar o plano de polarização de uma onda luminosa que os atravessa (poder rotatório). Teses de Física e Química. Primeiros trabalhos de envergadura de Pasteur expostos na Academia de Ciências. Graças aos experimentos sobre o poder rotatório das soluções e sobre os cristais, Louis Pasteur mostra que os mesmos átomos podem se organizar espacialmente de diversas maneiras, formando assim substâncias de propriedades distintas. "Pesquisa sobre as propriedades específicas de dois ácidos que compõem o ácido racêmico por ML Pasteur." Annals of Chemistry and Physics, 3rd series. (Janeiro de 1850). Charles Kestner, industrial alsaciano que produziu acidentalmente o ácido tartárico. Esta segunda forma de ácido tartárico foi descoberta em 1819 no vinho por esse industrial da Alsácia. Gay-Lussac visitou a sua fábrica em 1826 e recolheu amostra e depois deu o nome de ácido racêmico. Universidade de Estrasburgo. Marie Pasteur, nascida Laurent (1826-1910), por volta de 1854. Desenhado por sua prima Adèle Laurent. Exibido no museu Pasteur, quarto de Madame Pasteur. Continue lendo a biografia

  • Análise dos Grupos | Pasteur Brasil

    Análise dos Grupos de Personalidades Voltar para os Grupos

  • Amigos de Infância e Adolescência | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Amigos de Infância e Adolescência Alexandre Charrière, Guillemin e Ferdinand Coulon ? Junto a estes três amigos franceses de infância em Arbois, Pasteur e os irmãos Vercel (descritos a seguir) pescavam no rio Cuisance, onde banhavam-se no verão. Gostavam de escorregar na neve no inverno em pequenos trenós, além dos jogos da época: bolinhas de gude, jogo da péla (ancestral do tênis) (Debré, 1995, p. 32). Os meninos também participavam da colheita e das festas da uva. Gostavam de matar passarinhos, mas Pasteur se recusava (Garozzo, 1974, p. 31). Louis Pasteur junta-se às propostas de brincadeiras dos amigos, mas afasta-se desgostoso quando se trata de ferir ou apanhar um pássaro (Viñas, 1991, p. 33). Jules Vercel e Altin Vercel 1819-1894 / 1820-1901 Os irmãos Vercel se tornaram amigos de Pasteur desde à infância em Arbois. Eram franceses, filhos de vinhateiros. Pasteur faz o retrato, em pastel, de Altin Vercel. Aos 15 anos Pasteur e Jules vão à Paris para estudar. Alojam-se no Instituto Barbet (senhor do Franco-Condado). Jules era divertido e alegre, de modo que tudo era bom e agradável em Paris. Porém, Pasteur fica sem dormir, não come direito e só fala do Jura. Então, retorna para a casa dos pais logo depois. Jean-Joseph, o pai, vai até Paris buscá-lo (Garozzo, 1974, p. 30, 40-42). Mais tarde, em 1870, em pesquisas sobre os microorganismos, Pasteur visita diferentes localidades, dentre elas Arbois, onde, acompanhado pelo amigo de infância Jules Vercel, carregou vinte frascos e adentrou os campos para a coleta do ar ambiente (Garozzo, 1974, p. 97-98). Em fevereiro de 1894, Pasteur recebe com tristeza a comunicação da morte de seu querido amigo de infância Jules Vercel (Debré, 1995, p. 546). Ao saber do falecimento, Pasteur escreve à esposa de Jules: “Minha esposa e meus filhos esconderam de mim por alguns dias a perda cruel que você acabou de sofrer, sabendo bem a profunda tristeza que eu experimentaria. Durante todo o inverno este querido amigo passou por uma cruel provação. Eu senti muito, do fundo do meu coração. Agora eu choro por ele, o melhor dos homens e o mais fiel dos amigos” (Ref. https://ader.auction.fr/_fr/lot/louis-pasteur-las-paris-27-fevrier-1894-a-mme-jules-vercel-a-arbois-frac34-page-13987739#.YC96I-hKjnY ). Mais informações: https://www.confrerie-royal-vin-jaune.fr/Mystn-rieux-vin-jaune-17.html Charles Chappuis 1822-1897 Filósofo francês. Inspetor Geral Honorário da Educação Primária em 1894. Amigo de Pasteur desde a época dos estudos no Collége Royal de Besançon. “É o único capaz de tirar Pasteur do mutismo e diverti-lo” (Debré, 1995, p. 41). Este grande amigo de Pasteur é filho do tabelião de Saint-Vit. Pasteur sente-se bem com "esse camarada pouco expansivo e aprecia sua tenacidade e autoridade, quando ambos mergulham em seus deveres de filosofia" (Debré, 1995, p. 41). Pasteur e Chappuis têm uma excelente relação afetiva e intelectual. Compartilham leituras e deveres de filosofia. Aos 17 anos, Pasteur vai com Chappuis para Paris estudarem no Liceu Saint-Louis e se prepararem para o concurso da École Normale Superieure. Aloja-se novamente no Instituto Barbet (senhor do Franco-Condado). Gostavam de passar os finais de semana em uma biblioteca, lendo obras filosóficas. Fizeram raros passeios pela cidade. Chappuis torna-se filósofo, doutor em Letras, professor de Filosofia da Faculdade de Letras de Besançon e escritor. “Chappuis vai tornar-se, na vida, o amigo privilegiado e confidente de Pasteur, respeitando suas escolhas e guiando as suas ambições” (Debré, 1995, p. 41). Ref. https://data.bnf.fr/en/10429857/charles_chappuis/ Pierre-Augustin Bertin 1818-1884 Físico francês. Amigo de Pasteur desde o tempo do Collège Royal de Besançon, onde Pasteur vai estudar aos 17 anos, diplomando-se bacharel em Letras. Bertin estudará com Pasteur na École Normale Supérieure em Paris e se tornará professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Bertin foi companheiro jovial e agradável, sempre fiel ao amigo. Foi um dos únicos amigos capazes de divertir o introvertido Louis Pasteur, se tornando companhia inseparável. Torna-se professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Pasteur chega a Estrasburgo em 22/01/1849. "Assim que desembarca, instala-se na casa de Pierre-Augustin Bertin, no cais des Pêcheurs, a alguns passos da faculdade" (Debré, 1995, p. 79). Bertin receberá o cientista na cidade e o apresentará ao reitor da Universidade, Aristide Laurent, o futuro sogro de Pasteur. Em Paris, também ajudará Louis na seleção dos estagiários para o laboratório na Rua Ulm. Jules Marcou 1824-1898 Geólogo francês. Trabalhou vários anos com Louis Agassiz (1807-1873) nos Estados Unidos. Jules Marcou nasceu no Jura, colega de classe em Besançon, amigo por toda vida de Louis Pasteur. Pasteur faz seu desenho em pastel, de uniforme escolar. Como geólogo, Marcou participa da exploração científica das Montanhas Rochosas nos EUA. Ainda jovem, publicou o primeiro Mapa Geológico dos Estados Unidos (1853) e posteriormente o Mapa Geológico da Terra (1861 e 1875), que teve grande sucesso. Torna-se professor na Universidade de Harvard. Em fevereiro de 1893, devido às sequelas do AVC, Marie Pasteur escreve a Jules Marcou: "Caro senhor Marcou, seu amigo Pasteur continua a passar bem, mas precisa se resignar a deixar de lado todo o trabalho cansativo. Ele se interessa pelo trabalho dos outros. É com prazer que ainda comparece às Academias. Solícito, observa seus netos crescerem, e, com os cuidados que deve dispensar à saúde, o tempo passa sem muita dificuldade" (Debré, 1995, p. 546). Próximo Grupo

  • Gerações ditas espontâneas | Pasteur Brasil

    Gerações Ditas Espontâneas Do estudo dos fermentos, Pasteur passa ao da geração dita espontânea, seguindo uma sequência lógica. Não é a primeira vez que o cientista tenta explicar a origem da vida. Suas pesquisas sobre a dissimetria molecular e suas descobertas no campo dos microorganismos responsáveis pelas fermentações, levaram-no a enfrentar a própria definição do que é vivo e as condições do seu aparecimento. Pasteur não escapa de uma das questões fundamentais da ciência: pode-se criar vida a partir do nada? O século todo levanta interrogações sobre a noção de vida. Darwin parte para Galápagos e teoriza sobre a evolução das espécies, enquanto Pasteur, junto ao seu microscópio, investiga a origem dos germes. Félix Archimède Pouchet, naturalista e médico, adquiriu renome pelas diversas pesquisas no campo da biologia animal e vegetal, e enviava comunicações à Academia de Ciências especialmente sobre a geração espontânea, da qual era um fervoroso apóstolo. Em 1859, Pasteur responde uma carta de Pouchet acerca de suas notas ao Instituto: “Penso, pois, que o senhor não tem razão, não por crer na geração espontânea, dado que é difícil em semelhante questão não possuir uma ideia preconcebida, mas por afirmar a certeza da geração espontânea. Nas ciências experimentais, sempre se está errado ao não se duvidar quando o resultado não tende obrigatoriamente à afirmação”. Naquele ano, Pasteur ainda não dispunha de meios para comprovar sua intuição e caracterizar rigorosamente o papel do ar no fenômeno observado: o surgimento da fermentação em seus tubos de ensaio. Mas o cientista vai procurar, por toda uma série de experiências, aprofundar a questão. Pasteur combinava rigor teórico e precisão experimental quando afirmava que nada mais faltava para confrontar um dos mais antigos problemas da humanidade: “a clareza de um raciocínio aritmético para convencer os adversários das suas conclusões” (Debré, 1995, p. 176). Félix Archimède Pouchet desenvolve o conceito de heterogenia e publica em 1859 o espesso livro intitulado “Traité de la Génération Spontanée”, no qual postula que se existe o fenômeno é porque Deus o quis aplicar e afirma: “A geração espontânea é a produção de um ser orgânico novo, desprovido de genitores e cujos elementos primordiais foram todos tirados da matéria ambiente” (Debré, 1995, p. 181). Pouchet não está só: outros dois cientistas o apoiam, Nicolas Joly e Charles Musset. Em contrapartida, na Academia de Ciências mostram-se todos reticentes. Henri Milne-Edwards, Jean-Baptiste Dumas e Claude Bernard, principalmente, tentam suscitar determinadas críticas e levantar-se contra as assertivas do trio espontaneísta. Em 1862 a Academia propôs estabelecer um concurso com o seguinte tema: “Procurar, por meio de experiências bem-feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas”. Pasteur já se mostrava inventivo pela instalação de uma bomba a vácuo para captar o ar da vizinhança, mas será Balard que vai lhe inspirar um outro modelo experimental: balões que se comunicam com o ar exterior através de um gargalo de diferentes formas e comprimentos. Caso se deposite nesses diferentes balões um líquido fermentável, que será fervido após a introdução, e se se colocam esses balões num lugar onde o ar é tranquilo, o líquido permanece límpido durante meses. O pescoço de cisne evita a passagem das partículas; o vidro, dadas suas sinuosidades, extravia os micróbios, que caem nas partes em declive. O sucesso da experiência possibilitará o recebimento do prêmio supracitado, relativo à questão da geração espontânea. No entanto, inúmeras controvérsias vão surgir. Pouchet não valida a presença de germes no ar, e muitas outras experiências são realizadas. A Academia, cansada das discórdias, decide criar uma comissão de investigação. O júri avalia os experimentos e rejeita as reclamações de Pouchet, que deixa o local do debate renunciando ao teste comparativo. Pasteur vai à Sorbonne defender sua posição contrária à geração espontânea em 1864. O público é numeroso. Nos corredores puderam ser vistos Alexandre Dumas, George Sand e a princesa Mathilde. Pasteur vai falar perante toda Paris. Há aplausos, a maioria faz uma ovação a Pasteur, mas o orador não convence a todos. O divulgador Louis Figuier deixa a sala dizendo: “Entrei aqui se ter nenhuma opinião sobre as gerações espontâneas, e parto convencido de que o senhor Pasteur está do lado da falsidade, e o afirmarei” (Debré, 1995, p. 194). O debate deixa a arena estritamente científica para atingir o grande público. Logo se acusa Pasteur de estar a serviço de uma doutrina, e as hostilidades alimentadas pela imprensa continuam a arrastar seus partidários para fora do laboratório e do microscópio. As questões suscitadas pertencem desde então à metafísica e mobilizam jornalistas e filósofos. Os jornais, as revistas literárias e a opinião pública apossam-se de balões de pescoço de cisne da mesma forma que o fazem com a obra “A Vida de Jesus” de Ernest Renan e com a divulgação das ideias de Darwin. Inevitavelmente, tal publicidade falseia os dados e a confusão se instala, porque já não se trata de questão de ciência: é a eterna oposição dos espiritualistas e dos materialistas que reaparece. Por muitos anos os estudos sobre a geração espontânea foram realizados numa atmosfera de intensa excitação e de apaixonada controvérsia, pois era erroneamente julgado, por alguns dos participantes, que o problema envolvia questões religiosas – um ponto de vista que Pasteur negava energicamente (Dubos, 1967, p. 420). Pasteur afirma: "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). As polêmicas envolvendo as gerações ditas espontâneas não se encerram. Tardias controvérsias irão ocorrer. Pasteur segue lutando contra toda uma série de contraditores, cujas objeções se multiplicarão até o fim do século. No entanto, diante do falecimento de Félix Pouchet em 1872, Pasteur pronunciará: “Este cientista consciencioso merece o reconhecimento de todos pelo o que fez de bom e de útil, e até em seus erros, ele deve ser totalmente respeitado” (Debré, 1995, p. 200). Cansado do combate de cientistas espontaneístas, Pasteur adota um tom cortante aos seus contraditores. De irônico, torna-se duro e exclama com impaciência. Este período perdura inclusive mais tempo que o debate original com Pouchet. Pasteur põe-se a lutar contra todos os adversários com meticulosidade, paixão, força do tom e convicção: “Em resumo, aonde querem chegar, partidários da heterogenia ou sustentáculos complacentes e inconsciente dessa doutrina? Combater as minhas asserções? Ataquem as minhas experiências. Provem que são inexatas, em vez de fazer constantemente outras que não passam de variantes das minhas, mas nas quais os senhores introduzem erros que, em seguida, é preciso mostrar-lhes com o dedo”. Não é por acaso que o início da notoriedade de Pasteur junto ao grande público date desse período. A posição do cientista é desprovida de ambiguidade, a qual ele faz questão de reafirmar continuamente: “Não se trata aqui nem de religião, nem de filosofia, nem de qualquer sistema. Pouco importam as afirmações e as visões a priori, é uma questão de fatos” (Debré, 1995, p. 200). Na palestra em Sorbonne, Pasteur se absteve de filosofar. Não negou que a geração espontânea era uma possibilidade; meramente afirmou que nunca havia sido demonstrada sua ocorrência: “Não há circunstância alguma conhecida na qual tenha sido demonstrado que os seres microscópicos vieram ao mundo sem a presença de gérmens, sem origens semelhantes a eles mesmos. Aqueles que afirmam isso foram enganados por ilusões, por experiências mal conduzidas, por erros que eles não perceberam ou não souberam como evitar” (Dubos, 1967, p. 44). Referências: BIRCH, Beverley. Louis Pasteur. São Paulo, SP: Globo, 1993. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Charles Darwin. Felix-Archimede Pouchet. Continue lendo a biografia

  • Arte | Pasteur Brasil

    Arte Entre os 13 e 20 anos, Pasteur produziu cerca de 40 pinturas, sendo a maioria em pastel, sem benefícios financeiros. Desde criança sempre se deleitou desenhando: copiava as gravuras dos livros a carvão ou grafite. Retratou homens, mulheres e crianças: familiares, amigos, o prefeito de Arbois, o escrivão da corte de Arbois, uma freira, um professor da Faculdade de Medicina de Besançon, a costureira da família, um viticultor, dentre outros. Em Arbois, teve aulas de desenho com Étienne-Charles Pointurier (1809-1853) e em Besançon torna-se aluno de Charles-Antoine Flajoult (1774-1840), que havia sido professor de Gustave Coubert (1819-1877). O estilo deste último pintor, bem como de impressionistas como Manet, Monet, Sisley e Pissarro não agradavam L. Pasteur, que preferia a arte clássica de Thomas Couture, Jean-Jacques Henner e Paul Dubois, a quem o cientista conheceu pessoalmente. Ao ingressar na École Normale Supérieure, Louis dedicou-se definitivamente à ciência. No entanto, suas habilidades artísticas foram transpostas, por exemplo, para a compreensão da existência de moléculas idênticas, porém espelhadas no espaço (3D). Deste modo, Pasteur funda a Estereoquímica, o ramo científico que estuda os aspectos tridimensionais das moléculas. Moldes dos ácidos tartárico e paratartárico, construídos por Pasteur, podem ser vistos em exposições e museus ao redor do mundo. Quanto à avaliação das obras que Pasteur produziu, Albert Edelfelt (1854-1905), pintor finlandês de diversos quadros de L. Pasteur e sua família, disse em 1887: “Seus trabalhos são bons ao extremo, e feitos com energia, cheios de caráter, muito superiores ao trabalho habitual de jovens que se dedicam à carreira artística. Há algo de um grande analisador nestes retratos. Estou seguro que se Pasteur tivesse escolhido a arte em vez da ciência, a França contaria hoje com um de seus mais capazes pintores” (Dubos, 1967, p. 28). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/WS/HOME_MENU/node/173/slug/oeuvre-artistique-de-louis-pasteur/nobc/1/page/1 Continue lendo a biografia

  • Descobertas | Pasteur Brasil

    Principais Descobertas O químico lançou as bases para várias disciplinas: Biologia Molecular, Epidemiologia Infecciosa, Imunologia, Vacinologia. Primeiras descobertas Cristalografia Os trabalhos nesta área abriram um novo campo na química, denominado Estereoquímica, trazendo o caráter operativo das representações tridimensionais das moléculas. Início da microbiologia científica Fermentação Desvendou-se o mistério da fermentação: o papel dos microorganismos. As repercussões vão desde o fim da era da geração espontânea até ao papel dos organismos invisíveis na etiologia de uma série de doenças. Em construção Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Extensão do método experimental Teoria dos Germes A elucidação detalhada das doenças do bicho-da-seda permitiram a comprovação científica de contágios de microorganismos nas áreas agrícola, animal e humana. Houve o estabelecimento do método científico experimental. Estabelecimento da vacinação Imunologia Abertura ao vasto campo de tratamentos de doenças infectocontagiosas e o início da vacinação em massa.

  • Academia Francesa | Pasteur Brasil

    Academia Francesa Pasteur fica lisonjeado com as solicitações de candidatura à Academia Francesa, que além de literatos acolhe também políticos, membros de tribunais e das cátedras. Entrar na Academia Francesa seria aquilo que “muitos consideram como a honra suprema” (Debré, p. 418). Foi dito também que esta Academia era uma sociedade composta por 40 das pessoas mais importantes da França. Pasteur parece não duvidar da própria eleição, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (canal de Suez), o poeta Sully Prudhomme (que será em 1901 o primeiro laureado do prêmio Nobel de Literatura), Paul de Saint-Victor (jornalista brilhante patrocinado / apoiado por Victor Hugo) e Victor Cherbuliez (romancista) (Debré, 1995, p. 419-420). A candidatura de Pasteur é apresentada por Ernest Legouvé, dramaturgo de sucesso, e tio avô de René Vallery-Radot, seu genro. Legouvé prepara o terreno e se encarrega de desencorajar os adversários. Pasteur então envia ao secretário vitalício da Academia Francesa, Camille Doucet sua candidatura oficial. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia. Dos 40 membros, 38 votaram, sendo 20 a seu favor (em segundo lugar, Victor Cherbuliez recebeu 8 votos) (Debré, 1995, p. 420). Charles-Augustin Sainte-Beuve solicita a Pasteur sua candidatura na Academia Francesa. Conquanto suas opiniões, em política e religião, sejam opostas às de Pasteur, ele admira o cientista. E a recíproca é verdadeira (Debré, 1995, p. 143, 152, 154-159). Alexandre Dumas (filho) agradece a Pasteur por “querer ser um dos nossos” (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Em 1º de janeiro de 1895 (ano da morte de ambos), Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho), colega da Academia Francesa, para cumprimentá-lo (Debré, 1995, p. 546). Pasteur é admitido na Academia Francesa em 08/12/1881, pouco antes de completar 60 anos, sucedendo Émile Littré (Debré, 1995, p. 392). Quando Littré era vivo, Pasteur o presenteou com a obra escrita por ele em 1879 “Exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação”. O livro contém uma dedicatória de Pasteur a Émile Littré: “ao senhor Littré, da Academia Francesa, homenagem de profundo respeito. L. Pasteur”. Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). Ao ingressar na Academia, a preocupação de Pasteur passa a ser o discurso tradicional de sucessão, no qual deve elogiar o seu predecessor. Além do desacordo quanto ao positivismo, a antipatia de Pasteur deve-se a um desacordo político, pois Littré foi um dos primeiros a pedir a perda do trono de Napoleão III. Um longo espaço de tempo vai separar a eleição da recepção: mais de 4 meses. Pasteur passa todo o inverno a trabalhar nisso. À noite, se isola e tenta polir as frases. Contudo, não quer deixar de ser justo (em sua visão): o positivismo lhe parece um erro perigoso que é preciso combater, mas nada o impede de reconhecer as qualidades pessoais de Littré e o valor de seus trabalhos. Então, vai até a casa de campo onde vive a viúva e a filha de Littré. Lá Pasteur se sente comovido pela simplicidade com a qual Littré vivia, cujo trabalho, na intimidade da vida em família era sua verdadeira felicidade (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Percorrendo a casa e o pequeno jardim onde Littré cultivava seus legumes e colhia frutas, Pasteur tenta compreendê-lo, mas considera um erro que o positivismo não tinha em conta a noção do infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 315). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam seus manuscritos. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Em 27 de abril de 1882, Pasteur vai à cúpula. Nem todos os 40 membros estão presentes. Victor Hugo, doente, manda se desculpar pela ausência. No entanto, há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Antes da eleição, Pasteur havia se apresentado a Victor Hugo, e este respondeu resmungando “O que o senhor diria se eu pretendesse ser eleito para a Academia de Ciências?” (Debré, 1995, p. 420). Em 27 de abril de 1882 Pasteur entra na Academia Francesa acompanhado dos dois padrinhos (Dumas e Nisard), com um estilo enérgico e físico robusto (como descreve um jornalista). Além dos vários membros da Academia e de toda a família de Pasteur, está presente também a princesa Matilde, que veio aplaudi-lo. Na época, alguns jornalistas destacam que neste mesmo dia, Charles Darwin, que havia falecido em 19 de abril, é enterrado com grande pompa na abadia de Westminster. Cabe lembrar que foi Littré quem popularizou na França as teorias sobre a evolução das espécies. Pasteur discursa com uma homenagem a Littré, mas também com a confissão quase imediata de um distanciamento filosófico. Pasteur mostra, em sua visão, o erro do positivismo ao querer suprimir a ideia de infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 319). Também critica a pretensão positivista de encontrar um fundamento científico na política e sociologia devido ao grande número de fatores que concorrem para a solução de questões que elas levantam, e diz “nesse lugar onde as paixões humanas intervêm, o campo do imprevisto é imenso” (Debré, 1995, p. 423). O diretor da Academia Francesa em exercício, Ernest Renan (autor de Vida de Jesus), recebe Pasteur na Academia Francesa e profere um discurso após o cientista A obra e a personalidade de Renan foi descrita como situada na junção do espiritualismo com o positivismo. Convertido ao positivismo, torna-se o porta voz do ceticismo, embora continue a se dizer “católico fervoroso”. Em seu discurso, Renan diz que “na ordem intelectual também existem sentidos diversos, oposições aparentes que não excluem um fundo de similitude” (Debré, 1995, p. 424). Segue parte da resposta de Renan ao discurso de Pasteur: "Sua vida austera, inteiramente devotada à pesquisa altruísta, é a melhor resposta àqueles que consideram nosso século privado dos grandes dons da alma. Sua diligência meticulosa não queria conhecer distrações nem descanso. Recebam a recompensa pelo respeito que vos rodeia, por esta simpatia cujas marcas hoje tão numerosas se produzem ao vosso redor e, sobretudo, pela alegria de ter cumprido bem a vossa tarefa, de teres lugar na primeira fila". Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. VALLERY-RADOT, René. A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Ref. http://www.academie-francaise.fr/reponse-au-discours-de-reception-de-louis-pasteur Academia Francesa em Paris, que funciona no mesmo endereço da Academia de Ciências. Ferdinand de Lesseps. Émile Littré Victor Hugo. Jean-Baptiste Dumas. Désiré Nisard. Charles Darwin. Ernest Renan. Continue lendo a biografia

  • Viagem Científica | Pasteur Brasil

    Viagem Científica Pasteur decide viajar para a Alemanha em busca do ácido paratartárico, sabendo que procura a “pedra filosofal”, remetendo-se aos antepassados alquimistas. Não obstante o hábito de destinar uma parte significativa de seu salário às próprias pesquisas, os gastos desta vez eram altíssimos. Seria impossível ir àquele país sem subvenção. Jean-Baptiste Dumas consegue financiamento à viagem de 1852, que foi considerada uma missão oficial francesa aos laboratórios alemães. Pasteur começa sua viagem em Zwickau, encontrando o industrial Friedrich Fikentscher (1799-1864), que explica que obteve muito paratártaro, mas que sua produção estava interrompida há 10 anos. A molécula desapareceu na Alemanha, tal como ocorreu no Thann, com o industrial Charles Kestner (1803-1870). Em Leipzig, passa 10 dias examinando amostras. É ajudado por colegas alemães. Otto Linné Erdmann (1804-1869) coloca gentilmente o próprio laboratório à disposição de Pasteur. Enquanto estuda os cristais, o cientista francês recebe Wilhelm Gottlieb Hankel (1814-1899), professor titular de física na Universidade de Leipzig. Hankel traduziu todas as dissertações de Pasteur para uma revista alemã. Deste modo, seu trabalho cruzava fronteiras. Sai de Leipzig a caminho de Veneza e consegue o endereço do prof. de química Josef Redtenbacher (1810-1870), que atuou como seu guia e levou-o a visitar a fábrica do industrial E. Seybel. Esta fábrica usava o ácido tartárico austríaco para produzir o que julgava ser o sulfato de magnésio. Porém, tratava-se justamente do ácido paratartárico e a questão essencial de Pasteur estava resolvida. Os dois meses de viagem se destinam à pesquisa, praticamente sem visitas a museus e monumentos. Em carta à esposa, Pasteur relata que, em sua opinião, a França é cheia de preconceitos sobre os estrangeiros, seus costumes, civilização e gostos. Na volta, Pasteur presta contas da viagem a Kestner e propõe o método para fabricação e venda do ácido racêmico. Redige uma nota à Academia de Ciências e insiste no fato de que a química pôde progredir graças à indústria. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Fotografia de escadaria no Palais de la Découvert em Paris, em local designado à Expo Pasteur de 14/12/2017 a 19/08/2018. Carta de Pasteur a Jean-Baptiste Biot comunicando sobre o ácido racêmico. Mapa designando as viagens de Pasteur. Friedrich Christian Fikentscher. Otto Linné Erdmann. Wilhelm Gottlieb Hankel. Josef Redtenbacher. Carta à esposa Marie, com detalhes da viagem e suas descobertas. Nota apresentada à Academia de Ciências sobre a transformação do ácido tartárico em ácido racêmico. Continue lendo a biografia

  • Casamento | Pasteur Brasil

    Casamento e filhos Pasteur escreve ao amigo Chappuis dizendo que quando viu Marie pela primeira vez, sentiu que havia encontrado a sua companheira de vida. “Creio que serei muito feliz com ela. Tem todas as qualidades que eu poderia desejar em uma mulher” (Báez, 1995, p. 463). O casamento ocorre em 1849 na Igreja de Santa Madalena. O casal residirá alguns anos em Estrasburgo, na Rue des Veaux. Marie devota-se ao marido e cria, em torno dele, uma vida familiar tranquila, removendo as preocupações materiais. Desde os primeiros dias, a esposa não somente admitiu, mas aprovou que o laboratório vinha acima de tudo. Madame Pasteur era discreta, comedida, circunspecta e autoritária. Caracterizada como uma mulher de ordem e dever, porém alegre e sólida (Perrot & Schwartz, 2017). À noite, escrevia sob o ditado do cientista e lhe provocava explicações, pois se interessava realmente pelas facetas hemiédricas e demais pesquisas em andamento, às quais colaborou. O casal teve 5 filhos, dos quais somente 2 sobreviveram até a idade adulta: Jean-Baptiste e Marie-Louise. A primogênita, Jeanne, falece aos 9 anos de febre tifoide. Jean-Baptiste (1851-1908) é o segundo filho, cujo nome foi escolhido em homenagem ao amigo cientista Jean-Baptiste Biot, o qual também foi seu padrinho. Aos 18 anos, este filho contrai febre tifoide, mas sobrevive. Torna-se diplomata em Roma, Copenhague, Madrid e Atenas. Cécile falece aos 12 anos, também de febre tifoide, doença infecciosa que levou a morte de incontáveis pessoas no curso da história. Marie-Louise (1858-1934), apelidada Zizi, recebe o nome da junção dos pais. Será grande companheira e colaborará, assim como a mãe, em futuros experimentos e atividades de laboratório de Pasteur. Camille, a última filha, não sobrevive a um tumor de fígado, aos 2 anos de idade. O falecimento de três filhos, em plena infância, abalou Pasteur. Ao longo dos anos, observa-se o quanto o cientista irá se dedicar à identificação dos agentes patogênicos e ao combate às doenças infectocontagiosas. Referências: BÁEZ, Manuel Martínez. Vida y Obra de Pasteur. 2ª ed. México, DF: 1995. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Webgrafia: https://phototheque.pasteur.fr/ Retrato de Marie Pasteur exposto na Maison Pasteur na cidade de Arbois, França. Sinalização em frente à Igreja Santa Madalena, na cidade de Estrasburgo, onde ocorreu o casamento do casal Pasteur em 29/05/1849. Placa sinalizadora da Rue des Veaux, em Estrasburgo, onde o casal residiu naquela cidade. Fachada da moradia do casal, composto por conjunto de apartamentos. Sinalização na fachada residencial. Três dos filhos de Pasteur, em fotografia do ano de 1862. Da esquerda para a direita: Jean-Baptiste, Cécile e Marie-Louise. Cécile Pasteur, em algum ano antes de sua morte, aos 12 anos, devido à febre tifoide. Madame Pasteur e Camille em 1864. A criança faleceu aos 2 anos de idade, devido a um tumor no fígado. Marie-Louise Pasteur, na época do seu casamento com René Vallery-Radot, em 1879. Jean-Baptiste Pasteur, filho do casal, em uniforme militar. Engajou-se voluntariamente em 1870 na guerra Franco-Alemã. Continue lendo a biografia

  • Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil

    Vacinação: Raiva Para designar o micróbio invisível da raiva, Pasteur usa a palavra “vírus”. Ele mantém este termo porque é mais abstrato, porque torna o contágio uma força nociva que é exercida no organismo. Ele adivinha a existência de um vírus porque espera por ele, sem nunca duvidar de sua existência pelo fato de não poder vê-lo (Debré, 1995, p. 463). Nesta etapa, Pasteur se dedica à patologia humana, e ultrapassa a abordagem profilática para inventar uma imunoterapia ativa, o tratamento por estimulação da imunidade. Pasteur se lembrava da angústia de ouvir o comentário de um lobo com raiva que andava na região de Arbois e mordia homens e animais. Na época ele tinha 8 anos. Estudar a raiva seria um benefício para a humanidade e um triunfo para a difusão das descobertas sobre a vacinação. No estudo experimental da raiva, Pasteur tem um predecessor, Pierre Victor Galtier, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo. Para os adversários de Pasteur, encabeçados por Michel Peter, essa descoberta prova que não é possível acreditar nos micróbios, e diz “Pasteur pretende trabalhar com a raiva, e na verdade estuda outra afecção?”. Com a ajuda de Chamberland, Roux e Thuillier, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas, Inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). O segundo paciente será Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). O mesmo sucesso não ocorre com a criança Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). A notícia do tratamento da raiva atravessa oceanos, e 4 crianças norte-americanas são tratadas em Paris e são salvas, trazendo uma publicidade de proporções inesperadas. Poucos meses depois, é a vez de a Rússia apelar para Pasteur e 19 vítimas também são tratadas. Devido ao longo tempo até chegarem a Paris, algumas já estão em estado muito grave, mas 16 se curam. Sabendo do sucesso, o príncipe Alexandre Oldenburg decide fundar em São Petesburgo um laboratório anti-rábico. Adrien Loir é quem vai para a Rússia. O tratamento se difunde e logo também se vacina em Londres, Viena, na Versóvia, e outros. As pessoas vêm de toda parte para o laboratório na Rua Ulm. Pasteur afirma em 1886 que de 1.235 franceses (França e Argélia) tratados preventivamente contra a raiva, o tratamento só foi ineficaz para 3, e diz, “desafio qualquer um a contradizer esses fatos e asserções” (Debré, 1995, p. 497). No entanto, por mais eloquentes que sejam os números apresentados, os adversários de Pasteur procuram as menores falhas, fazendo com que ele tenha que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continua a atacá-lo. Há vezes em que Vulpian é quem responde as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, há aqueles que acusam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Roux continua denegrindo o método e as críticas diárias chegam a impressionar os mais fiéis colaboradores, em particular Adrien Loir. Os ataques repetidos de Peter e a desconfiança de Roux modificam a atmosfera do tratamento, e Pasteur tem dificuldades em convencer os médicos a respeito da eficácia do método. Mesmo com os ataques, inclusive dos jornais da época, Pasteur se mantém seguro de suas convicções, mas já se encontra com mais de 60 anos e começa a sentir alterações do ritmo cardíaco. Cedendo às orientações dos médicos, aceita fazer um pouco de repouso e viaja com a família para a Itália (Debré, 1995, p. 501-504). Os raros fracassos do tratamento são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necrópsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Broudael observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Broudael sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Broudael. Pasteur também precisou lidar com os ataques hostis das revistas especializadas e de publicações da imprensa geral, especialmente alemãs e italianas, e responde cada um dos argumentos. Contudo, só excepcionalmente escreve em jornais de grandes tiragens, preferindo atuar por meio de comunicações acadêmicas. No entanto, Grancher, Vulpian e Charles Richet o defendem sempre que necessário, publicando numerosos artigos que se propagam por toda a França. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Doenças e vacinas. Cão raivoso. Coleta de saliva de cão raivoso. Pasteur e coelhos usados nos experimentos. Pasteur em seu laboratório na École Normale Supérieure em 1885, segurando o frasco contendo a vacina anti-rábica. Óleo sobre tela de Albert Edelfelt, 1886. Joseph Meister, por volta de 1885, quando recebeu a vacina anti-rábica desenvolvida por Pasteur. Pasteur e Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos que foi o segundo paciente vacinado. Pacientes russos de Smolensk em 1886. Pacientes árabes e bretões em 1890. Pasteur, Metchnikoff, pacientes e equipe de apoio ao serviço de vacinação. Pasteur rodeado de pacientes que buscam seu laboratório para a vacinação anti-rábica. Conferência antipasteuriana. Continue lendo a biografia

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    Enumerologia Consulte as 250 personalidades do Grupocarmograma por ordem alfabética de sobrenome. São 217 homens e 33 mulheres, distribuídos em 25 grupos de personalidades. Ao clicar no nome, você será direcionado para um dos grupos no qual a personalidade está alocada. Obs. Há personalidades em mais de um grupo. Posteriormente, disponibilizaremos tabela completa com as informações. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 234 235 236 237 238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 250 Albert, Jacques Victor Alexander III Almeida, Marco Antônio Ferreira de Anderson, Thomas Andral, Gabriel Arago, Dominique François Jean Aristóteles Armond, Edgard Pereira Augier, G. V. Émile Auzias-Turenne, Joseph-Alexandre Balard, Antoine-Jérôme Barbet Barbier Béchamp, Pierre-Jacques-Antoine Bernard, Claude Berthelot, Pierre-Eugène-Marcellin Bertin, Pierre-Augustin Berzelius, Jöns Jacob Bigo, Louis Dominique Joseph Biot, Jean-Baptiste Bonaparte, Charles-Louis-Napoléon (Napoléon III) Bonaparte, Mathilde Laetitia Wilhemine Bordet, Jules Jean Baptiste Vincent Boucicaut, Marguerite Bouley, Henri-Marie Boutet, Antoine-François-Daniel Boutroux, Jeanne Boyle, Robert Bragança, Pedro de Alcântara... (Dom Pedro II) Brébant, Félicien Brongniart, Adolphe-Théodore Brouardel, Paul Camille Hippolyte Bussy, Alexandre Antoine Brutus Calmette, Albert-Léon-Charles Carnot, Marie-François-Sadi Caventou, Joseph-Bienaimé Chamberland, Charles-Édouard Chambon, Ernest Chantemesse, André Chappuis, Charles Charcot, Jean-Martin Charrière, Alexandre Chassaignac, Édouard Chevreul, Michel-Eugène Clemenceau, Georges Colin, Gabriel Constant Corelli, Marie (Mary Mackay) Coubert, Gustave Coulon, Ferdinand Courture, Thomas Cruz, Oswaldo Gonçalves D´Orleans, Henri Eugène Philippe Louis Darwin, Charles Davaine, Casimir Joseph Delafosse, Gabriel Després, Armand Deville, Henri Étienne Sainte-Claire Doucet, Camille Droz, François-Xavier-Joseph Dubois, Paul Duboué, Pierre-Henri Duclaux, Émile Dumas, Alexandre (filho) Dumas, Jean-Baptiste-André Duruy, Jean-Victor Edelfelt, Albert Ehrlich, Paul Erdmann, Otto Linné Fabre, Jean-Henri Casimir Falloux, Alfred de Favé, Ildefonse Feuillet, Octave Fikentscher, Friedrich Christian Flajoulot, Charles-Antoine Flourens, Marie-Jean-Pierre Furtado-Heine, Cécile Gallé, Émile Galtier, Pierre-Victor Gamaleia, Nicolas (Nikolay Gamaleya) Gay-Lussac, Louis-Joseph Gernez, Désiré Jean Baptiste Gibier, Paul Godélier Grancher, Jacques-Joseph Gravière, Edmond Jurien de la Guérin, Alphonse François Marie Guérin, Jean-Marie Camille Guérin, Jules-René Guillemin Guzmán, María Eugénia Ignacia Augustina de Montijo de Haffkine, Waldemar-Mordecai Hamilton-Temple-Blackwood, Frederick (Lord Dufferin) Hankel, Wilhelm Gottlieb Haüy, René Just Henner, Jean-Jacques Hervieux, Jacques François Édouard Hirsh, Clara de Huet, Amélie Hélène (Madame Laurent) Hugo, Victor-Marie Iffla, Daniel "Osiris" Jacobsen, Jacob Christian Jenner, Edward Joly, Nicolas Joubert, Jules François Jupille, Jean-Baptiste Kestner, Charles Koch, Heinrich Hermann Robert Labiche, Eugène Marin Lamartine, Alphonse Marie Louis de Prat de Lamotte, Gérard Élisabeth Alfred de Vergnette de Laubespin, Léonel-Antoine Mouchet de Battefort Laurent, Amélie (Amélie Loir) Laurent, Aristide Laurent, Auguste Laurent, Célie (Célie Zévort) Laurent, Henri Laurent, Marie Anne (Marie Pasteur / Madame Pasteur) Laveran, Charles Louis Alphonse Lavoisier, Antoine-Laurent de Lebaudy, Jules Le Dantec, Félix Leeuwenhoek, Antonie van Legouvé, Ernest Lesseps, Ferdinand Marie de Liebig, Justus von L'Isle, Jean-Baptiste Louis de Romé de Lister, Joseph Littré, Maximilien-Paul-Émile Loir, Adrien Charles Marie Loir, Adrien Joseph Jean Longchamps, Jacqueline Gohièrre de Lucas-Championnière, Just Marie-Marcellin Luiz, André Maillot, Eugène Mairet, Emmanuel Bousson de Maizier, Ferdinand Malus, Étienne-Louis Manet, Édouard Marchetti, Paola Marchoux, Émile Marcou, Jules Martin, Bon Louis Henri Meister, Joseph Mendeleev, Dmitrÿ Ivanovič Mérieux, Jean Marie Marcel Metchnikoff, Élie (Ilya Ilyich Mechnikov) Mignet, François Milne-Edwards, Henri Mitscherlich, Eilhardt Monatgu, Mary Wortlay Monet, Claude Musset, Charles Mussy, Noël-François-Odon Guéneau de Needham, John Tuberville Netzer, Didier Nicolle, Charles Jules Henri Nightingale, Florence Nisard, Jean-Marie-Napoléon-Desiré Noailles, Paul de Nocard, Edmond Isidore Etienne Nostredame, Michel de (Nostradamus) Ollivier, Émile Pareau, Emanuel Pasteur, Camille Pasteur, Cécile Pasteur, Émilie Pasteur, Jean-Baptiste Pasteur, Jean-Denis Pasteur, Jean-Joseph Pasteur, Jeanne Pasteur, Jeanne-Antoine (Virginie) Pasteur, Joséphine Pasteur, Marie-Louise Péligot, Eugène Melchior Pelletier, Louise Pelletier, Pierre-Joseph Pellico, Silvio Pelouze, Théophile-Jules Perraud, Jean-Joseph Peter, Charles-Félix-Michel Pissarro, Jacob Abraham Camille Plínio Segundo (ou Plínio, o Velho) Pointurier, Étienne-Charles Pouchet, Félix-Archimède Prévost, Louis Constant Rasmann Raulin, Jules Rayer, Pierre-François-Olive Redi, Francesco Redtenbacher, Josef Regnault, Henri-Victor Renan, Joseph Ernest Renaud, Etienne Répécaud Richet, Charles Robert Romanet Roqui, Jeanne-Etiennette (Jeanne-Etiennette Pasteur) Rose, Gustav Rossignol, Hippolyte Rothschild, Alphonse James de Rouland, Gustave Roux, Pierre-Paul-Émile Rueff, Adolphe Sainte-Beuve, Charles-Augustin Saint-Hilaire, Albert Geoffroy Saintine, Xavier Boniface de Santos, Everton Souza dos Schwann, Theodor Ambrose Hubert Sédillot, Charles-Emmanuel Semmelweis, Ignaz Philipp Sénarmont, Henri Hureau de Serres, Albert Seybel Sículo, Diodoro (ou Diodoro de Sicília) Sisley, Alfred Somerville, Mary Fairfax Grieg Spallanzani, Lazzaro Straus, Isidore Taine, Hyppolyte Tarnier, Étienne-Stéphane Teofrasto de Eresos Terrier, Louis-Félix Thénard, Louis-Jacques Thomaz, Martha Gallego (Vó Martha) Thuillier, Louis Tour, Charles Cagniard de la Tourtel, Jules Tourtel, Prosper Toussaint, Jean-Joseph-Henri Transmentor Trélat, Ulysse Vaillant, Jean-Baptiste Philibert Vallery-Radot, Camille Vallery-Radot, Louis Pasteur Vallery-Radot, Madeleine Vallery-Radot, René Vercel, Altin Vercel, Jules Vieira, Waldo Vinsot, Auguste (Jules?) 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