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  • Família Nuclear | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Família Nuclear Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 Origem. O pai de Louis Pasteur era francês, nascido em 16 de março de 1791 na região do Jura. Tornou-se órfão na primeira infância. Sua mãe, Gabrielle Jourdan faleceu em 1792, aos 20 anos. Seu pai, Jean-Henri Pasteur, dessomou aos 27 anos. Jean-Joseph foi filho único, sendo criado pela avó e tias (Vallery-Radot, 1951, p. 6; Viñas, 1991, p. 23-25). Guerra. Aos 21 anos, convocado para a guerra da Espanha (1812-1813), foi denominado “bravo entre os bravos”, sendo nomeado sargento-mor. Recebeu a cruz de Cavalheiro da Legião de Honra pelo imperador Napoleão Bonaparte (Debré, 1995, p. 28-29). Ele foi descrito como um soldado corajoso, disciplinado e atencioso (Keim & Lumet, 1913, p. 8). Ofício. Após a guerra, retornou à cidade de Salins. Igualmente ao pai, seu ofício era de curtidor de peles (Debré, 1995, p. 28). Logo depois, casou-se com Jeanne-Etienette Roqui, de uma antiga família de classe baixa (Keim & Lumet, 1913, p. 8). Casal. A vida financeira do casal era difícil, e eles decidem se mudar para Dole, estabelecendo-se em uma pequena casa na Rue des Tanneurs, onde Pasteur nasceu (Debré, 1995, p. 30; Keim & Lumet, 1913, p. 8). O interior da casa foi descrito como de uma simplicidade que se aproximava da pobreza (Debré, 1995, p. 31). Caráter. Quanto às características pessoais, Jean-Joseph dava a impressão de que vivia uma vida interior, e apresentava espírito ponderado (Vallery-Radot, 1951, p. 9). Era reservado e taciturno (Viñas, 1991, p. 25). Tinha caráter firme, meditativo e corajoso (Garozzo, 1974, p. 50). Resmungão, às vezes causava medo aos seus netos (Debré, 1995, p. 149). Preceptoria. O genitor de Louis zelava pela educação do filho, tornando-se seu professor particular, seu primeiro preceptor, fazendo-se todos os dias o seu explicador (Vallery-Radot, 1951, p. 10). Livros. Jean-Joseph adquiriu o primeiro dicionário da família “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia”, publicado por Rolland e Rivoire em 1803 (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 52). História. O pai de Pasteur passava as suas próprias noites, depois de dias difíceis no curtume, lendo livros de história, atos de glórias francesas passadas e adquirindo a educação que lhe parecia o símbolo da mais alta linhagem humana (Dubos, 1967a, p. 27). Autoridade. Vuillame, vizinho da família, relata: “o pai exercia sobre todos os seus uma autoridade absoluta, porém sábia e raciocinada” (Debré, 1995, p. 33). Educação. O patriarca tinha a reputação de ser pouco comunicativo, mas honesto e leal, sempre disposto a educar os filhos no respeito às grandes virtudes adequadas para elevar suas almas (Chanlaine, 1966, p. 9). Anseios. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho. Naquela época, o que gostaria era vê-lo diretor do Collège d´Arbois. Louis compartilhava com o pai seus progressos nos estudos, dúvidas e preocupações (Vallery-Radot, 1951, p. 99). Amigos. O chefe da família tinha poucos amigos, mas eruditos, a exemplo de professores e o médico da cidade de Arbois, Dr. Dumont, um ex-médico militar que se tornou médico do Hospital desta urbe (Debré, 1995, p. 34). Presença. A presença paterna foi marcante na vida de Louis Pasteur, dando-lhe conselhos, ensinando sobre honra, justiça e dever. Possivelmente o pai influenciou no patriotismo do filho. Pasteur dirá: “Ensinando-me a ler, tiveste o cuidado de ensinar-me a grandeza da França” (Debré, 1995, p. 33). Lema. Jean-Joseph era um homem atencioso e trabalhador, que tinha como lema: "Nunca pense em nada além do que você está dizendo ou fazendo no momento" (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Inclusive, há uma tira de couro que ele carregava consigo, junto aos livros de contabilidade do curtume, com dizeres “Só pensar no que se está fazendo no momento” (Debré, 1995, p. 39). Gratidão. À época dos estudos iniciais em Paris, Louis, sabendo que seu pai sofreu a vida toda por falta de educação e, sem fazê-lo perceber, com delicadeza, e sob o pretexto de que é Josephine, sua irmã, quem precisa se expandir sua riqueza de conhecimentos, envia uma abundante bibliografia, que se torna material de estudo para seu pai. É assim que, à distância, Louis cumpre seu papel de instrutor do pai e das irmãs, mantendo intacto o sentimento de gratidão para com aqueles que o apoiaram nos seus primórdios (Vinãs, 1991, p. 54). Falecimento. Em 1865, um telegrama endereçado a Louis chama-o a Arbois, para perto de seu pai, que se encontrava bastante doente. Louis não chegou a tempo. Viu o corpo do pai já no caixão mortuário. Na tarde daquele dia, escreveu à esposa: “Minha querida Marie, meus caros filhos, o pobre avô já não existe e nós levamo-lo esta manhã para sua derradeira morada. Ele está aos pés da pobrezinha da Jeanne. Em meio à minha dor, senti-me feliz pelo bom pensamento de Virginie, que o fez colocar lá, e espero que um dia poderei reuni-los a minha terna mãe e a minhas irmãs, até o momento em que eu mesmo vá reunir-me a eles. Até o último instante, esperei tornar a vê-lo, abraçá-lo uma última vez, dar-lhe o consolo de apertar em seus braços o filho que ele tanto amou; mas, chegando à estação, vi uns primos, que vinham de Salins, todos de preto. Só então foi que compreendi que podia apenas acompanhá-lo ao cemitério. Ele morreu no dia de tua primeira comunhão, minha querida Cécile: duas lembranças que não sairão do teu coração, minha filhinha. Tive o pressentimento disto quando, na mesma manhã, na hora em que ele foi atingido para não mais se levantar, eu te pedia para rezares a Deus pelo avô de Arbois. Tuas orações devem ter sido bem agradáveis a Deus, e quem sabe se o próprio avô não as ouviu e não se alegrou, junto da pranteada Jeanne, com os sagrados fervores de Cécile. Durante todo o dia, repassei em minha memória as provas de afeto de meu pobre pai. De trinta anos para cá, fui sua constante e quase única preocupação. Devo-lhe tudo. Jovem, ele me afastou das más companhias e deu-me o hábito do trabalho e o exemplo da vida mais leal e mais bem empregada. Pela distinção do espirito e de caráter, este homem estava muito acima de sua posição, a julgar pelas coisas que se fazem neste mundo. Ele não se enganava a este respeito: bem sabia que é o homem que honra sua posição, e não a posição que honra o homem. Não o conheceste, minha querida Marie, no tempo em que minha mãe e ele trabalhavam tão arduamente por seus filhos queridos que tanto amavam por mim sobretudo, por mim cujos livros, cujas taxas de colégio, cuja pensão em Besançon custavam caríssimo. Vejo-o ainda, o meu pobre pai, nas folgas que lhe deixava o trabalho manual, lendo muito, instruindo-se sem descanso, outras vezes desenhando ou esculpindo a madeira. Não há muito tempo ainda, ele mostrava-me um desenho meu no qual fez uma cruz; neste desenho, de bom só há isto. Tinha a paixão do saber e do estudo. Vi-o estudando gramáticas, caneta na mão, comparando-as, comentando-as, a fim de aprender aos quarenta ou cinquenta anos aquilo que lhe recusaram os infortúnios de seus primeiros anos. Mas, os livros de que gostava e que procurava mais que tudo, eram aqueles que lhe rememoravam os feitos da grande época imperial, a que ele servira em seu tempo, e que renovara a sociedade. E o que há de tocante em sua afeição por mim, é que ela nunca se poluiu de ambição. Recordas-te de que, segundo suas palavras, ele me veria com prazer regente do colégio de Arbois. É que, por trás de meu adiantamento possível, via o trabalho que isto me traria, e por trás deste trabalho, minha saúde que poderia ser afetada. E no entanto, tal como ele era, tal como o vejo melhor hoje, alguns dos sucessos de minha carreira científica deviam tê-lo orgulhado imensamente, enchendo-o de alegria. Era seu filho, era seu nome. Ah! meu pobre pai! Sinto-me bem feliz ao pensar que pude dar-te algumas alegrias (...)” (Vallery-Radot, 1951, p. 98-99). Homenagem. Em 1883, Louis Pasteur, relembrando a memória de seus pais na frente da casa onde nasceu, disse: "Ó meu pai e minha mãe! Ó meus queridos falecidos que viveram tão modestamente nesta casinha, é a vocês que devo tudo! (...) Você, meu querido pai, cuja vida foi tão difícil quanto sua árdua profissão, me mostrou o que a paciência pode fazer em longos esforços. É a você que devo a tenacidade em meu trabalho diário. Você não só tinha as qualidades perseverantes que tornam a vida útil, mas também tinha a admiração de grandes homens e grandes coisas. Olhe para cima, aprenda além, busque sempre se elevar, foi isso que você me ensinou. Ainda posso vê-lo, depois de seu dia de trabalho, lendo, à noite, alguma história de batalha de um daqueles livros de história contemporânea que o lembrava de tempos gloriosos que você testemunhou. Enquanto me ensinava a ler, você teve a preocupação de ensinar-me a grandeza da França. Sejam abençoados ambos, meus queridos pais, pelo o que vocês foram” (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Jeanne-Etienette Roqui 1793-1848 Origem. A mãe de Pasteur era uma mulher francesa simples e trabalhadora, proveniente de família de jardineiros (Vallery-Radot, 1951, p. 8; Garozzo, 1974, p. 25). Características. Possuía bom senso, imaginação e entusiasmo. Apresentava características contrastantes e complementares ao marido, mostrando-se entusiasta e imaginativa (Vallery-Radot, 1951, p. 9; Debré, 1995, p. 30; Viñas, 1991, p. 28). Foi descrita também como uma pessoa gentil, com uma inteligência intuitiva e um amor pelas artes e poesia (Chanlaine, 1966, p. 9). Pintura. Aos 13 anos, Louis Pasteur faz o desenho de sua mãe, em pastel (Debré, 1995, p. 37). Teses. No dia 23 de agosto de 1847, aos 24 anos, Louis Pasteur apresentou duas teses de doutoramento em química e em física: Recherches sur la Capacité de Saturation de l'Acide Arsénieux - Étude des Arsenites de Potasse de Soude et d'Ammoniaque para a primeira matéria; e Étude des Phénomènes Relatifs à la Polarisation Rotatoire des Liquides, para a segunda (Garozzo, 1974, p. 61). A primeira tese de Pasteur, dedica-a ao pai. A segunda tese, dedica-a à mãe (Viñas, 1991, p. 56). Correspondência. Em última carta direcionada à Louis Pasteur, no início de 1848, Jeanne-Etienette parece se despedir para sempre do filho ao escrever "Meu querido menino, desejo-lhe um bom ano. Cuide de sua saúde. Às vezes me consolo de sua ausência pensando quanto me foi reconfortante ter um filho que conquistou uma posição que o tem feito feliz, como você mesmo nos disse em sua última carta" (Viñas, 1991, p. 59). E despede-se da seguinte forma: "O que quer que te aconteça, não fiques triste; na vida, tudo não passa de quimeras..." (Debré, 1995, p. 68; Dubos, 1967a, p. 28). Falecimento. Estas palavras parecem pressagiar um evento que não tardará a ocorrer: a mãe de Pasteur falece em 21 de maio daquele ano aos 55 anos de um fulminante ataque de apoplexia (AVC) (Debré, 1995, p. 68). Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Ela sucumbiu em poucas horas, e quando cheguei não estava mais entre nós. Vou pedir uma licença" (Viñas, 1991, p. 61). Vínculo. Fica evidente que o vínculo com a mãe era muito intenso já que, durante semanas após o falecimento da mãe, Pasteur se fecha em um mutismo total e suspende toda a atividade científica (Viñas, 1991, p. 61). “Durante semanas, sua vida intelectual ficou interrompida” (Vallery-Radot, 1951, p. 33). Báez (1995, p. 22) afirma que a dor de Pasteur foi imensa; durante vários dias parecia não encontrar consolo, mas conseguiu controlar seus sentimentos e encontrar no trabalho um calmante para as suas dores. Homenagem. Em 1883, na época da inauguração da placa comemorativa em sua casa natal na cidade de Dole, Pasteur dirá sobre a mãe: “Os teus entusiasmos, minha valente mãe, tu os passaste para mim. Se sempre associei a grandeza da ciência à grandeza da pátria foi porque eu estava impregnado dos sentimentos que tu me inspiraras” (Debré, 1995, p. 34). Jean-Denis Pasteur 1816-1816 Primogênito. Primeiro filho do casal Pasteur, Jean-Denis falece nos primeiros meses de vida (Debré, 1995, p. 30; Chanlaine, 1966, p. 9). Jeanne-Antoine Pasteur (Virginie) 1818-1880 Segunda filha. Irmã mais velha de Pasteur, Viginie, como era apelidada, casa-se com seu primo Gustave Vichot, que será sócio de Jean-Joseph antes de o suceder à frente do curtume. Falecerá em Arbois, em 1880 (Debré, 1995, p. 30). Cartas. As primeiras cartas de Pasteur à família, recomenda que a mãe não dedique às irmãs trabalhos domésticos demasiados, aconselhando-as bom comportamento e estudo diligente, e complementa: “Trabalho é amor mútuo (...) Pode causar repulsa e tédio no início; mas quem começou a se acostumar com o trabalho não pode mais viver sem ele (...) Com o conhecimento se é feliz, com o conhecimento se eleva muito acima dos outros (...) A atividade e o trabalho seguem sempre a vontade, e o trabalho quase sempre vem acompanhado de sucesso. Essas três coisas, vontade, trabalho e sucesso, dividem toda a existência humana uma da outra; a vontade abre as portas de carreiras brilhantes e felizes; o trabalho nos permite passar por essas portas e, quando se chega ao fim do dia, o sucesso vem coroar nossos esforços” (Dubos, 1967a, p. 29). Joséphine Pasteur 1825-1850 Quarta filha. A irmã mais nova de Pasteur, Joséphine sofria dos pulmões e morreu aos 25 anos (Debré, 1995, p. 31). Correspondências. Antes do falecimento de Joséphine, quando Pasteur tinha 18 anos e era estudante em Besançon, ele se correspondia com a família. Em uma das cartas, Louis recomenda às suas irmãs leituras de obras que ele considerava edificantes. Destacou a narrativa de Silvio Pellico, denominada Minhas prisões, na qual Louis proferiu: “Gostaria que elas lessem essa obra interessante em que se respira, a cada página, um perfume religioso que eleva e enobrece a alma” (Debré, 1995, p. 40). Conselhos. Durante as férias de verão em Arbois, o jovem Louis ficava conversando com a família à noite, e especialmente quanto à irmã Joséphine, gostava-lhe de dar sábios conselhos sobre as leituras e a maneira de se comportar no mundo (Garozzo, 1974, p. 61). Obra. Pasteur escreveu para a família recomendando que o pai fizesse o possível para que as irmãs, especialmente Joséphine lesse a obra Ensaio sobre a arte de ser feliz, de Joseph Droz, que via na vaidade dos homens o maior obstáculo para um mundo de paz e amor. Louis redige, em seu entusiasmo de jovem: “Nunca li nada de mais sábio, de mais moral e tão virtuoso! Esse livro deveria ser obrigatório a todo e qualquer habitante do Franco-Condado” (Garozzo, 1974, p. 48). Carta. Em 1841, aos 18 anos de idade, Pasteur começa a ganhar os seus primeiros francos como professor interino - trezentos por ano. Pasteur parecia se sentir incomodado por ser o único na família a ter o privilégio de receber estudos formais. Este sentimento aparece refletido na carta enviada a seus pais em 9 de maio daquele ano: “Meus queridos pais, vocês me disseram em sua última carta que esta semana decidiriam colocar minha irmã Josephine em um internato ou não. É absolutamente necessário que ela seja instruída, e se no ano que vem vocês não quiserem colocá-la em um colégio interno, serei eu quem pagarei por ela (Viñas, 1991, p. 42-43). Estudos. Nesta mesma carta se prontifica a pagar os estudos da irmã, dizendo: "Eu vivo gratuitamente, pois minha pensão é paga pelo colégio", dizia aos pais. "E dando aulas particulares, conseguirei talvez dobrar esse meu estipêndio inicial. Já estou acostumado a trabalhar. E quando uma pessoa está acostumada com isso, torna-se impossível viver sem. Tudo no mundo depende do trabalho! Portanto, o que acham? Não é uma boa ideia a minha?". O pai respondeu-lhe: "Não, não é uma boa ideia. Você não poderá dar aulas particulares e estudar ao mesmo tempo. Você necessita de todo tempo livre para estudar mais e se aprimorar, para enfrentar um dia os exames de admissão à Escola Normal. A melhor coisa a fazer, portanto, é continuar a estudar. Fazendo isso, eu, sua mãe e suas irmãs ficaremos muito satisfeitos” (Garozzo, 1974, p. 49). Apoio. Ao conhecer Marie Anne Laurent, futura esposa de Louis, a quem se refere ter encontrado todas as qualidades que poderia desejar em uma esposa, o cientista escreve ao amigo Charles Chappuis, dizendo: “Está apaixonado, dirás tu. Sim, mas parece-me que não exagero em nada, e minha irmã Joséphine é inteiramente de minha opinião” (Vallery-Radot, 1951, p. 41). Casamento. Em 1849, quando propôs e casou-se com Marie, Louis não havia se atentado para todos os preparativos indispensáveis para a nova residência. Ao ser questionado pelo pai sobre a casa, móveis e tudo o que era necessário para iniciar a vida doméstica, Pasteur percebeu que precisava de ajuda. Jean-Joseph julgou conveniente que Joséphine se encarregasse de auxiliar o irmão a encontrar uma casa cômoda e pequena, condizente ao seu orçamento, cuidando de mobiliá-la da melhor maneira possível (Garozzo, 1974, p. 77-78). Émilie Pasteur 1826-1853 Caçula. Émilie, caçula da família, contrai uma encefalite aos 3 anos de idade, o que lhe acarreta um "retardo mental". Viveu no convento das Ursulinas em Voiteur, na região do Jura na França. Faleceu aos 26 anos (Debré, 1995, p. 31, 556). Próximo Grupo

  • Besançon | Pasteur Brasil

    Besançon Após o retorno da breve passagem por Paris, Pasteur dará continuidade a seus estudos no Collège Royal de Besançon, dos 15 aos 17 anos. A cidade, próxima a Arbois, era conveniente para que o jovem pudesse manter contato com a família. Nesta urbe, Pasteur estuda Filosofia, Letras, Matemática e Ciências. O reservado jovem aproveita os momentos de lazer para realizar suas pinturas em pastel. Pasteur faz novos amigos, dentre os quais Jules Marcou (1824-1898), de quem faz um retrato. Este futuro geólogo participará da exploração científica das Montanhas Rochosas nos Estados Unidos, e lecionará em Harvard. Além de Charles Chappuis e Jules Vercel, Pasteur se tornará também grande amigo de Pierre-Augustin Bertin (1818-1884), sendo este um dos únicos companheiros capazes de divertir o introvertido Louis, se tornando companhia inseparável. Bertin estudará com Pasteur na École Normale Supérieure em Paris e se tornará professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Será quem receberá o cientista na cidade e o apresentará ao reitor da Universidade, o futuro sogro de Pasteur. Em Paris, também ajudará Louis na seleção dos estagiários para o laboratório na Rua Ulm. Pasteur se torna bachelier em Letras em Besançon em 1840, mas para ingressar na École Normale é preciso o baccalauréat em Ciências. Além da preparação para os exames, recebe a proposta de ser professor suplementar, inicialmente sem remuneração. O Sr. Répécaud, provedor deste Collège, fica atento a este aluno, que mesmo não sendo brilhante, sabia como aprender e demonstrava ter um cérebro ordenado e classificador. Louis aceitou o cargo, aos 18 anos. Enfrentou a displicência dos alunos, que não o levavam muito a sério, pela sua pouca idade. Gradativamente, conseguiu que o respeitassem, foi ganhando prática e com o tempo se tornou um dos professores mais queridos do Collège. Futuramente, receberá 300 francos anualmente por este trabalho, o que lhe permitirá pagar por si próprio os seus estudos. Nas ruas de Besançon, além das referências a Pasteur, observa-se também memórias da cidade natal de Victor Hugo (1802-1885), escritor francês eleito membro da Academia Francesa em 1841, na qual Pasteur também ingressará em 1881. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve “O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Jules Marcou, amigo de Louis Pasteur no Royal Collège em Besançon e depois na École Normale Supérieure em Paris. Tornou-se geólogo. Pastel realizado por Louis Pasteur em 1842. Jules Marcou torna-se geólogo. Participa da exploração científica das Montanhas Rochosas nos EUA. Ainda jovem, publicou o primeiro Mapa Geológico dos Estados Unidos (1853) e posteriormente o Mapa Geológico da Terra (1861 e 1875), que teve grande sucesso. Torna-se professor na Universidade de Harvard. Pasteur e Marcou correspondem-se até o final da vida. Pierre-Augustin Bertin, amigo desde o Collège Royal de Besançon, onde Pasteur vai estudar aos 17 anos, diplomando-se bacharel em Letras. Companheiro jovial e agradável. Bertin também estudou com Pasteur na École Normale. Torna-se professor de Física na Faculdade de Estrasbusgo. Recebe Pasteur em sua casa, em Estrasburgo em 22/01/1849. Apresenta-o ao reitor da Universidade, Aristide Laurent, que o convida a jantar em sua casa (Sr. Laurent se tornará sogro de Pasteur). Victor Hugo, escritor e membro da Academia Francesa (eleito em 1841). Há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo” (Ref. www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd). Continue lendo a biografia

  • Jubileu: 70 Anos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Jubileu: 70 Anos Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 *Ver a microbiografia de Joseph Grancher no grupo Vacinação: Raiva. No início de 1892 a saúde de Pasteur deteriora bruscamente, e ele não sai do quarto. Em maio deste ano é formado na Dinamarca um comitê que anuncia a intenção de festejar os 70 anos do cientista e abre uma subscrição nacional para conseguir fundos para enviar uma medalha comemorativa. O movimento se estende à Noruega, Suécia. Na França, a Academia de Ciências forma um comitê e Joseph Grancher é nomeado secretário (Debré, 1995, p. 543-544) Marie-François-Sadi Carnot 1837-1894 *Ver a microbiografia de Sadi Carnot no grupo Políticos. O reitor da Academia de Paris abre as portas do grande anfiteatro da Sorbonne. 4.000 convites são distribuídos. A cerimônia acontece em 27 de dezembro, dia do aniversário de Pasteur. Da França, comparecem os Membros do Instituto Pasteur (pasteurianos), professores de faculdades, delegados das academias, representantes de sociedades científicas (francesas e estrangeiras), delegações da École Normale Supérieure, da École Polytechnique, da École Central, da École Vétérinaire, bem como estudantes de Medicina e Farmácia. Pasteur entra pelo braço do Presidente da República, Sadi Carnot. Os dois usam a grã-cruz da Legião de Honra (Debré, 1995, p. 543-544). Joseph Lister 1827-1912 *Ver a microbiografia de Joseph Lister no grupo Doenças Infectocontagiosas. Na cerimônia, estão presentes representantes da Suécia, Turquia, Alemanha, Itália, Áustria-Hungria, Bélgica, Inglaterra, entre outros. Pasteur se levanta para abraçar Lister (Debré, 1995, p. 544). Émile Gallé 1846-1904 Vitralista e ebanista francês. Émile Gallé foi um dos expoentes da art nouveau. Trabalhou com vidros opacos e semitransparentes, ganhando fama internacional pelos motivos florais. Em termos de mobiliário reinaugurou a tradição da marchetaria. A principal temática de seus artefatos são flores e folhagens, realizadas em camadas sobrepostas de vidro, técnica por ele desenvolvida, trabalhando com maestria a opacidade e translucidez do material. Uma produção de fins de século XIX e início do Século XX, traz especificamente paisagens tropicais, inspiradas no Rio de Janeiro. Gallé fabrica uma taça única para “cristalizar o pensamento” de Pasteur. Este vitralista encontrou um meio de incluir micróbios na transparência do cristal (Debré, 1995, p. 544). Jean-Baptiste Pasteur 1851-1908 *Ver microbiografia de Jean-Baptiste Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. O filho de Pasteur, é quem lê o discurso de Louis Pasteur, assim como o fez na inauguração do Instituto Pasteur, devido às sequelas dos AVCs do pai. As palavras são dirigidas aos jovens para não se deixarem dominar pelo “ceticismo difamante e estéril” e para viverem na “paz serena dos laboratórios e bibliotecas”. Prossegue aconselhando “Digam a vocês mesmos: o que fiz pela minha instrução? Depois, à medida que forem avançando: o que fiz pelo meu país? Até o momento em que, talvez, tenham essa imensa felicidade de pensar que contribuíram alguma coisa para o progresso e o bem da humanidade” (Debré, 1995, p. 544-545). Próximo Grupo

  • Academia de Medicina | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Academia de Medicina Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Em 1873 Pasteur é eleito para a Academia de Medicina (Debré, 1995, p. 325). Claude Bernard vê em Pasteur um aliado contra médicos que desprezam a fisiologia (Debré, 1995, p. 327). Eles sentam-se lado a lado e conversam familiarmente (Debré, 1995, p. 392). Bernard defende as experiências de Pasteur e reconhece sua originalidade, concedendo-o o prêmio de fisiologia experimental. Ele é mais cientista do que médico, pois a seus olhos, o trabalho de laboratório é que fundamenta a medicina experimental e permite às antigas terapias se transformarem em ciências (Debré, 1995, p. 395). Durante muito tempo o bisturi ficou separado do microscópio. Só as lições de Pasteur e de Claude Bernard, juntos, na Academia de Medicina conseguirão mudar essa mentalidade. Por chocar com os hábitos de uma casta médica, as contribuições conceituais da microbiologia levarão mais de ¼ de século para penetrar nos costumes e práticas médicas (Debré, 1995, p. 301). Bernard preparou o terreno e foi Pasteur quem redesenhou a paisagem médica onde evoluímos há 1 século (Debré, 1995, p. 550). Bernard fala pouco, não sorri e raramente faz algum comentário. Faz inúmeras experiências com animais, relata as observações feitas e redige comunicações extensas para os padrões das Academias. Nunca faz propaganda de si mesmo e diferentemente de Pasteur, nunca quis sair falando de suas teorias e resultados. Apesar de ser reconhecido em toda a Europa como o primeiro fisiologista de sua época, Bernard só se sente à vontade em seu laboratório (Debré, 1995, p. 395). Uma estima recíproca vai unir estes dois amigos, em laços verdadeiramente pessoais. Bernard, uns 10 anos mais velho, sempre apoiou Pasteur prontamente, sobretudo na época da eleição de Pasteur para a Academia de Ciências. Eles se encontravam regularmente e participaram juntos de um pequeno grupo de peritos encarregado por Napoleão III para fazer um relatório sobre a situação do ensino científico na França (Debré, 1995, p. 397). Na ocasião do adoecimento por enterite de Bernard, Louis Pasteur, para apoiar seu amigo em convalescença e em repouso afastado de Paris, publica o artigo “Claude Bernard, importância de seus trabalhos, seus ensinamentos e de seu método”. Para isso, releu todos os trabalhos do amigo fisiologista. Bernard fica emocionado e agradecido, e lhe escreve “a admiração que o senhor demonstra por mim é recíproca”. Quando, por sua vez, Pasteur é atingido por um AVC, Bernard é um dos primeiros a comparecer à sua cabeceira para lhe trazer, afetuosamente, o seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Mais adiante, em 1878, Bernard fica gravemente doente. Acamado, é assistido pelo seu aluno Arsène d´Arsonval, a quem revela suas dúvidas sobre as teorias de Pasteur a respeito das fermentações. Ele acha que o fenômeno independe das leveduras, negando o papel da bactéria como organismo vivo, e diz ter anotações de resultados preliminares confirmando suas hipóteses. Neste mesmo ano, Bernard falece e seu aluno encontra seus papéis no quarto, e percebe que não são resultados, mas um esboço de trabalhos a realizar. D´Arsonoval e seus amigos optam pela publicação e enviam os papéis a Marcellin Berthelot (que não acredita no papel do ser vivo na fermentação), e publica as notas de Bernard em revista científica. A curiosidade é grande por esta publicação, pois Bernard não era amigo de Pasteur? (Debré, 1995, p. 399). Pasteur inicialmente não sabe se deve reagir publicamente, pois sabia ser uma atitude inerente de Bernard a de questionar tudo, a fim de não deixar passar nenhum erro de raciocínio. Pasteur consulta a opinião de colegas na Academia. Alguns aconselham a não se deixar incomodar pelo que seria uma volta ao passado; outros pensam que o respeito à memória de Bernard obriga a responder apenas com fatos, já que Bernard não está presente para sustentar uma discussão. O que mais choca a retidão de Pasteur é polemizar com um morto, no entanto, após ler os documentos por inteiro, decide se posicionar sugerindo que a publicação de Berthelot não é fiel ao pensamento de Bernard e anuncia que está começando uma nova série de experiências sobre fermentação, não para defender sua teoria, mas para dar continuidade aos trabalhos que Bernard não teve tempo de terminar. Naquele ano, as férias de Pasteur são consagradas a estas experiências e consegue resultados taxativos: a levedura é indispensável para a fermentação. Pasteur publica suas conclusões sob a forma de um exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação, onde afirma no final que “a glória do nosso ilustre colega não foi diminuída” (Debré, 1995, p. 401). Charles-Félix-Michel Peter 1824-1893 *Ver a microbiografia de Michel Peter no grupo Vacinação: Raiva. Michel Peter afirma que um médico não precisa se sobrecarregar com os saberes de um químico, de um físico ou de um fisiologista. Dirigindo-se a Pasteur, fala a respeito da febre tifoide: “O que me importa o seu micróbio?”. Em resposta, Pasteur denuncia o que para ele é uma “blasfêmia médica” e insiste que o médico deve não só curar, mas prevenir a doença, e recomenda a profilaxia e a higiene (Debré, 1995, p. 301). Peter é um dos mais influentes membros da Academia, e afirma que “as descobertas das bactérias são curiosidades da história moderna (...) quase sem nenhum proveito para a Medicina” (Debré, 1995, p. 460). Ele e Pasteur se desprezam, mas são parentes afastados do lado de suas esposas, por meio de um ancestral comum, Joseph Loir, que foi veterinário do exército do Egito. Ele havia se casado sob as ordens de Napoleão Bonaparte. Seu neto é Adrien Loir, sobrinho de Pasteur, que trabalha de manhã com Peter e de tarde com Pasteur. Deste modo, participa da briga dos dois “patrões” (Debré, 1995, p. 459). "Na Academia, Peter se arvora de promotor e transforma a assembleia em uma audiência de acusação: 'A desculpa do senhor Pasteur é a de ser um químico, que inspirado no desejo de ser útil, quis dar força à medicina, ciência que lhe é totalmente estranha" (Debré, 1995, p. 460). Gabriel Constant Colin 1825-1896 Veterinário francês. Foi professor da Escola de Veterinária de Alfort. Membro da Academia de Medicina. Filho de Louis Gabriel Colin e Jeanne Claude Amélie Menoux. Após os estudos veterinários, foi nomeado chefe de departamento na Escola de Veterinária de Lyon 1845, chefe de departamento em Alfort 1847, professor de higiene, botânica, zoologia em Alfort 1862, professor de botânica, zoologia e higiene em Toulouse 1865, professor de patologia e terapia geral, manual de operação, doenças parasitárias e encarregado do Departamento de aplicações cirúrgicas de Alfort 1866. Admitido a seu pedido de aposentadoria e nomeado professor honorário em 1887. Eleito membro da Academia de Medicina para a seção de medicina veterinária em 3 de janeiro de 1865. Nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 1869, promovido a Oficial em 1887. Gabriel Colin se revela um adversário da teoria de Pasteur. O veterinário se apoia em 12 anos de trabalho com o carbúnculo para afirmar que Pasteur está errado em acreditar que o bacilo é o responsável pela doença. Colin também se recusa a admitir o fenômeno de incubação de certas doenças. Pasteur se esforça em vão em convencê-lo apesar das explicações. Colin conserva vários adeptos entre os médicos. Diante de vários debates contraditórios na Academia, Pasteur exclama aos jovens que assistem às sessões: “jovens, vocês que se sentam no alto destas arquibancadas provavelmente são a esperança do futuro médico do nosso país. Não venham aqui para procurar a excitação da polêmica; venham se instruir com os métodos” (Debré, 1995, p. 356-358). Ref. https://data.bnf.fr/en/12298184/gabriel_colin/ Ref. https://cths.fr/an/savant.php?id=127642 Mais informações: https://mediatheque.ifce.fr/index.php?lvl=author_see&id=35842 Henri-Marie Bouley 1814-1885 *Ver a microbiografia de Henri Bouley no grupo Academia de Ciências. Bouley, que é veterinário, se declara impressionado com a interpretação de Colin, e embora partidário de Pasteur, convida-o a examinar de perto as objeções que lhe são feitas, as quais Pasteur replica vigorosamente. Porém, cabe ressaltar que Bouley é um dos grandes apoios de Pasteur (Debré, 1995, p. 355). No bem sucedido experimento de Pouilly-le-Fort, dentre o grande público presente, Bouley também está lá e participa do entusiasmo geral (Debré, 1995, p. 448). Na Academia, cada vez que Bouley tenta louvar os méritos de Pasteur, Peter intervém e é aplaudido em nome da medicina tradicional (Debré, 1995, p. 460). Bouley, um dos mais fiéis apoios de Pasteur na Academia de Ciências e na Academia de Medicina, e amigo de Pasteur, falece no mesmo dia que Louise Pelletier, criança de 10 anos que Pasteur tentou salvar da hidrofobia (raiva) (Debré, 1995, p. 495). Alphonse François Marie Guérin 1817-1895 Doutor em medicina francês (Paris, 1847). Cirurgião. Membro (eleito em 1868) da Academia de Medicina, seção de medicina operativa, então presidente em 1884. Ficou famoso com a invenção da bandagem de algodão que tornava possível proteger os feridos de envenenamento e infecção purulenta. Nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 12 de agosto de 1864. Oficial em 1871. Comandante em 1884. Recebe o colar de um alto funcionário da ordem do czar Stanislas II. A Academia de Ciências concedeu-lhe o Prêmio Montyon em 1875 e o Prêmio Godart em 1879. Alphonse Guérin estudou em Paris. Tornou-se Aide d'anatomie em 1843 e obteve o doutoramento em 1847, tornando-se 'prosector' do anfiteatro em 1848. Em 1850, através de concours, tornou-se Chirurgien des hôpitaux. Foi então sucessivamente cirurgião dos hospitais Lourcine (1857) e Cochin (1862), antes de ser nomeado Chirurgien en chef do Hôpital Saint-Louis. Finalmente, em 1872, foi nomeado cirurgião do Hôtel-Dieu. Ele se aposentou desta posição em 1879 para se tornar cirurgião honorário do hospital. Em 1858, os cirurgiões do hospital elegeram-no seu representante no Conseil deillance d'assistance publique e em 1864 no Conseil général de Departement Morbihan do cantão de Mauron. Em 1896 sua cidade natal teve uma homenagem a ele levantada, como o descobridor do curativo de algodão. Além disso, e de seus muitos epônimos, ele também descreveu um procedimento de transfusão de sangue imediata sob o termo "Communauté de la Circulation. Seu principal interesse era a cirurgia urológica. Diversos cirurgiões higienistas, como Alphonse Guérin, Just Lucas-Championnière, Jules Helot, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat e Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene (Debré, 1995, p. 307). "Foi no fim da guerra de 1870 que, na França, um cirurgião, Alphonse Guérin, faz a suposição de que a infecção poderia ser causada pelos germes do fermento descritos por Pasteur. Então, escreve: Acreditava, mais do que nunca, que os miasmas que emanavam do pus dos feridos eram a causa real dessa doença horrorosa pela qual tive a dor de ver sucumbir os feridos. (...) Pensei, então, que os miasmas, cuja existência eu já admitira por não conseguir explicar de outro modo a produção da infecção purulenta e dos quais eu só conhecia a influência deletéria, pode riam ser os corpúsculos dotados de vida, iguais aos que Pasteur vira no ar. (...) Se os miasmas são fermentos, eu poderia evitar sua influência funesta nos feridos, filtrando o ar, como Pasteur havia feito. (...) Imaginei, então, um curativo acolchoado com algodão e tive a satisfação de ver minhas previsões se realizarem" (Debré, 1995, p. 311). Alphonse Guérin cria o laboratório de anatomia e química patológica para observar os benefícios do uso dos curativos acolchoados. Ele associa o abcesso às febres infecciosas (Debré, 1995, p. 327). Pasteur constata que os curativos de Guérin, assim como os de Lister, são os verdadeiros responsáveis pelos sucessos cirúrgicos constatados, graças à filtragem dos germes por essa separação acolchoada e a consequente destruição destes pela solução antisséptica (Debré, 1995, p. 328). Ref. https://data.bnf.fr/en/12107429/alphonse_guerin/ Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/2626.html Mais informações: https://trehorenteuc-eglise-broceliande.fr/docteur-guerin/ Jules-René Guérin 1801-1886 Médico belga, especialista em deformidades do corpo humano, cujo nome está ligado à síndrome de Guérin-Stern, ao sinal de Guérin-Kerguistel, à lei de J. Guérin. Lançou as bases da ortopedia científica e cirúrgica. Fundador e diretor do Medical Gazette of Paris, de 1830 a 1872. Iniciou seus estudos médicos em Paris em 1821, obtendo seu doutorado nessa universidade em 1826. Desde cedo se interessou pelo jornalismo e, dois anos depois, fundou a revista médica Gazette de santé, da qual foi editor e editor, e para a qual também escreveu artigos. Foi rebatizada de Gazette médicale de Paris em 1830, e foi dirigida por Guérin até 1872. Ele era um advogado de sua profissão, trabalhando, entre outras coisas, para a reintrodução de concursos. Além disso, atuou como escritor em diversas sociedades médicas, relator da comissão ministerial instituída pelos médicos e trabalhou em novas leis relacionadas a uma reforma no ensino e na prática da medicina. Com isso, ele procurou garantir a mais elevada liberdade de ensino possível. Ele foi o criador do Feulleton médico. A partir de 1832 passou a fazer mais trabalhos científicos, primeiro investigando a cólera, antes de voltar seu interesse para a ortopedia, que se tornaria sua especialidade e alicerce de sua reputação (1, 4). Depois de publicar alguns trabalhos nessa área, ele conseguiu estabelecer um hospital ortopédico, o Institut de la Muette em Passsy. Um ano depois, em 1839, foi-lhe confiada a liderança de uma unidade ortopédica de um hospital infantil. De 1838 a 1843 surgiram 13 trabalhos sobre problemas ortopédicos. Os fisiológicos foram recebidos com aclamação quase unânime, enquanto os de terapia e patologia foram recebidos com muita animosidade, especialmente a teno e miotonia recomendados por Guérin. Apesar disso, ele recebeu vários prêmios por seu trabalho. Em 1837 recebeu o grande prêmio de 10.000 francos por seu trabalho sobre as diferenças do sistema esquelético. Guérin era o responsável pela revista que fundou por mais de quarenta anos, mas também contribuiu para outras. A partir de 1842 também esteve bastante ocupado como membro da Academia de Medicina (1). Ele tinha 85 anos quando foi a Marselha e Toulon para ajudar as autoridades da cidade a combater um surto de cólera e evitar que se propagasse. Ele recebeu três prêmios Monthyon da Academia por seu trabalho fisiológico. Quando Pasteur faz uma comunicação à Academia de Medicina dizendo que pretende produzir vacinas, mas ainda sem relatar o processo, que ainda iria dar início, os adversários de Pasteur, encabeçados por Jules Guérin o censuram por não comunicar os detalhes de sua técnica e conseguem que a Academia repreenda a conduta de Pasteur. O cientista fica furioso e abatido, pois naquele mesmo período sua irmã (Virginie) acaba de falecer. Pasteur faz diversos rascunhos de uma carta de demissão da Academia, mas volta atrás. Mais adiante, Pasteur estará apto a revelar em detalhes o seu processo experimental de virulência atenuada (vacinação), que marcará o nascimento de uma nova disciplina, a imunologia (Debré, 1995, p. 427-428). As discussões sobre a varíola e a vacina continuam na Academia, o que se torna cansativo para Pasteur. O conflito entre os dois se agrava e Pasteur o responde grosseiramente. Recusando-se a 'responder a curiosidade indiscreta, intempestiva e malsã do senhor Guérin', acrescenta: 'Doravante, seremos dois no combate e veremos qual de nós sairá ferido e machucado desta luta'. A sessão é suspensa por um grande tumulto. Guérin furioso se precipita sobre Pasteur e é impedido pelo barão Larrey, que se interpõe. Na época, Guérin tem quase 80 anos e Pasteur quase 60 anos. "Jules Guérin desafia Pasteur em um duelo" (Debré, 1995, p. 562). Depois de alguns dias, o conflito vai se extinguir e Pasteur aceita se desculpar, cujas palavras ficaram registradas na ata: “Se, no calor do debate, pronunciei alguma palavra ou julgamento que pudesse prejudicar o renome do senhor Jules Guérin, eu as retiro e declaro que nunca desejei ferir nosso sábio colega. Em nossas discussões, só tive uma preocupação, a de defender, energicamente, a exatidão dos meus trabalhos” (Debré, 1995, p. 441-442). Gabriel Colin e Jules Guérin continuam a atacar Pasteur, mesmo após o sucesso do experimento em Poilly-le-Fort. Não raro, Pasteur deixa a sala, com raiva contra os que não compreendem o valor de suas experiências. Finalmente, resigna-se a não mais assistir às sessões da Academia. Sua ausência, no entanto, não impede as controvérsias sobre a teoria microbiana, a teoria do contágio e sobre as terapias propostas (Debré, 1995, p. 459). Ref. https://data.bnf.fr/en/12462139/jules_guerin/ Ref. https://www.researchgate.net/publication/334005498_The_Most_Influential_Scientists_in_the_Development_of_Public_Health_1_Jules_Rene_Guerin_1801-1886 Ref. https://search.proquest.com/openview/1a85063c7254dd03ebf3d9c9468cfb48/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1226372 Mais informações: https://www.bookdepository.com/Gazette-Medicale-de-Paris-Vol-2-Jules-Rene-Guerin/9781390324983 Charles-Emmanuel Sédillot 1804-1883 Médico militar e cirurgião francês. O professor Charles Sédillot é um dos pioneiros da medicina moderna, cirurgia, anestesiologia, histopatologia e infectologia. Infelizmente, ele permanece desconhecido fora dos círculos dos historiadores da medicina militar francesa. Foi o primeiro cirurgião do mundo a oferecer técnicas como luxação coxofemoral e uretrotomia interna, tornando-se pioneiro na cirurgia endoscópica. Ao introduzir a anestesia geral na França, ele revolucionou o atendimento ao paciente. Além disso, ele lançou as bases para o tratamento moderno e algorítmico de tumores, adotando os princípios da histopatologia clínica. Muito antes da descrição feita por Semmelweiss (1818-1865), ele previu e compreendeu a existência e a ação dos microrganismos, que chamou de micróbios, no desenvolvimento de infecções pós-operatórias. Por seu trabalho, ele foi homenageado por seus pares na França, mas permaneceu desconhecido além das fronteiras de sua terra natal. Charles Sédillot foi o inventor da palavra “micróbio” (do grego: mikros , “pequeno” e bios , “vida”), que ele propôs em 1878 em suas comunicações à Academia de Ciências, intitulado 'Sobre a influência do trabalho do Sr. Pasteur sobre o andamento da cirurgia'. Sédillot, que conheceu Pasteur enquanto era nomeado Professor de Química em Estrasburgo de 1848 a 1854, escreveu: Esses organismos formam um mundo composto de espécies, famílias e variedades cuja história, mal iniciada, já é rica em previsão e resultados da maior importância. Louis Pasteur (1822-1895), então com 56 anos, aprovou a palavra “micróbio” e ficou profundamente comovido com as marcas de apego que Sédillot lhe conferiu, especialmente porque as críticas não haviam diminuído. Em 19 de março de 1881, Pasteur escreveu em uma carta a Sédillot sobre este assunto: Caro e ilustre mestre, permita-me publicar (e dizer que é feito com sua permissão) a carta em que o senhor Littré aprovava a palavra micróbio , proposto por você, para silenciar os escrúpulos de algumas pessoas mais ou menos interessadas. Queira aceitar, com a esperança de que eu e todos os seus colegas também ajudemos na recuperação da sua saúde, uma homenagem do meu mais profundo e afetuoso respeito. Em conclusão, Sédillot teve um papel importante e impacto no desenvolvimento da medicina e cirurgia modernas. A evocação de sua vida excepcional, rica e eclética deve nos levar a abordar a questão recorrente da adequação da hiperespecialização em medicina e ciências. Em nossa mente, a vida e a obra de Sédillot estão questionando, de forma adequada, paradigmas médicos “estabelecidos”. Sédillot não era membro da Academia de Medicina, mas era um fervoroso partidário de Pasteur. Com 64 anos, foi um dos primeiros a aceitar e encorajar os trabalhos de Pasteur e suas aplicações cirúrgicas. Ele lê uma nota na Academia resumindo a evolução positiva do tratamento das lesões, com curas mais frequentes e redução de gangrenas e amputações. Se relatório termina com uma apologia à palavra micróbio (em vez de animálculo), dizendo: “a palavra micróbio tem a vantagem de ser mais curta e de possuir um significado mais geral e, tendo meu ilustre amigo Littré, o linguista mais competente da França, aprovado esse nome, nós o adotaremos” (Debré, 1995, p. 408). Ref. https://data.bnf.fr/en/12337301/charles_sedillot/ Mais informações: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1743919112007601?via%3Dihub Mais informações: https://www.academie-sciences.fr/fr/Liste-des-membres-depuis-la-creation-de-l-Academie-des-sciences/les-membres-du-passe-dont-le-nom-commence-par-s.html Maximilien-Paul-Émile Littré 1801-1881 Médico, filósofo, filólogo, lexicógrafo e político francês. Membro da Academia de Medicina (eleito em 1858) e membro da Academia Francesa (eleito em 1871). Estudioso da língua francesa, lexicógrafo e filósofo cujo monumental Dictionnaire de la langue française, 4 vol. (1863-73; “Dicionário da Língua Francesa”), é uma das realizações lexicográficas mais notáveis de todos os tempos. Littré era unanimemente respeitável, sendo descrito como uma das grandes mentes do século, e pela sagacidade de sua mente, Ernest Renan disse ser “uma das consciências mais completas do universo”. Foi autor do célebre Dictionnaire, e mesmo deixando de praticar a medicina, torna-se um erudito na área. Deste modo, torna-se a autoridade mais competente para batizar os pequenos organismos que Pasteur detectou em seu microscópio. Em resposta a Sédillot afirma: “para designar os animálculos, eu daria preferência a ‘micróbio’; primeiro, porque, como você diz, é mais curto, depois porque ele destina ´microbia´, substantivo feminino, para a designação de estudo do micróbio” (Debré, 1995, p. 410). Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). "Nos bancos da antiga Casa de Caridade, Pasteur encontra cinco dos maiores positivistas: Claude Bernard, Émile Littré e, é claro, Marcelin Berthelot; também Paul Broca, o célebre neurologista a quem se deve a primeira descrição anatômica do cérebro e Charles Robin, colaborador de Littré, inventor das palavras "hemácias" e "leucócitos" para designar os glóbulos vermelhos e brancos do sangue. Como revelam as atas das sessões, depois da morte de Claude Bernard, esses cientistas deixam Pasteur lutar sozinho. Por ocasião da famosa comunicação de maio de 1880, quando Pasteur descreve o estafilococo do furúnculo como sendo também responsável pela osteomielite, nenhum deles toma a palavra para destacar a importância da descoberta" (Debré, 1995, p. 416). Ref. https://data.bnf.fr/en/11913139/emile_littre/ Mais informações: NAHAS, Jacqueline; F ERNANDES, Pedro. Homo lexicographus. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2017. Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Paul-Emile-Littre Mais informações: https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100109344 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/littre-maximilien-paul-emile Edmé Félix Alfred Vulpian 1826-1887 *Ver microbiografia de Alfred Vulpian no grupo Vacinação: Raiva. Vulpian era um dos médicos mais respeitados de sua época. Torna-se membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. Após o sucesso do tratamento e diante da Academia de Ciências, Vulpian pede a palavra dizendo que Pasteur trabalhou durante anos, com uma série de pesquisas feitas sem interrupção até criar um tratamento do qual não duvida do sucesso (Debré, 1995, p. 489, 494). Jean-Martin Charcot 1825-1893 Doutor em Medicina francês (Paris, 1853). Especialista em doenças nervosas para as quais estabelece a nosologia. Conhecido por suas descobertas sobre esclerose múltipla, doença de Parkinson e por suas "aulas de terça-feira" sobre hipnotismo exercido sobre histéricos em La Salpêtrière, Paris. Diretor do Service des hysteriques de la Salpêtrière, Paris. Jean-Martin Charcot foi indiscutivelmente o médico mais conhecido da França durante o início da Terceira República. Ele foi reconhecido por suas brilhantes realizações em três campos distintos da medicina clínica : neurologia, geriatria e medicina interna . Ele também era conhecido pelo círculo de estudantes de medicina leais e talentosos que orientou e por suas extravagantes demonstrações de síndromes patológicas. Além de suas atividades médicas, Charcot conviveu com políticos poderosos, se esforçou para fazer avançar a agenda legislativa do republicanismo francês e reuniu a elite da sociedade cultural parisiense em sua casa para salões semanais. Após a descoberta da vacina da raiva, Charcot aproveita para posicionar-se perante os inimigos de Pasteur na Academia: “o inventor da vacina antirrábica hoje, com mais razão do que nunca, pode andar com a cabeça erguida e prosseguir o cumprimento de seu glorioso labor sem deixar-se desviar dele, no mínimo pelos clamores da contradição sistemática ou pelas insidiosas murmurações da difamação” (Viñas, 1991, p. 156). Ref. https://data.bnf.fr/en/12424494/jean-martin_charcot/ Ref. https://www.encyclopedia.com/history/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/charcot-jean-martin Ulysse Trélat 1828-1890 Cirurgião francês. Doutor em medicina (Paris, 1854). Agrégé da Faculdade de Medicina de Paris. Professor de medicina (1872). Membro da Academia de Medicina (1874). Trélat era filho do médico do exército de mesmo nome (1795-1879). Ele recebeu sua educação científica e prática de seu pai, Philippe-Frédéric Blandin (1798-1849), Philibert Joseph Roux (1780-1854) e Auguste Nélaton (1807-1873). Tornou-se assistente de anatomia em 1853, recebeu o título de doutor em medicina em 1854 e em 1855 assumiu a função de procurador. Ele se tornou agrégé em 1857, chirurgien des hôpitaux em 1860, chirurgien-en-chef na Maternité em 1864. Após extensa prática em outros grandes hospitais de Paris, ele se tornou professor de cirurgia clínica no Hôpital Necker em 1860, e em 1872 foi eleito membro da academia. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/10737796/ulysse_trelat/ Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/1682.html Jacques François Édouard Hervieux 1818-1905 Médico francês. Muito de seu trabalho foi com doenças de mulheres e crianças; o mais notável é o Tratado clínico e prático das doenças puerperais após o parto, onde Hervieux estudou todas as doenças das puérperas do ponto de vista triplo clínico, necroscópico e terapêutico. Este livro, fruto de dez anos de prática em um hospital reservado exclusivamente para o parto e suas consequências, começa com a apresentação da doutrina da intoxicação puerperal, pela qual Hervieux explica a mortalidade que grassa nos hospitais. A par da profissão de obstetra, esteve também envolvido na vacinação, da qual a Academia de Medicina era um dos centros, da qual era diretor. Embora ele mesmo fizesse as vacinas, tinha menos em vista o estudo anatômico e fisiológico dos procedimentos do que sua aplicação profilática imediata. Ele aproveitou todas as oportunidades para intervir assim que chegou uma comunicação a esse respeito e, ao menor alarme, partiu apressadamente em campanha; no dia seguinte à sessão em que o mal havia sido denunciado, ele era visto chegando, às vezes de madrugada, para indagar sobre os fatos relatados e dar sua resposta. Era para ele um sinal de atividade febril, de necessidade de luta, de qualquer explosão ou ameaça de varíola, seja no território ou nas colônias, ou no exterior. Ainda mais, se fosse uma epidemia excepcional. Em 1870, a varíola eclodiu no exército francês, provada pelas misérias do cerco de Paris. Só o hospital Bicêtre recebeu quase 10.000 varíola em três meses. De todos os médicos presentes, nenhum sentiu uma agitação mais profunda do que Hervieux. Essas preocupações com a varíola, que deviam absorver o fim da vida de seu autor, em nada diminuíram a importância de suas outras obras, nem diminuíram o mérito de inúmeras produções sobre os mais diversos temas da patologia médica. Ele foi eleito membro da Academia de Medicina na seção de partos em 10 de junho de 1873. Foi presidente no ano de 1896. Certa vez, Pasteur interrompeu aos brados uma conferência sobre febre puerperal, de Édouard Hervieux, um famoso ginecologista, repleta de termos gregos e romanos, mas sem fazer menção aos microrganismos, para afirmar: "O que está matando as mulheres com infecção puerperal não é nada disso! São vocês, médicos, que transportam micróbios mortais das mulheres doentes para as salas". Colhendo sangue e secreções vaginais das pacientes de Hervieux, que gentilmente abriu a Pasteur as suas enfermarias, Pasteur conseguiu isolar microrganismos nas culturas de caldo de galinha que ele desenvolveu, identificando o estreptococo como o agente causador da febre puerperal, e para sua profilaxia indicou a anti-sepsia com ácido bórico. Ref. https://data.bnf.fr/en/10708546/edouard_hervieux/ Ref. https://www.ccih.med.br/wp-content/uploads/2014/07/capitulo7-As-bases-do-hospital-contempor%C3%A2neo-a-enfermagem-os-ca%C3%A7adores-de-micr%C3%B3bios-e-o-controle-de-infec%C3%A7%C3%A3o.pdf Ref. http://cths.fr/an/savant.php?id=3827# Louis-Félix Terrier 1837-1908 Médico cirurgião francês. Lecionou no Hôpital de la Pitié, Paris. Louis-Félix Terrier nasceu em Paris em 1837. Iniciou os estudos veterinários na Maison-Alfort em 1854 e em 1859 matriculou-se na Faculdade de Medicina da capital francesa. Em 1862 foi internado nos serviços de Jarjavay, Oulmont, Gosselin e Chassaignac. Em 1870 obteve o grau de doutor com a tese De l'oesophagotomie externe (Paris, Baillière, 1870), e em 1872 a agregação com a obra Des anévrismes cirsoïdes (Paris, Baillière, 1872). Foi cirurgião do Central Bureau (1873), cirurgião dos hospitais Salpêtrière (1878), Saint-Antoine (1882) e Bicaht (1883). Ele também foi professor de cirurgia clínica (quarta cadeira) em La Pitié. Quanto ao seu trabalho científico, pode-se dizer que trouxe "o espírito bacteriológico de Pasteur" para as salas de cirurgia e se declarou a favor da esterilização com ar seco. A assepsia permitia que ele, como Courvoisier, penetrasse em campos como a cavidade abdominal que antes eram proibidos. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/12337285/felix_terrier/ Ref. https://historiadelamedicina.org/terrier.html Just Marie-Marcellin Lucas-Championnière 1843-1913 Cirurgião francês em hospitais de Paris. Membro da Academia de Ciências, secção de medicina e cirurgia (eleito em 1912). Membro da Academia de Medicina, seção de medicina operativa (eleito em 1894). Editor-chefe do "Journal of Practical Medicine and Surgery". - Neto do oficial Vendée Pierre-Suzanne Lucas de La Championnière. Just Lucas-Championnière é um médico francês, nascido em Saint-Léonard no Oise em 15 de agosto de 1843 e morreu em 22 de outubro de 1913 em Paris, de um acidente vascular cerebral, durante uma intervenção pública na Academia de Ciências durante a qual acabava de entregou uma importante comunicação sobre trepanação pré-histórica. Filho do doutor Just Lucas-Championnière (1803-1858), fundador da Revista de medicina prática e cirurgia , a primeira revista profissional amplamente distribuída destinada a clínicos gerais disponível nos CFDRMs , ele será codiretor com seu irmão Paul Championnière. Estagiário em medicina em 1866, passou sua tese de doutorado em 1870 antes de ingressar na 5ª ambulância internacional durante a guerra de 1870. Foi nomeado cirurgião hospitalar em 1874. Dirigiu sucessivamente os serviços cirúrgicos do hospital Cochin (maternidade), hospital Tenon, Hospital Saint-Louis, hospital Beaujon e, finalmente, Hôtel-Dieu, até sua aposentadoria em 1906. Em 1867, ainda estudante de medicina, Just Lucas-Championnière ficou intrigado com um artigo na revista médica The Lancet onde o cirurgião britânico Joseph Lister descreveu o trabalho de antissepsia, inspirado nas teorias de Louis Pasteur, que vinha desenvolvendo para dois anos na Glasgow Royal Infirmary. No ano seguinte, ele viajou para a Escócia para observar os métodos de Lister, fez amizade com ele e passou um mês em seu serviço. Em janeiro de 1869, publicou o primeiro artigo em francês sobre as virtudes da antissepsia. Ele será um propagandista fervoroso por toda a vida. Ele é o autor da primeira obra de referência francesa sobre este método, o Manual de cirurgia anti-séptica , publicado em 1875 (segunda edição 1880). Nomeado diretor da maternidade do hospital de Cochin, ele introduziu a antissepsia por meios muito simples: ensaboar as mãos antes das operações, tratar feridas com ácido carbólico. A queda da mortalidade no parto é espetacular: “Em seu departamento de Cochin, em 1878, a mortalidade era de apenas 2 por 1000, enquanto no mesmo ano, nos hospitais onde não se praticava antissepsia, a mortalidade às vezes era de 50 por 1000 ”. Também realizou inúmeros trabalhos considerados na época muito inovadores sobre a cura radical das hérnias (1880-1893) , a trepanação guiada por localizações cerebrais (1878) ou o tratamento de fraturas (1887-1895). Ele é o autor de Tratamento de fraturas por massagem e mobilização de 1895. Currículo: Eleito membro da National Academy of Medicine em 1894 e do Institut de France (Academy of Sciences) em 1912, Just Lucas-Championnière também foi cooptado por prestigiosas instituições estrangeiras: Royal College of Surgeons de Londres, Royal College Edinburgh Surgeons , New York Medical Academy. Ele também foi um doutor honorário da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Sheffield. Foi eleito presidente da Sociedade de Cirurgia em 1894, da Associação Francesa de Cirurgia em 1901 e da Sociedade Internacional de Cirurgia em 1911. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). "Em 1869, um jovem cirurgião, Just Lucas-Championnière, vai a Glasgow para encontrar Lister. Ele volta entusiasmado, mas seu relatório, publicado no Journal de médicine et de chirurgie pratique, não convenceu ninguém. Ele vê recusada a solicitação para experimentar, na França, o método de Lister. Só consegue uma evolução das mentalidades em 1874: chamado para substituir o chefe do serviço do hospital Lariboisière, onde todos os feridos têm supuração, ele pode, então, mostrar a eficácia da anti-sepsia. Essa primeira experiência coincide com o início das relações diretas entre Lister e Pasteur" (Debré, 1995, p. 321). "Just Lucas-Championnière, um dos primeiros a introduzir as teorias de Pasteur no hospital, é neto de um chefe vendéen (nome dado durante a Revolução Francesa aos insurretos monarquistas do oeste da França) - seus adversários se aproveitam disso para acusá-lo de obscurantismo católico..." (Debré, 1995, p. 417). Ref. https://data.bnf.fr/en/12950431/just_lucas-championniere/ Ref. http://www.cfdrm.fr/CV_Just_Lucas-Championniere_fils_1843-1913.htm Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/3332.html Mais informações: https://education.persee.fr/doc/revin_1775-6014_1913_num_66_2_9105 Mais informações: https://www.academie-sciences.fr/pdf/eloges/lucas_vol3268.pdf Étienne-Stéphane Tarnier 1828-1897 Médico obstetra francês. Pioneiro da medicina neonatal e inventor da incubadora. Stéphane Tarnier estudou medicina em Paris e se tornou o decano da obstetrícia na França durante a segunda metade do século XIX. Ele foi pioneiro em muitos avanços e encorajou uma abordagem perinatal para o parto que foi desenvolvida por seus discípulos, Budin e Pinard. Tarnier também cuidava da alimentação dos recém-nascidos e, mais particularmente, das crianças prematuras. O final da década de 1880 viu um verdadeiro boom na nutrição infantil, especialmente com as descobertas de Pasteur, e a esterilização então se tornou a regra. Ele se interessou pela causa e prevenção da febre puerperal, que na época ceifava a vida de uma em cada seis parturientes no hospital. Em 1857, Tarnier apresentou à Académie sua dissertação inaugural sobre o assunto. Ele mostrou que a mortalidade por sepsia puerperal foi 13 vezes maior no hospital do que nas mulheres que deram à luz no bairro fora e declarou estar convicto de que a doença era contagiosa. Tal sugestão foi considerada muito polêmica na época, mas seu chefe, Paul Dubois, ficou impressionado e o nomeou chefe da clínica da Maternité e, em 1867, cirurgião-chefe. Durante os 22 anos seguintes sob sua direção, a higiene do hospital foi melhorada; ele introduziu o isolamento de casos infectados e foi o primeiro na França a adotar a antissepsia de Lister, incluindo o spray de ácido carbólico e uma técnica de exclusão peritoneal para cesariana. A mortalidade por infecção puerperal na Maternité caiu de 93/1000 partos para 23/1000 no período de 1870-1880, e então para 7/1000 na década seguinte. Eventualmente, 1000 mulheres consecutivas deram à luz no hospital sem qualquer perda materna. Os estudos de Tarnier sobre a febre puerperal de mais de 40 anos foram publicados em 1894. 4 Em 1886, ele e Oliver Windell Holmes foram nomeados os honorários da Universidade de Edimburgo. Em 1891, Tarnier foi eleito presidente da Academia de Medicina de Paris. Ele estava sobrecarregado há muitos anos e seis anos depois decidiu se aposentar. No mesmo dia de sua aposentadoria, ele sofreu um derrame e morreu pouco depois, em 22 de novembro de 1897. Ele tinha 69 anos. Assim morreu um homem que era amado por seus alunos e adorado por seus pacientes. Ele havia lançado as bases do cuidado perinatal na França. Talvez, porém, sua maior contribuição tenha sido nos homens que treinou, homens como Pierre Budin e Alphonse Pinard que levaram adiante e desenvolveram seus conceitos. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/13479433/etienne_tarnier/ Ref. https://fn.bmj.com/content/86/2/F137 Mais informações: https://fr.aleteia.org/2018/11/16/stephane-tarnier-le-medecin-qui-a-consacre-sa-vie-aux-meres-et-aux-enfants/ Mais informações: https://embryo.asu.edu/pages/etienne-stephane-tarnier-1828-1897 Mais informações: https://www.cambridge.org/core/books/eponyms-and-names-in-obstetrics-and-gynaecology/tarnier-etienne-stephane-18281897/4610AAE20D62E806A228DB3110C26C25 Próximo Grupo

  • Início da Vacinação | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Início da Vacinação Chineses, Indianos, Persas, etc. Tempos remotos A prática da vacinação é antiquíssima. No século X os chineses realizaram inoculações que protegiam da varíola. Ao que parece, esta técnica vinha da Índia. A pústula foi usada como arma bacteriológica para arrasar, por exemplo, aldeias indígenas (Debré, 1995, p. 428-429). Diz-se que a inoculação contra a varíola foi praticada na China, Índia e Pérsia desde os tempos mais remotos (Dubos, 1967b, p. 274). Mary Wortlay Monatgu 1689-1762 Nobre inglesa. Escritora. Esposa do embaixador britânico na Turquia. Nascida em Londres, Lady Mary Pierrepont foi criada em grande estilo em casas pertencentes à sua família. Desde tenra idade, ela desejava receber uma educação melhor do que se julgava apropriado para as meninas de sua época e de sua classe social. Escrevendo mais tarde na vida, Lady Mary descreve uma visita à biblioteca de sua família para “roubar” sua educação, longe do olhar de uma governanta desprezada. Aos 16 anos, ela havia escrito dois volumes de poesia, um pequeno romance e aprendeu latim sozinha. Aos 23 anos, ela fugiu para se casar com Edward Wortley Montagu, e eles se mudaram para Londres. Uma socialite popular, ela logo seria encontrada em cada uma das cortes separadas e mutuamente hostis do Rei George I e do futuro George II. N essa época, seu único irmão morreu de varíola, aos 20 anos. Lady Mary também contraiu a doença, em 1715, mas se recuperou, contra as expectativas. Em 1716, seu marido foi nomeado embaixador no Império Otomano e eles se mudaram para Constantinopla (atual Istambul). Morando em Constantinopla, Lady Mary tinha acesso a haréns, ou seja, os aposentos das mulheres. Comparando as mulheres turcas com sua vida na Inglaterra, ela escreveu: “As moças turcas [sic] não cometam nenhum pecado a menos por não serem cristãs ... É muito fácil ver que elas têm mais liberdade do que nós ...”. Com sua própria família afetada pela varíola, Lady Mary ficou satisfeita ao descobrir que a vacinação contra a varíola era comum no Império Otomano. O método consistia em introduzir o vírus da varíola em uma pessoa não infectada, proporcionando imunidade contra a doença. Lady Mary fez com que o cirurgião da embaixada britânica inoculasse seu filho. De volta para casa em 1721, enquanto uma epidemia global de varíola estava matando pessoas da Grã-Bretanha a Boston, Massachusetts, ela o fez inocular sua filha (nascida na Turquia) e divulgou os benefícios da inoculação contra a hostilidade amarga, incluindo a violência física. Os oponentes do procedimento ridicularizavam-no como oriental, irreligioso e um modismo de mulheres ignorantes, de modo que a fama de Lady Mary por ele foi mesclada e de curta duração. Embora publicadas apenas depois de sua vida, suas Cartas da Embaixada continuam sendo uma fonte importante para os historiadores do período. Diz-se que em 1717, que lady Montagu, esposa do embaixador britânico na Turquia, introduziu a vacinação da varíola de Constantinopla até a Europa (Dubos, 1967b, p. 274). Lady Montagu lançou na corte inglesa a moda da vacina, que se propagou por todo o continente europeu (Debré, 1995, p. 429). Ref. https://www.nationaltrust.org.uk/features/who-was-lady-mary-wortley-montagu Edward Jenner 1749-1823 Médico cirurgião inglês. Introduziu a vacinação contra a varíola e, assim, lançou as bases dos conceitos modernos de Imunologia. Jenner nasceu em 17 de maio de 1749, na vila de Berkeley, em Gloucestershire. Aos 8, sua escola começou em Wooton-under-Edge e continuou em Cirencester. Aos 13, ele foi aprendiz de Daniel Ludlow, um cirurgião, em Sodbury. Em 1770, Jenner foi para Londres para estudar com o renomado cirurgião, anatomista e naturalista John Hunter, retornando à sua Berkeley natal em 1773. Jenner se interessou pela natureza quando criança, e esse interesse se expandiu sob a orientação de Hunter. Por exemplo, em 1771, o jovem médico organizou os espécimes zoológicos coletados durante a viagem de descoberta do capitão James Cook ao Pacífico. Seu trabalho minucioso o levou a ser recomendado para o cargo de naturalista na segunda viagem de Cook, mas ele declinou em favor de uma carreira médica. Jenner ajudou nos estudos zoológicos de Hunter de várias maneiras durante seus poucos anos em Londres e depois em Berkeley. Os métodos experimentais de Hunter, a insistência na observação exata e o encorajamento geral são refletidos neste trabalho de história natural, mas são especialmente aparentes na introdução da vacinação de Jenner. Nos países orientais, a prática de inoculação contra a varíola com matéria retirada de uma pústula de varíola era comum. Essa prática foi introduzida na Inglaterra no início do século XVIII. Embora tal inoculação ajudasse na prevenção da doença temida e generalizada, era perigosa. Havia uma história comum entre os fazendeiros de que se uma pessoa contraísse uma doença relativamente branda e inofensiva do gado chamada varíola bovina, resultaria em imunidade à varíola. Jenner ouviu essa história pela primeira vez enquanto era aprendiz de Ludlow e, quando foi para Londres, discutiu longamente com Hunter as possibilidades de tal imunidade. Hunter o encorajou a fazer mais observações e experimentos, e quando Jenner voltou a Berkeley, ele continuou suas observações por muitos anos até estar totalmente convencido de que a varíola bovina, de fato, conferia imunidade à varíola. Em 14 de maio de 1796, ele vacinou um menino com material de varíola bovina retirado de uma pústula na mão de uma leiteira que havia contraído a doença de uma vaca. O menino sofreu os sintomas leves usuais de varíola bovina e se recuperou rapidamente. Algumas semanas depois, o menino foi inoculado com varíola e não sofreu efeitos colaterais. Em junho de 1798 Jenner publicou Um inquérito sobre as causas e efeitos da Variolae Vaccinae, uma doença descoberta em alguns condados ocidentais da Inglaterra, particularmente em Gloucestershire, e conhecida pelo nome de varíola . Em 1799, outras observações sobre o Variolae Vaccinae ou Cowpox apareceram e, em 1800, A Continuação de Fatos e Observações Relativas ao Variolae Vaccinae, ou Cowpox. A recepção das idéias de Jenner foi um pouco lenta, mas o reconhecimento oficial veio do governo britânico em 1800. Pelo resto de sua vida, Jenner trabalhou de forma consistente para o estabelecimento da vacinação. Esses anos foram marcados apenas pela morte em 1815 de sua esposa, Catherine Kingscote Jenner, com quem ele se casou em 1788. Jenner morreu de hemorragia cerebral em Berkeley em 26 de janeiro de 1823. Ao empregar a palavra “vacinar” para designar a inoculação de germes com virulência atenuada, Pasteur mostra tudo o que deve a seus predecessores, Jenner em primeiro lugar, como ele reconhece em um discurso em Londres em 1881: “Dei à expressão vacinação uma extensão que a ciência, assim o espero, consagrará como uma homenagem aos méritos e imensos serviços prestados por um dos maiores homens da Inglaterra, Edward Jenner” (Debré, 1995, p. 428). "Para fazer mais manifesta a analogia entre seu descobrimento e o de Jenner, Pasteur elegeu para descrever o novo fenômeno o nome de vacinação" (Dubos, 1967b, p. 281). Ref. https://data.bnf.fr/en/12571626/edward_jenner/ Ref. https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/jenner-edward-1749-1823 Ernest Chambon 1836-1910 Médico francês. "Durante décadas após a descoberta de Jenner, poucos esforços foram feitos para usar o inoculante de varíola bovino retirado diretamente do gado, talvez porque a vacina de Jenner veio de feridas de varíola nos braços e mãos de leiteiras infectadas. Então, na Itália, por volta de 1840, Giuseppe Negri, de Nápoles, usou material bovino para vacinar pessoas. A nova abordagem foi relatada em congressos médicos, mas não foi seriamente considerada pela classe médica em geral até 1864, quando Gustave Lanoix e Ernest Chambon trouxeram um bezerro infectado com varíola bovina de Nápoles para Paris com o objetivo de estabelecer um serviço de vacinação. Em poucos anos, um de seus bezerros estava sendo usado na Academia de Medicina. A justaposição de médicos bem vestidos e arquitetura extravagante com uma novilha dócil tornou o evento digno de nota. Uma novilha poderia fornecer vírus suficiente para milhares de doses de vacina ao longo de algumas semanas, e um pequeno rebanho permitiria a vacinação sob demanda para qualquer cidade que enfrentasse uma epidemia. E os pacientes não corriam mais o risco de infecção simultânea com outras doenças humanas. Chambon se mudou para os Estados Unidos por um tempo, abrindo um escritório em 120 Fort Greene Place, no Brooklyn, na época a terceira cidade mais populosa do país, onde ganhou ainda mais publicidade. Graças à defesa de Chambon, do médico americano e especialista em varíola Henry Martin e outros, departamentos de saúde e empresários estabeleceram rapidamente “fazendas de vírus” nos Estados Unidos e Canadá nas últimas décadas do século XIX". "Emest Chambon, 'apóstolo e divulgador da vacina animal', como ele próprio se intitula, organiza em Paris, na rua Massillon, sua primeira unidade de vacinação. Ele se torna 'o homem da vaca' para os garotos da cidade que o vêem conduzir sua novilha aos hospitais, até o dia em que, para evitar esses deslocamentos, ele cria, na rua Ballue, o primeiro Instituto de Vacínia. Em 1868, um projeto de lei propõe generalizar o emprego da polpa de vacina glicerinada. Mas a lei não é adotada porque o processo não parece seguro. Portanto, continua dificil a obtenção de grande quantidade da vacina. Além do mais, o debate volta, na Academia de Medicina, quando alguns adeptos teóricos da vacinação, como Léon Le Fort, recusam-se a torná-la obrigatória na prática da medicina; eles afirmam que a separação dos portadores de varíola é mais eficaz... Na França, foi preciso esperar até 1902 para que o projeto de vacinação antivariólica obrigatória fosse aprovado e até 1907 para que fosse aplicado" (Debré, 1995, p. 432). "O divulgador da vacinação animal tem direito ao reconhecimento de todos” (Dr. Émile Roux). Ref. https://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb320933947 Ref. https://bibliotheques-numeriques.defense.gouv.fr/document/655b1a75-12f0-4701-8a7d-d5290d56e03a Mais informações: http://www.calames.abes.fr/pub/#details?id=FileId-1247 Mais informações: https://www.sciencehistory.org/distillations/smallpox-and-the-long-road-to-eradication O pioneiro da vacinação contra a varíola, Ernest Chambon, extrai pus de lesões de varíola bovina enquanto os pacientes observam em seu escritório no Brooklyn, do Illustrated News de Frank Leslie , 6 de abril de 1872. Harvey Cushing / John Hay Whitney Medical Library, Yale University Joseph-Alexandre Auzias-Turenne 1812-1870 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1842). Chefe do trabalho anatômico da Escola Auxiliar de Medicina de Paris. "Como muitos outros que pregaram a teoria microscópica da doença antes de Pasteur e Koch, Auzias-Turenne permaneceu esquecido. No entanto, suas opiniões, que apresentara infatigavelmente em muitos artigos e conferências, impressionaram tanto seus contemporâneos que as reimprimiram depois de sua morte em forma de um grande livro chamado La Syphilisation. Auzias-Turenne aconselhava a imunização da juventude de todo o mundo contra a sífilis, mediante a inoculação com material do cancro mole, que ele considerava uma forma atenuada da doença. Segundo ele, o cancro mole tinha a mesma relação com a sífilis que a varíola bovina com a varíola. Era com essa mensagem que ele esperava alcançar a imortalidade, mas também tinha muito a dizer sobre outras doenças infecciosas como antraz, cólera, varíola, raiva e pleuropneumonia do gado. Suas declarações ilustram o argumento defendido por alguns médicos antes de Pasteur e Koch estabelecerem definitivamente que "vírus de doenças" eram microrganismos vivos" (Dubos, 1967b, p. 278). "The Syphilization foi publicado em 1878, e por meio de relações familiares, um exemplar caiu nas mãos do jovem Adrien L Loir, sobrinho de Pasteur, que imediatamente passou o livro para seu tio. De acordo com Loir, Pasteur estava muito interessado nos escritos de Auzias-Turenne. Ele guardava o livro em casa, numa gaveta especial de sua escrivaninha, e o lia com frequência, até mesmo copiando frases inteiras dele. É possível que Pasteur se estimulou em seus intentos de imunização em cachorros e seres humanos com as alegações de Auzias-Turenne sobre imunização terapêutica na pleuro pneumonia de bovinos" (Dubos, 1967b, p. 179-280). Em suas memórias, 50 anos depois, o sobrinho de Pasteur e assistente de laboratório, Adrien Loir, escreveu que Pasteur derivou muitas de suas ideias médicas durante esse tempo diretamente dos escritos científicos de Joseph-Alexandre Auzias-Turenne, um fisiologista francês que morreu em 1870. As obras coletadas de Auzias, intituladas La Syphilization, foram publicadas em 1878, e uma cópia foi dada a Pasteur por Loir. Em suas próprias memórias, Loir afirmou que a aquisição fortuita de La Syphilization de Auzias por Pasteur neste momento chave foi um fator decisivo em seu subsequente desenvolvimento bem-sucedido de uma vacina contra a raiva. "Depois de um jantar na casa do senhor Andecy, falei a Pasteur sobre o doutor Auzias-Turenne, de quem meu hospedeiro havia sido executor testamentário, e mandara publicar sua obra. Entreguei-lhe o grosso volume da parte do senhor Andecy. Depois de haver percorrido a obra com os olhos, o mestre me pede que solicite ao senhor Andecy para vir visitá-lo. Eles ficaram mais de duas horas conversando a sós. Pasteur manteve o livro sempre por perto, sobre sua mesa; lia-o constantemente, e isso durante muitos anos. Muitas ideias lhe foram sugeridas por essa leitura. Copiava muitas frases dessa obra. Mas nunca falava sobre esse livro, La Syphilisation, pois teriam-no ridicularizado" (Debré, 1995, p. 433). Ref. https://data.bnf.fr/fr/10932710/alexandre_auzias-turenne/ Mais informações: https://muse.jhu.edu/article/401201 Jean-Joseph-Henri-Toussaint 1847-1890 Médico e veterinário francês. Escola Nacional de Veterinária de Lyon. Cavaleiro da Legião de Honra (1889). Henri-Toussaint foi um veterinário francês nascido em Rouvres-la-Chétive, departamento de Vosges. Em 1869, ele recebeu seu diploma da escola de medicina veterinária de Lyon. Em 1876 foi nomeado professor de anatomia, fisiologia e zoologia na escola veterinária de Toulouse. Henri-Toussaint desenvolveu um método de vacinação contra o antraz, no qual enfraquecia o patógeno pelo antisséptico fenol. Esta foi a primeira vez que os patógenos foram enfraquecidos ou mortos por um produto químico para uma vacina. Toussaint é lembrado pelas contribuições feitas no campo da bacteriologia. A partir de sua pesquisa, ele conduziu investigações importantes sobre cólera, sepse e tuberculose nas galinhas. "Toussaint fica mais do que atento aos trabalhos de Pasteur: sonha em ultrapassar o outro, mais velho. É incentivado por Henry Bouley, que o encarrega, em 1878, de uma missão a respeito do carbúnculo. Nesse ano, de 26 de agosto a 22 de setembro, Toussaint fica em Beauce, não muito longe de Pasteur e de seus alunos. As duas equipes são concorrentes, mas não se ignoram. Além do mais, sempre confiante em si mesmo, Pasteur não hesita em comunicar a seu jovem colega algumas conclusões resultantes da necropsia de vacas que morreram com o mal negro. Ao voltar da missão, Toussaint publica um relatório, logo depois da publicação da equipe da rua Ulm, que só faz confirmar as hipóteses do mestre. Depois desse primeiro contato com os trabalhos de Pasteur, Toussaint prossegue com suas pesquisas sobre o carbúnculo e, em particular, continua na busca de uma vacina para essa doença. Em 12 de julho de 1880, ele entrega à Academia de Medicina e à Academia de Ciências um envelope lacrado e anuncia que aperfeiçoou um método que permite vacinar contra o carbúnculo. Foi um deus-nos-acuda: revoltam-se — Colin, em primeiro lugar – como a um jovem galanteador se permita uma atitude que acabam de condenar em Pasteur! Publicar um resultado sem divulgar o processo! É inadmissível... A Academia não é um móvel com gavetas secretas onde se podem depositar cartas lacradas. Toussaint é, então, obrigado a se dobrar e a revelar seu procedimento . Logo se verifica que o jovem veterinário se apressou demais em cantar vitória: Pasteur e sua equipe percebem que o calor não mata as bactérias do carbúnculo, só as atenua. Não é preciso muito para que recuperem a virulência. A mesma coisa acontece com ácido fênico que Toussaint preconiza então. A vacina volta a ser patogênica em alguns dias. Se atenuada em Toulouse, a preparação do carbúnculo não protege mais em Maison-Alfort; o tempo da viagem devolve a força às bactérias. Aumentar a temperatura não resolve nada, a bactéria não age mais como vacina. Pasteur fica furioso por se ter incomodado em invalidar uma má experiência: 'Não, sobretudo com assuntos dessa ordem, quando não se está seguro de si, não se agita a tal ponto o mundo científico, ainda mais que a estranheza dos resultados recomenda a maior reserva. O senhor Toussaint não foi prudente em relação à septicemia e à cólera das galinhas. Afirmar, com essa segurança, a total identidade das duas doenças é não conhecer nenhuma delas. E ele nos pede para apoiar suas conclusões de mais de duzentos e cinquenta experiências! Quando se declara ter feito duzentos e cinquenta experiências, é que se experimentou mal mais de 249 vezes'. Toussaint se rende às críticas e reconhece que seu método não é confiável. Mais calmo, Pasteur manda dizer por Bouley que terá "a delicadeza de se abster de uma crítica detalhada para deixar ao senhor Toussaint o cuidado de controlar a si próprio" (Debré, 1995, p. 436-438). Henri-Marie Bouley 1814-1885 *Ver microbiografia de Henri Bouley no grupo Academia de Ciências. "Toussaint fica mais do que atento aos trabalhos de Pasteur: sonha em ultrapassar o outro, mais velho. É incentivado por Henry (Henri) Bouley, que o encarrega, em 1878, de uma missão a respeito do carbúnculo. Nesse ano, de 26 de agosto a 22 de setembro, Toussaint fica em Beauce, não muito longe de Pasteur e de seus alunos. As duas equipes são concorrentes, mas não se ignoram. Além do mais, sempre confiante em si mesmo, Pasteur não hesita em comunicar a seu jovem colega algumas conclusões resultantes da necropsia de vacas que morreram com o mal negro. Ao voltar da missão, Toussaint publica um relatório, logo depois da publicação da equipe da rua Ulm, que só faz confirmar as hipóteses do mestre. Toussaint se rende às críticas e reconhece que seu método não é confiável. Mais calmo, Pasteur manda dizer por Bouley que terá "a delicadeza de se abster de uma crítica detalhada para deixar ao senhor Toussaint o cuidado de controlar a si próprio" (Debré, 1995, p. 436-438). Hippolyte Rossignol 1837-1919 Veterinário. Professor da Escola de Agricultura Melun e veterinário departamental. Os resultados das pesquisas sobre a vacinação do carbúnculo se tornam conhecidos. Rossignol, veterinário na cidade de Mélun, membro considerado da Sociedade de Agricultura local e redator da Revue Vétérinaire, quando toma conhecimento da comunicação de Pasteur, clama por testes decisivos, a serem colocados em prática em uma fazenda, e toma a iniciativa de organizar uma demonstração pública, cuidando de sua própria publicidade. Se a experiência fracassar, ele será conhecido como aquele que conseguiu pegar Pasteur no erro. Se for bem-sucedida, ele terá sua parte no sucesso (Debré, 1995, p. 443). Sessenta carneiros são utilizados no experimento. Vinte e cinco serão vacinados e os outros vinte e cinco ficarão sem vacina. Dez carneiros servirão de grupo de controle. Pasteur chama Chamberland e Rouxque estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Uma multidão de pessoas chega de diversas localidades. São agricultores, conselheiros gerais, médicos, redatores-chefes de revistas veterinárias, pessoas da imprensa (da França e do exterior). Foi considerado um espetáculo, por ser muito raro ver um cientista fora de seu laboratório. O ambiente parecia mais uma feira (Debré, 1995, p. 445). Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Rossignol foi o iniciador do experimento realizado por Louis Pasteur com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881. Ref. https://data.bnf.fr/fr/10709804/hippolyte_rossignol/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/hippolyte%20rossignol/page/1 Mais informações: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k86307239/f58.image.r= Mais informações: http://svpf.fr/IMG/pdf/SVPF_T93_N3_PP26_34.pdf Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 *Ver microbiografia de Charles Chamberland no grupo Doenças Infectocontagiosas. No experimento com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881, Pasteur chama Chamberland e Roux que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Após as inoculações, Pasteur, na grande sala da fazenda, fala ao público e expõe seu método. Serão realizados mais dois encontros, para a segunda e terceira inoculações. O último encontro é marcado para a constatação dos resultados. Neste período, Chamberland e Roux acompanham os animais. Um está febril, outro tem um edema, outro está mancando. Pasteur escuta o relato e fica preocupado, tomado por dúvidas. Pasteur acusa Roux de ser o responsável pelo fracasso da experiência, e Marie intervém para acalmar Pasteur. Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Com o sucesso evidente, Pasteur faz relatórios para a Academia de Ciências e para a Academia de Medicina. O governo quer prestar uma homenagem a Pasteur, mas ele diz só aceitar uma condecoração se puder dividi-la com Roux e Chamberland (Debré, 1995, p. 449). Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 *Ver microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. No experimento com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881, Pasteur chama Chamberland e Roux que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Após as inoculações, Pasteur, na grande sala da fazenda, fala ao público e expõe seu método. Serão realizados mais dois encontros, para a segunda e terceira inoculações. O último encontro é marcado para a constatação dos resultados. Neste período, Chamberland e Roux acompanham os animais. Um está febril, outro tem um edema, outro está mancando. Pasteur escuta o relato e fica preocupado, tomado por dúvidas. Pasteur acusa Roux de ser o responsável pelo fracasso da experiência, e Marie intervém para acalmar Pasteur. Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Com o sucesso evidente, Pasteur faz relatórios para a Academia de Ciências e para a Academia de Medicina. O governo quer prestar uma homenagem a Pasteur, mas ele diz só aceitar uma condecoração se puder dividi-la com Roux e Chamberland (Debré, 1995, p. 449). Louis Thuillier 1856-1883 *Ver microbiografia de Louis Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. No experimento com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881, Pasteur chama Chamberland e Roux que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Gabriel Constant Colin 1825-1896 *Ver microbiografia de Gabriel Colin no grupo Academia de Medicina. Veterinário francês. Membro da Academia de Medicina. Após o sucesso do experimento de Pouilly-le-Fort em 1881, enquanto na Inglaterra Pasteur é aclamado, na França se constata que nem todos estão convencidos, a exemplo de Gabriel Colin (Debré, 1995, p. 451). Heinrich Hermann Robert Koch 1843-1910 *Ver microbiografia de Robert Koch no grupo Doenças Infectocontagiosas. Durante todo o ano de 1882, Pasteur será confrontado por Robert Koch e por Membros da Escola Berlinense, a exemplo de Friedrich Löffler (aluno de Koch). Eles criticam as culturas do caldo, a descoberta do vibrião séptico, as experiências com as galinhas carbunculosas, e a existência e eficácia da vacina. É realizada uma contra-experiência, e Thuillier é enviado a esta missão, que é um sucesso. No entanto, Koch não fica inteiramente convencido, e os alemães não confessam publicamente a derrota. Neste mesmo período, Koch acaba descobrindo o agente da tuberculose, batizado de bacilo de Koch. No entanto, ele deixa para outros a descoberta das soluções terapêuticas, pois não acredita na vacinação (Debré, 1995, p. 454-455). Pasteur tenta conseguir um ganho de causa definitivo naquele mesmo ano por ocasião do Congresso Internacional de Higiene em Genebra. Ele está desejoso de uma resposta oficial de Koch diante dos representantes de todos os países reunidos. Ao subir na tribuna, Pasteur fala dos resultados das experiências e acrescenta “Porém, por mais brilhante que seja a verdade demonstrada, ela não tem o privilégio de ser aceita facilmente. Na Franca e no exterior, encontrei opositores obstinados”. Em seguida, dirige-se diretamente a Koch e a seus discípulos, sentados na primeira fila, pois estes insinuam que seus trabalhos não podem ser considerados rigorosos. Pasteur continua falando detalhando a experiência e Koch escuta em silêncio, não aceitando um debate contraditório em público. Subindo no estrado, afirma que prefere responder por escrito, o que ocorre 3 meses depois, afirmando que a atenuação do vírus é uma fábula. Pasteur retoma, uma a uma, as acusações de Koch e para explicar, relembra suas primeiras descobertas e até volta às antigas altercações com Liebig (Debré, 1995, p. 456). Próximo Grupo

  • Biógrafos | Pasteur Brasil

    Biógrafos Biografia resumida Contextualização da análise de parte dos biógrafos "Se Pasteur foi frequentemente descrito com um excesso de complacência (santificação), ele também sofreu ataques severos durante sua vida e após sua morte (demonização). Os oponentes e detratores não falharam. E ainda há alguns de nossos contemporâneos 'revisionistas' que publicam artigos de vez em quando. De que valem essas acusações, esses julgamentos de falsificação e plágio? Não se pode negar que Pasteur foi inspirado por um trabalho anterior ao seu, uma prática comum na pesquisa científica, e que ele não avançou suficientemente os nomes de seus predecessores é um fato. Mas não podemos negar-lhe a paternidade de suas descobertas validadas por experimentos decisivos e consagrados por aplicações. Neste ensaio, Jean-Pierre Brunet quer expressar sua opinião, muito pessoal - mas também muito compartilhada por numerosos pesquisadores e historiadores - sobre os escritos dos contundentes, denegridores e outros difamadores de Pasteur. Se o autor não lista todos os detratores, ele aponta alguns para relembrar suas críticas e desmontá-las. Porque observamos que essas críticas muitas vezes são recorrentes, copiadas por historiadores, ou afirmadas como tal, sem nos preocuparmos em voltar às fontes, que assim perpetuam indefinidamente afirmações errôneas, falsas ou totalmente fantasiosas". Tradução livre de excerto do prefácio de Annick Perrot ao livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 9-10 ) "Em 28 de setembro de 1895, Louis Pasteur morreu com 72 anos de idade (...) Depois de um período de 'contestação', em que foi perpetuamente objeto de crítica, e depois um período de 'celebração' em que suas descobertas foram finalmente admitidas, Pasteur entrou em um período que poderia ser descrito sem exagerar como santificação. O governo decreta um funeral nacional. Uma grande procissão acompanha o carro funerário onde, entre a multidão, podemos reconhecer Felix Faure, seus ministros, Constantino da Rússia, Nicolau da Grécia e muitos outros. Ao contrário do que alguns desejam, Pasteur não será enterrado no Panteão. Ele vai descansar um ano em uma capela de Notre-Dame de Paris enquanto espera a conclusão da cripta que lhe foi destinada, no porão do Instituto que leva seu nome (...) E, embora os institutos Pasteur sejam fundados em vários países, que avenidas, avenidas, ruas tomem o nome de Pasteur, não só na França, mas no exterior, que suas estátuas se ergam por toda parte, que colégios, clínicas, hospitais sejam colocados sob seu nome (...) que selos, moedas, medalhas são emitidas com sua efígie, que peças de teatro, filmes representem-no no palco ou na tela, (...) a publicidade se aproveita de sua imagem para promover marcas de cerveja ou camembert. Pasteur tornou-se uma glória nacional, conhecida e celebrada universalmente". Tradução livre de trecho adaptado do livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 13-15 ) Santificação René Vallery-Radot (A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951). Louis Pasteur Vallery-Radot (Pasteur Inconnu. Paris, França: Flammarion, 1954). Hellmuth Unger (Luís Pasteur: retrato de um gênio. São Paulo, SP: Melhoramentos, [196-]). J. M. Escamez (Pasteur. São Paulo, SP: Cultura Moderna, [19--]). Exemplos de biografias de teor hagiográfico René Vallery-Radot Entre 1879 e 1895, René Vallery-Radot ajudou o sogro a enfrentar seus detratores, fazendo contato com a imprensa, dando apoio nas respostas às cartas de polemistas e reescrevendo seus discursos. Com objetivo diplomático, auxiliou na adaptação dos textos a serem publicados na imprensa e reescreveu cartas redigidas com raiva por Louis Pasteur, pois o cientista era irascível. O desejo de Vallery-Radot de suavizar as coisas explica a surpresa que se pode ter quando, depois de ler seu livro "La Vie de Pasteur", mergulha-se na correspondência do próprio Pasteur, onde aspectos de seu temperamento o seu genro não conseguiu falar. Louis Pasteur Vallery-Radot Guardadas todas as considerações ao grande trabalho de compilação da obra de Pasteur em sete tomos e disponibilização de diversos materiais do cientista em variadas publicações, o neto de Pasteur, o médico Louis Pasteur Vallery-Radot (1886-1970), retrata, em suas palavras "a glória científica de Pasteur e suas qualidades excepcionais", sendo necessário ter em consideração o viés do afeto genuíno pelo avô em suas análises. Hellmuth Unger O médico e escritor alemão Hellmuth Unger (1891-1953), autor de mais de 60 livros, inclusive biográficos, referentes a Robert Koch, Rudolf Virchow e outros, utilizou tons elogiosos à figura de Louis Pasteur. Ainda assim, nesta obra traduzida para o português, é possível extrair diversas citações diretas de Pasteur, as quais estão indicadas na página Citações, deste site. "Contudo, depois do fluxo, vem o refluxo. Se Pasteur não foi mais contestado por várias décadas, a partir do século XX surgiu um movimento que, segundo um jargão, poderia ser qualificado de demonização". Tradução livre de trecho adaptado do livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 13-15 ) Demonização Ethel Douglas Hume (Pasteur exposed, germs genes vaccines, the false foundations of modern medicine, first published 1923, last published 1988, Ed. Bookreal, Australia). Jules Tissot (Constitution des organismes animaux et végétaux Causes des maladies qui les atteignent. Preuves de l'inefficacité et des dangers des vaccinations actuelles, 1926). Pierre Yves Laurioz (Louis Pasteur, la réalité après la légende, Ed. De Paris, 2005). Sylvie Simon (Pasteur, l'intouchable mythe, Univers Spirale, 2005). Eric Ancelet (Pour en finir avec Pasteur: un siècle de mystification scientifique. vétérinaire. Ed. Résurgences, 1998). Marc Averous (Un bon Pasteur?. Ed. Louise Courteau, 2007). Gérald Geison (The private science of Louis Pasteur. Ed. Princeton University Press, 1995 / A ciência particular de Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Contraponto, 2002). Yves Robin (Lettre ouverte à Monsieur Pasteur Louis. Éditions Livres, 2003). Gerald Geison A despeito dos pontos positivos desta obra, Max Perutz (1914-2002) chegou a uma conclusão muito desfavorável sobre a vida de Pasteur de Gerald Geison: "Derrubar grandes homens de seus pedestais, às vezes com a menor evidência, tornou-se uma indústria elegante e lucrativa, e segura, já que eles não podem processar porque estão mortos. Geison está em boa companhia, mas ele, em vez de Pasteur, parece-me culpado de conduta antiética e desagradável quando vasculha os cadernos de Pasteur em busca de fragmentos de supostas irregularidades e, em seguida, os aumenta desproporcionalmente, a fim de arrastar Pasteur para baixo. Na verdade, sua evidência é artificial e não sobrevive ao exame científico" (New York Review of Books, 21 de dezembro de 1995). O link de acesso ao texto encontra-se a seguir. Ethel Douglas Hume Nesta obra, segundo Ethel Hume (1923), “O herói da medicina ortodoxa, Pasteur, é apresentado como um químico que, mesmo sem ter sido médico, ousou nada menos do que alegar revolucionar a medicina. A busca pelo sucesso pessoal dominou seu ego. Ele alcançou seus objetivos com sua energia e tenacidade. Ao fazer isso, ele deixou de lado toda a ternura e amor pela vida, cometendo friamente atrocidades bárbaras em animais para 'provar' suas teorias". Acerca desta passagem, Jean-Pierre Brunet (2017, p. 53-54) pondera: "Em seu laboratório, Pasteur não lidava apenas com micróbios ou pessoas. Ele também lidava com animais, já que os experimentos que fazia exigiam seu uso, o que permitiria que pessoas como Ethel Douglas Hume o acusassem de se envolver em 'atrocidades bárbaras'. No entanto, Pasteur, embora não hesitasse em inoculá-los com todo tipo de doenças, manteve-se sensível ao sofrimento dos animais. É Adrien Loir quem diz que: 'Durante os experimentos com raiva, Pasteur mandou preparar uma caixa de zinco e quando não era necessário deixar os animais morrerem de sua bela morte, ele os colocou nessa caixa para asfixiá-los com clorofórmio e evitar assim uma longa agonia'. Pasteur nunca havia feito uma vivissecção. Ele fazia vacinas e principalmente para raiva. Quando trepanava animais, sempre exigia que eles fossem anestesiados de antemão. Que diferença com seu amigo Claude Bernard, que incisou, dissecou, recortou sem escrúpulos um zoológico inteiro gemendo de dor, porque a anestesia teria estragado as condições fisiológicas necessárias para os experimentos, e assim se justificava em sua Introdução ao Estudo da Medicina Experimental: 'É essencialmente moral ter experiências com um animal que são dolorosas e perigosas para ele, pois podem ser úteis ao homem'. Podemos imaginar os diálogos que ele poderia ter com a esposa, integrante da iniciante SPA e, como tal, contrária à vivissecção!". Além disso, a presente obra "Béchamp ou Pasteur" se utiliza da rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. Eric Ancelet "Na apresentação do livro de Eric Ancelet: nosso fim com Pasteur 'desmonta-se, em 250 páginas, mais de um século de dogmas em torno das vacinas, da medicina alopática, mantidos em vigor por líderes religiosos, científicos, estaduais e industriais, graças à ignorância e ao medo'. É neste trabalho que podemos encontrar, em uma fórmula concisa, todas as alegações hostis, ou melhor, insultuosas a respeito de Pasteur: '(...) oposição ao químico Louis Pasteur, plagiador, mentiroso, impostor e criminoso', reitera, caso o leitor não entenda a mensagem, na seguinte frase: 'Geralmente não se sabe quem foi Louis Pasteur: um agressivo sem escrúpulos, intrigante, cortesão, trapaceiro, plagiador e, no final, um assassino de crianças" (Brunet, 2017, p. 19). Equilíbrio Annick Perrot e Maxime Schwartz (Pasteur et Koch. Paris, França: Odile Jacob, 2014, dentre outros). Patrice Debré (Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995). René J. Dubos (Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a; Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967b). Bruno Latour (Pasteur: une science, une style, um siècle. Paris, França: Perrin, 1994, dentre outros). Exemplos de biografias tendentes à análise equilibrada dos fatos Annick Perrot e Maxime Schwartz Esta obra redigida por Perrot e Schwartz inspirou o documentário Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios, acessível pelo Youtube no link a seguir. Patrice Debré Este biógrafo é um dos pesqiusadores mais respeitados e completos a respeito da vida e obra de Louis Pasteur. Foi, inclusive, um dos entrevistados no canal espanhol Historia para o documentário "Pasteur y Koch: medicina y revolución". É possível conhecer um pouco da abordagem deste pesquisador no vídeo do Youtube a seguir. René Dubos Microbiologista, humanista e ambientalista franco-estadunidense, René Jules Dubos (1901-1982) é autor de pelo menos 20 livros, e foi professor emérito na The Rockefeller University em New York. Devido às suas contribuições científicas, ele mesmo foi também biografado por James G. Hirch e Carol L.. Moberg da National Academy of Sciences nos Estados Unidos, sendo possível visualizá-la no link a seguir. Destaque: Biógrafos pasteurianos Émile Duclaux (Pasteur, histoire d'un esprit. Paris, França: Imprimerie Charaire, 1896). Charles Richet (L´Œuvre de Pasteur: leçons professés a la faculté de médecine de Paris. Paris, França: Félix Alcan, 1923). Albert Delaunay (Pasteur e os Micróbios. Lisboa, Portugal: Publicações Europa-América, [ca. 1950]. / L´Institut Pasteur des Origines a Aujourd´hui. Paris, França: France-Empire, 1962.). Exemplos de biografias redigidas por pesquisadores ligados à Pasteur, autodenominados "pasteurianos" Émile Duclaux Um dos mais próximos colaboradores de Pasteur, Émile Duclaux (1840-1904) escreve a biografia "Pasteur, histoire d´un esprit", da qual podemos assinalar a tradução livre da sinopse: "Se quisermos obter um relato exato do progresso feito na ciência pelas várias obras de Pasteur, a primeira coisa a fazer é imaginar o estado de nosso conhecimento no momento em que cada uma delas estava progredindo. Para compreender totalmente o progresso que fizeram, você precisa saber de onde elas começaram. Mas não é tão fácil quanto você imagina. Não se pode contentar em ter uma ideia do estado de espírito geral em qualquer período, sem ler os livros clássicos e livros didáticos da época: esses livros estão sempre por trás da ciência dos laboratórios, aquilo que flutua no ar que respiramos e que empolga os pesquisadores". A obra completa pode ser acessada gratuitamente no site da BNF (Biblioteca Nacional Francesa), no link indicado a seguir. Ressalta-se também a iniciativa original de Duclaux em criar, em comum acordo com Pasteur, os Annales de l´ Institut Pasteur, revista científica mensal publicada desde 1887 até os dias de hoje. "(...) Mês após mês os Annales vão modificar a higiene pública e a política da saúde (...)" (Debré, 1995, p. 518). Charles Richet Largamente conhecido pela fundação da Metapsíquica e grandes contribuições à Medicina, Charles Richet (1850-1935) foi colaborador próximo de Louis Pasteur, mesmo antes da fundação do Instituto em 1888. Médico, laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1913, Richet escreveu a seguinte biografia, em tradução livre: "A Obra de Pasteur: lições professadas na Faculdade de Medicina de Paris", a qual pode ser consultada gratuitamente no link indicado a seguir. Destaca-se o último parágrafo desta obra, em que Richet, na página 118, direciona sua fala aos jovens: "Meditem, jovens, nesta bela vida de trabalho perseverante e tenaz, e compreendam que o que faz o cientista não é apenas sua inteligência, seu trabalho, seu saber. Você ainda precisa de fé, ardor, entusiasmo. Ninguém mais que Pasteur era apaixonado pela ciência, e é porque ele fertilizou seu poderoso gênio com entusiasmo perpétuo que ele foi o maior benfeitor da humanidade". Ademais, Richet publicou uma poesia intitulada "La Gloire de Pasteur", tendo recebido prêmio de poesia pela Academia Francesa. Albert Delaunay Médico e chefe do departamento de Patologia Experimental do Instituto Pasteur entre 1956 e 1974, Albert Delaunay (1910-1993) escreveu mais de uma obra referente a Pasteur. Além do livro intitulado "Pasteur et la microbiologie", Delunay também redigiu em 1962, "L´Institut Pasteur: des origines a aujourd´hui" e "Presence de Pasteur" em 1973. Seus trabalhos podem ser conhecidos no link abaixo.

  • Dole | Pasteur Brasil

    Dole Em 27 de dezembro de 1822 nasce Louis Pasteur. A cidade natal, Dole, no Jura, surgiu no século XI, às margens do rio Doubs, na região de Bourgogne-Franche-Comté, no leste da França. Pasteur nasceu em família modesta. O pai, Jean-Joseph Pasteur (1791-1865), era curtidor e a mãe, Jeanne-Etienette Roqui (1793-1848), provinha de família de jardineiros. O casal se estabeleceu às margens do Canal des Tanneurs, na casa onde Pasteur veio ao mundo às 2h da madrugada, sendo o terceiro de 5 filhos. A casa de nascimento de Pasteur oferece um excelente testemunho do que é a casa de um curtidor. Na lateral do canal, no andar térreo, as caves se abrem diretamente para a água. É ali que os tanques e poços de curtimento são instalados. Acima, estão as lojas e a oficina de ferro forjado. As salas de estar ficam no segundo andar. Finalmente, os secadores coroam o edifício. A família permaneceu em Dole por pouco tempo. Mudou-se de modo definitivo para Arbois, nas margens do rio Cuisance, quando Pasteur tinha 4 anos. A Maison Natale de Pasteur em Dole foi transformada em museu, dedicado à memória do cientista francês, sendo inaugurada em 1923. Quando vivo, em 14 de julho de 1883, Louis Pasteur esteve pessoalmente em Dole para a entrega da placa comemorativa na fachada da casa na Rua Pasteur, 43. Diante da população local, Pasteur discursou em homenagem aos pais: “Ó meu pai e minha mãe! Ó meus queridos falecidos que viveram tão modestamente nesta casinha, é a vocês que devo tudo!" (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. http://www.amisdepasteur.fr/sa-maison-natale-a-dole/maison-natale.html http://www.amisdepasteur.fr/sa-maison-natale-a-dole/tannerie.html Fachada da Maison Natale na Rua Pasteur, 43. Placa sinalizadora na fachada da residência transformada em museu histórico, onde se lê: "Aqui nasceu Louis Pasteur em 27 de dezembro de 1822". Berço de Louis Pasteur. Botas usadas por Louis Pasteur na infância. Sinalização do acesso ao antigo curtume de Jean-Joseph Pasteur. Visão interna do curtume. Objetos usados no curtume pelo pai de Louis Pasteur. Objetos pessoais da família de Louis Pasteur. Área interna da atual exposição na Maison Natale. Estante de livros. Oeuvres de Pasteur. Cômodo da exposição na Maison Natale. Discurso proferido por Louis Pasteur quando em 14 de julho de 1883, o cientista esteve pessoalmente em Dole para a entrega da placa comemorativa na fachada da Maison Natale. Carta da Sociedade dos Amigos de Pasteur. Placa na Maison Natale: reconhecimento enquanto monumento histórico. Placa de inauguração. Busto de Pasteur situado ao lado da Maison Natale. Continue lendo a biografia

  • Geração Espontânea x Teoria dos Germes | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Geração Espontânea x Teoria dos Germes Aristóteles 384 a.e.e - 322 a.e.c Filósofo grego. Os escritos de Aristóteles (384-322 a.C.) falam da pneuma, que seria uma espécie de matéria divina e que constituiria a vida animal. A pneuma seria um estágio intermediário de perfeição logo abaixo do da alma humana. A dualidade matéria/vida nos animais (ou corpo/alma nos seres humanos) já aparecia na escola socrática, da qual Aristóteles era membro, embora de modo um pouco diferente. Entre os animais superiores, o sopro vital passaria para os descendentes por meio da reprodução. Entretanto, Aristóteles acreditava que alguns seres (insetos, enguias, ostras) apareciam de forma espontânea, sem serem frutos da "semente" de outro ser vivo. Essa concepção é conhecida como geração espontânea e parece ter sido derivada dos pré-socráticos, que imaginavam que a vida, assim como toda a diversidade do mundo, era formada por poucos elementos básicos. A ideia de geração espontânea está também presente em escritos antigos na China, na Índia, na Babilônia e no Egito, e em outros escritos ao longo dos vinte séculos seguintes, como em van Helmont, W. Harvey, Bacon, Descartes, Buffon e Lamarck. Parece que sua dispersão pelo mundo ocidental se deu por intermédio de Aristóteles, dada sua grande influência em nossa cultura. Ref. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142007000100022&script=sci_arttext Teofrasto de Eresos 372 a.e.e - 287 a.e.c Filósofo grego. Continuou a obra de Aristóteles. Ficou mais conhecido pelas contribuições ao estudo das plantas (botânica). Entre os defensores da doutrina da geração espontânea, além de Aristóteles, destacava-se Teofrasto de Eresos, Plínio (o velho), Plutarco, Lucrécio, Avicena, Fracastório, Cardano, Francis Bacon, Atanásio Kircher, desde a Antiguidade até o século XVII. Ref. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-31662010000300004&script=sci_arttext&tlng=pt Diodoro Sículo (ou Diodoro de Sicília) c. 90 a.e.e - 30 a.e.c Historiador grego. Autor de uma “história universal” da Grécia e de Roma, dos tempos míticos até meados do século I. Enunciou, assim como outros pensadores, que certos seres podem não ter provindo de animais da mesma espécie. Mais informações: https://philarchive.org/archive/ASSPQS Plínio Segundo (ou Plínio, o Velho) 22 - 79 Historiador, naturalista e oficial romano. Foi chamado de “o apóstolo da ciência romana”. No século I d.C., Plínio Segundo, ou Plínio o velho, compôs uma obra em trinta e sete volumes intitulada Naturalis Historia, segundo ele, a primeira enciclopédia da Antiguidade. Ali, o autor aborda os mais diversos assuntos, desde antropologia, geografia, zoologia e medicina, até as artes, como a pintura ou a arquitetura. Mais informações: O CONCEITO DE NATUREZA EM PLÍNIO O VELHO John Tuberville Needham 1713 - 1781 Naturalista inglês. John Needham conduziu uma série de experimentos que pareciam fornecer prova de geração espontânea - o súbito aparecimento de organismos a partir de materiais inanimados. Seu trabalho estimulou o do cientista italiano Lazzaro Spallanzani (1729-1799), que conduziu experimentos semelhantes, mas teve resultados opostos. Needham nasceu em Londres em 1713. Ele deixou a Inglaterra a fim de receber a educação necessária para o sacerdócio católico romano, que concluiu em 1738. Tal escolaridade teria sido difícil de obter na Inglaterra, que estava sob o domínio protestante após um período de turbulência religiosa. Em vez de servir como padre, porém, Needham passou grande parte de sua vida como tutor de jovens católicos ingleses enquanto eles percorriam o continente europeu. Needham havia lido sobre descobertas recentes feitas com microscópios, incluindo a descoberta de "animálculos" (chamados posteriormente de microorganismos). Ele ficou fascinado com a microscopia, o uso de microscópios para fazer observações científicas. Em 1745, ele publicou Um relato de algumas novas descobertas microscópicas . Este trabalho incluiu suas observações de diferentes tipos de pólen. Enquanto estudava microscopia em Paris, Needham conheceu Georges Buffon (1707-1788), um naturalista francês que desenvolveu as primeiras ideias relacionadas à evolução. Buffon apresentou a Needham algumas das ideias do filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716). Leibniz havia proposto a existência de moléculas vivas, que chamou de mônadas. Needham não apenas aceitou essa ideia, mas também acreditava que, quando os organismos morriam e se decompunham, suas moléculas individuais continuavam a viver e podiam se unir para formar uma nova matéria viva. Ele acreditava que uma força, que ele chamou de "força vegetativa", uniu essas moléculas, assim como átomos de carga oposta serão atraídos juntos. Na época de Needham, era geralmente aceito que os animais não podiam se formar por geração espontânea. No entanto, a ideia de geração espontânea entrou em moda no que diz respeito aos "animálculos". Alguns naturalistas não acreditavam que organismos tão minúsculos fossem capazes de produzir descendentes ainda menores. Eles sugeriram que esses organismos devem, portanto, se formar espontaneamente. Needham e Buffon apoiavam essa visão. Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/john-turberville-needham Lazzaro Spallanzani 1729 - 1799 Sacerdote católico e fisiologista italiano. Entre os muitos filósofos naturais dedicados do século XVIII, Spallanzani se destaca por aplicar métodos experimentais ousados e imaginativos a uma gama extraordinária de hipóteses e fenômenos. Seus principais interesses científicos eram biológicos e ele adquiriu o domínio da microscopia; mas ele investigou também problemas de física, química, geologia e meteorologia e foi pioneiro na vulcanologia. Poderosos poderes de observação e uma mente amplamente treinada e lógica ajudaram-no a esclarecer mistérios tão diversos como pedras saltando na água; a ressuscitação de Rotifera e a regeneração de cabeças de caramujos decapitadas; as migrações de andorinhas e enguias e o voo dos morcegos, a descarga elétrica do peixe torpedo; e a gênese das nuvens de tempestade ou uma bica d'água. Suas pesquisas engenhosas e meticulosas iluminaram a fisiologia da circulação sanguínea e da digestão em animais humanos, e também da reprodução e respiração em animais e plantas. O rigor implacável de seu trabalho sobre os animálculos das infusões desacreditou a doutrina da geração espontânea e apontou o caminho para a preservação dos alimentos pelo calor. Spallanzani, com suas experiências, mostrou que os micróbios movem-se pelo ar e que podem ser eliminados por fervura . Seu intuito era derrubar as ideias de John Needham , que por meio dos seus experimentos demonstrava a geração espontânea. Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/biology-biographies/lazzaro-spallanzani Francesco Redi 1626 - 1697 Biólogo italiano. Redi era filho de Gregorio Redi, um renomado médico florentino que também trabalhou na corte dos Médici, e de Cecilia de 'Ghinci. Formou-se em filosofia e medicina pela Universidade de Pisa em 1 de maio de 1647. Em 26 de abril de 1648, inscreveu-se no Collegio Medico de Florença. Ele serviu na corte dos Medici como médico-chefe e superintendente da farmácia e fundição ducal. Amigo, conselheiro e secretário virtual de seus patrões, foi também membro da pequena Accademia del Cimento, que floresceu ativamente, embora de forma intermitente, na corte dos Médici de 1657 a 1667. Essa década na Academia coincidiu com o período em que Redi produziu suas obras mais importantes. A obra-prima de Redi é considerada Esperienze intorno alia generazione degli insetti (1668), na qual refutou a doutrina da geração espontânea em insetos, herdada de Aristóteles e ainda considerada dogma. O microscópio revelou nos insetos uma organização tão maravilhosa quanto insuspeitada. Redi preparou e observou o aparato produtor de ovos dos insetos, e também utilizou o microscópio com grande vantagem para observar os elementos morfológicos característicos dos ovos de cada espécie. Redi então começou a atacar a doutrina da geração espontânea nos animais inferiores. Mesmo que animais ou plantas em decomposição parecessem “dar à luz uma infinidade de vermes [larvas]”, a realidade era bem diferente, afirmou ele. Deve ser assumido "que a carne e as plantas e outras coisas, putrefatas ou putrefatas, não desempenham nenhum outro papel, nem têm qualquer outra função na geração de insetos, a não ser preparar um local ou ninho adequado no qual, no momento da procriação, vermes ou ovos ou outras sementes de vermes são trazidos e chocados pelos animais; e neste ninho os vermes, assim que nascem, encontram alimento suficiente para se nutrirem de forma excelente. ” Esses corpos orgânicos "nunca se tornam nocivos se forem mantidos em um lugar onde moscas e mosquitos não possam entrar." Redi demonstrou isso em experimentos de simplicidade quase única. Porém seu experimento não satisfez os abiogênicos, que seguiam os conceitos que a vida surgia espontaneamente da matéria bruta, que para Aristóteles continha um princípio ativo capaz de gerar a vida. E falaram que no frasco selado, não continha a matéria bruta principal, o ar. Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/francesco-redi Félix-Archimède Pouchet 1800-1872 Naturalista e médico francês. Filho de um industrial, Pouchet formou-se em medicina em 1827, após estudar em Rouen e em Paris. Quase imediatamente, ele se tornou diretor do Muséum d'Histoire Naturelic em Rouen, uma instituição à qual esteve associado durante o resto de sua vida. Além disso, Pouchet exerceu funções de professor em Rouen, nomeadamente na École Supérieure des Sciences et Lettres e na École de Médecine. Membro de muitas sociedades eruditas e membro correspondente da Académie des Sciences, ele se tornou cavaleiro da Legião de Honra em 1843. Um autor prolífico, Pouchet cobriu muitas áreas da botânica, zoologia, fisiologia e microbiologia. Ele também tinha uma mente voltada para a história, escrevendo, por exemplo, Histoire des sciences naturelles au moyen age (Paris, 1853). Muito lido e, em muitos tópicos, de pensamento independente, Pouchet também foi um excelente divulgador da ciência. Notável foi seu livro de biologia geral profusamente ilustrado, L'univers (Paris, 1865). “Meu único objetivo ao escrever isso”, comentou Pouchet no prefácio, “foi inspirar e estender ao máximo meu gosto pelas ciências naturais”. Nisso, tanto quanto pode ser julgado, ele foi bem-sucedido; certamente a edição em inglês foi muito popular. Grande parte da literatura biológica mais especializada de Pouchet aguarda avaliação detalhada, mas sem dúvida contém muito valor: por exemplo, seu claro reconhecimento de que a ovulação humana ocorre dentro de um período limitado do ciclo menstrual. Em vista das amplas contribuições de Pouchet à biologia, é lamentável que ele seja frequentemente lembrado apenas como o adversário derrotado de Pasteur na questão de se microrganismos poderiam ser gerados espontaneamente, embora esse fosse o problema mais fundamental com o qual Pouchet lidou. Muitos outros trabalhadores estiveram envolvidos nas controvérsias de geração espontânea ferozes, muitas vezes amargas, que, pelo menos na França, atingiu um crescendo durante 1858-1864. Pouchet escreveu muito sobre o assunto, mas foi sua Hétérogénie ou traité de la génération spontanée basé sur de nouvelles expériences (Paris, 1859) que muito fez para despertar o interesse generalizado. Pouchet se sentiu diminuído quando Pasteur se pronunciava no sentido de estar no ar atmosférico a origem da levedura, e que se fosse suprimido qualquer contato com o ar e realizada a ebulição, a fermentação não mais se produziria. Pouchet pede então explicações a Pasteur, que responde a carta, com polidez, mas certa altivez: “Penso que o senhor não tem razão (...) por afirmar a certeza da geração espontânea. Nas ciências experimentais, sempre se está errado ao não se duvidar quando o resultado não tende obrigatoriamente à afirmação (...)” (Debré, 1995, p. 175). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/pouchet-felix-archim Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Felix-Archimede-Pouchet Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/science-magazines/biomedicine-and-health-germ-theory-disease Nicolas Joly 1812-1885 Francês. Doutor em ciências naturais, zoologia e botânica (1840) e em medicina (1851). Professor de zoologia na Faculdade de Ciências de Toulouse (1840-1878) e de fisiologia humana na Faculdade de medicina e farmácia. Correspondente da Academia de Ciências (eleito em 1873. Vereador municipal de Toulouse. Joly se alinha ao campo Pouchet defendendo a tese da heterogeneidade, ao contrário de Pasteur, a questão é arbitrada e decidida pela Academia de Ciências que concorda com este último, que através da experimentação demonstrará o mérito de sua tese. O debate foi animado, acalorado; Além das discussões científicas, a oposição Paris-Província frequentemente emerge, e a questão da ética dos pesquisadores é claramente colocada. Pasteur escreveu em carta a Bertin em 1864 sobre seus oponentes: “eles não têm princípios, apenas opiniões”. No final de sua vida, vinte anos depois, Nicolas Joly ainda escrevia sobre este assunto: “M. Pasteur teve sobre mim a imensa vantagem de poder continuar, estender, variar sua pesquisa no novo caminho que havia trilhado e que, nós reconhecemos sem hesitação, levou-o a resultados maravilhosos, maravilhosos demais, talvez até elogiados, especialmente por defensores mais ou menos interessados no assunto, por seguidores entusiastas a ponto do exagero, digamos melhor, do servilismo. [...] Se nossas discussões, já antigas, com o Sr. Pasteur, poderiam ter contribuído em algo para fazê-lo obter um resultado tão magnífico, nos regozijamos do fundo de nossos corações, e alegremente esquecemos que ele foi para nós um duro e adversário não muito cortês ”(Trecho das memórias da Royal Academy of Sciences and Belles Letters of Toulouse, 1891,“ Éloge de Nicolas Joly, par M. le Dr. Alix ”, p. 512). Ref. https://data.bnf.fr/en/12158935/nicolas_joly/ Mais informações: https://exploreur.univ-toulouse.fr/nicolas-joly-un-naturaliste-regional-au-coeur-des-controverses-de-son-temps Charles Musset ?-? Fisiologista francês. Discípulo de Pouchet. Musset preparava uma tese sobre geração espontânea. A obra foi dedicada a Archimède Pouchet: "Vindo depois, só podemos rebuscar as sobras; na verdade, o senhor já disse tudo" (Debré, 1995, p. 182). Em novembro de 1863, Pouchet e dois colaboradores, Nicolas Joly e Charles Musset, anunciaram que os resultados de seus experimentos, conduzidos nos Pireneus espanhóis, contradiziam os resultados de Pasteur em Montanvert. Pois quando eles expuseram seus frascos ao ar, todos subsequentemente mostraram crescimentos microbianos, como seria de esperar se o material orgânico em infusões necessitasse apenas de oxigênio para se organizar espontaneamente em organismos vivos. Em sua resposta desdenhosa a este anúncio, Em janeiro de 1864, a Académie des Sciences nomeou uma comissão para julgar a disputa. Quando a comissão propôs que os participantes do debate repetissem seus principais experimentos antes dela em março, Pouchet e seus colaboradores pediram que a reunião fosse adiada até o verão, sob o argumento de que o clima quente favorecia o sucesso de seus experimentos. Em junho, a comissão se reuniu com Pasteur e seus adversários, mas estes se opuseram ao programa arranjado pela comissão e se retiraram sem repetir seus experimentos. Mais informações: https://ccfr.bnf.fr/portailccfr/ark:/06871/0015080580 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 *Ver a microbiografia de Antoine-Jérôme Balard no grupo Primeiras Influências Científicas. Balard tem um papel fundamental nas pesquisas de Pasteur, inspirando o modelo experimental dos balões pescoço de cisne, para evitar a passagem de partículas, de modo que o líquido permanecesse límpido. Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. A Academia de Ciências, em 1864, cansada das discórdias cede aos apelos dos heterogenistas e decide criar uma comissão de investigação, em que integram, dentre outros, Dumas, Balard, Flourens e Milne-Edwards (Debré, 1995, p. 191). Marie-Jean-Pierre Flourens 1794-1867 Anatomista e fisiologista francês. Titular da cadeira de anatomia humana no Jardin du Roi, hoje Museu Nacional de História Natural, (desde 1832). Membro da Academia Francesa (eleito em 1840), da Academia das Ciências (eleito em 1828), do Collège de France (a partir de 1828). Deputado por Hérault (1837-1839). Determinou as funções das principais partes do cérebro dos vertebrados. Usando pombos, ele observou as mudanças fisiológicas que ocorreram quando certas partes de seus cérebros foram removidas. A partir de seus estudos, ele demonstrou que habilidades intelectuais superiores são encontradas nos hemisférios cerebrais, que o movimento é regulado pelo cerebelo e que as funções corporais vitais são controladas pela medula oblonga. Ele também ligou os canais semicirculares do ouvido interno ao equilíbrio do corpo. Foi o primeiro a demonstrar experimentalmente as funções gerais das principais porções do cérebro dos vertebrados. Depois de se formar em medicina pela Universidade de Montpellier, Flourens foi para Paris, onde o renomado naturalista francês Georges Cuvier se tornou seu patrono. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de P ouchet (Debré, 1995, p. 183). A Academia de Ciências, em 1864, cansada das discórdias cede aos apelos dos heterogenistas e decide criar uma comissão de investigação, em que integram, dentre outros, Dumas, Balard, Flourens e Milne-Edwards (Debré, 1995, p. 191). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902979/pierre_flourens/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Marie-Jean-Pierre-Flourens Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/marie-jean-pierre-flourens Henri Milne-Edwards 1800-1885 Entomologista, zoologista francês. Doutor em medicina (Paris, 1823). Doutor em Ciências (1836). Professor de entomologia (1841), então titular da cadeira de Mamíferos e Aves (1861), Museu Nacional de História Natural, Paris. Decano da Faculdade de Ciências de Paris (desde 1849). Membro do Instituto, Academia de Ciências, seção de anatomia e zoologia (eleito em 1838). Em contraste com as tendências de seus contemporâneos, Milne-Edwards sentiu-se atraído desde a juventude pelo estudo dos invertebrados, especialmente aqueles que habitavam as regiões costeiras. Com seus amigos do Museu e posteriormente com seus alunos, organizou excursões científicas ao longo das margens do Canal da Mancha . Não contente em coletar e classificar os animais, fazia questão de examiná-los em seu habitat e observar seu comportamento, seus movimentos, sua localização ao nível das marés e seus modos de obter alimento e de se reproduzir. Milne-Edwards registrou uma grande quantidade de observações nas quais os dados fisiológicos foram combinados com os dados da morfologia comparativa. Esse método, essencialmente o da ecologia, parecia proporcionar uma abordagem nova aos invertebrados marinhos, embora fosse inspirado pelo o que Georges Cuvier aplicara a outros grupos. Isso levou Milne-Edwards a descobertas brilhantes e deu início à criação de laboratórios marítimos na França e no exterior. Essas investigações anatomofisiológicas serviram como base para a síntese abrangente de três volumes à qual Milne-Edwards dedicou muitos anos - a clássica Histoire naturelle des crustacés (1834-1840). Neste trabalho ele desenvolveu algumas idéias altamente originais. Ele relatou que as Crustaceae são compostas por cerca de vinte segmentos metaméricos homólogos, as “zoonitas”, que são variadas de acordo com as funções que desempenham e o modo de vida (livre, fixo ou parasitário) da espécie. A variedade de combinações naturais possíveis, dentro dos limites de uma estrutura básica, é, portanto, virtualmente infinita. Entre outras obras de Milne-Edwards estão Histoire naturelle des coralliaires (1858–1860), Monographie des polypes des terrains paléozoïquese os Recherches de dois volumes pour servir á l'histoire des mammifères (1868-1874). Como adjunto às suas funções de ensino na Faculdade de Ciências Milne-Edwards reuniu suas palestras em uma publicação de quatorze volumes, Leçons sur la physiologie et l'anatomie comparée de l'homme et des animaux , cuja composição foi divulgada em mais mais de vinte anos (1857-1881). Ao mesmo tempo, ele forneceu um valioso desenvolvimento de suas idéias sobre a organização animal em Introduction a la zoologie générale, ou considérations sur les tendances de la nature dans la constitution du règne animal(1858). Neste livro, Milne-Edwards expõe suas principais descobertas. Elas dizem respeito às variações que se obtêm entre grupos de animais, variações que, em última análise, apresentam um grande princípio fundamental, a lei da divisão do trabalho dentro dos organismos. Milne-Edwards suspeitou da existência desta lei com seus primeiros estudos de crustáceos, e ele a verificou posteriormente entre os outros grupos. Nos animais inferiores, o mesmo tecido pode se adaptar a diferentes funções. Ele observou esse fenômeno, por exemplo, nos celenterados, onde um único fragmento era capaz de regenerar todo o animal. Mas em animais de ordem zoológica superior, essa habilidade tende a desaparecer e é progressivamente substituída por uma especialização dos tecidos. Sistemas, ou grupos de órgãos relacionados, sistema digestivo , sistema respiratório , sistema reprodutivo e assim por diante. Dentro de cada sistema, cada órgão tem uma função bem definida. Portanto, o sistema digestivo é dividido em um tubo digestivo e as glândulas anexadas; e o próprio tubo digestivo consiste em uma primeira região na qual o alimento é introduzido, uma segunda na qual os nutrientes sofrem a ação dos sucos digestivos e uma terceira onde as substâncias úteis ao organismo são absorvidas e onde os resíduos são eliminados. Pode-se reconsiderar cada uma dessas regiões e determinar outras subdivisões dentro delas, variando de acordo com a dieta e outros fatores. Essas especializações, que se tornam cada vez mais precisas, determinam a posição de um organismo na série animal. É em grande parte por meio da descoberta, análise e aplicação desses princípios fundamentais que Milne-Edwards foi durante anos o líder dos naturalistas franceses e que sua obra permaneceu famosa por muito tempo depois de sua morte. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de P ouchet (Debré, 1995, p. 183). A Academia de Ciências, em 1864, cansada das discórdias cede aos apelos dos heterogenistas e decide criar uma comissão de investigação, em que integram, dentre outros, Dumas, Balard, Flourens e Milne-Edwards (Debré, 1995, p. 191). Ref. https://data.bnf.fr/en/12399524/henri_milne-edwards/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/henri-milne-edwards Adolphe-Théodore Brongniart 1801-1876 Doutor associado em medicina (Paris, 1827). Botânico, fundador da paleontologia vegetal. Professor de botânica e fisiologia vegetal no Museu de História Natural. Membro da Academia de Ciências (1834). Filho de Alexandre Brongniart , o eminente geólogo, Brongniart foi formado pelo pai e desde cedo colaborou com ele. Rapidamente mostrou sinais de ser um estudante superior, e seus dons foram tão cuidadosamente desenvolvidos que ele se tornou um cientista precoce capaz de um nível de trabalho imediatamente elevado. Nada na vida de Brongniart indica a menor hesitação em sua busca pela ciência. Entre 1817 e 1828, ele pôde realizar seus estudos e sua iniciação na ciência enquanto fazia pesquisas originais. Em 1818 ele foi matriculado em cursos de medicina, mas eles constituíam apenas uma fração de suas ocupações; dois anos depois, ele publicou seu primeiro relatório, sobre um novo gênero de crustáceo. Após essa tentativa juvenil, Brongniart esperava atingir o nível dos grandes movimentos biológicos de seu tempo: pesquisa sobre as divisões primárias do reino vegetal, anatomia e anatomia taxonômica (seguindo o trabalho de Mirbel e Candolle), e a teoria da sexualidade vegetal generalizada. Os progressos já alcançados nestes campos, bem como os da geologia e da geografia botânica (desde cedo adquiriu conhecimentos sobre a flora tropical). Em 1822, Brongniart publicou seu primeiro livro de memórias importante, sobre a classificação e distribuição de plantas fósseis. Nele, ele concebeu a paleobotânica como parte da botânica e deu-lhe um valor teórico de importância primordial para a biologia, bem como para a geologia. Vindo como fez depois de estudiosos como Ernst Schlotheim e Kaspar von Sternberg, Brongniart não foi totalmente inovador, mas seu estudo mostrou uma garantia até então desconhecida. As obras-primas de 1828, o pródromo e os fósseis da Histoire des végétaux , principalmente confirmaram e ampliaram suas primeiras idéias, dando-lhes fundamento e amplitude de perspectiva. A Histoire , que ele esperava continuar em um segundo volume (apenas as primeiras partes apareceram em 1837), foi um estudo longo, metódico, detalhado e preciso que mostrou claramente as duas preocupações de Brongniart: nomenclatura e ilustração. Seus princípios gerais e pontos de vista teóricos foram expressos de forma condensada no Prodrome, para um efeito impressionante. Nele Brongniart reconheceu a existência de quatro períodos sucessivos de vegetação, cada um caracterizado geologicamente. Três foram particularmente bem caracterizados: o primeiro, estendendo-se até o final do Carbonífero, pelos criptogramas vasculares; a terceira, cobrindo o Jurássico e o Cretáceo, por samambaias e gimnospermas; o quarto, que era o Terciário, pelas dicotiledôneas. Brongniart então dividiu o reino vegetal em seis classes: Agamae (talófitas), criptogramas celulares (hepáticas e musgos, isto é, Hepaticae e Muscae), criptogramas vasculares e três classes de fanerógamas: gimnospermas, angiospermas monocotiledôneas e angiospermas dicotiledôneas. Esta excelente classificação indicava claramente visões modernas, mas infelizmente, por razões desconhecidas, Brongniart não a seguiu em suas publicações posteriores. Pela primeira vez, as gimnospermas foram tomadas como uma classe e corretamente colocadas entre os fanerógamas. Depois de mais de um século, os cotilédones não eram mais o principal critério de classificação. Brongniart foi um dos maiores botânicos franceses do século XIX e seu trabalho exerceu uma grande influência no progresso da botânica. É possível, entretanto, que ele tenha sido muito influenciado por Cuvier e muito pouco por Lamarck, pois o aspecto teórico de sua obra pode não se igualar a sua excelência descritiva. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de Pouchet (Debré, 1995, p. 183). Ref. https://data.bnf.fr/en/12321960/adolphe_brongniart/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/brongniart-adolphe-theodore-0 Albert Serres 18?-18? Doutor em Medicina pela Faculdade de Paris. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de Pouchet (Debré, 1995, p. 183). Ref. https://data.bnf.fr/en/10485692/albert_serres/ Mais informações: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5448060t Albert Geoffroy Saint-Hilaire 1835-1919 Zoólogo francês. De 1865 a 1893, foi diretor do Jardim de Aclimatação em Bois de Boulogne, em Paris. Filho de Isidore Geoffroy Saint-Hilaire (1805-1861) e de sua esposa Louise Blacque-Belair (filha de François-Charles Blacque-Belair). Em 1855 recebeu seu diploma de bacharel em ciências, atendendo a um desejo de seu pai para que "ele se ocupasse com seriedade às ciências". Albert se envolveu com o planejamento e construção do Jardim Zoológico de Aclimatação de Paris, fundado pelo seu pai quinze anos antes, e que abriu suas portas em 6 de Outubro de 1860, tornando-se diretor assistente em 1865. Contudo, Albert era mais um empreendedor do que um cientista, e durante a sua gestão como diretor do Jardim Zoológico, procurou torná-lo um lugar muito atrativo, fazendo com que um quarto de milhão de pessoas o visitassem para ver mais de 5 mil animais. A instituição fechou as suas portas durante a Guerra Franco-Prussiana, reabrindo posteriormente em 1877, quando também se transformou num Centro de Aclimatação Antropológica, até 1912. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire Fils - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de Pouchet (Debré, 1995, p. 183). Ref. https://data.bnf.fr/en/12991194/albert_geoffroy_saint-hilaire/ Mais informações: https://peoplepill.com/people/albert-geoffroy-saint-hilaire Próximo Grupo

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    Infância e Juventude Pasteur cresceu entre o cheiro do curtume da família e o aroma da uva das viticulturas locais de Arbois, no Jura. Essas primeiras sensações olfativas serão fundamentais para seus futuros trabalhos sobre as leveduras e seus preceitos higiênicos. Dois dos melhores amigos de infância, os irmãos Jules e Altin Vercel, são filhos de vinhateiros, e residem em frente à sua casa. Pasteur produz o retrato de Altin em pastel. O amigo do pai de Pasteur, capitão Barbier, fala de uma instituição no Quartier Latin, onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet. Aos 15 anos, Pasteur e Jules vão à Paris para estudar e alojam-se neste local, Instituto Barbet, situado na Rua des Feuillantines, sem saída. Jules era divertido e alegre, de modo que tudo era bom e agradável em Paris. Porém, Pasteur fica sem dormir, não come direito e só fala do Jura. O Sr. Barbet faz tudo o que pode para ajudar na nostalgia do jovem Pasteur, que se encontra mudo e triste pela distância da família e saudades de Arbois. No entanto, vendo a situação não mudar, o dono do internato escreve ao pai para vir buscá-lo. Futuramente, aos 17 anos, Pasteur retornará a este mesmo internato em Paris para se preparar para as provas da École Normale Supérieure. Desta vez irá com o amigo Charles Chappuis, conhecido desde o período em que estudou na cidade de Besançon, dos 15 aos 17 anos. Logo, Pasteur prontificou-se a dar aulas particulares aos colegas mais atrasados, e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. O sr. Barbet permitiu, desde que o jovem não lecionasse nos horários dedicados aos estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias, das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, pela sua dedicação e ajuda ao internato. Pasteur e Chappuis eram amigos próximos, compartilhavam leituras e mergulhavam em seus deveres de Filosofia. Gostavam de passar os finais de semana em uma biblioteca, lendo obras filosóficas. Os passeios na cidade eram raros. Futuramente, Chappuis torna-se filósofo, doutor em Letras, professor e escritor, atuando como professor de Filosofia da Faculdade de Letras de Besançon. Uma das principais obras de Chappuis é sobre a Travessia dos Alpes por Aníbal (247 a.e.c-184 a.e.c), um dos primeiros eventos da Segunda Guerra Púnica. Uma litografia deste amigo é feita por Pasteur em 1841, na época em que estudaram juntos em Besançon. “Chappuis vai tornar-se, na vida, o amigo privilegiado e confidente de Pasteur” (Debré, 1995, p. 41). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Pintura em pastel de Altin Vercel, amigo de infância, feita por Louis Pasteur em 1839, aos 16 anos. Altin e Jules eram filhos de vinhateiros. Este último acompanhou Louis Pasteur em sua primeira estada na cidade de Paris. Jules Vercel, amigo de infância de Pasteur. Eles mantiveram contato por toda a vida. Cartas ao amigo Jules Vercel. Placa sinalizadora da Maison Vercel em Arbois. Maison Vercel em Arbois, situada em frente à Maison Louis Pasteur. Charles Chappuis, em litografia realizada por Louis Pasteur e dedicada: "Retrato do meu amigo da filosofia, Ch. Chappuis. Feito em Besançon em 1841", Chappuis foi amigo e confidente de Pasteur até o fim da vida. Obra de Charles Chappuis. Continue lendo a biografia

  • Primeiras Influências Científicas | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Primeiras Influências Científicas Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 Químico e político francês. Foi um dos fundadores da École Centrale de Paris (1829). Leitor no Collège de France (1836). Membro da Academia de Ciências, seção de Química (eleito em 1832), então secretário perpétuo (1868). Membro da Academia Francesa (eleito em 1875). Deputado pelo Norte (1849-1851). Ministro da Agricultura e Comércio (1850) no governo de Napoleão III . Senador (1852-1870). Membro (1854), então presidente (1859) da Câmara Municipal de Paris. O pai de Dumas era o escrivão da cidade de Alès e Dumas frequentou a escola local. Embora por um breve período como aprendiz de um boticário, em 1816 Dumas viajou para Genebra, onde estudou farmácia, química e botânica. Seu nome apareceu em artigos de revistas em farmácia e fisiologia antes de ele completar a adolescência. Em 1823, com a ajuda do naturalista alemão Alexander von Humboldt, Dumas voltou para a França e tornou-se assistente do químico francês Louis-Jacques Thénard na École Polytechnique de Paris. Dumas logo se tornou professor de química no Athenaeum, apenas o primeiro de muitos compromissos acadêmicos que teria - na Sorbonne, na École Polytechnique e na École de Médecine. Como era comum na época, ele ocupou vários desses cargos simultaneamente e passou muitas horas viajando de uma escola para outra. Dumas estabeleceu um laboratório de ensino, inicialmente às suas custas. Ele foi um professor magistral, servindo como mentor de muitos químicos franceses importantes, incluindo Auguste Laurent, Charles-Adolphe Wurtz e Louis Pasteur. Foi ministro da Agricultura de 1850 a 1851 e, quando Napoleão III se tornou imperador, foi nomeado senador. Foi também membro, vice-presidente (1855) e presidente (1859) do Conselho Municipal de Paris. Com Haussmann, Dumas empreendeu a transformação e modernização da capital, supervisionando a instalação de modernos sistemas de drenagem, abastecimento de água e sistemas elétricos. Ele se tornou secretário permanente da Academia de Ciências em 1868. Um dia, Pasteur foi até a Sorbonne assistir, por curiosidade, uma conferência deste célebre químico, que reunia entre 600 a 700 pessoas. Esse primeiro contato com a química vai ser determinante para Pasteur, que seguirá o admirando por toda a vida. Pasteur se inspira em Dumas, em sua eloquência e capacidade de cativar um auditório (Debré, 1995, p. 48; Garozzo, 1974, p. 55). Dumas torna-se um mentor para Pasteur, além também de um grande amigo. Seu afeto por Pasteur é evidente nas correspondências. Ao ingressar futuramente na Academia de Ciências, é Dumas quem apresenta Pasteur a Napoleão III. Ref. https://data.bnf.fr/en/12647737/jean-baptiste_dumas/ Mais informações: http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/jean-baptiste-dumas?fauteuil=40&election=16-12-1875 Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Jean-Baptiste-Andre-Dumas Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/jean-baptiste-andre-dumas Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 Químico e Farmacêutico (1826) francês. Descobridor do bromo em 1826, aos 24 anos de idade. Professor no Collège de France (1851-1876). Membro da Academia de Ciências (1844). Balard nasceu em uma família de circunstâncias modestas; seus pais eram produtores de vinho. Sua madrinha percebeu sua inteligência e permitiu que ele frequentasse o liceu em Montpellier. Em 1819, ao se formar, começou a se preparar para a carreira de farmacêutico. Enquanto treinava em Montpellier, ele serviu como préparateur em química para Joseph Anglada da Faculté des Sciences e préparateur na École de Pharmacie. No último, ele estudou química e física com Jacques Étienne Bérard, que permitiu a Balard fazer pesquisas na fábrica química da qual Bérard era o diretor. Balard formou-se em farmácia em 1826, tendo escrito uma tese sobre o cianogênio e seus compostos. Foi nesse período, por volta de 1825, que Balard fez a descoberta do elemento bromo. A descoberta de um novo elemento químico por um jovem e obscuro farmacêutico provinciano causou sensação nos círculos científicos parisienses e, posteriormente, estrangeiros. O feito de Balard foi reconhecido pela Académie des Sciences e ele foi premiado com uma medalha pela Royal Society of London. Ao estudar a flora do pântano salgado das águas mediterrâneas, Balard, depois de cristalizar cloreto de sódio e sulfato de sódio da água do mar, saturar o resíduo com cloro e destilar o produto, descobriu o único elemento não metálico líquido, o bromo. Determinou suas propriedades e estudou alguns de seus compostos . Mais tarde, ele provou a presença de bromo em plantas marinhas e animais. Expoente do valor potencial do mar como fonte de produtos químicos, Balard lecionou na École de Pharmacie de Montpellier, onde se formou em 1826. Tornou-se professor de química na Sorbonne (1842) e no Collège de France, Paris (1851). Balard era principalmente um químico experimental, embora sua experimentação fosse guiada por uma aguda consciência das analogias entre as substâncias que estava investigando e outras cuja química era mais conhecida. Ele não publicou muito, mas o que apareceu foi de alta qualidade e de grande interesse. O modo de vida de Balard era modesto, mesmo em seus anos de sucesso em Paris. Além disso, sua abstinência influenciou o estilo de sua pesquisa científica; Jean-Baptiste Dumas e Charles Adolphe Wurtz testemunharam a preferência de Balard por aparelhos simples e reagentes caseiros em vez de técnicas e materiais elaborados. Ele era amável e generoso tanto com seus colegas quanto com seus alunos. Talvez de maior importância do que suas pesquisas químicas foi o interesse de Balard pelas carreiras de seus alunos, especialmente as de Louis Pasteur e Marcelin Berthelot. Balard fez uma petição para que Pasteur fosse designado a ele como assistente em 1846, e em 1851 ele garantiu uma posição semelhante para Berthelot no Collége de France. Ele manteve amizade íntima com esses dois alunos, vindo em defesa de Pasteur na controvérsia da geração espontânea e garantindo a criação da cadeira de química orgânica no Collége de France para Berthelot. Como foi dito, Balard levava uma vida simples e estava sempre de bom humor. Foi professor de Pasteur na École Normale, e o convidou a se tornar professor-estagiário em seu laboratório (Debré, 1995, p. 55-57). Balar interveio, junto ao Ministério da Instrução Pública, quando Pasteur foi designado professor de física no liceu de Tournon, pois estava trabalhando em uma tese de doutoramento em química. Foi no laboratório de Balard que Pasteur, trabalhando com ácido tartárico, descobre as formas dextrógiras e levógiras. Em vários momentos da vida de Pasteur, Balard o recomenda moderação e calma (Debré, 1995, p. 363). É Balard quem apresenta Pasteur a Auguste Laurent. Ref. https://data.bnf.fr/en/10563454/antoine-jerome_balard/ Ref. https://www.britannica.com/biography/Antoine-Jerome-Balard Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/balard-antoine-jerome Auguste Laurent 1807-1853 Químico francês. Ajudou a lançar as bases para a fundação da química orgânica. Seus trabalhos sobre cristalografia valeram-lhe a nomeação de correspondente da Academia de Ciências. Após o ensino clássico convencional, Laurent formou-se em engenharia pela prestigiosa École des Mines de Paris. A partir de 1830, ele foi contratado como assistente de laboratório por Jean-Baptiste Dumas , o principal químico francês e professor da École Centrale des Arts et Manufactures. Depois de vários postos industriais de curta duração e uma tentativa de dirigir uma escola particular de química em Paris, Laurent foi nomeado professor de química na Universidade de Bordeaux em 1838. Mais tarde naquele ano, ele se casou com Anne-Françoise Schrobilgen de Luxemburgo. Laurent não estava feliz “no exílio” nas províncias, mas seus sete anos em Bordeaux foram os mais produtivos de sua carreira. De espírito muito original. Laurent reparou em Pasteur, e oferece que ele pesquise junto a ele. Pasteur gostava muito de trabalhar com este pesquisador de temperamento calmo, mas trabalha por poucos meses com Laurent, que se torna suplente de Jean-Baptiste Dumas na Sorbonne em abril de 1847. Apesar de Pasteur ter trabalhado pouco tempo com Laurent, a sua influência foi grande, especialmente na formação de hipóteses a teorias (Debré, 1995, p. 57). Laurent falece de tuberculose aos 45 anos. Não há parentesco deste químico com o sogro de Pasteur, Aristide Laurent. Ref. https://data.bnf.fr/en/12560058/auguste_laurent/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Auguste-Laurent Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/auguste-laurent Jean-Baptiste Biot 1774-1862 Físico, químico, astrônomo e matemático francês. Membro da Academia das Ciências (eleito em 1803), membro da Académie des inscriptions et belles-lettres (eleito em 1841) e membro da Academia Francesa (eleito em 1856). Educado na École Polytechnique, Biot foi nomeado professor de matemática na Universidade de Beauvais em 1797, tornou-se professor de física matemática no Collège de France em 1800 e foi eleito membro da Academia Francesa de Ciências em 1803. Colaborou com Gay-Lussac em análises atmosféricas. Em 1804, ambos subiram em um balão de hidrogênio para investigar o campo magnético da Terra a elevada altitude e a composição atmosférica. Atingiram uma altitude de 4000 metros. Eles mostraram que o campo magnético da Terra n ão varia visivelmente com a altitude e testaram a composição da atmosfera superior . Biot colaborou também com o famoso físico Dominique-François-Jean Arago na investigação das propriedades refrativas dos gases. Em 1820, Biot e o físico Félix Savart descobriram que a intensidade do campo magnético criado por uma corrente que flui por um fio é inversamente proporcional à distância do fio. Essa relação é agora conhecida como lei de Biot-Savart e é uma parte fundamental da teoria eletromagnética moderna. Em 1835, ao estudar a luz polarizada (a luz tendo todas as suas ondas no mesmo plano), Biot descobriu que soluções de açúcar, entre outras, giram o plano de polarização quando um feixe de luz polarizada passa. Outras pesquisas revelaram que o ângulo de rotação é uma medida direta da concentração da solução. Este fato tornou-se importante na análise química porque forneceu uma maneira simples e não destrutiva de determinar a concentração de açúcar. Por este trabalho, Biot recebeu a Medalha Rumford da Royal Society em 1840. Aos 19 anos, Biot já exibia um ceticismo precoce ao afirmar: "Sempre, nas questões duvidosas, o ignorante crê, o cientista improvisado decide, o homem instruído examina" (Witkowski, 2004, p. 107). Buscou ainda identificar os enigmas astronômicos gravados nas colunas dos templos egípcios (Witkowski, 2004, p. 107). Ao conhecer as pesquisas de Pasteur, no início tem dúvida sobre a sua descoberta na área da cristalografia, e ao reconhecer a veracidade, propõe que a apresente na Academia. Em carta, escreve a Pasteur: “Meu filho, em minha vida amei tanto as ciências que isso me faz disparar o coração” (Debré, 1995, p. 74). Biot considerava Pasteur quase seu filho adotivo. Torna-se seu padrinho científico. Das críticas científicas aos conselhos mais pessoais, Biot desempenha um papel ativo na vida de Pasteur. Mostra-se o grande confidente de Pasteur. O filho de Pasteur recebe o nome deste amigo, que será também seu padrinho. Ref. https://data.bnf.fr/en/12150160/jean-baptiste_biot/ Ref. https://www.britannica.com/biography/Jean-Baptiste-Biot Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/physics-biographies/jean-baptiste-biot Eilhardt Mitscherlich 1794-1863 Químico e físico alemão. Professor de química na Universidade de Berlim. Era filho de um ministro. Recebeu sua educação inicial em Jever, na escola dirigida pelo historiador Friedrich Christoph Schlosser, que o encorajou a se dedicar às 'artes liberais', nome dado no final da época romana a disciplinas consideradas estudos preparatórios para a filosofia; geralmente eram contados em número de sete e agrupados como trivium (gramática, retórica e lógica) e quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia). Mitscherlich estudou línguas orientais (persa) em Heidelberg e Berlim. Ele então se voltou para o estudo da medicina em Göttingen em 1817, onde se interessou pela cristalografia. Simultaneamente aos seus estudos médicos, Mitscherlich completou a pesquisa em antigos textos persas, pelos quais obteve o doutorado. Ao mesmo tempo, seu interesse se voltava cada vez mais para a química. De 1818 a 1820, Mitscherlich trabalhou no laboratório de Berlim do botânico alemão Heinrich F. Link, onde primeiro empreendeu o estudo de arsenatos e fosfatos. Em 1819, ele descobriu a partir desse estudo que compostos com composição semelhante geralmente têm a mesma estrutura cristalina. Neste mesmo ano conheceu Jöns Berzelius, quando este passava por Berlim. Berzelius tinha ouvido falar do trabalho de Mitscherlich e reconheceu o significado de suas descobertas. Quando o Ministério da Educação prussiano ofereceu a Berzelius a cadeira de química na Universidade de Berlim, deixada vaga com a morte de Klaprolh, Berzelius sugeriu nomear Mitscherlich em seu lugar. Mitscherlich foi considerado jovem demais para ocupar o cargo, entretanto, um acordo foi acertado pelo qual ele seria enviado para trabalhar com Berzelius em Estocolmo por dois anos, a fim de ampliar seus conhecimentos de química. No decurso desta parceria frutífera, Mitscherlich trabalhou no laboratório de Berzelius, visitou e estudou as minas e trabalhos metalúrgicos em Falun e adquiriu mais experiência em análise química e química inorgânica. Mais importante, ele continuou seu trabalho com isomorfismo. Em 1821, Mitscherlich se tornou professor de química na Universidade de Berlim. Mitscherlich também foi membro da Academia de Ciências de Berlim e diretor de seu laboratório, localizado no observatório. Ele fez uso extensivo desta instalação para ensino, bem como para pesquisa, uma vez que a universidade não oferecia instalações para o ensino prático de química. Além de ter estado na Suécia, Mitscherlich fez outras viagens ao exterior para trabalhar com cientistas estrangeiros. Em 1823-1824, ele estava em Paris, onde colaborou com Fresnel na investigação da alteração da refração dupla dos cristais em função da temperatura; ele também conheceu Thénard e Gay-Lussac. Em 1824, ele visitou Humphry Davy, Faraday, Wollaston e Dalton na Inglaterra, onde inspecionou várias fábricas. De volta a Berlim, ele trabalhou em várias áreas da química orgânica e inorgânica, além de seus estudos de isomorfismo. Mitscherlich talvez tenha tido mais sucesso como escritor de livros didáticos. Seu Lehrbuch der Chemie foi publicado pela primeira vez em 1829; em 1847, teve quatro novas edições em alemão, bem como duas edições em francês e uma em inglês. A obra continha as palestras de Mitscherlich sobre todos os aspectos da química pura e aplicada, bem como uma quantidade considerável de material sobre física, todos ilustrados com uma série de belas xilogravuras. As próprias palestras são caracterizadas por sua clareza exemplar e experimentos engenhosos; o livro foi muito elogiado pelos contemporâneos de Mitscherlich, incluindo Berzelius e Liebig. Como professor, Mitscherlich estava ciente de que seus alunos precisavam de instrução prática; e os levava para visitar as fábricas. Mitscherlich foi quem promulgou a teoria do isomorfismo, uma relação entre a estrutura cristalina e a composição química. Construiu o primeiro polarizador. Foi o primeiro a anunciar o mistério do ácido tartárico. Pasteur, na época um jovem químico recém-formado, se debruçou sobre este mistério colocado por Mitscherlich: porque dois produtos químicos aparentemente idênticos tem um efeito diferente na luz polarizada? Pasteur descobre que “só os produtos nascidos sob a influência da vida são assimétricos, isto porque o seu desenvolvimento preside forças cósmicas que também são assimétricas". A dissimetria é a principal linha de demarcação entre o mundo orgânico e o mundo mineral. Em 1852, Mitscherlich vai a Paris para ser recebido como correspondente estrangeiro na Academia de Ciências, em companhia do mineralogista Gustav Rose, professor na Faculdade de Berlim. Ambos quiseram se encontrar com Pasteur para ouvir de sua própria boca as circunstâncias detalhadas de suas descobertas sobre o tártaro (Debré, 1995, p. 86). Os três cientistas (Pasteur, Mitscherlich e Rose) passam duas longas horas juntos discutindo as circunstâncias da observação, refletindo sobre as consequências. “Estudamos tanto e tanto esses cristais que estamos persuadidos de que se você não encontrasse, ao observá-los de novo, esse fato tão notável, nossa descoberta ficaria ignorada durante um tempo considerável” (Debré, 1995, p. 87). Mitscherlich conhece um produtor de ácido paratartárico na Alemanha, o industrial Friedrich Fikentscher. Pasteur decide viajar à Alemanha para encontrar a tal molécula. Ref. https://data.bnf.fr/en/12554702/eilhard_mitscherlich/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/eilhard-mitscherlich Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100202237#showmorecontent Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Eilhardt-Mitscherlich Antoine-Laurent de Lavoisier 1743-1794 Químico, físico e economista francês. Membro da Comissão para o estabelecimento de pesos e medidas. Membro da Academia de Ciências (recebido em 1768). Deputado Membro dos Estados Gerais. Filho de um advogado do Parlamento de Paris, Lavoisier começou seus estudos no Collège Mazarin em Paris aos 11 anos de idade. Em seus últimos dois anos (1760-1761) no colégio, seus interesses científicos foram despertados. Nas aulas de filosofia, ele ficou sob a tutela do Abade Nicolas Louis de Lacaille, um ilustre matemático e astrônomo observacional que imbuiu o jovem Lavoisier de um interesse pela observação meteorológica, um entusiasmo que nunca o deixou. Lavoisier ingressou na faculdade de direito, onde se graduou como bacharel em 1763 e se licenciou em 1764. No entanto, continuou sua formação científica nas horas vagas. As pesquisas de Lavoisier sobre combustão foram realizadas em meio a uma agenda muito ocupada de tarefas públicas e privadas, especialmente em relação à Fazenda Fiscal. Havia também inúmeros relatórios e comitês da Academia de Ciências para investigar problemas específicos por ordem do governo real. Lavoisier, cujas habilidades de organização eram notáveis, frequentemente recebia a tarefa de redigir esses relatórios oficiais. Foi figura de destaque na revolução química do século XVIII. Desenvolveu uma teoria experimentalmente baseada na reatividade química do oxigênio. É co-autor do sistema moderno para nomear substâncias químicas. Serviu como um importante financista e administrador público antes da Revolução Francesa. Lavoisier foi o primeiro filho e único filho de uma rica família burguesa que vivia em Paris. Lavoisier é considerado o "pai da química moderna". Descobriu o papel do oxigênio na combustão; descobriu que a água é uma substância composta, formada por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio: H2O; identificou e batizou o oxigênio (1778) e o hidrogênio (1783). Enunciou o princípio da conservação da matéria, etc. É autor da célebre frase: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Em uma carta ao ministro Gustave Rouland, Pasteur expõe seu programa de trabalho e declara retomar o estudo da fisiologia no ponto em que Lavoisier havia deixado e acrescenta “(...) depois da morte, a vida reaparece sob outra forma e com novas propriedades” (Debré, 1995, p. 551-552). Ref. https://data.bnf.fr/en/12079036/antoine-laurent_de_lavoisier/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Antoine-Lavoisier Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/antoine-laurent-lavoisier Louis-Joseph Gay-Lussac 1778-1850 Químico e físico francês. Político. Membro da Haute-Vienne (1831-1839). Professor de química na École Polytechnique em Paris (1809-1839). Membro da Academia das Ciências (eleito em 1806), depois Presidente (1822-1834). Peer of France (nomeado em 1839). Foi também professor de física e química na Sorbonne. Em 1797, entrou na Escola Politécnica em Paris e graduou-se em 1800. Começou estudos adicionais em engenharia, mas se afastou em 1801 quando foi convidado a ser assistente do distinto químico Claude-Louis Berthollet. Muitas das pesquisas de Gay-Lussac foram realizadas no laboratório localizado na casa de campo de Berthollet em Arcueil, perto de Paris. Esta aldeia era o centro de um grupo ativo de jovens cientistas orientados por Berthollet e Pierre-Simon Laplace. Em 1802, elaborou uma lei, conhecida como a lei de Charles, que trata dos efeitos da temperatura sobre os gases. Mostrou que todos os gases expandem proporcionalmente ao aumento de temperatura. A existência de um coeficiente térmico de expansão comum tornou possível a definição de uma nova escala de temperatura de profundo significado termodinâmico estabelecida posteriormente por Sir William Thomson (Lord Kelvin). Em 24 de agosto de 1804, juntamente com Jean-Baptiste Biot ascenderam num balão de hidrogênio a uma altura de 4000m a fim de estudar a variação magnética da Terra em relação à altura. Realizou sozinho uma segunda ascensão em 16 de setembro do mesmo ano, a uma altura recorde de 7016m com objetivo de repetir medições magnéticas, estudar a variação da temperatura e pressão e coletar amostras de ar. Em 1805, em companhia de Humboldt, fez uma expedição científica à Itália, estagiando depois algumas semanas no laboratório de Humboldt, em Berlim. Experiências mostraram a determinação de proporções relativas em hidrogênio e oxigênio devem ser combinados para formar água. Assim, em 31 de dezembro de 1808, ano de seu casamento, anunciou a lei da combinação dos volumes. Esta lei estabelece que os gases formam compostos entre si, segundo proporções definidas, que podem ser expressas em fórmulas. A fórmula usada para a água (H2O) mostra que a água é formada por duas partes de hidrogênio (H) e uma parte de oxigênio (O). Aperfeiçoou os processos de fabricação do ácido sulfúrico e do ácido oxálico para a indústria. Sugeriu um método de determinação da quantidade de álcalis existente na potassa e no carbonato de sódio (barrilha), além de aperfeiçoar meios de avaliar a quantidade de cloro contida no pó de descoramento, ou alvejamento. Gay-Lussac e Louis Jacques Thenard, trabalhando independentemente, isolaram o boro, no mesmo ano (1808) que sir Humphrey Davy, químico inglês, o fazia na Inglaterra. Em 1809, depois de tentar a análise do cloro, que se chamava então "ácido muriático oxigenado", concluiu que havia motivo para se ver nele um corpo simples. Em 1815, descobriu o cianogênio e o ácido prússico. Em 1816, construiu o barômetro de sifão que tem seu nome; a seguir, o seu alcoômetro centesimal. Por sua notável contribuição para o progresso da química, foi eleito para a Académie des Sciences, de Paris, e para a Royal Society, de Londres. Ref. https://data.bnf.fr/en/12238576/louis-joseph_gay-lussac/ Ref. http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/person/g-lussac.htm Robert Boyle 1627-1691 Físico, químico e filósofo irlandês. É considerado um dos fundadores da química. Nasceu em uma família rica e estava ligado por sangue ou casamento a todas as famílias Anglo-Saxônicas de sua época. Era o mais jovem filho de uma família de 14 filhos. Aos oito anos, depois de um período de ensino particular em casa, ele foi estudar em Eton, onde os filhos dos nobres iniciavam seu aprendizado. Mais tarde, aos doze anos, foi para o continente, onde um cidadão de Genebra o educou e ensinou-lhe a matemática prática. Depois, foi introduzido na nova ciência incluindo "Dialogue on the Two Chief World Systems" de Galileo, que ele leu em Florença em 1642. A explosão da guerra Anglo-Saxônica e também a guerra civil na Inglaterra fez com Boyle retornasse para casa. Foi apresentado a Samuel Hartlib, quem parece, fez com que se interessasse por Medicina. Da Medicina passou para a Química, onde iniciou como preparador de medicamentos, mas logo se tornou um criador de produtos químicos. Boyle leu todos os livros de químicos publicados em inglês, francês e latim e também leu os livros dos escritores mais importantes de outras áreas. Seu rápido interesse por Astronomia persistiu por algum tempo, mas a influência de Bacon e Descartes fez com que se interessasse por problemas mais amplos. Logo seus pensamentos coincidiram com os dos líderes do movimento científico da Inglaterra, ao qual se juntou em Oxford em 1656. Após a Restauração, Boyle esteve frequentemente em Londres, onde se fixou em 1668. Ele foi um dos fundadores da Sociedade Real, da qual foi a pessoa mais influente e notável por toda a sua vida. Foi também um simpatizante das questões irlandesas .Apesar de estar freqüentemente doente, Boyle permaneceu trabalhando em seus objetivos científicos com a ajuda de seus assistentes (dos quais muitos se tornaram cientistas famosos) até a sua morte. Foi um autor prolífero, escrevendo sobre ciência, filosofia e teologia. É mais conhecido pela lei de Boyle, que descreve a relação inversamente proporcional entre a pressão absoluta e o volume de um gás, se a temperatura for mantida constante dentro de um sistema fechado. "Não foram preocupações apenas de ordem experimental que guiaram Pasteur para a cristalogafia. Algumas reflexões teóricas também contribuíram para tanto. Robert Boyle, no século XVII, mostrara que existe uma relação entre a forma dos constituintes invisíveis de um sólido e sua organização em cristal" (Debré, 1995, p. 58-59). Ref. https://data.bnf.fr/en/11988979/robert_boyle/ Mais informações: http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/person/boyle.htm Dmitrij Ivanovič Mendeleev 1834-1907 Químico e físico russo. Foi o criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos. Estudou ciências em São Petersburgo, formando-se em química (1856). Trabalhou no laboratório Wurtz, em Paris. Esteve na Pensylvania e no Cáucaso, estudando a natureza e a origem do petróleo. Professor a partir de 1863, em 1866 assumiu a cátedra de química do Instituto Tecnológico de São Petersburgo. Na qualidade de conselheiro científico das forças armadas russas (1890) promoveu o estudo da nitrocelulose. Foi conservador do Museu de Pesos e Medidas (1893). Recebeu a medalha Davy (1882) e a medalha Copley (1905), da Royal Society de Londres. Mendeleev é autor da lei segundo a qual as propriedades físicas e químicas dos elementos são função periódica do peso atômico. Apesar de outros cientistas terem anteriormente traçado sequências numéricas entre os pesos atômicos de certos elementos e notado conexões entre estes e as propriedades das diversas substâncias, Mendeleev é o primeiro a enunciar a lei cientificamente. Estabelece a analogia dos elementos em bases numéricas seguras. Faz a classificação periódica dos elementos químicos conforme seu peso específico, dispondo os elementos em ordem crescente de acordo com seu peso atômico. Nota que as propriedades dos corpos simples se repetem periodicamente. Elabora quadros que, por apresentarem lacunas, o levam a prever a existência três elementos até então desconhecidos, previsão confirmada pela descoberta do gálio (1875), do escândio (1879) e do germânio (1886). Em diversos casos questiona os pesos atômicos aceitos por não corresponderem à lei periódica. Mendeleev empreende trabalhos sobre o isomorfismo, a compressão dos gases e as propriedades do ar rarefeito. Estuda a natureza das soluções, que considera sistemas líquidos homogêneos de compostos instáveis dissociáveis do solvente com a substância dissolvida. Investiga a expansão termal dos líquidos e elabora fórmula para expressá-la. Estudando os gases (1861) antecipa o conceito de Thomas Andrews (1869) da temperatura crítica dos gases, definindo o ponto absoluto de ebulição como a temperatura em que a coesão e o calor da vaporização eqüivalem a zero e o líquido se transforma em vapor independentemente da pressão e do volume. Contribui ainda para a preparação de uma pólvora sem fumaça, à base de pirocolódio. Sua obra mais importante é Osnovy chimii (1868 – 1870; Princípios de química). A classificação de Mendeleev é a base da teoria da estrutura eletrônica do átomo. Numerando-se em sequência os elementos de acordo com a sua classificação, verifica-se que o número de ordem de cada elemento é igual à carga positiva de seu núcleo atômico. Quanto às propriedades químicas, são sobretudo função da forma de agrupamento dos elétrons em torno do núcleo. Quando a carga do núcleo aumenta de uma unidade e o número de elétrons cresce respectivamente, os tipos de agrupamento de elétrons repetem-se, o que determina a periodicidade nas alterações das propriedades dos átomos. A lei de Mendeleev estipula que as propriedades dos elementos são função periódica do número de ordem ou da carga do núcleo atômico. A classificação periódica reflete não só as conexões, mas também as transformações reais dos elementos químicos e seus compostos. As reações nucleares e a desintegração radioativa dos átomos correspondem a deslocamentos na classificação periódica, a qual reflete ainda a evolução da matéria sideral e a repartição dos compostos químicos ao longo da evolução da Terra. Mendeleev admite o vínculo entre a composição atômica e a estrutura dos cristais (Debré, 1995, p. 59). Ref. https://data.bnf.fr/en/13088624/dmitrij_ivanovic_mendeleev/ Ref. http://allchemy.iq.usp.br/metabolizando/beta/01/mendelee.htm Jean-Baptiste Louis de Romé de L'Isle 1736-1790 Físico e mineralogista francês. É considerado o criador da moderna cristalografia. Iniciou a descrição dos cristais e foi sucedido por René-Just Haüy. Depois de ser educado em Paris, ele navegou para as Índias Orientais como secretário de uma companhia de artilharia e, em 1761, tornou-se prisioneiro dos ingleses em Pondicherry, sendo mantido em cativeiro por três anos. Tendo adquirido o gosto pela ciência, ao voltar para casa tornou-se aluno do químico Balthasar-George Sage (1740-1824) e aplicou-se à mineralogia, formando um gabinete mineralógico, e em 1772 publicando seu “Essai de Cristallographie”. Este trabalho foi ampliado e publicado em 1783 sob o título “Cristallographie, ou Description des formes propres k tous les corps du regne mineral dans l ' etat de combinaison saline pierreuse ou metallique ”. Continha tabelas de todos os cristais então conhecidos. Outro assunto ao qual Romé de L´Isle dedicou muito tempo foi a metrologia, estimulada sem dúvida pelo estado caótico dos pesos e medidas na França da época. Ele coletou uma grande quantidade de material relacionado ao assunto, alguns dos quais ele incorporou em sua “Metrologie, ou Table pour servir a l'intelligence des poids et mesures des anciens ...” lançado em 1789, o ano em que a Revolução Francesa estourou. Devido à sua intensa aplicação para estudar, Romé de L´Isle sofreu de problemas de visão. Sendo isso levado ao conhecimento de Luís XVI, ele recebeu uma pequena pensão, embora não tivesse ocupado nenhum cargo oficial. Romé de L´Isle racionalizou os princípios descritivos do cristal e desencorajou as descrições fantásticas da filosofia mineral. Tratou de descrever e não de estabelecer leis. Por isso, afirma Pasteur, que Haüy, seu sucessor, figura como o verdadeiro introdutor da ciência no estudo do cristal (Debré, 1995, p. 59-60). Ref. https://data.bnf.fr/en/13475531/jean-baptiste_louis_de_rome_de_l_isle/ Ref. https://www.nature.com/articles/138319a0 René-Just Haüy 1743-1822 Cônego Honorário de Notre-Dame de Paris. Mineralogista francês, foi professor de todos os principais institutos de ensino e pesquisa da Revolução e do Império. Fundador das três grandes coleções da Escola de Minas, do Museu de História Natural e da Universidade. Membro das Academias de Ciências de São Petersburgo e Berlim. Membro da Academia da Ciências (eleito em 1783). Haüy, cujo pai era um pobre tecelão, nasceu em St. Just, na França. Seu interesse pela música sacra atraiu a atenção do prior da abadia, que logo reconheceu a inteligência de Haüy e providenciou para que ele recebesse uma boa educação. Ainda em Paris, seu interesse pela mineralogia foi despertado pelas palestras de Louis Daubenton. Ele se tornou professor de mineralogia no Museu de História Natural de Paris em 1802. Seu Traité de mineralogie (Tratado de Mineralogia) foi publicado em cinco volumes em 1801 e Traité de cristallographie (Tratado sobre Cristalografia) em três volumes em 1822. Haüy é considerado o fundador da ciência da cristalografia por meio da descoberta da lei geométrica da cristalização. Em 1781, ele acidentalmente deixou cair alguns cristais de calcita no chão, um dos quais se quebrou e descobriu, para sua surpresa, que os pedaços quebrados tinham a forma romboédrica. Rompendo deliberadamente outras e diversas formas de calcita, ele descobriu que ela sempre revelava a mesma forma, qualquer que fosse sua origem. Ele concluiu que todas as moléculas de calcita têm a mesma forma e é apenas como elas se juntam que produz diferentes estruturas grosseiras. Em seguida, ele sugeriu que outros minerais deveriam apresentar diferentes formas básicas. Ele pensava que havia, de fato, seis formas primitivas diferentes das quais todos os cristais poderiam ser derivados por serem ligados de maneiras diferentes. Usando sua teoria, ele foi capaz de prever em muitos casos os ângulos corretos da face do cristal. A obra gerou muita polêmica e foi atacada por Eilhard Mitscherlich em 1819 quando ele descobriu o isomorfismo no qual duas substâncias de composição diferente podem ter a mesma forma cristalina. Haüy rejeitou os argumentos de Mitscherlich. Haüy também realizou trabalhos em piroeletricidade. O mineral haüyne foi batizado em sua homenagem. "A herança de Haüy é dupla: de um lado, uma coleção de cristais que Pasteur poderá examinar no Muséum; de outro, um Traité de minéralogie cristalline, publicado em 1801, que constitui a base do curso de Gabriel Delafosse, professor de mineralogia na École Normale Supérieure e mestre de Pasteur" (Debré, 1995, p. 61). Ref. https://data.bnf.fr/en/12276345/rene-just_hauy/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095924649 Gabriel Delafosse 1796-1878 Mineralogista francês. Foi professor na Sorbonne, depois no Museu de História Natural de Paris. Membro da Academia de Ciências (em 1857). Filho de um magistrado provincial, Delafosse formou-se em escolas de Saint-Quentin e Reims e tornou-se aluno com bolsa da École Normal Supérieure. Após a conclusão dos seus estudos lá em 1816, foi trabalhar para Haüy, cujos cursos de mineralogia frequentou no Muséum d'Histoire Naturelle. Ele ajudou Haüy a editar e publicar Traité de Cristallographie (1822) e os últimos três volumes póstumos da segunda edição do Traité de Minéralogie (1822-1823). A nomeação de Delafosse como naturalista assistente em 1817 deu início à sua associação ao longo da vida com o Muséum, onde se tornou professor em 1857, substituindo Pierre Armand Dufrénoy. Ele também foi associado à Faculté des Sciences de Paris a partir de 1822, obtendo uma cátedra de mineralogia em 1841, como sucessor de François Sulpice Beudant. Por muitos anos, Delafosse lecionou na École Normale Supérieure (1826-1857). Sua eleição para a seção de mineralogia na Academia de Ciências ocorreu em 1857. Ele foi membro fundador da Société Geologique de France. Como aluno de Haüy, Delafosse era membro da segunda geração dos criadores da cristalografia moderna. Como seu professor, ele foi guiado por um profundo compromisso com a simetria como o princípio básico para a investigação dos cristais. Ao contrário de Haüy, no entanto, Delafosse distinguia claramente entre a molécula integrante ou subtrativa, uma invenção geométrica, e a molécula química, sem descartar a crença de que a simetria exterior de um cristal deve ser governada pela simetria interna do arranjo molecular. A molécula subtrativa de Haüy poderia então corresponder a grupos de várias moléculas químicas, e a clivagem ocorreria cortando as moléculas subtrativas (em vez de os interstícios entre elas) e ao longo de redes de moléculas químicas que formam uma superfície. Desse modo, Delafosse conseguiu trazer as propriedades hemiédricas dos cristais de acordo com a teoria cristalográfica. Na terminologia moderna, o hemihedralism foi atribuído a uma polaridade geométrica da molécula química. Buscando relacionar a estrutura e a composição química dos cristais, Delafosse investigou o plesiomorfismo, ou similaridade na forma do cristal não acompanhada de identidade química. Seu método de classificação mineral baseava-se na composição química e na forma do cristal. Ele também estudou as relações entre a morfologia dos cristais e suas propriedades físicas, como eletricidade, luz e calor. Entre seus alunos que ampliaram tais estudos estava Louis Pasteur. Portanto, foi mestre de Pasteur na École Normale Supérieure. Dentre os ensinamentos, constavam as leis de simetria de Haüy. "Falando de hemiedria em suas aulas aos jovens alunos da École Normale, Delafosse mostrava que se fazia uma falsa aplicação das leis da simetria. Ele insistia na possível combinação das moléculas nos cristais hemiédricos" (Debré, 1995, p. 61-62). Ref. https://data.bnf.fr/en/12439038/gabriel_delafosse/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/delafosse-gabriel Étienne-Louis Malus 1775-1812 Engenheiro, físico e matemático francês. Participou da expedição egípcia (1798-1801) como oficial da engenharia militar. Membro da Academia de Ciências, seção de física geral (eleito em 1810). Malus, que nasceu em Paris, frequentou a escola militar em Mezières (1793) e a recém-criada École Polytechnique (1794-96), onde recebeu sua educação científica básica. Ele foi comissionado em 1796 e serviu como engenheiro militar na expedição de Napoleão ao Egito e à Síria. Malus acompanhou a invasão de Napoleão ao Egito em 1798 e permaneceu no Oriente até 1801. Após seu retorno à França, ele ocupou vários cargos de engenharia militar. Ele se tornou um examinador em geometria e análise em 1805 e um examinador em física em 1806 na École Polytechnique; essas postagens o colocaram em contato com outros físicos. Malus realizou muitas pesquisas em óptica, que era seu principal interesse científico. Ele é lembrado por sua descoberta em 1808 de que os raios de luz podem ser polarizados por reflexão. Malus a bre então um novo capítulo da ótica física quando observa pela primeira vez o desvio que a luz sofre quando refletida. Chama-lhe polarização: todo raio que apresenta esta propriedade observável é dito polarizado. Morto prematuramente aos 37 anos, seus estudos foram continuados por François Arago (Debré, 1995, p. 62-63). Ref. https://data.bnf.fr/en/13168526/etienne_louis_malus/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100129366#showmorecontent Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Etienne-Louis-Malus Dominique François Jean Arago 1786-1853 Astrônomo, físico e político francês. Ministro da Guerra e Marinha. Secretário permanente da Academia de Ciências, seção de ciências matemáticas (eleito em 1830). Membro da Academia de Medicina (eleito associado libreen 1823), e do Bureau des longitudes. Descobriu o princípio da produção de magnetismo por rotação de um condutor não magnético. Ele também desenvolveu um experimento que provou a teoria ondulatória da luz e se envolveu com outros em pesquisas que levaram à descoberta das leis da polarização da luz. Arago foi educado em Perpignan e na École Polytechnique em Paris, onde, com 23 anos, conseguiu por meio de Gaspard Monge a cadeira de geometria analítica. Posteriormente, foi diretor do Observatório de Paris e secretário permanente da Academia de Ciências. Ele também foi um republicano ativo na política francesa. Como ministro da Guerra e da Marinha no governo provisório formado após a Revolução de 1848, ele introduziu muitas reformas. Em 1820, elaborando a obra de HC Ørsted da Dinamarca, Arago mostrou que a passagem de uma corrente elétrica por uma espiral cilíndrica de fio de cobre fazia com que atraísse limalha de ferro como se fosse um ímã e que a limalha caísse com a corrente. Em 1824, ele demonstrou que um disco de cobre giratório produzia rotação em uma agulha magnética suspensa acima dele. Mais tarde, Michael Faraday provou que esses são fenômenos de indução. Na astronomia, Arago é mais conhecido por sua participação na disputa entre Urbain Le Verrier, que era seu protegido, e o astrônomo inglês John C. Adams sobre a descoberta do planeta Netuno e sobre a nomenclatura do planeta. Arago sugeriu em 1845 que Le Verrier investigasse anomalias no movimento de Urano. Quando a investigação resultou na descoberta de Netuno por Le Verrier, Arago propôs que o planeta recém-descoberto recebesse o nome de Le Verrier. Arago foi aluno de Jean-Baptiste Biot na École Polytechnique e juntos registraram interessantes mensurações de índice de refração nos gases. Arago também foi deputado e duas vezes ministro (Witkowski, 2004, p. 106). "A polarimetria, ou medida de polarização, faz, assim, com que a luz entre na ciência como um modo reativo. Mas Arago não aprofunda no estudo e abandona o tema um ano depois. Será Pasteur quem receberá a herança de Malus para aplicá-la à química molecular, sempre levando em conta os trabalhos de Haüy sobre a composição dos cristais" (Debré, 1995, p. 63). Ref. https://data.bnf.fr/en/12040363/francois_arago/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Francois-Arago Pierre-Joseph Pelletier 1788-1842 Farmacêutico francês. Desenvolveu notável trabalho na pesquisa de alcaloides vegetais. Recebeu o Prêmio Montyon com Joseph-Bienaimé Caventou pela descoberta do quinino. Isolaram estricina, brucina, veratrina e cinchonina. Pelletier nasceu filho de um farmacêutico em Paris, França. Ele estudou e ensinou na École de Pharmacie até sua aposentadoria em 1842. Seu principal trabalho foi a investigação de drogas, que começou em 1809. Por ser o pioneiro no uso de solventes suaves, ele isolou com sucesso numerosos produtos vegetais biologicamente ativos importantes: trabalhando com o farmacêutico francês Bienaimé Caventou (1795-1877) descobriu a cafeína, estricnina, colchicina, quinino e veratrina. Seu maior triunfo, porém, veio em 1817, quando descobriram a clorofila - o pigmento verde das plantas que captura a energia da luz necessária para a fotossíntese. Pasteur inspira-se principalmente nos trabalhos de Pelletier e Caventou sobre a quinina (Debré, 1995, p. 96). Ref. https://data.bnf.fr/en/12331306/pierre-joseph_pelletier/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100314563 Joseph-Bienaimé Caventou 1795-1877 Químico, farmacêutico e toxicologista francês. Foi professor da Escola Superior de Farmácia. Recebeu o Prêmio Montyon com Pierre-Joseph Pelletier pela descoberta do quinino. Isolaram estricina, brucina, veratrina e cinchonina. Descoberta da cafeína. Filho de farmacêutico, concluiu o estágio em farmácia hospitalar e foi encaminhado para o Hospital Saint-Antoine. De 1817-20, ele e seu colega cientista Pierre-Joseph Pelletier (1788-1842) descobriram muitos produtos naturais, incluindo a clorofila, o pigmento verde das plantas. Eles também reconheceram a natureza da morfina, estricnina e cafeína. Sua descoberta mais emblemática foi o quinino, um medicamento derivado da árvore cinchona que encontrou uso como tratamento para a malária. Aos 26 anos, Caventou se estabeleceu como um talentoso investigador e, em 1830, tornou-se professor de química, cargo que ocupou até sua aposentadoria em 1859. Pasteur inspira-se principalmente nos trabalhos de Pelletier e Caventou sobre a quinina (Debré, 1995, p. 96). Ref. https://data.bnf.fr/en/12560270/joseph-bienaime_caventou/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/joseph-bienaime-caventou Antonie van Leeuwenhoek 1632-1723 Naturalista holandês. Foi o primeiro a descrever a circulação do sangue e a forma das células sanguíneas. Alegou a descoberta do esperma. Era amigo de Gottfried Wilhelm Leibniz. É mais conhecido pelas suas contribuições para o melhoramento do microscópio. Seu pai era fabricante de cestos, enquanto a família de sua mãe era de cervejeiros. Antonie foi educado quando criança em uma escola na cidade de Warmond, depois viveu com seu tio em Benthuizen; em 1648 ele foi aprendiz em uma loja de tecidos de linho. Por volta de 1654, ele voltou para Delft, onde passou o resto de sua vida. Ele se estabeleceu no negócio como um draper (comerciante de tecidos); ele também é conhecido por ter trabalhado como agrimensor, avaliador de vinhos e como funcionário público. Em 1676, ele serviu como administrador do espólio do falecido e falido Jan Vermeer, o famoso pintor, que nasceu no mesmo ano que Leeuwenhoek e se acredita que tenha sido seu amigo. E em algum momento antes de 1668, Antonie van Leeuwenhoek aprendeu a moer lentes, fez microscópios simples e começou a observar com eles. Ele parece ter se inspirado a estudar microscopia por ter visto uma cópia do livro ilustrado de Robert Hooke, Micrographia, que retratou as próprias observações de Hooke com o microscópio e foi muito popular. Leeuwenhoek é conhecido por ter feito mais de 500 "microscópios", dos quais menos de dez sobreviveram até os dias atuais. No design básico, provavelmente todos os instrumentos de Leeuwenhoek - certamente todos os que são conhecidos - eram simplesmente lentes de aumento poderosas, não microscópios compostos do tipo usado hoje. Comparado aos microscópios modernos, é um dispositivo extremamente simples, utilizando apenas uma lente, montada em um minúsculo orifício na placa de latão que compõe o corpo do instrumento. O espécime foi montado na ponta afiada que fica na frente da lente, e sua posição e foco podiam ser ajustados girando os dois parafusos. O instrumento inteiro tinha apenas 7 a 10 centímetros de comprimento e precisava ser segurado perto do olho. Os microscópios compostos (isto é, microscópios que usam mais de uma lente) foram inventados por volta de 1595, quase quarenta anos antes do nascimento de Leeuwenhoek. Vários dos predecessores e contemporâneos de Leeuwenhoek, notadamente Robert Hooke na Inglaterra e Jan Swammerdam na Holanda, haviam construído microscópios compostos e estavam fazendo descobertas importantes com eles. Eles eram muito mais semelhantes aos microscópios em uso hoje, embora Leeuwenhoek às vezes seja chamado de "o inventor do microscópio". No entanto, devido a várias dificuldades técnicas em construí-los, os primeiros microscópios compostos não eram práticos para aumentar objetos mais do que cerca de vinte ou trinta vezes o tamanho natural. A habilidade de Leeuwenhoek em polir lentes, junto com sua visão naturalmente aguçada e grande cuidado em ajustar a iluminação onde trabalhava, permitiu-lhe construir microscópios que aumentavam mais de 200 vezes, com imagens mais claras e brilhantes do que qualquer um de seus colegas poderia alcançar. O que mais o distinguiu foi sua curiosidade em observar quase tudo que pudesse ser colocado sob suas lentes e seu cuidado em descrever o que via. Embora ele próprio não soubesse desenhar bem, ele contratou um ilustrador para preparar os desenhos das coisas que viu, para acompanhar suas descrições escritas. A maioria de suas descrições de microrganismos são instantaneamente reconhecíveis. Em 1673, Leeuwenhoek começou a escrever cartas para a recém-formada Royal Society of London, descrevendo o que tinha visto com seus microscópios - sua primeira carta continha algumas observações sobre as picadas de abelhas. Nos cinquenta anos seguintes, ele se correspondeu com a Royal Society; suas cartas, escritas em holandês, foram traduzidas para o inglês ou latim e impressas em Philosophical Transactions of the Royal Society, e muitas vezes reimpressas separadamente. Leeuwenhoek examinou tecidos animais e vegetais, cristais minerais e fósseis. Ele foi o primeiro a ver foraminíferos microscópicos, que descreveu como "pequenos berbigões ... não maiores do que um grão de areia grosso". Ele descobriu células sanguíneas e foi o primeiro a ver células vivas de espermatozoides de animais. Ele descobriu animais microscópicos como nematóides e rotíferos. A lista de suas descobertas é infinita. Leeuwenhoek logo se tornou famoso quando suas cartas foram publicadas e traduzidas. Em 1680 foi eleito membro titular da Royal Society, juntando-se a Robert Hooke, Henry Oldenburg, Robert Boyle, Christopher Wren e outros luminares científicos de sua época - embora ele nunca tenha participado de uma reunião. Em 1698, ele demonstrou a circulação nos capilares de uma enguia para o czar Pedro o Grande da Rússia, e continuou a receber visitantes curiosos para ver as coisas estranhas que ele estava descrevendo. Ele continuou suas observações até os últimos dias de sua vida. "De acordo com a Para-história, a bactéria foi descoberta em 1676 por Anton Van Laeuwenhoek (1632-1723). As técnicas modernas de estudo da Bacteriologia tiveram início em 1870. Dois pioneiros nas pesquisas das bactérias não podem ser esquecidos: Louis Pasteur (1822-1895) e Robert Koch (1843-1910)" (Vieira, 2003, p. 486). Ref. https://data.bnf.fr/en/12136216/antonie_van_leeuwenhoek/ Ref. https://ucmp.berkeley.edu/history/leeuwenhoek.html Próximo Grupo

  • Fermentação | Pasteur Brasil

    Fermentação Durante séculos a fermentação vem sendo utilizada na produção de vinho, vinagre, pães, cerveja e outras substâncias, e muitas questões foram levantadas acerca de sua origem. No século XVIII se identificam vários modos de fermentação (alcoólica, acética, pútridra), mas esse conhecimento não era suficiente para a prática do setor agroalimentício que enfrentava problemas de irregularidade na qualidade da produção. Em 1854, aos 32 anos, Louis Pasteur foi nomeado reitor da faculdade de ciências da Universidade de Lille, no norte da França, perto da fronteira com a Bélgica. Entre as tarefas de ensino e gestão universitária havia o contexto específico da indústria agroalimentícia da região, e Pasteur vai abrir mais os olhos para as questões práticas. Lille é uma cidade industrial e Pasteur leva os alunos para conhecer as fábricas dos arredores. Nesta região, onde há muitas destilarias, Pasteur é solicitado pelo industrial Louis Bigo (1787-1876) a estudar as desigualdades na produção de álcool de beterraba. Ele observa que a fermentação alcoólica é devida a um organismo vivo (fermento), o que o levou a afirmar o papel e a especificidade da ação dos microrganismos neste processo, até então uma proposta inédita. Desse modo, ele começa a se voltar para a biologia. Antes de Pasteur, Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) e Justus von Liebig (1803-1873) já haviam enfrentado a questão da fermentação. Pasteur estava convencido de que a simplificação de Lavoisier, ao ignorar a levedura era falsa e que, muito pelo contrário, a produção de álcool é um fenômeno tão complexo quanto um ato de natureza biológica. Liebig não admitia que a fermentação era um fenômeno biológico. Afirmava que o fermento agia por decomposição da matéria morta. Pasteur rejeita esta teoria, pois aborda a fermentação pensando na vida. Após alguns anos de pesquisas, Pasteur estabelece com precisão que o ácido lático das cubas de beterrabas do Sr. Bigo provém de uma contaminação de leveduras e propõe o seguinte procedimento: o aquecimento para destruir a levedura lática e o repique para produzir a levedura alcoólica. Assim surgiram os princípios da “pasteurização”. As reflexões advindas da introdução da biologia na compreensão da fermentação vão inicialmente mais surpreender do que convencer os contemporâneos de Pasteur. Ao afirmar que a fermentação é um fenômeno complexo, correlato à vida, Pasteur vai ao encontro de grandes interrogações filosóficas e científicas do século XIX sobre o papel da vida. Pasteur tinha a reputação de um cientista sério e um excelente professor, mas agora teria que adotar o papel de um tribuno. Para ousar opor-se à sombra sagrada de Lavoisier e à autoridade de Liebig no auge de sua glória, era preciso não somente ser dono de si, mas também saber argumentar e convencer. Pasteur submete constantemente suas experiências às leis, cujos resultados e interpretações são frutos de uma experimentação rigorosa, enunciando detalhadamente os fatos estabelecidos. Ele escreve a revistas científicas e dirige-se a industriais. Em 1860 publica uma dissertação sobre fermentação alcoólica. O tom é decisivo, por vezes, irônico. É de um cientista, mas também semelhante a um advogado. Até aquele momento, Pasteur era conhecido pelos estudos cristalográficos, e eis que surge como teórico dos fermentos. As áreas têm pouco em comum. Pasteur observa os microorganismos no microscópio e observa variações na concentração de oxigênio. Com esta ideia em mente, imagina que a quantidade de oxigênio influi no desenvolvimento dos germes. Realiza experimentos e observa que o oxigênio contraria a vida dos chamados animálculos, quando se pensava que era indispensável à sua sobrevivência. Ao mesmo tempo em que os observa, Pasteur os nomeia, chamando estes organismos de “anaeróbios” em oposição aos seres microscópicos que precisam de ar para sobreviver, os “aeróbios”. Nota, ainda, que alguns germes podem ter dupla capacidade, de viver com e sem oxigênio. Estas conclusões serão de grande importância para futuros progressos da Medicina. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. 1854 Louis Bigo, industrial. A ação se passa na Faculdade de Ciências de Lille, na fábrica de vinagre de Orleans, na casa da família de Pasteur em Arbois, nas vinhas e laboratórios efêmeros instalados em vários pontos da vila, na cervejaria dos irmãos Tourtel em Tantonville, na do Sr. Kuhn em Chamalières, na cervejaria Carlsberg em Copenhagen, no laboratório de Duclaux em Clermont-Ferrand durante a Comuna de Paris. A cada fermentação um microorganismo. Antoine Laurent Lavoisier Justus von Liebig. Fermentações e gerações ditas espontâneas. A fermentação se mostra correlata à vida, e não à morte ou putrefação (Louis Pasteur, 1859). Memoire sur la fermentation alcoolique, publicada em 1860. Vida sem oxigênio. A vida sem oxigênio. 1861 Continue lendo a biografia

  • Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil

    Vacinação: Raiva Para designar o micróbio invisível da raiva, Pasteur usa a palavra “vírus”. Ele mantém este termo porque é mais abstrato, porque torna o contágio uma força nociva que é exercida no organismo. Ele adivinha a existência de um vírus porque espera por ele, sem nunca duvidar de sua existência pelo fato de não poder vê-lo (Debré, 1995, p. 463). Nesta etapa, Pasteur se dedica à patologia humana, e ultrapassa a abordagem profilática para inventar uma imunoterapia ativa, o tratamento por estimulação da imunidade. Pasteur se lembrava da angústia de ouvir o comentário de um lobo com raiva que andava na região de Arbois e mordia homens e animais. Na época ele tinha 8 anos. Estudar a raiva seria um benefício para a humanidade e um triunfo para a difusão das descobertas sobre a vacinação. No estudo experimental da raiva, Pasteur tem um predecessor, Pierre Victor Galtier, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo. Para os adversários de Pasteur, encabeçados por Michel Peter, essa descoberta prova que não é possível acreditar nos micróbios, e diz “Pasteur pretende trabalhar com a raiva, e na verdade estuda outra afecção?”. Com a ajuda de Chamberland, Roux e Thuillier, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas, Inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). O segundo paciente será Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). O mesmo sucesso não ocorre com a criança Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). A notícia do tratamento da raiva atravessa oceanos, e 4 crianças norte-americanas são tratadas em Paris e são salvas, trazendo uma publicidade de proporções inesperadas. Poucos meses depois, é a vez de a Rússia apelar para Pasteur e 19 vítimas também são tratadas. Devido ao longo tempo até chegarem a Paris, algumas já estão em estado muito grave, mas 16 se curam. Sabendo do sucesso, o príncipe Alexandre Oldenburg decide fundar em São Petesburgo um laboratório anti-rábico. Adrien Loir é quem vai para a Rússia. O tratamento se difunde e logo também se vacina em Londres, Viena, na Versóvia, e outros. As pessoas vêm de toda parte para o laboratório na Rua Ulm. Pasteur afirma em 1886 que de 1.235 franceses (França e Argélia) tratados preventivamente contra a raiva, o tratamento só foi ineficaz para 3, e diz, “desafio qualquer um a contradizer esses fatos e asserções” (Debré, 1995, p. 497). No entanto, por mais eloquentes que sejam os números apresentados, os adversários de Pasteur procuram as menores falhas, fazendo com que ele tenha que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continua a atacá-lo. Há vezes em que Vulpian é quem responde as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, há aqueles que acusam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Roux continua denegrindo o método e as críticas diárias chegam a impressionar os mais fiéis colaboradores, em particular Adrien Loir. Os ataques repetidos de Peter e a desconfiança de Roux modificam a atmosfera do tratamento, e Pasteur tem dificuldades em convencer os médicos a respeito da eficácia do método. Mesmo com os ataques, inclusive dos jornais da época, Pasteur se mantém seguro de suas convicções, mas já se encontra com mais de 60 anos e começa a sentir alterações do ritmo cardíaco. Cedendo às orientações dos médicos, aceita fazer um pouco de repouso e viaja com a família para a Itália (Debré, 1995, p. 501-504). Os raros fracassos do tratamento são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necrópsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Broudael observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Broudael sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Broudael. Pasteur também precisou lidar com os ataques hostis das revistas especializadas e de publicações da imprensa geral, especialmente alemãs e italianas, e responde cada um dos argumentos. Contudo, só excepcionalmente escreve em jornais de grandes tiragens, preferindo atuar por meio de comunicações acadêmicas. No entanto, Grancher, Vulpian e Charles Richet o defendem sempre que necessário, publicando numerosos artigos que se propagam por toda a França. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Doenças e vacinas. Cão raivoso. Coleta de saliva de cão raivoso. Pasteur e coelhos usados nos experimentos. Pasteur em seu laboratório na École Normale Supérieure em 1885, segurando o frasco contendo a vacina anti-rábica. Óleo sobre tela de Albert Edelfelt, 1886. Joseph Meister, por volta de 1885, quando recebeu a vacina anti-rábica desenvolvida por Pasteur. Pasteur e Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos que foi o segundo paciente vacinado. Pacientes russos de Smolensk em 1886. Pacientes árabes e bretões em 1890. Pasteur, Metchnikoff, pacientes e equipe de apoio ao serviço de vacinação. Pasteur rodeado de pacientes que buscam seu laboratório para a vacinação anti-rábica. Conferência antipasteuriana. Continue lendo a biografia

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