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- Cronologia | Pasteur Brasil
Cronologia Louis Pasteur nasceu em 27 de dezembro de 1822 em Dole, cidade na região do Jura, França, em uma família de curtidores. Ele estudou em Arbois, depois em Besançon, onde recebeu o baccalauréat em letras. Em 1842 foi admitido na École Normale Supérieure em Paris, mas em 15º lugar, o que não lhe pareceu suficiente. Preferiu fazer um novo ano de preparação e refazer o concurso no ano seguinte, em 1843, sendo aprovado em 4º lugar. Em 1846 obteve a agrégation em física. Em 1847 defendeu suas teses em química e física na Faculdade de Paris e, em 1848, realiza sua primeira comunicação na Academia de Ciências. Demonstra que a dissimetria molecular é marca registrada dos seres vivos. Em 1849 foi nomeado professor adjunto de química da Universidade de Estrasburgo. Neste ano, casou-se com a filha do reitor desta universidade, Marie Laurent. Continuou a trabalhar na assimetria molecular. Em 1852 viaja para a Alemanha e Áustria. Visita diversas fábricas e contata cientistas. Em 1853 redige nota à Academia de Ciências sobre a origem do ácido racêmico. É nomeado Cavaleiro da Ordem Imperial da Legião de Honra. Recebe prêmio da Sociedade de Farmácia. Em 1854, foi nomeado reitor da nova Faculdade de Ciências de Lille. Começa seu trabalho com a fermentação. Em 1856 recebe a medalha Rumford da Royal Society de Londres por seus estudos sobre a cristalografia. Em 1857 é nomeado coordenador e diretor dos estudos científicos na École Normale Supérieure em Paris. Manteve este cargo até 1867. Neste mesmo ano, publica uma dissertação sobre a fermentação lática, sendo esta considerada a certidão de nascimento da Microbiologia. Em 1858 instala um laboratório no sótão da École Normale. Começa seu trabalho sobre geração espontânea, enquanto segue estudando a fermentação. Em 1859 recebe o prêmio da Academia de Ciências em fisiologia experimental, depois de um relatório de Claude Bernard. Em 1861 descobre a vida sem oxigênio (anaeróbia). Recebe o prêmio Jecker da Academia de Ciências por seus trabalhos sobre geração espontânea. Em 1862 foi eleito para a Academia de Ciências na seção de Mineralogia. Em 1863, solicitado por Napoleão III, Pasteur estuda doenças do vinho. É nomeado professor de geologia, física e química na Escola de Belas Artes de Paris, ministrando aulas a estudantes de arquitetura (ficará neste posto até 1867). Em 1864 instala, na cidade de Arbois, um laboratório para as pesquisas sobre o vinho. Em 1865 comunica à Academia de Ciências o processo de conservação e melhora dos vinhos. Início da pasteurização. Neste ano vai a Alès estudar as doenças do bicho-da-seda. Com o início da epidemia de cólera em Paris, é nomeado membro da comissão encarregada de investigar a doença. Em 1866 emite comunicações sobre as doenças dos bichos-da-seda. Em 1867, deixando o cargo de administrador, cria um laboratório de química fisiológica na École Normale S upérieure na Rua Ulm. Em 1868 recebe o título de doutor honoris causa em medicina, pela Universidade de Bonn. Sofre um ataque de apoplexia (AVC) que o deixa hemiplégico. Em 1869 continuou suas pesquisas sobre as doenças do bicho-da-seda e, em 1870, seus estudos sobre a cerveja. Neste ano é nomeado senador do Império, mas o decreto nunca será promulgado devido à guerra. Em 1871 ao tomar conhecimento do bombardeiro no Museu de História Natural, pelos prussianos, devolve seu diploma de doutor honoris causa da Universidade de Bonn. Neste ano, vai a Londres para continuar seus estudos sobre a cerveja e entrevista Tyndall, que lhe fala de Joseph Lister. Em 1872 usa seus direitos para a aposentadoria como professor da Sorbonne. Em 1873 é eleito para a Academia de Medicina. Recebe o título de comendador da Ordem da Rosa do Brasil. Em 1874 troca as primeiras cartas com o cirurgião inglês Joseph Lister. A Royal Society de Londres entrega a medalha Copley por seus trabalhos sobre a fermentação. Em 1875 instala em Arbois um laboratório para pesquisas sobre a fermentação. Em 1876 concorreu às eleições senatoriais no Jura, mas não é eleito. Neste ano, representa a França no Congresso Internacional Sericícola de Milão. Em 1877 realiza comunicações à Academia de Ciências sobre o carbúnculo e a septicemia. Em 1878 emite nota sobre o carbúnculo das galinhas. É promovido a grande oficial da Legião de Honra. Em 1879 faz comunicação sobre a septicemia puerperal. Em 1880 é nomeado membro da Sociedade Central de Medicina Veterinária. Realiza comunicação sobre as doenças virulentas, no qual expõe, pela primeira vez o princípio vírus-vacina. Ameaça pedir demissão da Academia de Medicina. Jules Guérin desafia Pasteur em um duelo, que não se realiza. Início das pesquisas sobre a raiva. Em 1881 realiza o experimento Pouilly-le-Fort, onde vacina um rebanho de ovelhas contra o carbúnculo. Declara sua candidatura à cadeira de Émile Littré na Academia Francesa, na qual é eleito. Recebe a grã-cruz da Legião de Honra. Em 1882 é recebido na Academia Francesa. Comparece ao Congresso de Higiene em Genebra. Controvérsia com Robert Koch. Em 1883 controvérsias com Michel Peter. Discurso na cidade natal, Dole, por ocasião da colocação de uma placa na casa onde nasceu. Envia Émile Roux, Isidore Straus, Edmond Nocard e Louis Thuillier ao Egito, para estudarem a cólera. Este último falece da doença. Em 1884 é publicada a primeira biografia de Pasteur: Histoire d´un savant par un ignorant, escrita (mas não assinada) pelo seu genro, René Vallery-Radot. Experiências com cães raivosos. Comunicação no Congresso Internacional de Medicina em Copenhague sobre o princípio geral das vacinações e os métodos preventivos contra a raiva humana. Carta de Pasteur ao imperador D. Pedro II do Brasil sobre a experimentação humana da vacina anti-rábica. Em 1885 vacinou Joseph Meister, que havia sido mordido por um cachorro raivoso. Prosseguiu com a vacinação em pessoas de diversos países. Em 1886 decidiu criar um instituto de combate à raiva (hidrofobia) e são recebidos os primeiros donativos. Nikolay Gamaleya e Élie Metchnikov criam um laboratório anti-rábico em Odessa. Alexandre Yersin torna-se assistente de Roux. Em 1887 Pasteur é vítima de um segundo AVC, e teve que diminuir sua atividade. É lançado o primeiro número dos Annales de l´Institut Pasteur, revista criada por Émile Duclaux. Em 1888 é inaugurado o Instituto Pasteur. Em 1891 é criado o Instituto Pasteur em Saigon (cidade no atual Vietnã), dirigido por Albert Calmette. Em 1892 uma cidade da Argélia recebe o nome de Pasteur. É celebrado o jubileu de Louis Pasteur na Sorbonne. Em 1894 sofre outro AVC que o deixa bastante enfraquecido. Em 1895 os alunos da École Normale são recebidos no Instituto Pasteur, por ocasião do centenário da École. Pasteur recusa a condecoração de Ordem ao Mérito da Prússia, e deixa Paris para ir à Villeneuve-l´Etang, onde falece aos 72 anos, em 28 de setembro. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PERROT, Annick; SCHWARTZ, Maxime. Louis Pasteur le Visionnaire. Paris, França: Éditions de la Martinière, 2017. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. RICHET, Charles. L´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Félix Alcan, 1923. Biografia resumida
- Relações Políticas | Pasteur Brasil
Relações Políticas No final de 1859, Pasteur não tinha a mínima subvenção para instalar-se na Rua Ulm. Escreveu a Gustave Rouland, então ministro da Instrução Pública a fim de chamar a atenção para os benefícios que poderiam ser extraídos de um estudo completo sobre a doença dos vinhos, solicitando fundos necessários para a instalação e experimentos no laboratório na rua Ulm em Paris: "Acho que obedeço, senhor ministro, a uma parte de suas instruções, consagrando todo o tempo de que disponho aos progressos da ciência." Era uma maneira indireta de pedir os fundos necessários destinados à instalação de um rico material. Responderam-lhe que os créditos deveriam ser "inteiramente consagrados à conservação dos edifícios e não à execução dos trabalhos que a conveniência das pessoas alojadas nesse edifícios reclama". De tanto insistir, Pasteur acabou, entretanto, obtendo alguns subsídios. Mas só podia tratar-se de uma instalação provisória. Todavia, o equipamento de que Pasteur precisava na época era modesto. Suas pesquisas sobre a fermentação só exigiam uma estufa, um microscópio, produtos químicos, recipientes de vidro. Mas, se o Ministério quisesse dar algum dinheiro para a reparação da água-furtada, claro estava que era impensável assegurar os respectivos equipamentos ou o funcionamento: "Não há orçamento ad hoc que nos permita subvencionar cinquenta cêntimos para os seus gastos com experiências." Foi, portanto, com seu próprio salário que Pasteur teve de equipar e manter seu laboratório. Tal instalação lhe custou cerca de dois mil francos, soma considerável para a época (Debré, 1995, p. 161, 551). Em 1863, ano seguinte à sua eleição para a Academia de Ciências, Pasteur é apresentado a Napoleão III, por Jean-Baptiste Dumas, segundo o costume da época ao ingressar na Academia. Naquele mesmo ano, Ildephonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, 245-246, 254). Dois anos depois, Napoleão III disse ter muito interesse em se manter informado do andamento das pesquisas e o convida para passar 1 semana no castelo de Compiègne (Debré, p. 246). É realizada uma demonstração aos imperadores ao microscópio, com amostras de vinho (Debré, 1995, p. 251). Em 1863, Pasteur escreve a Napoleão III dizendo que “é chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, o imperador pede a Victor Duruy, Ministro da Instrução Pública, que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo surgem obstáculos para a continuidade da obra, pois os créditos suplementares que a construção exige são recusados pela administração. Encontra-se dinheiro para levantar a Ópera Garnier, mas não para a pesquisa científica. Pasteur fica indignado e, em 1868, prepara um artigo denominado “O orçamento da ciência” para o jornal Le Moniteur a fim de mobilizar a opinião pública. Em um dos trechos ele diz: “suprimam os laboratórios, e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte”. Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um conjunto de cientistas, inclusive Pasteur. Napoleão III convida cada um a se exprimir. Pasteur recorda a criação da função de estagiário e fala em seguirem o exemplo da Alemanha, onde inclusive eles moram nas proximidades do seu laboratório (Debré, 1995, p. 166-168). Victor Duruy foi um interlocutor muito próximo de Pasteur, construindo uma verdadeira relação de amizade. Inclusive, a filha de Duruy, Hélène, era colega de Cécile, filha de Pasteur que faleceu ainda criança. A passagem de Duruy no Ministério da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajuda concedida aos cientistas, não só a Pasteur. Ele é responsável por criar o decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades, devido à forte influência de Pasteur. Ambos tinham a convicção de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, e Duruy ajuda a vencer obstáculos administrativos para desbloquear o crédito para a finalização do laboratório de química fisiológica (Debré, 1995, p. 168-170). Duruy vela pelo ingresso de Pasteur na Legião de Honra e faz com que seja atribuído um prêmio pelos seus trabalhos sobre a fermentação do vinho, por ocasião da Exposição Universal de 1867. Nesta ocasião, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Por volta de 1863, Pasteur vai ao salão da princesa Mathilde. Lá fala da necessidade de uma reforma na produção do vinho ou do vinagre e queixa-se da pouca consideração de que dispõem os laboratórios e da inércia dos poderes públicos. No fundo esta é a intenção de Pasteur ao comparecer nestas ocasiões. O resultado obtido é a criação de uma cátedra de física e química aplicadas na École de Belas Artes, onde leciona para estudantes de arquitetura, onde fala bastante de higiene e do mal emprego da ventilação (Debré, 1995, p. 152-153). Pasteur é nomeado senador em 1870, mas o decreto não pôde ser oficialmente promulgado (devido à guerra), e portanto, o nome de Pasteur não figura na lista de senadores do Império (Debré, 1995, p. 271, 336-337). No início de 1876, após sua aposentadoria, Pasteur vai concorrer ao Senado Republicano. Ele está com 53 anos. Ele não adere a nenhum partido e diz que enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível. É atacado tanto pela esquerda quanto pela direita e fica em último lugar. Escreve a esposa dizendo-se muito feliz por ter sido derrotado, pois o sucesso o teria atrapalhado. Mesmo não tomando parte diretamente dos debates sobre a reforma do ensino superior, seu recado foi entendido e 3 meses depois toma conhecimento de que o Ministro da Instrução Pública vai conceder novos laboratórios ao Collége de France, aumentar e modernizar a Sorbonne (Debré, 1995, p. 335 a 338). D. Pedro II acompanhava com grande interesse os trabalhos de Pasteur, e desejava que o Brasil seguisse os passos do cientista. Durante os anos 1880 eles trocam algumas cartas. Pedro II preocupa-se particularmente com a febre amarela e em uma carta de 1882 escreve “espero que não se esqueça das pesquisas de micróbios da febre amarela, descobrindo-lhe uma vacina”. O imperador brasileiro desejava muito a vinda de Pasteur para o Brasil, o que não ocorreu devido à idade avançada de Pasteur e as sequelas do AVC. Em 1886, Pedro II confere a Pasteur a “Ordem da Rosa” pelo serviço prestado à humanidade (Lima; Marchand, 2005, p. 17, 25). Em 1884, em carta a Dom Pedro II, Pasteur participa ao imperador do Brasil que até aquele momento ainda não havia efetuado nenhuma experiência com humanos. Verifica a possibilidade de no dia da execução da sentença de morte dos condenados (que ele pensava existir), ser oferecida a escolha de ter uma morte iminente ou a possibilidade de participar de um experimento científico que consistiria em inoculações preventivas da raiva, de modo a tornar-se refratário à doença. Disse: “No caso de ser salvo, e estou persuadido de que isso aconteceria, como garantia para a sociedade que condenou o criminoso, eu o submeteria a uma vigilância para o resto da vida” (Debré, 1995, p. 484). Frederick Hamilton-Temple-Blackwood, conhecido por Lord Dufferin, enquanto embaixador britânico em Paris, escreveu às autoridades britânicas na Índia sugerindo que fossem oferecidas instalações a Waldemar Haffkine, bacteriologista ucraniano do império da Rússia, que iniciou os seus experimentos sobre a cólera no Instituto Pasteur, para continuar seus estudos de cólera naquele local. Lord Dufferin se destacou como diplomata, especialmente como embaixador britânico em São Petersburgo e como governador-geral do Canadá, o que levou à sua nomeação como vice-rei da Índia. Após, foi embaixador britânico em Paris (1891 – 1896). Sadi Carnot, presidente da França, comparece à cerimônia de inauguração do Instituto Pasteur (1888) e ao Jubileu de 70 anos de Pasteur (1892). Carnot disse “não faltarei, vosso Instituto é uma honra para a França” (Masi, 1999, p. 111). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/dufferin-lord Gustave Rouland. Jean-Baptiste Dumas. Napoleão III e Eugénia de Montijo. Victor Duruy. Dom Pedro II. Lord Dufferin Sadi Carnot. Continue lendo a biografia
- Arbois | Pasteur Brasil
Arbois Arbois é a cidade onde Louis Pasteur passa a infância e juventude. Igualmente a Dole, a casa da família abre-se diretamente para o rio, onde no subsolo há fossas redondas para o curtimento de peles, ofício de seu pai. Anos antes, seu pai, Jean-Joseph Pasteur (1791-1865) havia sido convocado para a Guerra da Espanha (1812-1813), na qual foi nomeado sargento-mor e recebeu a cruz de Cavalheiro da Legião de Honra pelo imperador Napoleão Bonaparte (1769-1821). De personalidade reservada, o pai de Louis zelava pela educação do filho, tornando-se seu professor particular. Sua presença foi marcante durante toda a vida do cientista, fornecendo-lhe conselhos, ensinando sobre honra, justiça e dever. Jeanne-Etienette Roqui (1793-1848), mãe de L. Pasteur, tinha características contrastantes e complementares ao marido, mostrando-se entusiasta e imaginativa. Na pequena cidade de Arbois, às margens do Rio Cuisance, Louis Pasteur passou os primeiros anos de sua vida, sem nada chamar a atenção, exceto seus desenhos e pastéis que revelavam um poderoso dom da observação e uma rara preocupação com a precisão ( Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Pinturas de ambos os pais foram realizadas por Louis Pasteur na juventude. Aos 13 anos, retratou sua mãe, em sua primeira obra em pastel. Aos 19 anos, sua última pintura é de seu pai. O irmão mais velho de L. Pasteur, Jean-Denis, faleceu nos primeiros meses de vida. A irmã mais velha, Jeanne-Antoine (apelidada de Virginie), casa-se com o primo Gustave Vichot. Futuramente, o casal sucede a Jean-Joseph no curtume em Arbois. As duas irmãs mais novas do cientista, Joséphine e Émilie, falecem jovens, aos 25 e 26 anos. A primeira, de doença pulmonar, e a segunda, após sequelas de uma encefalite adquirida aos 3 anos de idade, que progrediu para uma deficiência mental. Bastante jovem, L. Pasteur tomou consciência de ser o único “macho da ninhada”. Em suas cartas, pode-se ler todos os tipos de conselhos e atenções às irmãs. Da casa em Arbois, Louis partiu com o coração pesado, numa manhã de outubro de 1838, com seu amigo Jules Vercel, para ir à Paris para se preparar para o concurso para a École Normale. Poucas semanas depois, ele pega o caminho para Arbois, com saudades de casa. Porém, nos meses seguintes, ele dobra sua alma sensível sob a disciplina de sua vontade. Saiu de novo da casa do pai para ir ao colégio de Besançon, onde passou no bacharelado em ciências, com nota medíocre em química (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Busto de Louis Pasteur e panfletos na entrada da Maison Pasteur. Fachada atual da Maison de Louis Pasteur. Pintura em pastel de Jean-Joseph, realizada por Louis Pasteur aos 19 anos. Cruz de Cavalheiro da Legião de Honra recebida pelo pai de Pasteur pelo imperador Napoleão Bonaparte. Junto, a Medalha de Santa Helena. Jeanne-Etienette Roqui, mãe do cientista, em pastel realizado por Louis Pasteur aos 13 anos de idade. Sinalização na entrada da Maison Pasteur, indicando estar aberta à visitação. Sinalização nas ruas de Arbois indicando o caminho da Maison Pasteur. Folder ilustrado da Maison de Louis Pasteur. Uma das muitas placas informativas na cidade de Arbois, com dados históricos. Continue lendo a biografia
- Cristalografia | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Cristalografia Jean-Baptiste Biot 1774-1862 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste Biot no grupo Primeiras Influências Científicas. Após observações meticulosas dos cristais, Pasteur conclui que só os produtos nascidos sob a influência da vida são assimétricos, isto porque o seu desenvolvimento preside forças cósmicas que também são assimétricas. Constata que a dissimetria é a principal linha de demarcação entre o mundo orgânico e o mundo mineral, ou seja, demonstra que a dissimetria molecular é marca registrada dos seres vivos. Esta descoberta esclarece a característica central dos isômeros, ou seja, moléculas idênticas, porém que desviam a luz de modo contrário. Balard, que captou a importância destas conclusões, comunica-as a Jean-Baptiste Biot, que recebe Pasteur para uma entrevista e demonstração. Ao analisar o experimento, e visivelmente emocionado com o que via, Biot disse a Pasteur “Meu filho querido, em minha vida amei tanto as ciências que isso me faz disparar o coração” (Debré, 1995, p. 74). Em 1852 Pasteur decide viajar em busca do ácido paratártaro, sabendo que procura a “pedra filosofal – se remetendo aos alquimistas” –, mas não possui dinheiro para financiá-la. Prepara uma carta endereçada ao presidente da república. Biot no entanto, garante que vai dar os passos para conseguir a subvenção e segura Pasteur antes do envio da carta. Propõe até mesmo adiantar a quantia se a subvenção demorar vir (Debré, 1995, p. 88). Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Dumas consegue a subvenção à viagem de Pasteur em 1852, que foi considerada uma missão oficial aos laboratórios alemães. Na volta, Pasteur escreve agradecendo ao amigo, pois a viagem teria sido impossível sem esse apoio financeiro. Afirma que para agradecer-lhe a confiança, vai trabalhar “tanto quanto lhe for humanamente possível” (Debré, 1995, p. 88, 93). Eilhardt Mitscherlich 1794-1863 *Ver a microbiografia de Eilhardt Mitscherlich no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1852, Pasteur começa sua viagem encontrando o sr. Fikentscher, o industrial que Mitscherlich havia lhe falado (Debré, 1995, p. 89). Gustav Rose 1798-1873 *Ver a microbiografia de Gustav Rose no grupo Academia de Ciências. Mineralogista alemão. Presidente da Sociedade Geológica Alemã. Charles Kestner 1803-1870 Industrial e político francês. Cavaleiro da Legião de Honra na sequência da Exposição Nacional de 1847, recebeu uma medalha de honra na Exposição Universal de 1855 pela descoberta e exploração do ácido paratartárico. Kestner produziu acidentalmente o ácido paratartárico. Esta segunda forma de ácido tartárico foi descoberta em 1819 no vinho por esse industrial da Alsácia. Gay-Lussac visitou a sua fábrica em 1826 e recolheu amostra e depois deu o nome de ácido racêmico (Debré, 1995, p. 87). Kestner foi também representante parlamentar em 1848 e em 1850. Rico fabricante de produtos químicos na cidade alsaciana de Thann (Haut-Rhin), conquistou junto aos trabalhadores da região uma popularidade que o fez ele elegeu, em 23 de abril de 1848, representante de Haut-Rhin na Assembleia Constituinte, o 6º de 12, por 50.873 votos (94.408 eleitores). Ele ocupou seu lugar à esquerda, foi vice-presidente do comitê de comércio e votou com o partido Cavaignac: - contra o restabelecimento da coação pelo corpo, - pela abolição da pena de morte, - contra a emenda Grévy, - contra o direito ao trabalho, - pela ordem do dia em homenagem a Cavaignac, - pela abolição do imposto sobre o sal, - contra a proposta Rateau, - contra os créditos da expedição a Roma, - pela anistia, etc. Não reeleito primeiro para o Legislativo, ele ingressou, na eleição parcial de 10 de março de 1850, motivado pela perda de três representantes do Haut-Rhin condenados por causa do caso de 13 de junho; O Sr. Charles Kestner, inscrito na lista republicana, foi eleito, em 1º de 3, por 44.582 votos (89.791 eleitores, 121.053 registrados). Ele se juntou às votações e manifestações da minoria democrática, protestou contra o golpe de Estado de 2 de dezembro de 1851, foi preso por um tempo. Em 29 de fevereiro de 1852, ele se reuniu novamente como candidato da oposição ao Corpo Legislativo, no 3º distrito de Haut-Rhin, 1.019 votos contra 25.846 do eleito, Sr. Migeon. Ele então voltou à vida privada. Em 1849, Louis Pasteur envia uma carta ao industrial Charles Kestner para solicitar a gentileza de ceder alguns quilos de ácido racêmico para continuar suas pesquisas sobre a cristalografia. Este industrial fornecerá apoio fundamental para o aprofundamento das pesquisas de Pasteur. Ref. https://www2.assemblee-nationale.fr/sycomore/fiche/%28num_dept%29/10879 Louis-Joseph Gay-Lussac 1778-1850 *Ver a microbiografia de Louis-Joseph Gay-Lussac no grupo Primeiras Influências Científicas. Friedrich Christian Fikentscher 1799-1864 *Ver a microbiografia de Fikentscher no grupo Academia de Ciências. Na viagem de 1852, Pasteur passa 10 dias em Leipzig para examinar as amostras de tártaros que Fikentscher, industrial alemão, lhe oferece. É ajudado, em suas pesquisas, pelos colegas alemães; um deles Erdmann, põe muito gentilmente o próprio laboratório à disposição (Debré, 1995, p. 90). Otto Linné Erdmann 1804-1869 Químico e médico alemão. Erdmann era filho do médico e botânico Carl Gottfried Erdmann, o qual introduziu a vacinação contra a varíola no estado alemão da Saxônia. Em 1820, depois de ser aprendiz de farmacêutico, Otto Erdmann estudou medicina na Academia Médico-Cirúrgica de Dresden; em 1822 ingressou na Universidade de Leipzig, onde seu interesse pela química foi estimulado por LW Gilbert, professor de física. Depois de se formar em medicina em 1824 e se qualificar como professor universitário em 1825, Erdmann dedicou o resto de sua vida à química. Em 1827, após um ano dirigindo uma mina de níquel e fundição em Hasserode, foi nomeado professor extraordinário e, em 1830, professor de química técnica em Leipzig, onde estabeleceu sua reputação como professor e pesquisador. Erdmann foi Rektor Magnificus de Leipzig de 1848 a 1849 e, a partir de 1835, foi diretor e, eventualmente, presidente da Companhia Ferroviária Leipzig-Dresden. Maçom de destaque, ele dedicou muito tempo à melhoria das instalações culturais e à prosperidade tecnológica da cidade de Leipzig. Casou-se com Clara Jungnickel, com quem teve três filhos e uma filha. O governo saxão foi persuadido por Erdmann a construir laboratórios químicos na universidade; e depois que eles foram abertos em 1842. Erdmann era capaz de competir com Liebig em Giessen e atrair um grande número de estudantes, muitos dos quais alcançaram eminência, por exemplo, CF Gerhardt. Ele viajou pela Alemanha e França em 1836 para encontrar outros químicos, incluindo seu futuro colaborador, RF Marchand. Erdmann visitou a Inglaterra em 1842 e foi um porta-voz volúvel da não interferência com o direito do químico individual à liberdade de escolha entre os pesos atômicos e equivalentes na importante Conferência de Karlsruhe em 1860. 3 Ele enriqueceu muito as comunicações químicas com a criação em 1834 do Journal für praktische Chemie. Seus livros didáticos, e especialmente sua enciclopédia de química industrial, ajudaram a educar a geração revolucionária de Kolbe e Kekulé. Para essa geração alemã mais jovem, no entanto, ele veio a tipificar a química estereotipada e sem imaginação contra a qual eles se rebelaram de forma tão apaixonada e frutífera. As pesquisas de Erdmann, que abrangeram a química mineralógica, industrial, inorgânica e orgânica , foram principalmente descritivas e analíticas. Na química orgânica , entre 1840 e 1841 (simultaneamente com Laurent, que o corrigiu), ele investigou a natureza da indigotina e preparou uma série de derivados que foram importantes mais tarde, incluindo a isatina e a tetracloro- p -benzoquinona. Ele subsequentemente investigou e isolou hematoxilina de logwood e ácido euxântico de amarelo indiano. A confusão de Erdmann sobre a fórmula empírica da isatina levou-o com ceticismo a redeterminar o peso atômico do carbono em 1841. Em colaboração com Marchand, ele apoiou Dumas e Stas na redução de seu peso atômico do valor de Berzelius de 76,43 (O = 100) para 75,08. Posteriormente, até a morte de Marchand em 1850, eles fizeram uma série de redeterminações precisas. Na maioria dos casos, eles obtiveram valores significativamente diferentes daqueles estabelecidos por Berzelius e suficientemente próximos dos números inteiros para persuadi-los de que pode haver alguma verdade na hipótese de Prout de que os pesos atômicos eram múltiplos de uma unidade comum. Seguiu-se uma disputa com Berzelius, que odiava o Multiplenfieber, em que Erdmann manteve uma posição empírica de que os químicos deveriam ser guiados apenas por experimentos acurados. Em 1852, Pasteur passa 10 dias em Leipzig para examinar as amostras de tártaros que Fikentscher lhe oferece. É ajudado, em suas pesquisas, pelos colegas alemães; um deles Erdmann, põe muito gentilmente o próprio laboratório à disposição (Debré, 1995, p. 90). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/erdmann-otto-linne Mais informações: https://www.chemistryviews.org/details/ezine/11187802/150th_Anniversary_Death_of_Otto_Linne_Erdmann.html Wilhelm Gottlieb Hankel 1814-1899 Físico alemão. Hankel pertence aos físicos mais velhos do século XIX, que normalmente representavam o cientista clássico. Filho de um maestro e professor de coro, ele se interessava muito por questões práticas desde criança, e era muito visto nas oficinas de artesãos. Aos 10 anos ele foi para o colégio Quedlinburg. O professor de matemática era o futuro Reitor Schumann, a quem Hankel era particularmente ligado e que presumivelmente teve uma influência em seu curso posterior de estudos. Hankel perdeu seus pais muito jovem e como membro mais velho de seus irmãos e sem outros parentes, tinha que ganhar a vida para si e sua família dando aulas particulares. Depois de se formar no ensino médio, Hankel mudou-se para a Universidade de Halle; deixou-se inscrever como teólogo e também cursou a faculdade de teologia no primeiro semestre. Mas logo ele se voltou para os estudos científicos. Em particular, seguiu o seu professor Prof. Schweigger, de quem se tornou assistente, e em cujo gabinete físico trabalhou muito. Depois de se formar no Gymnasium de Quedlinburg, ele estudou na Universidade de Halle com Johann Schweigger. Em 1835 foi assistente no laboratório de física e, em 1836, professor na recém-fundada Realschule da Frankische Stiftung em Halle. Em 1838 ele se casou com a filha de um fazendeiro de perto de Halberstadt; em 1839, eles tiveram um filho, Hermann, que se tornou famoso como matemático. Também em 1839, Hankel obteve seu doutorado com um a dissertação sobre a eletricidade dos cristais e, em 1840, qualificou-se para lecionar química na Universidade de Halle. Em 1842-1843, um caso grave de pleurisia forçou Hankel a desistir de seu trabalho no laboratório de química, e ele voltou sua atenção completamente para a física, uma decisão que não havia feito anteriormente por respeito a seu professor Schweigger. Em 1847 obteve o cargo de professor de física na Universidade de Halle e, em 1849, cargo semelhante na Universidade de Leipzig, que ocupou até 1887. Como um experimentador, Hankel investigou principalmente fenômenos piezoelétricos e termoelétricos em cristais e se tornou um pioneiro neste campo especializado. Suas observações e medições minuciosas basearam-se no uso de instrumentos de medição novos e mais confiáveis, que ele mesmo construiu ou aprimorou. Em 1850, ele desenvolveu um novo eletrômetro de alta sensibilidade e baixa capacidade própria, que foi utilizado em conjunto com um microscópio. Em suas pesquisas, Hankel descobriu a relação nos cristais entre as propriedades piroelétricas e a rotação do plano de polarização da luz . Ele chamou a atenção para a estrutura cristalina e para cristais com e sem centros de inversão, esclarecendo as peculiaridades de suas propriedades elétricas. Além disso, ele investigou as correntes termoelétricas entre metais e minerais, bem como a fotoeletricidade da fluorita e a actinoeletricidade do quartzo. Além disso, Hankel realizou determinações mais precisas da série eletromotriz galvânica. Ele também estudou eletricidade em chamas e formação de gás. Ele reduziu suas observações sobre a eletricidade atmosférica, através do uso de uma balança de torção , a valores do sistema de medida absoluta por um método experimental (comparação de um campo eletrostático conhecido com o campo elétrico atmosférico) que era complicado, mas bastante exato para o período (1858). Em 1856, ele escreveu uma crítica completa dos instrumentos usados até então no estudo da eletricidade atmosférica. Hankel propôs uma nova teoria da eletricidade que postulava, em vez da ação à distância, a existência de movimentos rotacionais orientados variadamente em um único fluido: o éter. A teoria despertou pouco entusiasmo quando foi anunciada e agora merece apenas interesse histórico como parte de uma série de esforços infrutíferos para reduzir a eletrodinâmica à mecânica. Em 1852, enquanto estudava os cristais em Leipzig, Pasteur recebe o prof. Hankel, professor alemão titular de física na Universidade de Leipzig . Hankel traduziu todas as suas dissertações para uma revista alemã. Deste modo, o trabalho de Pasteur cruzava fronteiras e os cientistas alemães tinham a mesma informação que os franceses (Debré, 1995, p. 90). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/hankel-wilhelm-gottlieb Mais informações: https://www.deutsche-biographie.de/sfz70001.html Josef Redtenbacher 1810-1870 Químico austríaco. Professor de química na Universidade de Viena. Era irmão do entomologista Ludwig Redtenbacher (1814-1876). Josef e studou medicina e botânica na Universidade de Viena e foi influenciado pelo trabalho do mineralogista Friedrich Mohs. Após a formatura, ele permaneceu em Viena como assistente do químico Joseph Franz von Jacquin. Mais tarde, ele viajou para a Alemanha, onde estudou mineralogia com Heinrich Rose em Berlim e química orgânica com Justus von Liebig na Universidade de Giessen. Posteriormente, tornou-se professor de química na Universidade de Praga e, em 1849, voltou a Viena como sucessor de Adolf Martin Pleischl. Pouco antes de sua morte, ele planejava, junto com o arquiteto Heinrich von Ferstel, a construção de um novo laboratório universitário em Viena. A ele são creditadas as descobertas da acroleína e do ácido acrílico. Ele também realizou pesquisas importantes envolvendo a composição da taurina. Na viagem de 1852, Pasteur sai de Leipzig a caminho de Veneza e consegue o endereço deste professor de química, Josef Redtenbacher, que atuou como seu guia e levou-o a visitar a fábrica do industrial Seybel. Esta fábrica usava o ácido tartárico austríaco para produzir o que julgava ser o sulfato de magnésio. Porém, tratava-se do ácido racêmico (paratártaro) e a questão essencial de Pasteur estava resolvida (Debré, 1995, p. 91). Antes de retornar para casa, em Estrasburgo, Pasteur decide fazer um desvio por Praga, pois corre um boato de que um industrial tcheco consegue maciçamente transformar o ácido tartárico em racêmico. Uma vez em Praga, Pasteur vai à casa do professor de química Rasmann, mas depois Pasteur percebe que ele estava equivocado, e que não havia descoberto o meio de produzir o ácido racêmico, mas sim a somente isolá-lo dos tártaros brutos. Deste modo, Pasteur retorna à França (Debré, 1995, p. 92). Mais informações: https://pubs.acs.org/doi/pdf/10.1021/ed024p366 Mais informações: https://wellcomecollection.org/works/dh946byh Próximo Grupo
- Início da Vacinação | Pasteur Brasil
Início da Vacinação Pasteur sabia que certos indivíduos, uma vez atingidos pela doença, tornam-se refratários a uma nova contaminação. Ele refletiu muito sobre a vacina de Edward Jenner e ficou surpreso com o uso limitado que os médicos faziam deste método. Ao empregar a palavra “vacinar” para designar a inoculação de germes com virulência atenuada, Pasteur mostra tudo o que deve a seus predecessores, Jenner em primeiro lugar, como ele reconhece em um discurso em Londres em 1881: “Dei à expressão vacinação uma extensão que a ciência, assim o espero, consagrará como uma homenagem aos méritos e imensos serviços prestados por um dos maiores homens da Inglaterra, Edward Jenner” (Debré, 1995, p. 428). A prática da vacinação é antiquíssima. No século X os chineses realizaram inoculações que protegiam da varíola. Ao que parece, esta técnica vinha da Índia. A pústula foi usada como arma bacteriológica para arrasar, por exemplo, aldeias indígenas. Lady Montagu lançou na corte inglesa a moda da vacina, que se propagou por todo o continente europeu (Debré, 1995, p. 428-429). Em 1805, Napoleão Bonaparte submeteu seu exército à vacinação para a varíola e promulgou um decreto a favor do novo método. Em 1811 mandou vacinar seu filho. Na época, o médico Jean-Nicolas Corvisart disse que o exemplo imperial fez mais pela vacina que qualquer lei. Por volta de 1820, graças a ação da Academia de Medicina, a vacinação se torna uma prática usual. No entanto, são muitos os que escapam a este método, e a Academia decide voltar à vacinação animal e organiza missões para isso (Debré, 1995, p. 431-432, 248). Ernest Chambon foi o “apóstolo e divulgador da vacina animal”. Montou o primeiro centro de vacinação para a varíola em Paris (Debré, 1995, p. 432). Neste campo dos precursores, um dos mais importantes é Joseph Alexandre Auzias Turenne. Depois de sua morte, seus amigos reuniram suas pesquisas, conferências e publicações num grande volume, no qual Pasteur teve acesso por meio de seu sobrinho Adrien Loir, que diz que Pasteur leu o livro regularmente durante vários anos e que algumas das suas ideias eram sugeridas a ele através desta leitura (Debré, 1995, p. 432-433, 530). Jean-Joseph Henri Toussaint, veterinário francês, anuncia que conseguiu vacinar contra o carbúnculo. Mais jovem, ele fica bastante atento aos trabalhos de Pasteur, pois quer ultrapassá-lo. É incentivado por Henri Bouley que o encarrega de uma missão a respeito do carbúnculo. Pasteur comunica ao jovem colega algumas conclusões resultantes da necropsia de vacas, apesar da pesquisa concorrente. Porém, logo que verifica que o jovem Toussaint se apressou em cantar vitória na Academia de Ciências e na Academia de Medicina. Pasteur então fica incomodado e diz que não se deveria agitar o mundo científico quando não se está seguro dos resultados, e que o senhor Toussaint não foi prudente. Apesar da reprimenda, Pasteur não se esquecerá de tudo o que deve às intuições de Toussaint. Em vez de procurar deixá-lo no esquecimento, como alguns insinuaram, ele o apoiará e fará com que receba, em 1883, o prêmio Vaillant da Academia de Ciências por seus trabalhos sobre o carbúnculo (Debré, 1995, p. 436 – 437, 444). Os resultados das pesquisas sobre a vacinação do carbúnculo se tornam conhecidos. Rossignol, veterinário na cidade de Mélun, membro considerado da Sociedade de Agricultura local e redator da Revue Vétérinaire, quando toma conhecimento da comunicação de Pasteur, clama por testes decisivos, a serem colocados em prática em uma fazenda, e toma a iniciativa de organizar uma demonstração pública, cuidando de sua própria publicidade. Se a experiência fracassar, ele será conhecido como aquele que conseguiu pegar Pasteur no erro. Se for bem-sucedida, ele terá sua parte no sucesso (Debré, 1995, p. 443). Neste experimento de Pouilly-le-Fort, 60 carneiros são utilizados. 25 serão vacinados e os outros 25 ficarão sem vacina. 10 carneiros servirão de grupo de controle. Pasteur chama Chamberland e Roux, que estão em férias, referindo ser este um “empreendimento grave e considerável”. Thuillier também é acionado (Debré, 1995, p. 446). Uma multidão de pessoas chega de diversas localidades. São agricultores, conselheiros gerais, médicos, redatores-chefes de revistas veterinárias, pessoas da imprensa francesa e do exterior. Foi considerado um espetáculo, por ser muito raro ver um cientista fora de seu laboratório. O ambiente parecia mais uma feira (Debré, 1995, p. 445). Após as inoculações, Pasteur, na grande sala da fazenda, fala ao público e expõe seu método. Serão realizados mais dois encontros, para a segunda e terceira inoculações. O último encontro é marcado para a constatação dos resultados. Neste período, Chamberland e Roux acompanham os animais. Um está febril, outro tem um edema, outro está mancando. Pasteur escuta o relato e fica preocupado, tomado por dúvidas. Pasteur acusa Roux de ser o responsável pelo fracasso da experiência, e Marie intervém para acalmá-lo. Na manhã seguinte chega o telegrama de Rossignol anunciando o que chamou de “sucesso assombroso”. Os animais não vacinados estão mortos e todos os vacinados estão bem. Chegando à fazenda, todos são acolhidos por uma multidão que festeja o sucesso do experimento. A imprensa especializada multiplica os artigos e comenta-se o experimento até no Times, que enviou um correspondente para cobrir o caso (Debré, 1995, p. 447-448). Com o sucesso evidente, Pasteur faz relatórios para a Academia de Ciências e para a Academia de Medicina. O governo quer prestar uma homenagem a Pasteur, mas ele diz só aceitar uma condecoração se puder dividi-la com Roux e Chamberland (Debré, 1995, p. 449). Algumas semanas depois, o governo pede que Pasteur represente a França no Congresso Médico Internacional de Londres. Esse congresso foi organizado por Joseph Lister. Na imensa sala do palácio Saint-James, Pasteur é ovacionado. O Congresso tem mais de 3.000 participantes, um número sem precedentes na história médica. Pasteur apresenta seu trabalho sobre as vacinações contra a cólera das galinhas e contra o carbúnculo. Foi considerado um turning point na importância da bacteriologia na medicina, cirurgia e saúde pública. A título de exemplo, estão presentes James Paget, Rudolf Virchow, Robert Koch, Jean-Martin Charcot, William Osler, Friedrich Trendelemburg, Mortis Kaposi, dentre outros. Dentre os monarcas estão, a rainha Vitória (patrocinadora do evento), o príncipe de Gales e futuro rei Edward VII, Frederico III (príncipe da Prússia). Em um jantar, Pasteur é apresentado ao príncipe de Gales e ao príncipe da Prússia (Debré, 1995, p. 450). Enquanto na Inglaterra Pasteur é aclamado, na França se constata que nem todos estão convencidos, a exemplo de Colin (Debré, 1995, p. 451). Durante todo o ano de 1882, Pasteur será confrontado por Robert Koch e por membros da escola berlinense, a exemplo de Friedrich Löffler (aluno de Koch). Eles criticam as culturas do caldo, a descoberta do vibrião séptico, as experiências com as galinhas carbunculosas, e a existência e eficácia da vacina. É realizada uma contra-experiência, e Thuillier é enviado a esta missão, que é um sucesso. No entanto, Koch não fica inteiramente convencido, e os alemães não confessam publicamente a derrota. Neste mesmo período, Koch acaba descobrindo o agente da tuberculose, batizado de bacilo de Koch. No entanto, ele deixa para outros a descoberta das soluções terapêuticas, pois não acredita na vacinação (Debré, 1995, p. 454-455). Pasteur tenta conseguir um ganho de causa definitivo naquele mesmo ano por ocasião do Congresso Internacional de Higiene em Genebra. Ele está desejoso de uma resposta oficial de Koch diante dos representantes de todos os países reunidos. Ao subir na tribuna, Pasteur fala dos resultados das experiências e acrescenta “Porém, por mais brilhante que seja a verdade demonstrada, ela não tem o privilégio de ser aceita facilmente. Na Franca e no exterior, encontrei opositores obstinados”. Em seguida, dirige-se diretamente a Koch e a seus discípulos, sentados na primeira fila, pois estes insinuam que seus trabalhos não podem ser considerados rigorosos. Pasteur continua falando detalhando a experiência e Koch escuta em silêncio, não aceitando um debate contraditório em público. Subindo no estrado, afirma que prefere responder por escrito, o que ocorre 3 meses depois, afirmando que a atenuação do vírus é uma fábula. Pasteur retoma, uma a uma, as acusações de Koch e para explicar, relembra suas primeiras descobertas e até volta às antigas altercações com Liebig (Debré, 1995, p. 456). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios. Edward Jenner. O início da vacinação: varíola. Mary Wortley Montagu (Lady Montagu) lançou na corte inglesa a moda da vacina, que se propagou por todo o continente europeu. Em 1805, Napoleão Bonaparte submeteu seu exército à vacinação para a varíola e promulgou um decreto a favor do novo método. Joseph-Alexandre Auzias-Turenne (precursor). Jean-Joseph Henri Toussaint. Atenuação dos vírus em galinhas. Hippolyte Rossignol, veterinário francês na cidade de Mélun, membro considerado da Sociedade de Agricultura local e redator da Revue Vétérinaire. Experimento de Pouilly-le-Fort. Charles Chamberland. Émile Roux. Doenças da época que eram os principais focos de estudo e pesquisa. Robert Koch. Quatrième Congrès International d´Hygiene et de Démographie a Genève (du 4 au 9 septembre, 1882). Continue lendo a biografia
- Leituras Iniciais | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Leituras Iniciais François-Xavier-Joseph Droz 1773-1850 Filósofo e historiador francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1824). Professor na Escola Central de Besançon (1797). Droz era escritor moralista do Franco-Condado, mais especificamente da cidade de Besançon, na França. Quando jovem, Pasteur leu a obra “Ensaio sobre a Arte de ser Feliz”. A vaidade, segundo ele, era o sentimento mais temível, o pai de todos os pecados. “Nunca li nada mais sábio, mais moral e mais virtuoso. Experimenta-se, lendo, um encanto irresistível que penetra na alma e a inflama com os mais sublimes e generosos sentimentos” (Debré, 1995, p. 26; Viñas, 1991, p. 40; Garozzo, 1974, p. 48). Ref. https://data.bnf.fr/en/12510964/joseph_droz/ Silvio Pellico 1789-1854 Pellico foi escritor e dramaturgo italiano, que também viveu em Lyon, cidade na França. Pasteur leu, na juventude, a obra “Minhas prisões”, a qual retrata as experiências do autor como prisioneiro, momento em que se converteu ao catolicismo, a fim de demonstrar como a religião é conforto em momentos de desgraça. Pasteur recomenda esta leitura também às suas irmãs. “Gostaria que elas lessem essa obra interessante em que se respira, a cada página, um perfume religioso que eleva e enobrece a alma” (Debré, 1995, p. 26; Viñas, 1991, p. 40; Garozzo, 1974, p. 48 ). Ref. https://data.bnf.fr/en/12059660/silvio_pellico/ Xavier Boniface de Saintine 1798-1864 Romancista, dramaturgo e poeta francês. Suas peças de teatro são assinadas "Xavier". Foi também fotógrafo amador. Sua o bra "Picciola" foi recomendada pela Academia Francesa, sendo considerada um clássico da literatura. Neste livro, o autor aborda um prisioneiro (por conspirar contra Napoleão) que descobre uma planta crescendo entre duas pedras no pavimento de sua cela. A planta é a imagem da força da natureza e da persistência, e se tornará símbolo de vida e amor. Ao lê-la o jovem Pasteur afirma: “Livro muito bonito, muito útil e muito interessante” (Debré, 1995, p. 40). Ref. https://data.bnf.fr/fr/12139654/x_-b__saintine/ Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine 1790-1869 Literato, orador e político francês. Membro da Académie Française (eleito em 1829). Suas obras influenciaram o Romantismo na França. No livro “Meditações”, lida por Pasteur, o autor escreveu inspirado num breve amor cuja a amada morreu prematuramente (Debré, 1995, p. 40). Ref. https://data.bnf.fr/en/11910800/alphonse_de_lamartine/ Próximo Grupo
- Família Laurent | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Família Laurent Claude Henri Aristide Laurent 1795-1869 O sogro de Louis Pasteur era francês e tinha formação em Letras. Na época em que se conheceram, ele era reitor da Universidade de Estrasburgo. Aristide Laurent ocupou os cargos de professor, diretor, chefe de colégio e inspetor em pelo menos 13 cidades: Paris, Riom, Guéret, Saintes, Sens, Amiens, Orléans, Clermond-Ferrand, Angoulême, Douai, Toulouse, Cahors até chegar a Estrasburgo, como reitor da Universidade. Por onde passou, ajudou a reerguer colégios em vias de desaparecer, colocou ordem onde havia desordem (Vallery-Radot, 1945, p. 39). “Um homem que se destacou por uma especial capacidade para o ensino, pela sua lealdade aos alunos e seus dotes organizacionais aplicados ao sistema escolar” (Viñas, 1991, p. 68). Pierre-Augustin Bertin, amigo de Pasteur, é quem o apresenta ao Sr. Laurent. Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio de Biot, Dumas e Balard (Viñas, 1991, p. 74-75). Nos domingos à tarde, o Sr. Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários (Vallery-Radot, 1945, p. 58). Ao visitar a sua casa, Pasteur conhece Marie, por quem se sente cativado imediatamente. Em uma decisão relâmpago, dirige uma carta ao reitor com um pedido de casamento à sua filha (Viñas, 1991, p. 75). Casa-se com Amélie Huet em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Obs. Em várias biografias, o sogro de Pasteur é nomeado erroneamente de Charles Laurent (V. Debré, 1995, p. 79). Ref. https://phototheque.pasteur.fr/fr/asset/fullTextSearch/search/aristide%20laurent/page/1 Amélie Hélène Huet (Madame Laurent) 1797-1867 A sogra de Pasteur, madame Laurent, era francesa, filha de livreiros e impressores de Orleans. A livraria da família dos pais de Amélie recebia diversos intelectuais, inclusive o general Beauharnais, que se tornaria posteriormente Napoleão Bonaparte (1769-1821), e Josefina de Beauharnais (1763-1814), que seria a futura imperatriz. Amélie e Aristide Laurent conheceram-se nesta livraria, e casaram-se em 1819 (Vallery-Radot, 1945, p. 40). Em 1849, ao conhecer Louis Pasteur, Amélie capturou logo algumas de suas características: lealdade, dedicação profissional, inteligência (Viñas, 1991, p. 76). Pasteur compreendeu que Madame Laurent era sua aliada ao pedido de casamento, e em uma carta confiou as inquietudes que sentia, por temer que as primeiras impressões tenham sido desfavoráveis, e agrega a seguinte observação à Marie: “Minha experiência ensina que aqueles que me conhecem muito bem me amaram muito” (Vallery-Radot, 1945, p. 62; Birch, 1993, p. 24). Marie Anne Laurent (Marie Pasteur / Madame Pasteur) 1826-1910 Criada em ambiente intelectual, a esposa de Pasteur, Marie, era francesa e tinha 3 irmãs e 1 irmão, sendo que este último faleceu aos 23 anos de febre tifoide. Quando Pasteur a viu pela primeira vez, sentiu que havia encontrado a sua companheira de vida, e escreveu ao amigo Chappuis: “Creio que serei muito feliz com ela. Tem todas as qualidades que eu poderia desejar em uma mulher” (Báez, 1995, p. 463). Marie foi descrita como: discreta, comedida, autoritária, circunspecta. Uma mulher de ordem e dever, porém positiva, alegre e sólida. “Passou pela glória procurando ser despercebida” (Vallery-Radot, 1945, p. 31, 33; Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Devota-se a Pasteur e cria, em torno dele, uma vida familiar tranquila, removendo as preocupações materiais. “Soube, desde os primeiros dias, não somente a admitir, mas a aprovar que o laboratório vinha acima de tudo” (Debré, 1995, p. 82). Madame Pasteur lia as atas da Academia de Ciências em vez de ler novelas (Vallery-Radot, 1945, p. 66, 68). “Marie recopia as cartas e os relatórios enviados ao Ministério ou Academia. Nunca um manuscrito vai para impressão antes de ter sido meticulosamente relido, anotado, verificado” (Debré, 1995, p. 147). "Ela se tornou, de modo informal, secretária, contadora e o que hoje chamaríamos de assessora de comunicação e assessora de imprensa" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Marie dispensava participar de círculos sociais prestigiosos que ela teria a oportunidade de frequentar (Perrot & Schwartz, 2017, p. 107). Segundo Émile Roux, colaborador de Louis Pasteur: “A senhora Pasteur era não apenas uma companheira incomparável para Pasteur, mas também seu melhor colaborador” (Debré, 1995, p. 82). Nas cartas do casal, observa-se afeto, confidências e companheirismo (Viñas, 1991, p. 89), ainda que por vezes Pasteur manifeste-se de modo autoritário. Marie se torna figura tutelar do Instituto Pasteur após a morte do marido. Falece em 23 de setembro de 1910, aos 84 anos na cidade de Arbois. Seu corpo foi sepultado no Instituto Pasteur em Paris, junto ao marido. O epitáfio latino, inscrito na cripta de estilo neo-bizantino, diz: "Socia rei humanae atque divinae", ou seja, "companheira da vida humana e das coisas divinas". O casal teve 5 filhos, dos quais somente 2 sobreviveram até a idade adulta. Em carta ao sogro (Jean-Joseph Pasteur) em 1851 , Marie escreve sobre Louis Pasteur. “É um pai de família modelo que, apesar de seu trabalho, encontra tempo para consagrar todos os dias um bom tempo ao recém-nascido e para cuidar da menina, se estou ocupada” (Vallery-Radot, 1945, p. 70). "Realmente parece", escreveu o colaborador de Pasteur, Émile Roux, que essa união predestinada foi feita em vista das grandes coisas que Pasteur teve que produzir (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 11; Baéz, 1995, p. 467). Albert Calmette, um dos pasteurianos, fala sobre Pasteur em seus últimos anos de vida, e também menciona Marie Pasteur: "Nós o mantínhamos a par das pesquisas. Ele sugeria ou discutia as experiências a serem feitas e a senhora Pasteur que, como mulher de cientista, se interessava por tudo, adivinhava os pensamentos e os sentimentos de cada um de nós antes que fossem exprimidos, velava com uma tocante solicitude para que nenhuma inquietação, nenhuma preocupação perturbasse as meditações ou os sonhos sobre o futuro, aos quais os trabalhadores do instituto se abandonavam com entusiasmo e confiança. (...) Todo esse passado de miséria e de grandeza foi uma era heroica, foi o tempo da epopeia pasteuriana. (...) Durante os sete anos que viveu no instituto, entre os colaboradores e os alunos Pasteur teve a suprema satisfação de presenciar algumas das mais preciosas conquistas dessa ciência experimental que ele levou ao ponto mais alto" (Debré, 1995, p. 535-536). Amélie Laurent (Amélie Loir) 1830-1925 A irmã mais nova de Marie, Amélie, era francesa e casou-se com Adrien Joseph Jean Loir. O casal tem um filho, Adrien Loir, que será estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Louis Pasteur. Adrien Joseph Jean Loir 1816-1899 Professor francês associado da Escola de Farmácia de Paris (1847-1849). Professor de química na Faculdade de Ciências de Besançon (1855), depois em Lyon (1861). Doutor em ciências físicas (1851). Adrien Joseph Loir foi sucessor de Louis Pasteur na Faculdade de Farmácia e trabalhou no laboratório na companhia de Pasteur. Foi o primeiro discípulo de Pasteur. Casa-se com a irmã mais nova de Marie, Amélie. O filho do casal, Adrien Loir, trabalhará diretamente com Pasteur. Ref. https://data.bnf.fr/en/10604888/adrien_loir/ Adrien Charles Marie Loir 1862-1941 Bacteriologista francês. Estagiário e assistente pessoal de pesquisa de Pasteur. Doutor em medicina (Paris, 1892). Bioquímico. Diretor do Instituto Pasteur na Austrália. Fundador do primeiro instituto anti-rábico em São Petersburgo. Filho de Amélie Laurent (irmã mais nova de Marie Pasteur) e de Adrien Joseph Loir, professor de química e diretor da Faculdade de Lyon (Debré, p. 83). Adrien Loir descreve o dia a dia com o tio: “Pasteur ficava completamente absorvido pelo assunto que estudava e que escolhera. Ele o dissecava, o experimentava de todas as maneiras, em silêncio, sem a intervenção de ninguém. Pasteur não se alterava nunca, e quando algo não ocorria como desejava, ele dizia: ‘Ai meu Deus, e andava como um leão enjaulado. Era tudo” (Debré, 1995, p. 164). O governo de Sidney na Austrália entra em contato com Pasteur. Adrien Loir é enviado em missão. Demorará muitos meses para chegar à Austrália e ficará lá por 5 anos. Funda em Road Island, perto de Sidney, o primeiro Instituto Pasteur além-mar. Regularmente, Loir informava ao tio sobre seus trabalhos e prosseguia, sob a orientação dele, nas pesquisas sobre a transmissão do carbúnculo e sobre a peripneumonia do gado (Debré, 1995, p. 527-528). Loir auxiliou bastante, desde o laboratório na Rua Ulm (antes do Instituto Pasteur), especialmente devido ao comprometimento de movimentos de Pasteur a partir do AVC aos 45 anos. Pasteur dá diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao jovem: aprender a soprar vidro, assimilar as bases da cristalografia, faça curso de caligrafia e também direcionou sua formação em Medicina (Debré, 1995, p. 380-381). Loir escreveu a obra "A l'ombre de Pasteur: souvenirs personnels" (Na sombra de Pasteur: memórias pessoais) pela editora Le Mouvement Sanitaire,1938. Adrien Loir desempenhou um papel importante ao lado de Pasteur, ele mesmo, como seu assistente pessoal e, em seguida, como um agente para a difusão da ciência pasteuriana em todo o mundo. No entanto, Loir permaneceu nas sombras. "Algo aconteceu em sua vida: quando ele havia sido mais ou menos casado por sua família com uma filha de um amigo da família, ele se divorciou dessa mulher e saiu com a babá das crianças, depois se casou novamente com essa outra mulher. E isso foi extremamente desaprovado. Na época, ele foi rejeitado pelos pasteurianos, por sua família, etc. Foi por isso que ele foi completamente esquecido" [Maxime Schwartz, em trecho traduzido livremente da obra Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, acadêmico e globetrotter (1862-1941) , publicado por Odile Jacob, em março de 2020]. Ref. https://data.bnf.fr/en/13012138/adrien_loir/ Mais informações: https://en.odilejacob.fr/catalogue/documents/biographies-memoirs/pasteurs-nephew_9782738151353.php Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/research-journal/news/pasteur-s-nephew-adventurous-life-adrien-loir-scholar-and-globe-trotter Mais informações: https://www.franceculture.fr/emissions/le-cours-de-lhistoire/un-destin-pour-le-soin-quatre-figures-de-lhistoire-du-soin-et-de-la-medecine-14-adrien-loir-etre-le Mais informações: https://atlantico.fr/article/decryptage/adrien-loir--une-vie-a-l-ombre-de-louis-pasteur-histoire-science-decouverte-medecine-biologie-virus-epidemie-cholera-rage-annick-perrot-maxime-schwartz Célie Laurent (Célie Zévort) 1820-1859 Célie, a irmã mais velha de Marie Pasteur, era francesa e casou-se com Charles Zévort. Charles Zévort 1816-1887 Agrégé em filosofia (1840). Doutor em Letras (1884). Inspetor Geral da Instrução Pública do Ensino Superior (nomeado em 1879). Professor de latim. Traduziu várias obras gregas, inclusive Metafísica de Aristóteles (2 vol., 1840-1841), A Vida de Filósofos da Antiguidade, de Diógenes Laërce (2 vols., 1848). Era francês, casado com a irmã mais velha de Marie, Célie Laurent. Tiveram Edgar Zévort como filho. Ref. https://data.bnf.fr/en/12436431/charles_zevort/ Edgar Zévort 1842-1908 Professor do ensino médio e historiador francês. Doutor em Letras (1880). Reitor da Académie de Caen (nomeado em 1884). Ref. https://data.bnf.fr/en/12569035/edgar_zevort/ Próximo Grupo
- Personalidades | Pasteur Brasil
Grupos de Personalidades Família, amigos, cientistas, industriais, colaboradores, membros de Academias, políticos... Pasteur se relacionou com muitas personalidades ao longo da vida, as quais foram organizadas em 25 grupos. Para melhor compreensão da notação utilizada nesta pesquisa, acesse anteriormente a Legenda do Grupocarmograma . A seguir, confira os grupos de personalidades, seguidos da Análise dos Grupos e da Enumerologia (ordem alfabética por sobrenome). Ao acessar cada grupo, será possível consultar as microbiografias das principais personalidades. Família Nuclear Pai, mãe e irmãos Amigos de Infância e Adolescência Arte Pinturas de Pasteur e artistas Primeiros Beneméritos Professores, preceptores e apoiadores Leituras Iniciais Primeiras Influências Científicas Contemporâneos e antecessores Família Laurent Sogros, esposa, cunhados, sobrinhos Família Louis Pasteur Academia de Ciências Cristalografia Fermentação Geração Espontânea x Teoria dos Germes Doenças do Bicho-da-Seda Doenças Infectocontagiosas Início da Vacinação Vacinação: Raiva Pasteurianos Academia de Medicina Academia Francesa Políticos Instituto Pasteur Jubileu: 70 Anos Saúde e Morte Parapsiquismo Equipe Extrafísica Análise dos Grupos Enumerologia
- Citações | Pasteur Brasil
Citações Excertos de escritos e declarações de Louis Pasteur, agrupados por temas. Acesse as referências utilizadas nesta compilação. Foi utilizada tradução livre de trechos extraídos de outros idiomas. Ciência e Pesquisa "O grande segredo consiste em fazer experiências que não deixem lugar à fantasia do observador. No começo das pesquisas em torno de um determinado objetivo, a força da imaginação deve dar asas ao pensamento. No momento de se tirar uma consequência e da demonstração de fatos colhidos pelas observações, a fantasia deve, pelo contrário, ser dominada pelos resultados concretos das experiências e a eles submetida" (Unger, [196-], p. 24). “Na ciência, algumas pessoas têm convicções; outros têm apenas opiniões. A convicção supõe prova; as opiniões são frequentemente baseadas em hipóteses" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Acreditar que se descobriu um fato científico importante, ansiar anunciá-lo e ainda assim esperar dias, semanas ou até anos; esforçar-se para invalidar as próprias experiências; publicar as descobertas só depois de exaustivas verificações - sim, a tarefa é dura. Mas, quando se consegue a certeza, a recompensa é um dos melhores bálsamos para a alma humana" (Birch, 1993, p. 32; Cuny, 1963, p. 172 ). "Sempre duvide de si mesmo, até que os fatos se apresentem de forma indubitável" (Birch, 1993, p. 7). "Não apresente nada que não possa ser comprovado de forma simples e decisiva" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Vamos, revolucionemos o mundo com os nossos descobrimentos!"(Unger, [196-], p. 97). "Nada é mais gratificante para um cientista do que aumentar o número de descobertas, mas o máximo é ver suas observações colocadas em prática" (Birch, 1993, p. 33). "Para quem dedica sua vida à ciência, nada pode dar-lhe mais felicidade do que aumentar o número de suas descobertas, mas sua alegria transborda quando os resultados de seus estudos encontram imediatamente aplicações práticas" (Dubos, 1967a, p. 76). "Não há ciência pura e ciência aplicada - há apenas ciência, e as aplicações da ciência" (Dubos, 1967b, p. 51). "Não existe uma categoria de ciências que possa ser chamada de ciências aplicadas. Existe a ciência e as aplicações da ciência, ligadas entre si como o fruto à árvore que o gerou" (Cuny, 1963, p. 173 ). "Sem teoria, a prática nada mais é do que rotina nascida do hábito. Somente a teoria pode trazer o avanço e o desenvolvimento do espírito de invenção" (Dubos, 1967a, p. 22). "Quando medito sobre uma doença nunca penso encontrar um remédio para ela, porém, em vez disso procuro meios de preveni-la" (Dubos, 1967b, p. 106). "A cultura das ciências em sua expressão mais elevada talvez seja ainda mais necessária para o estado moral de uma nação do que sua prosperidade material" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O papel dos infinitamente pequenos na Natureza é infinitamente grande" (Dubos, 1967b, p. 57). "As concepções mais elevadas, as especulações mais legítimas, ganham corpo e alma apenas no dia em que são consagradas pela observação e pela experiência. Acabem com o trabalho, as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade e da morte. Não serão mais do que ciências da educação, limitadas e impotentes, e não ciências do progresso e do futuro" ( Cuny, 1963, p. 175) . "O verdadeiro sábio tem um só dever e uma única tarefa: procurar aquilo que existe" (Unger, [196-], p. 66). Vida "A vida não tem valor, quando não se pode ser útil a outrem" (Unger, [196-], p. 12). "Há na vida de todo homem, na carreira das ciências experimentais, uma idade em que o emprego do tempo é inestimável: a idade rápida em que floresce o espírito de invenção, na qual cada ano deve ser marcado por um progresso" (Debré, 1995, p. 162). "Gostaria de ser mais jovem para me dedicar com novo ardor ao estudo de novas doenças" ( Cuny, 1963, p. 171) . "Se eu tivesse outra vida para viver, tentaria sempre me lembrar do admirável preceito de Bossuet: 'A pior atitude que podemos tomar é acreditar que as coisas são como são porque queremos que elas assim sejam´" (Birch, 1993, p. 36; Cuny, 1963, p. 171). "O único consolo, quando começamos a sentir que as nossas próprias forças se esvaem, é dizer a nós mesmos que podemos ajudar quem nos segue a fazer mais e melhor do que nós, caminhando com os olhos fixos nos grandes horizontes que só podemos vislumbrar" ( Cuny, 1963, p. 172) . Personalidade "Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade" (Birch, 1993, p. 6). "No campo da experimentação, o acaso favorece as mentes preparadas" (Birch, 1993, p. 52). "Não basta amar a verdade, é preciso defendê-la também" (Unger, [196-], p. 49). "Sou o mais hesitante dos homens, o que mais teme se comprometer quando não tem provas. Mas, ao contrário, nenhuma consideração pode me impedir de defender o que penso ser a verdade quando posso contar com sólidas provas científicas" (Birch, 1993, p. 6). "Querer é muito, porque do querer se segue sempre uma ação, um trabalho, a maioria das vezes coroado de êxito. Destas três coisas, vontade, trabalho e êxito é que se compõe a vida humana. A vontade abre as portas de uma carreira feliz; o trabalho tudo vence; e o êxito coroa a obra" (Unger, [196-], p. 74). "Seria aos meus próprios olhos um ladrão, se passasse um dia inteiro sem trabalhar" (Unger, [196-], p. 112). "Meu trabalho, minha família, minha pátria, isso é o que sempre amei" (Vallery-Radot, 1994, p. 58). Residindo em Lille, Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Tenho, finalmente, o que sempre quis, um laboratório que posso ir a qualquer hora, no andar térreo do meu aposento; e, por vezes, enquanto estou dormindo, principalmente nestes dias, o gás queima toda a noite e as operações continuam em curso (...) Trabalhemos todos, só isso é que diverte" (Debré, 1995, p. 111). "É na leitura das obras dos inventores que a chama sagrada da invenção se acende e se mantém unida" (Blaringhem, 1923, p. vii). "Seria muito interessante e proveitoso se dos progressos da ciência participasse também o coração" (Unger, [196-], p. 84). "A grandeza dos atos humanos mede-se pela intenção de que se originam" (Unger, [196-], p. 123). "Frequentemente, uma observação do homem mais inculto, mas que faz bem o que faz, é infinitamente preciosa" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O cientista que se entrega à tentação das aplicações industriais deixa assim de ser o homem da ciência pura, complica a sua vida e a ordem normal dos seus pensamentos de preocupações que paralisam nele qualquer inventividade para o futuro" ( Cuny, 1963, p. 174) . "Mantenha o seu entusiasmo, mas dê a este companheiro um controle severo" (Cuny, 1963, p. 175) . "Cultive o pensamento crítico. Reduzido apenas a ele, não será um despertador de ideias, nem um estimulante de grandes coisas, mas sem ele, tudo é nulo e vazio. Ele sempre tem a última palavra" (Cuny, 1963, p. 175) . "Quando me aproximo de uma criança, ela me inspira dois sentimentos: o de ternura pelo presente, e o de respeito por aquilo que um dia pode se tornar"(Cuny, 1963, p. 175) . Religião e Espiritualidade "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). "Os gregos nos deram uma das mais belas palavras de nossa linguagem, a palavra 'entusiasmo' um deus interno. A grandeza dos atos dos homens é medida pela inspiração que lhes dá origem. Feliz é aquele que tem um deus interno" (Dubos, 1967a, p. 25; Dubos, 1967b, p. 119). "A ciência é incapaz de resolver a questão da origem e do fim das coisas" (Vallery-Radot, 1994, p. 377). "Além desta abóbada estrelada, o que há? Novos céus estrelados, que assim seja! E além? ... Além... é infinito". "Aquele que proclama a existência do infinito, e ninguém pode escapar disso, acumula nesta afirmação mais sobrenatural que não há em todos os milagres [religiosos], porque a noção de infinito tem esse duplo caráter de ser imposta e de ser incompreensível" (Vallery-Radot, 1994, p. 399-400). "Pretender introduzir a religião na ciência é um equívoco da mente. Ainda mais falsa é a mente de quem afirma introduzir a ciência na religião, porque é obrigada a respeitar o método científico" ( Cuny, 1963, p. 173-174) . "Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade e da democracia moderna, senão na noção do infinito perante o qual todos os homens são iguais?" ( Cuny, 1963, p. 174) . Pátria / Nação "A ciência não tem pátria" (Vieira, 2014, p. 885). "A ciência não tem pátria, ou melhor, a pátria da ciência é o mundo inteiro" (Unger, [196-], p. 7). "Estou imbuído de duas profundas impressões; a primeira, que a ciência não conhece países; a segunda, que parece contradizer a primeira, embora seja na realidade uma consequência direta dela, que a ciência é a mais alta personificação da nação. A ciência não conhece país, porque o conhecimento pertence à humanidade, e ela é a tocha que ilumina o mundo. A ciência é a mais alta personificação de uma nação porque a primeira dentre as nações será aquela que levar mais longe os trabalhos do pensamento e da inteligência. A convicção de ter alcançado a verdade é uma das maiores alegrias do homem, e a ideia de ter contribuído para a honra do nosso país torna esta alegria ainda mais profunda. Se a ciência não tem país, o homem de ciência tem. E é ao seu país que deve dedicar sua influência para que sua obra tenha impacto no mundo" (Dubos, 1967a, p. 76; Dubos, 1967b, p. 118-119). "Quem sofre não é questionado sobre qual é o seu país e qual é a sua religião. Diz-se simplesmente: 'Você sofre, isso me basta: você me preocupa e eu o ajudarei" (Dubos, 1967a, p. 76-77). "Estou absolutamente convencido de que a Ciência e a Paz triunfarão sobre a Ignorância e a Guerra. Que as nações finalmente se unirão, não para destruir, mas para construir, e que o futuro pertencerá àqueles que trabalharam mais para o benefício da humanidade sofredora" (Dubos, 1967a, p. 77). Política "Não tenho e não quero ter nenhuma coloração política. Não quero ser nada senão um cidadão, um trabalhador dedicado ao seu país" ( Cuny, 1963, p. 171) . "A ciência, em nosso século, é a alma da prosperidade das nações e a fonte viva em todo o progresso. Sem dúvida, a política, com suas discussões cansativas e diárias parecem ser a nossa guia. Aparência vã! O que nos conduz são as descobertas científicas e suas aplicações... É a ciência que representarei no Senado" ( Cuny, 1963, p. 22-23). "Uma das grandes desgraças da França é que existem muitos políticos nas Assembleias. A política com suas fatigantes e cotidianas discussões parece ser nosso guia. Vã aparência! O que nos governa são algumas descobertas científicas e suas aplicações. No século atual, a ciência é a alma da prosperidade dos povos e a fonte festejada de todo o progresso" (Debré, 1995, p. 337). "É a Ciência na sua pureza, sua dignidade, sua independência que representarei no Senado" (Debré, 1995, p. 336). "A verdadeira democracia é aquela que permite a cada indivíduo dar o seu máximo esforço no mundo. Por que é necessário que ao lado desta fecunda democracia haja outra, estéril e perigosa, que, não sei sob que pretexto de igualdade quimérica, sonha em absorver ou aniquilar o indivíduo no Estado? Esta falsa democracia tem o gosto, atrevo-me a dizer o culto, da mediocridade ... Poderíamos definir esta democracia: a liga de todos aqueles que querem viver sem trabalhar, consumir sem produzir, chegar ao trabalho sem estar preparados para isso, para honrar sem ser digno..." ( Cuny, 1963, p. 29). Pasteur, enquanto candidato ao Senado confessa não aderir a nenhum partido, e seu discurso suscita indignação tanto da direita quanto da esquerda. Para o cientista, enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível: "Se, na nossa infeliz França, há trinta ou quarenta anos, os governos e as grandes corporações do Estado não se tivessem desinteressado das instituições próprias para fazer florescer as ciências, a Alemanha teria sido vencida. Ignoram vocês que, enquanto a política nos irrita por suas divisões insensatas que fazem a alegria satânica de nossos inimigos, o vapor, a telegrafia e tantas outras maravilhas transformam as sociedades modernas?" (Debré, 1995, p. 336). Arte "Grandes artistas quase sempre têm grandes corações" ( Cuny, 1963, p. 171). Animais " O sofrimento de um animal me impressiona o suficiente para que eu nunca quisesse matar um animal enquanto caçava (pescava). O gemido de uma cotovia ferida iria rasgar meu coração. Mas se se trata de escrutinar os mistérios da vida e adquirir uma nova verdade, a soberania da meta carrega tudo consigo (Em resposta a um protesto antiviseccionista) ( Cuny, 1963, p. 173). Com cães, você nunca deve começar. É muito difícil separar-se de um cachorro que você ama. Tudo bem não começar a amar um. Nunca tenha um (Resposta a uma pergunta feita durante a pesquisa sobre raiva) ( Cuny, 1963, p. 172 ). Exposições orais Após os desastres franceses na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, quando o governo italiano ofereceu-lhe uma cadeira de Química na Universidade de Pisa, com um alto salário: "O pensamento da França sustentou minha coragem durante as horas difíceis que foram uma parte inevitável dos prolongados esforços. Associei sua grandeza à grandeza da Ciência". "Eu me sentiria como um desertor se procurasse, fora de meu país em desgraça, uma situação material melhor do que aquela que ele pode oferecer-me (Dubos, 1967b, p. 116-117). Conferência pública na Sorbonne: "Na imensidão da criação, peguei minha gota de água, cheia de um alimento rico - ou seja, para usar a linguagem científica, cheia de elementos apropriados para o desenvolvimento de pequenos seres. E espero, observo, interrogo-a, peço-lhe mais uma vez que tenha a gentileza de começar, só para me agradar, o ato primário da criação. Seria tão lindo se ela me atendesse! Mas ela é muda! Permaneceu muda por anos. Ah! Isso aconteceu porque eu a mantive longe, e ainda a mantenho, da única coisa que o homem não pode produzir. Eu a mantive protegida dos micróbios que flutuam no ar; eu a protegi da vida, da vida de um micróbio, pois um micróbio é uma vida. A teoria da geração espontânea jamais se recuperará do golpe mortal que sofreu com esta simples experiência" (Birch, 1993, p. 10). Em discurso na Academia de Medicina: "Essa água, essa esponja, esse algodão com o qual vocês lavam ou cobrem uma ferida, podem depositar germes que têm o poder de se multiplicar rapidamente dentro dos tecidos... Se eu tivesse a honra de ser um cirurgião, impressionado como estou com os perigos a que o paciente está sujeito pelos micróbios presentes sobre as superfícies de todos os objetos, particularmente nos hospitais, não apenas usaria somente instrumentos perfeitamente limpos, como limparia minhas mãos com o maior cuidado e as sujeitaria a um rápido flambar... Eu usaria algodão, ataduras e esponjas previamente expostas a uma temperatura de 130 a 150º C." (Dubos, 1967b, p. 106-107). Para jovens cientistas no Instituto Pasteur: "Aquele entusiasmo que vocês mostraram desde o início, meus queridos colaboradores, conservem-no, mas deixem que a checagem precisa seja sua companheira de viagem. Jamais emitam uma opinião que não possa ser provada, cultuem o espírito crítico. Ele sozinho não pode despertar ideias nem levar a mente a fazer coisas brilhantes. Mas, sem ele, tudo é precário. Invariavelmente, ele dá a última palavra" (Birch,1993, p. 63). No discurso de seu jubileu: "Jovens, confiem no método científico, cujos primeiros segredos nós mal desvendamos. Não percam a coragem. Vivam no sereno ambiente dos laboratórios e das bibliotecas. No fim da vida, que vocês possam dizer: 'Fiz o que pude'." (Birch, 1993, p. 63; Dubos, 1967a, p. 52 ). "Jovens, tenham fé nos métodos eficientes e seguros dos quais ainda não conhecemos todos os segredos. E, qualquer que seja vossa carreira, não vos deixei desencorajar pela tristeza de certas horas que passam sobre as nações. Vivam na paz serena dos laboratórios e bibliotecas..." (Dubos, 1967b, p. 121). Sobre os laboratórios: "Tomem interesse, eu lhes imploro, naquelas sagradas instituições que designamos sob o expressivo nome de laboratórios. Peçam que elas sejam multiplicadas e adornadas; eles são os templos da riqueza e do futuro. Lá é que a humanidade cresce, torna-se mais forte e melhor. Lá é que ela aprende a ler nos trabalhos da Natureza, símbolos do progresso e da harmonia universal, enquanto que os trabalhos do ser humano são muito frequentemente aqueles do fanatismo e da destruição" ( Dubos, 1967a, p. 71; Dubos, 1967b, p. 119-120 ). Um dia, disse a seus alunos: "Vocês me trazem toda a alegria que pode sentir um homem cuja crença inabalável é a de que a ciência e a paz triunfarão sobre a ignorância e a guerra (...) que o futuro pertence àqueles que mais trabalharem para amenizar o sofrimento da humanidade" (Birch, 1993, p. 59). No discurso de inauguração do Instituto Pasteur: "Duas leis contrárias parecem estar lutando entre si atualmente: a primeira, a lei do sangue e da morte, sempre imaginando novos meios de destruição e forçando as nações a se encontrarem constantemente prontas para a batalha; a outra, a lei da paz, trabalho e saúde, sempre desenvolvendo novos meios para libertar o homem dos flagelos que o assolam" ( Dubos, 1967b, p. 120 ). Ao olhar pelo microscópio pela última vez em vida (micróbio da peste bubônica descoberto por Alexandre Yersin), comentou: "Ah, quanta coisa ainda há por fazer!" (Birch, 1993, p. 58). Em construção
- Pasteurianos | Pasteur Brasil
Pasteurianos Com o aperfeiçoamento de suas pesquisas, Pasteur precisa se cercar de estagiários, com tarefas de grandes responsabilidades: alimentar os micróbios (culturas em desenvolvimento) e controlar o desenrolar das experiências. Os estagiários são quase todos saídos da École Normale Supérieure e voltam a lecionar depois do estágio no laboratório. O amigo da juventude de Pasteur, o físico Pierre-Augustin Bertin, é quem os seleciona para ele, que escolhe entre seus próprios alunos. Jules Raulin pertencia à primeira geração de estagiários, na época da química fermentativa. Passou a fazer parte da história das ciências como inventor de um novo caldo de cultura. Era um dos alunos preferidos de Pasteur e terminou sua carreira como professor de química industrial em Lyon. Raulin e Eugène Maillot ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu primeiro AVC aos 45 anos. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Jules Joubert colabora até a época do início das pesquisas em biologia médica. Como é físico, interrompe a colaboração com Pasteur para se voltar aos campos magnéticos. Charles Chamberland o substitui. Tem 27 anos quando entra para o laboratório. Suas origens no Jura despertam a simpatia de Pasteur. Alegre e bon vivant, possui uma mente engenhosa e aprecia a inovação técnica. Devemos a ele a invenção da autoclave. Uma curiosidade: ao se queixar de numerosos furúnculos no pescoço, nuca e coxa, Pasteur o examina e propõe uma experiência: colhe um pouco de pus de sua nuca e o cultiva. Deste modo, descobre o estafilococo, o mais frequente dos germes patogênicos (Debré, 1995, p. 384-385). Chamberland, no Instituto Pasteur é quem orienta o serviço das vacinas (Debré, 1995, p. 521). Louis Thuillier é designado como novo estagiário, escolhido por Bertin, e se dedica ao estudo da erisipela suína. Pasteur cria grande amizade pelo jovem e fica muito abalado com a sua morte precoce no Egito, com apenas 26 anos, onde havia ido estudar a cólera. Dentre todos os colaboradores no laboratório da Rua Ulm em Paris, é preciso destacar três que tiveram um papel especial ao lado de Pasteur: Duclaux, Roux e Loir. Émile Duclaux chega em 1862, em plena época da discussão sobre as gerações espontâneas. Mesmo atuando como professor de química, participa ativamente dos trabalhos de Pasteur, tanto na época do bicho-da-seda como nos estudos do vinho. Ele se torna o diretor técnico do laboratório. Muito ordeiro, controla para que tudo fique no lugar. É a ele que procuram quando é necessário tomar alguma decisão e não querem incomodar Pasteur. Diante das respostas de Pasteur a todos os seus contestadores, Duclaux, pela proximidade afetiva, escreve a Pasteur “enxergo perfeitamente o que o senhor perde nessas lutas: seu descanso, seu tempo, sua saúde. Procuro, em vão, o que o senhor pode ganhar com isso” (Debré, 1995, p. 364). No Instituto Pasteur, Duclaux é o responsável pela microbiologia geral (Debré, 1995, p. 521). Após a morte de Pasteur em 1895, Duclaux tornou-se diretor do Instituto, com Roux e Chamberland servindo como seus sub-diretores. Várias cartas de Pasteur atestam a autoridade que ele confere a Duclaux no seio desta equipe encarregada dos preparativos essenciais e emergências sucessivas: primeira redação dos estatutos, constituição da assinatura destinada a financiar o projeto, postagem diária de resultados, organização administrativa, primeiras aquisições de terrenos, construção de edifícios, acolhimento de jovens cientistas. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Na época, ele era um jovem estudante de Medicina e um dos mais assíduos ouvintes dos debates de Pasteur na Academia de Medicina. Sua chegada começa com a aplicação de uma injeção na ausência de Pasteur, o que contrariou Pasteur, mas a continuação da experiência mostrou que o jovem sabia o que estava fazendo, então Pasteur o escolheu como estagiário (Debré, 1995, p. 360, 379). Roux foi descrito como uma pessoa solitária, sem ambição aparente. Ele se tornará o mais próximo colaborador de Pasteur (Debré, 1995, p. 360, 379). Roux se torna, nas palavras de Debré (1995, p. 531-532) o campeão das terapias antiinfecciosas, com imensas contribuições na cura da difteria, por exemplo. É considerado também o discípulo mais contraditório de Pasteur. Em certas ocasiões ele não hesitava em se opor ao mestre, apesar de respeitar a hierarquia e os 30 anos de diferença de idade que os separavam. Quando Pasteur chegava a algum resultado, construía uma teoria e a expunha, Roux nunca deixava de procurar uma falha, o que se tornou irritante para Pasteur, que reclamava: “como esse Roux é desagradável. Se eu o escutasse, ele poria fim em qualquer coisa que eu quisesse realizar” (Debré, 1995, p. 379). O caráter de Roux é descrito como muito particular. Ele compreendia que a calma e a concentração eram as palavras mestras do laboratório, e embora fizesse críticas constantes, isso não o impedia de conservar o silêncio e de servir de filtro entre Pasteur e o mundo exterior. Na hora certa, por exemplo, se desembaraçava dos rivais de Pasteur, mantendo-os à distância. Durante 8 anos, Roux será o único médico admitido no laboratório da Rua Ulm. Ele se torna um inoculador de profissão, sabendo, por exemplo, injetar precisamente os germes (Debré, 1995, p. 382). No Instituto Pasteur, Roux é o responsável pela microbiologia médica técnica (Debré, 1995, p. 521). Roux dedicou 46 anos de sua vida ao Instituto Pasteur. Foi ele quem recomendou Oswaldo Cruz às autoridades brasileiras para a criação de um laboratório (Lima; Marchand, 2005, p. 33). Roux foi um dos mais próximos colaboradores de Louis Pasteur, cofundador do Instituto Pasteur e descobridor do soro anti-difteria, a primeira terapia efetiva contra esta enfermidade. A Rua do Instituto Pasteur em Paris, se tornou Rua Doutor Roux. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur (filho da irmã caçula de Marie, Amélie), começa atuando como um estagiário onipresente, com o qual Pasteur pode contar, especialmente para completar seus movimentos devido ao braço paralisado. Pasteur dá suas diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao seu sobrinho: aprender a soprar o vidro, assimilar as bases da cristalografia, melhorar a letra em curso de caligrafia. Uma curiosa relação se estabelece entre tio e sobrinho. Loir escreve, em tom de reclamação, que Pasteur o usava para realizar o que sua mente concebia. Também escolheu a formação que ele deveria fazer, no caso, Medicina (Debré, 1995, p. 381). A pedido de Pasteur, Loir vai à Rússia (Debré, 1995, p. 497), à Austrália (ficará por 5 anos) e lá fundará o primeiro Instituto Pasteur além-mar (Debré, 1995, p. 527, 528). Também funda o Instituto Pasteur de Túnis (Tunísia - norte da África) quando volta da Austrália (Debré, 1995, p. 541). Loir recorda que Pasteur era bastante influenciado pela visão de Duclaux, e que se tornava calmo e se punha a trabalhar, diferentemente de Roux (Debré, 1995, 379). Pasteur se cerca de personalidades científicas notáveis, construindo uma rede de inteligências (Debré, 1995, p. 407). Além de dar seguimento às suas pesquisas, são também responsáveis pelo ensino e formação dos alunos (Debré, 1995, p. 522). Quando Pasteur ouve falar das descobertas do russo Élie Metchnikoff (ou Metchnikov) sobre a fagocitose, manda publicar seus trabalhos nos Anais do Instituto Pasteur e lhe outorga um duplo posto: diretor do laboratório de microbiologia morfológica e chefe de serviço no Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 521, 533-534). Metchnikoff trabalhou na mesma estação bacteriológica na Rússia que Nicolas Gamaleia (Nikolay Gamaleya), que foi diretor do Instituto da Raiva na cidade de Odessa. No Instituto Pasteur, Gamaleia é o responsável pela pesquisa em microbiologia médica (Debré, 1995, p. 521). Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). Albert Calmette entra para o laboratório de Roux em 1890. Ele era médico da marinha. Apaixonado pela microbiologia levava consigo um microscópio em todas as campanhas e andava atrás de micróbios em várias partes. Mostra seu trabalho a Roux, que logo fica impressionado. Trabalha por um tempo em Paris. Pasteur, para aproveitar a experiência na Indochina, o envia para fundar em Saigon um laboratório de preparação de vacinas antivariólicas e anti-rábicas, que será o Instituto Pasteur de Saigon (Debré, 1995, p. 537). Pouco antes de morrer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. É neste momento que Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva. No local, durante uma necropsia, encontra Roux e eles se entendem profundamente. Em 1886, Yersin passa todas as tardes no laboratório na Rua Ulm onde assiste Roux nas preparações e se torna o estagiário pessoal de Roux. Pasteur o encarrega de fazer os curativos nos doentes. Desde a criação do Instituto Pasteur, ele vai participar, aos 25 anos, dos primeiros trabalhos sobre a toxina diftérica (Debré, 1995, p. 538, 522, 531). Yersin, de caráter ansioso, não se habitua à lenta rotina do Instituto Pasteur e quer correr o mundo. Engaja-se como médico a bordo de um navio-correio e desembarca no Vietnã. Em Saigon, encontra-se com Albert Calmette que o encoraja a montar expedições, que ele faz várias. Em 1894 uma grave epidemia de peste aparece na China e o governo da Indochina lembra que Yersin havia trabalhado no Instituto Pasteur, e o enviam a uma missão. Ele vai até Hong-Kong prestar socorro e monta lá um pequeno laboratório e lá descobre o bacilo da peste e consegue montar o soro contra a peste. Além disso, consegue provar que os ratos estão na origem da epidemia (Debré, 1995, p. 538-539). No fim da vida, na última visita que Pasteur faz ao laboratório, pede para examinar os bacilos da peste que Yersin havia isolado. Seria sua última observação ao microscópio (Debré, 1995, p. 546-547). Charles Nicolle teve pouco tempo de conhecer Pasteur antes de sua morte. Suas contribuições na microbiologia renderam um prêmio nobel em Medicina. Ele trabalha como estagiário ao lado de Élie Metchnikoff e também ajuda Roux. O irmão mais velho de Charles, Maurice, foi enviado por Roux para fundar o Instituto Pasteur em Constantinopla. André Chantemesse foi enviado por Pasteur para estudar as causas das epidemias de cólera, sugeriu fundar um laboratório de microbiologia na Turquia. Em 1887 foi criada a Instituição de Tratamento da Raiva, a primeira do Oriente (Debré, 1995, p. 540). Nicolle é solicitado a dirigir o Instituto Pasteur de Túnis, na Tunísia, criado por Adrien Loir em sua volta da Austrália. Em Túnis estabelece que a leishmaniose é transmitida pelo piolho, além de identificar também este piolho como o vetor do tifo. Ganha um Prêmio Nobel (Debré, 1995, p. 541). Jules Bordet é o último dos grandes pasteurianos desta geração. Entra no Instituto Pasteur em 1894 e trabalha com Metchnik off. Descobre os anticorpos, os antígenos, e inventa os princípios do sorodiagnóstico das afecções microbianas. Em 1901, quando regressa ao seu país, a Bélgica, pede e obtém de Marie Pasteur, depositária do Instituto Pasteur, o direito de batizar o nome de seu laboratório de Instituto Pasteur de Brabante. Em Bruxelas descobre o bacilo da coqueluche e estuda a coagulação do sangue. Em 1919, ao ganhar o Prêmio Nobel de Medicina, homenageia Pasteur. Os próprios colaboradores de Pasteur se autodenominavam “pasteurianos” (Masi, 1999, p. 112). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. Pasteur e parte de seus colaboradores em 1894. Laboratório no Instituto Pasteur em Paris. Émile Duclaux. Charles Chamberland. Adrien Loir. Albert Calmette Élie Metchnikoff Alexandre Yersin. Louis Thuillier. Continue lendo a biografia
- Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil
Voltar para os Grupos Doenças do Bicho-da-Seda Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1865, a pedido de Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967b, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos. Émile Duclaux 1840-1904 Politécnico e normalista francês. Doutor em ciências físicas (Paris, 1865). Professor de Química na Faculdade de Ciências de Lyon; de física e meteorologia, no Instituto Agronômico de Paris, depois no Instituto Pasteur, diretor do Instituto Pasteur (1895-1904). Membro da Academia de Ciências (1888). Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos. Resumidamente, Duclaux iniciou uma carreira clássica como físico e químico. Depois de conhecer Louis Pasteur, ele foi rapidamente atraído pela nova ciência do "infinitamente pequeno", conhecida por volta de 1880 como microbiologia. Próximo de seu mestre, mas de espírito independente, participou ativamente da realização em 1888 do ousado projeto do Instituto Pasteur. Apreciado professor, escritor mediador e historiador da ciência, fervoroso patriota, goza então de uma autoridade que lhe permite falar publicamente: o cientista, torna-se cidadão, reivindica o estatuto de intelectual. Lutando por justiça, junto à Liga dos Direitos Humanos, a favor da revisão do julgamento de Dreyfus, ele afirma sua preocupação pela democratização do conhecimento por meio do apoio às universidades populares. De modo mais detalhado, Duclaux em 1857, ao completar sua educação clássica no colégio local, deixou Aurillac e foi para Paris para frequentar o curso especial de matemática no Lycée St. Louis. Dois anos depois, ele foi aceito na École Polytechnique e na École Normale Supérieure; ele escolheu o último. Em 1862 ele se tornou agrégé nas ciências físicas e foi então contratado por Pasteur como seu assistente de laboratório ( agrégé-préparateur)na escola. Foi durante esse período que as discussões sobre a possibilidade ou impossibilidade da geração espontânea estavam mais vivas. Pasteur afirmou que as criaturas microscópicas responsáveis pela fermentação vieram de pais semelhantes a eles. Nicolas Joly, Pouchet e Musset afirmaram que, ao contrário, essas criaturas nasceram espontaneamente em fluidos orgânicos. De vez em quando, Dumas e Balard, membros da comissão nomeada pela Académic des Sciences para resolver a questão, iam à École Normale. Duclaux, que já havia participado das experiências de seu mentor, passou a participar dos debates. A impressão que causaram nele mostrou-lhe seu verdadeiro curso de vida. Dissociado do laboratório de Pasteur, um agrégé-préparateur enfrentava um futuro incerto. Depois de defender sua tese de doutorado em ciências físicas em 1865, Duclaux decidiu deixar Paris. Ele se tornou professor primeiro no liceuem Tours, depois na Faculdade de Ciências de Clermont-Ferrand, cidade em que se juntou a ele sua mãe, viúva desde 1860. Ele pôde renovar sua colaboração com Pasteur, primeiro em Pont-Gisquet, Gard, onde o mestre estava desenvolvendo seu trabalho sobre doenças do bicho-da-seda, e um pouco mais tarde em Clermont-Ferrand. Os experimentos - de fermentação - começaram em um laboratório improvisado montado por Duclaux e foram repetidos em uma escala muito maior na cervejaria Kuhn em Chamalières, que fica entre Clermont-Ferrand e Royat. É bem sabido que esses experimentos foram solicitados a fim de reanimar a indústria cervejeira. Novas funções profissionais trouxeram Duclaux para Lyon em 1873 e finalmente para Paris em 1878. Em Paris, ele ganhou um concurso para a cátedra de meteorologia no Institut Agronomique, e também foi professor de química biológica na Sorbonne. Ele imediatamente aproveitou a oportunidade para ministrar um curso de microbiologia, o primeiro desse tipo em qualquer lugar. Sua jovem esposa, a ex-Mathilde Briot, sucumbiu repentinamente à febre puerperal após o nascimento de seu segundo filho. Para esquecer sua dor, Duclaux se dedicou ao trabalho com ainda mais energia. Ele ensinou, experimentou e escreveu; e ele acompanhou, dia após dia, a extraordinária série de realizações de Pasteur. Isso incluiu o desenvolvimento de vacinas contra a cólera aviária, o antraz, a peste suína e, em 1885, contra a raiva. Em 1888, o Instituto Pasteur foi fundado em Paris, na rue Dutot. Duclaux, que entretanto havia se tornado professor titular da Sorbonne, transferiu suas atividades de ensino para o Instituto Pasteur. Um pouco antes, por meio de seus esforços, um novo jornal mensal, o Annales de l'Institut Pasteur, foi criado para publicar pesquisas em microbiologia. A partir desse período, pode-se dizer que a vida de Duclaux foi quase inseparável da do Instituto Pasteur. Com a morte de Pasteur em 1895, ele assumiu sua direção e em poucos anos a transformou em uma espécie de “cooperativa científica”, na qual cada cientista, ao mesmo tempo que preservava a independência de suas próprias ideias, trabalhava em direção a um objetivo comum . Aos edifícios originais foram acrescentados, no início do século, o Institut de Chimie Biologique e um hospital. Duclaux tornou-se membro da Académie des Sciences em 1888, da Société Nationale d'Agriculture em 1890 e da Académie de Médecine em 1894. Em 1901 casou-se com a sra. James Darmesteter (a ex-Mary Robinson), uma mulher notável por sua inteligência e cordialidade. Ele finalmente encontrou a felicidade familiar novamente, mas essa felicidade não durou. Em janeiro de 1902, ele sofreu seu primeiro derrame. Mal recuperado, ele começou a escrever novamente para os Annales na primavera de 1903 recomeçou suas palestras. Mas isso era muito para exigir de um corpo sobrecarregado. Na noite de 2 de maio de 1904, Duclaux perdeu repentinamente a consciência e morreu durante a noite. Seu lugar como diretor do Instituto Pasteur foi assumido por um de seus alunos de Clermont-Ferrand, Émile Roux. Este último ficou conhecido por sua pesquisa com Pasteur, sua descoberta do bacilo da difteria e seu desenvolvimento de uma antitoxina diftérica específica. O trabalho científico de Duclaux é ao mesmo tempo o de um físico e o de um químico. Como físico, ele estudou os fenômenos da osmose, da adesão molecular e da tensão superficial. Como químico, ele se concentrou especialmente nos processos de fermentação. Nessa área, ele estava até certo ponto acompanhando o trabalho de Pasteur. Com o passar dos anos, ele foi levado a aceitar enzimas (então chamadas de diástases) um papel cada vez mais importante nos fenômenos da vida. Ele dedicou uma longa série de investigações aos respectivos papéis desempenhados no trato intestinal de homens e animais por enzimas emitidas por glândulas e por aquelas liberadas por micróbios. Ele reconheceu que os micróbios não tinham papel na digestão gástrica e pancreática, que envolve apenas sucos liberados dos tecidos. A digestão microbiana não começa até o intestino, mas rapidamente se torna importante. Em área afim, Duclaux percebeu que os micróbios são indispensáveis na formação dos nutrientes das plantas no solo. Sem micróbios, a terra é infértil, porque as enzimas nas células vegetais não podem deixar as células e, portanto, não podem agir fora da planta. O leite forneceu a Duclaux um material ideal para o estudo de enzimas. Numa primeira fase, através de um grande número de análises, conseguiu desenvolver métodos que permitissem determinar as proporções dos seus constituintes. Na segunda etapa, ele estudou as enzimas capazes de modificar os constituintes. A grande importância das enzimas foi demonstrada na transformação do leite em queijo. Nesse caso, entretanto, os agentes ativos são de origem externa. Na verdade, um queijo é o resultado da cooperação microbiana: “Cada um dos trabalhadores microscópicos deve agir por sua vez e parar no momento certo. Tal oficina é difícil de dirigir, e pode-se dizer que foi necessária a experiência de séculos para obter produtos cujo sabor e aparência sejam sempre os mesmos ”(Émile Roux, em Annales de l'Institut Pasteur, 18 [1904], 337). Duclaux estudou vários tipos de queijos, mas sem dúvida com particular gosto o queijo do Cantal, uma das riquezas da sua região natal. O professor Duclaux não foi menos notável do que o pesquisador Duclaux. Seu aluno Roux, relembrando seus dias como estudante de medicina em Clermont-Ferrand, escreveu: “Duclaux apresentou um assunto com tanta clareza que todos entenderam. Suas palavras foram as de um cientista queimando com o 'fogo sagrado'. Pôs-se a pensar, a tal ponto que, ao terminar o curso, parecia ainda estar lá ”(ibid .). Além de seus trabalhos de pesquisa, Duclaux escreveu muitas obras didáticas; e as resenhas críticas que publicou nos Annales permanecem modelos. Diz-se deles que exibem “a lógica do cientista e o estilo do poeta ... Ele poderia extrair de um livro de memórias ... consequências possíveis das quais o próprio autor nem sempre suspeitou. Quantas ideias ele explorou; que novas percepções ele generosamente concedeu. Duclaux semeou o vento forte ...” (Émile Roux, em Bulletin de l'Institut Pasteur , 2 [1904], 369). Duclaux era cativante, cheio de inteligência e entusiasmo. Ele também era um homem justo com uma alma apaixonada. Ele sonhava com uma fraternidade universal sob a bandeira da ciência - "a pátria comum", como costumava dizer, "onde se pudesse ter paixões sem ódio". Mas ele não estava alheio ao que estava acontecendo fora de seu laboratório. Em várias ocasiões, sua devoção à verdade o levou a entrar em conflitos políticos. Em particular, ele teve um papel muito ativo na campanha que finalmente forçou a reintegração do capitão Dreyfus. Em 1865, Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (D ebré, 1995, p. 209). "Nesta fase de sua pesquisa", ressalta Duclaux, ele não tinha o direito de manter o silêncio olímpico com o qual gostava de se cercar até o dia em que seu trabalho parecesse maduro para a publicação. Em circunstâncias normais, ele não diria uma palavra sobre ela, mesmo no laboratório, onde os assistentes só viam o exterior e o esqueleto de seus experimentos, sem nada de vida para animá-los. Aqui, por outro lado, ele tinha a obrigação de falar e estimular o julgamento do público, tão logo encontrava algo, tanto sobre a prática industrial quanto em suas descobertas de laboratório (Dubos, 1967b, p. 185-186). Ref. https://data.bnf.fr/en/12514448/emile_duclaux/ Ref. https://www.franceculture.fr/oeuvre/emile-duclaux-de-pasteur-dreyfus Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/duclaux-emile Mais informações: https://www.pasteur.fr/fr/institut-pasteur/notre-histoire/emile-duclaux-apotre Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Jean-Henri Casimir Fabre 1823-1915 Entomologista francês. Divulgador da ciência e autor de livros didáticos. Fabre era filho de Antoine Fabre, um homme de chicane (uma espécie de oficial da lei), e de Victorie Salgues. Iniciou os estudos no colégio paroquial de sua aldeia natal, depois os continuou, a partir de 1833, no colégio de Rodez. Bolsista na École Normale Primaries de Avignon, ele obteve seu brevet supérieur em 1842 e foi nomeado professor no liceu de Carpentras no mesmo ano. Em Montpellier, ele se preparou para o bacharelado, no qual ele foi aprovado, e então ganhou uma licença dupla em ciências em matemática e física. Em seguida, foi para o liceu de Ajaccio, na Córsega, como professor de física, permanecendo lá até dezembro de 1851. Depois disso, ele lecionou no liceu de Avignon (1853), depois recebeu a licença em história natural em Toulouse, e finalmente defendeu sua tese para o doctorat ès sciences naturelles em Paris em 1854. A partir de então, Fabre se dedicou quase exclusivamente à pesquisa sobre a biologia e o comportamento dos insetos que o tornariam uma das grandes figuras da entomologia. Em 1855, Fabre publicou seu primeiro trabalho sobre um vespídeo himenóptero (Cerceris) que paralisa sua presa (besouros). Sua segunda memória (1857) tratou da hipermetamorfose dos Meloidae (coleópteros). Em 1856, Fabre recebeu o Prix Montyon (de fisiologia experimental) do Institut de France, e em 1859 Charles Darwin o citou em sua Origem das Espécies , um incentivo valioso para um jovem professor mal pago. Na tentativa de melhorar sua situação financeira, Fabre empreendeu uma pesquisa sobre o princípio de coloração da garança (alizarina), que conseguiu isolar em 1866. Essa descoberta resultou em sua conquista da Legião de Honra e foi recebido em Paris por Napoleão III . Mas em seu retorno a Avignon, Fabre soube que o alizarin acabara de ser obtido de alcatrões de carvão e que seu processo fora substituído. Passou a escrever livros didáticos e ministrou um curso gratuito de ciências, ao mesmo tempo em que fez amizade com o filósofo John Stuart Mill , que então morava em Avignon. Vítima de vários ciúmes e vexames, Fabre deixou aquela cidade em novembro de 1870 e mudou-se para Orange, e depois em 1879 para Sérignan. onde dedicou todo o seu tempo a observações sobre a vida e hábitos dos insetos. Em 11 de julho de 1887 foi eleito membro correspondente da Académie des Sciences, e seu jubileu foi celebrado em 3 de abril de 1910. O primeiro casamento de Fabre foi com Marie Villard (30 de outubro de 1844); eles tiveram muitos filhos, incluindo três filhos e uma filha. Viúvo pouco depois de se mudar para Sérignan, voltou a casar e teve um filho e duas filhas com a segunda mulher. Uma de suas filhas casou-se com o médico GV Legros, que foi seu primeiro biógrafo. O trabalho científico de Fabre inclui os dez volumes Souvenirs entomologiques (1879–1907), que apresenta um número considerável de observações originais sobre o comportamento de insetos (e também de aracnídeos); estes foram precedidos por várias memórias publicadas como livros ou artigos de periódicos (1855-1879). É este último grupo de publicações que contém as principais descobertas de Fabre: hipermetamorfose dos Meloidae; a relação entre o sexo do ovo e as dimensões da célula entre as abelhas solitárias; os hábitos dos besouros de esterco; e o instinto paralisante das vespas solitárias Cerceris, Sphex, Tachytes, Ammophila e Scolia. Essas últimas pesquisas, que colocaram o problema do instinto e sua aquisição pelos insetos, foram muito discutidas e objeto de vivas críticas de E. Rabaud. Trabalhos recentes, como os de A. Steiner (1962) sobre a vespa Liris nigra , que ataca grilos, confirmam as observações de Fabre e mostram que a presa é um tabuleiro de damas de zonas estimulantes, cada uma das quais provoca uma resposta precisa e praticamente inalterável de o predador. Embora suas obras fossem admiradas por Darwin, Fabre se opôs durante toda a vida à evolução, permanecendo convencido da fixidez das espécies. Para ele, cada espécie animal foi criada como a vemos hoje, com o mesmo equipamento instintivo (ao passo que a explicação moderna do instinto se baseia na noção de seleção natural ). Fabre teve o grande mérito de demonstrar a importância do instinto entre os insetos, enquanto alguns de seus predecessores (JCW Illiger, Jean Th. Lacordaire) supunham que os insetos são dotados “de faculdades de raciocínio ou invenção comparáveis às dos animais superiores, e de homem ”(J. Rostand,“ Jean-Henri Fabre, ”p. 157). Responsável por descobertas significativas sobre a vida e os hábitos dos insetos, Fabre permanece especialmente importante na história da ciência por causa da popularidade de suas Souvenirs entomologiques; sua leitura levou mais de uma pessoa a se tornar naturalista. Além disso, para ganhar a vida, Fabre, entre 1862 e 1901, escreveu cerca de quarenta obras de divulgação científica, voltadas principalmente para os jovens e que vão da matemática e da física à história natural. Ele também compôs poemas em francês e em provençal; o último resultou em seu nome de felibre di Tavan. Fabre continua sendo o modelo do cientista autodidata - solitário, pobre, orgulhoso e independente. Foi também um observador atento e minucioso e um escritor de talento inquestionável. Pasteur tem contato com este entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902115/jean-henri_fabre/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/jean-henri-fabre Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Físico francês. Foi professor da Normale Supérieure de Sèvres (1882-1902). Membro da Academia de Ciências (1906). Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480243/desire_gernez/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/keyword/8790/gernez-desire Mais informações: https://www.persee.fr/authority/445678 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Eugène Maillot 1841-1889 Biólogo francês. Especialista em sericicultura. Diretor da estação de sericicultura da escola agrícola de Montpellier. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/10363116/eugene_maillot/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/maillot,%20eug%C3%A8ne/page/1 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Jules Raulin 1836-1896 Doutor em Ciências (Paris, 1870) francês. Estudou as doenças do bicho-da-seda em colaboração com Louis Pasteur. Professor de química industrial na Faculdade de Ciências de Lyon, criador da Escola de Química de Lyon. Raulin foi aluno de Pasteur na École Normale Supérieure. onde começou a estudar a nutrição mineral das plantas. Ele continuou seu trabalho nos liceus de Brest e Caen, depois voltou para a École Normale Superieure como diretor assistente do laboratório de Pasteur. Pasteur havia cultivado fermento em um meio contendo sacarose, tartarato de amônio e cinzas de fermento, que supriam todas as necessidades minerais da planta em crescimento. Raulin, portanto, decidiu nutrir uma planta experimentalmente com uma mistura cuidadosamente controlada de minerais específicos. Ele escolheu trabalhar com o fungo Sterigmatocystis nigra (ou Aspergillus niger ), que se alimenta de sacarose. Tendo verificado o ambiente ideal para seu crescimento - um grande prato contendo. 3 centímetros de água a 35 ° C, adequadamente arejada, em uma sala mantida a 70 por cento de umidade - ele se propôs a estabelecer empiricamente a combinação de nutrientes minerais que produziria o melhor rendimento, medido em peso seco, em um determinado período de tempo. Após uma série de tentativas, Raulin determinou que a mistura mais eficiente de nutrientes era 1.500 gramas de água, 70 gramas de sacarose, 4 gramas de ácido tartárico, 4 gramas de nitrato de amônio, 0,6 grama de fosfato de amônio, 0,6 grama de carbonato de potássio, 0,4 grama de carbonato de magnésio, 0,25 grama de sulfato de amônio, 0,07 grama de sulfato de zinco, 0,07 grama de sulfato ferroso e 0,07 grama de silicato de potássio. Essa mistura agora é chamada de meio de Raulin ou fluido de Raulin. O principal valor do experimento de Raulin residia em seu estabelecimento, por métodos de tentativa e erro, da importância de cada um dos nutrientes em sua mistura, especialmente os minerais. Por exemplo, ele eliminou o potássio da mistura, e o peso da produção caiu de 24,4 gramas para 0,92 gramas; ele foi, portanto, capaz de demonstrar que a presença de potássio no meio resultou em um rendimento de 26,6 vezes maior em peso - ou. em outros termos, que a utilidade específica do potássio era de 87, já que 0,271 grama de potássio aumentava o rendimento em 23,48 gramas. Raulin estudou cada elemento da mesma maneira e descobriu que o nitrogênio produzia 153 vezes o rendimento, fósforo 182, magnésio 91, enxofre II, ferro aproximadamente 2 e zinco aproximadamente 2,4. Ao adicionar alguns miligramas de ferro e zinco ao meio, Raulin introduziu o problema dos oligoelementos. A pureza dos produtos químicos que ele usava era, na melhor das hipóteses, duvidosa, e não havia como ele analisar quanto ferro ou zinco poderia estar contido nos quatro gramas de nitrato de amônio ou ácido tartárico que ele adicionou ao meio. Mesmo assim, ele foi capaz de isolar o zinco como um oligoelemento; seu papel na nutrição das plantas não havia sido reconhecido anteriormente. Raulin publicou os resultados de seus experimentos como “Etudes chimiques sur la vegetation”, pelo qual recebeu o doutorado em ciências. O próprio Pasteur estava entusiasmado com o trabalho de Raulin e, em 1868, escreveu-lhe que suas pesquisas abriram horizontes completamente novos na pesquisa de plantas. Em 1876, Raulin foi nomeado professor de química na Faculte des Sciences de Lyon, da qual mais tarde se tornou reitor. Ele também fundou uma escola de química industrial, fez uma série de mapas agronômicos e publicou um grande número de trabalhos sobre uma variedade de assuntos, dos quais a maior parte diz respeito à produção de seda. Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). O obstáculo mais fundamental da pesquisa com o bicho-da-seda está na complexidade inerente da tarefa. Só aos poucos ficou claro que a praga do bicho-da-seda envolvia pelo menos duas doenças independentes, que diferiam em formas precisamente calculadas para confundir os alunos sobre o problema. Sob o peso desses fardos, Pasteur apoiou-se fortemente no apoio moral de Dumas e da Imperatriz Eugénie e - a partir de 1866 - na companhia e assistência de seus leais colaboradores Désiré Gernez, Maillot, Jules Raulin e Émile Duclaux. Por cerca de cinco meses de cada ano até 1870, um ou mais desses colaboradores se juntaram a Pasteur e sua esposa em Pont-Gisquet, perto de Alais, onde em um laranjal abandonado eles organizaram um laboratório improvisado e realizaram os experimentos que o mestre havia projetado. Ref. https://data.bnf.fr/en/13480837/jules_raulin/ Ref. https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/search/raulin,%20jules/page/1 Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/raulin-jules Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Marie Pasteur 1826-1910 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Laurent. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura (Dumas) em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos” (Debré, 1995, p. 234). Marie-Louise Pasteur 1858-1934 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. Depois da morte da filha Cécile (aos 12 anos), Marie Pasteur e a pequena Marie-Louise Pasteur vão se juntar a Louis Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. Jean-Baptiste, o outro filho, permanece em Paris para estudar (Debré, 1995, p. 217). Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967b, p. 188). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Pierre-Jacques-Antoine Béchamp 1816-1908 Médico, químico e farmacêutico francês. Agrégé de farmácia (1851), doutor em ciências (Estrasburgo, 1853) e doutor em medicina (Stasbourg, 1856) francês. Professor nas universidades de Estrasburgo, Montpellier e Lille. Correspondente da Academia de Medicina. Béchamp, filho de um moleiro, deixou a França muito jovem para viver em Bucareste, onde estudou farmácia, provavelmente no St. Sava College. No final da adolescência mudou-se para Estrasburgo, onde foi aprendiz em uma farmácia e obteve o título de farmacêutico em 1843. Ele rapidamente abandonou a farmácia para retomar seus estudos. No início de 1851, ele foi nomeado professeur agrégé por um júri incluindo Louis Pasteur, Béchamp lecionou na Faculdade de Ciências de Estrasburgo (1853-1854), onde sucedeu a Pasteur, e depois na Escola de Farmácia de Estrasburgo (1854-1856), em Em 1853 obteve o doutoramento em ciências físicas e em 1856 obteve o doutoramento em medicina com uma importante tese sobre substâncias albuminoides. De 1856 a 1876, Béchamp ensinou química médica na Faculdade de Medicina de Montpellier. Ele renunciou ao cargo para se tornar reitor da Faculdade de Medicina Livre (Católica) de Lille. Ele se aposentou do último cargo em 1886, em meio a uma controvérsia amarga. Com seu filho. Béchamp retomou o comércio farmacêutico em Le Havre. A morte acidental de seu filho levou Béchamp a se mudar para Paris, onde a generosa hospitalidade de Charles Friedel lhe proporcionou um pequeno laboratório. Lá, ele realizou experiências até 1899. Béchamp fez descobertas em vários campos. Sua tese de doutorado de 1856 resultou em um volumoso tratado (1884). Por meio de um uso hábil e sistemático da atividade óptica de substâncias albuminóides, Béchamp foi capaz de distinguir um grande número de compostos complexos que seus predecessores, contando com métodos analíticos mais padronizados, não conseguiram descobrir. Ele também desenvolveu um processo industrial barato para produzir anilina (1852) e, assim, contribuiu muito para o surgimento da indústria de corantes sintéticos. Por este trabalho em particular, a Société Industrielle de Mulhouse concedeu a Béchamp o Prêmio Daniel Dollfus (1864) juntamente com WH Perkin AW von Hofmann e E. Verguin. Ele também identificou a natureza parasitária de duas doenças do bicho-da-seda e, nesse contexto, antecipou os resultados de Pasteur. Os dois se tornaram rivais amargos nesse assunto. A teoria da vida de Béchamp constituiu o principal impulso de sua atividade, no entanto, e também gerou uma sequência interminável de disputas, com Pasteur em particular. Ele não aceitava a geração espontânea nem a teoria parasitária da doença e da fermentação. Ele alegou, em vez disso, que toda a vida era derivada de pequenas “granulações moleculares” subcelulares, caso contrário, como micozimas. Béchamp, erroneamente, gostava de comparar seu projeto com o de Lavoisier e, de fato, as microzimas desempenharam um papel análogo aos elementos químicos. Eles diferiam dos elementos, no entanto, por serem considerados os fundamentos finais das estruturas vivas, enquanto para Lavoisier os elementos existiam apenas como construções experimentais. Quando os organismos vivos morrem, argumentou Béchamp, eles voltam a substâncias químicas inertes e microzimas, sendo estas últimas essencialmente eternas. Os microzyams também atuam como o princípio organizador dos seres vivos. A forma como a organização procede, entretanto, depende tanto das substâncias químicas realmente presentes e das circunstâncias quanto da natureza das microzimas. Em outras palavras, os microzimas não têm especificidade de ação, como os micróbios na teoria de Pasteur; pelo contrário, são bastante polivalentes. A força da teoria de Béchamp repousava em sua capacidade de usar um único princípio para explicar uma ampla gama de fenômenos; com isso, ele poderia explicar resultados tão contraditórios como os aduzidos por Pasteur e Pouchet no curso de sua famosa controvérsia sobre a geração espontânea. Mas essa também era a fraqueza da teoria de Béchamp: ela explicava muito sem se prestar a testes experimentais. Sua base empírica assentou em duas afirmações gerais: o microscópio revela granulações moleculares; e sempre que (e aparentemente apenas quando) aparecem granulações moleculares. processos de vida ocorrem. É claro que a alegação de ter descoberto o local básico e material da vida, formulada em termos científicos e apoiada pelo método científico, teve importância direta para debates extra-científicos. Não é nenhuma surpresa, portanto, que a teoria de Béchamp foi mantida ou atacada por católicos, evolucionistas e materialistas. Mas estar no centro de muitas questões controversas nem sempre é a melhor maneira de buscar uma carreira de sucesso, especialmente se estiver confinado a cargos de ensino provinciais; e Béchamp terminou sua vida em isolamento quase completo. Ele morreu ignorado pela maioria e elogiado como um mártir científico por alguns. Nesta mesma época em que Pasteur, Béchamp também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária (Brunet, 2017, p. 147-148). Enquanto Pasteur começava a estudar doenças do bicho-da-seda, Béchamp repetidamente afirmava que a pebrina era causada por um parasita, uma teoria que Pasteur refutou completamente no início. Mais tarde, Béchamp cairia no descrédito ao promover uma teoria obscura das "microzimas", tipos de corpúsculos elementares cujo aglomerado teria constituído organismos vivos e que seriam a causa de todas as doenças. No final da vida, em 1904, Béchamp publicou um panfleto anti-Pasteur, onde se lia em particular: “O plagiador mais descarado do século XIX e de todos os séculos: é Pasteur” (Perrot; Schwartz, 2017, p. 174). Existe uma obra chamada "Pasteur ou Béchamp" do início do séc. XX que usa a rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. De qualquer forma, diz-se que Pasteur não deu os devidos créditos à obra de Béchamp. Ref. https://data.bnf.fr/en/12459796/antoine_bechamp/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/bechamp-pierre-jacques-antoine Jean-Baptiste Philibert Vaillant 1790-1872 Marechal francês. Ministro da Guerra (1854-1859). Ministro da Casa do Imperador (1860-1870). Participou das campanhas da Rússia (1812) e da Alemanha (1813) antes de participar da captura de Argel (1830). Ministro da Guerra de 1854 a 1859, foi nomeado em 1859 Comandante-em-Chefe do Exército da Itália. (Academia de Ciências, 1853). Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o Marechal Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). Ref. https://data.bnf.fr/en/13756998/jean-baptiste_philibert_vaillant/ Ref. https://www.larousse.fr/encyclopedie/personnage/Jean-Baptiste_Philibert_Vaillant/148013 Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos” (Debré, 1995, p. 242). A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Eugénia de Montijo 1826-1920 *Ver a microbiografia de Eugénia de Montijo no grupo Políticos. A estada na propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho a Eugénia (imperatriz), escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Próximo Grupo
- Orçamento da ciência | Pasteur Brasil
Orçamento da Ciência Em 1867, na qualidade de diretor do laboratório na Rua d´Ulm, Pasteur dirige uma carta ao imperador Napoleão III: “Senhor, minhas pesquisas sobre as fermentações e sobre o papel dos microorganismos microscópicos abriram à química fisiológica novas vias de que as indústrias agrícolas e os estudos médicos começam a recolher frutos. Porém o campo que resta percorrer é imenso. Meu maior desejo seria explorar com novo ardor, sem estar à mercê da insuficiência de recursos materiais (...) É chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, Napoleão III pede a Victor Duruy que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo, em dezembro de 1867 surgem obstáculos que fazem parar a obra. Os créditos para a construção do novo prédio são recusados. Encontra-se dinheiro para levantar o novo Ópera de Charles Garnier, mas não há mais dinheiro nos cofres imperiais para a pesquisa científica. Furioso, Pasteur publica um artigo para o jornal Le Moniteur Universel, intitulado “O Orçamento da Ciência” a fim de sacudir a opinião pública: “Laboratório e descoberta são termos correlatos. Suprimam os laboratórios e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte (...) Deem-lhe os laboratórios e com eles reaparecerá a vida, sua fecundidade, e seu poder” (Debré, 1995, p. 166). Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um areópago de cientistas: Louis Pasteur, Henri Milne-Edwards, Claude Bernard e Henri Sainte-Claire Deville. Pasteur recorda ainda a criação da função de estagiário, demonstrando a necessidade de iniciar os melhores alunos à pesquisa, e diz: “Olhem para os cientistas alemães. Eles moram nas cercanias de seu laboratório. Sigamos o exemplo!” (Debré, 1995, p. 168). Indo além, pensa que as próprias cidades deveriam se interessar pelos trabalhos científicos. A passagem de Victor Duruy como Ministro da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajudas concedidas aos homens de ciência, além de desenvolver uma amizade verdadeiramente pessoal com Louis Pasteur. Uma decisão de Duruy vai ser particularmente cara a Pasteur: um decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades. A convicção de ambos os amigos de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, assim como o apoio de Napoleão III, vão vencer os obstáculos administrativos: o desbloqueio de créditos para a continuação da construção do laboratório na Rua Ulm, o berço de prodigiosas descobertas. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Ópera Garnier Jornal Le Moniteur Universel. Henri Milne-Edwards. Claude Bernard. Henri Sainte-Claire Deville. Laboratório na Rue d´ Ulm em Paris. Victor Duruy. Continue lendo a biografia

