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  • Absorção reflexiva | Pasteur Brasil

    Absorção Reflexiva Durante muitos anos Pasteur trabalhou sozinho. Mais tarde, jovens colaboradores se uniram a ele, sendo informados apenas da parte essencial do trabalho diário. “O silêncio olímpico que ele gostava de se ver rodeado ia até o dia em que seu trabalho lhe parecia maduro para dar publicidade”, disse Émile Duclaux. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur e seu assistente técnico, confirmou essa característica: “ele queria ficar sozinho em seu laboratório e nunca falava do objetivo que tinha em mente”. Mesmo durante períodos de maior movimento, ele tinha poucos ajudantes, cada um em sua sala, onde trabalhavam em silêncio para não incomodar o cientista, exceto quando era chamado para participar de alguma discussão. Enquanto formulava as fases seguintes dos experimentos, Pasteur se absorvia em si mesmo e no estudo de suas notas, permanecendo isolado de todo o mundo e sem levantar a cabeça por muitas horas. Daí emergiam fragmentos ideativos que, como em um campo magnético pela força de seu pensamento, se organizariam em novas e inesperadas formas. Essas meditações solitárias duravam vários dias. Nestes períodos, ele ficava tão absorto em seus pensamentos que não notava as pessoas a seu redor. Quando Duclaux levou um assunto urgente a discutir, Pasteur reagiu como se despertasse de um sonho, mas não demonstrava impaciência. Depois que suas ideias tomavam forma, Pasteur se reconectava com seus colaboradores, falando o essencial para a elaboração dos detalhes técnicos dos experimentos, que eram realizados com cuidado para determinar se a hipótese inicial tinha uma base verdadeira. Se os resultados fossem negativos, as ideias eram imediatamente rejeitadas de sua mente. Do contrário, se resultados positivos sugeriam que a hipótese fosse válida, os experimentos eram multiplicados incansavelmente para explorar e desenvolver suas possibilidades. Pasteur não se desanimava com obstáculos, qualidade que ele se referia como seu maior dom. “Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade". Este juízo foi confirmado por Émile Roux, que mais tarde dirá “Quantas vezes, na presença de dificuldades imprevistas, quando nós não imaginávamos como sairíamos delas, ouvi Pasteur nos dizer: ‘Façamos o mesmo experimento outra vez; o essencial é não abandonar o caso!´” (Dubos, 1967a, p. 55-59). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Émile Duclaux. Émile Roux. Adrien Loir. Continue lendo a biografia

  • Personalidades | Pasteur Brasil

    Grupos de Personalidades Família, amigos, cientistas, industriais, colaboradores, membros de Academias, políticos... Pasteur se relacionou com muitas personalidades ao longo da vida, as quais foram organizadas em 25 grupos. Para melhor compreensão da notação utilizada nesta pesquisa, acesse anteriormente a Legenda do Grupocarmograma . A seguir, confira os grupos de personalidades, seguidos da Análise dos Grupos e da Enumerologia (ordem alfabética por sobrenome). Ao acessar cada grupo, será possível consultar as microbiografias das principais personalidades. Família Nuclear Pai, mãe e irmãos Amigos de Infância e Adolescência Arte Pinturas de Pasteur e artistas Primeiros Beneméritos Professores, preceptores e apoiadores Leituras Iniciais Primeiras Influências Científicas Contemporâneos e antecessores Família Laurent Sogros, esposa, cunhados, sobrinhos Família Louis Pasteur Academia de Ciências Cristalografia Fermentação Geração Espontânea x Teoria dos Germes Doenças do Bicho-da-Seda Doenças Infectocontagiosas Início da Vacinação Vacinação: Raiva Pasteurianos Academia de Medicina Academia Francesa Políticos Instituto Pasteur Jubileu: 70 Anos Saúde e Morte Parapsiquismo Equipe Extrafísica Análise dos Grupos Enumerologia

  • Fermentação | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Fermentação Louis Dominique Joseph Bigo 1787-1876 Industrial e político francês, r esidente em Lille. Membro do Conselho Municipal de Lille (1830-1832). Prefeito de Lille (1834-1848). Cavaleiro da Legião de Honra (1838). Oficial da Legião de Honra em 1869 , pelo próprio Napoleão III. O filho de Louis Bigo, Émile Louis Bigo, seguia os cursos de Pasteur na Faculdade de Estrasburgo e veio procurá-lo, pois v ários fabricantes de álcool de beterraba estavam tendo problemas de produção (Debré, 1995, p. 112). Pasteur transforma a adega em laboratório e leva microscópio e outros instrumentos ao local. Observa as leveduras (lactobacillus) e publica seus resultados, em um artigo considerado o ato de nascimento da Microbiologia (Tese sobre a fermentação do chamado ácido lático - Mémoire sur la fermentation appelée lactique). Ref. http://www.dbsld.fr/LBD_LBT_arbre001.jpg Antoine-Laurent de Lavoisier 1743-1794 *Ver a microbiografia de Antoine-Laurent de Lavoisier no grupo Primeiras Influências Científicas. Antes de Pasteur, Lavoisier já havia enfrentado a questão da fermentação. Havia demonstrado a famosa fórmula “na natureza nada se cria e nada se perde”. Apesar de ter observações justas, suas conclusões não são satisfatórias, pois no caso da fermentação, Lavoisier negligencia a levedura, afirmando: “sendo a levedura reabsorvida como entrou, eu não posso levá-la em conta”. Sobre isso, Pasteur escreve “extremamente defeituosa em suas determinações numéricas, é admirável se a considerarmos do ponto de vista das ideias gerais e da filosofia” (Debré, 1995, p. 115). Pasteur está convencido de que a simplificação de Lavoisier é falsa e que, muito pelo contrário, a produção de álcool é um fenômeno tão complexo quanto um ato de natureza biológica (Debré, p. 131). Louis-Joseph Gay-Lussac 1778-1850 Ver a microbiografia de Louis-Joseph Gay-Lussac no grupo Primeiras Influências Científicas. As hipóteses de Lavoisier são confirmadas por uma sequência de erros consideráveis: Gay-Lussac e Thénard retomam as experiências. Se convencem de que Lavoisier não poderiam enganar-se e modificam os resultados para poder enquadrá-los na aparente simplicidade desta teoria. Louis-Jacques Thénard 1777-1857 Ver a microbiografia de Louis-Jacques Thénard no grupo Academia de Ciências. Justus von Liebig 1803-1873 Químico alemão. Foi um dos químicos mais influentes do século XIX. Como cientista, Liebig ofereceu estruturas teóricas arrojadas e treinou uma geração de alunos e colegas que lideraram o desenvolvimento em química orgânica , química farmacêutica, química fisiológica, química agrícola e química industrial por décadas. Como um popularizador da ciência, Liebig explicou a acadêmicos, burocratas, fazendeiros e monarcas a utilidade da química como base para a modernização, melhorias na saúde pública e nutrição e maior cooperação internacional. Como empresário, Liebig demonstrou o potencial comercial da química aplicada por meio de empresas que fabricavam fertilizantes, espelhos, fermento em pó, fórmulas infantis e extrato de carne. Liebig nasceu em Darmstadt em 1803, onde seus pais administravam uma pequena loja que vendia ferramentas e produtos químicos úteis, como tintas e vernizes. Incapaz de concluir o ensino médio formal por razões financeiras, Liebig mudou-se para a vizinha Heppenheim para se tornar um aprendiz de farmacêutico, então o passo mais importante para alguém com interesse profissional em química. Liebig passou a estudar química na Universidade de Bonn e na Universidade de Erlangen, onde recebeu um doutorado com pouco mais do que a promessa de fazer pesquisas sobre o tema da química vegetal. Ele então ganhou uma bolsa que lhe permitiu estudar em Paris com alguns dos principais químicos da época, dentre estes Joseph-Louis Gay-Lussac e Jean-Baptiste Dumas. Em 1824, como parte da iniciativa mais ampla do grão-ducado de modernizar sua infraestrutura, Liebig recebeu um cargo na pequena Universidade de Giessen em seu estado natal de Hessen-Darmstadt. Liebig logo transformou Giessen em um centro de educação química que ganhou reputação internacional por seus métodos de ensino inovadores e graduados de sucesso. A abordagem de Liebig enfatizou o desenvolvimento de habilidades de laboratório. Por meio do uso de técnicas e equipamentos padronizados como o "aparato de potássio" e o "condensador de Liebig", os alunos aprenderam a realizar análises de rotina com eficiência. À medida que suas habilidades se desenvolveram, os alunos abordaram projetos de pesquisa independentes que levaram à síntese e identificação de inúmeros novos compostos e reações. Liebig 'teoria, durante um período crucial em seu desenvolvimento. Em particular, ele refinou a teoria de que certos grupos de compostos orgânicos, chamados radicais, permanecem inalterados por meio de uma série de reações que produzem compostos relacionados. Liebig também editou Annalen der Pharmacie und Chemie, que se tornou a revista mais influente na área. Em 1840, Liebig publicou duas obras que estabeleceram sua reputação como um comentarista influente nas principais questões científicas de sua época. O primeiro, um artigo fortemente crítico da qualidade do ensino de química oferecido na Prússia, levou muitos governos europeus a reformular sua abordagem da educação científica. O segundo, Química Orgânica e Suas Aplicações à Agricultura e Fisiologia, lançou as bases para uma geração de pesquisas nas ciências agrícolas. Liebig argumentou que os agricultores devem estar cientes do papel que os compostos químicos desempenham em todos os aspectos das operações agrícolas. Ilustrando que os nutrientes minerais do solo deixam a fazenda a cada colheita e venda de gado, Liebig delineou claramente um conceito de ciclos químicos que enfatizava um equilíbrio entre entradas e saídas de produtos químicos. Ele também endossou os fertilizantes artificiais como um meio apropriado para manter a fertilidade do solo. Em um livro relacionado sobre química animal, publicado em 1842, Liebig anunciou suas teorias sobre o radical de proteína, o metabolismo das gorduras e a relação entre a digestão e a respiração, lançando as bases para pesquisas futuras sobre nutrição e bioquímica. Na segunda metade de sua carreira, Liebig se distanciou do ensino de laboratório e de seus próprios projetos de pesquisa, concentrando-se em esforços para promover e popularizar a química na área alemã e além. Suas cartas químicas, eventualmente publicadas em 11 idiomas, ensinaram a importância da química em uma linguagem e formato populares. Em 1852, ele assumiu um cargo na Universidade de Munique que exigia pouco em termos de ensino ou pesquisa, permitindo-lhe concentrar-se em seus papéis de conferencista popular e sábio público. Sua carreira posterior também incluiu esforços para reciclar o esgoto de Londres para fins agrícolas, para comercializar os subprodutos da carne bovina sul-americana como extrato de carne de Liebig e para tratar de questões internacionais de política científica e filosofia da ciência. Embora muitas das teorias específicas que Liebig promoveu tenham se mostrado incorretas, sua carreira promoveu o surgimento da química como um ramo central da investigação científica. Quando Pasteur se interessa pelas fermentações, Leibig tem quase 50 anos. O cientista alemão não admite que a fermentação é um fenômeno biológico. Afirma que o fermento age por decomposição da matéria morta. Pasteur rejeita esta teoria. Liebig demora 10 anos para responder a Pasteur e fará uma grande dissertação, pois não estava convencido de que a fermentação era um fenômeno biológico e queria provar que isso era irracional, errôneo e sem fundamento (Debré, 1995, p. 137). Ultrajado, Pasteur publica uma dissertação em que pede que se resolvam a favor de uma das duas teorias em confronto, a ciência biológica francesa ou a química alemã de Leibig. Pasteur quer que se escolha um júri, feito de comissários objetivos, membros da Academia, para julgar a reprodutibilidade de suas experiências e da sua veracidade (um duelo de cientistas). Liebig não o responde. Pasteur vai a Munique para discutir frente a frente os argumentos que se propõe. Liebig não lhe fecha a porta, mas o recebe de pé. Ele recusa qualquer discussão sob o pretexto de estar doente. Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/justus-von-liebig Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Foi professor de Justus von Liebig. Charles Cagniard de la Tour 1777-1859 O Barão Charles Cagniard de la Tour era um engenheiro e físico francês. Nascido em Paris, França, Cagniard de la Tour estudou na École Polytechnique e na École du Génie Géographe. Posteriormente, foi auditor do Conselho de Estado, diretor de projetos especiais para a cidade de Paris e membro do conselho de administração da Société d'Encouragement. Suas honras incluíram ser membro da Legião de Honra e cavaleiro da Ordem de St. Michel. No campo da biologia, Cagniard de la Tour também estudou o papel da levedura na fermentação alcoólica. Põe em evidência a capacidade da levedura de se reproduzir, que ele chama de germinação. Em 1835 está convencido de que essa germinação desempenha um papel na fermentação (Debré, 1995, p. 118). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/cagniard-de-la-tour-charles Mais informações: https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095541412 Theodor Ambrose Hubert Schwann 1810-1882 Biólogo alemão, Theodor Schwann nasceu em Neuss, perto de Düsseldorf. Na Universidade de Bonn, onde ingressou em 1829, conheceu Johannes Müller, o fisiologista, a quem auxiliou em seus experimentos. Schwann continuou seus estudos médicos na Universidade de Würzburg e mais tarde na Universidade de Berlim, onde se formou em 1834. O trabalho de Schwann acabou sendo reconhecido por cientistas de outros países e, em 1879, ele se tornou membro da Royal Society e também da Academia Francesa de Ciências. Em 1845 ele recebeu a Medalha Copley. Foi um importante fisiologista alemão do século XIX. Entre as suas contribuições para a ciência destaca-se a descoberta da Teoria Celular, que constituiu o ponto fulcral para a fundação da Histologia Moderna. Ele também estava convencido de que a ideia de geração espontânea era falsa. Seus estudos de fermentação de açúcar de 1836 o levaram à descoberta de que a levedura originou o processo químico de fermentação. Questionando os experimentos de Gay-Lussac, ele provou que são necessários microorganismos vivos para que a fermentação alcoólica do suco de uva se produza, mas faz uma dissertação curta e lacônica (Debré, 1995, p. 119). Schwann é mais conhecido por descobrir as células que formam as bainhas de mielina das fibras nervosas (células de Schwann). Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Theodor-Schwann Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/cell-biology-biographies/theodor-schwann Mais infromações: https://www.lexico.com/definition/schwann,_theodor Jöns Jacob Berzelius 1779-1848 Químico sueco. Depois de se mudar para Estocolmo, ele trabalhou com químicos de mineração e, com eles, descobriu vários elementos, incluindo cério (1803), selênio (1817), lítio (1818), tório (1828) e vanádio (1830). Ele também trabalhou em pesos atômicos e eletroquímica e desenvolveu a notação para elementos químicos. É considerado um dos fundadores da química moderna. Ele é especialmente conhecido por sua determinação de pesos atômicos, o desenvolvimento de símbolos químicos modernos, sua teoria eletroquímica, a descoberta e isolamento de vários elementos, o desenvolvimento de técnicas analíticas clássicas e sua investigação de isomeria e catálise, fenômenos que devem seus nomes para ele. Ele era um empirista estrito e insistia que qualquer nova teoria fosse consistente com a soma do conhecimento químico. Berzelius estudou medicina na Universidade de Uppsala de 1796 a 1802 e de 1807 a 1832 foi professor de medicina e farmácia no Instituto Karolinska. Ele se tornou membro da Real Academia Sueca de Ciências em 1808 e serviu a partir de 1818 como seu principal funcionário, o secretário perpétuo. Em reconhecimento à sua crescente reputação internacional, Berzelius foi elevado a uma posição de nobreza em 1818 na coroação do rei Carlos XIV João. Ele foi agraciado com o título de baronete em 1835 após seu casamento com Elizabeth Poppius. Berzelius recebe com desdém as comunicações de Schwann e de Cagniard de la Tour. Escreve que as observações microscópicas nada valem, visto que a levedura é morta. O químico sueco propõe a tese de que a levedura tem o papel de inflamar ao simples contato: é um catalisador. Pasteur rejeita esta teoria, bem como a de Leibig (Debré, 1995, p. 117-118). Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095502379 Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Jons-Jacob-Berzelius Pierre-Eugène-Marcellin Berthelot 1827-1907 Químico francês. Professor de química orgânica no Collège de France (1865), senador (1881), ministro da Instrução Pública (1886-1887), depois das Relações Exteriores (1895-1896), membro da Academia de Ciências (1873), Academia Francesa (eleito em 1900 ). Membro fundador da "Grande Enciclopédia". Foi químico orgânico e físico, historiador da ciência e funcionário do governo. Seu pensamento criativo e trabalho influenciaram significativamente o desenvolvimento da química na última parte do século XIX. Berthelot alcançou grande renome em vida. Ele entrou na Academia Francesa de Medicina em 1863, tornou-se presidente da Sociedade Química de Paris em 1866, foi eleito para a Academia Francesa de Ciências em 1873 e tornou-se seu secretário permanente em 1889. Ele também entrou na Academia Francesa em 1901. Quando ele morreu em 1907, ele foi homenageado em todo o país, com a maioria das cidades francesas nomeando uma rua ou uma praça em sua homenagem. Berthelot nasceu em uma família parisiense de classe média e frequentou a escola secundária no Collège Henri IV, terminando com o bacharel em artes em 1847 e o bacharel em ciências em 1848. Ele se tornou amigo íntimo de um colega que vivia na mesma pensão, Ernest Renan, que mais tarde se tornou famoso como historiador e filólogo. Sua correspondência ao longo da vida mostra a forte influência dessa amizade nas inclinações filosóficas e históricas de Berthelot. Quanto à fermentação, Berthelot reclama na Academia de Ciências e contesta as observações de Pasteur sobre a formação do álcool (Debré, 1995, p. 135). Futuramente, após a morte de Claude Bernard, Berthelot usa registros póstumos deste fisiologista para reiterar que o microorganismo não é necessário à fermentação. Após novos experimentos comprobatórios do contrário e diante da insistência de Berthelot, Pasteur se irrita e o chama de “homem inconstante e volúvel” e constroem tramas, mas finalmente entram em acordo em um ponto: Claude Bernard era um grande homem e a discussão se esgota. Pasteur ainda acrescenta: “ouso a dizer que Bernard tinha esse caráter antes mesmo de nascer” (Debré, 1995, p. 402). Ref. https://data.bnf.fr/en/12276589/marcellin_berthelot/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Pierre-Eugene-Marcellin-Berthelot Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/pierre-eugene-marcellin-berthelot Claude Bernard 1813-1878 Médico fisiologista francês. Membro da Academia de Medicina, secção de anatomia e fisiologia (1861) e da Academia Francesa (1868). Senador (em 1869). Claude Bernard, nasceu em Saint-Julien, França. Aos dezenove anos, ele foi aprendiz de um boticário chamado Millet em Vaise, um subúrbio de Lyon. Assim, ele teve a oportunidade de observar o rude empirismo da farmacoterapia daquele período. O farmacêutico aprendiz voltou-se, porém, naquela época, não para as ciências, mas para o teatro e as belas-letras. Em 1834, Bernard foi para Paris, onde planejava fazer carreira na literatura. O ilustre crítico Saint-Marc Girardin desencorajou-o, porém, e instou-o a primeiro adquirir uma profissão para ganhar a vida. No mesmo ano, com grande dificuldade, Bernard concluiu o bacharelado e ingressou na Faculdade de Medicina de Paris. Assim, como Renan observou em seu Éloge , ao virar as costas para a literatura, Bernard percorreu o caminho que, no entanto, o conduziu à Academia Francesa. Foi no laboratório de Magendie, no Collège de France, que Bernard, antes mesmo de terminar seus estudos clínicos, descobriu sua verdadeira vocação: a experimentação fisiológica. Embora tenha se formado em medicina em Paris em 7 de dezembro de 1843, Bernard nunca praticou medicina e sempre nutriu sentimentos ambivalentes em relação aos médicos. No entanto, seu trabalho foi tal que lançou novos alicerces para a profissão. Foi fisiologista conhecido principalmente por suas descobertas sobre o papel do pâncreas na digestão, a função glicogênica do fígado e a regulação do suprimento de sangue pelos nervos vasomotores. Tanto por meio de descobertas concretas como pela criação de novos conceitos, a obra d e Claude Bernard con stitui o fundamento da moderna fisiologia experimental. Formulou o princípio da homeostase, o mecanismo fisiológico de autocorreção que “automaticamente” busca restaurar o ambiente interno normal do corpo quando ele é interrompido. Os conceitos de Bernard permanecem relevantes nos estudos das bases fisiológicas de muitos problemas de saúde ambiental. Em 1859, a Academia de Ciências confere o prêmio de Fisiologia Experimental a Pasteur. Isso significa que o júri presidido por Claude Bernard reconhece que a fermentação é um fenômeno biológico. No entanto, sem tomar partido da causa, o médico admite que o fermento continua a provir de um ser que vive ou viveu. Essa prudência de Claude Bernard deve-se ao fato de ele não estar totalmente convencido de que a fermentação seja correlata à vida dos micróbios (Debré, 1995, p. 136). Ref. https://data.bnf.fr/11891495/claude_bernard/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095501166 Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Claude-Bernard Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/claude-bernard Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. Em 1863, a pedido do imperador da França, Napoleão III , Pasteur estudou a contaminação do vinho e mostrou ser causada por micróbios. O cientista francês realizou as pesquisas recusando qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, p. 246). De 1863 a 1865 Pasteur reúne três alunos da École Normalle, sendo um deles Émile Duclaux, para acompanhá-lo na cidade de Arbois no estudo prático sobre os vinhos. O primeiro contato de Pasteur com a casa do imperador e a corte ocorre em 29/11/1865 (Debré, 1995, p. 247). Napoleão III mostra-se interessado e pede para constatar pessoalmente as descobertas de Pasteur: quer examinar no microscópio amostras de vinho estragado (Debré, 1995, p. 249). É realizada uma experimentação imperial, com boas impressões aos imperadores (Debré, 1995, p. 251). Para evitar a contaminação, Pasteur usou um procedimento simples: ele aqueceu o vinho a 50–60 ° C (120–140 ° F), um processo conhecido universalmente como pasteurização. Émile Duclaux 1840-1904 *Ver a microbiografia de Émile Duclaux no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. De 1863 a 1865 Pasteur reúne três alunos da École Normalle, sendo um deles Émile Duclaux, para acompanhá-lo na cidade de Arbois no estudo prático sobre os vinhos. Gérard Élisabeth Alfred de Vergnette de Lamotte 1806-1886 Viticultor e enólogo francês. Era visconde e assinava Vergnette-Lamotte. Proprietário de vinícola e propositor de um processo empírico de aquecimento dos vinhos, mas sem fornecer uma explicação científica (Debré, 1995, p. 262). Pasteur faz um pedido de patente para o processo de aquecimento, chamado “pasteurização”. Thénard levanta o problema dos direitos de Vergnette de Lamotte, porém os únicos inventores foram antecessores de Nicolas Appert (1749-1841) que já havia falecido. Pasteur se defende e Thénard abandona essa questão (Debré, 1995, p. 263-264). Ref. https://data.bnf.fr/fr/10743350/alfred_de_vergnette_de_lamotte/ Mais informações: http://www.beaune.fr/spip.php?rubrique198#.YEqBbWhKjnY Jules Tourtel e Prosper Tourtel ?-? Os irmãos Jules e Prosper Tourtel eram franceses e fundaram em 1839 uma cervejaria na cidade de Tantonville. As cervejarias começam a se interessar pela pasteurização. Junto com alguns estagiários, Pasteur vai inspecionar uma fábrica de cerveja durante 8 dias, cujos fundadores e proprietários são os irmãos Jules e Prosper Tourtel. Estes estudos fornecerão material para um livro que será publicado em 1875, no qual Pasteur usa a cerveja como pretexto para abordar teorias sobre a fermentação alcoólica, para a origem das leveduras da uva e até para a transformação das espécies (Debré, 1995, p. 282). Ref. https://www.image-est.fr/Fiche-documentaire-Bi%C3%A8re-Tourtel-_Tantonville_-610-4016-2-0.html Ref. https://phototheque.pasteur.fr/birt_viewer/run?__format=pdf&__report=reports/orphea/f_getmetadata.rptdesign&__resourceFolder=https://phototheque.pasteur.fr/birt_viewer/ressources/orphea/&Title=Jules+et+Prosper+Tourtel&__locale=fr_FR&gw_url=https://phototheque.pasteur.fr/dotgateway/index.pgi&callfrom=frontoffice&function=f_getmetadata&cache_ref=ba33212c86204994cdf770521b9035e3&function1=f_getassetsurl&cache_ref1=ce603f8b99534e041b7cf38d114842ce&logo_file=https://phototheque.pasteur.fr/images/header-logo.png Ref. https://statues.vanderkrogt.net/object.php?webpage=ST&record=frlo059 Jacob Christian Jacobsen 1811-1887 Industrial e filantropo dinamarquês. Fundador da cervejaria Carlsberg. Na Dinamarca, as pesquisas de Pasteur são bem aproveitadas. Jacob se conscientizou da importância das técnicas de conservação. Em 1870 seu filho Karl assumiu os negócios e foi nessa época que tomaram conhecimento dos trabalhos de Pasteur e passam a fazer uso deles para melhorar o processo de fabricação (Debré, 1995, p. 282-283). Em Copenhage, o progresso na cervejaria Carlsberg de Jacob Jacobsen foi tão rentável que ele e o filho Carl destinam uma parte dos lucros ao mecenato: além de um rico museu destinado à conservação de pedras lapidadas, eles subvencionam a Universidade de Copenhage e mantém um laboratório de pesquisa sobre cerveja. Ademais, instalam um busto em mármore de Pasteur em 1878 (Debré, 1995, p. 283). Próximo Grupo

  • Início da Vacinação | Pasteur Brasil

    Início da Vacinação Pasteur sabia que certos indivíduos, uma vez atingidos pela doença, tornam-se refratários a uma nova contaminação. Ele refletiu muito sobre a vacina de Edward Jenner e ficou surpreso com o uso limitado que os médicos faziam deste método. Ao empregar a palavra “vacinar” para designar a inoculação de germes com virulência atenuada, Pasteur mostra tudo o que deve a seus predecessores, Jenner em primeiro lugar, como ele reconhece em um discurso em Londres em 1881: “Dei à expressão vacinação uma extensão que a ciência, assim o espero, consagrará como uma homenagem aos méritos e imensos serviços prestados por um dos maiores homens da Inglaterra, Edward Jenner” (Debré, 1995, p. 428). A prática da vacinação é antiquíssima. No século X os chineses realizaram inoculações que protegiam da varíola. Ao que parece, esta técnica vinha da Índia. A pústula foi usada como arma bacteriológica para arrasar, por exemplo, aldeias indígenas. Lady Montagu lançou na corte inglesa a moda da vacina, que se propagou por todo o continente europeu (Debré, 1995, p. 428-429). Em 1805, Napoleão Bonaparte submeteu seu exército à vacinação para a varíola e promulgou um decreto a favor do novo método. Em 1811 mandou vacinar seu filho. Na época, o médico Jean-Nicolas Corvisart disse que o exemplo imperial fez mais pela vacina que qualquer lei. Por volta de 1820, graças a ação da Academia de Medicina, a vacinação se torna uma prática usual. No entanto, são muitos os que escapam a este método, e a Academia decide voltar à vacinação animal e organiza missões para isso (Debré, 1995, p. 431-432, 248). Ernest Chambon foi o “apóstolo e divulgador da vacina animal”. Montou o primeiro centro de vacinação para a varíola em Paris (Debré, 1995, p. 432). Neste campo dos precursores, um dos mais importantes é Joseph Alexandre Auzias Turenne. Depois de sua morte, seus amigos reuniram suas pesquisas, conferências e publicações num grande volume, no qual Pasteur teve acesso por meio de seu sobrinho Adrien Loir, que diz que Pasteur leu o livro regularmente durante vários anos e que algumas das suas ideias eram sugeridas a ele através desta leitura (Debré, 1995, p. 432-433, 530). Jean-Joseph Henri Toussaint, veterinário francês, anuncia que conseguiu vacinar contra o carbúnculo. Mais jovem, ele fica bastante atento aos trabalhos de Pasteur, pois quer ultrapassá-lo. É incentivado por Henri Bouley que o encarrega de uma missão a respeito do carbúnculo. Pasteur comunica ao jovem colega algumas conclusões resultantes da necropsia de vacas, apesar da pesquisa concorrente. Porém, logo que verifica que o jovem Toussaint se apressou em cantar vitória na Academia de Ciências e na Academia de Medicina. Pasteur então fica incomodado e diz que não se deveria agitar o mundo científico quando não se está seguro dos resultados, e que o senhor Toussaint não foi prudente. Apesar da reprimenda, Pasteur não se esquecerá de tudo o que deve às intuições de Toussaint. Em vez de procurar deixá-lo no esquecimento, como alguns insinuaram, ele o apoiará e fará com que receba, em 1883, o prêmio Vaillant da Academia de Ciências por seus trabalhos sobre o carbúnculo (Debré, 1995, p. 436 – 437, 444). Os resultados das pesquisas sobre a vacinação do carbúnculo se tornam conhecidos. Rossignol, veterinário na cidade de Mélun, membro considerado da Sociedade de Agricultura local e redator da Revue Vétérinaire, quando toma conhecimento da comunicação de Pasteur, clama por testes decisivos, a serem colocados em prática em uma fazenda, e toma a iniciativa de organizar uma demonstração pública, cuidando de sua própria publicidade. Se a experiência fracassar, ele será conhecido como aquele que conseguiu pegar Pasteur no erro. Se for bem-sucedida, ele terá sua parte no sucesso (Debré, 1995, p. 443). Neste experimento de Pouilly-le-Fort, 60 carneiros são utilizados. 25 serão vacinados e os outros 25 ficarão sem vacina. 10 carneiros servirão de grupo de controle. Pasteur chama Chamberland e Roux, que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Uma multidão de pessoas chega de diversas localidades. São agricultores, conselheiros gerais, médicos, redatores-chefes de revistas veterinárias, pessoas da imprensa francesa e do exterior. Foi considerado um espetáculo, por ser muito raro ver um cientista fora de seu laboratório. O ambiente parecia mais uma feira (Debré, 1995, p. 445). Após as inoculações, Pasteur, na grande sala da fazenda, fala ao público e expõe seu método. Serão realizados mais dois encontros, para a segunda e terceira inoculações. O último encontro é marcado para a constatação dos resultados. Neste período, Chamberland e Roux acompanham os animais. Um está febril, outro tem um edema, outro está mancando. Pasteur escuta o relato e fica preocupado, tomado por dúvidas. Pasteur acusa Roux de ser o responsável pelo fracasso da experiência, e Marie intervém para acalmá-lo. Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Com o sucesso evidente, Pasteur faz relatórios para a Academia de Ciências e para a Academia de Medicina. O governo quer prestar uma homenagem a Pasteur, mas ele diz só aceitar uma condecoração se puder dividi-la com Roux e Chamberland (Debré, 1995, p. 449). Algumas semanas depois, o governo pede que Pasteur represente a França no Congresso Médico Internacional de Londres. Esse congresso foi organizado por Joseph Lister. Na imensa sala do palácio Saint-James, Pasteur é ovacionado. O Congresso tem mais de 3.000 participantes, um número sem precedentes na história médica. Pasteur apresenta seu trabalho sobre as vacinações contra a cólera das galinhas e contra o carbúnculo. Foi considerado um turning point na importância da bacteriologia na medicina, cirurgia e saúde pública. A título de exemplo, estão presentes James Paget, Rudolf Virchow, Robert Koch, Jean-Martin Charcot, William Osler, Friedrich Trendelemburg, Mortis Kaposi, dentre outros. Dentre os monarcas estão, a rainha Vitória (patrocinadora do evento), o príncipe de Gales e futuro rei Edward VII, Frederico III (príncipe da Prússia). Em um jantar, Pasteur é apresentado ao príncipe de Gales e ao príncipe da Prússia (Debré, 1995, p. 450). Enquanto na Inglaterra Pasteur é aclamado, na França se constata que nem todos estão convencidos, a exemplo de Colin (Debré, 1995, p. 451). Durante todo o ano de 1882, Pasteur será confrontado por Robert Koch e por membros da escola berlinense, a exemplo de Friedrich Löffler (aluno de Koch). Eles criticam as culturas do caldo, a descoberta do vibrião séptico, as experiências com as galinhas carbunculosas, e a existência e eficácia da vacina. É realizada uma contra-experiência, e Thuillier é enviado a esta missão, que é um sucesso. No entanto, Koch não fica inteiramente convencido, e os alemães não confessam publicamente a derrota. Neste mesmo período, Koch acaba descobrindo o agente da tuberculose, batizado de bacilo de Koch. No entanto, ele deixa para outros a descoberta das soluções terapêuticas, pois não acredita na vacinação (Debré, 1995, p. 454-455). Pasteur tenta conseguir um ganho de causa definitivo naquele mesmo ano por ocasião do Congresso Internacional de Higiene em Genebra. Ele está desejoso de uma resposta oficial de Koch diante dos representantes de todos os países reunidos. Ao subir na tribuna, Pasteur fala dos resultados das experiências e acrescenta “Porém, por mais brilhante que seja a verdade demonstrada, ela não tem o privilégio de ser aceita facilmente. Na Franca e no exterior, encontrei opositores obstinados”. Em seguida, dirige-se diretamente a Koch e a seus discípulos, sentados na primeira fila, pois estes insinuam que seus trabalhos não podem ser considerados rigorosos. Pasteur continua falando detalhando a experiência e Koch escuta em silêncio, não aceitando um debate contraditório em público. Subindo no estrado, afirma que prefere responder por escrito, o que ocorre 3 meses depois, afirmando que a atenuação do vírus é uma fábula. Pasteur retoma, uma a uma, as acusações de Koch e para explicar, relembra suas primeiras descobertas e até volta às antigas altercações com Liebig (Debré, 1995, p. 456). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios. Edward Jenner. O início da vacinação: varíola. Mary Wortley Montagu (Lady Montagu) lançou na corte inglesa a moda da vacina, que se propagou por todo o continente europeu. Em 1805, Napoleão Bonaparte submeteu seu exército à vacinação para a varíola e promulgou um decreto a favor do novo método. Joseph-Alexandre Auzias-Turenne (precursor). Jean-Joseph Henri Toussaint. Atenuação dos vírus em galinhas. Hippolyte Rossignol, veterinário francês na cidade de Mélun, membro considerado da Sociedade de Agricultura local e redator da Revue Vétérinaire. Experimento de Pouilly-le-Fort. Charles Chamberland. Émile Roux. Doenças da época que eram os principais focos de estudo e pesquisa. Robert Koch. Quatrième Congrès International d´Hygiene et de Démographie a Genève (du 4 au 9 septembre, 1882). Continue lendo a biografia

  • Primeiros Beneméritos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Primeiros Beneméritos Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 *Ver a microbiografia de Jean-Joseph Pasteur no grupo Família Nuclear. O pai de Pasteur foi seu primeiro preceptor. Ele gostaria de ver o filho diretor do Collège d´Arbois. Tinha poucos amigos, mas eruditos: professores, o médico da cidade (Dr. Dumont – ex-médico militar que se tornou médico do hospital de Arbois) e outros (Debré, 1995, p. 33-34). Etienne Renaud ? Renaud era um jovem e ardente professor francês que se apegava aos alunos e sabia como diverti-los. Foi o primeiro professor de Louis Pasteur na escola primária, em 1831, na cidade de Arbois. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este docente que ministrou suas primeiras aulas (Debré, 1995, p. 32-33; Garozzo, 1974, p. 29-30). Emmanuel Bousson de Mairet 1796-1871 Amigo do pai de Pasteur, Mairet era homem de letras, filósofo e historiador francês. É autor de pelo menos 30 textos, dentre estes, sobre a história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, escreveu uma tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a este erudito local que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Emmanuel foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis Pasteur, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios (Debré, 1995, p. 34-35; Viñas, 1991, p. 34; Garozzo, 1974, p. 32). Ref. https://data.bnf.fr/en/12251066/emmanuel_bousson_de_mairet/ Romanet ? Diretor do Collège d´Arbois, o francês Romanet teve influência decisiva na carreira de Louis Pasteur. Na época, Louis Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê no infante Louis: a École Normale Supérieure (Debré, 1995, p. 35, 39; Viñas, 1991, p. 36; Garozzo, 1974, p. 32-33). Barbier ? Amigo do pai de Pasteur, o capitão Barbier provinha de Arbois, na França. Era Oficial da Guarda Municipal de Paris. Propõe ao pai de Louis ser o correspondente do jovem caso fique decidido que ele prossiga os estudos em Paris. Barbier fala de uma instituição no Quartier Latin onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet (Debré, 1995, p. 35-36, 39; Viñas, 1991, p. 36). Barbet ? Barbet, proveniente de Pagnoz, cidade do Franco-Condado, na França. Era dono do internato onde Louis Pasteur vai, primeiro aos 15 anos com Jules Vercel, e depois aos 17 anos com Cahrles Chappuis, se preparar para o concurso da École Normale Supérieure. Este senhor cortou pela metade as mensalidades de Pasteur e Jules. Aconselhou os rapazes e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Barbet permitiu, desde que não lecionasse nos horários dedicados aos seus estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, por toda sua dedicação e ajuda ao internato (Debré, 1995, p. 36; Viñas, 1991, p. 34, 36; Garozzo, 1974, p. 37, 39). Répécaud ? *Mais informações sobre os autores Droz e Pellico podem ser encontradas no grupo Leituras Iniciais. Répécaud era provedor do Colège de Besançon. Depois da formatura de Louis Pasteur, ofereceu-lhe o cargo de professor suplementar neste mesmo colégio, mas sem remuneração (Garozzo, 1974, p. 47-49). Louis aceitou a proposta, aos 18 anos, ganhando prática e com o tempo se tornando um dos professores mais queridos do colégio. Foi nesta época que achou indispensável aperfeiçoar o seu caráter, e algumas obras ajudaram bastante neste período, dentre elas a de Joseph Droz e de Silvio Pellico. Jean-Marie-Napoléon-Désiré Nisard 1806-1888 *Ver microbiografia de Désiré Nisard no grupo Academia Francesa. Crítico acadêmico e literato francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1850). Deputado (em 1842) e depois senador (em 1867). Publicou a "Coleção de autores latinos com tradução francesa" com muitos colaboradores, incluindo seus irmãos: Nisard, Auguste (1809-1892) e Nisard, Charles (1808-1889). Désiré Nisard nomeia Pasteur como Diretor de Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Ref. https://data.bnf.fr/en/12052360/desire_nisard/ Próximo Grupo

  • Relações Políticas | Pasteur Brasil

    Relações Políticas No final de 1859, Pasteur não tinha a mínima subvenção para instalar-se na Rua Ulm. Escreveu a Gustave Rouland, então ministro da Instrução Pública a fim de chamar a atenção para os benefícios que poderiam ser extraídos de um estudo completo sobre a doença dos vinhos, solicitando fundos necessários para a instalação e experimentos no laboratório na rua Ulm em Paris: "Acho que obedeço, senhor ministro, a uma parte de suas instruções, consagrando todo o tempo de que disponho aos progressos da ciência." Era uma maneira indireta de pedir os fundos necessários destinados à instalação de um rico material. Responderam-lhe que os créditos deveriam ser "inteiramente consagrados à conservação dos edifícios e não à execução dos trabalhos que a conveniência das pessoas alojadas nesse edifícios reclama". De tanto insistir, Pasteur acabou, entretanto, obtendo alguns subsídios. Mas só podia tratar-se de uma instalação provisória. Todavia, o equipamento de que Pasteur precisava na época era modesto. Suas pesquisas sobre a fermentação só exigiam uma estufa, um microscópio, produtos químicos, recipientes de vidro. Mas, se o Ministério quisesse dar algum dinheiro para a reparação da água-furtada, claro estava que era impensável assegurar os respectivos equipamentos ou o funcionamento: "Não há orçamento ad hoc que nos permita subvencionar cinquenta cêntimos para os seus gastos com experiências." Foi, portanto, com seu próprio salário que Pasteur teve de equipar e manter seu laboratório. Tal instalação lhe custou cerca de dois mil francos, soma considerável para a época (Debré, 1995, p. 161, 551). Em 1863, ano seguinte à sua eleição para a Academia de Ciências, Pasteur é apresentado a Napoleão III, por Jean-Baptiste Dumas, segundo o costume da época ao ingressar na Academia. Naquele mesmo ano, Ildephonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, 245-246, 254). Dois anos depois, Napoleão III disse ter muito interesse em se manter informado do andamento das pesquisas e o convida para passar 1 semana no castelo de Compiègne (Debré, p. 246). É realizada uma demonstração aos imperadores ao microscópio, com amostras de vinho (Debré, 1995, p. 251). Em 1863, Pasteur escreve a Napoleão III dizendo que “é chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, o imperador pede a Victor Duruy, Ministro da Instrução Pública, que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo surgem obstáculos para a continuidade da obra, pois os créditos suplementares que a construção exige são recusados pela administração. Encontra-se dinheiro para levantar a Ópera Garnier, mas não para a pesquisa científica. Pasteur fica indignado e, em 1868, prepara um artigo denominado “O orçamento da ciência” para o jornal Le Moniteur a fim de mobilizar a opinião pública. Em um dos trechos ele diz: “suprimam os laboratórios, e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte”. Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um conjunto de cientistas, inclusive Pasteur. Napoleão III convida cada um a se exprimir. Pasteur recorda a criação da função de estagiário e fala em seguirem o exemplo da Alemanha, onde inclusive eles moram nas proximidades do seu laboratório (Debré, 1995, p. 166-168). Victor Duruy foi um interlocutor muito próximo de Pasteur, construindo uma verdadeira relação de amizade. Inclusive, a filha de Duruy, Hélène, era colega de Cécile, filha de Pasteur que faleceu ainda criança. A passagem de Duruy no Ministério da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajuda concedida aos cientistas, não só a Pasteur. Ele é responsável por criar o decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades, devido à forte influência de Pasteur. Ambos tinham a convicção de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, e Duruy ajuda a vencer obstáculos administrativos para desbloquear o crédito para a finalização do laboratório de química fisiológica (Debré, 1995, p. 168-170). Duruy vela pelo ingresso de Pasteur na Legião de Honra e faz com que seja atribuído um prêmio pelos seus trabalhos sobre a fermentação do vinho, por ocasião da Exposição Universal de 1867. Nesta ocasião, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Por volta de 1863, Pasteur vai ao salão da princesa Mathilde. Lá fala da necessidade de uma reforma na produção do vinho ou do vinagre e queixa-se da pouca consideração de que dispõem os laboratórios e da inércia dos poderes públicos. No fundo esta é a intenção de Pasteur ao comparecer nestas ocasiões. O resultado obtido é a criação de uma cátedra de física e química aplicadas na École de Belas Artes, onde leciona para estudantes de arquitetura, onde fala bastante de higiene e do mal emprego da ventilação (Debré, 1995, p. 152-153). Pasteur é nomeado senador em 1870, mas o decreto não pôde ser oficialmente promulgado (devido à guerra), e portanto, o nome de Pasteur não figura na lista de senadores do Império (Debré, 1995, p. 271, 336-337). No início de 1876, após sua aposentadoria, Pasteur vai concorrer ao Senado Republicano. Ele está com 53 anos. Ele não adere a nenhum partido e diz que enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível. É atacado tanto pela esquerda quanto pela direita e fica em último lugar. Escreve a esposa dizendo-se muito feliz por ter sido derrotado, pois o sucesso o teria atrapalhado. Mesmo não tomando parte diretamente dos debates sobre a reforma do ensino superior, seu recado foi entendido e 3 meses depois toma conhecimento de que o Ministro da Instrução Pública vai conceder novos laboratórios ao Collége de France, aumentar e modernizar a Sorbonne (Debré, 1995, p. 335 a 338). D. Pedro II acompanhava com grande interesse os trabalhos de Pasteur, e desejava que o Brasil seguisse os passos do cientista. Durante os anos 1880 eles trocam algumas cartas. Pedro II preocupa-se particularmente com a febre amarela e em uma carta de 1882 escreve “espero que não se esqueça das pesquisas de micróbios da febre amarela, descobrindo-lhe uma vacina”. O imperador brasileiro desejava muito a vinda de Pasteur para o Brasil, o que não ocorreu devido à idade avançada de Pasteur e as sequelas do AVC. Em 1886, Pedro II confere a Pasteur a “Ordem da Rosa” pelo serviço prestado à humanidade (Lima; Marchand, 2005, p. 17, 25). Em 1884, em carta a Dom Pedro II, Pasteur participa ao imperador do Brasil que até aquele momento ainda não havia efetuado nenhuma experiência com humanos. Verifica a possibilidade de no dia da execução da sentença de morte dos condenados (que ele pensava existir), ser oferecida a escolha de ter uma morte iminente ou a possibilidade de participar de um experimento científico que consistiria em inoculações preventivas da raiva, de modo a tornar-se refratário à doença. Disse: “No caso de ser salvo, e estou persuadido de que isso aconteceria, como garantia para a sociedade que condenou o criminoso, eu o submeteria a uma vigilância para o resto da vida” (Debré, 1995, p. 484). Frederick Hamilton-Temple-Blackwood, conhecido por Lord Dufferin, enquanto embaixador britânico em Paris, escreveu às autoridades britânicas na Índia sugerindo que fossem oferecidas instalações a Waldemar Haffkine, bacteriologista ucraniano do império da Rússia, que iniciou os seus experimentos sobre a cólera no Instituto Pasteur, para continuar seus estudos de cólera naquele local. Lord Dufferin se destacou como diplomata, especialmente como embaixador britânico em São Petersburgo e como governador-geral do Canadá, o que levou à sua nomeação como vice-rei da Índia. Após, foi embaixador britânico em Paris (1891 – 1896). Sadi Carnot, presidente da França, comparece à cerimônia de inauguração do Instituto Pasteur (1888) e ao Jubileu de 70 anos de Pasteur (1892). Carnot disse “não faltarei, vosso Instituto é uma honra para a França” (Masi, 1999, p. 111). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/dufferin-lord Gustave Rouland. Jean-Baptiste Dumas. Napoleão III e Eugénia de Montijo. Victor Duruy. Dom Pedro II. Lord Dufferin Sadi Carnot. Continue lendo a biografia

  • Citações | Pasteur Brasil

    Citações Excertos de escritos e declarações de Louis Pasteur, agrupados por temas. Acesse as referências utilizadas nesta compilação. Foi utilizada tradução livre de trechos extraídos de outros idiomas. Ciência e Pesquisa "O grande segredo consiste em fazer experiências que não deixem lugar à fantasia do observador. No começo das pesquisas em torno de um determinado objetivo, a força da imaginação deve dar asas ao pensamento. No momento de se tirar uma consequência e da demonstração de fatos colhidos pelas observações, a fantasia deve, pelo contrário, ser dominada pelos resultados concretos das experiências e a eles submetida" (Unger, [196-], p. 24). “Na ciência, algumas pessoas têm convicções; outros têm apenas opiniões. A convicção supõe prova; as opiniões são frequentemente baseadas em hipóteses" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Acreditar que se descobriu um fato científico importante, ansiar anunciá-lo e ainda assim esperar dias, semanas ou até anos; esforçar-se para invalidar as próprias experiências; publicar as descobertas só depois de exaustivas verificações - sim, a tarefa é dura. Mas, quando se consegue a certeza, a recompensa é um dos melhores bálsamos para a alma humana" (Birch, 1993, p. 32; Cuny, 1963, p. 172 ). "Sempre duvide de si mesmo, até que os fatos se apresentem de forma indubitável" (Birch, 1993, p. 7). "Não apresente nada que não possa ser comprovado de forma simples e decisiva" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Vamos, revolucionemos o mundo com os nossos descobrimentos!"(Unger, [196-], p. 97). "Nada é mais gratificante para um cientista do que aumentar o número de descobertas, mas o máximo é ver suas observações colocadas em prática" (Birch, 1993, p. 33). "Para quem dedica sua vida à ciência, nada pode dar-lhe mais felicidade do que aumentar o número de suas descobertas, mas sua alegria transborda quando os resultados de seus estudos encontram imediatamente aplicações práticas" (Dubos, 1967a, p. 76). "Não há ciência pura e ciência aplicada - há apenas ciência, e as aplicações da ciência" (Dubos, 1967b, p. 51). "Não existe uma categoria de ciências que possa ser chamada de ciências aplicadas. Existe a ciência e as aplicações da ciência, ligadas entre si como o fruto à árvore que o gerou" (Cuny, 1963, p. 173 ). "Sem teoria, a prática nada mais é do que rotina nascida do hábito. Somente a teoria pode trazer o avanço e o desenvolvimento do espírito de invenção" (Dubos, 1967a, p. 22). "Quando medito sobre uma doença nunca penso encontrar um remédio para ela, porém, em vez disso procuro meios de preveni-la" (Dubos, 1967b, p. 106). "A cultura das ciências em sua expressão mais elevada talvez seja ainda mais necessária para o estado moral de uma nação do que sua prosperidade material" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O papel dos infinitamente pequenos na Natureza é infinitamente grande" (Dubos, 1967b, p. 57). "As concepções mais elevadas, as especulações mais legítimas, ganham corpo e alma apenas no dia em que são consagradas pela observação e pela experiência. Acabem com o trabalho, as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade e da morte. Não serão mais do que ciências da educação, limitadas e impotentes, e não ciências do progresso e do futuro" ( Cuny, 1963, p. 175) . "O verdadeiro sábio tem um só dever e uma única tarefa: procurar aquilo que existe" (Unger, [196-], p. 66). Vida "A vida não tem valor, quando não se pode ser útil a outrem" (Unger, [196-], p. 12). "Há na vida de todo homem, na carreira das ciências experimentais, uma idade em que o emprego do tempo é inestimável: a idade rápida em que floresce o espírito de invenção, na qual cada ano deve ser marcado por um progresso" (Debré, 1995, p. 162). "Gostaria de ser mais jovem para me dedicar com novo ardor ao estudo de novas doenças" ( Cuny, 1963, p. 171) . "Se eu tivesse outra vida para viver, tentaria sempre me lembrar do admirável preceito de Bossuet: 'A pior atitude que podemos tomar é acreditar que as coisas são como são porque queremos que elas assim sejam´" (Birch, 1993, p. 36; Cuny, 1963, p. 171). "O único consolo, quando começamos a sentir que as nossas próprias forças se esvaem, é dizer a nós mesmos que podemos ajudar quem nos segue a fazer mais e melhor do que nós, caminhando com os olhos fixos nos grandes horizontes que só podemos vislumbrar" ( Cuny, 1963, p. 172) . Personalidade "Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade" (Birch, 1993, p. 6). "No campo da experimentação, o acaso favorece as mentes preparadas" (Birch, 1993, p. 52). "Não basta amar a verdade, é preciso defendê-la também" (Unger, [196-], p. 49). "Sou o mais hesitante dos homens, o que mais teme se comprometer quando não tem provas. Mas, ao contrário, nenhuma consideração pode me impedir de defender o que penso ser a verdade quando posso contar com sólidas provas científicas" (Birch, 1993, p. 6). "Querer é muito, porque do querer se segue sempre uma ação, um trabalho, a maioria das vezes coroado de êxito. Destas três coisas, vontade, trabalho e êxito é que se compõe a vida humana. A vontade abre as portas de uma carreira feliz; o trabalho tudo vence; e o êxito coroa a obra" (Unger, [196-], p. 74). "Seria aos meus próprios olhos um ladrão, se passasse um dia inteiro sem trabalhar" (Unger, [196-], p. 112). "Meu trabalho, minha família, minha pátria, isso é o que sempre amei" (Vallery-Radot, 1994, p. 58). Residindo em Lille, Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Tenho, finalmente, o que sempre quis, um laboratório que posso ir a qualquer hora, no andar térreo do meu aposento; e, por vezes, enquanto estou dormindo, principalmente nestes dias, o gás queima toda a noite e as operações continuam em curso (...) Trabalhemos todos, só isso é que diverte" (Debré, 1995, p. 111). "É na leitura das obras dos inventores que a chama sagrada da invenção se acende e se mantém unida" (Blaringhem, 1923, p. vii). "Seria muito interessante e proveitoso se dos progressos da ciência participasse também o coração" (Unger, [196-], p. 84). "A grandeza dos atos humanos mede-se pela intenção de que se originam" (Unger, [196-], p. 123). "Frequentemente, uma observação do homem mais inculto, mas que faz bem o que faz, é infinitamente preciosa" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O cientista que se entrega à tentação das aplicações industriais deixa assim de ser o homem da ciência pura, complica a sua vida e a ordem normal dos seus pensamentos de preocupações que paralisam nele qualquer inventividade para o futuro" ( Cuny, 1963, p. 174) . "Mantenha o seu entusiasmo, mas dê a este companheiro um controle severo" (Cuny, 1963, p. 175) . "Cultive o pensamento crítico. Reduzido apenas a ele, não será um despertador de ideias, nem um estimulante de grandes coisas, mas sem ele, tudo é nulo e vazio. Ele sempre tem a última palavra" (Cuny, 1963, p. 175) . "Quando me aproximo de uma criança, ela me inspira dois sentimentos: o de ternura pelo presente, e o de respeito por aquilo que um dia pode se tornar"(Cuny, 1963, p. 175) . Religião e Espiritualidade "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). "Os gregos nos deram uma das mais belas palavras de nossa linguagem, a palavra 'entusiasmo' um deus interno. A grandeza dos atos dos homens é medida pela inspiração que lhes dá origem. Feliz é aquele que tem um deus interno" (Dubos, 1967a, p. 25; Dubos, 1967b, p. 119). "A ciência é incapaz de resolver a questão da origem e do fim das coisas" (Vallery-Radot, 1994, p. 377). "Além desta abóbada estrelada, o que há? Novos céus estrelados, que assim seja! E além? ... Além... é infinito". "Aquele que proclama a existência do infinito, e ninguém pode escapar disso, acumula nesta afirmação mais sobrenatural que não há em todos os milagres [religiosos], porque a noção de infinito tem esse duplo caráter de ser imposta e de ser incompreensível" (Vallery-Radot, 1994, p. 399-400). "Pretender introduzir a religião na ciência é um equívoco da mente. Ainda mais falsa é a mente de quem afirma introduzir a ciência na religião, porque é obrigada a respeitar o método científico" ( Cuny, 1963, p. 173-174) . "Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade e da democracia moderna, senão na noção do infinito perante o qual todos os homens são iguais?" ( Cuny, 1963, p. 174) . Pátria / Nação "A ciência não tem pátria" (Vieira, 2014, p. 885). "A ciência não tem pátria, ou melhor, a pátria da ciência é o mundo inteiro" (Unger, [196-], p. 7). "Estou imbuído de duas profundas impressões; a primeira, que a ciência não conhece países; a segunda, que parece contradizer a primeira, embora seja na realidade uma consequência direta dela, que a ciência é a mais alta personificação da nação. A ciência não conhece país, porque o conhecimento pertence à humanidade, e ela é a tocha que ilumina o mundo. A ciência é a mais alta personificação de uma nação porque a primeira dentre as nações será aquela que levar mais longe os trabalhos do pensamento e da inteligência. A convicção de ter alcançado a verdade é uma das maiores alegrias do homem, e a ideia de ter contribuído para a honra do nosso país torna esta alegria ainda mais profunda. Se a ciência não tem país, o homem de ciência tem. E é ao seu país que deve dedicar sua influência para que sua obra tenha impacto no mundo" (Dubos, 1967a, p. 76; Dubos, 1967b, p. 118-119). "Quem sofre não é questionado sobre qual é o seu país e qual é a sua religião. Diz-se simplesmente: 'Você sofre, isso me basta: você me preocupa e eu o ajudarei" (Dubos, 1967a, p. 76-77). "Estou absolutamente convencido de que a Ciência e a Paz triunfarão sobre a Ignorância e a Guerra. Que as nações finalmente se unirão, não para destruir, mas para construir, e que o futuro pertencerá àqueles que trabalharam mais para o benefício da humanidade sofredora" (Dubos, 1967a, p. 77). Política "Não tenho e não quero ter nenhuma coloração política. Não quero ser nada senão um cidadão, um trabalhador dedicado ao seu país" ( Cuny, 1963, p. 171) . "A ciência, em nosso século, é a alma da prosperidade das nações e a fonte viva em todo o progresso. Sem dúvida, a política, com suas discussões cansativas e diárias parecem ser a nossa guia. Aparência vã! O que nos conduz são as descobertas científicas e suas aplicações... É a ciência que representarei no Senado" ( Cuny, 1963, p. 22-23). "Uma das grandes desgraças da França é que existem muitos políticos nas Assembleias. A política com suas fatigantes e cotidianas discussões parece ser nosso guia. Vã aparência! O que nos governa são algumas descobertas científicas e suas aplicações. No século atual, a ciência é a alma da prosperidade dos povos e a fonte festejada de todo o progresso" (Debré, 1995, p. 337). "É a Ciência na sua pureza, sua dignidade, sua independência que representarei no Senado" (Debré, 1995, p. 336). "A verdadeira democracia é aquela que permite a cada indivíduo dar o seu máximo esforço no mundo. Por que é necessário que ao lado desta fecunda democracia haja outra, estéril e perigosa, que, não sei sob que pretexto de igualdade quimérica, sonha em absorver ou aniquilar o indivíduo no Estado? Esta falsa democracia tem o gosto, atrevo-me a dizer o culto, da mediocridade ... Poderíamos definir esta democracia: a liga de todos aqueles que querem viver sem trabalhar, consumir sem produzir, chegar ao trabalho sem estar preparados para isso, para honrar sem ser digno..." ( Cuny, 1963, p. 29). Pasteur, enquanto candidato ao Senado confessa não aderir a nenhum partido, e seu discurso suscita indignação tanto da direita quanto da esquerda. Para o cientista, enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível: "Se, na nossa infeliz França, há trinta ou quarenta anos, os governos e as grandes corporações do Estado não se tivessem desinteressado das instituições próprias para fazer florescer as ciências, a Alemanha teria sido vencida. Ignoram vocês que, enquanto a política nos irrita por suas divisões insensatas que fazem a alegria satânica de nossos inimigos, o vapor, a telegrafia e tantas outras maravilhas transformam as sociedades modernas?" (Debré, 1995, p. 336). Arte "Grandes artistas quase sempre têm grandes corações" ( Cuny, 1963, p. 171). Animais " O sofrimento de um animal me impressiona o suficiente para que eu nunca quisesse matar um animal enquanto caçava (pescava). O gemido de uma cotovia ferida iria rasgar meu coração. Mas se se trata de escrutinar os mistérios da vida e adquirir uma nova verdade, a soberania da meta carrega tudo consigo (Em resposta a um protesto antiviseccionista) ( Cuny, 1963, p. 173). Com cães, você nunca deve começar. É muito difícil separar-se de um cachorro que você ama. Tudo bem não começar a amar um. Nunca tenha um (Resposta a uma pergunta feita durante a pesquisa sobre raiva) ( Cuny, 1963, p. 172 ). Exposições orais Após os desastres franceses na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, quando o governo italiano ofereceu-lhe uma cadeira de Química na Universidade de Pisa, com um alto salário: "O pensamento da França sustentou minha coragem durante as horas difíceis que foram uma parte inevitável dos prolongados esforços. Associei sua grandeza à grandeza da Ciência". "Eu me sentiria como um desertor se procurasse, fora de meu país em desgraça, uma situação material melhor do que aquela que ele pode oferecer-me (Dubos, 1967b, p. 116-117). Conferência pública na Sorbonne: "Na imensidão da criação, peguei minha gota de água, cheia de um alimento rico - ou seja, para usar a linguagem científica, cheia de elementos apropriados para o desenvolvimento de pequenos seres. E espero, observo, interrogo-a, peço-lhe mais uma vez que tenha a gentileza de começar, só para me agradar, o ato primário da criação. Seria tão lindo se ela me atendesse! Mas ela é muda! Permaneceu muda por anos. Ah! Isso aconteceu porque eu a mantive longe, e ainda a mantenho, da única coisa que o homem não pode produzir. Eu a mantive protegida dos micróbios que flutuam no ar; eu a protegi da vida, da vida de um micróbio, pois um micróbio é uma vida. A teoria da geração espontânea jamais se recuperará do golpe mortal que sofreu com esta simples experiência" (Birch, 1993, p. 10). Em discurso na Academia de Medicina: "Essa água, essa esponja, esse algodão com o qual vocês lavam ou cobrem uma ferida, podem depositar germes que têm o poder de se multiplicar rapidamente dentro dos tecidos... Se eu tivesse a honra de ser um cirurgião, impressionado como estou com os perigos a que o paciente está sujeito pelos micróbios presentes sobre as superfícies de todos os objetos, particularmente nos hospitais, não apenas usaria somente instrumentos perfeitamente limpos, como limparia minhas mãos com o maior cuidado e as sujeitaria a um rápido flambar... Eu usaria algodão, ataduras e esponjas previamente expostas a uma temperatura de 130 a 150º C." (Dubos, 1967b, p. 106-107). Para jovens cientistas no Instituto Pasteur: "Aquele entusiasmo que vocês mostraram desde o início, meus queridos colaboradores, conservem-no, mas deixem que a checagem precisa seja sua companheira de viagem. Jamais emitam uma opinião que não possa ser provada, cultuem o espírito crítico. Ele sozinho não pode despertar ideias nem levar a mente a fazer coisas brilhantes. Mas, sem ele, tudo é precário. Invariavelmente, ele dá a última palavra" (Birch,1993, p. 63). No discurso de seu jubileu: "Jovens, confiem no método científico, cujos primeiros segredos nós mal desvendamos. Não percam a coragem. Vivam no sereno ambiente dos laboratórios e das bibliotecas. No fim da vida, que vocês possam dizer: 'Fiz o que pude'." (Birch, 1993, p. 63; Dubos, 1967a, p. 52 ). "Jovens, tenham fé nos métodos eficientes e seguros dos quais ainda não conhecemos todos os segredos. E, qualquer que seja vossa carreira, não vos deixei desencorajar pela tristeza de certas horas que passam sobre as nações. Vivam na paz serena dos laboratórios e bibliotecas..." (Dubos, 1967b, p. 121). Sobre os laboratórios: "Tomem interesse, eu lhes imploro, naquelas sagradas instituições que designamos sob o expressivo nome de laboratórios. Peçam que elas sejam multiplicadas e adornadas; eles são os templos da riqueza e do futuro. Lá é que a humanidade cresce, torna-se mais forte e melhor. Lá é que ela aprende a ler nos trabalhos da Natureza, símbolos do progresso e da harmonia universal, enquanto que os trabalhos do ser humano são muito frequentemente aqueles do fanatismo e da destruição" ( Dubos, 1967a, p. 71; Dubos, 1967b, p. 119-120 ). Um dia, disse a seus alunos: "Vocês me trazem toda a alegria que pode sentir um homem cuja crença inabalável é a de que a ciência e a paz triunfarão sobre a ignorância e a guerra (...) que o futuro pertence àqueles que mais trabalharem para amenizar o sofrimento da humanidade" (Birch, 1993, p. 59). No discurso de inauguração do Instituto Pasteur: "Duas leis contrárias parecem estar lutando entre si atualmente: a primeira, a lei do sangue e da morte, sempre imaginando novos meios de destruição e forçando as nações a se encontrarem constantemente prontas para a batalha; a outra, a lei da paz, trabalho e saúde, sempre desenvolvendo novos meios para libertar o homem dos flagelos que o assolam" ( Dubos, 1967b, p. 120 ). Ao olhar pelo microscópio pela última vez em vida (micróbio da peste bubônica descoberto por Alexandre Yersin), comentou: "Ah, quanta coisa ainda há por fazer!" (Birch, 1993, p. 58). Em construção

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    Voltar para os Grupos Academia de Medicina Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Em 1873 Pasteur é eleito para a Academia de Medicina (Debré, 1995, p. 325). Claude Bernard vê em Pasteur um aliado contra médicos que desprezam a fisiologia (Debré, 1995, p. 327). Eles sentam-se lado a lado e conversam familiarmente (Debré, 1995, p. 392). Bernard defende as experiências de Pasteur e reconhece sua originalidade, concedendo-o o prêmio de fisiologia experimental. Ele é mais cientista do que médico, pois a seus olhos, o trabalho de laboratório é que fundamenta a medicina experimental e permite às antigas terapias se transformarem em ciências (Debré, 1995, p. 395). Durante muito tempo o bisturi ficou separado do microscópio. Só as lições de Pasteur e de Claude Bernard, juntos, na Academia de Medicina conseguirão mudar essa mentalidade. Por chocar com os hábitos de uma casta médica, as contribuições conceituais da microbiologia levarão mais de ¼ de século para penetrar nos costumes e práticas médicas (Debré, 1995, p. 301). Bernard preparou o terreno e foi Pasteur quem redesenhou a paisagem médica onde evoluímos há 1 século (Debré, 1995, p. 550). Bernard fala pouco, não sorri e raramente faz algum comentário. Faz inúmeras experiências com animais, relata as observações feitas e redige comunicações extensas para os padrões das Academias. Nunca faz propaganda de si mesmo e diferentemente de Pasteur, nunca quis sair falando de suas teorias e resultados. Apesar de ser reconhecido em toda a Europa como o primeiro fisiologista de sua época, Bernard só se sente à vontade em seu laboratório (Debré, 1995, p. 395). Uma estima recíproca vai unir estes dois amigos, em laços verdadeiramente pessoais. Bernard, uns 10 anos mais velho, sempre apoiou Pasteur prontamente, sobretudo na época da eleição de Pasteur para a Academia de Ciências. Eles se encontravam regularmente e participaram juntos de um pequeno grupo de peritos encarregado por Napoleão III para fazer um relatório sobre a situação do ensino científico na França (Debré, 1995, p. 397). Na ocasião do adoecimento por enterite de Bernard, Louis Pasteur, para apoiar seu amigo em convalescença e em repouso afastado de Paris, publica o artigo “Claude Bernard, importância de seus trabalhos, seus ensinamentos e de seu método”. Para isso, releu todos os trabalhos do amigo fisiologista. Bernard fica emocionado e agradecido, e lhe escreve “a admiração que o senhor demonstra por mim é recíproca”. Quando, por sua vez, Pasteur é atingido por um AVC, Bernard é um dos primeiros a comparecer à sua cabeceira para lhe trazer, afetuosamente, o seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Mais adiante, em 1878, Bernard fica gravemente doente. Acamado, é assistido pelo seu aluno Arsène d´Arsonval, a quem revela suas dúvidas sobre as teorias de Pasteur a respeito das fermentações. Ele acha que o fenômeno independe das leveduras, negando o papel da bactéria como organismo vivo, e diz ter anotações de resultados preliminares confirmando suas hipóteses. Neste mesmo ano, Bernard falece e seu aluno encontra seus papéis no quarto, e percebe que não são resultados, mas um esboço de trabalhos a realizar. D´Arsonoval e seus amigos optam pela publicação e enviam os papéis a Marcellin Berthelot (que não acredita no papel do ser vivo na fermentação), e publica as notas de Bernard em revista científica. A curiosidade é grande por esta publicação, pois Bernard não era amigo de Pasteur? (Debré, 1995, p. 399). Pasteur inicialmente não sabe se deve reagir publicamente, pois sabia ser uma atitude inerente de Bernard a de questionar tudo, a fim de não deixar passar nenhum erro de raciocínio. Pasteur consulta a opinião de colegas na Academia. Alguns aconselham a não se deixar incomodar pelo que seria uma volta ao passado; outros pensam que o respeito à memória de Bernard obriga a responder apenas com fatos, já que Bernard não está presente para sustentar uma discussão. O que mais choca a retidão de Pasteur é polemizar com um morto, no entanto, após ler os documentos por inteiro, decide se posicionar sugerindo que a publicação de Berthelot não é fiel ao pensamento de Bernard e anuncia que está começando uma nova série de experiências sobre fermentação, não para defender sua teoria, mas para dar continuidade aos trabalhos que Bernard não teve tempo de terminar. Naquele ano, as férias de Pasteur são consagradas a estas experiências e consegue resultados taxativos: a levedura é indispensável para a fermentação. Pasteur publica suas conclusões sob a forma de um exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação, onde afirma no final que “a glória do nosso ilustre colega não foi diminuída” (Debré, 1995, p. 401). Charles-Félix-Michel Peter 1824-1893 *Ver a microbiografia de Michel Peter no grupo Vacinação: Raiva. Michel Peter afirma que um médico não precisa se sobrecarregar com os saberes de um químico, de um físico ou de um fisiologista. Dirigindo-se a Pasteur, fala a respeito da febre tifoide: “O que me importa o seu micróbio?”. Em resposta, Pasteur denuncia o que para ele é uma “blasfêmia médica” e insiste que o médico deve não só curar, mas prevenir a doença, e recomenda a profilaxia e a higiene (Debré, 1995, p. 301). Peter é um dos mais influentes membros da Academia, e afirma que “as descobertas das bactérias são curiosidades da história moderna (...) quase sem nenhum proveito para a Medicina” (Debré, 1995, p. 460). Ele e Pasteur se desprezam, mas são parentes afastados do lado de suas esposas, por meio de um ancestral comum, Joseph Loir, que foi veterinário do exército do Egito. Ele havia se casado sob as ordens de Napoleão Bonaparte. Seu neto é Adrien Loir, sobrinho de Pasteur, que trabalha de manhã com Peter e de tarde com Pasteur. Deste modo, participa da briga dos dois “patrões” (Debré, 1995, p. 459). "Na Academia, Peter se arvora de promotor e transforma a assembleia em uma audiência de acusação: 'A desculpa do senhor Pasteur é a de ser um químico, que inspirado no desejo de ser útil, quis dar força à medicina, ciência que lhe é totalmente estranha" (Debré, 1995, p. 460). Gabriel Constant Colin 1825-1896 Veterinário francês. Foi professor da Escola de Veterinária de Alfort. Membro da Academia de Medicina. Filho de Louis Gabriel Colin e Jeanne Claude Amélie Menoux. Após os estudos veterinários, foi nomeado chefe de departamento na Escola de Veterinária de Lyon 1845, chefe de departamento em Alfort 1847, professor de higiene, botânica, zoologia em Alfort 1862, professor de botânica, zoologia e higiene em Toulouse 1865, professor de patologia e terapia geral, manual de operação, doenças parasitárias e encarregado do Departamento de aplicações cirúrgicas de Alfort 1866. Admitido a seu pedido de aposentadoria e nomeado professor honorário em 1887. Eleito membro da Academia de Medicina para a seção de medicina veterinária em 3 de janeiro de 1865. Nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 1869, promovido a Oficial em 1887. Gabriel Colin se revela um adversário da teoria de Pasteur. O veterinário se apoia em 12 anos de trabalho com o carbúnculo para afirmar que Pasteur está errado em acreditar que o bacilo é o responsável pela doença. Colin também se recusa a admitir o fenômeno de incubação de certas doenças. Pasteur se esforça em vão em convencê-lo apesar das explicações. Colin conserva vários adeptos entre os médicos. Diante de vários debates contraditórios na Academia, Pasteur exclama aos jovens que assistem às sessões: “jovens, vocês que se sentam no alto destas arquibancadas provavelmente são a esperança do futuro médico do nosso país. Não venham aqui para procurar a excitação da polêmica; venham se instruir com os métodos” (Debré, 1995, p. 356-358). Ref. https://data.bnf.fr/en/12298184/gabriel_colin/ Ref. https://cths.fr/an/savant.php?id=127642 Mais informações: https://mediatheque.ifce.fr/index.php?lvl=author_see&id=35842 Henri-Marie Bouley 1814-1885 *Ver a microbiografia de Henri Bouley no grupo Academia de Ciências. Bouley, que é veterinário, se declara impressionado com a interpretação de Colin, e embora partidário de Pasteur, convida-o a examinar de perto as objeções que lhe são feitas, as quais Pasteur replica vigorosamente. Porém, cabe ressaltar que Bouley é um dos grandes apoios de Pasteur (Debré, 1995, p. 355). No bem sucedido experimento de Pouilly-le-Fort, dentre o grande público presente, Bouley também está lá e participa do entusiasmo geral (Debré, 1995, p. 448). Na Academia, cada vez que Bouley tenta louvar os méritos de Pasteur, Peter intervém e é aplaudido em nome da medicina tradicional (Debré, 1995, p. 460). Bouley, um dos mais fiéis apoios de Pasteur na Academia de Ciências e na Academia de Medicina, e amigo de Pasteur, falece no mesmo dia que Louise Pelletier, criança de 10 anos que Pasteur tentou salvar da hidrofobia (raiva) (Debré, 1995, p. 495). Alphonse François Marie Guérin 1817-1895 Doutor em medicina francês (Paris, 1847). Cirurgião. Membro (eleito em 1868) da Academia de Medicina, seção de medicina operativa, então presidente em 1884. Ficou famoso com a invenção da bandagem de algodão que tornava possível proteger os feridos de envenenamento e infecção purulenta. Nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 12 de agosto de 1864. Oficial em 1871. Comandante em 1884. Recebe o colar de um alto funcionário da ordem do czar Stanislas II. A Academia de Ciências concedeu-lhe o Prêmio Montyon em 1875 e o Prêmio Godart em 1879. Alphonse Guérin estudou em Paris. Tornou-se Aide d'anatomie em 1843 e obteve o doutoramento em 1847, tornando-se 'prosector' do anfiteatro em 1848. Em 1850, através de concours, tornou-se Chirurgien des hôpitaux. Foi então sucessivamente cirurgião dos hospitais Lourcine (1857) e Cochin (1862), antes de ser nomeado Chirurgien en chef do Hôpital Saint-Louis. Finalmente, em 1872, foi nomeado cirurgião do Hôtel-Dieu. Ele se aposentou desta posição em 1879 para se tornar cirurgião honorário do hospital. Em 1858, os cirurgiões do hospital elegeram-no seu representante no Conseil deillance d'assistance publique e em 1864 no Conseil général de Departement Morbihan do cantão de Mauron. Em 1896 sua cidade natal teve uma homenagem a ele levantada, como o descobridor do curativo de algodão. Além disso, e de seus muitos epônimos, ele também descreveu um procedimento de transfusão de sangue imediata sob o termo "Communauté de la Circulation. Seu principal interesse era a cirurgia urológica. Diversos cirurgiões higienistas, como Alphonse Guérin, Just Lucas-Championnière, Jules Helot, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat e Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene (Debré, 1995, p. 307). "Foi no fim da guerra de 1870 que, na França, um cirurgião, Alphonse Guérin, faz a suposição de que a infecção poderia ser causada pelos germes do fermento descritos por Pasteur. Então, escreve: Acreditava, mais do que nunca, que os miasmas que emanavam do pus dos feridos eram a causa real dessa doença horrorosa pela qual tive a dor de ver sucumbir os feridos. (...) Pensei, então, que os miasmas, cuja existência eu já admitira por não conseguir explicar de outro modo a produção da infecção purulenta e dos quais eu só conhecia a influência deletéria, pode riam ser os corpúsculos dotados de vida, iguais aos que Pasteur vira no ar. (...) Se os miasmas são fermentos, eu poderia evitar sua influência funesta nos feridos, filtrando o ar, como Pasteur havia feito. (...) Imaginei, então, um curativo acolchoado com algodão e tive a satisfação de ver minhas previsões se realizarem" (Debré, 1995, p. 311). Alphonse Guérin cria o laboratório de anatomia e química patológica para observar os benefícios do uso dos curativos acolchoados. Ele associa o abcesso às febres infecciosas (Debré, 1995, p. 327). Pasteur constata que os curativos de Guérin, assim como os de Lister, são os verdadeiros responsáveis pelos sucessos cirúrgicos constatados, graças à filtragem dos germes por essa separação acolchoada e a consequente destruição destes pela solução antisséptica (Debré, 1995, p. 328). Ref. https://data.bnf.fr/en/12107429/alphonse_guerin/ Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/2626.html Mais informações: https://trehorenteuc-eglise-broceliande.fr/docteur-guerin/ Jules-René Guérin 1801-1886 Médico belga, especialista em deformidades do corpo humano, cujo nome está ligado à síndrome de Guérin-Stern, ao sinal de Guérin-Kerguistel, à lei de J. Guérin. Lançou as bases da ortopedia científica e cirúrgica. Fundador e diretor do Medical Gazette of Paris, de 1830 a 1872. Iniciou seus estudos médicos em Paris em 1821, obtendo seu doutorado nessa universidade em 1826. Desde cedo se interessou pelo jornalismo e, dois anos depois, fundou a revista médica Gazette de santé, da qual foi editor e editor, e para a qual também escreveu artigos. Foi rebatizada de Gazette médicale de Paris em 1830, e foi dirigida por Guérin até 1872. Ele era um advogado de sua profissão, trabalhando, entre outras coisas, para a reintrodução de concursos. Além disso, atuou como escritor em diversas sociedades médicas, relator da comissão ministerial instituída pelos médicos e trabalhou em novas leis relacionadas a uma reforma no ensino e na prática da medicina. Com isso, ele procurou garantir a mais elevada liberdade de ensino possível. Ele foi o criador do Feulleton médico. A partir de 1832 passou a fazer mais trabalhos científicos, primeiro investigando a cólera, antes de voltar seu interesse para a ortopedia, que se tornaria sua especialidade e alicerce de sua reputação (1, 4). Depois de publicar alguns trabalhos nessa área, ele conseguiu estabelecer um hospital ortopédico, o Institut de la Muette em Passsy. Um ano depois, em 1839, foi-lhe confiada a liderança de uma unidade ortopédica de um hospital infantil. De 1838 a 1843 surgiram 13 trabalhos sobre problemas ortopédicos. Os fisiológicos foram recebidos com aclamação quase unânime, enquanto os de terapia e patologia foram recebidos com muita animosidade, especialmente a teno e miotonia recomendados por Guérin. Apesar disso, ele recebeu vários prêmios por seu trabalho. Em 1837 recebeu o grande prêmio de 10.000 francos por seu trabalho sobre as diferenças do sistema esquelético. Guérin era o responsável pela revista que fundou por mais de quarenta anos, mas também contribuiu para outras. A partir de 1842 também esteve bastante ocupado como membro da Academia de Medicina (1). Ele tinha 85 anos quando foi a Marselha e Toulon para ajudar as autoridades da cidade a combater um surto de cólera e evitar que se propagasse. Ele recebeu três prêmios Monthyon da Academia por seu trabalho fisiológico. Quando Pasteur faz uma comunicação à Academia de Medicina dizendo que pretende produzir vacinas, mas ainda sem relatar o processo, que ainda iria dar início, os adversários de Pasteur, encabeçados por Jules Guérin o censuram por não comunicar os detalhes de sua técnica e conseguem que a Academia repreenda a conduta de Pasteur. O cientista fica furioso e abatido, pois naquele mesmo período sua irmã (Virginie) acaba de falecer. Pasteur faz diversos rascunhos de uma carta de demissão da Academia, mas volta atrás. Mais adiante, Pasteur estará apto a revelar em detalhes o seu processo experimental de virulência atenuada (vacinação), que marcará o nascimento de uma nova disciplina, a imunologia (Debré, 1995, p. 427-428). As discussões sobre a varíola e a vacina continuam na Academia, o que se torna cansativo para Pasteur. O conflito entre os dois se agrava e Pasteur o responde grosseiramente. Recusando-se a 'responder a curiosidade indiscreta, intempestiva e malsã do senhor Guérin', acrescenta: 'Doravante, seremos dois no combate e veremos qual de nós sairá ferido e machucado desta luta'. A sessão é suspensa por um grande tumulto. Guérin furioso se precipita sobre Pasteur e é impedido pelo barão Larrey, que se interpõe. Na época, Guérin tem quase 80 anos e Pasteur quase 60 anos. "Jules Guérin desafia Pasteur em um duelo" (Debré, 1995, p. 562). Depois de alguns dias, o conflito vai se extinguir e Pasteur aceita se desculpar, cujas palavras ficaram registradas na ata: “Se, no calor do debate, pronunciei alguma palavra ou julgamento que pudesse prejudicar o renome do senhor Jules Guérin, eu as retiro e declaro que nunca desejei ferir nosso sábio colega. Em nossas discussões, só tive uma preocupação, a de defender, energicamente, a exatidão dos meus trabalhos” (Debré, 1995, p. 441-442). Gabriel Colin e Jules Guérin continuam a atacar Pasteur, mesmo após o sucesso do experimento em Poilly-le-Fort. Não raro, Pasteur deixa a sala, com raiva contra os que não compreendem o valor de suas experiências. Finalmente, resigna-se a não mais assistir às sessões da Academia. Sua ausência, no entanto, não impede as controvérsias sobre a teoria microbiana, a teoria do contágio e sobre as terapias propostas (Debré, 1995, p. 459). Ref. https://data.bnf.fr/en/12462139/jules_guerin/ Ref. https://www.researchgate.net/publication/334005498_The_Most_Influential_Scientists_in_the_Development_of_Public_Health_1_Jules_Rene_Guerin_1801-1886 Ref. https://search.proquest.com/openview/1a85063c7254dd03ebf3d9c9468cfb48/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1226372 Mais informações: https://www.bookdepository.com/Gazette-Medicale-de-Paris-Vol-2-Jules-Rene-Guerin/9781390324983 Charles-Emmanuel Sédillot 1804-1883 Médico militar e cirurgião francês. O professor Charles Sédillot é um dos pioneiros da medicina moderna, cirurgia, anestesiologia, histopatologia e infectologia. Infelizmente, ele permanece desconhecido fora dos círculos dos historiadores da medicina militar francesa. Foi o primeiro cirurgião do mundo a oferecer técnicas como luxação coxofemoral e uretrotomia interna, tornando-se pioneiro na cirurgia endoscópica. Ao introduzir a anestesia geral na França, ele revolucionou o atendimento ao paciente. Além disso, ele lançou as bases para o tratamento moderno e algorítmico de tumores, adotando os princípios da histopatologia clínica. Muito antes da descrição feita por Semmelweiss (1818-1865), ele previu e compreendeu a existência e a ação dos microrganismos, que chamou de micróbios, no desenvolvimento de infecções pós-operatórias. Por seu trabalho, ele foi homenageado por seus pares na França, mas permaneceu desconhecido além das fronteiras de sua terra natal. Charles Sédillot foi o inventor da palavra “micróbio” (do grego: mikros , “pequeno” e bios , “vida”), que ele propôs em 1878 em suas comunicações à Academia de Ciências, intitulado 'Sobre a influência do trabalho do Sr. Pasteur sobre o andamento da cirurgia'. Sédillot, que conheceu Pasteur enquanto era nomeado Professor de Química em Estrasburgo de 1848 a 1854, escreveu: Esses organismos formam um mundo composto de espécies, famílias e variedades cuja história, mal iniciada, já é rica em previsão e resultados da maior importância. Louis Pasteur (1822-1895), então com 56 anos, aprovou a palavra “micróbio” e ficou profundamente comovido com as marcas de apego que Sédillot lhe conferiu, especialmente porque as críticas não haviam diminuído. Em 19 de março de 1881, Pasteur escreveu em uma carta a Sédillot sobre este assunto: Caro e ilustre mestre, permita-me publicar (e dizer que é feito com sua permissão) a carta em que o senhor Littré aprovava a palavra micróbio , proposto por você, para silenciar os escrúpulos de algumas pessoas mais ou menos interessadas. Queira aceitar, com a esperança de que eu e todos os seus colegas também ajudemos na recuperação da sua saúde, uma homenagem do meu mais profundo e afetuoso respeito. Em conclusão, Sédillot teve um papel importante e impacto no desenvolvimento da medicina e cirurgia modernas. A evocação de sua vida excepcional, rica e eclética deve nos levar a abordar a questão recorrente da adequação da hiperespecialização em medicina e ciências. Em nossa mente, a vida e a obra de Sédillot estão questionando, de forma adequada, paradigmas médicos “estabelecidos”. Sédillot não era membro da Academia de Medicina, mas era um fervoroso partidário de Pasteur. Com 64 anos, foi um dos primeiros a aceitar e encorajar os trabalhos de Pasteur e suas aplicações cirúrgicas. Ele lê uma nota na Academia resumindo a evolução positiva do tratamento das lesões, com curas mais frequentes e redução de gangrenas e amputações. Se relatório termina com uma apologia à palavra micróbio (em vez de animálculo), dizendo: “a palavra micróbio tem a vantagem de ser mais curta e de possuir um significado mais geral e, tendo meu ilustre amigo Littré, o linguista mais competente da França, aprovado esse nome, nós o adotaremos” (Debré, 1995, p. 408). Ref. https://data.bnf.fr/en/12337301/charles_sedillot/ Mais informações: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1743919112007601?via%3Dihub Mais informações: https://www.academie-sciences.fr/fr/Liste-des-membres-depuis-la-creation-de-l-Academie-des-sciences/les-membres-du-passe-dont-le-nom-commence-par-s.html Maximilien-Paul-Émile Littré 1801-1881 Médico, filósofo, filólogo, lexicógrafo e político francês. Membro da Academia de Medicina (eleito em 1858) e membro da Academia Francesa (eleito em 1871). Estudioso da língua francesa, lexicógrafo e filósofo cujo monumental Dictionnaire de la langue française, 4 vol. (1863-73; “Dicionário da Língua Francesa”), é uma das realizações lexicográficas mais notáveis de todos os tempos. Littré era unanimemente respeitável, sendo descrito como uma das grandes mentes do século, e pela sagacidade de sua mente, Ernest Renan disse ser “uma das consciências mais completas do universo”. Foi autor do célebre Dictionnaire, e mesmo deixando de praticar a medicina, torna-se um erudito na área. Deste modo, torna-se a autoridade mais competente para batizar os pequenos organismos que Pasteur detectou em seu microscópio. Em resposta a Sédillot afirma: “para designar os animálculos, eu daria preferência a ‘micróbio’; primeiro, porque, como você diz, é mais curto, depois porque ele destina ´microbia´, substantivo feminino, para a designação de estudo do micróbio” (Debré, 1995, p. 410). Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). "Nos bancos da antiga Casa de Caridade, Pasteur encontra cinco dos maiores positivistas: Claude Bernard, Émile Littré e, é claro, Marcelin Berthelot; também Paul Broca, o célebre neurologista a quem se deve a primeira descrição anatômica do cérebro e Charles Robin, colaborador de Littré, inventor das palavras "hemácias" e "leucócitos" para designar os glóbulos vermelhos e brancos do sangue. Como revelam as atas das sessões, depois da morte de Claude Bernard, esses cientistas deixam Pasteur lutar sozinho. Por ocasião da famosa comunicação de maio de 1880, quando Pasteur descreve o estafilococo do furúnculo como sendo também responsável pela osteomielite, nenhum deles toma a palavra para destacar a importância da descoberta" (Debré, 1995, p. 416). Ref. https://data.bnf.fr/en/11913139/emile_littre/ Mais informações: NAHAS, Jacqueline; F ERNANDES, Pedro. Homo lexicographus. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2017. Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Paul-Emile-Littre Mais informações: https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100109344 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/littre-maximilien-paul-emile Edmé Félix Alfred Vulpian 1826-1887 *Ver microbiografia de Alfred Vulpian no grupo Vacinação: Raiva. Vulpian era um dos médicos mais respeitados de sua época. Torna-se membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. Após o sucesso do tratamento e diante da Academia de Ciências, Vulpian pede a palavra dizendo que Pasteur trabalhou durante anos, com uma série de pesquisas feitas sem interrupção até criar um tratamento do qual não duvida do sucesso (Debré, 1995, p. 489, 494). Jean-Martin Charcot 1825-1893 Doutor em Medicina francês (Paris, 1853). Especialista em doenças nervosas para as quais estabelece a nosologia. Conhecido por suas descobertas sobre esclerose múltipla, doença de Parkinson e por suas "aulas de terça-feira" sobre hipnotismo exercido sobre histéricos em La Salpêtrière, Paris. Diretor do Service des hysteriques de la Salpêtrière, Paris. Jean-Martin Charcot foi indiscutivelmente o médico mais conhecido da França durante o início da Terceira República. Ele foi reconhecido por suas brilhantes realizações em três campos distintos da medicina clínica : neurologia, geriatria e medicina interna . Ele também era conhecido pelo círculo de estudantes de medicina leais e talentosos que orientou e por suas extravagantes demonstrações de síndromes patológicas. Além de suas atividades médicas, Charcot conviveu com políticos poderosos, se esforçou para fazer avançar a agenda legislativa do republicanismo francês e reuniu a elite da sociedade cultural parisiense em sua casa para salões semanais. Após a descoberta da vacina da raiva, Charcot aproveita para posicionar-se perante os inimigos de Pasteur na Academia: “o inventor da vacina antirrábica hoje, com mais razão do que nunca, pode andar com a cabeça erguida e prosseguir o cumprimento de seu glorioso labor sem deixar-se desviar dele, no mínimo pelos clamores da contradição sistemática ou pelas insidiosas murmurações da difamação” (Viñas, 1991, p. 156). Ref. https://data.bnf.fr/en/12424494/jean-martin_charcot/ Ref. https://www.encyclopedia.com/history/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/charcot-jean-martin Ulysse Trélat 1828-1890 Cirurgião francês. Doutor em medicina (Paris, 1854). Agrégé da Faculdade de Medicina de Paris. Professor de medicina (1872). Membro da Academia de Medicina (1874). Trélat era filho do médico do exército de mesmo nome (1795-1879). Ele recebeu sua educação científica e prática de seu pai, Philippe-Frédéric Blandin (1798-1849), Philibert Joseph Roux (1780-1854) e Auguste Nélaton (1807-1873). Tornou-se assistente de anatomia em 1853, recebeu o título de doutor em medicina em 1854 e em 1855 assumiu a função de procurador. Ele se tornou agrégé em 1857, chirurgien des hôpitaux em 1860, chirurgien-en-chef na Maternité em 1864. Após extensa prática em outros grandes hospitais de Paris, ele se tornou professor de cirurgia clínica no Hôpital Necker em 1860, e em 1872 foi eleito membro da academia. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/10737796/ulysse_trelat/ Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/1682.html Jacques François Édouard Hervieux 1818-1905 Médico francês. Muito de seu trabalho foi com doenças de mulheres e crianças; o mais notável é o Tratado clínico e prático das doenças puerperais após o parto, onde Hervieux estudou todas as doenças das puérperas do ponto de vista triplo clínico, necroscópico e terapêutico. Este livro, fruto de dez anos de prática em um hospital reservado exclusivamente para o parto e suas consequências, começa com a apresentação da doutrina da intoxicação puerperal, pela qual Hervieux explica a mortalidade que grassa nos hospitais. A par da profissão de obstetra, esteve também envolvido na vacinação, da qual a Academia de Medicina era um dos centros, da qual era diretor. Embora ele mesmo fizesse as vacinas, tinha menos em vista o estudo anatômico e fisiológico dos procedimentos do que sua aplicação profilática imediata. Ele aproveitou todas as oportunidades para intervir assim que chegou uma comunicação a esse respeito e, ao menor alarme, partiu apressadamente em campanha; no dia seguinte à sessão em que o mal havia sido denunciado, ele era visto chegando, às vezes de madrugada, para indagar sobre os fatos relatados e dar sua resposta. Era para ele um sinal de atividade febril, de necessidade de luta, de qualquer explosão ou ameaça de varíola, seja no território ou nas colônias, ou no exterior. Ainda mais, se fosse uma epidemia excepcional. Em 1870, a varíola eclodiu no exército francês, provada pelas misérias do cerco de Paris. Só o hospital Bicêtre recebeu quase 10.000 varíola em três meses. De todos os médicos presentes, nenhum sentiu uma agitação mais profunda do que Hervieux. Essas preocupações com a varíola, que deviam absorver o fim da vida de seu autor, em nada diminuíram a importância de suas outras obras, nem diminuíram o mérito de inúmeras produções sobre os mais diversos temas da patologia médica. Ele foi eleito membro da Academia de Medicina na seção de partos em 10 de junho de 1873. Foi presidente no ano de 1896. Certa vez, Pasteur interrompeu aos brados uma conferência sobre febre puerperal, de Édouard Hervieux, um famoso ginecologista, repleta de termos gregos e romanos, mas sem fazer menção aos microrganismos, para afirmar: "O que está matando as mulheres com infecção puerperal não é nada disso! São vocês, médicos, que transportam micróbios mortais das mulheres doentes para as salas". Colhendo sangue e secreções vaginais das pacientes de Hervieux, que gentilmente abriu a Pasteur as suas enfermarias, Pasteur conseguiu isolar microrganismos nas culturas de caldo de galinha que ele desenvolveu, identificando o estreptococo como o agente causador da febre puerperal, e para sua profilaxia indicou a anti-sepsia com ácido bórico. Ref. https://data.bnf.fr/en/10708546/edouard_hervieux/ Ref. https://www.ccih.med.br/wp-content/uploads/2014/07/capitulo7-As-bases-do-hospital-contempor%C3%A2neo-a-enfermagem-os-ca%C3%A7adores-de-micr%C3%B3bios-e-o-controle-de-infec%C3%A7%C3%A3o.pdf Ref. http://cths.fr/an/savant.php?id=3827# Louis-Félix Terrier 1837-1908 Médico cirurgião francês. Lecionou no Hôpital de la Pitié, Paris. Louis-Félix Terrier nasceu em Paris em 1837. Iniciou os estudos veterinários na Maison-Alfort em 1854 e em 1859 matriculou-se na Faculdade de Medicina da capital francesa. Em 1862 foi internado nos serviços de Jarjavay, Oulmont, Gosselin e Chassaignac. Em 1870 obteve o grau de doutor com a tese De l'oesophagotomie externe (Paris, Baillière, 1870), e em 1872 a agregação com a obra Des anévrismes cirsoïdes (Paris, Baillière, 1872). Foi cirurgião do Central Bureau (1873), cirurgião dos hospitais Salpêtrière (1878), Saint-Antoine (1882) e Bicaht (1883). Ele também foi professor de cirurgia clínica (quarta cadeira) em La Pitié. Quanto ao seu trabalho científico, pode-se dizer que trouxe "o espírito bacteriológico de Pasteur" para as salas de cirurgia e se declarou a favor da esterilização com ar seco. A assepsia permitia que ele, como Courvoisier, penetrasse em campos como a cavidade abdominal que antes eram proibidos. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/12337285/felix_terrier/ Ref. https://historiadelamedicina.org/terrier.html Just Marie-Marcellin Lucas-Championnière 1843-1913 Cirurgião francês em hospitais de Paris. Membro da Academia de Ciências, secção de medicina e cirurgia (eleito em 1912). Membro da Academia de Medicina, seção de medicina operativa (eleito em 1894). Editor-chefe do "Journal of Practical Medicine and Surgery". - Neto do oficial Vendée Pierre-Suzanne Lucas de La Championnière. Just Lucas-Championnière é um médico francês, nascido em Saint-Léonard no Oise em 15 de agosto de 1843 e morreu em 22 de outubro de 1913 em Paris, de um acidente vascular cerebral, durante uma intervenção pública na Academia de Ciências durante a qual acabava de entregou uma importante comunicação sobre trepanação pré-histórica. Filho do doutor Just Lucas-Championnière (1803-1858), fundador da Revista de medicina prática e cirurgia , a primeira revista profissional amplamente distribuída destinada a clínicos gerais disponível nos CFDRMs , ele será codiretor com seu irmão Paul Championnière. Estagiário em medicina em 1866, passou sua tese de doutorado em 1870 antes de ingressar na 5ª ambulância internacional durante a guerra de 1870. Foi nomeado cirurgião hospitalar em 1874. Dirigiu sucessivamente os serviços cirúrgicos do hospital Cochin (maternidade), hospital Tenon, Hospital Saint-Louis, hospital Beaujon e, finalmente, Hôtel-Dieu, até sua aposentadoria em 1906. Em 1867, ainda estudante de medicina, Just Lucas-Championnière ficou intrigado com um artigo na revista médica The Lancet onde o cirurgião britânico Joseph Lister descreveu o trabalho de antissepsia, inspirado nas teorias de Louis Pasteur, que vinha desenvolvendo para dois anos na Glasgow Royal Infirmary. No ano seguinte, ele viajou para a Escócia para observar os métodos de Lister, fez amizade com ele e passou um mês em seu serviço. Em janeiro de 1869, publicou o primeiro artigo em francês sobre as virtudes da antissepsia. Ele será um propagandista fervoroso por toda a vida. Ele é o autor da primeira obra de referência francesa sobre este método, o Manual de cirurgia anti-séptica , publicado em 1875 (segunda edição 1880). Nomeado diretor da maternidade do hospital de Cochin, ele introduziu a antissepsia por meios muito simples: ensaboar as mãos antes das operações, tratar feridas com ácido carbólico. A queda da mortalidade no parto é espetacular: “Em seu departamento de Cochin, em 1878, a mortalidade era de apenas 2 por 1000, enquanto no mesmo ano, nos hospitais onde não se praticava antissepsia, a mortalidade às vezes era de 50 por 1000 ”. Também realizou inúmeros trabalhos considerados na época muito inovadores sobre a cura radical das hérnias (1880-1893) , a trepanação guiada por localizações cerebrais (1878) ou o tratamento de fraturas (1887-1895). Ele é o autor de Tratamento de fraturas por massagem e mobilização de 1895. Currículo: Eleito membro da National Academy of Medicine em 1894 e do Institut de France (Academy of Sciences) em 1912, Just Lucas-Championnière também foi cooptado por prestigiosas instituições estrangeiras: Royal College of Surgeons de Londres, Royal College Edinburgh Surgeons , New York Medical Academy. Ele também foi um doutor honorário da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Sheffield. Foi eleito presidente da Sociedade de Cirurgia em 1894, da Associação Francesa de Cirurgia em 1901 e da Sociedade Internacional de Cirurgia em 1911. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). "Em 1869, um jovem cirurgião, Just Lucas-Championnière, vai a Glasgow para encontrar Lister. Ele volta entusiasmado, mas seu relatório, publicado no Journal de médicine et de chirurgie pratique, não convenceu ninguém. Ele vê recusada a solicitação para experimentar, na França, o método de Lister. Só consegue uma evolução das mentalidades em 1874: chamado para substituir o chefe do serviço do hospital Lariboisière, onde todos os feridos têm supuração, ele pode, então, mostrar a eficácia da anti-sepsia. Essa primeira experiência coincide com o início das relações diretas entre Lister e Pasteur" (Debré, 1995, p. 321). "Just Lucas-Championnière, um dos primeiros a introduzir as teorias de Pasteur no hospital, é neto de um chefe vendéen (nome dado durante a Revolução Francesa aos insurretos monarquistas do oeste da França) - seus adversários se aproveitam disso para acusá-lo de obscurantismo católico..." (Debré, 1995, p. 417). Ref. https://data.bnf.fr/en/12950431/just_lucas-championniere/ Ref. http://www.cfdrm.fr/CV_Just_Lucas-Championniere_fils_1843-1913.htm Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/3332.html Mais informações: https://education.persee.fr/doc/revin_1775-6014_1913_num_66_2_9105 Mais informações: https://www.academie-sciences.fr/pdf/eloges/lucas_vol3268.pdf Étienne-Stéphane Tarnier 1828-1897 Médico obstetra francês. Pioneiro da medicina neonatal e inventor da incubadora. Stéphane Tarnier estudou medicina em Paris e se tornou o decano da obstetrícia na França durante a segunda metade do século XIX. Ele foi pioneiro em muitos avanços e encorajou uma abordagem perinatal para o parto que foi desenvolvida por seus discípulos, Budin e Pinard. Tarnier também cuidava da alimentação dos recém-nascidos e, mais particularmente, das crianças prematuras. O final da década de 1880 viu um verdadeiro boom na nutrição infantil, especialmente com as descobertas de Pasteur, e a esterilização então se tornou a regra. Ele se interessou pela causa e prevenção da febre puerperal, que na época ceifava a vida de uma em cada seis parturientes no hospital. Em 1857, Tarnier apresentou à Académie sua dissertação inaugural sobre o assunto. Ele mostrou que a mortalidade por sepsia puerperal foi 13 vezes maior no hospital do que nas mulheres que deram à luz no bairro fora e declarou estar convicto de que a doença era contagiosa. Tal sugestão foi considerada muito polêmica na época, mas seu chefe, Paul Dubois, ficou impressionado e o nomeou chefe da clínica da Maternité e, em 1867, cirurgião-chefe. Durante os 22 anos seguintes sob sua direção, a higiene do hospital foi melhorada; ele introduziu o isolamento de casos infectados e foi o primeiro na França a adotar a antissepsia de Lister, incluindo o spray de ácido carbólico e uma técnica de exclusão peritoneal para cesariana. A mortalidade por infecção puerperal na Maternité caiu de 93/1000 partos para 23/1000 no período de 1870-1880, e então para 7/1000 na década seguinte. Eventualmente, 1000 mulheres consecutivas deram à luz no hospital sem qualquer perda materna. Os estudos de Tarnier sobre a febre puerperal de mais de 40 anos foram publicados em 1894. 4 Em 1886, ele e Oliver Windell Holmes foram nomeados os honorários da Universidade de Edimburgo. Em 1891, Tarnier foi eleito presidente da Academia de Medicina de Paris. Ele estava sobrecarregado há muitos anos e seis anos depois decidiu se aposentar. No mesmo dia de sua aposentadoria, ele sofreu um derrame e morreu pouco depois, em 22 de novembro de 1897. Ele tinha 69 anos. Assim morreu um homem que era amado por seus alunos e adorado por seus pacientes. Ele havia lançado as bases do cuidado perinatal na França. Talvez, porém, sua maior contribuição tenha sido nos homens que treinou, homens como Pierre Budin e Alphonse Pinard que levaram adiante e desenvolveram seus conceitos. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/13479433/etienne_tarnier/ Ref. https://fn.bmj.com/content/86/2/F137 Mais informações: https://fr.aleteia.org/2018/11/16/stephane-tarnier-le-medecin-qui-a-consacre-sa-vie-aux-meres-et-aux-enfants/ Mais informações: https://embryo.asu.edu/pages/etienne-stephane-tarnier-1828-1897 Mais informações: https://www.cambridge.org/core/books/eponyms-and-names-in-obstetrics-and-gynaecology/tarnier-etienne-stephane-18281897/4610AAE20D62E806A228DB3110C26C25 Próximo Grupo

  • Descobertas | Pasteur Brasil

    Principais Descobertas O químico lançou as bases para várias disciplinas: Biologia Molecular, Epidemiologia Infecciosa, Imunologia, Vacinologia. Primeiras descobertas Cristalografia Os trabalhos nesta área abriram um novo campo na química, denominado Estereoquímica, trazendo o caráter operativo das representações tridimensionais das moléculas. Início da microbiologia científica Fermentação Desvendou-se o mistério da fermentação: o papel dos microorganismos. As repercussões vão desde o fim da era da geração espontânea até ao papel dos organismos invisíveis na etiologia de uma série de doenças. Em construção Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Extensão do método experimental Teoria dos Germes A elucidação detalhada das doenças do bicho-da-seda permitiram a comprovação científica de contágios de microorganismos nas áreas agrícola, animal e humana. Houve o estabelecimento do método científico experimental. Estabelecimento da vacinação Imunologia Abertura ao vasto campo de tratamentos de doenças infectocontagiosas e o início da vacinação em massa.

  • Biógrafos | Pasteur Brasil

    Biógrafos Biografia resumida Contextualização da análise de parte dos biógrafos "Se Pasteur foi frequentemente descrito com um excesso de complacência (santificação), ele também sofreu ataques severos durante sua vida e após sua morte (demonização). Os oponentes e detratores não falharam. E ainda há alguns de nossos contemporâneos 'revisionistas' que publicam artigos de vez em quando. De que valem essas acusações, esses julgamentos de falsificação e plágio? Não se pode negar que Pasteur foi inspirado por um trabalho anterior ao seu, uma prática comum na pesquisa científica, e que ele não avançou suficientemente os nomes de seus predecessores é um fato. Mas não podemos negar-lhe a paternidade de suas descobertas validadas por experimentos decisivos e consagrados por aplicações. Neste ensaio, Jean-Pierre Brunet quer expressar sua opinião, muito pessoal - mas também muito compartilhada por numerosos pesquisadores e historiadores - sobre os escritos dos contundentes, denegridores e outros difamadores de Pasteur. Se o autor não lista todos os detratores, ele aponta alguns para relembrar suas críticas e desmontá-las. Porque observamos que essas críticas muitas vezes são recorrentes, copiadas por historiadores, ou afirmadas como tal, sem nos preocuparmos em voltar às fontes, que assim perpetuam indefinidamente afirmações errôneas, falsas ou totalmente fantasiosas". Tradução livre de excerto do prefácio de Annick Perrot ao livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 9-10 ) "Em 28 de setembro de 1895, Louis Pasteur morreu com 72 anos de idade (...) Depois de um período de 'contestação', em que foi perpetuamente objeto de crítica, e depois um período de 'celebração' em que suas descobertas foram finalmente admitidas, Pasteur entrou em um período que poderia ser descrito sem exagerar como santificação. O governo decreta um funeral nacional. Uma grande procissão acompanha o carro funerário onde, entre a multidão, podemos reconhecer Felix Faure, seus ministros, Constantino da Rússia, Nicolau da Grécia e muitos outros. Ao contrário do que alguns desejam, Pasteur não será enterrado no Panteão. Ele vai descansar um ano em uma capela de Notre-Dame de Paris enquanto espera a conclusão da cripta que lhe foi destinada, no porão do Instituto que leva seu nome (...) E, embora os institutos Pasteur sejam fundados em vários países, que avenidas, avenidas, ruas tomem o nome de Pasteur, não só na França, mas no exterior, que suas estátuas se ergam por toda parte, que colégios, clínicas, hospitais sejam colocados sob seu nome (...) que selos, moedas, medalhas são emitidas com sua efígie, que peças de teatro, filmes representem-no no palco ou na tela, (...) a publicidade se aproveita de sua imagem para promover marcas de cerveja ou camembert. Pasteur tornou-se uma glória nacional, conhecida e celebrada universalmente". Tradução livre de trecho adaptado do livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 13-15 ) Santificação René Vallery-Radot (A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951). Louis Pasteur Vallery-Radot (Pasteur Inconnu. Paris, França: Flammarion, 1954). Hellmuth Unger (Luís Pasteur: retrato de um gênio. São Paulo, SP: Melhoramentos, [196-]). J. M. Escamez (Pasteur. São Paulo, SP: Cultura Moderna, [19--]). Exemplos de biografias de teor hagiográfico René Vallery-Radot Entre 1879 e 1895, René Vallery-Radot ajudou o sogro a enfrentar seus detratores, fazendo contato com a imprensa, dando apoio nas respostas às cartas de polemistas e reescrevendo seus discursos. Com objetivo diplomático, auxiliou na adaptação dos textos a serem publicados na imprensa e reescreveu cartas redigidas com raiva por Louis Pasteur, pois o cientista era irascível. O desejo de Vallery-Radot de suavizar as coisas explica a surpresa que se pode ter quando, depois de ler seu livro "La Vie de Pasteur", mergulha-se na correspondência do próprio Pasteur, onde aspectos de seu temperamento o seu genro não conseguiu falar. Louis Pasteur Vallery-Radot Guardadas todas as considerações ao grande trabalho de compilação da obra de Pasteur em sete tomos e disponibilização de diversos materiais do cientista em variadas publicações, o neto de Pasteur, o médico Louis Pasteur Vallery-Radot (1886-1970), retrata, em suas palavras "a glória científica de Pasteur e suas qualidades excepcionais", sendo necessário ter em consideração o viés do afeto genuíno pelo avô em suas análises. Hellmuth Unger O médico e escritor alemão Hellmuth Unger (1891-1953), autor de mais de 60 livros, inclusive biográficos, referentes a Robert Koch, Rudolf Virchow e outros, utilizou tons elogiosos à figura de Louis Pasteur. Ainda assim, nesta obra traduzida para o português, é possível extrair diversas citações diretas de Pasteur, as quais estão indicadas na página Citações, deste site. "Contudo, depois do fluxo, vem o refluxo. Se Pasteur não foi mais contestado por várias décadas, a partir do século XX surgiu um movimento que, segundo um jargão, poderia ser qualificado de demonização". Tradução livre de trecho adaptado do livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 13-15 ) Demonização Ethel Douglas Hume (Pasteur exposed, germs genes vaccines, the false foundations of modern medicine, first published 1923, last published 1988, Ed. Bookreal, Australia). Jules Tissot (Constitution des organismes animaux et végétaux Causes des maladies qui les atteignent. Preuves de l'inefficacité et des dangers des vaccinations actuelles, 1926). Pierre Yves Laurioz (Louis Pasteur, la réalité après la légende, Ed. De Paris, 2005). Sylvie Simon (Pasteur, l'intouchable mythe, Univers Spirale, 2005). Eric Ancelet (Pour en finir avec Pasteur: un siècle de mystification scientifique. vétérinaire. Ed. Résurgences, 1998). Marc Averous (Un bon Pasteur?. Ed. Louise Courteau, 2007). Gérald Geison (The private science of Louis Pasteur. Ed. Princeton University Press, 1995 / A ciência particular de Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Contraponto, 2002). Yves Robin (Lettre ouverte à Monsieur Pasteur Louis. Éditions Livres, 2003). Gerald Geison A despeito dos pontos positivos desta obra, Max Perutz (1914-2002) chegou a uma conclusão muito desfavorável sobre a vida de Pasteur de Gerald Geison: "Derrubar grandes homens de seus pedestais, às vezes com a menor evidência, tornou-se uma indústria elegante e lucrativa, e segura, já que eles não podem processar porque estão mortos. Geison está em boa companhia, mas ele, em vez de Pasteur, parece-me culpado de conduta antiética e desagradável quando vasculha os cadernos de Pasteur em busca de fragmentos de supostas irregularidades e, em seguida, os aumenta desproporcionalmente, a fim de arrastar Pasteur para baixo. Na verdade, sua evidência é artificial e não sobrevive ao exame científico" (New York Review of Books, 21 de dezembro de 1995). O link de acesso ao texto encontra-se a seguir. Ethel Douglas Hume Nesta obra, segundo Ethel Hume (1923), “O herói da medicina ortodoxa, Pasteur, é apresentado como um químico que, mesmo sem ter sido médico, ousou nada menos do que alegar revolucionar a medicina. A busca pelo sucesso pessoal dominou seu ego. Ele alcançou seus objetivos com sua energia e tenacidade. Ao fazer isso, ele deixou de lado toda a ternura e amor pela vida, cometendo friamente atrocidades bárbaras em animais para 'provar' suas teorias". Acerca desta passagem, Jean-Pierre Brunet (2017, p. 53-54) pondera: "Em seu laboratório, Pasteur não lidava apenas com micróbios ou pessoas. Ele também lidava com animais, já que os experimentos que fazia exigiam seu uso, o que permitiria que pessoas como Ethel Douglas Hume o acusassem de se envolver em 'atrocidades bárbaras'. No entanto, Pasteur, embora não hesitasse em inoculá-los com todo tipo de doenças, manteve-se sensível ao sofrimento dos animais. É Adrien Loir quem diz que: 'Durante os experimentos com raiva, Pasteur mandou preparar uma caixa de zinco e quando não era necessário deixar os animais morrerem de sua bela morte, ele os colocou nessa caixa para asfixiá-los com clorofórmio e evitar assim uma longa agonia'. Pasteur nunca havia feito uma vivissecção. Ele fazia vacinas e principalmente para raiva. Quando trepanava animais, sempre exigia que eles fossem anestesiados de antemão. Que diferença com seu amigo Claude Bernard, que incisou, dissecou, recortou sem escrúpulos um zoológico inteiro gemendo de dor, porque a anestesia teria estragado as condições fisiológicas necessárias para os experimentos, e assim se justificava em sua Introdução ao Estudo da Medicina Experimental: 'É essencialmente moral ter experiências com um animal que são dolorosas e perigosas para ele, pois podem ser úteis ao homem'. Podemos imaginar os diálogos que ele poderia ter com a esposa, integrante da iniciante SPA e, como tal, contrária à vivissecção!". Além disso, a presente obra "Béchamp ou Pasteur" se utiliza da rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. Eric Ancelet "Na apresentação do livro de Eric Ancelet: nosso fim com Pasteur 'desmonta-se, em 250 páginas, mais de um século de dogmas em torno das vacinas, da medicina alopática, mantidos em vigor por líderes religiosos, científicos, estaduais e industriais, graças à ignorância e ao medo'. É neste trabalho que podemos encontrar, em uma fórmula concisa, todas as alegações hostis, ou melhor, insultuosas a respeito de Pasteur: '(...) oposição ao químico Louis Pasteur, plagiador, mentiroso, impostor e criminoso', reitera, caso o leitor não entenda a mensagem, na seguinte frase: 'Geralmente não se sabe quem foi Louis Pasteur: um agressivo sem escrúpulos, intrigante, cortesão, trapaceiro, plagiador e, no final, um assassino de crianças" (Brunet, 2017, p. 19). Equilíbrio Annick Perrot e Maxime Schwartz (Pasteur et Koch. Paris, França: Odile Jacob, 2014, dentre outros). Patrice Debré (Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995). René J. Dubos (Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a; Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967b). Bruno Latour (Pasteur: une science, une style, um siècle. Paris, França: Perrin, 1994, dentre outros). Exemplos de biografias tendentes à análise equilibrada dos fatos Annick Perrot e Maxime Schwartz Esta obra redigida por Perrot e Schwartz inspirou o documentário Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios, acessível pelo Youtube no link a seguir. Patrice Debré Este biógrafo é um dos pesqiusadores mais respeitados e completos a respeito da vida e obra de Louis Pasteur. Foi, inclusive, um dos entrevistados no canal espanhol Historia para o documentário "Pasteur y Koch: medicina y revolución". É possível conhecer um pouco da abordagem deste pesquisador no vídeo do Youtube a seguir. René Dubos Microbiologista, humanista e ambientalista franco-estadunidense, René Jules Dubos (1901-1982) é autor de pelo menos 20 livros, e foi professor emérito na The Rockefeller University em New York. Devido às suas contribuições científicas, ele mesmo foi também biografado por James G. Hirch e Carol L.. Moberg da National Academy of Sciences nos Estados Unidos, sendo possível visualizá-la no link a seguir. Destaque: Biógrafos pasteurianos Émile Duclaux (Pasteur, histoire d'un esprit. Paris, França: Imprimerie Charaire, 1896). Charles Richet (L´Œuvre de Pasteur: leçons professés a la faculté de médecine de Paris. Paris, França: Félix Alcan, 1923). Albert Delaunay (Pasteur e os Micróbios. Lisboa, Portugal: Publicações Europa-América, [ca. 1950]. / L´Institut Pasteur des Origines a Aujourd´hui. Paris, França: France-Empire, 1962.). Exemplos de biografias redigidas por pesquisadores ligados à Pasteur, autodenominados "pasteurianos" Émile Duclaux Um dos mais próximos colaboradores de Pasteur, Émile Duclaux (1840-1904) escreve a biografia "Pasteur, histoire d´un esprit", da qual podemos assinalar a tradução livre da sinopse: "Se quisermos obter um relato exato do progresso feito na ciência pelas várias obras de Pasteur, a primeira coisa a fazer é imaginar o estado de nosso conhecimento no momento em que cada uma delas estava progredindo. Para compreender totalmente o progresso que fizeram, você precisa saber de onde elas começaram. Mas não é tão fácil quanto você imagina. Não se pode contentar em ter uma ideia do estado de espírito geral em qualquer período, sem ler os livros clássicos e livros didáticos da época: esses livros estão sempre por trás da ciência dos laboratórios, aquilo que flutua no ar que respiramos e que empolga os pesquisadores". A obra completa pode ser acessada gratuitamente no site da BNF (Biblioteca Nacional Francesa), no link indicado a seguir. Ressalta-se também a iniciativa original de Duclaux em criar, em comum acordo com Pasteur, os Annales de l´ Institut Pasteur, revista científica mensal publicada desde 1887 até os dias de hoje. "(...) Mês após mês os Annales vão modificar a higiene pública e a política da saúde (...)" (Debré, 1995, p. 518). Charles Richet Largamente conhecido pela fundação da Metapsíquica e grandes contribuições à Medicina, Charles Richet (1850-1935) foi colaborador próximo de Louis Pasteur, mesmo antes da fundação do Instituto em 1888. Médico, laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1913, Richet escreveu a seguinte biografia, em tradução livre: "A Obra de Pasteur: lições professadas na Faculdade de Medicina de Paris", a qual pode ser consultada gratuitamente no link indicado a seguir. Destaca-se o último parágrafo desta obra, em que Richet, na página 118, direciona sua fala aos jovens: "Meditem, jovens, nesta bela vida de trabalho perseverante e tenaz, e compreendam que o que faz o cientista não é apenas sua inteligência, seu trabalho, seu saber. Você ainda precisa de fé, ardor, entusiasmo. Ninguém mais que Pasteur era apaixonado pela ciência, e é porque ele fertilizou seu poderoso gênio com entusiasmo perpétuo que ele foi o maior benfeitor da humanidade". Ademais, Richet publicou uma poesia intitulada "La Gloire de Pasteur", tendo recebido prêmio de poesia pela Academia Francesa. Albert Delaunay Médico e chefe do departamento de Patologia Experimental do Instituto Pasteur entre 1956 e 1974, Albert Delaunay (1910-1993) escreveu mais de uma obra referente a Pasteur. Além do livro intitulado "Pasteur et la microbiologie", Delunay também redigiu em 1962, "L´Institut Pasteur: des origines a aujourd´hui" e "Presence de Pasteur" em 1973. Seus trabalhos podem ser conhecidos no link abaixo.

  • Academia de Ciências | Pasteur Brasil

    Academia de Ciências Mais tarde, Pasteur dirá sobre a época que viveu em Estrasburgo como “o tempo em que floresceu o espírito da invenção”. De fato, o desabrochar de experiências cristalográficas audaciosas datam deste período, cujos resultados são comunicados por Biot à Academia de Ciências, despertando interesse pelos trabalhos de Pasteur. Em 1852, Pasteur vai a Paris apresentar seus trabalhos à Academia de Ciências. Em geral, o clima é favorável, mas há também críticas, pois alguns começam a achar que o jovem cientista começa a dar muito o que falar de si próprio. Louis Jaques Thénard (1777-1857), um dos membros desta Academia, é barão e o químico mais coberto de honra do momento. Descobriu a água oxigenada, fez uma classificação dos metais e foi colaborador de Gay-Lussac (1778-1850). Thénard é descrito como bom-vivant e um grande comilão. Oferece um jantar em honra ao cientista alemão Eilhard Mitscherlich (1794-1863) para eminentes cientistas da Academia. Pasteur é convidado. O interesse de Thénard pelo jovem Pasteur reside especialmente pelo fato de Louis se preocupar com as aplicações industriais de suas pesquisas. O químico alemão Mitscherlich vai a Paris como correspondente estrangeiro na Academia de Ciências, em companhia do mineralogista Gustav Rose (1798-1873), professor na Faculdade de Berlim. Ambos quiseram se encontrar com Pasteur para ouvir de sua própria boca as circunstâncias detalhadas de suas descobertas sobre o tártaro. Pasteur, Mitscherlich e Rose passam duas horas juntos discutindo as circunstâncias da observação e refletindo sobre as consequências. Durante o jantar, Mitscherlich levanta o copo e brinda o jovem cientista Louis dizendo: “Estudamos tanto e tanto esses cristais que estamos persuadidos de que se você não encontrasse, ao observá-los de novo, esse fato tão notável, nossa descoberta ficaria ignorada durante um tempo considerável” (Debré, 1995, p. 87). Portas se abrirão para Pasteur. Mitscherlich conhece um produtor de ácido paratartárico na Alemanha, o industrial Friedrich Fikentscher (1799-1864), e o cientista decide viajar à Alemanha para encontrar a tal molécula, sabendo que procura a “pedra filosofal”, remetendo-se aos seus antecessores alquimistas. Pasteur escreve ao pai sobre a busca que estava prestes a empreender: “Sabes muito bem que eu procuro a pedra filosofal e já leste todas as alegrias, depois todas as decepções dos alquimistas que me precederam. Eles acreditavam que estavam às vésperas de encontrá-la. Estou a ponto de achá-la. Eles morreram na busca. Espero muito que o meu zelo não falhe antes da hora final. Meu venerável mentor dá-me o exemplo, e eu acho, assim como ele, que só há uma coisa que me entretém: o trabalho” (Debré,1995, p. 89). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. Academia de Ciências. Jean-Baptiste Biot. Louis-Jacques Thénard, barão e químico. Joseph-Louis Gay-Lussac. Eilhard Mitscherlich. Gustav Rose. Alquimista aquecendo um pote com fole. Continue lendo a biografia

  • Parapsiquismo | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Parapsiquismo Paul Gibier 1851-1900 Médico e cientista francês. Naturalista assistente na cadeira de patologia comparada do Museu Nacional de História Natural (em 1882). Dirigiu o Instituto Pasteur de Nova York em 1891. Interessou-se pela história comparada das religiões. Paul Gibier interessou-se pela pesquisa psíquica em 1885 e encontrou um médium notável na Sra. Salmon (pseudônimo de Carrie M. Sawyer), com quem conduziu experimentos por dez anos tanto em seu laboratório em Nova York quanto em sua casa de campo. Gibier estabeleceu a realidade de alguns fenômenos surpreendentes e planejou levar a médium para a Inglaterra, França e Egito, mas seus planos foram interrompidos quando ele foi morto por um cavalo em fuga. Na noite anterior ao acidente, ele teria sonhado que cavalgou sozinho, foi jogado de seu carrinho e morreu; ele contou seu sonho à esposa e riu de seus medos. No obituário da US National Library of Medicine de 14 de julho de 1900 consta, em tradução livre: “Dr. Paul Gibier, Diretor do Instituto Pasteur de Nova York em 1879, cujo falecimento em resultado de um acidente foi o recentemente anunciado no British Medical Journal, nasceu na França em 1851. Formou-se em Paris. Por suas investigações sobre o cólera na Espanha, ele recebeu uma medalha de ouro, e por seu trabalho sobre a mesma doença no sul da França e foi nomeado Cavaleiro da Legião de Honra. O governo francês o enviou para a Flórida e Havana em 1888 para estudar a febre amarela, e dois anos depois ele estabeleceu o Instituto Pasteur para a inoculação de pessoas mordidas por animais em Nova York. Dr. Gibier era um membro do New York Academy of Medicine e da Medical Association of New York, e foi o editor do Therapeutic Review. Ele estava muito interessado em fenômenos psíquicos e escreveu um livro intitulado Spiritisme: Analyze des Choses, que foi traduzido para o inglês sob o título Psychism: Analysis of Things Eristing. Ele foi um escritor volumoso. O Banner of Light diz que com a ‘transição’ do Dr. Gibler, o espiritualismo perdeu um de seus amigos mais verdadeiros. Por testamento, ele deixou 4.000 francos para o Instituto Pasteur, em Nova York”. Gibier pesquisou e escreveu sobre o tratamento da raiva e estudos sobre a cólera, como pode ser consultado no site da Biblioteca Nacional Francesa, indicado abaixo. O governo francês havia confiado a Gibier o estudo local de duas epidemias de cólera (Antilhas) e duas epidemias de febre amarela (Antilhas e Flórida). Ele era muito estimado por Pasteur, que considerava bastante a sua pessoa e suas pesquisas. Paul Gibier foi à Nova Iorque, onde fundou um Instituto Pasteur. Após a publicação da sua primeira obra, denominada “Espiritismo” em 1886, os inimigos do Espiritismo acusaram-no de fraude, de ser cúmplice de prestidigitadores, que o teriam usado. Paul Gibier, impulsionado pela necessidade de se defender, publicou relatórios de serviços, indícios de as faculdades de observação e também uma carta de Louis Pasteur, para cortar pela raiz as polêmicas. A carta dizia: “Caro Sr. Gibier, Conhecendo os novos métodos aplicados ao estudo das doenças contagiosas, o senhor poderá abordar as difíceis pesquisas que irá empreender. Desconfie sobretudo, de uma coisa: a precipitação no desejo de concluir. Seja um inimigo vigilante e tenaz consigo mesmo. Pense sempre que está em erro... Meus parabéns e um cordial aperto de mão. L. Pasteur” (Gibier, 2001, p. 12-13). Ref. https://data.bnf.fr/en/13002175/paul_gibier/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/gibier-paul-1851-1900 Ref. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2463115/?page=1 e https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2463115/?page=2 Mais informações: https://www.scientificamerican.com/article/death-of-dr-paul-gibier/ Mais informações: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJM190006141422408 Charles Robert Richet 1850-1935 Fisiologista francês. Membro da Academia de Ciências. Professor de fisiologia na Faculdade de Medicina de Paris (1887-1925). Prêmio Nobel de Medicina em 1913. Richet era filho de Alfred Richet, um ilustre cirurgião. Enquanto frequentava o Lycée Bonaparte, ficou indeciso se se dedicava à literatura ou à ciência. Ele entrou na faculdade de medicina, mas estava entediado com anatomia e cirurgia, e escrevia poesia e drama para se divertir. Servindo como estagiário em 1873, ele foi colocado à frente de uma enfermaria feminina, onde testemunhou um experimento hipnótico. Nos dois anos seguintes, ele produziu inúmeros transes hipnóticos em seus pacientes, publicando um resumo de suas experiências em 1875. O comportamento característico dos sujeitos hipnóticos, argumentou ele, não pode ser explicado como simulação. Os fenômenos básicos de um transe hipnótico seguiram um curso tão regular quanto uma doença. Quanto mais frequentemente uma pessoa é colocada em um estado hipnótico, observou Richet, mais distintos se tornam os fenômenos hipnóticos. A experiência de Richet com o hipnotismo estimulou um interesse vitalício nas associações entre fenômenos psíquicos e fisiológicos e ajudou a persuadi-lo a abandonar a carreira de cirurgião e voltar-se para a fisiologia. Charles Richet nasceu em 26 de agosto de 1850, em Paris. Ele era filho de Alfred Richet, Professor de Cirurgia Clínica na Faculdade de Medicina de Paris, e de sua esposa Eugenie, nascida Renouard. Ele estudou em Paris, tornando-se Doutor em Medicina em 1869, Doutor em Ciências em 1878 e Professor de Fisiologia a partir de 1887 na Faculdade de Medicina de Paris. Durante 24 anos (1878-1902) foi Editor da Revue Scientifique, e a partir de 1917 foi co-editor do Journal de Physiologie et de Pathologie Générale. Ele publicou artigos sobre fisiologia, química fisiológica, patologia experimental, psicologia normal e patológica e numerosas pesquisas, todas feitas no laboratório fisiológico da Faculdade de Medicina de Paris, onde tentou estudar fatos normais e patológicos juntos. Em fisiologia, ele trabalhou o mecanismo de termorregulação em animais homoiotérmicos. Antes de suas pesquisas (1885-1895) sobre polipneia e tremores devido à temperatura, pouco se sabia sobre os métodos pelos quais animais privados de transpiração cutânea podem se proteger do superaquecimento e como os animais gelados podem se aquecer novamente. Em terapêutica experimental, Richet mostrou que o sangue de animais vacinados contra uma infecção protege contra essa infecção (novembro de 1888). Aplicando esse princípio à tuberculose, ele aplicou a primeira injeção soroterapêutica no homem (6 de dezembro de 1890). Em 1900, Charles Richet mostrou que alimentar com leite e carne crua (zomoterapia) pode curar cães tuberculosos. Em 1901, ele estabeleceu que, ao diminuir o cloreto de sódio nos alimentos, o brometo de potássio se torna tão eficaz no tratamento da epilepsia que a dose terapêutica cai de 10 g para 2 g. Em 1913, ele recebeu o Prêmio Nobel por suas pesquisas sobre anafilaxia. Ele inventou essa palavra para designar a sensibilidade desenvolvida por um organismo após ter recebido uma injeção parenteral de um coloide, substância proteica ou toxina (1902). Mais tarde, ele demonstrou os fatos de anafilaxia passiva e anafilaxia in vitro. As aplicações da anafilaxia na medicina são extremamente numerosas. Já em 1913, mais de 4000 memórias foram publicadas sobre esta questão e ela desempenha um papel importante hoje em dia na patologia. Ele mostrou que de fato a injeção parenteral de substância proteica modifica profunda e permanentemente a constituição química dos fluidos corporais. A maioria dos trabalhos fisiológicos de Charles Richet espalhados em várias revistas científicas foram publicados no Travaux du Laboratoire de la Faculté de Médecine de Paris (Alcan, Paris, 6 vols. 1890-1911) (Trabalhos do Laboratório de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Paris). Entre suas outras obras estão: Suc Gastrique chez l'Homme et chez les Animaux, 1878 (Suco gástrico no homem e nos animais); Leçons sur les Muscles et les Nerfs, 1881 (Palestras sobre os músculos e nervos); Leçons sur la Chaleur Animale, 1884 (Palestras sobre o calor animal); Essai de Psychologie Générale, 1884 (Ensaio sobre psicologia geral); Souvenirs d'un Physiologiste, 1933 (Memórias de um fisiologista). Ele também foi o editor do Dictionnaire de Physiologie, 1895-1912 (Dicionário de Fisiologia), do qual apareceram 9 volumes. Entre seus interesses estava o espiritualismo e a escrita de algumas obras dramáticas. Em 1877, Charles Richet casou-se com Amélie Aubry. Tiveram cinco filhos, Georges, Jacques, Charles (que, como seu pai, foi professor na Faculdade de Medicina de Paris e foi, por sua vez, sucedido por seu filho Gabriel), Albert e Alfred, e duas filhas, Louise (Mme Lesné) e Adèle (Mme le Ber). Charles Richet era filho de Alfred Richet, reconhecido cirurgião e professor da Faculté de Médecine de Paris, de quem Pasteur era colega (Debré, 1995, p. 384, 394). Na época do levantamento de fundos para a construção do Instituto Pasteur, em que muitas ações foram feitas, Charles Richet também contribuiu sugerindo a organização de uma noite de gala, que ocorre em 11 de maio de 1886 (Debré, 1995, p. 515). Dentre as várias obras (dentre artigos, livros e tratados) de Fisiologia, Psicologia e Metapsíquica, Charles Richet escreveu o livro “L´Oeuvre de Pasteur” (A obra de Pasteur: Aulas Ministradas na Faculdade de Medicina de Paris) em 1923, em homenagem ao centenário do nascimento de Pasteur. Também escreveu “La Gloire de Pasteur”, a qual ganhou prêmio de poesia na Academia Francesa. Ref. https://data.bnf.fr/en/11921904/charles_richet/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1913/richet/biographical/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/charles-robert-richet Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Charles-Richet Mais informações: https://www.interparadigmas.org.br/wp-content/uploads/2019/01/Interparadigmas-Chiesa-N5.pdf Michel de Nostredame (Nostradamus) 1503-1563 *Ver microbiografia de Nostradamus no grupo Doenças Infectocontagiosas. Nas Profecias de Nostradamus - Centúria 25, chama a atenção a citação nominal de Pasteur (Cheetham, 1977, p. 24). “Perdu trouvé, caché de si long siecle, Perdido recuperado, escondido por muitos séculos. Sera Pasteur demi Dieu honoré: Pasteur será celebrado como semideus. Ains que la lune acheve son grand siecle, E assim que a lua complete seu grande ciclo, Par autres vents sera deshonoré”. Por outros ventos será desonrado. “Não bastasse citar o nome de Pasteur, também especifica a data, embora isso não seja logo evidente. A descoberta de Pasteur, de que germes poluem a atmosfera, foi das mais importantes da história de medicina e levou à teoria da esterilização de Lister. A Enciclopédia Britânica diz que Pasteur, o “semi-deus”, “era agora reconhecido como o iniciador do maior movimento da química da época”. Ele fundou o Instituto Pasteur a 14 de novembro de 1888; o ciclo da lua teve lugar de 1535 a 1889. Os ventos (rumores) que o teriam desonrado podem significar a violenta oposição aos seus métodos, entre os poderosos membros da Academia, contra as novas práticas do Instituto, tais como, vacinas contra a hidrofobia, etc.” (Cheetham, 1977, p. 24). Edgard Pereira Armond 1894-1982 Militar brasileiro. Médium. Aos 21 anos, ingressa na Força Pública de São Paulo, onde inicia a carreira que lhe daria o um título, pelo qual é conhecido até hoje: “Comandante”. Participou de vários movimentos militares, atuando nas revoluções de 1922 e 1924 onde fez parte das tropas de ocupação nas nossas fronteiras com o Paraguai e Argentina. Em 1926 diploma-se como dentista pela Escola de Farmácia e Odontologia do Estado de São Paulo. Paralelamente, começa a estudar e trabalhar no Espiritismo. Em 1939, já considerado inválido para o serviço militar após um acidente de carro, é convidado a ocupar o cargo de secretário-geral da Federação Espírita do Estado de São Paulo, após reestruturar seus trabalhos espirituais. Em 1950, após a criação da Escola de Aprendizes do Evangelho, Edgard cria também o Curso de Médiuns, visando à melhoria do intercâmbio com o mundo espiritual e a Fraternidade dos Discípulos de Jesus, como órgão de agrupamento dos trabalhadores do campo religioso. Uma destas Fraternidades, chamada Fraternidade dos Irmãos Humildes, é por hipótese, o agrupamento de médicos e cientistas, orientando trabalhos de cura e pesquisa. Colaboram neste setor: Bezerra de Menezes, Louis Pasteur, André Luiz, Eurípedes Barsanulfo, e ainda, Hilarion e Ramatis, em caráter pessoal (Armond, 2000, p. 140). Por hipótese, Pasteur orientou o Comandante Armond na criação dos atendimentos personalizados. A padronização do passe Pasteur foi introduzida na FEESP por iniciativa de Edgard Armond, por meio do livro “Passes e Radiações: Métodos Espíritas de Cura”, de 1950 (Valenti, 2005, p. 41). Na Federação Espírita, os agrupamentos de médiuns experientes e selecionados para processos avançados, são denominados Grupos Pasteur, em homenagem ao espírito chefe da equipe que atua no plano espiritual, sendo os passes conhecidos como Pasteur 1 (P1), Pasteur 2 (P2), Pasteur 3 (P3) e Pasteur 4 (P4) (Armond, 1950, p. 138-144; Zühlke, 2002, p. 109). Edgard Armond escreveu mais de 20 livros. Ref. https://feesp.com.br/edgard-pereira-armond/ Martha Gallego Thomaz (Vó Martha) 1915-2014 Médium brasileira. Martha teve sua primeira experiência mediúnica aos 3 anos, em 1918, e desenvolveu uma extensa carreira na área. Autora de dois livros ditados e três psicografados, ela dirigiu trabalhos na Federação Espírita do Estado de São Paulo, desde 1956, e no Grupo Noel, casa que ajudou a fundar em 1977 e que oferece atendimento social e doutrinário a mais de 3 mil pessoas por mês. Autora de 5 obras, dentre elas “O Instituto de Confraternização Universal e as Fraternidades do Espaço”, em que explica que as “Fraternidades” são agrupamentos espirituais dedicados ao bem (Thomaz, 1994, p. 29). Martha escreve sobre a ajuda de Pasteur, orientando Edgard Armond, na criação dos atendimentos padronizados, e que Pasteur trouxe consigo, para esta mesma tarefa, Santo Agostinho, ambos dedicados a harmonizar os tratamentos existentes (Thomaz, 1994, p. 46). Ref. https://www.revistaplaneta.com.br/martha-gallego-thomaz/ Neide Prado Zühlke ? Médium e autora brasileira. Em sua obra, "O Mestre Louis Pasteur", Zühlke (2002, p. 103-112 ) afirma que a implantação dos trabalhos espirituais aconteceu a partir de 1936, data da Fundação da Federação Espírita do estado de São Paulo (FEESP). Por volta de 1940, o cientista Pasteur agrupou-se à Fraternidade dos Irmãos Humildes. Com os cooperadores encarnados, entre eles Edgard Armond, foram fundados os Trabalhos Especializados Pasteur, para o atendimento de moléstias e curas magnéticas, de obsessão profunda, males físicos, doenças graves (câncer, Aids), tabagistas, toxicômanos, alcoolistas, pessoas com ideação / tentativa de suicídio, crianças e adolescentes, etc. Próximo Grupo

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