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- Academia Francesa | Pasteur Brasil
Academia Francesa Pasteur fica lisonjeado com as solicitações de candidatura à Academia Francesa, que além de literatos acolhe também políticos, membros de tribunais e das cátedras. Entrar na Academia Francesa seria aquilo que “muitos consideram como a honra suprema” (Debré, p. 418). Foi dito também que esta Academia era uma sociedade composta por 40 das pessoas mais importantes da França. Pasteur parece não duvidar da própria eleição, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (canal de Suez), o poeta Sully Prudhomme (que será em 1901 o primeiro laureado do prêmio Nobel de Literatura), Paul de Saint-Victor (jornalista brilhante patrocinado / apoiado por Victor Hugo) e Victor Cherbuliez (romancista) (Debré, 1995, p. 419-420). A candidatura de Pasteur é apresentada por Ernest Legouvé, dramaturgo de sucesso, e tio avô de René Vallery-Radot, seu genro. Legouvé prepara o terreno e se encarrega de desencorajar os adversários. Pasteur então envia ao secretário vitalício da Academia Francesa, Camille Doucet sua candidatura oficial. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia. Dos 40 membros, 38 votaram, sendo 20 a seu favor (em segundo lugar, Victor Cherbuliez recebeu 8 votos) (Debré, 1995, p. 420). Charles-Augustin Sainte-Beuve solicita a Pasteur sua candidatura na Academia Francesa. Conquanto suas opiniões, em política e religião, sejam opostas às de Pasteur, ele admira o cientista. E a recíproca é verdadeira (Debré, 1995, p. 143, 152, 154-159). Alexandre Dumas (filho) agradece a Pasteur por “querer ser um dos nossos” (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Em 1º de janeiro de 1895 (ano da morte de ambos), Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho), colega da Academia Francesa, para cumprimentá-lo (Debré, 1995, p. 546). Pasteur é admitido na Academia Francesa em 08/12/1881, pouco antes de completar 60 anos, sucedendo Émile Littré (Debré, 1995, p. 392). Quando Littré era vivo, Pasteur o presenteou com a obra escrita por ele em 1879 “Exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação”. O livro contém uma dedicatória de Pasteur a Émile Littré: “ao senhor Littré, da Academia Francesa, homenagem de profundo respeito. L. Pasteur”. Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). Ao ingressar na Academia, a preocupação de Pasteur passa a ser o discurso tradicional de sucessão, no qual deve elogiar o seu predecessor. Além do desacordo quanto ao positivismo, a antipatia de Pasteur deve-se a um desacordo político, pois Littré foi um dos primeiros a pedir a perda do trono de Napoleão III. Um longo espaço de tempo vai separar a eleição da recepção: mais de 4 meses. Pasteur passa todo o inverno a trabalhar nisso. À noite, se isola e tenta polir as frases. Contudo, não quer deixar de ser justo (em sua visão): o positivismo lhe parece um erro perigoso que é preciso combater, mas nada o impede de reconhecer as qualidades pessoais de Littré e o valor de seus trabalhos. Então, vai até a casa de campo onde vive a viúva e a filha de Littré. Lá Pasteur se sente comovido pela simplicidade com a qual Littré vivia, cujo trabalho, na intimidade da vida em família era sua verdadeira felicidade (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Percorrendo a casa e o pequeno jardim onde Littré cultivava seus legumes e colhia frutas, Pasteur tenta compreendê-lo, mas considera um erro que o positivismo não tinha em conta a noção do infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 315). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam seus manuscritos. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Em 27 de abril de 1882, Pasteur vai à cúpula. Nem todos os 40 membros estão presentes. Victor Hugo, doente, manda se desculpar pela ausência. No entanto, há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Antes da eleição, Pasteur havia se apresentado a Victor Hugo, e este respondeu resmungando “O que o senhor diria se eu pretendesse ser eleito para a Academia de Ciências?” (Debré, 1995, p. 420). Em 27 de abril de 1882 Pasteur entra na Academia Francesa acompanhado dos dois padrinhos (Dumas e Nisard), com um estilo enérgico e físico robusto (como descreve um jornalista). Além dos vários membros da Academia e de toda a família de Pasteur, está presente também a princesa Matilde, que veio aplaudi-lo. Na época, alguns jornalistas destacam que neste mesmo dia, Charles Darwin, que havia falecido em 19 de abril, é enterrado com grande pompa na abadia de Westminster. Cabe lembrar que foi Littré quem popularizou na França as teorias sobre a evolução das espécies. Pasteur discursa com uma homenagem a Littré, mas também com a confissão quase imediata de um distanciamento filosófico. Pasteur mostra, em sua visão, o erro do positivismo ao querer suprimir a ideia de infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 319). Também critica a pretensão positivista de encontrar um fundamento científico na política e sociologia devido ao grande número de fatores que concorrem para a solução de questões que elas levantam, e diz “nesse lugar onde as paixões humanas intervêm, o campo do imprevisto é imenso” (Debré, 1995, p. 423). O diretor da Academia Francesa em exercício, Ernest Renan (autor de Vida de Jesus), recebe Pasteur na Academia Francesa e profere um discurso após o cientista A obra e a personalidade de Renan foi descrita como situada na junção do espiritualismo com o positivismo. Convertido ao positivismo, torna-se o porta voz do ceticismo, embora continue a se dizer “católico fervoroso”. Em seu discurso, Renan diz que “na ordem intelectual também existem sentidos diversos, oposições aparentes que não excluem um fundo de similitude” (Debré, 1995, p. 424). Segue parte da resposta de Renan ao discurso de Pasteur: "Sua vida austera, inteiramente devotada à pesquisa altruísta, é a melhor resposta àqueles que consideram nosso século privado dos grandes dons da alma. Sua diligência meticulosa não queria conhecer distrações nem descanso. Recebam a recompensa pelo respeito que vos rodeia, por esta simpatia cujas marcas hoje tão numerosas se produzem ao vosso redor e, sobretudo, pela alegria de ter cumprido bem a vossa tarefa, de teres lugar na primeira fila". Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. VALLERY-RADOT, René. A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Ref. http://www.academie-francaise.fr/reponse-au-discours-de-reception-de-louis-pasteur Academia Francesa em Paris, que funciona no mesmo endereço da Academia de Ciências. Ferdinand de Lesseps. Émile Littré Victor Hugo. Jean-Baptiste Dumas. Désiré Nisard. Charles Darwin. Ernest Renan. Continue lendo a biografia
- Cristalografia | Pasteur Brasil
Cristalografia Aos 24 anos, Pasteur é designado professor-estagiário no laboratório do químico Antoine-Jérôme Balard (1802-1876), seu ex-professor, de personalidade simples e bem-humorada, que descobriu o bromo. Balard o apresenta ao experiente Auguste Laurent (1807-1853), que ajudou na fundação da química orgânica e trabalhava com a cristalografia. Pasteur começa suas investigações junto a este pesquisador de temperamento calmo, que o influenciará na formulação de hipóteses e teorias. No início do século XIX, a Mineralogia e a Cristalografia eram inseparáveis das pesquisas óticas que se desenvolviam a passos largos. O polarímetro era um dos principais instrumentos utilizados, permitindo observar as modificações angulares que a luz sofria ao passar pelos materiais. Dentre outras pesquisas, Pasteur vai se dedicar ao mistério do ácido tartárico, posto pelo químico alemão Eilhard Mitscherlich (1794-1863): porque dois produtos químicos aparentemente idênticos têm um efeito diferente na luz polarizada? Após observações meticulosas dos cristais, Pasteur conclui que só os produtos nascidos sob a influência da vida são assimétricos, isto porque o seu desenvolvimento preside forças cósmicas que também são assimétricas. Constata que a dissimetria é a principal linha de demarcação entre o mundo orgânico e o mundo mineral, ou seja, d emonstra que a dissimetria molecular é marca registrada dos seres vivos. Esta descoberta esclarece a característica central dos isômeros, ou seja, moléculas idênticas, porém que desviam a luz de modo contrário. Balard, que captou a importância destas conclusões, comunica-as a Jean-Baptiste Biot (1774-1862), que recebe Pasteur para uma entrevista e demonstração. Ao analisar o experimento, e visivelmente emocionado com o que via, Biot disse a Pasteur “Meu filho querido, em minha vida amei tanto as ciências que isso me faz disparar o coração” (Debré, 1995, p. 74). Desde seus primeiros trabalhos, Pasteur se referia constantemente a Biot, que agora tinha a felicidade de conhecer. Este astrônomo, matemático, físico e químico, com o passar do tempo, irá considerar Pasteur igual a um filho adotivo, tamanha a proximidade científica e afetiva entre os dois. Das críticas científicas aos conselhos mais pessoais, Biot desempenhou um papel ativo em toda a vida de Pasteur. Posteriormente, o filho de Pasteur receberá o nome deste amigo, que será também o padrinho da criança. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Litografia de 1857 de Balard, químico francês. Descobriu o bromo aos 24 anos. Levava uma vida simples e estava sempre de bom humor. Foi professor de Pasteur na École Normale, que o convida a se tornar professor-estagiário em seu laboratório. Foi no laboratório de Balard que Pasteur, trabalhando com o ácido tartárico, descobre as formas dextrógiras e levógiras. Balard apresenta Pasteur a Auguste Laurent. Moeda em homenagem a Balard, químico francês descobridor do bromo. Auguste Laurent, químico. Ajudou na fundação da química orgânica. Seus trabalhos sobre cristalografia valeram-lhe a nomeação de correspondente da Academia de Ciências. De espírito muito original, Laurent reparou em Pasteur, e oferece que ele pesquise junto a ele. Pasteur gosta muito de trabalhar com este pesquisador de temperamento calmo, mas o trabalho dura poucos meses, pois Laurent se torna suplente de Dumas na Sorbonne. Polarímetro usado por Pasteur. Eilhard Mitscherlich, químico e físico alemão. Professor de química na Universidade de Berlim. Construiu o primeiro polarizador. Foi o primeiro a anunciar o mistério do ácido tartárico. Pasteur, na época um jovem químico recém-formado, se debruçou sobre este mistério colocado por Mitscherlich: porque 2 produtos químicos aparentemente idênticos tem um efeito diferente na luz polarizada? Cristalografia e Dessimetria Molecular. Jean-Baptiste Biot, astrônomo, matemático, físico e químico. Membro de 3 Academias (Ciências, Belle-Lettres, Francesa). Em 1804, Gay-Lussac subiu num balão de hidrogênio com Jean-Baptiste Biot para investigar o campo magnético da Terra a elevada altitude e a composição atmosférica. Atingiram uma altitude de 4000 metros. Moldes dos cristais. Carta de Pasteur a Biot sobre o ácido racêmico. Caderno de experiências de Pasteur e amostras de ácidos tartáricos. Continue lendo a biografia
- Jubileu: 70 Anos | Pasteur Brasil
Jubileu: 70 Anos No início de 1892 a saúde de Pasteur deteriora bruscamente, e ele não sai do quarto. Em maio deste ano é formado na Dinamarca um comitê que anuncia a intenção de festejar os 70 anos do cientista e abre uma subscrição nacional para conseguir fundos para enviar uma medalha comemorativa. O movimento se estende à Noruega, Suécia. Na França, a Academia de Ciências forma um comitê e Joseph Grancher é nomeado secretário. O reitor da Academia de Paris abre as portas do grande anfiteatro da Sorbonne. 4.000 convites são distribuídos. A cerimônia acontece em 27/12, dia do aniversário de Pasteur. Da França, comparecem os Membros do Instituto Pasteur (pasteurianos), professores de faculdades, delegados das academias, representantes de sociedades científicas (francesas e estrangeiras), delegações da École Normale Supérieure, da École Polytechnique, da École Central, da École Vétérinaire, bem como estudantes de Medicina e Farmácia. Pasteur entra pelo braço do Presidente da República, Sadi Carnot. Os dois usam a grã-cruz da Legião de Honra. Discursos e homenagens são feitos de todos os departamentos da França, de todos os países da Europa e vários países do mundo. Falam em nome de presidentes, prefeitos, acadêmicos. Estão presentes representantes da Suécia, Turquia, Alemanha, Itália, Áustria-Hungria, Bélgica, Inglaterra, entre outros. Pasteur se levanta para abraçar Lister. Émille Gallé fabrica uma taça única para “cristalizar o pensamento” de Pasteur. Este vitralista encontrou um meio de incluir micróbios na transparência do cristal. Jean-Baptiste, filho de Pasteur, é quem lê o discurso (assim como na Inauguração do Instituto Pasteur). As palavras são dirigidas aos jovens para não se deixarem dominar pelo “ceticismo difamante e estéril” e para viverem na “paz serena dos laboratórios e bibliotecas”. Prossegue aconselhando “Digam a vocês mesmos: o que fiz pela minha instrução? Depois, à medida que forem avançando: o que fiz pelo meu país? Até o momento em que, talvez, tenham essa imensa felicidade de pensar que contribuíram alguma coisa para o progresso e o bem da humanidade”. Os últimos a falar são os habitantes de Dole (cidade natal de Pasteur). Durante esta homenagem, Pasteur mantém a mão no rosto para disfarçar a emoção. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. Jubileu de Pasteur na Sorbonne. Jornal da época do Jubileu. O filho de Pasteur, Jean-Baptiste, é quem lê o discurso de Louis Pasteur, assim como o fez na inauguração do Instituto Pasteur, devido às sequelas dos AVCs do pai. Sadi Carnot, presidente da República da França, acompanha Pasteur devido às sequelas dos AVCs. Joseph Lister, cirurgião inglês, saúda Pasteur. Gallé fabrica uma taça única para “cristalizar o pensamento” de Pasteur. Este vitralista encontrou um meio de incluir micróbios na transparência do cristal. Continue lendo a biografia
- Personalidades | Pasteur Brasil
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- Contato | Pasteur Brasil
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- Família Laurent | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Família Laurent Claude Henri Aristide Laurent 1795-1869 O sogro de Louis Pasteur era francês e tinha formação em Letras. Na época em que se conheceram, ele era reitor da Universidade de Estrasburgo. Aristide Laurent ocupou os cargos de professor, diretor, chefe de colégio e inspetor em pelo menos 13 cidades: Paris, Riom, Guéret, Saintes, Sens, Amiens, Orléans, Clermond-Ferrand, Angoulême, Douai, Toulouse, Cahors até chegar a Estrasburgo, como reitor da Universidade. Por onde passou, ajudou a reerguer colégios em vias de desaparecer, colocou ordem onde havia desordem (Vallery-Radot, 1945, p. 39). “Um homem que se destacou por uma especial capacidade para o ensino, pela sua lealdade aos alunos e seus dotes organizacionais aplicados ao sistema escolar” (Viñas, 1991, p. 68). Pierre-Augustin Bertin, amigo de Pasteur, é quem o apresenta ao Sr. Laurent. Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio de Biot, Dumas e Balard (Viñas, 1991, p. 74-75). Nos domingos à tarde, o Sr. Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários (Vallery-Radot, 1945, p. 58). Ao visitar a sua casa, Pasteur conhece Marie, por quem se sente cativado imediatamente. Em uma decisão relâmpago, dirige uma carta ao reitor com um pedido de casamento à sua filha (Viñas, 1991, p. 75). Casa-se com Amélie Huet em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Obs. Em várias biografias, o sogro de Pasteur é nomeado erroneamente de Charles Laurent (V. Debré, 1995, p. 79). Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/aristide%20laurent/page/1 Amélie Hélène Huet (Madame Laurent) 1797-1867 A sogra de Pasteur, madame Laurent, era francesa, filha de livreiros e impressores de Orleans. A livraria da família dos pais de Amélie recebia diversos intelectuais, inclusive o general Beauharnais, que se tornaria posteriormente Napoleão Bonaparte (1769-1821), e Josefina de Beauharnais (1763-1814), que seria a futura imperatriz. Amélie e Aristide Laurent conheceram-se nesta livraria, e casaram-se em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Em 1849, ao conhecer Louis Pasteur, Amélie capturou logo algumas de suas características: lealdade, dedicação profissional, inteligência (Viñas, 1991, p. 76). Pasteur compreendeu que Madame Laurent era sua aliada ao pedido de casamento, e em uma carta confiou as inquietudes que sentia, por temer que as primeiras impressões tenham sido desfavoráveis, e agrega a seguinte observação à Marie: “Minha experiência ensina que aqueles que me conhecem muito bem me amaram muito” (Vallery-Radot, 1945, p. 62; Birch, 1993, p. 24). Marie Anne Laurent (Marie Pasteur / Madame Pasteur) 1826-1910 Criada em ambiente intelectual, a esposa de Pasteur, Marie, era francesa e tinha 3 irmãs e 1 irmão, sendo que este último faleceu aos 23 anos de febre tifoide. Quando Pasteur a viu pela primeira vez, sentiu que havia encontrado a sua companheira de vida, e escreveu ao amigo Chappuis: “Creio que serei muito feliz com ela. Tem todas as qualidades que eu poderia desejar em uma mulher” (Báez, 1995, p. 463). Marie foi descrita como: discreta, comedida, autoritária, circunspecta. Uma mulher de ordem e dever, porém positiva, alegre e sólida. “Passou pela glória procurando ser despercebida” (Vallery-Radot, 1945, p. 31, 33; Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Devota-se a Pasteur e cria, em torno dele, uma vida familiar tranquila, removendo as preocupações materiais. “Soube, desde os primeiros dias, não somente a admitir, mas a aprovar que o laboratório vinha acima de tudo” (Debré, 1995, p. 82). Madame Pasteur lia as atas da Academia de Ciências em vez de ler novelas (Vallery-Radot, 1945, p. 66, 68). “Marie recopia as cartas e os relatórios enviados ao Ministério ou Academia. Nunca um manuscrito vai para impressão antes de ter sido meticulosamente relido, anotado, verificado” (Debré, 1995, p. 147). "Ela se tornou, de modo informal, secretária, contadora e o que hoje chamaríamos de assessora de comunicação e assessora de imprensa" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Marie dispensava participar de círculos sociais prestigiosos que ela teria a oportunidade de frequentar (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Segundo Émile Roux, colaborador de Louis Pasteur: “A senhora Pasteur era não apenas uma companheira incomparável para Pasteur, mas também seu melhor colaborador” (Debré, 1995, p. 82). Nas cartas do casal, observa-se afeto, confidências e companheirismo (Viñas, 1991, p. 89), ainda que por vezes Pasteur manifeste-se de modo autoritário. Marie se torna figura tutelar do Instituto Pasteur após a morte do marido. Falece em 23 de setembro de 1910, aos 84 anos na cidade de Arbois. Seu corpo foi sepultado no Instituto Pasteur em Paris, junto ao marido. O epitáfio latino, inscrito na cripta de estilo neo-bizantino, diz: "Socia rei humanae atque divinae", ou seja, "companheira da vida humana e das coisas divinas". O casal teve 5 filhos, dos quais somente 2 sobreviveram até a idade adulta. Em carta ao sogro (Jean-Joseph Pasteur) em 1851 , Marie escreve sobre Louis Pasteur. “É um pai de família modelo que, apesar de seu trabalho, encontra tempo para consagrar todos os dias um bom tempo ao recém-nascido e para cuidar da menina, se estou ocupada” (Vallery-Radot, 1945, p. 70). "Realmente parece", escreveu o colaborador de Pasteur, Émile Roux, que essa união predestinada foi feita em vista das grandes coisas que Pasteur teve que produzir (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 11; Baéz, 1995, p. 467). Albert Calmette, um dos pasteurianos, fala sobre Pasteur em seus últimos anos de vida, e também menciona Marie Pasteur: "Nós o mantínhamos a par das pesquisas. Ele sugeria ou discutia as experiências a serem feitas e a senhora Pasteur que, como mulher de cientista, se interessava por tudo, adivinhava os pensamentos e os sentimentos de cada um de nós antes que fossem exprimidos, velava com uma tocante solicitude para que nenhuma inquietação, nenhuma preocupação perturbasse as meditações ou os sonhos sobre o futuro, aos quais os trabalhadores do instituto se abandonavam com entusiasmo e confiança. (...) Todo esse passado de miséria e de grandeza foi uma era heroica, foi o tempo da epopeia pasteuriana. (...) Durante os sete anos que viveu no instituto, entre os colaboradores e os alunos Pasteur teve a suprema satisfação de presenciar algumas das mais preciosas conquistas dessa ciência experimental que ele levou ao ponto mais alto" (Debré, 1995, p. 535-536). Amélie Laurent (Amélie Loir) 1830-1925 A irmã mais nova de Marie, Amélie, era francesa e casou-se com Adrien Joseph Jean Loir. O casal tem um filho, Adrien Loir, que será estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Louis Pasteur. Adrien Joseph Jean Loir 1816-1899 Professor francês associado da Escola de Farmácia de Paris (1847-1849). Professor de química na Faculdade de Ciências de Besançon (1855), depois em Lyon (1861). Doutor em ciências físicas (1851). Adrien Joseph Loir foi sucessor de Louis Pasteur na Faculdade de Farmácia e trabalhou no laboratório na companhia de Pasteur. Foi o primeiro discípulo de Pasteur. Casa-se com a irmã mais nova de Marie, Amélie. O filho do casal, Adrien Loir, trabalhará diretamente com Pasteur. Ref. https://data.bnf.fr/en/10604888/adrien_loir/ Adrien Charles Marie Loir 1862-1941 Bacteriologista francês. Estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Pasteur. Doutor em medicina (Paris, 1892). Bioquímico. Diretor do Instituto Pasteur na Austrália. Fundador do primeiro instituto anti-rábico em São Petersburgo. Filho de Amélie Laurent (irmã mais nova de Marie Pasteur) e de Adrien Joseph Loir, professor de química e diretor da Faculdade de Lyon (Debré, p. 83). Adrien Loir descreve o dia a dia com o tio: “Pasteur ficava completamente absorvido pelo assunto que estudava e que escolhera. Ele o dissecava, o experimentava de todas as maneiras, em silêncio, sem a intervenção de ninguém. Pasteur não se alterava nunca, e quando algo não ocorria como desejava, ele dizia: ‘Ai meu Deus, e andava como um leão enjaulado. Era tudo” (Debré, 1995, p. 164). O governo de Sidney na Austrália entra em contato com Pasteur. Adrien Loir é enviado em missão. Demorará muitos meses para chegar à Austrália e ficará lá por 5 anos. Funda em Road Island, perto de Sidney, o primeiro Instituto Pasteur além-mar. Regularmente, Loir informava ao tio sobre seus trabalhos e prosseguia, sob a orientação dele, nas pesquisas sobre a transmissão do carbúnculo e sobre a peripneumonia do gado (Debré, 1995, p. 527-528). Loir auxiliou bastante, desde o laboratório na Rua Ulm (antes do Instituto Pasteur), especialmente devido ao comprometimento de movimentos de Pasteur a partir do AVC aos 45 anos. Pasteur dá diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao jovem: aprender a soprar vidro, assimilar as bases da cristalografia, faça curso de caligrafia e também direcionou sua formação em Medicina (Debré, 1995, p. 380-381). Loir escreveu a obra "A l'ombre de Pasteur: souvenirs personnels" (Na sombra de Pasteur: memórias pessoais) pela editora Le Mouvement Sanitaire,1938. Adrien Loir desempenhou um papel importante ao lado de Pasteur, ele mesmo, como seu assistente pessoal e, em seguida, como um agente para a difusão da ciência pasteuriana em todo o mundo. No entanto, Loir permaneceu nas sombras. "Algo aconteceu em sua vida: quando ele havia sido mais ou menos casado por sua família com uma filha de um amigo da família, ele se divorciou dessa mulher e saiu com a babá das crianças, depois se casou novamente com essa outra mulher. E isso foi extremamente desaprovado. Na época, ele foi rejeitado pelos pasteurianos, por sua família, etc. Foi por isso que ele foi completamente esquecido" [Maxime Schwartz, em trecho traduzido livremente da obra Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, acadêmico e globetrotter (1862-1941) , publicado por Odile Jacob, em março de 2020]. Ref. https://data.bnf.fr/en/13012138/adrien_loir/ Mais informações: https://en.odilejacob.fr/catalogue/documents/biographies-memoirs/pasteurs-nephew_9782738151353.php Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/research-journal/news/pasteur-s-nephew-adventurous-life-adrien-loir-scholar-and-globe-trotter Mais informações: https://www.franceculture.fr/emissions/le-cours-de-lhistoire/un-destin-pour-le-soin-quatre-figures-de-lhistoire-du-soin-et-de-la-medecine-14-adrien-loir-etre-le Mais informações: https://atlantico.fr/article/decryptage/adrien-loir--une-vie-a-l-ombre-de-louis-pasteur-histoire-science-decouverte-medecine-biologie-virus-epidemie-cholera-rage-annick-perrot-maxime-schwartz Célie Laurent (Célie Zévort) 1820-1859 Célie, a irmã mais velha de Marie Pasteur, era francesa e casou-se com Charles Zévort. Charles Zévort 1816-1887 Agrégé em filosofia (1840). Doutor em Letras (1884). Inspetor Geral da Instrução Pública do Ensino Superior (nomeado em 1879). Professor de latim. Traduziu várias obras gregas, inclusive Metafísica de Aristóteles (2 vol., 1840-1841), A Vida de Filósofos da Antiguidade, de Diógenes Laërce (2 vols., 1848). Era francês, casado com a irmã mais velha de Marie, Célie Laurent. Tiveram Edgar Zévort como filho. Ref. https://data.bnf.fr/en/12436431/charles_zevort/ Edgar Zévort 1842-1908 Professor do ensino médio e historiador francês. Doutor em Letras (1880). Reitor da Académie de Caen (nomeado em 1884). Ref. https://data.bnf.fr/en/12569035/edgar_zevort/ Próximo Grupo
- Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Doenças do Bicho-da-Seda Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1865, a pedido de Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967b, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos. Émile Duclaux 1840-1904 Politécnico e normalista francês. Doutor em ciências físicas (Paris, 1865). Professor de Química na Faculdade de Ciências de Lyon; de física e meteorologia, no Instituto Agronômico de Paris, depois no Instituto Pasteur, diretor do Instituto Pasteur (1895-1904). Membro da Academia de Ciências (1888). Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos. Resumidamente, Duclaux iniciou uma carreira clássica como físico e químico. Depois de conhecer Louis Pasteur, ele foi rapidamente atraído pela nova ciência do "infinitamente pequeno", conhecida por volta de 1880 como microbiologia. Próximo de seu mestre, mas de espírito independente, participou ativamente da realização em 1888 do ousado projeto do Instituto Pasteur. Apreciado professor, escritor mediador e historiador da ciência, fervoroso patriota, goza então de uma autoridade que lhe permite falar publicamente: o cientista, torna-se cidadão, reivindica o estatuto de intelectual. Lutando por justiça, junto à Liga dos Direitos Humanos, a favor da revisão do julgamento de Dreyfus, ele afirma sua preocupação pela democratização do conhecimento por meio do apoio às universidades populares. De modo mais detalhado, Duclaux em 1857, ao completar sua educação clássica no colégio local, deixou Aurillac e foi para Paris para frequentar o curso especial de matemática no Lycée St. Louis. Dois anos depois, ele foi aceito na École Polytechnique e na École Normale Supérieure; ele escolheu o último. Em 1862 ele se tornou agrégé nas ciências físicas e foi então contratado por Pasteur como seu assistente de laboratório ( agrégé-préparateur)na escola. Foi durante esse período que as discussões sobre a possibilidade ou impossibilidade da geração espontânea estavam mais vivas. Pasteur afirmou que as criaturas microscópicas responsáveis pela fermentação vieram de pais semelhantes a eles. Nicolas Joly, Pouchet e Musset afirmaram que, ao contrário, essas criaturas nasceram espontaneamente em fluidos orgânicos. De vez em quando, Dumas e Balard, membros da comissão nomeada pela Académic des Sciences para resolver a questão, iam à École Normale. Duclaux, que já havia participado das experiências de seu mentor, passou a participar dos debates. A impressão que causaram nele mostrou-lhe seu verdadeiro curso de vida. Dissociado do laboratório de Pasteur, um agrégé-préparateur enfrentava um futuro incerto. Depois de defender sua tese de doutorado em ciências físicas em 1865, Duclaux decidiu deixar Paris. Ele se tornou professor primeiro no liceuem Tours, depois na Faculdade de Ciências de Clermont-Ferrand, cidade em que se juntou a ele sua mãe, viúva desde 1860. Ele pôde renovar sua colaboração com Pasteur, primeiro em Pont-Gisquet, Gard, onde o mestre estava desenvolvendo seu trabalho sobre doenças do bicho-da-seda, e um pouco mais tarde em Clermont-Ferrand. Os experimentos - de fermentação - começaram em um laboratório improvisado montado por Duclaux e foram repetidos em uma escala muito maior na cervejaria Kuhn em Chamalières, que fica entre Clermont-Ferrand e Royat. É bem sabido que esses experimentos foram solicitados a fim de reanimar a indústria cervejeira. Novas funções profissionais trouxeram Duclaux para Lyon em 1873 e finalmente para Paris em 1878. Em Paris, ele ganhou um concurso para a cátedra de meteorologia no Institut Agronomique, e também foi professor de química biológica na Sorbonne. Ele imediatamente aproveitou a oportunidade para ministrar um curso de microbiologia, o primeiro desse tipo em qualquer lugar. Sua jovem esposa, a ex-Mathilde Briot, sucumbiu repentinamente à febre puerperal após o nascimento de seu segundo filho. Para esquecer sua dor, Duclaux se dedicou ao trabalho com ainda mais energia. Ele ensinou, experimentou e escreveu; e ele acompanhou, dia após dia, a extraordinária série de realizações de Pasteur. Isso incluiu o desenvolvimento de vacinas contra a cólera aviária, o antraz, a peste suína e, em 1885, contra a raiva. Em 1888, o Instituto Pasteur foi fundado em Paris, na rue Dutot. Duclaux, que entretanto havia se tornado professor titular da Sorbonne, transferiu suas atividades de ensino para o Instituto Pasteur. Um pouco antes, por meio de seus esforços, um novo jornal mensal, o Annales de l'Institut Pasteur, foi criado para publicar pesquisas em microbiologia. A partir desse período, pode-se dizer que a vida de Duclaux foi quase inseparável da do Instituto Pasteur. Com a morte de Pasteur em 1895, ele assumiu sua direção e em poucos anos a transformou em uma espécie de “cooperativa científica”, na qual cada cientista, ao mesmo tempo que preservava a independência de suas próprias ideias, trabalhava em direção a um objetivo comum . Aos edifícios originais foram acrescentados, no início do século, o Institut de Chimie Biologique e um hospital. Duclaux tornou-se membro da Académie des Sciences em 1888, da Société Nationale d'Agriculture em 1890 e da Académie de Médecine em 1894. Em 1901 casou-se com a sra. James Darmesteter (a ex-Mary Robinson), uma mulher notável por sua inteligência e cordialidade. Ele finalmente encontrou a felicidade familiar novamente, mas essa felicidade não durou. Em janeiro de 1902, ele sofreu seu primeiro derrame. Mal recuperado, ele começou a escrever novamente para os Annales na primavera de 1903 recomeçou suas palestras. Mas isso era muito para exigir de um corpo sobrecarregado. Na noite de 2 de maio de 1904, Duclaux perdeu repentinamente a consciência e morreu durante a noite. Seu lugar como diretor do Instituto Pasteur foi assumido por um de seus alunos de Clermont-Ferrand, Émile Roux. Este último ficou conhecido por sua pesquisa com Pasteur, sua descoberta do bacilo da difteria e seu desenvolvimento de uma antitoxina diftérica específica. O trabalho científico de Duclaux é ao mesmo tempo o de um físico e o de um químico. Como físico, ele estudou os fenômenos da osmose, da adesão molecular e da tensão superficial. Como químico, ele se concentrou especialmente nos processos de fermentação. Nessa área, ele estava até certo ponto acompanhando o trabalho de Pasteur. Com o passar dos anos, ele foi levado a aceitar enzimas (então chamadas de diástases) um papel cada vez mais importante nos fenômenos da vida. Ele dedicou uma longa série de investigações aos respectivos papéis desempenhados no trato intestinal de homens e animais por enzimas emitidas por glândulas e por aquelas liberadas por micróbios. Ele reconheceu que os micróbios não tinham papel na digestão gástrica e pancreática, que envolve apenas sucos liberados dos tecidos. A digestão microbiana não começa até o intestino, mas rapidamente se torna importante. Em área afim, Duclaux percebeu que os micróbios são indispensáveis na formação dos nutrientes das plantas no solo. Sem micróbios, a terra é infértil, porque as enzimas nas células vegetais não podem deixar as células e, portanto, não podem agir fora da planta. O leite forneceu a Duclaux um material ideal para o estudo de enzimas. Numa primeira fase, através de um grande número de análises, conseguiu desenvolver métodos que permitissem determinar as proporções dos seus constituintes. Na segunda etapa, ele estudou as enzimas capazes de modificar os constituintes. A grande importância das enzimas foi demonstrada na transformação do leite em queijo. Nesse caso, entretanto, os agentes ativos são de origem externa. Na verdade, um queijo é o resultado da cooperação microbiana: “Cada um dos trabalhadores microscópicos deve agir por sua vez e parar no momento certo. Tal oficina é difícil de dirigir, e pode-se dizer que foi necessária a experiência de séculos para obter produtos cujo sabor e aparência sejam sempre os mesmos ”(Émile Roux, em Annales de l'Institut Pasteur, 18 [1904], 337). Duclaux estudou vários tipos de queijos, mas sem dúvida com particular gosto o queijo do Cantal, uma das riquezas da sua região natal. O professor Duclaux não foi menos notável do que o pesquisador Duclaux. Seu aluno Roux, relembrando seus dias como estudante de medicina em Clermont-Ferrand, escreveu: “Duclaux apresentou um assunto com tanta clareza que todos entenderam. Suas palavras foram as de um cientista queimando com o 'fogo sagrado'. Pôs-se a pensar, a tal ponto que, ao terminar o curso, parecia ainda estar lá ”(ibid .). Além de seus trabalhos de pesquisa, Duclaux escreveu muitas obras didáticas; e as resenhas críticas que publicou nos Annales permanecem modelos. Diz-se deles que exibem “a lógica do cientista e o estilo do poeta ... Ele poderia extrair de um livro de memórias ... consequências possíveis das quais o próprio autor nem sempre suspeitou. Quantas ideias ele explorou; que novas percepções ele generosamente concedeu. Duclaux semeou o vento forte ...” (Émile Roux, em Bulletin de l'Institut Pasteur , 2 [1904], 369). Duclaux era cativante, cheio de inteligência e entusiasmo. Ele também era um homem justo com uma alma apaixonada. Ele sonhava com uma fraternidade universal sob a bandeira da ciência - "a pátria comum", como costumava dizer, "onde se pudesse ter paixões sem ódio". Mas ele não estava alheio ao que estava acontecendo fora de seu laboratório. Em várias ocasiões, sua devoção à verdade o levou a entrar em conflitos políticos. Em particular, ele teve um papel muito ativo na campanha que finalmente forçou a reintegração do capitão Dreyfus. Em 1865, Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (D ebré, 1995, p. 209). "Nesta fase de sua pesquisa", ressalta Duclaux, ele não tinha o direito de manter o silêncio olímpico com o qual gostava de se cercar até o dia em que seu trabalho parecesse maduro para a publicação. Em circunstâncias normais, ele não diria uma palavra sobre ela, mesmo no laboratório, onde os assistentes só viam o exterior e o esqueleto de seus experimentos, sem nada de vida para animá-los. Aqui, por outro lado, ele tinha a obrigação de falar e estimular o julgamento do público, tão logo encontrava algo, tanto sobre a prática industrial quanto em suas descobertas de laboratório (Dubos, 1967b, p. 185-186). Ref. https://data.bnf.fr/en/12514448/emile_duclaux/ Ref. https://www.franceculture.fr/oeuvre/emile-duclaux-de-pasteur-dreyfus Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/duclaux-emile Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/emile-duclaux-apotre Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Jean-Henri Casimir Fabre 1823-1915 Entomologista francês. Divulgador da ciência e autor de livros didáticos. Fabre era filho de Antoine Fabre, um homme de chicane (uma espécie de oficial da lei), e de Victorie Salgues. Iniciou os estudos no colégio paroquial de sua aldeia natal, depois os continuou, a partir de 1833, no colégio de Rodez. Bolsista na École Normale Primaries de Avignon, ele obteve seu brevet supérieur em 1842 e foi nomeado professor no liceu de Carpentras no mesmo ano. Em Montpellier, ele se preparou para o bacharelado, no qual ele foi aprovado, e então ganhou uma licença dupla em ciências em matemática e física. Em seguida, foi para o liceu de Ajaccio, na Córsega, como professor de física, permanecendo lá até dezembro de 1851. Depois disso, ele lecionou no liceu de Avignon (1853), depois recebeu a licença em história natural em Toulouse, e finalmente defendeu sua tese para o doctorat ès sciences naturelles em Paris em 1854. A partir de então, Fabre se dedicou quase exclusivamente à pesquisa sobre a biologia e o comportamento dos insetos que o tornariam uma das grandes figuras da entomologia. Em 1855, Fabre publicou seu primeiro trabalho sobre um vespídeo himenóptero (Cerceris) que paralisa sua presa (besouros). Sua segunda memória (1857) tratou da hipermetamorfose dos Meloidae (coleópteros). Em 1856, Fabre recebeu o Prix Montyon (de fisiologia experimental) do Institut de France, e em 1859 Charles Darwin o citou em sua Origem das Espécies , um incentivo valioso para um jovem professor mal pago. Na tentativa de melhorar sua situação financeira, Fabre empreendeu uma pesquisa sobre o princípio de coloração da garança (alizarina), que conseguiu isolar em 1866. Essa descoberta resultou em sua conquista da Legião de Honra e foi recebido em Paris por Napoleão III . Mas em seu retorno a Avignon, Fabre soube que o alizarin acabara de ser obtido de alcatrões de carvão e que seu processo fora substituído. Passou a escrever livros didáticos e ministrou um curso gratuito de ciências, ao mesmo tempo em que fez amizade com o filósofo John Stuart Mill , que então morava em Avignon. Vítima de vários ciúmes e vexames, Fabre deixou aquela cidade em novembro de 1870 e mudou-se para Orange, e depois em 1879 para Sérignan. onde dedicou todo o seu tempo a observações sobre a vida e hábitos dos insetos. Em 11 de julho de 1887 foi eleito membro correspondente da Académie des Sciences, e seu jubileu foi celebrado em 3 de abril de 1910. O primeiro casamento de Fabre foi com Marie Villard (30 de outubro de 1844); eles tiveram muitos filhos, incluindo três filhos e uma filha. Viúvo pouco depois de se mudar para Sérignan, voltou a casar e teve um filho e duas filhas com a segunda mulher. Uma de suas filhas casou-se com o médico GV Legros, que foi seu primeiro biógrafo. O trabalho científico de Fabre inclui os dez volumes Souvenirs entomologiques (1879–1907), que apresenta um número considerável de observações originais sobre o comportamento de insetos (e também de aracnídeos); estes foram precedidos por várias memórias publicadas como livros ou artigos de periódicos (1855-1879). É este último grupo de publicações que contém as principais descobertas de Fabre: hipermetamorfose dos Meloidae; a relação entre o sexo do ovo e as dimensões da célula entre as abelhas solitárias; os hábitos dos besouros de esterco; e o instinto paralisante das vespas solitárias Cerceris, Sphex, Tachytes, Ammophila e Scolia. Essas últimas pesquisas, que colocaram o problema do instinto e sua aquisição pelos insetos, foram muito discutidas e objeto de vivas críticas de E. Rabaud. Trabalhos recentes, como os de A. Steiner (1962) sobre a vespa Liris nigra , que ataca grilos, confirmam as observações de Fabre e mostram que a presa é um tabuleiro de damas de zonas estimulantes, cada uma das quais provoca uma resposta precisa e praticamente inalterável de o predador. Embora suas obras fossem admiradas por Darwin, Fabre se opôs durante toda a vida à evolução, permanecendo convencido da fixidez das espécies. Para ele, cada espécie animal foi criada como a vemos hoje, com o mesmo equipamento instintivo (ao passo que a explicação moderna do instinto se baseia na noção de seleção natural ). Fabre teve o grande mérito de demonstrar a importância do instinto entre os insetos, enquanto alguns de seus predecessores (JCW Illiger, Jean Th. Lacordaire) supunham que os insetos são dotados “de faculdades de raciocínio ou invenção comparáveis às dos animais superiores, e de homem ”(J. Rostand,“ Jean-Henri Fabre, ”p. 157). Responsável por descobertas significativas sobre a vida e os hábitos dos insetos, Fabre permanece especialmente importante na história da ciência por causa da popularidade de suas Souvenirs entomologiques; sua leitura levou mais de uma pessoa a se tornar naturalista. Além disso, para ganhar a vida, Fabre, entre 1862 e 1901, escreveu cerca de quarenta obras de divulgação científica, voltadas principalmente para os jovens e que vão da matemática e da física à história natural. Ele também compôs poemas em francês e em provençal; o último resultou em seu nome de felibre di Tavan. Fabre continua sendo o modelo do cientista autodidata - solitário, pobre, orgulhoso e independente. Foi também um observador atento e minucioso e um escritor de talento inquestionável. Pasteur tem contato com este entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902115/jean-henri_fabre/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/jean-henri-fabre Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Físico francês. Foi professor da Normale Supérieure de Sèvres (1882-1902). Membro da Academia de Ciências (1906). Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480243/desire_gernez/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/keyword/8790/gernez-desire Mais informações: https://www.persee.fr/authority/445678 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Eugène Maillot 1841-1889 Biólogo francês. Especialista em sericicultura. Diretor da estação de sericicultura da escola agrícola de Montpellier. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/10363116/eugene_maillot/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/maillot,%20eug%C3%A8ne/page/1 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Jules Raulin 1836-1896 Doutor em Ciências (Paris, 1870) francês. Estudou as doenças do bicho-da-seda em colaboração com Louis Pasteur. Professor de química industrial na Faculdade de Ciências de Lyon, criador da Escola de Química de Lyon. Raulin foi aluno de Pasteur na École Normale Supérieure. onde começou a estudar a nutrição mineral das plantas. Ele continuou seu trabalho nos liceus de Brest e Caen, depois voltou para a École Normale Superieure como diretor assistente do laboratório de Pasteur. Pasteur havia cultivado fermento em um meio contendo sacarose, tartarato de amônio e cinzas de fermento, que supriam todas as necessidades minerais da planta em crescimento. Raulin, portanto, decidiu nutrir uma planta experimentalmente com uma mistura cuidadosamente controlada de minerais específicos. Ele escolheu trabalhar com o fungo Sterigmatocystis nigra (ou Aspergillus niger ), que se alimenta de sacarose. Tendo verificado o ambiente ideal para seu crescimento - um grande prato contendo. 3 centímetros de água a 35 ° C, adequadamente arejada, em uma sala mantida a 70 por cento de umidade - ele se propôs a estabelecer empiricamente a combinação de nutrientes minerais que produziria o melhor rendimento, medido em peso seco, em um determinado período de tempo. Após uma série de tentativas, Raulin determinou que a mistura mais eficiente de nutrientes era 1.500 gramas de água, 70 gramas de sacarose, 4 gramas de ácido tartárico, 4 gramas de nitrato de amônio, 0,6 grama de fosfato de amônio, 0,6 grama de carbonato de potássio, 0,4 grama de carbonato de magnésio, 0,25 grama de sulfato de amônio, 0,07 grama de sulfato de zinco, 0,07 grama de sulfato ferroso e 0,07 grama de silicato de potássio. Essa mistura agora é chamada de meio de Raulin ou fluido de Raulin. O principal valor do experimento de Raulin residia em seu estabelecimento, por métodos de tentativa e erro, da importância de cada um dos nutrientes em sua mistura, especialmente os minerais. Por exemplo, ele eliminou o potássio da mistura, e o peso da produção caiu de 24,4 gramas para 0,92 gramas; ele foi, portanto, capaz de demonstrar que a presença de potássio no meio resultou em um rendimento de 26,6 vezes maior em peso - ou. em outros termos, que a utilidade específica do potássio era de 87, já que 0,271 grama de potássio aumentava o rendimento em 23,48 gramas. Raulin estudou cada elemento da mesma maneira e descobriu que o nitrogênio produzia 153 vezes o rendimento, fósforo 182, magnésio 91, enxofre II, ferro aproximadamente 2 e zinco aproximadamente 2,4. Ao adicionar alguns miligramas de ferro e zinco ao meio, Raulin introduziu o problema dos oligoelementos. A pureza dos produtos químicos que ele usava era, na melhor das hipóteses, duvidosa, e não havia como ele analisar quanto ferro ou zinco poderia estar contido nos quatro gramas de nitrato de amônio ou ácido tartárico que ele adicionou ao meio. Mesmo assim, ele foi capaz de isolar o zinco como um oligoelemento; seu papel na nutrição das plantas não havia sido reconhecido anteriormente. Raulin publicou os resultados de seus experimentos como “Etudes chimiques sur la vegetation”, pelo qual recebeu o doutorado em ciências. O próprio Pasteur estava entusiasmado com o trabalho de Raulin e, em 1868, escreveu-lhe que suas pesquisas abriram horizontes completamente novos na pesquisa de plantas. Em 1876, Raulin foi nomeado professor de química na Faculte des Sciences de Lyon, da qual mais tarde se tornou reitor. Ele também fundou uma escola de química industrial, fez uma série de mapas agronômicos e publicou um grande número de trabalhos sobre uma variedade de assuntos, dos quais a maior parte diz respeito à produção de seda. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480837/jules_raulin/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/raulin,%20jules/page/1 Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/raulin-jules Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Marie Pasteur 1826-1910 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Laurent. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura (Dumas) em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos” (Debré, 1995, p. 234). Marie-Louise Pasteur 1858-1934 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967b, p. 188). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Pierre-Jacques-Antoine Béchamp 1816-1908 Médico, químico e farmacêutico francês. Agrégé de farmácia (1851), doutor em ciências (Estrasburgo, 1853) e doutor em medicina (Stasbourg, 1856) francês. Professor nas universidades de Estrasburgo, Montpellier e Lille. Correspondente da Academia de Medicina. Béchamp, filho de um moleiro, deixou a França muito jovem para viver em Bucareste, onde estudou farmácia, provavelmente no St. Sava College. No final da adolescência mudou-se para Estrasburgo, onde foi aprendiz em uma farmácia e obteve o título de farmacêutico em 1843. Ele rapidamente abandonou a farmácia para retomar seus estudos. No início de 1851, ele foi nomeado professeur agrégé por um júri incluindo Louis Pasteur, Béchamp lecionou na Faculdade de Ciências de Estrasburgo (1853-1854), onde sucedeu a Pasteur, e depois na Escola de Farmácia de Estrasburgo (1854-1856), em Em 1853 obteve o doutoramento em ciências físicas e em 1856 obteve o doutoramento em medicina com uma importante tese sobre substâncias albuminoides. De 1856 a 1876, Béchamp ensinou química médica na Faculdade de Medicina de Montpellier. Ele renunciou ao cargo para se tornar reitor da Faculdade de Medicina Livre (Católica) de Lille. Ele se aposentou do último cargo em 1886, em meio a uma controvérsia amarga. Com seu filho. Béchamp retomou o comércio farmacêutico em Le Havre. A morte acidental de seu filho levou Béchamp a se mudar para Paris, onde a generosa hospitalidade de Charles Friedel lhe proporcionou um pequeno laboratório. Lá, ele realizou experiências até 1899. Béchamp fez descobertas em vários campos. Sua tese de doutorado de 1856 resultou em um volumoso tratado (1884). Por meio de um uso hábil e sistemático da atividade óptica de substâncias albuminóides, Béchamp foi capaz de distinguir um grande número de compostos complexos que seus predecessores, contando com métodos analíticos mais padronizados, não conseguiram descobrir. Ele também desenvolveu um processo industrial barato para produzir anilina (1852) e, assim, contribuiu muito para o surgimento da indústria de corantes sintéticos. Por este trabalho em particular, a Société Industrielle de Mulhouse concedeu a Béchamp o Prêmio Daniel Dollfus (1864) juntamente com WH Perkin AW von Hofmann e E. Verguin. Ele também identificou a natureza parasitária de duas doenças do bicho-da-seda e, nesse contexto, antecipou os resultados de Pasteur. Os dois se tornaram rivais amargos nesse assunto. A teoria da vida de Béchamp constituiu o principal impulso de sua atividade, no entanto, e também gerou uma sequência interminável de disputas, com Pasteur em particular. Ele não aceitava a geração espontânea nem a teoria parasitária da doença e da fermentação. Ele alegou, em vez disso, que toda a vida era derivada de pequenas “granulações moleculares” subcelulares, caso contrário, como micozimas. Béchamp, erroneamente, gostava de comparar seu projeto com o de Lavoisier e, de fato, as microzimas desempenharam um papel análogo aos elementos químicos. Eles diferiam dos elementos, no entanto, por serem considerados os fundamentos finais das estruturas vivas, enquanto para Lavoisier os elementos existiam apenas como construções experimentais. Quando os organismos vivos morrem, argumentou Béchamp, eles voltam a substâncias químicas inertes e microzimas, sendo estas últimas essencialmente eternas. Os microzyams também atuam como o princípio organizador dos seres vivos. A forma como a organização procede, entretanto, depende tanto das substâncias químicas realmente presentes e das circunstâncias quanto da natureza das microzimas. Em outras palavras, os microzimas não têm especificidade de ação, como os micróbios na teoria de Pasteur; pelo contrário, são bastante polivalentes. A força da teoria de Béchamp repousava em sua capacidade de usar um único princípio para explicar uma ampla gama de fenômenos; com isso, ele poderia explicar resultados tão contraditórios como os aduzidos por Pasteur e Pouchet no curso de sua famosa controvérsia sobre a geração espontânea. Mas essa também era a fraqueza da teoria de Béchamp: ela explicava muito sem se prestar a testes experimentais. Sua base empírica assentou em duas afirmações gerais: o microscópio revela granulações moleculares; e sempre que (e aparentemente apenas quando) aparecem granulações moleculares. processos de vida ocorrem. É claro que a alegação de ter descoberto o local básico e material da vida, formulada em termos científicos e apoiada pelo método científico, teve importância direta para debates extra-científicos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que a teoria de Béchamp foi mantida ou atacada por católicos, evolucionistas e materialistas. Mas estar no centro de muitas questões controversas nem sempre é a melhor maneira de buscar uma carreira de sucesso, especialmente se estiver confinado a cargos de ensino provinciais; e Béchamp terminou sua vida em isolamento quase completo. Ele morreu ignorado pela maioria e elogiado como um mártir científico por alguns. Nesta mesma época em que Pasteur, Béchamp também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária (Brunet, 2017, p. 147-148). Enquanto Pasteur começava a estudar doenças do bicho-da-seda, Béchamp repetidamente afirmava que a pebrina era causada por um parasita, uma teoria que Pasteur refutou completamente no início. Mais tarde, Béchamp cairia no descrédito ao promover uma teoria obscura das "microzimas", tipos de corpúsculos elementares cujo aglomerado teria constituído organismos vivos e que seriam a causa de todas as doenças. No final da vida, em 1904, Béchamp publicou um panfleto anti-Pasteur, onde se lia em particular: “O plagiador mais descarado do século XIX e de todos os séculos: é Pasteur” (Perrot; Schwartz, 2017, p. 174). Existe uma obra chamada "Pasteur ou Béchamp" do início do séc. XX que usa a rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. De qualquer forma, diz-se que Pasteur não deu os devidos créditos à obra de Béchamp. Ref. https://data.bnf.fr/en/12459796/antoine_bechamp/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/bechamp-pierre-jacques-antoine Jean-Baptiste Philibert Vaillant 1790-1872 Marechal francês. Ministro da Guerra (1854-1859). Ministro da Casa do Imperador (1860-1870). Participou das campanhas da Rússia (1812) e da Alemanha (1813) antes de participar da captura de Argel (1830). Ministro da Guerra de 1854 a 1859, foi nomeado em 1859 Comandante-em-Chefe do Exército da Itália. (Academia de Ciências, 1853). Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o Marechal Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). Ref. https://data.bnf.fr/en/13756998/jean-baptiste_philibert_vaillant/ Ref. https://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Jean-Baptiste_Philibert_Vaillant/148013 Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos” (Debré, 1995, p. 242). A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Eugénia de Montijo 1826-1920 *Ver a microbiografia de Eugénia de Montijo no grupo Políticos. A estada na propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Próximo Grupo
- Besançon | Pasteur Brasil
Besançon Após o retorno da breve passagem por Paris, Pasteur dará continuidade a seus estudos no Collège Royal de Besançon, dos 15 aos 17 anos. A cidade, próxima a Arbois, era conveniente para que o jovem pudesse manter contato com a família. Nesta urbe, Pasteur estuda Filosofia, Letras, Matemática e Ciências. O reservado jovem aproveita os momentos de lazer para realizar suas pinturas em pastel. Pasteur faz novos amigos, dentre os quais Jules Marcou (1824-1898), de quem faz um retrato. Este futuro geólogo participará da exploração científica das Montanhas Rochosas nos Estados Unidos, e lecionará em Harvard. Além de Charles Chappuis e Jules Vercel, Pasteur se tornará também grande amigo de Pierre-Augustin Bertin (1818-1884), sendo este um dos únicos companheiros capazes de divertir o introvertido Louis, se tornando companhia inseparável. Bertin estudará com Pasteur na École Normale Supérieure em Paris e se tornará professor de Física na Faculdade de Estrasburgo. Será quem receberá o cientista na cidade e o apresentará ao reitor da Universidade, o futuro sogro de Pasteur. Em Paris, também ajudará Louis na seleção dos estagiários para o laboratório na Rua Ulm. Pasteur se torna bachelier em Letras em Besançon em 1840, mas para ingressar na École Normale é preciso o baccalauréat em Ciências. Além da preparação para os exames, recebe a proposta de ser professor suplementar, inicialmente sem remuneração. O Sr. Répécaud, provedor deste Collège, fica atento a este aluno, que mesmo não sendo brilhante, sabia como aprender e demonstrava ter um cérebro ordenado e classificador. Louis aceitou o cargo, aos 18 anos. Enfrentou a displicência dos alunos, que não o levavam muito a sério, pela sua pouca idade. Gradativamente, conseguiu que o respeitassem, foi ganhando prática e com o tempo se tornou um dos professores mais queridos do Collège. Futuramente, receberá 300 francos anualmente por este trabalho, o que lhe permitirá pagar por si próprio os seus estudos. Nas ruas de Besançon, além das referências a Pasteur, observa-se também memórias da cidade natal de Victor Hugo (1802-1885), escritor francês eleito membro da Academia Francesa em 1841, na qual Pasteur também ingressará em 1881. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve “O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Jules Marcou, amigo de Louis Pasteur no Royal Collège em Besançon e depois na École Normale Supérieure em Paris. Tornou-se geólogo. Pastel realizado por Louis Pasteur em 1842. Jules Marcou torna-se geólogo. Participa da exploração científica das Montanhas Rochosas nos EUA. Ainda jovem, publicou o primeiro Mapa Geológico dos Estados Unidos (1853) e posteriormente o Mapa Geológico da Terra (1861 e 1875), que teve grande sucesso. Torna-se professor na Universidade de Harvard. Pasteur e Marcou correspondem-se até o final da vida. Pierre-Augustin Bertin, amigo desde o Collège Royal de Besançon, onde Pasteur vai estudar aos 17 anos, diplomando-se bacharel em Letras. Companheiro jovial e agradável. Bertin também estudou com Pasteur na École Normale. Torna-se professor de Física na Faculdade de Estrasbusgo. Recebe Pasteur em sua casa, em Estrasburgo em 22/01/1849. Apresenta-o ao reitor da Universidade, Aristide Laurent, que o convida a jantar em sua casa (Sr. Laurent se tornará sogro de Pasteur). Victor Hugo, escritor e membro da Academia Francesa (eleito em 1841). Há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo” (Ref. www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd). Continue lendo a biografia
- Arte | Pasteur Brasil
Arte Entre os 13 e 20 anos, Pasteur produziu cerca de 40 pinturas, sendo a maioria em pastel, sem benefícios financeiros. Desde criança sempre se deleitou desenhando: copiava as gravuras dos livros a carvão ou grafite. Retratou homens, mulheres e crianças: familiares, amigos, o prefeito de Arbois, o escrivão da corte de Arbois, uma freira, um professor da Faculdade de Medicina de Besançon, a costureira da família, um viticultor, dentre outros. Em Arbois, teve aulas de desenho com Étienne-Charles Pointurier (1809-1853) e em Besançon torna-se aluno de Charles-Antoine Flajoult (1774-1840), que havia sido professor de Gustave Coubert (1819-1877). O estilo deste último pintor, bem como de impressionistas como Manet, Monet, Sisley e Pissarro não agradavam L. Pasteur, que preferia a arte clássica de Thomas Couture, Jean-Jacques Henner e Paul Dubois, a quem o cientista conheceu pessoalmente. Ao ingressar na École Normale Supérieure, Louis dedicou-se definitivamente à ciência. No entanto, suas habilidades artísticas foram transpostas, por exemplo, para a compreensão da existência de moléculas idênticas, porém espelhadas no espaço (3D). Deste modo, Pasteur funda a Estereoquímica, o ramo científico que estuda os aspectos tridimensionais das moléculas. Moldes dos ácidos tartárico e paratartárico, construídos por Pasteur, podem ser vistos em exposições e museus ao redor do mundo. Quanto à avaliação das obras que Pasteur produziu, Albert Edelfelt (1854-1905), pintor finlandês de diversos quadros de L. Pasteur e sua família, disse em 1887: “Seus trabalhos são bons ao extremo, e feitos com energia, cheios de caráter, muito superiores ao trabalho habitual de jovens que se dedicam à carreira artística. Há algo de um grande analisador nestes retratos. Estou seguro que se Pasteur tivesse escolhido a arte em vez da ciência, a França contaria hoje com um de seus mais capazes pintores” (Dubos, 1967, p. 28). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/WS/HOME_MENU/node/173/slug/oeuvre-artistique-de-louis-pasteur/nobc/1/page/1 Continue lendo a biografia
- Início da Vacinação | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Início da Vacinação Chineses, Indianos, Persas, etc. Tempos remotos A prática da vacinação é antiquíssima. No século X os chineses realizaram inoculações que protegiam da varíola. Ao que parece, esta técnica vinha da Índia. A pústula foi usada como arma bacteriológica para arrasar, por exemplo, aldeias indígenas (Debré, 1995, p. 428-429). Diz-se que a inoculação contra a varíola foi praticada na China, Índia e Pérsia desde os tempos mais remotos (Dubos, 1967b, p. 274). Mary Wortlay Monatgu 1689-1762 Nobre inglesa. Escritora. Esposa do embaixador britânico na Turquia. Nascida em Londres, Lady Mary Pierrepont foi criada em grande estilo em casas pertencentes à sua família. Desde tenra idade, ela desejava receber uma educação melhor do que se julgava apropriado para as meninas de sua época e de sua classe social. Escrevendo mais tarde na vida, Lady Mary descreve uma visita à biblioteca de sua família para “roubar” sua educação, longe do olhar de uma governanta desprezada. Aos 16 anos, ela havia escrito dois volumes de poesia, um pequeno romance e aprendeu latim sozinha. Aos 23 anos, ela fugiu para se casar com Edward Wortley Montagu, e eles se mudaram para Londres. Uma socialite popular, ela logo seria encontrada em cada uma das cortes separadas e mutuamente hostis do Rei George I e do futuro George II. N essa época, seu único irmão morreu de varíola, aos 20 anos. Lady Mary também contraiu a doença, em 1715, mas se recuperou, contra as expectativas. Em 1716, seu marido foi nomeado embaixador no Império Otomano e eles se mudaram para Constantinopla (atual Istambul). Morando em Constantinopla, Lady Mary tinha acesso a haréns, ou seja, os aposentos das mulheres. Comparando as mulheres turcas com sua vida na Inglaterra, ela escreveu: “As moças turcas [sic] não cometam nenhum pecado a menos por não serem cristãs ... É muito fácil ver que elas têm mais liberdade do que nós ...”. Com sua própria família afetada pela varíola, Lady Mary ficou satisfeita ao descobrir que a vacinação contra a varíola era comum no Império Otomano. O método consistia em introduzir o vírus da varíola em uma pessoa não infectada, proporcionando imunidade contra a doença. Lady Mary fez com que o cirurgião da embaixada britânica inoculasse seu filho. De volta para casa em 1721, enquanto uma epidemia global de varíola estava matando pessoas da Grã-Bretanha a Boston, Massachusetts, ela o fez inocular sua filha (nascida na Turquia) e divulgou os benefícios da inoculação contra a hostilidade amarga, incluindo a violência física. Os oponentes do procedimento ridicularizavam-no como oriental, irreligioso e um modismo de mulheres ignorantes, de modo que a fama de Lady Mary por ele foi mesclada e de curta duração. Embora publicadas apenas depois de sua vida, suas Cartas da Embaixada continuam sendo uma fonte importante para os historiadores do período. Diz-se que em 1717, que lady Montagu, esposa do embaixador britânico na Turquia, introduziu a vacinação da varíola de Constantinopla até a Europa (Dubos, 1967b, p. 274). Lady Montagu lançou na corte inglesa a moda da vacina, que se propagou por todo o continente europeu (Debré, 1995, p. 429). Ref. https://www.nationaltrust.org.uk/features/who-was-lady-mary-wortley-montagu Edward Jenner 1749-1823 Médico cirurgião inglês. Introduziu a vacinação contra a varíola e, assim, lançou as bases dos conceitos modernos de Imunologia. Jenner nasceu em 17 de maio de 1749, na vila de Berkeley, em Gloucestershire. Aos 8, sua escola começou em Wooton-under-Edge e continuou em Cirencester. Aos 13, ele foi aprendiz de Daniel Ludlow, um cirurgião, em Sodbury. Em 1770, Jenner foi para Londres para estudar com o renomado cirurgião, anatomista e naturalista John Hunter, retornando à sua Berkeley natal em 1773. Jenner se interessou pela natureza quando criança, e esse interesse se expandiu sob a orientação de Hunter. Por exemplo, em 1771, o jovem médico organizou os espécimes zoológicos coletados durante a viagem de descoberta do capitão James Cook ao Pacífico. Seu trabalho minucioso o levou a ser recomendado para o cargo de naturalista na segunda viagem de Cook, mas ele declinou em favor de uma carreira médica. Jenner ajudou nos estudos zoológicos de Hunter de várias maneiras durante seus poucos anos em Londres e depois em Berkeley. Os métodos experimentais de Hunter, a insistência na observação exata e o encorajamento geral são refletidos neste trabalho de história natural, mas são especialmente aparentes na introdução da vacinação de Jenner. Nos países orientais, a prática de inoculação contra a varíola com matéria retirada de uma pústula de varíola era comum. Essa prática foi introduzida na Inglaterra no início do século XVIII. Embora tal inoculação ajudasse na prevenção da doença temida e generalizada, era perigosa. Havia uma história comum entre os fazendeiros de que se uma pessoa contraísse uma doença relativamente branda e inofensiva do gado chamada varíola bovina, resultaria em imunidade à varíola. Jenner ouviu essa história pela primeira vez enquanto era aprendiz de Ludlow e, quando foi para Londres, discutiu longamente com Hunter as possibilidades de tal imunidade. Hunter o encorajou a fazer mais observações e experimentos, e quando Jenner voltou a Berkeley, ele continuou suas observações por muitos anos até estar totalmente convencido de que a varíola bovina, de fato, conferia imunidade à varíola. Em 14 de maio de 1796, ele vacinou um menino com material de varíola bovina retirado de uma pústula na mão de uma leiteira que havia contraído a doença de uma vaca. O menino sofreu os sintomas leves usuais de varíola bovina e se recuperou rapidamente. Algumas semanas depois, o menino foi inoculado com varíola e não sofreu efeitos colaterais. Em junho de 1798 Jenner publicou Um inquérito sobre as causas e efeitos da Variolae Vaccinae, uma doença descoberta em alguns condados ocidentais da Inglaterra, particularmente em Gloucestershire, e conhecida pelo nome de varíola . Em 1799, outras observações sobre o Variolae Vaccinae ou Cowpox apareceram e, em 1800, A Continuação de Fatos e Observações Relativas ao Variolae Vaccinae, ou Cowpox. A recepção das idéias de Jenner foi um pouco lenta, mas o reconhecimento oficial veio do governo britânico em 1800. Pelo resto de sua vida, Jenner trabalhou de forma consistente para o estabelecimento da vacinação. Esses anos foram marcados apenas pela morte em 1815 de sua esposa, Catherine Kingscote Jenner, com quem ele se casou em 1788. Jenner morreu de hemorragia cerebral em Berkeley em 26 de janeiro de 1823. Ao empregar a palavra “vacinar” para designar a inoculação de germes com virulência atenuada, Pasteur mostra tudo o que deve a seus predecessores, Jenner em primeiro lugar, como ele reconhece em um discurso em Londres em 1881: “Dei à expressão vacinação uma extensão que a ciência, assim o espero, consagrará como uma homenagem aos méritos e imensos serviços prestados por um dos maiores homens da Inglaterra, Edward Jenner” (Debré, 1995, p. 428). "Para fazer mais manifesta a analogia entre seu descobrimento e o de Jenner, Pasteur elegeu para descrever o novo fenômeno o nome de vacinação" (Dubos, 1967b, p. 281). Ref. https://data.bnf.fr/en/12571626/edward_jenner/ Ref. https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/jenner-edward-1749-1823 Ernest Chambon 1836-1910 Médico francês. "Durante décadas após a descoberta de Jenner, poucos esforços foram feitos para usar o inoculante de varíola bovino retirado diretamente do gado, talvez porque a vacina de Jenner veio de feridas de varíola nos braços e mãos de leiteiras infectadas. Então, na Itália, por volta de 1840, Giuseppe Negri, de Nápoles, usou material bovino para vacinar pessoas. A nova abordagem foi relatada em congressos médicos, mas não foi seriamente considerada pela classe médica em geral até 1864, quando Gustave Lanoix e Ernest Chambon trouxeram um bezerro infectado com varíola bovina de Nápoles para Paris com o objetivo de estabelecer um serviço de vacinação. Em poucos anos, um de seus bezerros estava sendo usado na Academia de Medicina. A justaposição de médicos bem vestidos e arquitetura extravagante com uma novilha dócil tornou o evento digno de nota. Uma novilha poderia fornecer vírus suficiente para milhares de doses de vacina ao longo de algumas semanas, e um pequeno rebanho permitiria a vacinação sob demanda para qualquer cidade que enfrentasse uma epidemia. E os pacientes não corriam mais o risco de infecção simultânea com outras doenças humanas. Chambon se mudou para os Estados Unidos por um tempo, abrindo um escritório em 120 Fort Greene Place, no Brooklyn, na época a terceira cidade mais populosa do país, onde ganhou ainda mais publicidade. Graças à defesa de Chambon, do médico americano e especialista em varíola Henry Martin e outros, departamentos de saúde e empresários estabeleceram rapidamente “fazendas de vírus” nos Estados Unidos e Canadá nas últimas décadas do século XIX". "Emest Chambon, 'apóstolo e divulgador da vacina animal', como ele próprio se intitula, organiza em Paris, na rua Massillon, sua primeira unidade de vacinação. Ele se torna 'o homem da vaca' para os garotos da cidade que o vêem conduzir sua novilha aos hospitais, até o dia em que, para evitar esses deslocamentos, ele cria, na rua Ballue, o primeiro Instituto de Vacínia. Em 1868, um projeto de lei propõe generalizar o emprego da polpa de vacina glicerinada. Mas a lei não é adotada porque o processo não parece seguro. Portanto, continua dificil a obtenção de grande quantidade da vacina. Além do mais, o debate volta, na Academia de Medicina, quando alguns adeptos teóricos da vacinação, como Léon Le Fort, recusam-se a torná-la obrigatória na prática da medicina; eles afirmam que a separação dos portadores de varíola é mais eficaz... Na França, foi preciso esperar até 1902 para que o projeto de vacinação antivariólica obrigatória fosse aprovado e até 1907 para que fosse aplicado" (Debré, 1995, p. 432). "O divulgador da vacinação animal tem direito ao reconhecimento de todos” (Dr. Émile Roux). Ref. https://catalogue.bnf.fr/ark:/12148/cb320933947 Ref. https://bibliotheques-numeriques.defense.gouv.fr/document/655b1a75-12f0-4701-8a7d-d5290d56e03a Mais informações: http://www.calames.abes.fr/pub/#details?id=FileId-1247 Mais informações: https://www.sciencehistory.org/distillations/smallpox-and-the-long-road-to-eradication O pioneiro da vacinação contra a varíola, Ernest Chambon, extrai pus de lesões de varíola bovina enquanto os pacientes observam em seu escritório no Brooklyn, do Illustrated News de Frank Leslie , 6 de abril de 1872. Harvey Cushing / John Hay Whitney Medical Library, Yale University Joseph-Alexandre Auzias-Turenne 1812-1870 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1842). Chefe do trabalho anatômico da Escola Auxiliar de Medicina de Paris. "Como muitos outros que pregaram a teoria microscópica da doença antes de Pasteur e Koch, Auzias-Turenne permaneceu esquecido. No entanto, suas opiniões, que apresentara infatigavelmente em muitos artigos e conferências, impressionaram tanto seus contemporâneos que as reimprimiram depois de sua morte em forma de um grande livro chamado La Syphilisation. Auzias-Turenne aconselhava a imunização da juventude de todo o mundo contra a sífilis, mediante a inoculação com material do cancro mole, que ele considerava uma forma atenuada da doença. Segundo ele, o cancro mole tinha a mesma relação com a sífilis que a varíola bovina com a varíola. Era com essa mensagem que ele esperava alcançar a imortalidade, mas também tinha muito a dizer sobre outras doenças infecciosas como antraz, cólera, varíola, raiva e pleuropneumonia do gado. Suas declarações ilustram o argumento defendido por alguns médicos antes de Pasteur e Koch estabelecerem definitivamente que "vírus de doenças" eram microrganismos vivos" (Dubos, 1967b, p. 278). "The Syphilization foi publicado em 1878, e por meio de relações familiares, um exemplar caiu nas mãos do jovem Adrien L Loir, sobrinho de Pasteur, que imediatamente passou o livro para seu tio. De acordo com Loir, Pasteur estava muito interessado nos escritos de Auzias-Turenne. Ele guardava o livro em casa, numa gaveta especial de sua escrivaninha, e o lia com frequência, até mesmo copiando frases inteiras dele. É possível que Pasteur se estimulou em seus intentos de imunização em cachorros e seres humanos com as alegações de Auzias-Turenne sobre imunização terapêutica na pleuro pneumonia de bovinos" (Dubos, 1967b, p. 179-280). Em suas memórias, 50 anos depois, o sobrinho de Pasteur e assistente de laboratório, Adrien Loir, escreveu que Pasteur derivou muitas de suas ideias médicas durante esse tempo diretamente dos escritos científicos de Joseph-Alexandre Auzias-Turenne, um fisiologista francês que morreu em 1870. As obras coletadas de Auzias, intituladas La Syphilization, foram publicadas em 1878, e uma cópia foi dada a Pasteur por Loir. Em suas próprias memórias, Loir afirmou que a aquisição fortuita de La Syphilization de Auzias por Pasteur neste momento chave foi um fator decisivo em seu subsequente desenvolvimento bem-sucedido de uma vacina contra a raiva. "Depois de um jantar na casa do senhor Andecy, falei a Pasteur sobre o doutor Auzias-Turenne, de quem meu hospedeiro havia sido executor testamentário, e mandara publicar sua obra. Entreguei-lhe o grosso volume da parte do senhor Andecy. Depois de haver percorrido a obra com os olhos, o mestre me pede que solicite ao senhor Andecy para vir visitá-lo. Eles ficaram mais de duas horas conversando a sós. Pasteur manteve o livro sempre por perto, sobre sua mesa; lia-o constantemente, e isso durante muitos anos. Muitas ideias lhe foram sugeridas por essa leitura. Copiava muitas frases dessa obra. Mas nunca falava sobre esse livro, La Syphilisation, pois teriam-no ridicularizado" (Debré, 1995, p. 433). Ref. https://data.bnf.fr/fr/10932710/alexandre_auzias-turenne/ Mais informações: https://muse.jhu.edu/article/401201 Jean-Joseph-Henri-Toussaint 1847-1890 Médico e veterinário francês. Escola Nacional de Veterinária de Lyon. Cavaleiro da Legião de Honra (1889). Henri-Toussaint foi um veterinário francês nascido em Rouvres-la-Chétive, departamento de Vosges. Em 1869, ele recebeu seu diploma da escola de medicina veterinária de Lyon. Em 1876 foi nomeado professor de anatomia, fisiologia e zoologia na escola veterinária de Toulouse. Henri-Toussaint desenvolveu um método de vacinação contra o antraz, no qual enfraquecia o patógeno pelo antisséptico fenol. Esta foi a primeira vez que os patógenos foram enfraquecidos ou mortos por um produto químico para uma vacina. Toussaint é lembrado pelas contribuições feitas no campo da bacteriologia. A partir de sua pesquisa, ele conduziu investigações importantes sobre cólera, sepse e tuberculose nas galinhas. "Toussaint fica mais do que atento aos trabalhos de Pasteur: sonha em ultrapassar o outro, mais velho. É incentivado por Henry Bouley, que o encarrega, em 1878, de uma missão a respeito do carbúnculo. Nesse ano, de 26 de agosto a 22 de setembro, Toussaint fica em Beauce, não muito longe de Pasteur e de seus alunos. As duas equipes são concorrentes, mas não se ignoram. Além do mais, sempre confiante em si mesmo, Pasteur não hesita em comunicar a seu jovem colega algumas conclusões resultantes da necropsia de vacas que morreram com o mal negro. Ao voltar da missão, Toussaint publica um relatório, logo depois da publicação da equipe da rua Ulm, que só faz confirmar as hipóteses do mestre. Depois desse primeiro contato com os trabalhos de Pasteur, Toussaint prossegue com suas pesquisas sobre o carbúnculo e, em particular, continua na busca de uma vacina para essa doença. Em 12 de julho de 1880, ele entrega à Academia de Medicina e à Academia de Ciências um envelope lacrado e anuncia que aperfeiçoou um método que permite vacinar contra o carbúnculo. Foi um deus-nos-acuda: revoltam-se — Colin, em primeiro lugar – como a um jovem galanteador se permita uma atitude que acabam de condenar em Pasteur! Publicar um resultado sem divulgar o processo! É inadmissível... A Academia não é um móvel com gavetas secretas onde se podem depositar cartas lacradas. Toussaint é, então, obrigado a se dobrar e a revelar seu procedimento . Logo se verifica que o jovem veterinário se apressou demais em cantar vitória: Pasteur e sua equipe percebem que o calor não mata as bactérias do carbúnculo, só as atenua. Não é preciso muito para que recuperem a virulência. A mesma coisa acontece com ácido fênico que Toussaint preconiza então. A vacina volta a ser patogênica em alguns dias. Se atenuada em Toulouse, a preparação do carbúnculo não protege mais em Maison-Alfort; o tempo da viagem devolve a força às bactérias. Aumentar a temperatura não resolve nada, a bactéria não age mais como vacina. Pasteur fica furioso por se ter incomodado em invalidar uma má experiência: 'Não, sobretudo com assuntos dessa ordem, quando não se está seguro de si, não se agita a tal ponto o mundo científico, ainda mais que a estranheza dos resultados recomenda a maior reserva. O senhor Toussaint não foi prudente em relação à septicemia e à cólera das galinhas. Afirmar, com essa segurança, a total identidade das duas doenças é não conhecer nenhuma delas. E ele nos pede para apoiar suas conclusões de mais de duzentos e cinquenta experiências! Quando se declara ter feito duzentos e cinquenta experiências, é que se experimentou mal mais de 249 vezes'. Toussaint se rende às críticas e reconhece que seu método não é confiável. Mais calmo, Pasteur manda dizer por Bouley que terá "a delicadeza de se abster de uma crítica detalhada para deixar ao senhor Toussaint o cuidado de controlar a si próprio" (Debré, 1995, p. 436-438). Henri-Marie Bouley 1814-1885 *Ver microbiografia de Henri Bouley no grupo Academia de Ciências. "Toussaint fica mais do que atento aos trabalhos de Pasteur: sonha em ultrapassar o outro, mais velho. É incentivado por Henry (Henri) Bouley, que o encarrega, em 1878, de uma missão a respeito do carbúnculo. Nesse ano, de 26 de agosto a 22 de setembro, Toussaint fica em Beauce, não muito longe de Pasteur e de seus alunos. As duas equipes são concorrentes, mas não se ignoram. Além do mais, sempre confiante em si mesmo, Pasteur não hesita em comunicar a seu jovem colega algumas conclusões resultantes da necropsia de vacas que morreram com o mal negro. Ao voltar da missão, Toussaint publica um relatório, logo depois da publicação da equipe da rua Ulm, que só faz confirmar as hipóteses do mestre. Toussaint se rende às críticas e reconhece que seu método não é confiável. Mais calmo, Pasteur manda dizer por Bouley que terá "a delicadeza de se abster de uma crítica detalhada para deixar ao senhor Toussaint o cuidado de controlar a si próprio" (Debré, 1995, p. 436-438). Hippolyte Rossignol 1837-1919 Veterinário. Professor da Escola de Agricultura Melun e veterinário departamental. Os resultados das pesquisas sobre a vacinação do carbúnculo se tornam conhecidos. Rossignol, veterinário na cidade de Mélun, membro considerado da Sociedade de Agricultura local e redator da Revue Vétérinaire, quando toma conhecimento da comunicação de Pasteur, clama por testes decisivos, a serem colocados em prática em uma fazenda, e toma a iniciativa de organizar uma demonstração pública, cuidando de sua própria publicidade. Se a experiência fracassar, ele será conhecido como aquele que conseguiu pegar Pasteur no erro. Se for bem-sucedida, ele terá sua parte no sucesso (Debré, 1995, p. 443). Sessenta carneiros são utilizados no experimento. Vinte e cinco serão vacinados e os outros vinte e cinco ficarão sem vacina. Dez carneiros servirão de grupo de controle. Pasteur chama Chamberland e Rouxque estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Uma multidão de pessoas chega de diversas localidades. São agricultores, conselheiros gerais, médicos, redatores-chefes de revistas veterinárias, pessoas da imprensa (da França e do exterior). Foi considerado um espetáculo, por ser muito raro ver um cientista fora de seu laboratório. O ambiente parecia mais uma feira (Debré, 1995, p. 445). Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Rossignol foi o iniciador do experimento realizado por Louis Pasteur com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881. Ref. https://data.bnf.fr/fr/10709804/hippolyte_rossignol/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/hippolyte%20rossignol/page/1 Mais informações: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k86307239/f58.image.r= Mais informações: http://svpf.fr/IMG/pdf/SVPF_T93_N3_PP26_34.pdf Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 *Ver microbiografia de Charles Chamberland no grupo Doenças Infectocontagiosas. No experimento com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881, Pasteur chama Chamberland e Roux que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Após as inoculações, Pasteur, na grande sala da fazenda, fala ao público e expõe seu método. Serão realizados mais dois encontros, para a segunda e terceira inoculações. O último encontro é marcado para a constatação dos resultados. Neste período, Chamberland e Roux acompanham os animais. Um está febril, outro tem um edema, outro está mancando. Pasteur escuta o relato e fica preocupado, tomado por dúvidas. Pasteur acusa Roux de ser o responsável pelo fracasso da experiência, e Marie intervém para acalmar Pasteur. Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Com o sucesso evidente, Pasteur faz relatórios para a Academia de Ciências e para a Academia de Medicina. O governo quer prestar uma homenagem a Pasteur, mas ele diz só aceitar uma condecoração se puder dividi-la com Roux e Chamberland (Debré, 1995, p. 449). Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 *Ver microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. No experimento com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881, Pasteur chama Chamberland e Roux que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Após as inoculações, Pasteur, na grande sala da fazenda, fala ao público e expõe seu método. Serão realizados mais dois encontros, para a segunda e terceira inoculações. O último encontro é marcado para a constatação dos resultados. Neste período, Chamberland e Roux acompanham os animais. Um está febril, outro tem um edema, outro está mancando. Pasteur escuta o relato e fica preocupado, tomado por dúvidas. Pasteur acusa Roux de ser o responsável pelo fracasso da experiência, e Marie intervém para acalmar Pasteur. Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Com o sucesso evidente, Pasteur faz relatórios para a Academia de Ciências e para a Academia de Medicina. O governo quer prestar uma homenagem a Pasteur, mas ele diz só aceitar uma condecoração se puder dividi-la com Roux e Chamberland (Debré, 1995, p. 449). Louis Thuillier 1856-1883 *Ver microbiografia de Louis Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. No experimento com antraz em ovelhas em Pouilly-le-Fort em 1881, Pasteur chama Chamberland e Roux que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Gabriel Constant Colin 1825-1896 *Ver microbiografia de Gabriel Colin no grupo Academia de Medicina. Veterinário francês. Membro da Academia de Medicina. Após o sucesso do experimento de Pouilly-le-Fort em 1881, enquanto na Inglaterra Pasteur é aclamado, na França se constata que nem todos estão convencidos, a exemplo de Gabriel Colin (Debré, 1995, p. 451). Heinrich Hermann Robert Koch 1843-1910 *Ver microbiografia de Robert Koch no grupo Doenças Infectocontagiosas. Durante todo o ano de 1882, Pasteur será confrontado por Robert Koch e por Membros da Escola Berlinense, a exemplo de Friedrich Löffler (aluno de Koch). Eles criticam as culturas do caldo, a descoberta do vibrião séptico, as experiências com as galinhas carbunculosas, e a existência e eficácia da vacina. É realizada uma contra-experiência, e Thuillier é enviado a esta missão, que é um sucesso. No entanto, Koch não fica inteiramente convencido, e os alemães não confessam publicamente a derrota. Neste mesmo período, Koch acaba descobrindo o agente da tuberculose, batizado de bacilo de Koch. No entanto, ele deixa para outros a descoberta das soluções terapêuticas, pois não acredita na vacinação (Debré, 1995, p. 454-455). Pasteur tenta conseguir um ganho de causa definitivo naquele mesmo ano por ocasião do Congresso Internacional de Higiene em Genebra. Ele está desejoso de uma resposta oficial de Koch diante dos representantes de todos os países reunidos. Ao subir na tribuna, Pasteur fala dos resultados das experiências e acrescenta “Porém, por mais brilhante que seja a verdade demonstrada, ela não tem o privilégio de ser aceita facilmente. Na Franca e no exterior, encontrei opositores obstinados”. Em seguida, dirige-se diretamente a Koch e a seus discípulos, sentados na primeira fila, pois estes insinuam que seus trabalhos não podem ser considerados rigorosos. Pasteur continua falando detalhando a experiência e Koch escuta em silêncio, não aceitando um debate contraditório em público. Subindo no estrado, afirma que prefere responder por escrito, o que ocorre 3 meses depois, afirmando que a atenuação do vírus é uma fábula. Pasteur retoma, uma a uma, as acusações de Koch e para explicar, relembra suas primeiras descobertas e até volta às antigas altercações com Liebig (Debré, 1995, p. 456). Próximo Grupo
- Viagem Científica | Pasteur Brasil
Viagem Científica Pasteur decide viajar para a Alemanha em busca do ácido paratartárico, sabendo que procura a “pedra filosofal”, remetendo-se aos antepassados alquimistas. Não obstante o hábito de destinar uma parte significativa de seu salário às próprias pesquisas, os gastos desta vez eram altíssimos. Seria impossível ir àquele país sem subvenção. Jean-Baptiste Dumas consegue financiamento à viagem de 1852, que foi considerada uma missão oficial francesa aos laboratórios alemães. Pasteur começa sua viagem em Zwickau, encontrando o industrial Friedrich Fikentscher (1799-1864), que explica que obteve muito paratártaro, mas que sua produção estava interrompida há 10 anos. A molécula desapareceu na Alemanha, tal como ocorreu no Thann, com o industrial Charles Kestner (1803-1870). Em Leipzig, passa 10 dias examinando amostras. É ajudado por colegas alemães. Otto Linné Erdmann (1804-1869) coloca gentilmente o próprio laboratório à disposição de Pasteur. Enquanto estuda os cristais, o cientista francês recebe Wilhelm Gottlieb Hankel (1814-1899), professor titular de física na Universidade de Leipzig. Hankel traduziu todas as dissertações de Pasteur para uma revista alemã. Deste modo, seu trabalho cruzava fronteiras. Sai de Leipzig a caminho de Veneza e consegue o endereço do prof. de química Josef Redtenbacher (1810-1870), que atuou como seu guia e levou-o a visitar a fábrica do industrial E. Seybel. Esta fábrica usava o ácido tartárico austríaco para produzir o que julgava ser o sulfato de magnésio. Porém, tratava-se justamente do ácido paratartárico e a questão essencial de Pasteur estava resolvida. Os dois meses de viagem se destinam à pesquisa, praticamente sem visitas a museus e monumentos. Em carta à esposa, Pasteur relata que, em sua opinião, a França é cheia de preconceitos sobre os estrangeiros, seus costumes, civilização e gostos. Na volta, Pasteur presta contas da viagem a Kestner e propõe o método para fabricação e venda do ácido racêmico. Redige uma nota à Academia de Ciências e insiste no fato de que a química pôde progredir graças à indústria. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Fotografia de escadaria no Palais de la Découvert em Paris, em local designado à Expo Pasteur de 14/12/2017 a 19/08/2018. Carta de Pasteur a Jean-Baptiste Biot comunicando sobre o ácido racêmico. Mapa designando as viagens de Pasteur. Friedrich Christian Fikentscher. Otto Linné Erdmann. Wilhelm Gottlieb Hankel. Josef Redtenbacher. Carta à esposa Marie, com detalhes da viagem e suas descobertas. Nota apresentada à Academia de Ciências sobre a transformação do ácido tartárico em ácido racêmico. Continue lendo a biografia
- Doenças Infectocontagiosas | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Doenças Infectocontagiosas Escola Médica de Salerno Auge entre os séculos XI e XIII "A Escola Médica de Salerno (EMS) representa marco indelével na história da medicina, na concepção de saúde e no ensino médico. Sua contribuição se sobressai para o desenvolvimento das pesquisas e a escrita de trabalhos científicos, de caráter eminentemente prático, para o tratamento das doenças". "A materialização da EMS foi processo gradativo iniciado nos primórdios da Idade Média. O mosteiro beneditino de Montecassino, fundado em 529, dá origem ao hospital em 820, embrião da Escola. Universidade. Em Salerno, a partir da fundação da Escola, se cria o primeiro estabelecimento medieval de ensino sistemático de medicina, vindo a ser a mais importante fonte de conhecimento médico e principal universidade da cristandade na Europa, em decorrência de haver, além do ensino médico, cursos de filosofia, teologia e direito". "A EMS estabeleceu currículo regular para o curso médico e passou a receber auxílio financeiro dos governantes. Com estes aportes, alcançou fama mundial, propiciando que para ela acorressem estudantes de todas as nações. O ensino era essencialmente prático e laico. Após a criação da EMS, graças a chegada à cidade, em 1065, de Constantino, o Africano, tradutor de textos árabes e medicina, fator impulsionador e empreendedor, tem início o período clássico da Escola, que alcança seu maior esplendor durante os séculos XI a XIII". "A Escola manteve a tradição cultural greco-romana, combinando-a harmoniosamente com as culturas árabe e judaica, e acolhia estudantes de todos os credos. Este encontro de diferentes culturas levou ao surgimento do conhecimento médico a partir da síntese e da comparação de diferentes experiências. A influência da igreja católica, e dos preceitos da doença entendida ao modo de punição por atos contrários às determinações divinas, declinou progressivamente na Escola de Salerno até desaparecer por completo". "Pessoas de diversas partes do mundo frequentaram a Schola Medica Salerni, tanto os doentes, na esperança de se recuperarem, quanto estudantes, para aprender as artes da medicina. Sua fama cruzou fronteiras, de acordo com os manuscritos salernitanos existentes em diversas bibliotecas europeias e os testemunhos históricos. Esta Escola contribuiu principalmente para o desenvolvimento da medicina como profissão. O curso médico exigia exames preparatórios e mais cinco anos de estudo, o último dos quais equivalente ao atual internato. Para os alunos aprovados ao final do curso, fornecia-se licença para exercer a medicina". Ref. https://homoprojector.iipc.org/index.php/homoprojector/article/view/116 Michel de Nostredame (Nostradamus) 1503-1563 Médico e astrólogo francês. Nostradamus nasceu na Provença, uma região do sul da França, em 1503. Nostradamus é a versão latinizada de seu nome de nascimento, Michel de Nostredame. Sua família era de herança judaica, mas eles se converteram ao catolicismo durante um período de intolerância religiosa. Os judeus sempre foram forasteiros na Europa Ocidental e, ao longo dos séculos, foram forçados a se converter à religião cristã. Ambos os avôs de Nostradamus foram estimados estudiosos. Um era médico e Nostradamus estudou grego e latim com o outro. Aos quatorze anos, Nostradamus saiu de casa para estudar em Avignon, o centro religioso e acadêmico da Provença. Na aula, ele às vezes expressava oposição aos ensinamentos dos padres católicos, que rejeitavam o estudo da astrologia - o estudo de como os eventos na Terra são influenciados pelas posições e movimentos do Sol, da Lua. Nicolaus Copernicus (1473–1543; Copérnico) recentemente havia ganhado fama com sua teoria de que a Terra e outros planetas giravam em torno do Sol - ao contrário da crença cristã de que a Terra era o centro do universo. A família de Nostradamus o avisou para segurar a língua, já que ele poderia ser facilmente apontado para a perseguição por causa de sua origem judaica na sociedade antijudaica da França. Anteriormente, ele havia aprendido secretamente com seus avós algumas áreas místicas (percepção espiritual da realidade que não depende dos sentidos) da sabedoria judaica, incluindo a cabala e a alquimia. Em 1525, Nostradamus graduou-se na Universidade de Montpellier, onde estudou medicina e astrologia. Durante os primeiros anos de sua carreira como médico, ele viajou para cidades e vilarejos onde pessoas morriam de peste bubônica, uma epidemia ou doença generalizada que varreu a Europa nos séculos XV e XVI. Chamada de "Peste Negra" por causa das feridas negras inflamadas que deixava nos corpos das vítimas, a epidemia mortal não tinha cura. Os médicos geralmente" sangravam" ou extraíam grandes quantidades de sangue doente" de seus pacientes e não sabiam nada sobre como prevenir novas infecções. Eles não percebiam que as condições nada higiênicas contribuíam para a propagação da doença. Nostradamus prescrevia ar fresco e água, uma dieta com baixo teor de gordura e uma nova cama para os aflitos. Ele costumava administrar um remédio feito de roseira brava (fruto das rosas), Posteriormente, descobriu-se que era rico em vitamina C. Cidades inteiras se recuperaram com esses remédios de ervas, comuns na época, mas as crenças de Nostradamus sobre o controle de infecções podem ter resultado em acusações de heresia (violação das leis da igreja) e em uma sentença de morte. Nostradamus recebeu seu doutorado em Montpellier em 1529. Ele ensinou na universidade por três anos, mas saiu quando suas ideias radicais sobre a doença foram censuradas ou oficialmente repreendidas. Ele escolheu uma esposa entre as muitas oferecidas a ele por famílias ricas e conectadas, e se estabeleceu na cidade de Agen. Então a praga matou sua esposa e dois filhos pequenos. Como o famoso médico não pôde salvar sua própria família, os cidadãos de repente o olharam com desprezo. Seus sogros pediram a devolução do dote (dinheiro ou bens fornecidos pela família da noiva) que lhe foi dado. A astrologia era popular na Europa durante a Idade Média, embora tenha sido condenado pelos líderes da igreja desde os primeiros dias do cristianismo. Como a alquimia, a astrologia acabou caindo em desuso quando os cientistas descobriram novos fatos sobre a Terra e o universo. No entanto, a astrologia gozou de considerável popularidade durante o Renascimento. Monarcas e nobres fizeram astrólogos como Nostradamus criarem mapas chamados horóscopos, que mapeiam a posição de corpos astronômicos em determinados momentos e eram usados para prever eventos futuros. Devido a acusações de heresia, ele fugiu da área quando lhe disseram para comparecer perante a temida Inquisição, um tribunal da igreja criado para procurar e punir os hereges. Nos anos seguintes, Nostradamus viajou pelo sul da Europa. Estudiosos modernos sugerem que esse período difícil provavelmente despertou seus poderes de clarividência, ou habilidade de prever o futuro. Em 1544, chuvas torrenciais estavam trazendo mais desastres para o sul da França, que já havia sido devastada pela peste (uma série de epidemias de doenças). Nostradamus apareceu em Marselha e depois em Aix, onde conseguiu conter a propagação da doença e foi novamente celebrado por suas habilidades. Mudando-se para a cidade de Salon, ele estabeleceu um consultório médico, casou-se novamente e começou uma nova família. Embora fosse aparentemente um católico praticante, ele passava secretamente as horas noturnas em seu escritório meditando sobre sua tigela de latão. A meditação o colocaria em transe. Nostradamus escreveu suas visões e, em 1550, começou a publicá-las em Centúrias (também chamadas de Almanaques e profecias ), que apareceram anualmente durante os quinze anos seguintes. Nos Almanaques, Nostradamus descreveu as fases astrológicas para o ano seguinte e ofereceu dicas de eventos futuros em versos rimados de quatro linhas chamados quadras. Os Almanaques tornaram-se imensamente populares e logo Nostradamus ficou ainda mais famoso na França. A essa altura, suas visões eram uma parte tão integrante de sua bolsa de estudos que ele decidiu canalizá-las em um grande trabalho para as gerações futuras. Ele chamaria este livro de Séculos. Cada um dos dez volumes planejados conteria cem previsões na forma de quadra (quatro versos), e os próximos dois mil anos da humanidade seriam previstos. Dentre as várias previsões de Nostradamus, destaca-se a centúria 25, em que Pasteur é citado nominalmente: "A coisa perdida recuperada, escondida por muitos séculos. Pasteur será celebrado como se fora um semideus. É aí que a lua completa seu grande círculo, mas por outros ventos será desonrado" (Cheetam, 1977, p. 30). Autora da obra As Profecias de Nostradamus, Erika Cheetham (1977, p. 30) analisa: "Outra quadrinha fascinante que, não bastasse citar o nome de Pasteur, também especifica a data, embora isso não seja logo evidente. A descoberta de Pasteur, de que germes poluem a atmosfera, foi das mais importantes da história da medicina e levou à teoria da esterilização de Lister. A Enciclopédia Britânica diz que Pasteur, o "semideus", "era agora reconhecido como o iniciador do maior movimento da química da época". Ele fundou o Instituto Pasteur em 14 de novembro de 1888; o ciclo da Lua teve lugar de 1535 a 1889. Os ventos (rumores) que o teriam desonrado podem significar a violenta oposição aos seus métodos, entre os poderosos membros da Academia, contra as novas práticas do Instituto, tais como vacinas contra a hidrofobia etc.". Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/philosophy-and-religion/other-religious-beliefs-biographies/nostradamus Ignaz Philipp Semmelweis 1818-1865 Médico húngaro. Semmelweis foi uma das figuras médicas mais proeminentes de seu tempo. Sua descoberta a respeito da etiologia e prevenção da febre puerperal foi um exemplo brilhante de apuração de fatos, análise estatística significativa e raciocínio indutivo agudo. A lavagem profilática das mãos, de grande sucesso, tornou-o um pioneiro na antissepsia durante a era pré-bacteriológica, apesar da oposição deliberada e da resistência desinformada. Em julho de 1846, Semmelweis tornou-se o oficial titular da Primeira Clínica, que estava então sob a direção de Johann Klein. Entre suas inúmeras funções estavam a instrução de estudantes de medicina, assistência em procedimentos cirúrgicos e a realização regular de todos os exames clínicos. Um dos problemas mais prementes que enfrentava era a alta mortalidade materna e neonatal devido à febre puerperal. Curiosamente, no entanto, a Segunda Clínica Obstétrica do mesmo hospital exibiu uma taxa de mortalidade muito mais baixa. A única diferença entre eles estava em sua função. O primeiro era o serviço docente para estudantes de medicina, enquanto o segundo fora selecionado em 1839 para a formação de parteiras. Embora todos estivessem perplexos com os números contrastantes de mortalidade, nenhuma explicação clara para as diferenças estava disponível. A doença era considerada um aspecto inevitável da obstetrícia hospitalar contemporânea, um produto de agentes desconhecidos operando em conjunto com condições atmosféricas evasivas. Após um rebaixamento temporário para permitir a reintegração de seu antecessor, que logo deixou Viena para se tornar professor em Tübingen, Semmelweis retomou seu cargo em março de 1847. Durante suas curtas férias em Veneza, a trágica morte de seu amigo Jakob Kolletschka, professor de medicina legal, ocorreu depois que seu dedo foi acidentalmente perfurado com uma faca durante um exame post-mortem. Curiosamente, a autópsia de Kolletschka revelou uma situação patológica semelhante à das mulheres que estavam morrendo de febre puerperal. Preparado por meio de seu treinamento patológico intensivo com Rokitansky, que colocara todos os cadáveres da enfermaria de ginecologia à sua disposição para dissecção, Semmelweis fez uma associação crucial. Ele prontamente ligou a ideia de contaminação cadavérica à febre puerperal e fez um estudo detalhado das estatísticas de mortalidade de ambas as clínicas obstétricas. Ele concluiu que ele e os alunos carregaram nas mãos as partículas infectantes da sala de autópsia para as pacientes que examinaram durante o trabalho de parto. Esta hipótese surpreendente levou Semmelweis a conceber um novo sistema de profilaxia em maio de 1847. Percebendo que o cheiro cadavérico que emanava das mãos dos dissecadores refletia a presença da matéria venenosa incriminada, ele instituiu o uso de uma solução de cal clorada para lavar as mãos entre o trabalho de autópsia e o exame dos pacientes. Apesar dos protestos iniciais, especialmente dos estudantes de medicina e funcionários do hospital, Semmelweis foi capaz de aplicar o novo procedimento vigorosamente; e em apenas um mês a mortalidade por febre puerperal diminuiu em sua clínica de 12,24 por cento para 2,38 por cento. Em 1861, Semmelweis publicou sua importante descoberta em forma de livro. A obra foi escrita em alemão e discutia longamente as circunstâncias históricas que cercaram sua descoberta da causa e prevenção da febre puerperal. Uma série de críticas estrangeiras desfavoráveis ao livro levaram Semmelweis a atacar seus críticos em uma série de cartas abertas escritas em 1861-1862, o que fez pouco para promover suas idéias. Depois de 1863, a crescente amargura e frustração de Semmelweis com a falta de aceitação de seu método finalmente quebrou seu espírito até então indomável. Ele tornou-se alternadamente apático e patologicamente enfurecido com sua missão de salvador de mães. Em julho de 1865, Semmelweis sofreu o que parecia ser uma forma de doença mental; e após uma viagem a Viena imposta por amigos e parentes, ele foi internado em um asilo, o Niederösterreichische Heil- und pflegeanstalt. Ele morreu lá apenas duas semanas depois, vítima de uma sepse generalizada ironicamente semelhante à da febre puerperal, que se originou de um dedo infectado cirurgicamente. A subsequente falta de reconhecimento da profilaxia de Semmelweis pode ser atribuída a vários fatores. Uma falta inicial de publicidade adequada entre os médicos visitantes vienenses e estrangeiros levou a mal-entendidos e a uma avaliação incompleta do procedimento pretendido. Além disso, rixas políticas levaram a uma identificação de Semmelweis com a facção liberal e orientada para a reforma da faculdade de medicina vienense, um grupo temporariamente frustrado em seus objetivos pela derrota esmagadora de 1848. Finalmente, a saída abrupta de Semmelweis da arena roubou-lhe a possibilidade de finalmente persuadir seus colegas vienenses da integridade das lavagens de cloro. Operando a partir de um país politicamente reprimido e cientificamente atrasado com uma universidade de segunda categoria, Semmelweis foi efetivamente prejudicado na promulgação de suas ideias. Depois dele, polêmicas um tanto violentas e apaixonadas acrescentaram pouco crédito a um método um tanto complicado que era difícil de implementar entre os funcionários do hospital satisfeitos com o status quo. O mais importante, entretanto, foi a falta de uma boa explicação para o procedimento empiricamente derivado de Semmelweis, um desenvolvimento que só foi possível por meio do trabalho de Pasteur. "Pasteur nunca fez nenhuma alusão a Semmelweis. Parece até ignorar sua existência. Mas isso não tem nada de surpreendente: o destino kafkaniano desse pioneiro da assepsia oscila, sem parar, entre a tragédia e o teatro de horrores, e seus trabalhos não foram difundidos. Na França, foi preciso esperar até 1924 para que um jovem médico, apaixonado por casos radicais e literatura, se interessasse por Semmelweis e lhe dedicasse uma tese; esse jovem praticante da medicina que se diz médico dos pobres chama-se Louis Ferdinand Destouches, mais conhecido por Céline. Semmelweis foi o primeiro a entender o mecanismo da infecção das lesões e, antes de Pasteur provar que as bactérias são a causa da putrefação, demonstrou que é possível prevenir a supuração dos pacientes operados com a lavagem das mãos dos cirurgiões. Porém, talvez porque 'sua descoberta fosse além das forças da sua grande inteligência', como escreveu Céline e, certamente porque sua natureza juntasse a falta de jeito com a obstinação, Semmelweis não foi capaz de convencer ninguém." (Debré, 1995, p. 312). Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/ignaz-philipp-semmelweis Rudolf Virchow 1821-1902 Médico, antropólogo e político, liberal progressista. Fundador com Reinhardt da revista "Archiv für pathologische Anatomie und Physiologie". Foi o fundador da escola de "patologia celular", que constitui a base da patologia moderna. Virchow nasceu em Schivelbein, filho único de um fazendeiro e tesoureiro da cidade. Em 1839, Virchow ingressou no Instituto Friedrich Wilhelms em Berlim para fazer estudos médicos em preparação para uma carreira como médico do exército. Ele ficou sob a forte influência de Johannes Müller, que encorajou muitos médicos alemães a usar métodos experimentais de laboratório em seus estudos médicos. Virchow se formou em medicina em 1843, já tendo demonstrado grande interesse pela patologia. Em 1845, ainda trabalhando como estagiário, Virchow publicou seu primeiro artigo científico. Nesse ano, ele havia se comprometido com uma metodologia de pesquisa baseada em uma compreensão mecanicista dos fenômenos vitais. A pesquisa médica, de acordo com Virchow, precisava usar observação clínica, experimentos em animais e exame microscópico de tecidos humanos para entender como as leis químicas e físicas comuns poderiam explicar os fenômenos normais e anormais associados à vida. Ele aceitou a teoria das células como um elemento básico nessa compreensão mecanicista da vida. Ao se comprometer com essa visão, ele se juntou a um grupo de jovens cientistas médicos radicais que estavam desafiando o vitalismo dominante de uma geração mais velha. Em 1846, Virchow começou a ministrar cursos de anatomia patológica. Em 1847 ele foi nomeado para sua primeira posição acadêmica com o posto de privatdozent. No mesmo ano, ele e um colega, Benno Reinhardt, publicaram o primeiro volume de uma revista médica, os Arquivos de Anatomia Patológica e Fisiologia e Medicina Clínica. Virchow continuou a editar este jornal até sua morte em 1902. As visões políticas radicais de Virchow foram claramente mostradas em 1848, o ano da revolução na Alemanha. No início do ano, Virchow apresentou um relatório sobre uma epidemia de tifo na Alta Silésia, no qual recomendava que a melhor maneira de evitar a repetição da epidemia seria introduzir formas democráticas de governo. Quando a revolução estourou em Berlim, Virchow juntou-se aos revolucionários que lutavam nas barricadas. Ele se jogou de todo o coração na revolução, para desgosto de seu pai. Ele participou de vários clubes democráticos e ajudou a editar um jornal semanal, Die medizinische Reform, que promoveu ideias revolucionárias em relação à profissão médica. As opiniões políticas de Virchow levaram à sua suspensão pelo restabelecido governo conservador em 1849. A suspensão foi rapidamente revogada devido à reação hostil da fraternidade médica. Mais tarde, no mesmo ano, Virchow foi nomeado professor da Universidade de Würzburg. Pouco depois, ele se casou com Rose Mayer, filha de um importante ginecologista alemão. A cadeira em Würzburg foi a primeira na Alemanha a ser dedicada à anatomia patológica. Durante os 7 anos de Virchow lá, a faculdade de medicina foi reconhecida como uma das melhores da Europa, em grande parte devido ao seu ensino. Ele desenvolveu seu conceito de "patologia celular", baseando sua interpretação dos processos patológicos na teoria celular recentemente formulada de Matthias Schleiden e Theodor Schwann. No mesmo período, ele se tornou editor adjunto de uma publicação anual que analisa o progresso do ano na ciência médica. Esta publicação mais tarde ficou conhecida como Jahresbericht de Virchow , e ele continuou a editá-la até sua morte. Ele também começou a trabalhar em 1854 em seu Handbook of Special Pathology and Therapeutics,que se tornou o modelo para "manuais" alemães posteriores em várias ciências. Embora o principal interesse de Virchow em Würzburg fosse a patologia, ele também continuou a trabalhar no campo da saúde pública e iniciou pesquisas em antropologia física. Em 1856, Virchow aceitou uma cadeira na Universidade de Berlim com a condição de que um novo prédio fosse construído para um instituto de patologia. Ele permaneceu nesta posição pelo resto de sua vida. A partir de 1859, Virchow renovou suas atividades na política. Naquele ano foi eleito membro do conselho da cidade, onde serviu até sua morte. No conselho ele se interessou principalmente por questões de saúde pública. Em 1861, Virchow foi um dos membros fundadores do Deutsche Fortschrittpartei e foi eleito no mesmo ano para a Dieta Prussiana. Ele se opôs vigorosamente aos preparativos de Bismarck para a guerra e sua política de "sangue e ferro" de unificação da Alemanha. No final dos anos 1860 e 1870, Virchow concentrou sua atenção na antropologia e nas relações médicas internacionais. Ele participou de vários congressos médicos internacionais durante este período e manteve um interesse contínuo no controle e prevenção de epidemias. Em 1873, Virchow foi eleito para a Academia Prussiana de Ciências. Todas as suas contribuições para este corpo foram no campo da antropologia, principalmente no que diz respeito à antropologia física e à arqueologia. Em seu novo campo, como em outros, ele assumiu a tarefa de editar um importante jornal, o Zeitschrift fuer Ethnologie. Os últimos anos de Virchow continuaram ativos, especialmente em relação às suas funções editoriais. Ele morreu em 5 de setembro de 1902. Virchow rejeita a teoria microbiana, dizendo que “a doença não é uma aberração enxertada num organismo sadio. Ela é uma simples desordem da saúde”. Pasteur combaterá as ideias de Virchow na patologia do mesmo modo que recusou as ideias de Liebig sobre fermentação (Debré, 1995, p. 345). Ref. https://data.bnf.fr/en/12206686/rudolf_virchow/ Ref. https://www.encyclopedia.com/people/social-sciences-and-law/crime-and-law-enforcement-biographies/rudolf-ludwig-carl-virchow Joseph Lister 1827-1912 Cirurgião inglês. Criador de antissépticos em cirurgia operatória. Lister é reconhecido como o pai da cirurgia antisséptica. Sua insistência em que o cirurgião deve proteger a ferida contra organismos externos é um dos princípios orientadores fundamentais da cirurgia moderna. Lister nasceu em 5 de abril de 1827, em Upton, Essex, Inglaterra. Seus pais, Joseph Jackson e Isabella Harris Lister, demonstraram grande interesse pela educação do filho. Eles o instruíram e o enviaram para escolas quacres que enfatizavam a história natural e a ciência. Aos 16 anos, ele decidiu que a medicina seria sua carreira. Lister se formou no King's College, em Londres, e tornou-se cirurgião doméstico no University Hospital em 1852. Edimburgo, na Escócia, foi reconhecido como um antigo centro médico, e Lister foi nomeado assistente de James Symes, o melhor cirurgião da época. Mais tarde, ele se casou com a filha de Symes. Lister recebeu uma indicação para a Enfermaria de Edimburgo em 1856 e, mais tarde, para a nova Enfermaria Real de Glasgow em 1861. Como cirurgião, Lister estava preocupado porque mais da metade dos pacientes amputados morreram. Ele notou que as fraturas ósseas simples, que apresentavam pele intacta, quase sempre cicatrizavam sem problemas; entretanto, as fraturas expostas, nas quais o osso quebrado perfurava a pele e ficava exposto, geralmente resultavam em gangrena hospitalar ou outras infecções que causavam a morte do paciente. Na década de 1860, pouco se sabia sobre os micróbios e as causas da infecção. As explicações variaram de miasma, ou ar ruim, à explosão de tecido quando exposto ao ar. Lister leu os estudos de Pasteur sobre micróbios aerotransportados e estava convencido de que não era o ar em si, mas organismos do ar. Louis Pasteur (1822-1895) usava calor para matar micróbios, mas como isso não seria prático em uma sala de cirurgia, ele começou a procurar um produto químico para usar. Ele leu sobre como o ácido carbólico (fenol) foi usado para purificar o esgoto em Carlisle, Inglaterra, e teve a ideia de usar esse composto na sala de cirurgia. Em 12 de agosto de 1865, Lister realizou uma operação histórica que inaugurou uma nova era de cirurgia. Um menino de onze anos chamado James Greenlees foi atropelado pela roda de uma carroça e teve uma fratura exposta. Lister aplicou ácido carbólico na ferida, fez um curativo e aplicou uma tala com cuidado. Seis semanas após a cirurgia, James saiu para o mundo e para a história da cirurgia. Lister não só colocou a solução de fenol nas feridas, mas também encharcou os instrumentos e tudo o que entrou em contato com a ferida. Ele até desenvolveu um atomizador de ácido carbólico para pulverizar a sala, uma ideia que mais tarde descartou. Outra contribuição para a cirurgia foi o uso de ligaduras de categute fortes e antissépticas armazenadas em ácido carbólico. Em 1867, Lister publicou uma série de casos mostrando como a mortalidade cirúrgica caiu drasticamente em sua enfermaria de acidentes masculinos. Em 1869, Lister tornou-se chefe da clínica cirúrgica em Edimburgo e os anos mais felizes de sua vida se seguiram. Os alemães haviam feito experiências com a antissepsia durante a Guerra Franco-Prussiana e suas clínicas estavam lotadas de visitantes e estudantes. Ele foi convidado a dar palestras em centros importantes da Alemanha. O trabalho de Lister não foi apreciado nos Estados Unidos e na Inglaterra, onde a oposição à teoria dos germes permaneceu inabalável. No entanto, em 1877, Lister recebeu uma oferta de um cargo no King's College, em Londres, e novamente a oportunidade de fazer história na cirurgia. Naquela época, o procedimento padrão para tratar uma patela fraturada envolvia forçar a fratura simples em uma fratura exposta, frequentemente resultando em morte por infecção. Lister realizou um procedimento espetacularmente bem-sucedido e amplamente divulgado, por meio do qual conectou a patela com antissepsia. Essa operação marcou uma virada na aceitação da teoria dos germes e na antissepsia entre os médicos. Lister desfrutou de um privilégio negado a muitos inovadores científicos; ele viu seus princípios serem aceitos durante sua vida e foi homenageado com o título de baronete em 1883. Ele também foi nomeado como um dos doze membros originais da Ordem do Mérito em 1902. O Instituto Lister de Medicina Preventiva foi fundado em 1891. Lister era um homem humilde, religioso e despretensioso, desinteressado em ganhos financeiros ou fama. Após a morte de sua esposa em 1893, ele se aposentou da cirurgia e, com sua morte em 1912, estava quase completamente cego e surdo. De acordo com Debré (1995, p. 317-318), Lister tem acesso aos relatórios de Pasteur para a Academia de Ciências de Paris por meio de Thomas Anderson e se interessa pelos problemas de putrefação. Ele compreende a ligação que pode existir entre a decomposição da matéria orgânica e a infecção pós-operatória. Ajudado pela esposa, Lister reproduz no laboratório doméstico as experiências de Pasteur e confirma a que a putrefação e a fermentação só aparecem se são introduzidos germes externos. Entende, assim como Pasteur, que o ar ambiente é uma das principais causas da propagação dos micróbios. Também inventa um modo de destruir as bactérias no tecido lesado, descobrindo então a antissepsia. Lister se corresponde com Pasteur agradecendo pelas suas pesquisas, e refere-se ao amor comum dos dois à ciência. Pasteur se surpreende com o reconhecimento de um cirurgião estrangeiro e retorna a carta de Lister dizendo-se admirado com a precisão de suas manipulações e a compreensão do método experimental, e também toma a liberdade de apresentar algumas observações críticas ao novo amigo para aumentar o rigor do método de cultura utilizado (Debré, 1995, p. 322). Em 1867, Lister anuncia no The Lancet a invenção da antissepsia e suas indicações para o tratamento. Nesta e em outras apresentações, Lister expõe primeiro as teorias de Pasteur e depois descreve seus próprios resultados (Debré, 1995, p. 319). Ref. https://data.bnf.fr/en/12006748/joseph_lister/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/sir-joseph-lister Armand Després 1834-1896 Médico cirurgião francês. Doutor em medicina (Paris, 1861). Associado de medicina (1866). Cirurgião hospitalar (1864). Cirurgião no hospital Cochin, depois em La Charité. Vereador, então deputado do 6º arrondissement de Paris, opositor dos radicais. Bibliófilo informado. Cirurgião do Hôpital de la Charité de Paris, falecido aos 62 anos, foi um excelente operador, que morreu, como ele havia vivido, um incrédulo penitente no evangelho da antissepsia. Nascido em 1834, estudou medicina na Faculdade de Paris, onde se formou em 1863. Tornou-se agrégé em cirurgia em 1866 e foi sucessivamente vinculado aos hospitais Lourcine e Cochin antes de se tornar membro da equipe da Charité. Ele foi por algum tempo editor do France Médicale, e sua caneta fácil e um tanto truculenta trouxe a ele uma reputação considerável como jornalista. Ele se opôs veementemente à transferência da enfermagem dos hospitais de Paris das Irmãs da Caridade para a imposição de mãos. Foi membro do Conselho Municipal de Paris e da Câmara dos Deputados, e em cada uma dessas assembleias foi figura proeminente, embora qualquer influência que pudesse ter adquirido por sua habilidade e coragem foi neutralizada por sua inviabilidade e excentricidade. Ele foi o autor de tratados sobre erisipelas (1862); sobre o diagnóstico de doenças cirúrgicas (1868); sobre a sífilis (1873) e outras contribuições para a literatura profissional. O cirurgião Armand Després nega a assepsia e antissepsia, defendendo os curativos contaminados. Demonstra franca antipatia pelos métodos de Lister e pelos princípios de Pasteur (Debré, 1995, p. 331-332). Ref. https://data.bnf.fr/en/11899889/armand_despres/ Ref. https://www2.assemblee-nationale.fr/sycomore/fiche/(num_dept)/2451 Ref. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2510318/?page=1 Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1877, os trabalhos de Pasteur sobre a origem das doenças infecciosas são direcionados para a medicina veterinária. Ele se dedica ao carbúnculo, a pedido do Ministro da Agricultura (Jean-Baptiste Dumas). Pasteur havia vencido o flagelo do bicho-da-seda e é indicado a encontrar o remédio desta afecção que assola os rebanhos (Debré, 1995, p. 347). Casimir Joseph Davaine 1818-1882 Médico francês. Identificou o antraz. Davaine era o sexto filho de Benjamin-Joseph Davaine, destilador, e de Catherine Vanautrève. Ele começou seus estudos no colégio paroquial de St. Amand-les Eaus, ingressou no colégio de Tournai (agora na Bélgica) em 1828 e terminou seus estudos em Lille. No final de 1830, Davaine iniciou seus cursos de medicina em Paris e, em 1834, concorreu a um estágio externo em um hospital. Em 1 de janeiro de 1835, tornou-se externo sob a direção de Pierre Rayer em La Charité. Em dezembro de 1837, ele apresentou sua tese de doutorado, sobre a hematocele da túnica vaginal, a uma comissão com Alfred Velpeau como presidente. A partir de 1838, Davaine praticou medicina em Paris, enquanto conduzia importantes pesquisas microbiológicas, parasitológicas, patológicas e biológicas gerais com Rayer. Em 23 de janeiro de 1869 ele se casou com uma inglesa, Maria Georgina Forbes, com quem teve um filho, Jules. A contribuição mais importante de Davaine para a ciência foi na microbiologia médica. Já em 1850, ele e Rayer observaram pequenos bastões, que ele mais tarde chamou de bactéridies , no sangue de uma ovelha com antraz. Ele não entendeu imediatamente o significado desta observação; mas a partir de 1863, sob a influência do trabalho de Pasteur sobre a fermentação butírica, ele demonstrou em uma série de publicações notáveis por sua lógica e método que a bactéridie ( Bacillus anthracis ) é a única causa do antraz. Entre suas descobertas estão as seguintes: (1) Coelhos e porquinhos-da-índia inoculados com sangue colhido de animal infectado com antraz apresentam sempre um grande número de bacilos no sangue, que podem ser usados para inocular e, assim, infectar outros animais. (2) O sangue contendo bacilos do antraz, quando putrefato ou aquecido, não transmite mais a doença porque os bacilos foram mortos; o mesmo sangue, quando simplesmente seco, permanece infeccioso. (3) Quando o sangue seco é misturado com água, os bacilos caem para o fundo do recipiente. Uma gota retirada da superfície do líquido não transmitirá a doença, mas uma gota retirada do fundo do recipiente infectará o sujeito experimental. (4) O sangue de um feto de uma cobaia com antraz não é infeccioso, porque a placenta atua como um filtro. (5) O poder infeccioso do sangue contendo bacilos do antraz é muito grande: um milionésimo de uma gota ainda pode matar uma cobaia. (6) O período de incubação da doença corresponde ao tempo necessário para a multiplicação da bactéria. (7) Os pássaros são resistentes ao antraz. (8) Certos tipos de insetos picadores (Diptera) contribuem para a propagação da doença. (9) A “pústula maligna” que aflige o homem é de origem antrácica, pois contém a mesma bactéria. Davaine foi capaz de reproduzi-lo experimentalmente em cobaias. (10) Várias substâncias químicas, como o iodo, podem curar o antraz, destruindo os bacilos. (11) As folhas esmagadas da noz (Juglans regia) têm uma ação antibacteriana. (Hoje sabe-se que esta planta contém uma substância antibiótica potente contra o bacilo do antraz). Durante sua pesquisa sobre o antraz, Davaine distinguiu outra doença, a septicemia bovina, mas não isolou o micróbio (1865). Em 1869, ele afirmou que (1) os micróbios da septicemia são móveis, enquanto os bacilos do antraz não; (2) o sangue septicêmico putrefato não é mais virulento, enquanto o sangue antrácico sempre o é, (3) na septicemia não há aglutinação dos glóbulos vermelhos do sangue nem esplenomegalia, enquanto o antraz sempre produz esses sintomas. Apesar de todas as suas inoculações experimentais, Davaine usou a seringa Pravaz, recentemente inventada, em vez da lanceta, o que apresentou muitos inconvenientes. As contribuições de Davaine para a microbiologia médica e veterinária foram fundamentais, pois ele foi o primeiro a reconhecer o papel patogênico das bactérias. Ele não conseguiu, no entanto, elucidar o modo exato de transmissão do antraz porque não sabia que o bacilo tinha um estágio resistente, o esporo, que o permitia sobreviver e reaparecer em uma região contaminada. Esse estágio do bacilo foi descrito em 1876 por Robert Koch; e mais tarde (1877-1881) Pasteur, Émile Roux e Chamberland provaram definitivamente o papel do bacilo na etiologia do antraz. Davaine, no entanto, foi um dos primeiros microbiologistas médicos a reconhecer o papel do bacilo e a diferenciá-lo da septicemia bovina. As muitas disputas de Davaine na Academia de Ciências de Paris e na Academia de Medicina com os inimigos da teoria dos germes das doenças - Leplat, Jaillard, Henri Bouley, André Sanson, Louis Béhier, Alfred Vulpian e, particularmente, Gabriel Colin - prenunciaram alguns conflitos de Pasteur anos depois. Na verdade, Pasteur tinha uma opinião elevada sobre o trabalho de Davaine e escreveu em 1879: “Eu me parabenizo por ter frequentemente realizado suas pesquisas inteligentes”. As outras contribuições científicas de Davaine diziam respeito aos parasitas internos do homem e de animais domésticos. Seu importante trabalho sobre o assunto, Traité des entozoaires , teve duas edições. Já em 1857, Davaine pensava em rastrear vermes intestinais procurando seus ovos nas fezes, um procedimento ainda seguido. Experimentalmente, ele especificou o modo de desenvolvimento dos Ascaridae (Ascaris lumbricoides) e do Trichocephalus (Trichuris trichiura). Entre os parasitas de plantas, Davaine estudou, de 1854 a 1856, o ciclo do verme do trigo (Anguina tritici ) e sugeriu meios de combate a esse nematóide. Ele também estava interessado no mofo que causa o apodrecimento das frutas (1866). Assim, ele deve ser considerado um pioneiro no estudo da fitopatologia. Davaine também estudou os movimentos amebianos dos leucócitos, que observou já em 1850. Em 1869, ele demonstrou que essas células podem absorver corpos estranhos introduzidos no sangue e, portanto, observou a fagocitose quatorze anos antes de Élie Metchnikoff (1883). Ele foi o primeiro a reconhecer (1852) o hermafroditismo protândrico das ostras. Várias de suas observações da teratologia animal foram escritas em seu “Mémoire sur les anomalies de l'oeuf (1860) e em seu artigo“ Monstres, Monstruosités ”(1875) para o Dictionnaire Dechambre . Os interesses de Davaine estendiam-se ainda mais à anabiose entre invertebrados como Protozoa, Nematoda e Tardigrada (1856); o órgão palatino dos Cyprinidae (1850); o osso tireo-hióideo da anoura (1849); e o mecanismo de cores da perereca (1849). Na medicina, além de suas publicações sobre antraz e septicemia, Davaine fez inúmeras contribuições - algumas em colaboração com Claude Bernard, Pierre Rayer ou A. Laboulbène - sobre lesões anatomopatológicas observadas em vários animais. Ele também publicou o importante “Mémoire sur la paralysie générale ou partielle des deux nerfs de la septième paire” (1852). Toda essa pesquisa foi realizada enquanto Davaine praticava medicina, pois ele nunca teve um laboratório próprio nem ocupou um cargo oficial na universidade. Famoso por sua humildade e modéstia, ele não buscava honras; as duas únicas que recebeu foram a cruz de um chevalier da Legião de Honra (1858) e a adesão à Academia de Medicina (1868). Sob o Segundo Império, ele também foi nomeado Médicin par quartier de l'Empereur , um título puramente honorário. Durante a Guerra Franco-Prussian , enquanto servia no corpo de ambulâncias, Davaine escreveu um pequeno livro filosófico, Les éléments du bonheur (1871). Este livro resumiu de forma bastante simplista sua serenidade interior e sua fé no homem. Seus últimos anos foram passados em Garches, onde sua propriedade é agora a Fondation Davaine. Segundo Debré (1995, p. 348-349), Davaine foi um dos primeiros a notar, no sangue carbunculoso, microorganismos na forma de bastonetes. Junto com o seu colega também médico, Pierre-François-Olive Rayer, fez um extenso estudo sobre o carbúnculo em animais de chifre em 1850. Davaine fez a seguinte pergunta: trata-se de um agente contagioso ou só de uma consequência inofensiva da doença? Na época, ele não avaliou o alcance de sua observação. Em 1863, já conhecedor dos trabalhos de Pasteur, retoma a sua observação e faz uma nova comunicação à Academia de Ciências sobre o papel mortal das bactérias do carbúnculo. Em sua nota, homenageia formalmente os trabalhos de Pasteur. Ref. https://data.bnf.fr/en/10584216/casimir_davaine/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/davaine-casimir-joseph Pierre-François-Olive Rayer 1793-1867 Médico francês. Escreveu uma importante contribuição para a dermatologia, Tratado teórico e prático de doenças de pele (1826-1827) e um estudo de referência sobre doenças renais, Tratado de doenças renais e alterações da secreção urinária (1839-1841). Ambos os trabalhos incluem atlas patológicos gigantescos. Sua pesquisa meticulosa aprofundou o entendimento da albuminúria, hipófise, tuberculose, obesidade, diabetes, mormo humano, farsa humana, antraz, infecções bacterianas e doenças parasitárias como a esquistossomose. Escrevendo em 1932, o Dr. Raymond Molinéry descreveu o renomado médico francês Pierre-François Olive Rayer (1793-1867) como tendo a infelicidade de ter nascido e de ter vivido tempos tempestuosos, quando intrigas e revoltas violentas eram companheiros de cama. Parece apropriado então, antes de expor os detalhes da vida e das conquistas profissionais deste "homem bom, gentil, afável e digno", fazer uma breve pausa e considerar o teor geral daquele período na história da França. o clima político daqueles anos em que Rayer viveu e trabalhou com tanta energia? Esses anos, em que se dedicou incansavelmente à vida profissional e às pesquisas médicas, deixaram um belo legado para as futuras gerações de médicos. Como disse Molinéry, “A história da vida e obra de Rayer? Este é um capítulo completo da História da Medicina. ”Alguns podem apontar uma crítica“ hagiografia, não biografia! ” em declarações como esta, mas é difícil encontrar qualquer comentário verdadeiramente adverso na maioria dos relatos da vida e obra de Rayer, e certamente ninguém contestaria a erudição indubitável desse homem notável. Casimir-Joseph Davaine foi um dos primeiros a notar, no sangue carbunculoso, microorganismos na forma de bastonetes. Junto com o seu colega também médico, Pierre François Olive Rayer, fez um extenso estudo sobre o carbúnculo em animais de chifre em 1850 (Debré, 1995, p. 348). Ref. https://data.bnf.fr/en/13181254/pierre-francois-olive_rayer/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/pierre-francois-olive-rayer Ref. https://www.cambridge.org/core/journals/medical-history/article/pierrefrancois-olive-rayer-biography/E43D2B315B811D732FA89A442E3F243E Mais informações: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11616360/ Mais informações: https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/096777209500300402 Heinrich Hermann Robert Koch 1843-1910 Médico e bacteriologista alemão. Isolou várias bactérias patogênicas, incluindo a tuberculose. Prêmio Nobel de Medicina em 1905. Muitos dos princípios e técnicas básicos da bacteriologia moderna foram adaptados ou concebidos por Koch, que, portanto, é frequentemente considerado o principal fundador dessa ciência. Seu isolamento dos agentes causais do antraz, tuberculose e cólera rendeu-lhe aclamação mundial, bem como a liderança da escola alemã de bacteriologia. Direta ou indiretamente, ele influenciou autoridades em muitos países a introduzir legislação de saúde pública com base no conhecimento da origem microbiana de várias infecções e estimulou atitudes populares mais esclarecidas em relação a medidas higiênicas e imunológicas para controlar tais doenças. Koch nasceu em Clausthal, em 1843, e faleceu em Baden-Baden, em 1910. Formado em medicina pela Universidade de Göttingen (1866), trabalhou em Wollstein, aldeia do Grão-Ducado de Posen. Em Breslau, em 30 de abril de 1876, Koch realizou a primeira demonstração sobre o ciclo de vida do bacilo de antraz, cujos esporos localizara na terra onde os animais eram sepultados. Ele havia conseguido isolar os bacilos numa cultura purificada, e a demonstração causou forte impressão nos presentes. O Bacillus anthracis foi o primeiro agente microbiano cujos efeitos patogênicos foram comprovados pela bacteriologia. Koch comunicou por carta suas descobertas a Ferdinand Cohn, um dos fundadores da bacteriologia. Através dele, entrou em contato com a elite médica universitária de Breslau, especialmente Julius Cohnheim, diretor do Instituto de Patologia, e seu assistente Karl Weigert, que vinham desenvolvendo métodos de coloração para bactérias a partir de anilinas. Datam dessa época (1876-1878) os aperfeiçoamentos introduzidos por Koch na técnica microscópica e nos métodos de fixar, corar e fotografar microrganismos. Como muitos cientistas da época, Robert Koch também investigou o cólera. No século 19, a 'hidra asiática' havia estourado repetidamente na Alemanha também, especialmente nas favelas das grandes cidades. No final de 1883, Koch e uma equipe de pesquisadores viajaram, entre outros, para Calcutá, na Índia, para estudar a doença durante um surto. Lá, no início de 1884, ele conseguiu identificar a bactéria Vibrio cholerae. Embora Robert Koch tenha sido aclamado como o descobridor do patógeno da cólera durante sua vida, ele não merecia todo o crédito. O anatomista italiano Filippo Pacini já havia visto e descrito o patógeno sob um microscópio em 1854 - trabalho que encontrou pouca ressonância na Alemanha na época e que Koch desconhecia. Graças ao seu conhecimento sobre a propagação da cólera e os métodos de higiene apropriados, Koch ajudou a conter um sério surto de cólera em Hamburgo em 1892. Em 1882, Koch descobriu o bacilo da tuberculose. Além de cultivá-lo fora do organismo humano, conseguiu provocar a doença em animais com o produto dessa cultura, postulando, então, as exigências que julgava necessárias para a demonstração da etiologia bacteriana de qualquer moléstia: isolar o microrganismo em culturas puras, inoculá-lo em animais de experiência e produzir uma doença cujos sintomas e lesões fossem idênticas ou equiparáveis às da doença “típica” no homem. Em viagem ao Egito e à Índia, em 1883-1884, Robert Koch descobriu também o Vibrio cholerae, agente etiológico do cólera. Em 1885, fundou a cátedra de higiene na Universidade de Berlim e, entre 1891 e 1904, dirigiu o Instituto Real Prussiano para Doenças Infecciosas (Königlich Preussisches Institut für Infektionskrankheiten), atual Robert Koch Institut. Na década de 1890, organizou uma expedição a vários países para estudar a transmissão da malária. Pesquisou várias outras enfermidades do homem e dos animais, entre elas a hanseníase, a peste bovina, a peste bubônica e a doença do sono. Em 1885, Friedrich-Wilhelms-Universität em Berlim fundou o Instituto de Higiene sob a direção do primeiro professor titular de Higiene, Robert Koch. Aqui, ele continuou a desenvolver a nova disciplina científica da bacteriologia. O número de funcionários e alunos de Koch cresceu; o Hygiene Institute tornou-se o centro de concentração de médicos interessados em bacteriologia de todo o mundo. A tuberculose e a cólera continuariam a ser importantes áreas de pesquisa. Koch procurou maneiras de conter doenças infecciosas especificamente ou de evitar que elas ocorressem. Seu sonho de descobrir um agente terapêutico ou mesmo uma vacina contra a tuberculose, porém, não se concretizou. O remédio que ele desenvolveu, a "tuberculina" - uma mistura de componentes da bactéria da tuberculose desvitalizada, que Koch apresentou no Décimo Congresso Médico Internacional em Berlim em 1890 - mais tarde provou ser ineficaz. As curas de longo prazo falharam e alguns pacientes até morreram após o tratamento. Hoje, a tuberculina ainda é usada junto com procedimentos mais recentes para diagnosticar infecções de tuberculose. No entanto, as conquistas científicas de Koch e a crescente importância da bacteriologia no final do século XIX foram razão suficiente para o governo prussiano construir seu próprio instituto de pesquisa para Robert Koch. O Instituto Real Prussiano de Doenças Infecciosas abriu suas portas em 1º de julho de 1891 e até 1904, Robert Koch dirigiu o instituto. Além da pesquisa, a equipe também contratou serviços para cidades e autoridades imperiais, respondeu a consultas internacionais e redigiu relatórios de especialistas. O 'Koch's Institute' foi um dos primeiros institutos de pesquisa biomédica do mundo. Inicialmente, o instituto localizava-se em Berlin-Mitte, próximo ao Charité, o maior e mais antigo hospital da cidade. O departamento científico foi instalado em um edifício residencial convertido conhecido como 'Triângulo', devido ao seu formato. A enfermaria foi alojada em cabanas de campo individuais no site Charité. De 1897 a 1900, um novo edifício foi construído para o instituto na Nordufer em Berlin-Wedding. Robert Koch estava envolvido no planejamento. No extenso local havia estábulos para animais de laboratório, como cavalos, ovelhas e, ao mesmo tempo, até camelos. Nas imediações, o Hospital Rudolf Virchow foi inaugurado em 1906; o chefe do departamento de infecção também era membro da equipe do Koch's Institute. O prédio de tijolos na Nordufer ainda é a sede do Instituto Robert Koch até hoje. De 1896 em diante, Robert Koch passou vários meses por ano em expedições para investigar doenças tropicais - sua segunda esposa, Hedwig Freiberg, quase sempre o acompanhava. Em primeiro lugar, ele se concentrou em doenças animais no sul da África, como peste bovina, febre do Texas e febre da Costa Leste. Mais tarde, ele se voltou para as doenças tropicais que afetam os humanos, especialmente a malária e a doença do sono, para descobrir como eram transmitidas. Em 1906 e 1907, uma comissão liderada por Koch foi enviada à África Oriental para experimentar maneiras de tratar a doença do sono. Koch teve algum sucesso inicial ao tratar pacientes com Atoxyl, uma droga que contém arsênico. Mas o parasita que causou a infecção só foi suprimido na corrente sanguínea do doente por um curto período de tempo, então, embora ele estivesse ciente dos riscos associados à droga, Koch dobrou a dose de Atoxyl. Muitos pacientes sofriam de dores e cólicas, alguns até ficaram cegos. Apesar disso, Koch ainda estava convencido de que Atoxyl poderia ser eficaz. Sua jornada final de pesquisa foi o capítulo mais sombrio de sua carreira. Em 1905, Robert Koch foi agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina . Junto com Louis Pasteur, Robert Koch é agora considerado o pioneiro da microbiologia. No início de abril de 1910, Robert Koch sofreu um forte ataque cardíaco em Berlim. Ele morreu durante uma estada subsequente em um sanatório em Baden-Baden em 27 de maio de 1910. A urna contendo suas cinzas foi colocada em um mausoléu especialmente construído em seu instituto em 4 de dezembro de 1910. O legado científico de Robert Koch - incluindo 1.500 cartas, certificados de prêmios, manuscritos de palestras e publicações, fotografias e lâminas preparadas para microscópio - é preservado no Instituto Robert Koch. Na Alemanha, aparecem as experiências de Robert Koch (Debré, 1995, p. 350, 388, 391), que tem 33 anos quando se interessa pelo problema do carbúnculo. Ele foi aluno de Jacob Henle que o instruiu sobre a teoria microbiana e os seus obstáculos teóricos e experimentais (Debré, p. 344, 350). Num laboratório primitivo que organiza em casa, Koch, sozinho se dedica ao problema, procurando repetir e ir além das observações de Davaine. Pasteur toma conhecimento da publicação de Koch sobre o carbúnculo e está de acordo com sua tese de que há esporos nos campos, mas acha suas provas insuficientes e propõe uma demonstração mais rigorosa. Há relatos de que o artigo de Koch foi um empurrão para Pasteur estudar as enfermidades nos animais e posteriormente em humanos. "As investigações de Koch e Pasteur seguiram rumos diferenciados. O primeiro teve como principal preocupação o desenvolvimento de métodos e técnicas para o cultivo e estudo das bactérias, erigindo normas que davam coerência teórica ao processo de descoberta de um microorganismo e atribuição de seu papel na etiologia de determinada doença. Pasteur e, em seguida, seus colaboradores voltaram-se, desde cedo, para os mecanismos de infecção, criando ou possibilitando a criação de técnicas de prevenção das doenças - como a assepsia, a antissepsia - e desenvolvendo profiláticos e terapêuticos biológicos de uso animal e humano" (Teixeira, 1995, p. 15). Cabe ressaltar que Paul Ehrlich (1854-1915) foi colaborador de Koch no Instituto de Doenças Infecciosas. Ref. https://data.bnf.fr/en/12026546/robert_koch/ Ref. http://www.bvsalutz.coc.fiocruz.br/html/pt/static/trajetoria/origens/estudos_robert.php Mais informações: https://www.rki.de/EN/Content/Institute/History/rk_node_en.html Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/robert-koch Documentário: Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios: https://www.youtube.com/watch?v=f406c8rZ6xw Antoine-François-Daniel Boutet 1820-1891 Veterinário francês. Conselheiro municipal e geral, prefeito de Chartres, oficial da Legião de Honra. Daniel Boutet (1820-1891), de Chartres, foi considerado o melhor especialista em carbúnculo, trouxe sua colaboração não somente a Pasteur, Roux, Chamberland, etc., mas a Rayer e Davaine (1850) e também, posteriormente, a Tousaint e a Collin. Durante as pesquisas, Pasteur, com a ajuda do veterinário Daniel Boutet, que o acompanha, consegue uma amostra de sangue de um animal morto recentemente de carbúnculo e constata que a inoculação de uma cultura, ainda que diluída deste sangue, mata. Deste modo, conclui que a doença com certeza é transmitida pela bactéria (Debré, 1995, p. 351). Pasteur vai além e descobre que há outra doença associada (assim como no bicho-da-seda) e batiza o micro-organismo de vibrião séptico (Debré, 1995, p. 353). Ref. https://www.persee.fr/doc/rhs_0151-4105_1977_num_30_3_1517 Ref. https://www.perche-gouet.net/histoire/personne.php?personne=8881 Mais informações: https://books.google.com.br/books?id=_iAHAQAAIAAJ&pg=PA696&lpg=PA696&dq=DANIEL+BOUTET+veterinaire&source=bl&ots=06XXcUckal&sig=ACfU3U1iSmPlljHC59d4eh1OTTmqwsPVPw&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwiJqser-bLvAhUrLLkGHTNeD5MQ6AEwDnoECBUQAw#v=onepage&q=DANIEL%20BOUTET%20veterinaire&f=false Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 Físico e biólogo francês, pioneiro da bacteriologia, especialista em doenças do antraz. Colaborador de Pasteur, então Diretor Adjunto do Instituto (1904-1908), membro titular da Academia de Medicina (1904). Deputado do Jura (1885-1889), é um dos autores da lei de proteção da saúde pública. Um dos associados mais famosos de Pasteur, Chamberland viria a se tornar um especialista, enriquecendo as técnicas de bacteriologia com importantes aparatos, além de estabelecer regras úteis para a saúde pública. Depois de estudar os clássicos no liceu em Lons-le-Saunier e um período no Collège Rollin em Paris, Chamberland foi admitido em 1871 na École Polytechnique e na École Normale Supérieure. Escolheu este último e foi nomeado professor do liceu de Nímes em 1874. Um ano depois regressou à École Normale e aí permaneceu até 1888, primeiro como assistente no laboratório de Pasteur e depois como um dos directores assistentes do laboratório. Em 1885 foi eleito deputado do Jura. Assim que Chamberland voltou a Paris em 1875, a polêmica entre Pasteur e Bastian sobre a geração espontânea irrompeu. Pasteur pediu a seu novo assistente para investigar as causas do erro nos experimentos de Bastian. Logo depois, Chamberland foi capaz de explicar por que os líquidos orgânicos ácidos aqueciam a 100 ° C. podiam ser preservados sem mudança, mesmo que estivessem cheios de micróbios, quando potássio estéril suficiente era adicionado para torná-los alcalinos. Ele também mostrou que, para matar certos esporos, é necessário primeiro aquecer o líquido a uma temperatura de 115 ° C. por vinte minutos. Esta importante observação o levou a aperfeiçoar as regras e novos métodos para a esterilização de meios de cultura. Seu trabalho resultou na autoclave, que logo se tornou uma ferramenta indispensável em departamentos de bacteriologia, hospitais e estações de desinfecção. Em seguida, Chamberland mostrou como as paredes porosas são capazes de reter partículas finas em suspensão e substituir o processo de filtração então em uso pelo filtro de porcelana levemente aquecido. Ao fazer isso, ele estabeleceu um excelente procedimento de esterilização para líquidos que podiam ser trocados pelo calor. O filtro, de uso imediato em laboratórios, alguns anos depois facilitou a descoberta das exotoxinas microbianas e dos primeiros vírus. Por possibilitar a purificação da água potável, foi de grande valor para a saúde pública. Enquanto estava na École Normale, Chamberland participou dos estudos de Pasteur: a atenuação de vírus e inoculações preventivas, a etiologia e profilaxia do antraz e a vacinação contra cólera suína e raiva. Em 1888, quando foi inaugurado o Instituto Pasteur em Paris, tornou-se diretor de um dos seis departamentos então criados: o de microbiologia aplicada à higiene; uma de suas principais funções era preparar, em grande escala, várias vacinas Pasteur. Chamberland chefiou o departamento até sua morte (a partir de 1904 também foi diretor assistente do Instituto Pasteur e membro da Academia de Medicina). Na rue Dutot ele estudou as possibilidades de desinfetar lugares e objetos com compostos contendo cloro (com E. Fernbach) e as propriedades anti-sépticas das essências e do peróxido de hidrogênio. Seus estudos com Jouan sobre micróbios do tipo Pasteurella permaneceram clássicos. Chamberland achava que a atmosfera não desempenhava o papel principal na transmissão de germes infecciosos. Ele esperava que houvesse mais preocupação com objetos sujos, roupas e as mãos dos médicos e seus assistentes. O bom senso e a mente criativa de Chamberland têm sido frequentemente enfatizados. Calmette disse a seu respeito: “Ele era um mestre em seu ofício e um amigo cheio de charmoso bom humor, com extraordinária bondade e inteligência excepcionalmente penetrante. Sua morte prematura - ele tinha apenas 57 anos - foi uma perda dolorosa para o Instituto. ” Ele era alto e esguio, com traços bonitos. Ele era casado e tinha um filho. Nas pesquisas em campo, junto ao rebanho, colaboram Charles Chamberland (na época, estagiário titular do momento), Auguste Vinsot (veterinário) e Émile Roux (médico de 25 anos na época e um dos mais assíduos ouvintes de Pasteur na Academia de Medicina). Pasteur encontra a explicação para a propagação do carbúnculo e orienta os criadores (Debré, 1995, p. 362-363). Ref. https://data.bnf.fr/en/13185013/charles_chamberland/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/chamberland-charles-edouard Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/charles-chamberland-inventeur Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 Doutor em medicina (Paris, 1883). Bacteriologista francês, colaborador de Pasteur. Diretor do Instituto Pasteur, Paris (1904-1933). Roux foi um dos principais fundadores da bacteriologia médica, tanto por meio de sua colaboração com Pasteur quanto por suas próprias realizações. Depois de frequentar a escola secundária em Aurillac e em Puy, ele começou seus estudos de medicina em Clermont-Ferrand. Lá ele conheceu Émile Duclaux, que transmitiu a Roux seu entusiasmo por Pasteur. Para completar seus estudos, Roux foi para Paris, onde em novembro de 1878 foi aceito como assistente no laboratório de Pasteur. Com Chamberland e Thuillier, ele se associou à pesquisa de Pasteur sobre a etiologia do antraz e depois sobre a atenuação dos vírus, a base para a preparação das vacinas de Pasteur. Após o aperfeiçoamento das vacinas contra a cólera das galinhas e o antraz, foram iniciadas as pesquisas de prevenção da raiva. As dificuldades eram particularmente grandes, uma vez que o agente patogênico, ou vírus da raiva, permanecia desconhecido. Roux conseguiu produzir casos experimentais de raiva (especialmente em coelhos), que exibiam uma sequência regular de desenvolvimento (selecionando um vírus fixo ). A virulência de uma medula rábica pode então ser diminuída sob certas condições. Quando o Instituto Pasteur foi criado em 1888, Roux foi encarregado do ensino de microbiologia. Ao mesmo tempo, ele se tornou diretor do Service de Microbie Technique e começou seu trabalho original mais importante. Primeiro, ele confirmou o papel patológico do bacilo da difteria, descoberto pouco antes na Alemanha por Klebs e Loeffler. Com o bacilo, ele conseguiu reproduzir experimentalmente a paralisia em porquinhos-da-índia. Finalmente, e talvez o mais importante, ele demonstrou com AEJ Yersin que o poder patogênico desse bacilo depende não apenas de sua presença, mas, sim, de um veneno, ou toxina, que ele produz. Essa toxina se espalha por todo o organismo e, nas palavras de Roux, "os próprios venenos de cobra não são tão letais". Logo depois, uma toxina análoga, produzida pelo bacilo do tétano. No curso de sua pesquisa para transformar toxinas bacterianas em vacinas, uma descoberta fundamental foi feita em Berlim por Behring e Kitasato: um contra-veneno (ou antitoxina) se forma no soro de animais que receberam quantidades de toxinas fracas demais para matá-los e isso o soro pode ser usado para proteger outros animais contra uma injeção de uma quantidade que de outra forma certamente seria fatal. Parecia curioso, entretanto, que entre os seres humanos a proteção obtida dessa maneira provasse ser comparativamente fraca. Por isso Roux voltou a estudar o assunto. Pondo de lado por enquanto a soroterapia antitetânica, ele dedicou todos os seus esforços à investigação da difteria. Trabalhando com cavalos, ele determinou as melhores condições (1892–1893) para obter um soro antidiftérico; e em 1894, com a ajuda de Louis Martin e Auguste Chaillou, ele tratou crianças diftéricas com este soro. Os resultados, apresentados no final daquele ano no Décimo Congresso Internacional de Higiene em Budapeste, evocaram uma resposta famosa por seu entusiasmo. A doença foi totalmente vencida com a descoberta da vacina de Gaston Ramon, a anatoxina. O trabalho pessoal de Roux foi quase totalmente interrompido quando, com a morte de Duclaux (1904), ele se tornou diretor do Instituto Pasteur. Ele ocupou este cargo até a morte, subordinando seu próprio trabalho a fim de ser mais útil para os seus subordinados. Sobre a cólera, Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isid ore Straus (Debré, 1995, p. 388). Ref. https://data.bnf.fr/en/12011715/emile_roux/ Ref. https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/pierre-paul-emile-roux Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/emile-roux-pilier-aventure-pasteur Edmond Isidore Etienne Nocard 1850-1903 Veterinário e biólogo francês. Membro da Academia de Medicina (eleito em 1886). Diretor da Escola Nacional de Veterinária de Alfort (de 1889 a 1891). Em 1868, Edmond Nocard ingressou na Escola Veterinária de Alfort, onde teve grande parte de sua carreira. Seus estudos foram interrompidos por seu alistamento no exército em 1870, durante a guerra com a Prússia. Importante após sua promoção em 1873, ele se tornou veterinário e chefe do serviço clínico em Alfort. Três anos depois, ele encontra um encontro decisivo: o de Émile Roux, o médico colaborador de Louis Pasteur. “As ideias dos pastores então começaram a agitar a medicina, e nesta primeira entrevista falamos de doenças contagiosas em animais. "Graças a Roux, Edmond Nocard ingressou no laboratório de Louis Pasteur rue d'Ulm em 1880."Trouxe seus conhecimentos veterinários, seu rápido entendimento (...) e esse admirável senso crítico que logo o tornou um conselheiro indispensável.Nocard assiste às famosas experiências de Louis Pasteur sobre a vacinação de ovelhas contra o antraz em Pouilly-le-Fort. Pasteur o enviou em 1883 com Roux, Thullier e Straus ao Egito para estudar uma epidemia de cólera. Em seu retorno, Nocard montou um verdadeiro anexo do laboratório de Pasteur na Escola de Veterinária de Alfort, uma escola que dirigiu de 1887 a 1891. Aplicando os preceitos pasteurianos e ensinando-os a seus alunos, ele foi originalmente um número impressionante de avanços (veja abaixo ), e vai construir pontes entre a medicina veterinária e a medicina humana: investida em pesquisas de prevenção da tuberculose, exibirá "É proibido cuspir no chão" nos ônibus e bondes. Ele participará das novidades do Institut Pasteur, como o desenvolvimento da soroterapia para difteria, e em 1895 foi nomeado membro da sua Assembleia. Este "primeiro Pasteuriano" morreu prematuramente em 1903, aos 53 anos. Um edifício agora leva seu nome no Instituto Pasteur. As muitas obras de Edmond Nocard lhe renderam reconhecimento internacional durante sua vida. Ele desenvolveu métodos de coleta de soro sanguíneo ou cultura do bacilo da tuberculose, estudou as bactérias responsáveis pela mastite em vacas e descobriu os micoplasmas ao encontrar a causa da pleuropneumonia bovina. Ele fez da tuberculina e do mallein as principais armas na luta contra a tuberculose bovina e o mormo equino, duas doenças bacterianas transmissíveis ao homem que dizimaram o gado ... Um gênero bacteriano foi chamado de Nocardia em sua homenagem, após sua morte. Descoberta do agente na carne bovina farcin ( N. farcinia) Outro Nocardia causa uma doença humana - a nocardiose - que afeta os imunocomprometidos. Nocard também contribuiu para um grande avanço médico ocorrido após sua morte, ao fornecer a seu pupilo Camille Guérin a cepa do bacilo da tuberculose bovina da origem do BCG (Bacille de Calmette et Guérin). Sobre a cólera, Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isid ore Straus (Debré, 1995, p. 388). Ref. https://data.bnf.fr/en/12572660/edmond_nocard/ Ref. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11625609/ Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/edmond-nocard-disciple-alfort Isidore Straus 1845-1896 Doutor em medicina (Estrasburgo, 1868). Francês. Membro da Academia de Medicina, seção de patologia médica (eleito em 1893). Sobre a cólera, Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isid ore Straus (Debré, 1995, p. 388). Ref. https://data.bnf.fr/en/13003219/isidore_straus/ Louis Thuillier 1856-1883 Físico e biólogo francês. Sobre a cólera, Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isidore Straus. Louis Thuillier inicialmente hesita e depois decide que fará parte da viagem. Infelizmente, Thuillier morre de um ataque fulminante de cólera, em Alexandria, aos 26 anos (Debré, 1995, p. 388). Robert Koch, que na mesma época dirigia uma equipe alemã, vai até a cabeceira de Thuillier e lhe presta as homenagens fúnebres. Pasteur fica devastado, pois um dos seus assistentes é vítima do dever. Sente-se torturado pelas lembranças das hesitações de Thuillier em embarcar nesta missão (Debré, 1995, p. 388). Ref. https://data.bnf.fr/en/13003219/isidore_straus/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/thuillier,%20louis/page/1 Próximo Grupo

