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  • Gerações ditas espontâneas | Pasteur Brasil

    Gerações Ditas Espontâneas Do estudo dos fermentos, Pasteur passa ao da geração dita espontânea, seguindo uma sequência lógica. Não é a primeira vez que o cientista tenta explicar a origem da vida. Suas pesquisas sobre a dissimetria molecular e suas descobertas no campo dos microorganismos responsáveis pelas fermentações, levaram-no a enfrentar a própria definição do que é vivo e as condições do seu aparecimento. Pasteur não escapa de uma das questões fundamentais da ciência: pode-se criar vida a partir do nada? O século todo levanta interrogações sobre a noção de vida. Darwin parte para Galápagos e teoriza sobre a evolução das espécies, enquanto Pasteur, junto ao seu microscópio, investiga a origem dos germes. Félix Archimède Pouchet, naturalista e médico, adquiriu renome pelas diversas pesquisas no campo da biologia animal e vegetal, e enviava comunicações à Academia de Ciências especialmente sobre a geração espontânea, da qual era um fervoroso apóstolo. Em 1859, Pasteur responde uma carta de Pouchet acerca de suas notas ao Instituto: “Penso, pois, que o senhor não tem razão, não por crer na geração espontânea, dado que é difícil em semelhante questão não possuir uma ideia preconcebida, mas por afirmar a certeza da geração espontânea. Nas ciências experimentais, sempre se está errado ao não se duvidar quando o resultado não tende obrigatoriamente à afirmação”. Naquele ano, Pasteur ainda não dispunha de meios para comprovar sua intuição e caracterizar rigorosamente o papel do ar no fenômeno observado: o surgimento da fermentação em seus tubos de ensaio. Mas o cientista vai procurar, por toda uma série de experiências, aprofundar a questão. Pasteur combinava rigor teórico e precisão experimental quando afirmava que nada mais faltava para confrontar um dos mais antigos problemas da humanidade: “a clareza de um raciocínio aritmético para convencer os adversários das suas conclusões” (Debré, 1995, p. 176). Félix Archimède Pouchet desenvolve o conceito de heterogenia e publica em 1859 o espesso livro intitulado “Traité de la Génération Spontanée”, no qual postula que se existe o fenômeno é porque Deus o quis aplicar e afirma: “A geração espontânea é a produção de um ser orgânico novo, desprovido de genitores e cujos elementos primordiais foram todos tirados da matéria ambiente” (Debré, 1995, p. 181). Pouchet não está só: outros dois cientistas o apoiam, Nicolas Joly e Charles Musset. Em contrapartida, na Academia de Ciências mostram-se todos reticentes. Henri Milne-Edwards, Jean-Baptiste Dumas e Claude Bernard, principalmente, tentam suscitar determinadas críticas e levantar-se contra as assertivas do trio espontaneísta. Em 1862 a Academia propôs estabelecer um concurso com o seguinte tema: “Procurar, por meio de experiências bem-feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas”. Pasteur já se mostrava inventivo pela instalação de uma bomba a vácuo para captar o ar da vizinhança, mas será Balard que vai lhe inspirar um outro modelo experimental: balões que se comunicam com o ar exterior através de um gargalo de diferentes formas e comprimentos. Caso se deposite nesses diferentes balões um líquido fermentável, que será fervido após a introdução, e se se colocam esses balões num lugar onde o ar é tranquilo, o líquido permanece límpido durante meses. O pescoço de cisne evita a passagem das partículas; o vidro, dadas suas sinuosidades, extravia os micróbios, que caem nas partes em declive. O sucesso da experiência possibilitará o recebimento do prêmio supracitado, relativo à questão da geração espontânea. No entanto, inúmeras controvérsias vão surgir. Pouchet não valida a presença de germes no ar, e muitas outras experiências são realizadas. A Academia, cansada das discórdias, decide criar uma comissão de investigação. O júri avalia os experimentos e rejeita as reclamações de Pouchet, que deixa o local do debate renunciando ao teste comparativo. Pasteur vai à Sorbonne defender sua posição contrária à geração espontânea em 1864. O público é numeroso. Nos corredores puderam ser vistos Alexandre Dumas, George Sand e a princesa Mathilde. Pasteur vai falar perante toda Paris. Há aplausos, a maioria faz uma ovação a Pasteur, mas o orador não convence a todos. O divulgador Louis Figuier deixa a sala dizendo: “Entrei aqui se ter nenhuma opinião sobre as gerações espontâneas, e parto convencido de que o senhor Pasteur está do lado da falsidade, e o afirmarei” (Debré, 1995, p. 194). O debate deixa a arena estritamente científica para atingir o grande público. Logo se acusa Pasteur de estar a serviço de uma doutrina, e as hostilidades alimentadas pela imprensa continuam a arrastar seus partidários para fora do laboratório e do microscópio. As questões suscitadas pertencem desde então à metafísica e mobilizam jornalistas e filósofos. Os jornais, as revistas literárias e a opinião pública apossam-se de balões de pescoço de cisne da mesma forma que o fazem com a obra “A Vida de Jesus” de Ernest Renan e com a divulgação das ideias de Darwin. Inevitavelmente, tal publicidade falseia os dados e a confusão se instala, porque já não se trata de questão de ciência: é a eterna oposição dos espiritualistas e dos materialistas que reaparece. Por muitos anos os estudos sobre a geração espontânea foram realizados numa atmosfera de intensa excitação e de apaixonada controvérsia, pois era erroneamente julgado, por alguns dos participantes, que o problema envolvia questões religiosas – um ponto de vista que Pasteur negava energicamente (Dubos, 1967, p. 420). Pasteur afirma: "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). As polêmicas envolvendo as gerações ditas espontâneas não se encerram. Tardias controvérsias irão ocorrer. Pasteur segue lutando contra toda uma série de contraditores, cujas objeções se multiplicarão até o fim do século. No entanto, diante do falecimento de Félix Pouchet em 1872, Pasteur pronunciará: “Este cientista consciencioso merece o reconhecimento de todos pelo o que fez de bom e de útil, e até em seus erros, ele deve ser totalmente respeitado” (Debré, 1995, p. 200). Cansado do combate de cientistas espontaneístas, Pasteur adota um tom cortante aos seus contraditores. De irônico, torna-se duro e exclama com impaciência. Este período perdura inclusive mais tempo que o debate original com Pouchet. Pasteur põe-se a lutar contra todos os adversários com meticulosidade, paixão, força do tom e convicção: “Em resumo, aonde querem chegar, partidários da heterogenia ou sustentáculos complacentes e inconsciente dessa doutrina? Combater as minhas asserções? Ataquem as minhas experiências. Provem que são inexatas, em vez de fazer constantemente outras que não passam de variantes das minhas, mas nas quais os senhores introduzem erros que, em seguida, é preciso mostrar-lhes com o dedo”. Não é por acaso que o início da notoriedade de Pasteur junto ao grande público date desse período. A posição do cientista é desprovida de ambiguidade, a qual ele faz questão de reafirmar continuamente: “Não se trata aqui nem de religião, nem de filosofia, nem de qualquer sistema. Pouco importam as afirmações e as visões a priori, é uma questão de fatos” (Debré, 1995, p. 200). Na palestra em Sorbonne, Pasteur se absteve de filosofar. Não negou que a geração espontânea era uma possibilidade; meramente afirmou que nunca havia sido demonstrada sua ocorrência: “Não há circunstância alguma conhecida na qual tenha sido demonstrado que os seres microscópicos vieram ao mundo sem a presença de gérmens, sem origens semelhantes a eles mesmos. Aqueles que afirmam isso foram enganados por ilusões, por experiências mal conduzidas, por erros que eles não perceberam ou não souberam como evitar” (Dubos, 1967, p. 44). Referências: BIRCH, Beverley. Louis Pasteur. São Paulo, SP: Globo, 1993. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Charles Darwin. Felix-Archimede Pouchet. Continue lendo a biografia

  • Saúde e Morte | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Saúde e Morte Henri Étienne Sainte-Claire Deville 1818-1881 Químico francês. Professor da Sorbonne. Diretor dos laboratórios de química da École normale supérieure e da École normale des Hautes Etudes (EHESS). Deville foi um dos químicos mais prolíficos e versáteis do século XIX, fazendo contribuições importantes na maioria das áreas de sua ciência. Ele e seu irmão Charles, mais tarde um físico conhecido, eram filhos do cônsul francês nas Ilhas Virgens, que era um proeminente armador. Os irmãos foram educados em Paris, onde Henri se formou em medicina em 1843. Mesmo antes de se formar, ele se sentiu atraído pelo estudo da química pelas palestras de Thenard. Ele estabeleceu um laboratório privado em seus próprios aposentos e em 1839 publicou seu primeiro artigo, um estudo de terebintina. Logo depois de receber seu doutorado em medicina, ele o seguiu com um em ciências. Em 1845, por influência de Thenard, Deville foi nomeado professor de química e reitor da recém-criada faculdade de ciências da Universidade de Besançon. Aqui, ele estabeleceu tal reputação que, em janeiro de 1851, foi escolhido como professor de química na École Normale Supérieure de Paris. As instalações para pesquisa eram, a princípio, precárias e o ensino, elementar. Deville, no entanto, era um excelente professor e também era ativo na pesquisa. Sempre interessado em ensinar alunos iniciantes, ele aprimorou muito o laboratório de pesquisas da instituição. Muitos químicos mais jovens e notáveis foram treinados por ele. De 1853 a 1866, ele deu aulas de química na Sorbonne. Deville sempre esteve perto de seu irmão, cuja morte em 1876 foi um duro golpe para ele. Sua saúde piorou gradualmente e ele se aposentou em 1880. Deville era essencialmente um experimentalista e tinha pouco interesse na teoria química. Ele começou seus estudos de laboratório em uma época em que a química orgânica estava se desenvolvendo mais ativamente, e seus primeiros trabalhos foram neste campo: investigações de terebintina, tolueno e anidridos ácidos. No entanto, sua habilidade analítica e sua importante síntese de pentóxido de nitrogênio em 1849 voltou sua atenção para a química inorgânica. Ele desenvolveu um processo para a produção de alumínio puro, reduzindo seus sais com sódio. Os métodos de Deville tornaram os dois metais prontamente disponíveis e reduziram drasticamente seus custos, mas ele mesmo não participou muito de seu desenvolvimento industrial posterior. Ele usou o sódio obtido por seu método para a preparação de elementos como silício, boro e titânio. Suas investigações sobre a metalurgia da platina renderam honras do governo russo. Em muitos de seus estudos, como os da produção artificial de minerais naturais, Deville empregou temperaturas altíssimas e se tornou uma autoridade reconhecida no uso dessa técnica. Suas medições das densidades de vapor de compostos em várias temperaturas ajudaram a confirmar a hipótese de Avogadro. Esses estudos levaram Deville a sua descoberta mais notável, a dissociação de compostos químicos aquecidos e sua recombinação em temperaturas mais baixas. Ele aqueceu substâncias como água, dióxido de carbono e cloreto de hidrogênio e depois resfriou-os repentinamente para recuperar os produtos de decomposição. Este trabalho levou a uma melhor compreensão do mecanismo das reações químicas e a desenvolvimentos significativos na físico-química. Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, Pasteur deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos. Os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/13164283/henri_sainte-claire_deville/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/deville-henri-etienne-sainte-claire Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Henri-Etienne-Sainte-Claire-Deville Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 *Ver microbiografia de Antoine Balard no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, Pasteur deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 Pierre-Augustin Bertin 1818-1884 Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Émile Duclaux 1840-1904 Jules Raulin 1836-1896 Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. *Ver a microbiografia de Pierre-Augustin Bertin no grupo Amigos de Infância e Adolescência. *Ver as microbiografias de Désiré Gernez, Émile Duclaux e Jules Raulin no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Após o primeiro AVC, aos 45 anos, os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin (Debré, 1995, p. 235). Claude Bernard é um dos primeiros a comparecer à cabeceira de Pasteur para trazer, afetuosamente, seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Nos dias seguintes, há uma lenta melhora. A fala retorna, e oito dias após começa a ditar uma nota a Gernez para a Academia sobre um procedimento para a prevenção da flacidez. Também dita à Marie Pasteur uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). Noël-François-Odon Guéneau de Mussy 1813-1885 Médico francês. Membro da Academia de Medicina (em 1867). Membro fundador da Therapeutic Society (em 1866). Autor de numerosos artigos nos periódicos "Medical Union", "General Bulletin of Therapeutics" e "General Archives of Medicine". Guéneau de Mussy era filho do escritor Philibert Guéneau de Mussy (1776-1854) e neto do higienista Jean Noël Hallé (1754-1822). Em 1835, ele se tornou interno em hospitais de Paris e em 1837 recebeu seu doutorado em medicina. Em 1842 ele se tornou médecin des hôpitaux, trabalhando no Hôpital Saint-Antoine, no Hôpital de la Pitié e no Hôtel-Dieu de Paris. Ele era membro da Académie Nationale de Médecine. Dois de seus assistentes mais conhecidos foram o oftalmologista Henri Parinaud (1844 a 1905) e o cirurgião pediátrico Edouard Francis Kirmisson (1848 a 1927). Ele fez contribuições em sua pesquisa sobre coqueluche, hemiglossite, bócio exoftálmico e angina glandular. Entre suas obras escritas estava a Clinique médicale de quatro volumes (1874-1885). Seu nome é emprestado ao epônimo "ponto Guéneau de Mussy", uma localização anatômica pertinente em casos de pleurisia diafragmática. Ele está localizado na margem esquerda do esterno, no final da porção óssea da décima costela. Se houver pleurisia diafragmática, o ponto torna-se extremamente dolorido quando é aplicada pressão sobre ele. Em 1868, aos 45 anos, Pasteur sofre o primeiro AVC. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham sua recuperação. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/13423570/noel_gueneau_de_mussy/ Ref. https://academictree.org/idtree/peopleinfo.php?pid=58497 Ref. https://peoplepill.com/people/noel-gueneau-de-mussy/ Mais informações: https://www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/portrait-de-noel-gueneau-de-mussy-1813-1885-medecin-0#infos-principales Gabriel Andral 1797-1876 Médico francês. Foi professor de patologia geral da Faculdade de Medicina de Paris. Embora um tanto esquecido, Gabriel Andral, segundo Ackerknecht, foi o mais famoso de todos os ecléticos. OW Holmes e Rudolf Virchow o classificaram como um dos principais médicos da Escola de Paris. Wunderlich tinha uma estima especial por ele. Andral se considerava um "eclético por necessidade". Esse ecletismo tinha para ele dois objetivos: conciliar os pontos de vista de grupos rivais como os de Laennec e Broussais, por um lado, e se opor vigorosamente a qualquer tentativa de ditadura doutrinária na medicina, por outro. O termo "ecletismo" é frequentemente aplicado para se referir à tendência que superou a oposição entre Broussais e seus seguidores e Laennec e seus seguidores. Do ponto de vista da pesquisa de laboratório, duas posições se distinguem. O primeiro foi o ceticismo que permaneceu em torno do grupo Charité em relação ao uso do microscópio, análises químicas e experimentação animal. O representante mais proeminente foi Armand Trousseau (1801-1867). Por outro lado, o ecletismo que se abriu à pesquisa laboratorial é personificado em Gabriel Andral. Ele estava em condições adequadas para superar a oposição entre brusistas e "anatomopatologistas". A segunda edição de sua Clinique Medicale (1829-1833) reflete como ele abraçou criativamente as contribuições de ambos os grupos. Andral introduziu análises microscópicas, químicas e pesquisas experimentais em animais. Junto com Gavarret, aplicou esses métodos ao estudo das doenças do sangue, tanto que é considerado um dos criadores da hematologia moderna. Seu Essai d'hematologie pathologique , no qual ele expressa sua dívida para com Magendie, é um claro exemplo ou símbolo da transição de um estágio para outro na patologia e na clínica. Posições semelhantes foram tomadas por Pierre F. Olivier Rayer (1793-1867) e Pierre A. Piorry (1794-1879). Gabriel Andral nasceu em 6 de novembro de 1797 em Paris. Seu pai chamava-se Guillaume; Ele foi um médico militar e mais tarde, na Itália, um médico de Murat, rei de Nápoles. Sua mãe chamava-se Madeleine Louis Jobineau de Marolles. Andral passou parte de sua infância na Itália, onde recebeu os primeiros ensinamentos. Em 1813 ele retornou à França e passou dois anos no Lycée Louis-le-Grand. Em 1915 ele começou a estudar medicina. Ele era um interno não oficial a serviço de TN Lerminier (1770-1836) no Hospital de la Charité, amigo de seu pai, discípulo de Corvisart e médico dos exércitos napoleônicos. Durante esta fase, ele também fez amizade com Pierre-Charles-Alexandre Louis (1787–1872), a quem ajudou na cruzada contra a “sede de sangue” de Broussais [4]. Ele não entrou no concurso do internato como de costume, pois pertencia a uma família muito abastada. Em 1820, como aluno da École prática, ganhou o prêmio de química. A partir de 1820, Andral publicou vários trabalhos sobre temas patológicos (sobre hemorragias intersticiais dos músculos e sobre cânceres de estômago) na Gazette de Santé. Em 1821, ele obteve seu doutorado com a tese De la valeur des signes fournis par l'expectoration dans les maladies . Em junho de 1823 foi eleito membro associado da Royal Academy of Medicine, fundada em 1820. Em 1833 tornou-se membro titular. Dez anos depois, ele também entrou na Academia de Ciências. Entre 1823 e 1827, Andral publicou a primeira edição de sua Clinique Medicale, ou choix d'observations recuillies a la Clinique de M. Lerminier, que teve muito sucesso. Consistia em quatro volumes que continham de forma clara e precisa a descrição de numerosos casos clínicos com achados post-mortem do serviço de Lerminier no Charité. Uma síntese dela foi traduzida para o inglês por Spillan em 1836. É um grande compêndio da medicina francesa da época. A segunda edição apareceu entre 1831 e 1833; a terceira, em Bruxelas, em 1838; e a quarta entre 1838 e 1840. Após a reorganização do corpo docente, em 1823 foi criado o corpo de docentes adstritos. Em 1824, Andral entrou na primeira competição com quatro outros médicos, incluindo Jean Cruveilhier, Jacques André Rochoux, Dugès e Alfred Velpeau [8]. Foi o primeiro com sua obra An Antiquorum doctrina de crisibus et diebus criticis admittenda? Um in curandis morbis et praesertim acutis observado? Em 1825 organizou um curso gratuito de anatomia patológica na escola prática. Em 1827 casou-se com Angélique Augustine Royer-Collard, filha de Pierre-Paul Royer-Collard, um dos políticos mais importantes da época. Eles tiveram um filho, Paul Andral, que se tornou vice-presidente do Conselho de Estado entre 1874 e 1879. Em 1826 criou em colaboração com Jean Baptiste Bouillaud, AC Reynaud, Pierre Louis Cazenave, Delmas e Philippe Frédéric Blandin o Journal Hebdomadaire de Médecine . Foi publicado por dois anos. Em seguida, Andral tornou-se médico no Hospital Cochin, depois no Hospital Maternity e mais tarde na Royal House of Health e La Pitié. Em janeiro de 1828, Andral foi chamado para substituir Joseph René Hyacinthe Bertin (1757-1827) como Professor de Higiene. Permaneceu no cargo até a revolução de julho de 1830. Posteriormente, em outubro do mesmo ano, assumiu a cadeira de Patologia Médica, substituindo Pierre Éloy Fouquier, que ocupou até a morte de Broussais, que foi sucedido em sua cadeira pelo 25 de janeiro de 1839. Em 1829, ele publicou o Précis d'anatomie pathologique , dedicado a Lerminier, em três volumes, que logo foi traduzido para o inglês em dois volumes por Townsend e West. O texto é apoiado por um grande número de observações de anatomia comparada feitas por Dupuy, da Escola de Veterinária Alfont. Suas observações tinham um duplo objetivo: relacionar lesões e sintomas, por um lado, e reconhecer que as lesões poderiam existir sem sintomas e sintomas sem eles, por outro. Dessa forma, ele descreveu a importância da inflamação aguda e crônica da membrana que reveste as câmaras cardíacas nos aneurismas cardíacos. A primeira parte é dedicada à anatomia patológica geral, "tout ce que les lesions du corps humain ont de commun entre'elles, soit dans leur forme extérieure, soit dans leur disposition intime, soit dans leur mode de production". O segundo à anatomia patológica especial, onde, "j'ai essay d'appliquer à l'histoire des maladies de quelques appareils la méthode que j'avais suivie dans la première partie. J'ai choisi ceux de ces appareils dont les maladies, étant plus spécialement du domaine de la pathologie interne, ontété plus spécialement also l'objet de mes études. /. É eficaz para mim me recuperar das causas de lesões que foram diminuídas, de saisir leurs rapports, leur mode d'enchaînement et de succession. J'ai eu discuti l ' importância do papel que jouent ces lesões dans la production des maladies. J'ai recherché jusqu'a que aponta o reconhecimento de lesões ces, mas não ajuda a determinar o seguimento e a natureza das doenças. J'ai enfin examinou quelle sorte d'influence l'anatomie pathologique doit avoir sur la thérapeutique ... ”. A primeira seção da primeira parte trata das lesões circulatórias; no segundo, os da nutrição; na terceira, de secreção; no quarto daqueles do sangue; e no quinto daqueles de inervação. Os outros dois volumes tratam de anatomia patológica especial: sistema digestivo, pulmões, coração, vasos linfáticos, fígado, baço, tórax, gônadas e sangue. Ele também se aprofundou no estudo do sistema nervoso central, rejeitando alguns locais. Por meio da análise de 36 tumores intra ou supracerebelares, ele notou que a inteligência permanecia intacta durante o curso da doença. Andral é dito ter sido o primeiro descritor de linfangite carcinomatosa. Costuma-se dizer que a primeira referência ao assunto apareceu em seu Précis d'anatomie pathologique . No entanto, parece que ele já se referia à doença em dois trabalhos anteriores: "Recherches pour servant à la histoire des maladies du système lymphatique" que publicou nos Archives de médecine em 1824, e no segundo volume de sua Clinique Medicale ( 1826). Entre 1840 e 1842, Andral apresentou à Academia de Ciências duas memórias sobre as modificações das proporções de alguns princípios do sangue e sobre a composição do mesmo de alguns animais domésticos em colaboração com Gavarret e Delafond: “Recherches sur les changes de proportion de quelques principes du sang, fibrina, glóbulos, matériaux solides du soro, et eau, dans les maladies ”(Andral e Gavarret) e“ Recherches sur la composition du sang de quelques animaux domestiques, dans l'état de santé et de maladie (Andral , Gavarret e Delafond). A moda do humoralismo voltou na França na década de 1930, mas de forma renovada e científica, principalmente no que diz respeito à patologia hemática. Os trabalhos experimentais de Prévost e Dumas, bem como os de Magendie e Gaspard durante a década anterior, influenciaram. Foi a memória de Andral e Gavarret Recherches sur les modificações de proporção de quelques príncipes du sang (1840) que desempenhou o papel mais proeminente. Era lógico que foram encontrados sintomas que não foram acompanhados por lesões em órgãos sólidos. Em 1843, ele publicou seu Essai d'hématologie pathologiqueque lhe trouxe fama internacional. Nele fala dos estudos do sangue do ponto de vista físico, químico e microscópico, e numa frase, quase profética, diz que onde a anatomia não consegue detectar alterações, é a química que as mostra. Aos poucos, ele se tornará uma das bases da patologia, não apenas estudando os líquidos alterados pela doença, mas também como um estudo das modificações das partes sólidas. Nesse período, estudava-se o que então era permitido pela química: álcalis livres ou combinados, fibrina, dosagem de albumina sérica, hemácias em processos de pletora, febres e processos inflamatórios. Ele observou a modificação da albumina no decorrer do edema de fome e as variações na taxa de sedimentação no decorrer do consumo. Nesta peça, “A hematologia patológica começa no efeito dos faits do quelque valeur, que é o nome de um grande nome da maldade, aura été soumis à l'investigation chimique, e examinado ao microscópio. Sans doute, en étudiant par ce double moyen d'analyse les divers principes du sang, et en les suivant ainsi a un dans tous leurs mudanças possíveis de proporção ou de natureza, il ne sènsuit pas qu'il faille négliger l'étude des mudanças que são feitas com o propósito de fazer propriedade física; É melhor reconhecer o fato de que a pessoa deriva do estudo se presume insuficiente, e que emprega seule, sem o controle do analista, a única lembrança de se tornar uma fonte d'erreur ”. O livro está dividido em dois grandes capítulos. O primeiro refere-se ao "melhor método a ser seguido nos estudos de hematologia patológica". No segundo, ao sangue em diferentes doenças: pletora, anemia, pirexia, fleuma, hemorragia, hidropisia, nas doenças "comumente chamadas de orgânicas" e nas "neuroses". O Essai foi traduzido para o inglês por Meigs e Stillé e publicado na Filadélfia em 1844. De acordo com Duffin, Andral e Alfred Donné (1801-1878) foram os pioneiros no uso da quantificação em hematologia, relacionando várias doenças ao número, concentração, tamanho e formato das hemácias. Além disso, Andral foi o primeiro a sugerir que a anemia era consequência da destruição das hemácias (hemólise) e a descreveu como uma diminuição do número de hemácias no sangue. Ele o associou à gravidez e à clorose. As descobertas de Andral e Donné representaram um avanço na medicina clínica. Em 1845, ele estudou a capacidade pulmonar por espirometria. Ele o fez como um clínico interessado em cardiologia. Em 1828 criou o termo "cardite reumática" que acabou sendo denominado "endocardite". Ele também estudou o edema pulmonar em suas formas de origem cardíaca. Entre 1852 e 1856, Andral foi responsável pelo ensino de História da Medicina. Ele colecionou aulas em várias edições da revista L'Union Medicale . É surpreendente que ele não considerasse Hipócrates um autor vivo e atual, como era costume em sua época. Nisso ele seguiu Bichat mais do que Laennec. Em 1856, ele praticamente abandonou o ensino e a pesquisa para cuidar de sua esposa doente. Em novembro de 1866 ele se aposentou e foi substituído por Charles Ernest Lasègue (1816-1883) em 1867. Quando Pasteur sofreu uma paralisia em 1868, foi Andral quem foi chamado para atendê-lo. Durante a guerra de 1870, ele deixou Paris com sua família para ir para Chateauvieux, onde os Royer-Collards possuíam uma propriedade. Sua esposa faleceu em 1872. Posteriormente, ele ainda participou de algum ato e em 1875 encerrou sua carreira com uma nota que apresentou à Academia de Ciências sobre glicosúria. Nesse mesmo ano, contraiu uma pneumonia que o matou poucas semanas depois, no dia 13 de fevereiro, sendo tratado por Béhier. Andral é uma figura importante no que veio a ser chamado de Escola de Medicina de Paris, à frente da qual Rene Laennec é frequentemente colocado. Como já foi dito, foi eleito membro associado da Academia de Medicina em 1823 e titular em 1833 na secção de patologia médica. Em 1843 ele substituiu Double na Academia de Ciências. Ele também foi membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciências desde 1849. Comandante da Legião de Honra em 1858. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham a recuperação de Pasteur. Andral, célebre médico da Academia de Medicina, prescreve a aplicação de sanguessugas atrás das orelhas. Ele reconhece que esse ataque de hemiplegia, tão diferente de todos os outros que testemunhou até o momento, deixa-o perturbado. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/12544310/gabriel_andral/ Ref. https://www.historiadelamedicina.org/andral.html Napoleão III 1808-1873 Eugénia de Montijo 1826-1920 Ildephonse Favé 1794-1878 Jean-Victor Duruy 1794-1878 *Ver a microbiografia de Napoleão III, Eugénia de Montijo, Ildephonse Favé e Victor Duruy no grupo Políticos. Após o primeiro AVC, Pasteur dita à Marie uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). O primeiro pensamento de Pasteur é para o laboratório que Napoleão III havia prometido mandar construir na Rua Ulm. Da janela da sala de jantar que dá para o jardim da École Normale, ele vigia o canteiro de obras. Os operários desaparecem ao primeiro sinal da doença. Por intermédio do general Favé, Pasteur manda dizer que estão com muita pressa de enterrá-lo. Napoleão III e Victor Duruy se desculpam por tal precipitação, e é dada uma ordem para que a construção seja retomada (Debré, 1995, p. 236). Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 André Chantemesse 1851-1919 Élie Metchnikoff (Ilya Ilyich Mechnikov) 1845-1916 Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 Alexandre Dumas (filho) 1824-1895 Charles Chappuis 1822-1897 *Ver a microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. *Ver a microbiografia de André Chantemesse e Élie Metchnikoff no grupo Pasteurianos. *Ver a microbiografia de Jacques Grancher no grupo Vacinação: Raiva. *Ver a microbiografia de Alexandre Dumas (filho) no grupo Academia Francesa. *Ver a microbiografia de Charles Chappuis no grupo Amigos de Infância e Adolescência. Um ano antes da inauguração do Instituto Pasteur, em 23/10/1887 Pasteur sofre um novo AVC seguido de afasia e recupera a fala. Alguns dias depois sofre novo ataque, mais difícil de reabsorver, então sua fala e fraca e embaralhada (Debré, 1995, p. 522-523). Em 01/11/1894 quando se preparava, como fazia diariamente para ver os netos, Pasteur é tomado por um terrível mal-estar e desmaia. Só volta a si à noite para pedir que fiquem a seu lado. Durante 3 meses não sai da cama. Seus filhos e netos se instalam no Instituto Pasteur. Organizam turnos para lhe fazer companhia. Em grupos de 2, pasteurianos e membros da família se revezam na cabeceira de Pasteur, noite e dia. Roux e Chantemesse ficam nos turnos da noite. Quando tem algum tempo livre, Metchnikoff o visita, não importa a hora. O mesmo acontece com Grancher. Em 1º de janeiro de 1895, Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho) para cumprimentá-lo. No Instituto Pasteur, Louis Pasteur passa muitas horas durante a tarde sob os castanheiros conversando em voz baixa com seus colaboradores ou com o fiel amigo Charles Chappuis (Debré, 1995, p. 546-547). No dia 13 de junho de 1895, Pasteur deixa o Instituto Pasteur e vai para Villeneuve-l´Etang, para passar a primavera, mas está cada vez mais fraco e não aproveita o parque. Suas forças declinam. Depois de um novo ataque, falece em 28 de setembro de 1895 às 16h40. De acordo com a vontade da família, é sepultado em uma cripta construída no subsolo de seu Instituto (Debré, 1995, p. 547-552). Próximo Grupo

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    Voltar para os Grupos Academia Francesa Ernest Legouvé 1807-1903 Dramaturgo, romancista, poeta e ensaísta francês. Membro da Académie française (eleito em 1855). Era filho do Acadêmico Gabriel-Marie Legouvé, falecido em 1812; ele obteve o prêmio de poesia na Academia em 1827 com a descoberta da impressão. Em 1847, ele foi encarregado de um curso gratuito no College de France, deu inúmeras palestras, escreveu poemas, brochuras sobre as mulheres, a família, leitura, esgrima, teatro. Como dramaturgo, seus melhores trabalhos são aqueles que fez em colaboração com Scribe: Adrienne Lecouvreur e Bataille de Dames. Em 1881, foi nomeado diretor de estudos da École normale de Sèvres e inspetor geral da educação pública. Quando se trata de recolher a sucessão de Jacques-François Ancelot, Emile Augier desapareceu antes Ernest Legouvé que foi eleito em 1 de março de 1855 contra François Ponsard: a Revue des Deux Mondes criticou a eleição. Foi recebido em 28 de fevereiro de 1856 por Jean-Pierre Flourens e em seu discurso de recepção elogiou a colaboração. Ernest Legouvé havia estabelecido, em 1869, o costume de discutir em reunião especial os títulos acadêmicos dos candidatos a poltrona; em 1896, requereu, sem o obter, o restabelecimento deste uso, que fora extinto em 1880 por proposta de Alexandre Dumas e Nisard. Ele era diretor e reitor da Academia quando o czar Nicolau II a visitou em 1896. A candidatura de Pasteur na Academia Francesa é apresentada por Ernest Legouvé, dramaturgo de sucesso, e tio avô de René Vallery-Radot, seu genro. Legouvé prepara o terreno e se encarrega de desencorajar os adversários (Debré, 1995, p. 419). Ref. https://data.bnf.fr/en/12505094/ernest_legouve/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/ernest-legouve Camille Doucet 1812-1895 Autor e poeta dramático francês. Advogado e escriturário. Secretário do Barão Fain no gabinete do Rei Louis-Philippe. Diretor Geral da Administração Teatral (em 1866). Membro da Académie Française (eleito em 1865), então secretário perpétuo (nomeado em 1876). Grande oficial da Legião de Honra (1891). Escritor e poeta dramático, foi assíduo do salão da princesa Mathilde e diretor de administração teatral do Ministério da Casa do Imperador, quando foi um dos doze candidatos à sucessão de Escriba; foi Octave Feuillet quem foi eleito; em 14 de abril de 1864, concorreu com Joseph Autran para suceder Alfred de Vigny; onze votações ocorreram sem resultado, a eleição foi adiada para o ano seguinte. Desta vez, Camille Doucet tinha Jules Janin como competidor; a aliança de governos e clérigos que queriam descartar este último garantiu a eleição de Camille Doucet, eleito em 6 de abril de 1865 para substituir Alfred de Vigny, e recebido por Jules Sandeau em 22 de fevereiro de 1866. Com a morte de Patin, em 1876, ele foi nomeado secretário perpétuo. Ele era um Grande Oficial da Legião de Honra. Ele fazia parte da Comissão de Dicionário. Pasteur envia ao secretário vitalício da Academia Francesa, Camille Doucet, sua candidatura oficial (Debré, 1995, p. 419). Ref. https://data.bnf.fr/en/12466429/camille_doucet/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/camille-doucet?fauteuil=32&election=06-04-1865 Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver microbiografia de Jean-Baptiste Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia (Debré, 1995, p. 420). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam os manuscritos do discurso. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Claude Bernard 1813-1878 *Ver microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia (Debré, 1995, p. 420). Charles-Augustin Sainte-Beuve 1804-1869 Romancista francês. Poeta. Crítico. Membro da Académie Française (eleito em 1844). Curador da Biblioteca Mazarina (1840-1848). Professor na Escola Normal (1858-1861). Senador (em 1865). Frequentou o salão de Charles Nodier no Arsenal, fez parte do primeiro "Cenáculo" de Victor Hugo com quem mais tarde brigou, foi amigo de saint-simonianos e místicos, de Pierre Leroux, de Lamennais e de Lacordaire. Seus poemas apareceram sob o pseudônimo de Joseph Delorme em 1829; seu primeiro trabalho, o Tableau historique et critique de la Poésie française au XVIe siècle, publicado no ano anterior, ainda está sendo consultado com frutas, assim como sua Histoire de Port-Royal; sua Crítica Literária e Retratos, 5 volumes publicados de 1832 a 1839, seu Lundi Causeries e seu Nouveaux Lundis, formam um monumento mais notável da crítica literária; nestas duas últimas obras, muitas vezes lida com o presente e também com o passado da Academia, julgando os autores e as obras com grande autoridade, mas sem dúvida trazendo um pouco de parcialidade nas escolhas contemporâneas; pode-se, no entanto, considerá-lo um dos melhores historiadores da Academia, se agruparmos em uma obra especial tudo o que publicou nela ou na ocasião. Sainte-Beuve escreveu um romance, Volupté, e contribuiu para o Globe, Revue de Paris, Revue des Deux-Mondes, Constitutionnel, Moniteur; foi, durante quatro anos, professor da Escola Normal, professor de poesia latina no College de France, curador da Biblioteca Mazarina, membro do Senado Imperial. Candidato à Academia, seu concorrente foi Jean Vatout, e, após 7 votações, nenhuma delas tendo obtido a maioria, a eleição foi adiada para outra data. Ele foi eleito em 14 de março de 1844 para substituir Casimir Delavigne; Victor Hugo que, ao que consta, votou onze vezes contra ele, o recebeu em 27 de fevereiro de 1845 e, em sua resposta, esqueceu-se de elogiar o agraciado. A inimizade do grande poeta foi atribuída a motivos pessoais que, apesar da publicidade que lhes foi dada por Alphonse Karr e pelas polémicas recentes, preferimos ignorar. Ele fazia parte da Comissão de Dicionário. No Segundo Império, Sainte-Beuve, que conhecia o salão da princesa Mathilde, era na Academia o líder do partido governamental e anticlerical; desempenhou um papel importante, mas geralmente malsucedido, nas eleições; ele lutou ardentemente o bispo Dupanloup, Victor de Laprade, o padre Lacordaire, que foram eleitos, e não conseguiu nomear nem Théophile Gautier nem Charles Baudelaire; ele conseguiu, no entanto, nas eleições de Émile Augier, de Champagny e Camille Doucet, aprovar candidatos que eram agradáveis ou menos hostis ao imperador. Certas escolhas feitas pela Academia irritavam-no a tal ponto que em 1856 retomou a ideia anteriormente avançada pelo Evento de Victor Hugo de uma Academia de sufrágio universal (cf. nota 376), e em 1862 solicitou no Constitutionnel que a Academia foi dividido em oito seções, cada uma representando um gênero de literatura. Essa proposta, aprovada pelo Século e pelo Parecer Nacional, e contestada pela Time, não foi aceita. O centenário de Sainte-Beuve foi celebrado em 23 de dezembro de 1904. Ele mesmo escreveu sua biografia (Nouveaux Lundis, XIII). Charles-Augustin Sainte-Beuve solicita a Pasteur sua candidatura na Academia Francesa. Conquanto suas opiniões, em política e religião, sejam opostas às de Pasteur, ele admira o cientista. E a recíproca é verdadeira (Debré, 1995, p. 143, 152, 154-159). Ref. https://data.bnf.fr/en/11923412/charles-augustin_sainte-beuve/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/charles-augustin-sainte-beuve?fauteuil=28&election=14-03-1844 Alexandre Dumas (filho) 1824-1895 Romancista e dramaturgo francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1874). Escritor e romancista dramático, publicou seu primeiro romance, La Dame aux Camélias , em 1848, e teve sua primeira peça, Diane de Lys, encenada em 1851. Seus principais sucessos teatrais são: La Dame aux Camélias , 1852; Le Demi-Monde , 1855, Le Fils naturel, 1858, Les Idées de Madame Aubray , 1867, Princess Georges , 1871, L'Etrangère , 1876; ele também publicou uma série de brochuras sobre divórcio, a busca pela paternidade, etc. Foi eleito em 29 de janeiro de 1874 para substituir Pierre-Antoine Lebrun, por 22 votos contra 11 votos atribuídos a vários concorrentes: Victor Hugo, ausente da Academia desde 1851, voltou a votar em Alexandre Dumas fils; ele foi recebido em 11 de fevereiro de 1875 pelo conde d'Haussonville, cuja resposta foi imbuída de cortês ironia. Alexandre Dumas fils fez um discurso notável em 1877 sobre os prêmios à virtude. Alexandre Dumas (filho) agradece a Pasteur por “querer ser um dos nossos” (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Em 1º de janeiro de 1895 (ano da morte de ambos), Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho), colega da Academia Francesa, para cumprimentá-lo (Debré, 1995, p. 546). Ref. https://data.bnf.fr/en/11901062/alexandre_dumas/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/alexandre-dumas-fils?fauteuil=2&election=29-01-1874 Jean-Marie-Napoléon-Désiré Nisard 1806-1888 Crítico acadêmico e literato francês. Membro da Académie Française (eleito em 1850). Deputado (em 1842) e depois senador (em 1867). - Publicou a "Coleção de autores latinos com tradução francesa" com muitos colaboradores, incluindo seus irmãos: Nisard, Auguste (1809-1892) e Nisard, Charles (1808-1889). Crítico, contribuiu para o Journal des Débats, o National, a Revue de Paris e a Revue des Deux Mondes; ele foi professor de eloqüência latina no College de France em 1833, depois de eloqüência francesa. Seu curso deu origem a distúrbios seguidos de um julgamento sensacional na polícia correcional. Deputado em 1842, foi senador em 1867; foi diretor da Escola Normal e membro da Académie des Inscriptions. Oponente apaixonado dos românticos, ataca Victor Hugo em 1836, também quando foi eleito para a Academia a 28 de novembro de 1850 para substituir o Abade de Féletz, a sua eleição foi ainda mais fortemente criticada pela imprensa literária e romântica. tinha sido preferido a Alfred de Musset. O jornal de Victor Hugo, L'Événement, gritou escândalo e propôs que os acadêmicos fossem eleitos pela Société des Gens de Lettres e pela Société des Auteurs dramatiques. Ele foi recebido por Saint-Marc-Girardin em 22 de maio de 1851; Pertenceu ao partido imperialista, recebeu Alfred de Musset, Victor de Broglie, Ponsard e Cuvillier Fleury e fez parte da Comissão de Dicionário. Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam os manuscritos do discurso . Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Ref. https://data.bnf.fr/en/12052360/desire_nisard/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/desire-nisard?fauteuil=39&election=28-11-1850 Maximilien-Paul-Émile Littré 1801-1881 *Ver microbiografia de Émile Littré no grupo Academia de Medicina. Pasteur é admitido na Academia Francesa em 08/12/1881, pouco antes de completar 60 anos, sucedendo Émile Littré (Debré, 1995, p. 392). Quando Littré era vivo, Pasteur o presenteou com a obra escrita por ele em 1879 “Exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação”. O livro contém uma dedicatória de Pasteur a Émile Littré: “ao senhor Littré, da Academia Francesa, homenagem de profundo respeito. L. Pasteur”. Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). Ao ingressar na Academia, a preocupação de Pasteur passa a ser o discurso tradicional de sucessão, no qual deve elogiar o seu predecessor. Além do desacordo quanto ao positivismo, a antipatia de Pasteur deve-se a um desacordo político, pois Littré foi um dos primeiros a pedir a perda do trono de Napoleão III. Um longo espaço de tempo vai separar a eleição da recepção: mais de 4 meses. Pasteur passa todo o inverno a trabalhar nisso. À noite, se isola e tenta polir as frases. Contudo, não quer deixar de ser justo (em sua visão): o positivismo lhe parece um erro perigoso que é preciso combater, mas nada o impede de reconhecer as qualidades pessoais de Littré e o valor de seus trabalhos. Então, vai até a casa de campo onde vive a viúva e a filha de Littré. Lá Pasteur se sente comovido pela simplicidade com a qual Littré vivia, cujo trabalho, na intimidade da vida em família era sua verdadeira felicidade (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Percorrendo a casa e o pequeno jardim onde Littré cultivava seus legumes e colhia frutas, Pasteur tenta compreendê-lo, mas considera um erro que o positivismo não tinha em conta a noção do infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 315). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam seus manuscritos. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Em 27 de abril de 1882 Pasteur entra na Academia Francesa acompanhado dos dois padrinhos (Dumas e Nisard), com um estilo enérgico e físico robusto (como descreve um jornalista). Além dos vários membros da Academia e de toda a família de Pasteur, está presente também a princesa Matilde, que veio aplaudi-lo. Na época, alguns jornalistas destacam que neste mesmo dia, Charles Darwin, que havia falecido em 19 de abril, é enterrado com grande pompa na abadia de Westminster. Cabe lembrar que foi Littré quem popularizou na França as teorias sobre a evolução das espécies. Pasteur discursa com uma homenagem a Littré, mas também com a confissão quase imediata de um distanciamento filosófico. Pasteur mostra, em sua visão, o erro do positivismo ao querer suprimir a ideia de infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 319). Também critica a pretensão positivista de encontrar um fundamento científico na política e sociologia devido ao grande número de fatores que concorrem para a solução de questões que elas levantam, e diz “nesse lugar onde as paixões humanas intervêm, o campo do imprevisto é imenso” (Debré, 1995, p. 423). Ref. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Joseph Ernest Renan 1823-1892 Filólogo, filósofo, escritor e historiador francês. Professor de hebraico no Collège de France (de 1862, depois 1870-1883), depois administrador (de 1883). Membro da Académie des Inscriptions et belles-lettres (eleito em 1856), e da Académie française (eleito em 1879). Ernest Renan era filólogo bem versado nas línguas semíticas, depois de ter abandonado o estado eclesiástico, foi duas vezes laureado pelo Instituto; Professor de hebraico no College de France em 1862, publicou em 1863 a Vida de Jesus , que é sua obra principal e que suscitou controvérsias extraordinárias; incríveis quantidades de ataques ou defesas dessa obra apareceram na França e no exterior; o papa o chamou de blasfemador europeu, manifestações hostis ocorreram no Collège de France, o que levou à suspensão de seu curso. O governo imperial ofereceu-lhe como compensação a administração da Biblioteca Nacional, que ele recusou. Seu nome foi pronunciado para uma poltrona na Academia, mas o bispo Dupanloup associou o nome de Ernest Renan e Taine ao de Littré, por quem ele lutou com paixão. Após a guerra de 1870, as ideias do mundo governamental mudaram, Ernest Renan foi reintegrado em sua cadeira em 1870 e nomeado pelo administrador eleitoral do Colégio da França em 1883, onde foi reeleito a cada três anos. Membro da Académie des Inscriptions desde 1856, foi eleito para a Académie Française em 13 de junho de 1878 para substituir Claude Bernard, e recebido em 3 de abril de 1879 por Alfred Mézières. Seu discurso de recepção produziu uma forte emoção na Alemanha que Ernest Renan teve que acalmar ao publicar uma carta supostamente endereçada a um amigo na Alemanha. O ódio do partido religioso contra Renan nunca se desarmou; O marechal Mac-Mahon recusou-se a nomeá-lo oficial da Legião de Honra; Renan obteve esta patente apenas em 1880, ele morreu Grande Oficial da Legião de Honra no College de France em 2 de outubro de 1892; seu funeral aconteceu às custas do estado. Onze anos após sua morte, uma estátua foi erguida para ele em Tréguier, seu país natal; a inauguração deu origem a tais manifestações que o governo que as havia planejado teve que tomar medidas policiais importantes para evitar tumultos (13 de setembro de 1903). Ernest Renan deixou a História das origens do Cristianismo , 8 volumes, a História do povo de Israel , 5 volumes, Estudos de História Religiosa , Dramas Filosóficos , traduções e várias outras obras. A história comparada das línguas semíticas . Recebeu Claretie e fez parte da Comissão de Dicionário. Três novas segundas-feiras, incluindo uma pela vida de Jesus. O diretor da Academia Francesa em exercício, Ernest Renan (autor de Vida de Jesus), recebe Pasteur na Academia Francesa e profere um discurso após o cientista A obra e a personalidade de Renan foi descrita como situada na junção do espiritualismo com o positivismo. Convertido ao positivismo, torna-se o porta voz do ceticismo, embora continue a se dizer “católico fervoroso”. Em seu discurso, Renan diz que “na ordem intelectual também existem sentidos diversos, oposições aparentes que não excluem um fundo de similitude” (Debré, 1995, p. 424). Segue parte da resposta de Renan ao discurso de Pasteur: "Sua vida austera, inteiramente devotada à pesquisa altruísta, é a melhor resposta àqueles que consideram nosso século privado dos grandes dons da alma. Sua diligência meticulosa não queria conhecer distrações nem descanso. Recebam a recompensa pelo respeito que vos rodeia, por esta simpatia cujas marcas hoje tão numerosas se produzem ao vosso redor e, sobretudo, pela alegria de ter cumprido bem a vossa tarefa, de teres lugar na primeira fila". Ref. https://data.bnf.fr/en/11921486/ernest_renan/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/ernest-renan?fauteuil=29&election=13-06-1878 Ref. http://www.academie-francaise.fr/reponse-au-discours-de-reception-de-louis-pasteur Victor-Marie Hugo 1823-1892 Escritor francês. Membro da Académie française (eleito em 1841). Poeta precoce, concorreu ao Prêmio de Poesia da Academia aos 15 anos; a Academia acreditava que o jovem poeta ria dela ao dar essa idade e lhe deu apenas uma menção; Prémio dos Jogos Florais de Toulouse em 1819 e 1820, foi nomeado Mestre dos Jogos Florais. Ele publicou o primeiro volume de Odes et Ballades em 1822 e o segundo em 1826; entre esses dois volumes apareceram os dois primeiros romances, Han d'Islande em 1823 e Bug Jargal em 1825, e o Cenáculo foi fundado. O Prefácio de Cromwell em 1827 fez de Victor Hugo o líder da nova escola romântica; Les Orientales apareceu em 1828. Luís XVIII havia aposentado o jovem poeta, e a censura tendo banido Marion Delorme, o primeiro drama escrito para o palco, Carlos X queria compensá-lo dobrando o valor de sua pensão, mas Victor Hugo recusou. Em seguida, escreveu Hernani, cuja primeira apresentação no Théâtre-Français, em 26 de fevereiro de 1830, foi uma batalha entre as duas partes literárias e um triunfo dos românticos. Le Roi Amuse, tocado em 22 de novembro de 1832, foi banido no dia seguinte; um julgamento foi realizado no Tribunal de Comércio e o autor apresentou um magnífico apelo pela liberdade do teatro. Um após o outro, Victor Hugo publicou poemas, um romance admirável e encenou dramas: Notre-Dame de Paris, sua obra-prima em prosa, em 1831, o Feuilles d'automne, mesmo ano, Lucrèce Borgia e Marie Tudor, 1833, Angelo et les Chants du Crépuscule, 1835, les Voix interiors, 1837, Ruy Blas, 1838, les Rayons et les Ombres, 1840, le Rhin, 1842, les Burgraves, 1843. A trágica morte de sua filha Léopoldine, afogada em Villequier com Charles Vacquerie, a quem ela acabara de se casar, mergulhou o poeta em dores profundas e o deixou mudo por vários anos. Nomeado par da França em 15 de abril de 1845, foi capturado pela política: deputado à Assembleia Constituinte em 4 de junho de 1848, e reeleito à Assembleia Legislativa, votou com a direita na primeira assembleia e com a extrema esquerda na segunda, lutou com ardor apaixonado o príncipe-presidente e organizou a resistência contra o golpe de estado de 2 de dezembro. Durante esses cinco anos, ele fez muitos discursos que foram reunidos no primeiro volume de Atos e Palavras, Antes do Exílio; durante os últimos dois anos desse período, ele fundou e dirigiu The Event, que, após processo e condenação, se tornou The Event; ele defendeu suas idéias políticas e literárias lá e muitas vezes lidou com os atos da Academia. Proscrito em 1851, refugiou-se em Jersey, de onde teve de partir em 1855 para Guernsey, onde permaneceu quinze anos. Ele publicou em Bruxelas Napoléon le Petit em 1852 e os Châtiments em 1853, em Paris as Contemplações em 1856, o Légende des Siècles em 1859, que foi concluído mais tarde, Les Misérables em 1862 que teve um grande impacto, os Chansons des Rues e des Bois em 1865, Les Travailleurs de la Mer em 1866, L'Homme qui rit em 1869. Nesse mesmo ano, ele contribuiu para o novo jornal que seus filhos fundaram com Auguste Vacquerie e Paul Meurice, Le Recall. Os desastres da guerra de 1870 e a queda do Império trouxeram Victor Hugo de volta a Paris, onde encontrou uma popularidade que continuou a crescer até sua morte. Deputado à Assembleia Nacional, então senador pelo Sena, interveio frequentemente por meio de cartas e discursos nas lutas políticas dos primeiros anos da Terceira República. Ao mesmo tempo, ele continuou a publicar suas obras-primas: O Ano Terrível apareceu em 1872, Noventa e três em 1874, A História de um Crime e a Arte de Ser Avô em 1877, então a nova série da Lenda dos Séculos e os Quatro Ventos do Espírito; a morte não interrompeu este desabrochar extraordinário: bastariam as suas obras póstumas para imortalizar um poeta. Victor Hugo fez campanha pela candidatura acadêmica de Lamartine em 1825; frequentou o salão de Charles Nodier e criou o Cenáculo. Candidato à Academia desde 1836, foi espancado por Dupaty, Mignet e Flourens. Toda a energia e toda a fúria dos clássicos concentraram-se no nome de Victor Hugo, reconhecido por todos como o verdadeiro líder da escola romântica; ele foi finalmente eleito em 7 de janeiro de 1841 por 17 votos de 32 eleitores, substituindo Népomucène Lemercier e recebido em 3 de junho pelo conde de Salvandy. Esta vitória, dolorosamente obtida, consagra, no entanto, o triunfo do romantismo. Victor Hugo apoiou a candidatura de Alfred de Vigny, Balzac, Alexandre Dumas, Alfred de Musset, de Béranger; recebeu Saint-Marc-Girardin e Sainte-Beuve. Alfred de Vigny, tendo feito inimigos na Academia, foi quase colocado em quarentena; Victor Hugo deu-lhe provas de simpatia e estima ao recusar-se a ser diretor, enquanto durou esse ostracismo. Insatisfeito com algumas das escolhas feitas pela Academia, o jornal de Victor Hugo, L'Événement, frequentemente atacava a Companhia e, após a eleição de Nisard em 1850, ele exigiu que as eleições para acadêmicos fossem feitas pela Society. Des Gens de Lettres e o Sociedade de Autores Dramáticos. A primeira visita à Academia após o regresso do exílio foi para dar voz a Alexandre Dumas fils, “não tendo podido votar no pai”, disse. Ele votou em Jules Simon, que foi eleito, e em Leconte de Lisle, que foi nomeado apenas para substituí-lo. Nos últimos anos de sua vida e após sua morte, grandes homenagens foram prestadas a ele, tanto pelo povo como pelo mundo literário e pelo poder público. O quinquagésimo aniversário de Hernani foi festejado com esplendor na Comédie Française; uma grande manifestação foi organizada por ocasião da entrada do poeta em seus oitenta anos, em 26 de fevereiro de 1881. Por ocasião de sua morte, a igreja de Sainte-Geneviève (Panthéon) foi abandonada e devolvida ao túmulo de grande homens; seu funeral nacional aconteceu em meio a uma imensa multidão de pessoas, com todas as honras civis e militares que o governo poderia lhe render; seu corpo descansou por três dias sob o Arco do Triunfo, guardado à noite por couraceiros carregando tochas. O centenário de seu nascimento foi celebrado brilhantemente; incluiu entre outras cerimônias a inauguração do monumento elevado à sua glória e a inauguração do Museu Victor-Hugo instalado na casa da Place des Vosges onde o poeta havia escrito obras-primas imortais, enquanto ela era chamada de Place Royale. Ele legou seus manuscritos e desenhos à Biblioteca Nacional. Pasteur, na época da candidatura à Academia Francesa, parece não duvidar da própria eleição, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (canal de Suez), o poeta Sully Prudhomme (que será em 1901 o primeiro laureado do prêmio Nobel de Literatura), Paul de Saint-Victor (jornalista brilhante patrocinado / apoiado por Victor Hugo) e Victor Cherbuliez (romancista) (Debré, 1995, p. 419-420). Em 27 de abril de 1882, Pasteur vai à cúpula. Nem todos os 40 membros estão presentes. Victor Hugo, doente, manda se desculpar pela ausência. No entanto, há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Antes da eleição, Pasteur havia se apresentado a Victor Hugo, e este respondeu resmungando “O que o senhor diria se eu pretendesse ser eleito para a Academia de Ciências?” (Debré, 1995, p. 420). Ref. https://data.bnf.fr/en/11907966/victor_hugo/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/victor-hugo?fauteuil=14&election=07-01-1841 Ref. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Próximo Grupo Em construção

  • Primeiros Beneméritos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Primeiros Beneméritos Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 *Ver a microbiografia de Jean-Joseph Pasteur no grupo Família Nuclear. O pai de Pasteur foi seu primeiro preceptor. Ele gostaria de ver o filho diretor do Collège d´Arbois. Tinha poucos amigos, mas eruditos: professores, o médico da cidade (Dr. Dumont – ex-médico militar que se tornou médico do hospital de Arbois) e outros (Debré, 1995, p. 33-34). Etienne Renaud ? Renaud era um jovem e ardente professor francês que se apegava aos alunos e sabia como diverti-los. Foi o primeiro professor de Louis Pasteur na escola primária, em 1831, na cidade de Arbois. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este docente que ministrou suas primeiras aulas (Debré, 1995, p. 32-33; Garozzo, 1974, p. 29-30). Emmanuel Bousson de Mairet 1796-1871 Amigo do pai de Pasteur, Mairet era homem de letras, filósofo e historiador francês. É autor de pelo menos 30 textos, dentre estes, sobre a história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, escreveu uma tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a este erudito local que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Emmanuel foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis Pasteur, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios (Debré, 1995, p. 34-35; Viñas, 1991, p. 34; Garozzo, 1974, p. 32). Ref. https://data.bnf.fr/en/12251066/emmanuel_bousson_de_mairet/ Romanet ? Diretor do Collège d´Arbois, o francês Romanet teve influência decisiva na carreira de Louis Pasteur. Na época, Louis Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê no infante Louis: a École Normale Supérieure (Debré, 1995, p. 35, 39; Viñas, 1991, p. 36; Garozzo, 1974, p. 32-33). Barbier ? Amigo do pai de Pasteur, o capitão Barbier provinha de Arbois, na França. Era Oficial da Guarda Municipal de Paris. Propõe ao pai de Louis ser o correspondente do jovem caso fique decidido que ele prossiga os estudos em Paris. Barbier fala de uma instituição no Quartier Latin onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet (Debré, 1995, p. 35-36, 39; Viñas, 1991, p. 36). Barbet ? Barbet, proveniente de Pagnoz, cidade do Franco-Condado, na França. Era dono do internato onde Louis Pasteur vai, primeiro aos 15 anos com Jules Vercel, e depois aos 17 anos com Cahrles Chappuis, se preparar para o concurso da École Normale Supérieure. Este senhor cortou pela metade as mensalidades de Pasteur e Jules. Aconselhou os rapazes e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Barbet permitiu, desde que não lecionasse nos horários dedicados aos seus estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, por toda sua dedicação e ajuda ao internato (Debré, 1995, p. 36; Viñas, 1991, p. 34, 36; Garozzo, 1974, p. 37, 39). Répécaud ? *Mais informações sobre os autores Droz e Pellico podem ser encontradas no grupo Leituras Iniciais. Répécaud era provedor do Colège de Besançon. Depois da formatura de Louis Pasteur, ofereceu-lhe o cargo de professor suplementar neste mesmo colégio, mas sem remuneração (Garozzo, 1974, p. 47-49). Louis aceitou a proposta, aos 18 anos, ganhando prática e com o tempo se tornando um dos professores mais queridos do colégio. Foi nesta época que achou indispensável aperfeiçoar o seu caráter, e algumas obras ajudaram bastante neste período, dentre elas a de Joseph Droz e de Silvio Pellico. Jean-Marie-Napoléon-Désiré Nisard 1806-1888 *Ver microbiografia de Désiré Nisard no grupo Academia Francesa. Crítico acadêmico e literato francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1850). Deputado (em 1842) e depois senador (em 1867). Publicou a "Coleção de autores latinos com tradução francesa" com muitos colaboradores, incluindo seus irmãos: Nisard, Auguste (1809-1892) e Nisard, Charles (1808-1889). Désiré Nisard nomeia Pasteur como Diretor de Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Ref. https://data.bnf.fr/en/12052360/desire_nisard/ Próximo Grupo

  • Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Vacinação: Raiva Pierre-Victor Galtier 1846-1908 Veterinário francês. Membro da Academia Veterinária Francesa (1903-1908). Galtier nasceu em 1846 em Langogne, filho de pais de baixos recursos. Em 1853, ele foi confiado às freiras que dirigiam a escola local. Ele escapou desta escola duas vezes e foi então colocado com sua avó na cidade de Langogne. A partir daquele momento, com o incentivo de professores que lhe incutiram a importância do trabalho escolar, sua atitude em relação à escola mudou. Frequentou a escola secundária em Langone e depois em Mende, Lozère, saindo após a décima série. Ele leu os estudos greco-romanos em La Chapelle-Saint-Mesmin no "Petit Séminaire", a famosa escola secundária eclesiástica do bispo Félix Dupanloup, um posto avançado do Seminar d'Orléans. Ele recebeu seu diploma de bacharel com honras. Ele estudou para seu mestrado e sua licença veterinária na faculdade Marvejols. Por volta dessa época, Lozère criou uma bolsa para ajudar estudantes pobres a estudar para se tornarem veterinários, que Galtier recebeu e usou para estudar na École Vétérinaire de Lyon. Ele foi o primeiro da classe por quatro anos consecutivos e se formou em 1873 como orador da turma, recebendo o "Grande Prêmio Bourgelat". Galtier começou sua carreira profissional como associado de Monsieur Delorme, um veterinário em Arles, com quem se casou com a filha. Ele começou a ensinar patologia veterinária e eventualmente se tornou o Presidente de Doenças Infecciosas. Aos 33 anos, ele começou seu trabalho com a raiva. Em 1876, foi nomeado Presidente de Patologia e Medicina Interna do Departamento de Ciências Veterinárias de Lyon. Em 1877, seu departamento começou a realizar estudos sobre patologia microbiana e microbiologia. Isso fez com que a escola apoiasse a ideia de doenças contagiosas como a tuberculose, o resfriado comum e a raiva, em oposição à Escola de Alfort que sustentava a ideia de geração espontânea. Em 1878 foi nomeado professor de patologia de doenças infecciosas, saúde animal, comércio e direito médico. No mesmo ano, o Sr. Bouley, Inspetor Geral das escolas veterinárias, cria um novo departamento que separaria o ensino de patologia geral do de doenças transmissíveis. Pierre Victor Galtier foi nomeado chefe do departamento e ocupou o cargo por 30 anos. Em 1879, ele fez descobertas importantes sobre duas doenças mortais: o resfriado comum e a raiva. Em 1883, ele se formou em direito. Galtier foi indicado ao Prêmio Nobel por seu trabalho sobre a raiva. Mas ele morreu em 1908, pouco antes de o vencedor ser escolhido, então foi concedido a Paul Ehrlich e Ilya Ilyich Mechnikov. Em 1879, Pierre-Victor Galtier (1846–1908), professor da Escola de Veterinária de Lyon, demonstrou que a raiva podia ser transmitida de cães para coelhos, o que fornecia um animal experimental mais seguro. Pasteur e seus associados prepararam uma vacina suspendendo a medula espinhal de coelhos infectados em uma câmara de secagem para atenuar o vírus da raiva. Após cerca de duas semanas, o material tornou-se essencialmente inofensivo. Usando essas preparações, Pasteur poderia proteger cães que foram mordidos por animais raivosos ou inoculados com preparações de laboratório virulentas contendo o vírus vivo. No estudo experimental da raiva, Pasteur teve Galtier como predecessor, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo (Debré, 1995, p. 468-469). Convém especificar que a parte de Galtier no sucesso de Pasteur nunca foi suficientemente destacada (Debré, 1995, p. 470). Ref. https://data.bnf.fr/en/10352816/victor_galtier/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/science-magazines/biomedicine-and-health-virology Mais informações: https://peoplepill.com/people/pierre-victor-galtier Pierre-Henri Duboué 1834-1889 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1859). Correspondente da Academia de Medicina. Com a ajuda de seus assistentes, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Duboué escreve: 'O agente mórbido progride lentamente, numa direção centripeta, do lugar da mordida para o bulbo raquiano, e muito rapidamente, numa direção centrífuga, deste último para os nervos que saem dele'. Contudo, Pierre-Victor Galtier está inquieto com os trabalhos de Pasteur: não precisava de um rival com tanto prestigio... Por isso, ele se apressa a oferecer a Henri Bouley novos dados pedindo-lhe que os comunique, urgentemente, à Academia de Medicina. No início de 1881, afirma só encontrar o vírus rábico na saliva e assinala, também, que os tecidos nervosos não são contagiosos: ' Inoculei mais de dez vezes, sem nenhum sucesso, o produto extraído da substância cerebral do cerebelo e da medula do cão raivoso'. A partir dessas constatações científicas opostas, Pasteur formula um problema para resolver, ao mesmo tempo que deduz o esboço de um procedimento. Trata-se, em primeiro lugar, de localizar o vírus rábico e depois responder às seguintes perguntas: a substância cerebral é ou não infectada A baba é o único lugar onde o vírus está presente? Se Pasteur segue a pista indicada por Duboué e por Galtier, é porque ainda não conseguiu isolar o vírus rábico na saliva e porque está pesquisando novas vias de inoculação. A substância cerebral de um cão raivoso vai constituir sua primeira e principal abordagem da doença" (Debré, 1995, p. 469-470). Ref. https://data.bnf.fr/en/10432755/henri_duboue/ Mais informações: https://bibliotheques-numeriques.defense.gouv.fr/document/aabcc7fd-08ad-4d08-a512-2ee70838d61a Charles Darwin 1809-1882 Naturalista e geólogo inglês. Autor da teoria da seleção natural. Charles Darwin foi um cientista inglês que estudou a natureza e se tornou célebre por sua teoria da evolução por meio da seleção natural. De acordo com essa teoria, todos os seres vivos estão em uma constante luta para sobreviver. Aqueles que possuem as características mais úteis em seu ambiente tendem a permanecer. Esses seres vivos então transmitem tais características úteis à prole (isto é, seus filhos). Dessa maneira, os animais se transformam, ou evoluem, ao longo de centenas de anos. Darwin apresentou essas ideias em seu importante livro Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou A conservação das raças favorecidas na luta pela vida (1859), mais conhecido como A origem das espécies. Charles Robert Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shropshire, na Inglaterra. Na escola, nunca se saiu muito bem, mas mesmo assim estudou na Universidade de Edimburgo e na Universidade de Cambridge. Um professor em Cambridge incentivou seu interesse por história natural. Em 1831, Darwin partiu em uma expedição para explorar o litoral da América do Sul. O grupo iniciou a viagem em 27 de dezembro de 1831 no navio HMS Beagle. O propósito era estudar a história natural das regiões visitadas. A viagem durou cerca de cinco anos. As observações que Darwin fez durante esse período o levaram a indagar-se sobre como se desenvolvem novas espécies. Para explicar esse processo, ele formulou a teoria da seleção natural. Darwin apresentou sua teoria pela primeira vez em 1858. O conceito de evolução não era novo, mas a teoria de Darwin explicava como ela se dava. Quando Darwin publicou A origem das espécies, o livro fez sucesso imediato. No entanto, não foi bem recebido pelos criacionistas (os criacionistas acreditam que Deus criou tudo o que existe no mundo, tudo ao mesmo tempo). Darwin continuou a escrever sobre sua teoria em vários outros livros. Ele morreu em 19 de abril de 1882. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas,inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). Ref.https://data.bnf.fr/en/11898689/charles_darwin/ Ref. https://escola.britannica.com.br/artigo/Charles-Darwin/481114 Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 Louis Thuillier 1856-1883 Adrien Loir 1862-1941 *Ver microbiografias de Chamberland, Roux e Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. *Ver microbiografia de Adrien Loir no grupo Família Laurent. Com a ajuda de seus colaboradores Chamberland, Roux, Thuillier e Loir Pasteur começa a estudar a raiva (Debré, 1995, p. 469). Porém, Roux se opõe frontalmente à vacinação da primeira criança (Joseph Meister), recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). Joseph Meister 1876-1940 O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança francesa de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). Edmé Félix Alfred Vulpian 1826-1887 Médico francês. Professor e Reitor da Faculdade de Medicina de Paris. Membro da Academia de Ciências e da Academia de Medicina, seção de anatomia e fisiologia. Médico neurologista e patologista. Ele foi o co-descobridor da atrofia muscular espinhal de Vulpian-Bernhardt e do fenômeno Vulpian-Heidenhain-Sherrington. Entre outras descobertas e experimentos notáveis, Vulpian descobriu adrenalina na medula adrenal. Ele foi o primeiro a usar o termo "fibrilação" para descrever um ritmo caótico e irregular do coração. Antes de se pronunciar sobre a vacinação da criança Joseph Meister, Pasteur consulta Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação (Debré, 1995, p. 489). Ref. https://data.bnf.fr/en/13084570/alfred_vulpian/ Ref. https://dbpedia.org/page/Alfred_Vulpian Mais informações: https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/people/cp83366/edme-felix-alfred-vulpian Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1873). Presidente do Conselho de Administração do Instituto Pasteur, Paris, e membro da Academia de Medicina na seção de anatomia patológica. Além de Alfred Vulpian, outro médico que Pasteur consulta é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Os dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). Ref. https://data.bnf.fr/en/12487158/joseph_grancher/ Mais informações: https://artsandculture.google.com/entity/jacques-joseph-grancher/m02pk6lc?categoryid=historical-figure Mais informações: http://himetop.wikidot.com/jacques-joseph-grancher-s-bust Mais informações: https://web.archive.org/web/20070221115153/http://www.pasteur.fr/infosci/archives/grc0.html Jean-Baptiste Jupille 1869-1923 O segundo paciente será Jean-Baptiste Jupille, um jovem francês de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). Louise Pelletier ? O mesmo sucesso da vacinação contra a raiva não ocorre com a criança francesa Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). Charles-Félix-Michel Peter 1824-1893 Médico francês. Foi professor de patologia interna na Faculdade de Paris. Membro da Academia de Medicina. "Michel Peter (1824-1893) era parente de um cunhado de Pasteur. Isso não o impediu de ser um de seus adversários mais ferozes. Nascido em Paris, de pais muito pobres, começou como aprendiz e depois como tipógrafo em uma gráfica. Autodidata, preparou e obteve o bacharelado em ciências. Enquanto permanecia como chefe de oficina na mesma gráfica, ele começou seus estudos médicos. Estagiário aos 30 anos, doutor em medicina aos 35, chefe da clínica de Armand Trousseau no Hôtel-Dieu em 1863, encerrou a carreira como professor da faculdade de medicina, membro da Academia de Medicina. Excelente médico, orador eloquente e espirituoso, infelizmente considerou uma heresia aplicar experimentos de laboratório à patologia. Ele defendeu uma teoria, 'espontaneidade mórbida', que se opunha à teoria dos germes de Pasteur. Segundo ele, '... toda essa pesquisa sobre micróbios não vale o tempo que passamos lá, nem o barulho que fazemos a respeito ...'. Nisso se enganou, mas teve o mérito de fazer as pessoas admitirem que nem sempre é suficiente que um germe entre no organismo para que uma doença infecciosa se desenvolva; isso também requer o que ele chamou de 'consentimento do organismo'. A oposição entre Peter e Pasteur era particularmente violenta na época do trabalho de vacinação contra a raiva. Ela liderou as sessões da Academia de Medicina por dez anos" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 176). Por mais eloquentes que fossem os números apresentados, os adversários de Pasteur procuraram as menores falhas, fazendo com que ele tivesse que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continuou a atacá-lo. Havia vezes em que Vulpian é quem respondia as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, havia aqueles que acusavam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Ref. https://data.bnf.fr/en/13167090/michel_peter/ Adolphe Rueff 1854-1912 Médico francês. Vice-chefe da clínica de patologia mental da Faculdade de Medicina de Paris, anexo à enfermaria especial da Prefeitura de Polícia de Paris, então médico da cidade de Paris. Os raros fracassos do tratamento contra a raiva são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necropsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur (Debré, 1995, p. 505-506). Ref. https://data.bnf.fr/fr/17145865/adolphe_rueff/ Mais informações: https://curiosity.lib.harvard.edu/contagion/catalog?f%5Bcreators-contributors_ssim%5D%5B%5D=Rueff%2C+Ad.+%28Adolphe%29&f%5Bplace-of-origin_ssim%5D%5B%5D=France&f%5Bsubjects_ssim%5D%5B%5D=Tuberculosis--Treatment Georges Clemenceau 1841-1929 Estadista francês, apelidado de "O Tigre" ou "O Pai da Vitória" após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Chefe do Governo (1906-1909; 1917-1920). Deputado pelo Sena (1876-1885), depois pelo Var (1885-1893). Senador de Var (1902-1920). Jornalista, diretor-fundador do jornal "La Justice" (em 1880), depois de "L'Homme libre" (em 1913) que se tornou "L'Homme enchaîné" (em 1914). Doutor em medicina (Paris, 1865). Membro da Academia de Ciências e da Academia Francesa (eleito em 1918). Foi primeiro-ministro da França por vários mandatos, dos quais o mais importante ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, quando assumiu o cargo em 15 de novembro de 1917. Seus sentimentos antialemães antes da guerra e uma ardente determinação para derrotar a Alemanha o fizeram insistir que o Tratado de Versalhes exigisse o desarmamento alemão e estritas indenizações à França. Esta fotografia faz parte da Guerra das Nações, uma compilação de 1.398 imagens de rotogravura com breves legendas descritivas referentes à Primeira Guerra Mundial e suas consequências imediatas. O livro foi publicado pela New York Times Company e inclui imagens que apareceram na Mid-Week Pictorial, uma revista semanal de fotografias de notícias publicada pela New York Times Company entre 1914 e 1937. As fotografias retratam os principais líderes militares e civis dos países envolvidos na guerra, cenas de batalha, importantes sistemas de armas, ruínas e destruições causadas pelo conflito, o retorno das tropas depois da guerra e as celebrações de vitória em vários países, e cenas da Conferência de Paz de Paris. Além da frente ocidental na França e na Bélgica, as imagens abrangem outros teatros de operações, incluindo as frentes orientais, italianas e dos Balcãs, a Campanha de Galípoli (ou Batalha dos Dardanelos), e a campanha na Mesopotâmia e na Palestina. Entre os acontecimentos do pós-guerra estão as revoluções na Alemanha e na Rússia e a intervenção de tropas aliadas e americanas na Sibéria. O livro contém um índice; 32 mapas, incluindo mapas pictóricos que ilustram frentes e campanhas; e um apêndice de três páginas que fornece uma cronologia de 1914 a 1919, estatísticas (incluindo a força mobilizada e o número de mortos, feridos e desaparecidos de todos os beligerantes), os principais eventos durante a guerra, e as principais disposições do Tratado de Versalhes, que encerrou formalmente a guerra. "Muito mais grave foi a oposição de parte da Academia de Medicina, liderada em particular pelo médico Michel Peter. Segundo os opositores, que contavam com o jovem médico Georges Clemenceau, não só o tratamento de Pasteur era ineficaz, mas perigoso" (Perrot; Schwartz, 2017, p. 182). Georges Clemenceau inicialmente era defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur (Debré, 1995, p. 506). Como um jovem jornalista, Clemenceau atacou violentamente o trabalho de Louis Pasteur (que não era médico). No entanto, uma vez que as demonstrações deste último foram realizadas e endossadas por Joseph Lister, ele admitiu seu erro. Ref. https://data.bnf.fr/en/11897013/georges_clemenceau/ Ref. https://www.histoiredumonde.net/Georges-Clemenceau.html Mais informações: https://www.wdl.org/pt/item/19316/ Paul Camille Hippolyte Brouardel 1837-1906 Médico patologista francês. Médico do hospital Saint-Antoine (desde 1873), depois do hospital Pitié, em Paris. Doutor em medicina (1865). Decano da Faculdade de Medicina de Paris (desde 1887). Membro da Academia Nacional de Medicina (eleito em 1880). Membro do Instituto, membro livre da Academia das Ciências (eleito em 1892). Em 1858 ele se tornou um externe do Hôpital Cochin, em Paris, e em 1865 obteve seu doutorado médico. Em 1873 ele se tornou diretor de serviços médicos no Hôpital Saint-Antoine e de la Pitié. Em 1879 ele se tornou um professor de ciência forense na Faculté de Médecine de Paris, e conseguiu Auguste Ambroise Tardieu, como decano da medicina forense francesa. De 1884 a 1904 foi presidente da Comissão Consultiva de Higiene, e em 1899 foi eleito presidente da Associação Francesa para o Avanço das Ciências. Brouardel foi uma das principais autoridades da medicina legal e também foi um defensor apaixonado sobre todos os aspectos da saúde pública e higiene. Ele estava na vanguarda de questões como segurança alimentar, tuberculose, doenças venéreas, abuso infantil, alcoolismo e da decência pública. Brouardel exerceu uma grande influência sobre a carreira do neurologista Georges Gilles de la Tourette. Os raros fracassos do tratamento contra a raiva são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necropsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Brouardel observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Brouardel sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Brouard el (Debré, 1995, p. 506-507). Ref. https://data.bnf.fr/en/12208850/paul_brouardel/ Ref. https://artsandculture.google.com/entity/paul-brouardel/m02q_xf0 Próximo Grupo

  • Arte | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Arte Étienne-Charles Pointurier 1809-1853 Pintor francês. Nasceu em Dole em 3 de julho de 1809. Depois de uma estada em Paris, Étienne-Charles venceu em maio de 1833 o concurso de desenho organizado pela cidade de Arbois para substituir o escultor Victor Huguenin, professor de desenho, renunciou. Ele então se estabeleceu em Arbois, onde residiria até sua morte prematura em 8 de dezembro de 1853. Esse conterrâneo de Pasteur foi professor de desenho do cientista francês em Arbois. Ref. http://www.deartibussequanis.fr/xix/pointurier.php Ref. https://francearchives.fr/fr/article/128963310 Ref. https://rcf.fr/actualite/pointurier-professeur-de-dessin-de-louis-pasteur Charles-Antoine Flajoulot 1774-1840 Professor de desenho de Pasteur aos 17 anos, quando é aluno em Besançon. Porém, Pasteur já pintava desde a infância. No ano anterior, Flajoulot havia sido professor de Gustave Coubert (Debré, 1995, p. 39). Ref. http://deartibussequanis.fr/xix/flajoulot.php Albert Edelfelt 1854-1905 Pintor finlandês. Fez o famoso retrato de Pasteur em 1887 em seu laboratório e também pintou outros membros da família de Pasteur. Em carta aos amigos, Edelfelt fala sobre Pasteur: “seus trabalhos são bons ao extremo, e feitos com energia, cheios de caráter, muito superiores ao trabalho habitual de jovens que se dedicam à carreira artística. Há algo de um grande analisador nestes retratos. Estou seguro que se Pasteur tivesse escolhido a arte em vez da ciência, a França contaria hoje com um de seus mais capazes pintores” (Dubos, 1967b, p. 28). Ref. https://finland.fi/pt/arte-amp-cultura/albert-edelfelt-mestre-da-pintura-plein-air-a-pintura-ao-ar-livre/ Próximo Grupo

  • Personalidades | Pasteur Brasil

    Grupos de Personalidades Família, amigos, cientistas, industriais, colaboradores, membros de Academias, políticos... Pasteur se relacionou com muitas personalidades ao longo da vida, as quais foram organizadas em 25 grupos. Para melhor compreensão da notação utilizada nesta pesquisa, acesse anteriormente a Legenda do Grupocarmograma . A seguir, confira os grupos de personalidades, seguidos da Análise dos Grupos e da Enumerologia (ordem alfabética por sobrenome). Ao acessar cada grupo, será possível consultar as microbiografias das principais personalidades. Família Nuclear Pai, mãe e irmãos Amigos de Infância e Adolescência Arte Pinturas de Pasteur e artistas Primeiros Beneméritos Professores, preceptores e apoiadores Leituras Iniciais Primeiras Influências Científicas Contemporâneos e antecessores Família Laurent Sogros, esposa, cunhados, sobrinhos Família Louis Pasteur Academia de Ciências Cristalografia Fermentação Geração Espontânea x Teoria dos Germes Doenças do Bicho-da-Seda Doenças Infectocontagiosas Início da Vacinação Vacinação: Raiva Pasteurianos Academia de Medicina Academia Francesa Políticos Instituto Pasteur Jubileu: 70 Anos Saúde e Morte Parapsiquismo Equipe Extrafísica Análise dos Grupos Enumerologia

  • Primeiras Influências Científicas | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Primeiras Influências Científicas Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 Químico e político francês. Foi um dos fundadores da École Centrale de Paris (1829). Leitor no Collège de France (1836). Membro da Academia de Ciências, seção de Química (eleito em 1832), então secretário perpétuo (1868). Membro da Academia Francesa (eleito em 1875). Deputado pelo Norte (1849-1851). Ministro da Agricultura e Comércio (1850) no governo de Napoleão III . Senador (1852-1870). Membro (1854), então presidente (1859) da Câmara Municipal de Paris. O pai de Dumas era o escrivão da cidade de Alès e Dumas frequentou a escola local. Embora por um breve período como aprendiz de um boticário, em 1816 Dumas viajou para Genebra, onde estudou farmácia, química e botânica. Seu nome apareceu em artigos de revistas em farmácia e fisiologia antes de ele completar a adolescência. Em 1823, com a ajuda do naturalista alemão Alexander von Humboldt, Dumas voltou para a França e tornou-se assistente do químico francês Louis-Jacques Thénard na École Polytechnique de Paris. Dumas logo se tornou professor de química no Athenaeum, apenas o primeiro de muitos compromissos acadêmicos que teria - na Sorbonne, na École Polytechnique e na École de Médecine. Como era comum na época, ele ocupou vários desses cargos simultaneamente e passou muitas horas viajando de uma escola para outra. Dumas estabeleceu um laboratório de ensino, inicialmente às suas custas. Ele foi um professor magistral, servindo como mentor de muitos químicos franceses importantes, incluindo Auguste Laurent, Charles-Adolphe Wurtz e Louis Pasteur. Foi ministro da Agricultura de 1850 a 1851 e, quando Napoleão III se tornou imperador, foi nomeado senador. Foi também membro, vice-presidente (1855) e presidente (1859) do Conselho Municipal de Paris. Com Haussmann, Dumas empreendeu a transformação e modernização da capital, supervisionando a instalação de modernos sistemas de drenagem, abastecimento de água e sistemas elétricos. Ele se tornou secretário permanente da Academia de Ciências em 1868. Um dia, Pasteur foi até a Sorbonne assistir, por curiosidade, uma conferência deste célebre químico, que reunia entre 600 a 700 pessoas. Esse primeiro contato com a química vai ser determinante para Pasteur, que seguirá o admirando por toda a vida. Pasteur se inspira em Dumas, em sua eloquência e capacidade de cativar um auditório (Debré, 1995, p. 48; Garozzo, 1974, p. 55). Dumas torna-se um mentor para Pasteur, além também de um grande amigo. Seu afeto por Pasteur é evidente nas correspondências. Ao ingressar futuramente na Academia de Ciências, é Dumas quem apresenta Pasteur a Napoleão III. Ref. https://data.bnf.fr/en/12647737/jean-baptiste_dumas/ Mais informações: http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/jean-baptiste-dumas?fauteuil=40&election=16-12-1875 Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Jean-Baptiste-Andre-Dumas Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/jean-baptiste-andre-dumas Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 Químico e Farmacêutico (1826) francês. Descobridor do bromo em 1826, aos 24 anos de idade. Professor no Collège de France (1851-1876). Membro da Academia de Ciências (1844). Balard nasceu em uma família de circunstâncias modestas; seus pais eram produtores de vinho. Sua madrinha percebeu sua inteligência e permitiu que ele frequentasse o liceu em Montpellier. Em 1819, ao se formar, começou a se preparar para a carreira de farmacêutico. Enquanto treinava em Montpellier, ele serviu como préparateur em química para Joseph Anglada da Faculté des Sciences e préparateur na École de Pharmacie. No último, ele estudou química e física com Jacques Étienne Bérard, que permitiu a Balard fazer pesquisas na fábrica química da qual Bérard era o diretor. Balard formou-se em farmácia em 1826, tendo escrito uma tese sobre o cianogênio e seus compostos. Foi nesse período, por volta de 1825, que Balard fez a descoberta do elemento bromo. A descoberta de um novo elemento químico por um jovem e obscuro farmacêutico provinciano causou sensação nos círculos científicos parisienses e, posteriormente, estrangeiros. O feito de Balard foi reconhecido pela Académie des Sciences e ele foi premiado com uma medalha pela Royal Society of London. Ao estudar a flora do pântano salgado das águas mediterrâneas, Balard, depois de cristalizar cloreto de sódio e sulfato de sódio da água do mar, saturar o resíduo com cloro e destilar o produto, descobriu o único elemento não metálico líquido, o bromo. Determinou suas propriedades e estudou alguns de seus compostos . Mais tarde, ele provou a presença de bromo em plantas marinhas e animais. Expoente do valor potencial do mar como fonte de produtos químicos, Balard lecionou na École de Pharmacie de Montpellier, onde se formou em 1826. Tornou-se professor de química na Sorbonne (1842) e no Collège de France, Paris (1851). Balard era principalmente um químico experimental, embora sua experimentação fosse guiada por uma aguda consciência das analogias entre as substâncias que estava investigando e outras cuja química era mais conhecida. Ele não publicou muito, mas o que apareceu foi de alta qualidade e de grande interesse. O modo de vida de Balard era modesto, mesmo em seus anos de sucesso em Paris. Além disso, sua abstinência influenciou o estilo de sua pesquisa científica; Jean-Baptiste Dumas e Charles Adolphe Wurtz testemunharam a preferência de Balard por aparelhos simples e reagentes caseiros em vez de técnicas e materiais elaborados. Ele era amável e generoso tanto com seus colegas quanto com seus alunos. Talvez de maior importância do que suas pesquisas químicas foi o interesse de Balard pelas carreiras de seus alunos, especialmente as de Louis Pasteur e Marcelin Berthelot. Balard fez uma petição para que Pasteur fosse designado a ele como assistente em 1846, e em 1851 ele garantiu uma posição semelhante para Berthelot no Collége de France. Ele manteve amizade íntima com esses dois alunos, vindo em defesa de Pasteur na controvérsia da geração espontânea e garantindo a criação da cadeira de química orgânica no Collége de France para Berthelot. Como foi dito, Balard levava uma vida simples e estava sempre de bom humor. Foi professor de Pasteur na École Normale, e o convidou a se tornar professor-estagiário em seu laboratório (Debré, 1995, p. 55-57). Balar interveio, junto ao Ministério da Instrução Pública, quando Pasteur foi designado professor de física no liceu de Tournon, pois estava trabalhando em uma tese de doutoramento em química. Foi no laboratório de Balard que Pasteur, trabalhando com ácido tartárico, descobre as formas dextrógiras e levógiras. Em vários momentos da vida de Pasteur, Balard o recomenda moderação e calma (Debré, 1995, p. 363). É Balard quem apresenta Pasteur a Auguste Laurent. Ref. https://data.bnf.fr/en/10563454/antoine-jerome_balard/ Ref. https://www.britannica.com/biography/Antoine-Jerome-Balard Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/balard-antoine-jerome Auguste Laurent 1807-1853 Químico francês. Ajudou a lançar as bases para a fundação da química orgânica. Seus trabalhos sobre cristalografia valeram-lhe a nomeação de correspondente da Academia de Ciências. Após o ensino clássico convencional, Laurent formou-se em engenharia pela prestigiosa École des Mines de Paris. A partir de 1830, ele foi contratado como assistente de laboratório por Jean-Baptiste Dumas , o principal químico francês e professor da École Centrale des Arts et Manufactures. Depois de vários postos industriais de curta duração e uma tentativa de dirigir uma escola particular de química em Paris, Laurent foi nomeado professor de química na Universidade de Bordeaux em 1838. Mais tarde naquele ano, ele se casou com Anne-Françoise Schrobilgen de Luxemburgo. Laurent não estava feliz “no exílio” nas províncias, mas seus sete anos em Bordeaux foram os mais produtivos de sua carreira. De espírito muito original. Laurent reparou em Pasteur, e oferece que ele pesquise junto a ele. Pasteur gostava muito de trabalhar com este pesquisador de temperamento calmo, mas trabalha por poucos meses com Laurent, que se torna suplente de Jean-Baptiste Dumas na Sorbonne em abril de 1847. Apesar de Pasteur ter trabalhado pouco tempo com Laurent, a sua influência foi grande, especialmente na formação de hipóteses a teorias (Debré, 1995, p. 57). Laurent falece de tuberculose aos 45 anos. Não há parentesco deste químico com o sogro de Pasteur, Aristide Laurent. Ref. https://data.bnf.fr/en/12560058/auguste_laurent/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Auguste-Laurent Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/auguste-laurent Jean-Baptiste Biot 1774-1862 Físico, químico, astrônomo e matemático francês. Membro da Academia das Ciências (eleito em 1803), membro da Académie des inscriptions et belles-lettres (eleito em 1841) e membro da Academia Francesa (eleito em 1856). Educado na École Polytechnique, Biot foi nomeado professor de matemática na Universidade de Beauvais em 1797, tornou-se professor de física matemática no Collège de France em 1800 e foi eleito membro da Academia Francesa de Ciências em 1803. Colaborou com Gay-Lussac em análises atmosféricas. Em 1804, ambos subiram em um balão de hidrogênio para investigar o campo magnético da Terra a elevada altitude e a composição atmosférica. Atingiram uma altitude de 4000 metros. Eles mostraram que o campo magnético da Terra n ão varia visivelmente com a altitude e testaram a composição da atmosfera superior . Biot colaborou também com o famoso físico Dominique-François-Jean Arago na investigação das propriedades refrativas dos gases. Em 1820, Biot e o físico Félix Savart descobriram que a intensidade do campo magnético criado por uma corrente que flui por um fio é inversamente proporcional à distância do fio. Essa relação é agora conhecida como lei de Biot-Savart e é uma parte fundamental da teoria eletromagnética moderna. Em 1835, ao estudar a luz polarizada (a luz tendo todas as suas ondas no mesmo plano), Biot descobriu que soluções de açúcar, entre outras, giram o plano de polarização quando um feixe de luz polarizada passa. Outras pesquisas revelaram que o ângulo de rotação é uma medida direta da concentração da solução. Este fato tornou-se importante na análise química porque forneceu uma maneira simples e não destrutiva de determinar a concentração de açúcar. Por este trabalho, Biot recebeu a Medalha Rumford da Royal Society em 1840. Aos 19 anos, Biot já exibia um ceticismo precoce ao afirmar: "Sempre, nas questões duvidosas, o ignorante crê, o cientista improvisado decide, o homem instruído examina" (Witkowski, 2004, p. 107). Buscou ainda identificar os enigmas astronômicos gravados nas colunas dos templos egípcios (Witkowski, 2004, p. 107). Ao conhecer as pesquisas de Pasteur, no início tem dúvida sobre a sua descoberta na área da cristalografia, e ao reconhecer a veracidade, propõe que a apresente na Academia. Em carta, escreve a Pasteur: “Meu filho, em minha vida amei tanto as ciências que isso me faz disparar o coração” (Debré, 1995, p. 74). Biot considerava Pasteur quase seu filho adotivo. Torna-se seu padrinho científico. Das críticas científicas aos conselhos mais pessoais, Biot desempenha um papel ativo na vida de Pasteur. Mostra-se o grande confidente de Pasteur. O filho de Pasteur recebe o nome deste amigo, que será também seu padrinho. Ref. https://data.bnf.fr/en/12150160/jean-baptiste_biot/ Ref. https://www.britannica.com/biography/Jean-Baptiste-Biot Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/physics-biographies/jean-baptiste-biot Eilhardt Mitscherlich 1794-1863 Químico e físico alemão. Professor de química na Universidade de Berlim. Era filho de um ministro. Recebeu sua educação inicial em Jever, na escola dirigida pelo historiador Friedrich Christoph Schlosser, que o encorajou a se dedicar às 'artes liberais', nome dado no final da época romana a disciplinas consideradas estudos preparatórios para a filosofia; geralmente eram contados em número de sete e agrupados como trivium (gramática, retórica e lógica) e quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia). Mitscherlich estudou línguas orientais (persa) em Heidelberg e Berlim. Ele então se voltou para o estudo da medicina em Göttingen em 1817, onde se interessou pela cristalografia. Simultaneamente aos seus estudos médicos, Mitscherlich completou a pesquisa em antigos textos persas, pelos quais obteve o doutorado. Ao mesmo tempo, seu interesse se voltava cada vez mais para a química. De 1818 a 1820, Mitscherlich trabalhou no laboratório de Berlim do botânico alemão Heinrich F. Link, onde primeiro empreendeu o estudo de arsenatos e fosfatos. Em 1819, ele descobriu a partir desse estudo que compostos com composição semelhante geralmente têm a mesma estrutura cristalina. Neste mesmo ano conheceu Jöns Berzelius, quando este passava por Berlim. Berzelius tinha ouvido falar do trabalho de Mitscherlich e reconheceu o significado de suas descobertas. Quando o Ministério da Educação prussiano ofereceu a Berzelius a cadeira de química na Universidade de Berlim, deixada vaga com a morte de Klaprolh, Berzelius sugeriu nomear Mitscherlich em seu lugar. Mitscherlich foi considerado jovem demais para ocupar o cargo, entretanto, um acordo foi acertado pelo qual ele seria enviado para trabalhar com Berzelius em Estocolmo por dois anos, a fim de ampliar seus conhecimentos de química. No decurso desta parceria frutífera, Mitscherlich trabalhou no laboratório de Berzelius, visitou e estudou as minas e trabalhos metalúrgicos em Falun e adquiriu mais experiência em análise química e química inorgânica. Mais importante, ele continuou seu trabalho com isomorfismo. Em 1821, Mitscherlich se tornou professor de química na Universidade de Berlim. Mitscherlich também foi membro da Academia de Ciências de Berlim e diretor de seu laboratório, localizado no observatório. Ele fez uso extensivo desta instalação para ensino, bem como para pesquisa, uma vez que a universidade não oferecia instalações para o ensino prático de química. Além de ter estado na Suécia, Mitscherlich fez outras viagens ao exterior para trabalhar com cientistas estrangeiros. Em 1823-1824, ele estava em Paris, onde colaborou com Fresnel na investigação da alteração da refração dupla dos cristais em função da temperatura; ele também conheceu Thénard e Gay-Lussac. Em 1824, ele visitou Humphry Davy, Faraday, Wollaston e Dalton na Inglaterra, onde inspecionou várias fábricas. De volta a Berlim, ele trabalhou em várias áreas da química orgânica e inorgânica, além de seus estudos de isomorfismo. Mitscherlich talvez tenha tido mais sucesso como escritor de livros didáticos. Seu Lehrbuch der Chemie foi publicado pela primeira vez em 1829; em 1847, teve quatro novas edições em alemão, bem como duas edições em francês e uma em inglês. A obra continha as palestras de Mitscherlich sobre todos os aspectos da química pura e aplicada, bem como uma quantidade considerável de material sobre física, todos ilustrados com uma série de belas xilogravuras. As próprias palestras são caracterizadas por sua clareza exemplar e experimentos engenhosos; o livro foi muito elogiado pelos contemporâneos de Mitscherlich, incluindo Berzelius e Liebig. Como professor, Mitscherlich estava ciente de que seus alunos precisavam de instrução prática; e os levava para visitar as fábricas. Mitscherlich foi quem promulgou a teoria do isomorfismo, uma relação entre a estrutura cristalina e a composição química. Construiu o primeiro polarizador. Foi o primeiro a anunciar o mistério do ácido tartárico. Pasteur, na época um jovem químico recém-formado, se debruçou sobre este mistério colocado por Mitscherlich: porque dois produtos químicos aparentemente idênticos tem um efeito diferente na luz polarizada? Pasteur descobre que “só os produtos nascidos sob a influência da vida são assimétricos, isto porque o seu desenvolvimento preside forças cósmicas que também são assimétricas". A dissimetria é a principal linha de demarcação entre o mundo orgânico e o mundo mineral. Em 1852, Mitscherlich vai a Paris para ser recebido como correspondente estrangeiro na Academia de Ciências, em companhia do mineralogista Gustav Rose, professor na Faculdade de Berlim. Ambos quiseram se encontrar com Pasteur para ouvir de sua própria boca as circunstâncias detalhadas de suas descobertas sobre o tártaro (Debré, 1995, p. 86). Os três cientistas (Pasteur, Mitscherlich e Rose) passam duas longas horas juntos discutindo as circunstâncias da observação, refletindo sobre as consequências. “Estudamos tanto e tanto esses cristais que estamos persuadidos de que se você não encontrasse, ao observá-los de novo, esse fato tão notável, nossa descoberta ficaria ignorada durante um tempo considerável” (Debré, 1995, p. 87). Mitscherlich conhece um produtor de ácido paratartárico na Alemanha, o industrial Friedrich Fikentscher. Pasteur decide viajar à Alemanha para encontrar a tal molécula. Ref. https://data.bnf.fr/en/12554702/eilhard_mitscherlich/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/eilhard-mitscherlich Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100202237#showmorecontent Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Eilhardt-Mitscherlich Antoine-Laurent de Lavoisier 1743-1794 Químico, físico e economista francês. Membro da Comissão para o estabelecimento de pesos e medidas. Membro da Academia de Ciências (recebido em 1768). Deputado Membro dos Estados Gerais. Filho de um advogado do Parlamento de Paris, Lavoisier começou seus estudos no Collège Mazarin em Paris aos 11 anos de idade. Em seus últimos dois anos (1760-1761) no colégio, seus interesses científicos foram despertados. Nas aulas de filosofia, ele ficou sob a tutela do Abade Nicolas Louis de Lacaille, um ilustre matemático e astrônomo observacional que imbuiu o jovem Lavoisier de um interesse pela observação meteorológica, um entusiasmo que nunca o deixou. Lavoisier ingressou na faculdade de direito, onde se graduou como bacharel em 1763 e se licenciou em 1764. No entanto, continuou sua formação científica nas horas vagas. As pesquisas de Lavoisier sobre combustão foram realizadas em meio a uma agenda muito ocupada de tarefas públicas e privadas, especialmente em relação à Fazenda Fiscal. Havia também inúmeros relatórios e comitês da Academia de Ciências para investigar problemas específicos por ordem do governo real. Lavoisier, cujas habilidades de organização eram notáveis, frequentemente recebia a tarefa de redigir esses relatórios oficiais. Foi figura de destaque na revolução química do século XVIII. Desenvolveu uma teoria experimentalmente baseada na reatividade química do oxigênio. É co-autor do sistema moderno para nomear substâncias químicas. Serviu como um importante financista e administrador público antes da Revolução Francesa. Lavoisier foi o primeiro filho e único filho de uma rica família burguesa que vivia em Paris. Lavoisier é considerado o "pai da química moderna". Descobriu o papel do oxigênio na combustão; descobriu que a água é uma substância composta, formada por dois átomos de hidrogénio e um de oxigénio: H2O; identificou e batizou o oxigênio (1778) e o hidrogênio (1783). Enunciou o princípio da conservação da matéria, etc. É autor da célebre frase: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma". Em uma carta ao ministro Gustave Rouland, Pasteur expõe seu programa de trabalho e declara retomar o estudo da fisiologia no ponto em que Lavoisier havia deixado e acrescenta “(...) depois da morte, a vida reaparece sob outra forma e com novas propriedades” (Debré, 1995, p. 551-552). Ref. https://data.bnf.fr/en/12079036/antoine-laurent_de_lavoisier/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Antoine-Lavoisier Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/antoine-laurent-lavoisier Louis-Joseph Gay-Lussac 1778-1850 Químico e físico francês. Político. Membro da Haute-Vienne (1831-1839). Professor de química na École Polytechnique em Paris (1809-1839). Membro da Academia das Ciências (eleito em 1806), depois Presidente (1822-1834). Peer of France (nomeado em 1839). Foi também professor de física e química na Sorbonne. Em 1797, entrou na Escola Politécnica em Paris e graduou-se em 1800. Começou estudos adicionais em engenharia, mas se afastou em 1801 quando foi convidado a ser assistente do distinto químico Claude-Louis Berthollet. Muitas das pesquisas de Gay-Lussac foram realizadas no laboratório localizado na casa de campo de Berthollet em Arcueil, perto de Paris. Esta aldeia era o centro de um grupo ativo de jovens cientistas orientados por Berthollet e Pierre-Simon Laplace. Em 1802, elaborou uma lei, conhecida como a lei de Charles, que trata dos efeitos da temperatura sobre os gases. Mostrou que todos os gases expandem proporcionalmente ao aumento de temperatura. A existência de um coeficiente térmico de expansão comum tornou possível a definição de uma nova escala de temperatura de profundo significado termodinâmico estabelecida posteriormente por Sir William Thomson (Lord Kelvin). Em 24 de agosto de 1804, juntamente com Jean-Baptiste Biot ascenderam num balão de hidrogênio a uma altura de 4000m a fim de estudar a variação magnética da Terra em relação à altura. Realizou sozinho uma segunda ascensão em 16 de setembro do mesmo ano, a uma altura recorde de 7016m com objetivo de repetir medições magnéticas, estudar a variação da temperatura e pressão e coletar amostras de ar. Em 1805, em companhia de Humboldt, fez uma expedição científica à Itália, estagiando depois algumas semanas no laboratório de Humboldt, em Berlim. Experiências mostraram a determinação de proporções relativas em hidrogênio e oxigênio devem ser combinados para formar água. Assim, em 31 de dezembro de 1808, ano de seu casamento, anunciou a lei da combinação dos volumes. Esta lei estabelece que os gases formam compostos entre si, segundo proporções definidas, que podem ser expressas em fórmulas. A fórmula usada para a água (H2O) mostra que a água é formada por duas partes de hidrogênio (H) e uma parte de oxigênio (O). Aperfeiçoou os processos de fabricação do ácido sulfúrico e do ácido oxálico para a indústria. Sugeriu um método de determinação da quantidade de álcalis existente na potassa e no carbonato de sódio (barrilha), além de aperfeiçoar meios de avaliar a quantidade de cloro contida no pó de descoramento, ou alvejamento. Gay-Lussac e Louis Jacques Thenard, trabalhando independentemente, isolaram o boro, no mesmo ano (1808) que sir Humphrey Davy, químico inglês, o fazia na Inglaterra. Em 1809, depois de tentar a análise do cloro, que se chamava então "ácido muriático oxigenado", concluiu que havia motivo para se ver nele um corpo simples. Em 1815, descobriu o cianogênio e o ácido prússico. Em 1816, construiu o barômetro de sifão que tem seu nome; a seguir, o seu alcoômetro centesimal. Por sua notável contribuição para o progresso da química, foi eleito para a Académie des Sciences, de Paris, e para a Royal Society, de Londres. Ref. https://data.bnf.fr/en/12238576/louis-joseph_gay-lussac/ Ref. http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/person/g-lussac.htm Robert Boyle 1627-1691 Físico, químico e filósofo irlandês. É considerado um dos fundadores da química. Nasceu em uma família rica e estava ligado por sangue ou casamento a todas as famílias Anglo-Saxônicas de sua época. Era o mais jovem filho de uma família de 14 filhos. Aos oito anos, depois de um período de ensino particular em casa, ele foi estudar em Eton, onde os filhos dos nobres iniciavam seu aprendizado. Mais tarde, aos doze anos, foi para o continente, onde um cidadão de Genebra o educou e ensinou-lhe a matemática prática. Depois, foi introduzido na nova ciência incluindo "Dialogue on the Two Chief World Systems" de Galileo, que ele leu em Florença em 1642. A explosão da guerra Anglo-Saxônica e também a guerra civil na Inglaterra fez com Boyle retornasse para casa. Foi apresentado a Samuel Hartlib, quem parece, fez com que se interessasse por Medicina. Da Medicina passou para a Química, onde iniciou como preparador de medicamentos, mas logo se tornou um criador de produtos químicos. Boyle leu todos os livros de químicos publicados em inglês, francês e latim e também leu os livros dos escritores mais importantes de outras áreas. Seu rápido interesse por Astronomia persistiu por algum tempo, mas a influência de Bacon e Descartes fez com que se interessasse por problemas mais amplos. Logo seus pensamentos coincidiram com os dos líderes do movimento científico da Inglaterra, ao qual se juntou em Oxford em 1656. Após a Restauração, Boyle esteve frequentemente em Londres, onde se fixou em 1668. Ele foi um dos fundadores da Sociedade Real, da qual foi a pessoa mais influente e notável por toda a sua vida. Foi também um simpatizante das questões irlandesas .Apesar de estar freqüentemente doente, Boyle permaneceu trabalhando em seus objetivos científicos com a ajuda de seus assistentes (dos quais muitos se tornaram cientistas famosos) até a sua morte. Foi um autor prolífero, escrevendo sobre ciência, filosofia e teologia. É mais conhecido pela lei de Boyle, que descreve a relação inversamente proporcional entre a pressão absoluta e o volume de um gás, se a temperatura for mantida constante dentro de um sistema fechado. "Não foram preocupações apenas de ordem experimental que guiaram Pasteur para a cristalogafia. Algumas reflexões teóricas também contribuíram para tanto. Robert Boyle, no século XVII, mostrara que existe uma relação entre a forma dos constituintes invisíveis de um sólido e sua organização em cristal" (Debré, 1995, p. 58-59). Ref. https://data.bnf.fr/en/11988979/robert_boyle/ Mais informações: http://www.fem.unicamp.br/~em313/paginas/person/boyle.htm Dmitrij Ivanovič Mendeleev 1834-1907 Químico e físico russo. Foi o criador da primeira versão da tabela periódica dos elementos químicos. Estudou ciências em São Petersburgo, formando-se em química (1856). Trabalhou no laboratório Wurtz, em Paris. Esteve na Pensylvania e no Cáucaso, estudando a natureza e a origem do petróleo. Professor a partir de 1863, em 1866 assumiu a cátedra de química do Instituto Tecnológico de São Petersburgo. Na qualidade de conselheiro científico das forças armadas russas (1890) promoveu o estudo da nitrocelulose. Foi conservador do Museu de Pesos e Medidas (1893). Recebeu a medalha Davy (1882) e a medalha Copley (1905), da Royal Society de Londres. Mendeleev é autor da lei segundo a qual as propriedades físicas e químicas dos elementos são função periódica do peso atômico. Apesar de outros cientistas terem anteriormente traçado sequências numéricas entre os pesos atômicos de certos elementos e notado conexões entre estes e as propriedades das diversas substâncias, Mendeleev é o primeiro a enunciar a lei cientificamente. Estabelece a analogia dos elementos em bases numéricas seguras. Faz a classificação periódica dos elementos químicos conforme seu peso específico, dispondo os elementos em ordem crescente de acordo com seu peso atômico. Nota que as propriedades dos corpos simples se repetem periodicamente. Elabora quadros que, por apresentarem lacunas, o levam a prever a existência três elementos até então desconhecidos, previsão confirmada pela descoberta do gálio (1875), do escândio (1879) e do germânio (1886). Em diversos casos questiona os pesos atômicos aceitos por não corresponderem à lei periódica. Mendeleev empreende trabalhos sobre o isomorfismo, a compressão dos gases e as propriedades do ar rarefeito. Estuda a natureza das soluções, que considera sistemas líquidos homogêneos de compostos instáveis dissociáveis do solvente com a substância dissolvida. Investiga a expansão termal dos líquidos e elabora fórmula para expressá-la. Estudando os gases (1861) antecipa o conceito de Thomas Andrews (1869) da temperatura crítica dos gases, definindo o ponto absoluto de ebulição como a temperatura em que a coesão e o calor da vaporização eqüivalem a zero e o líquido se transforma em vapor independentemente da pressão e do volume. Contribui ainda para a preparação de uma pólvora sem fumaça, à base de pirocolódio. Sua obra mais importante é Osnovy chimii (1868 – 1870; Princípios de química). A classificação de Mendeleev é a base da teoria da estrutura eletrônica do átomo. Numerando-se em sequência os elementos de acordo com a sua classificação, verifica-se que o número de ordem de cada elemento é igual à carga positiva de seu núcleo atômico. Quanto às propriedades químicas, são sobretudo função da forma de agrupamento dos elétrons em torno do núcleo. Quando a carga do núcleo aumenta de uma unidade e o número de elétrons cresce respectivamente, os tipos de agrupamento de elétrons repetem-se, o que determina a periodicidade nas alterações das propriedades dos átomos. A lei de Mendeleev estipula que as propriedades dos elementos são função periódica do número de ordem ou da carga do núcleo atômico. A classificação periódica reflete não só as conexões, mas também as transformações reais dos elementos químicos e seus compostos. As reações nucleares e a desintegração radioativa dos átomos correspondem a deslocamentos na classificação periódica, a qual reflete ainda a evolução da matéria sideral e a repartição dos compostos químicos ao longo da evolução da Terra. Mendeleev admite o vínculo entre a composição atômica e a estrutura dos cristais (Debré, 1995, p. 59). Ref. https://data.bnf.fr/en/13088624/dmitrij_ivanovic_mendeleev/ Ref. http://allchemy.iq.usp.br/metabolizando/beta/01/mendelee.htm Jean-Baptiste Louis de Romé de L'Isle 1736-1790 Físico e mineralogista francês. É considerado o criador da moderna cristalografia. Iniciou a descrição dos cristais e foi sucedido por René-Just Haüy. Depois de ser educado em Paris, ele navegou para as Índias Orientais como secretário de uma companhia de artilharia e, em 1761, tornou-se prisioneiro dos ingleses em Pondicherry, sendo mantido em cativeiro por três anos. Tendo adquirido o gosto pela ciência, ao voltar para casa tornou-se aluno do químico Balthasar-George Sage (1740-1824) e aplicou-se à mineralogia, formando um gabinete mineralógico, e em 1772 publicando seu “Essai de Cristallographie”. Este trabalho foi ampliado e publicado em 1783 sob o título “Cristallographie, ou Description des formes propres k tous les corps du regne mineral dans l ' etat de combinaison saline pierreuse ou metallique ”. Continha tabelas de todos os cristais então conhecidos. Outro assunto ao qual Romé de L´Isle dedicou muito tempo foi a metrologia, estimulada sem dúvida pelo estado caótico dos pesos e medidas na França da época. Ele coletou uma grande quantidade de material relacionado ao assunto, alguns dos quais ele incorporou em sua “Metrologie, ou Table pour servir a l'intelligence des poids et mesures des anciens ...” lançado em 1789, o ano em que a Revolução Francesa estourou. Devido à sua intensa aplicação para estudar, Romé de L´Isle sofreu de problemas de visão. Sendo isso levado ao conhecimento de Luís XVI, ele recebeu uma pequena pensão, embora não tivesse ocupado nenhum cargo oficial. Romé de L´Isle racionalizou os princípios descritivos do cristal e desencorajou as descrições fantásticas da filosofia mineral. Tratou de descrever e não de estabelecer leis. Por isso, afirma Pasteur, que Haüy, seu sucessor, figura como o verdadeiro introdutor da ciência no estudo do cristal (Debré, 1995, p. 59-60). Ref. https://data.bnf.fr/en/13475531/jean-baptiste_louis_de_rome_de_l_isle/ Ref. https://www.nature.com/articles/138319a0 René-Just Haüy 1743-1822 Cônego Honorário de Notre-Dame de Paris. Mineralogista francês, foi professor de todos os principais institutos de ensino e pesquisa da Revolução e do Império. Fundador das três grandes coleções da Escola de Minas, do Museu de História Natural e da Universidade. Membro das Academias de Ciências de São Petersburgo e Berlim. Membro da Academia da Ciências (eleito em 1783). Haüy, cujo pai era um pobre tecelão, nasceu em St. Just, na França. Seu interesse pela música sacra atraiu a atenção do prior da abadia, que logo reconheceu a inteligência de Haüy e providenciou para que ele recebesse uma boa educação. Ainda em Paris, seu interesse pela mineralogia foi despertado pelas palestras de Louis Daubenton. Ele se tornou professor de mineralogia no Museu de História Natural de Paris em 1802. Seu Traité de mineralogie (Tratado de Mineralogia) foi publicado em cinco volumes em 1801 e Traité de cristallographie (Tratado sobre Cristalografia) em três volumes em 1822. Haüy é considerado o fundador da ciência da cristalografia por meio da descoberta da lei geométrica da cristalização. Em 1781, ele acidentalmente deixou cair alguns cristais de calcita no chão, um dos quais se quebrou e descobriu, para sua surpresa, que os pedaços quebrados tinham a forma romboédrica. Rompendo deliberadamente outras e diversas formas de calcita, ele descobriu que ela sempre revelava a mesma forma, qualquer que fosse sua origem. Ele concluiu que todas as moléculas de calcita têm a mesma forma e é apenas como elas se juntam que produz diferentes estruturas grosseiras. Em seguida, ele sugeriu que outros minerais deveriam apresentar diferentes formas básicas. Ele pensava que havia, de fato, seis formas primitivas diferentes das quais todos os cristais poderiam ser derivados por serem ligados de maneiras diferentes. Usando sua teoria, ele foi capaz de prever em muitos casos os ângulos corretos da face do cristal. A obra gerou muita polêmica e foi atacada por Eilhard Mitscherlich em 1819 quando ele descobriu o isomorfismo no qual duas substâncias de composição diferente podem ter a mesma forma cristalina. Haüy rejeitou os argumentos de Mitscherlich. Haüy também realizou trabalhos em piroeletricidade. O mineral haüyne foi batizado em sua homenagem. "A herança de Haüy é dupla: de um lado, uma coleção de cristais que Pasteur poderá examinar no Muséum; de outro, um Traité de minéralogie cristalline, publicado em 1801, que constitui a base do curso de Gabriel Delafosse, professor de mineralogia na École Normale Supérieure e mestre de Pasteur" (Debré, 1995, p. 61). Ref. https://data.bnf.fr/en/12276345/rene-just_hauy/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095924649 Gabriel Delafosse 1796-1878 Mineralogista francês. Foi professor na Sorbonne, depois no Museu de História Natural de Paris. Membro da Academia de Ciências (em 1857). Filho de um magistrado provincial, Delafosse formou-se em escolas de Saint-Quentin e Reims e tornou-se aluno com bolsa da École Normal Supérieure. Após a conclusão dos seus estudos lá em 1816, foi trabalhar para Haüy, cujos cursos de mineralogia frequentou no Muséum d'Histoire Naturelle. Ele ajudou Haüy a editar e publicar Traité de Cristallographie (1822) e os últimos três volumes póstumos da segunda edição do Traité de Minéralogie (1822-1823). A nomeação de Delafosse como naturalista assistente em 1817 deu início à sua associação ao longo da vida com o Muséum, onde se tornou professor em 1857, substituindo Pierre Armand Dufrénoy. Ele também foi associado à Faculté des Sciences de Paris a partir de 1822, obtendo uma cátedra de mineralogia em 1841, como sucessor de François Sulpice Beudant. Por muitos anos, Delafosse lecionou na École Normale Supérieure (1826-1857). Sua eleição para a seção de mineralogia na Academia de Ciências ocorreu em 1857. Ele foi membro fundador da Société Geologique de France. Como aluno de Haüy, Delafosse era membro da segunda geração dos criadores da cristalografia moderna. Como seu professor, ele foi guiado por um profundo compromisso com a simetria como o princípio básico para a investigação dos cristais. Ao contrário de Haüy, no entanto, Delafosse distinguia claramente entre a molécula integrante ou subtrativa, uma invenção geométrica, e a molécula química, sem descartar a crença de que a simetria exterior de um cristal deve ser governada pela simetria interna do arranjo molecular. A molécula subtrativa de Haüy poderia então corresponder a grupos de várias moléculas químicas, e a clivagem ocorreria cortando as moléculas subtrativas (em vez de os interstícios entre elas) e ao longo de redes de moléculas químicas que formam uma superfície. Desse modo, Delafosse conseguiu trazer as propriedades hemiédricas dos cristais de acordo com a teoria cristalográfica. Na terminologia moderna, o hemihedralism foi atribuído a uma polaridade geométrica da molécula química. Buscando relacionar a estrutura e a composição química dos cristais, Delafosse investigou o plesiomorfismo, ou similaridade na forma do cristal não acompanhada de identidade química. Seu método de classificação mineral baseava-se na composição química e na forma do cristal. Ele também estudou as relações entre a morfologia dos cristais e suas propriedades físicas, como eletricidade, luz e calor. Entre seus alunos que ampliaram tais estudos estava Louis Pasteur. Portanto, foi mestre de Pasteur na École Normale Supérieure. Dentre os ensinamentos, constavam as leis de simetria de Haüy. "Falando de hemiedria em suas aulas aos jovens alunos da École Normale, Delafosse mostrava que se fazia uma falsa aplicação das leis da simetria. Ele insistia na possível combinação das moléculas nos cristais hemiédricos" (Debré, 1995, p. 61-62). Ref. https://data.bnf.fr/en/12439038/gabriel_delafosse/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/delafosse-gabriel Étienne-Louis Malus 1775-1812 Engenheiro, físico e matemático francês. Participou da expedição egípcia (1798-1801) como oficial da engenharia militar. Membro da Academia de Ciências, seção de física geral (eleito em 1810). Malus, que nasceu em Paris, frequentou a escola militar em Mezières (1793) e a recém-criada École Polytechnique (1794-96), onde recebeu sua educação científica básica. Ele foi comissionado em 1796 e serviu como engenheiro militar na expedição de Napoleão ao Egito e à Síria. Malus acompanhou a invasão de Napoleão ao Egito em 1798 e permaneceu no Oriente até 1801. Após seu retorno à França, ele ocupou vários cargos de engenharia militar. Ele se tornou um examinador em geometria e análise em 1805 e um examinador em física em 1806 na École Polytechnique; essas postagens o colocaram em contato com outros físicos. Malus realizou muitas pesquisas em óptica, que era seu principal interesse científico. Ele é lembrado por sua descoberta em 1808 de que os raios de luz podem ser polarizados por reflexão. Malus a bre então um novo capítulo da ótica física quando observa pela primeira vez o desvio que a luz sofre quando refletida. Chama-lhe polarização: todo raio que apresenta esta propriedade observável é dito polarizado. Morto prematuramente aos 37 anos, seus estudos foram continuados por François Arago (Debré, 1995, p. 62-63). Ref. https://data.bnf.fr/en/13168526/etienne_louis_malus/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100129366#showmorecontent Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Etienne-Louis-Malus Dominique François Jean Arago 1786-1853 Astrônomo, físico e político francês. Ministro da Guerra e Marinha. Secretário permanente da Academia de Ciências, seção de ciências matemáticas (eleito em 1830). Membro da Academia de Medicina (eleito associado libreen 1823), e do Bureau des longitudes. Descobriu o princípio da produção de magnetismo por rotação de um condutor não magnético. Ele também desenvolveu um experimento que provou a teoria ondulatória da luz e se envolveu com outros em pesquisas que levaram à descoberta das leis da polarização da luz. Arago foi educado em Perpignan e na École Polytechnique em Paris, onde, com 23 anos, conseguiu por meio de Gaspard Monge a cadeira de geometria analítica. Posteriormente, foi diretor do Observatório de Paris e secretário permanente da Academia de Ciências. Ele também foi um republicano ativo na política francesa. Como ministro da Guerra e da Marinha no governo provisório formado após a Revolução de 1848, ele introduziu muitas reformas. Em 1820, elaborando a obra de HC Ørsted da Dinamarca, Arago mostrou que a passagem de uma corrente elétrica por uma espiral cilíndrica de fio de cobre fazia com que atraísse limalha de ferro como se fosse um ímã e que a limalha caísse com a corrente. Em 1824, ele demonstrou que um disco de cobre giratório produzia rotação em uma agulha magnética suspensa acima dele. Mais tarde, Michael Faraday provou que esses são fenômenos de indução. Na astronomia, Arago é mais conhecido por sua participação na disputa entre Urbain Le Verrier, que era seu protegido, e o astrônomo inglês John C. Adams sobre a descoberta do planeta Netuno e sobre a nomenclatura do planeta. Arago sugeriu em 1845 que Le Verrier investigasse anomalias no movimento de Urano. Quando a investigação resultou na descoberta de Netuno por Le Verrier, Arago propôs que o planeta recém-descoberto recebesse o nome de Le Verrier. Arago foi aluno de Jean-Baptiste Biot na École Polytechnique e juntos registraram interessantes mensurações de índice de refração nos gases. Arago também foi deputado e duas vezes ministro (Witkowski, 2004, p. 106). "A polarimetria, ou medida de polarização, faz, assim, com que a luz entre na ciência como um modo reativo. Mas Arago não aprofunda no estudo e abandona o tema um ano depois. Será Pasteur quem receberá a herança de Malus para aplicá-la à química molecular, sempre levando em conta os trabalhos de Haüy sobre a composição dos cristais" (Debré, 1995, p. 63). Ref. https://data.bnf.fr/en/12040363/francois_arago/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Francois-Arago Pierre-Joseph Pelletier 1788-1842 Farmacêutico francês. Desenvolveu notável trabalho na pesquisa de alcaloides vegetais. Recebeu o Prêmio Montyon com Joseph-Bienaimé Caventou pela descoberta do quinino. Isolaram estricina, brucina, veratrina e cinchonina. Pelletier nasceu filho de um farmacêutico em Paris, França. Ele estudou e ensinou na École de Pharmacie até sua aposentadoria em 1842. Seu principal trabalho foi a investigação de drogas, que começou em 1809. Por ser o pioneiro no uso de solventes suaves, ele isolou com sucesso numerosos produtos vegetais biologicamente ativos importantes: trabalhando com o farmacêutico francês Bienaimé Caventou (1795-1877) descobriu a cafeína, estricnina, colchicina, quinino e veratrina. Seu maior triunfo, porém, veio em 1817, quando descobriram a clorofila - o pigmento verde das plantas que captura a energia da luz necessária para a fotossíntese. Pasteur inspira-se principalmente nos trabalhos de Pelletier e Caventou sobre a quinina (Debré, 1995, p. 96). Ref. https://data.bnf.fr/en/12331306/pierre-joseph_pelletier/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100314563 Joseph-Bienaimé Caventou 1795-1877 Químico, farmacêutico e toxicologista francês. Foi professor da Escola Superior de Farmácia. Recebeu o Prêmio Montyon com Pierre-Joseph Pelletier pela descoberta do quinino. Isolaram estricina, brucina, veratrina e cinchonina. Descoberta da cafeína. Filho de farmacêutico, concluiu o estágio em farmácia hospitalar e foi encaminhado para o Hospital Saint-Antoine. De 1817-20, ele e seu colega cientista Pierre-Joseph Pelletier (1788-1842) descobriram muitos produtos naturais, incluindo a clorofila, o pigmento verde das plantas. Eles também reconheceram a natureza da morfina, estricnina e cafeína. Sua descoberta mais emblemática foi o quinino, um medicamento derivado da árvore cinchona que encontrou uso como tratamento para a malária. Aos 26 anos, Caventou se estabeleceu como um talentoso investigador e, em 1830, tornou-se professor de química, cargo que ocupou até sua aposentadoria em 1859. Pasteur inspira-se principalmente nos trabalhos de Pelletier e Caventou sobre a quinina (Debré, 1995, p. 96). Ref. https://data.bnf.fr/en/12560270/joseph-bienaime_caventou/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/joseph-bienaime-caventou Antonie van Leeuwenhoek 1632-1723 Naturalista holandês. Foi o primeiro a descrever a circulação do sangue e a forma das células sanguíneas. Alegou a descoberta do esperma. Era amigo de Gottfried Wilhelm Leibniz. É mais conhecido pelas suas contribuições para o melhoramento do microscópio. Seu pai era fabricante de cestos, enquanto a família de sua mãe era de cervejeiros. Antonie foi educado quando criança em uma escola na cidade de Warmond, depois viveu com seu tio em Benthuizen; em 1648 ele foi aprendiz em uma loja de tecidos de linho. Por volta de 1654, ele voltou para Delft, onde passou o resto de sua vida. Ele se estabeleceu no negócio como um draper (comerciante de tecidos); ele também é conhecido por ter trabalhado como agrimensor, avaliador de vinhos e como funcionário público. Em 1676, ele serviu como administrador do espólio do falecido e falido Jan Vermeer, o famoso pintor, que nasceu no mesmo ano que Leeuwenhoek e se acredita que tenha sido seu amigo. E em algum momento antes de 1668, Antonie van Leeuwenhoek aprendeu a moer lentes, fez microscópios simples e começou a observar com eles. Ele parece ter se inspirado a estudar microscopia por ter visto uma cópia do livro ilustrado de Robert Hooke, Micrographia, que retratou as próprias observações de Hooke com o microscópio e foi muito popular. Leeuwenhoek é conhecido por ter feito mais de 500 "microscópios", dos quais menos de dez sobreviveram até os dias atuais. No design básico, provavelmente todos os instrumentos de Leeuwenhoek - certamente todos os que são conhecidos - eram simplesmente lentes de aumento poderosas, não microscópios compostos do tipo usado hoje. Comparado aos microscópios modernos, é um dispositivo extremamente simples, utilizando apenas uma lente, montada em um minúsculo orifício na placa de latão que compõe o corpo do instrumento. O espécime foi montado na ponta afiada que fica na frente da lente, e sua posição e foco podiam ser ajustados girando os dois parafusos. O instrumento inteiro tinha apenas 7 a 10 centímetros de comprimento e precisava ser segurado perto do olho. Os microscópios compostos (isto é, microscópios que usam mais de uma lente) foram inventados por volta de 1595, quase quarenta anos antes do nascimento de Leeuwenhoek. Vários dos predecessores e contemporâneos de Leeuwenhoek, notadamente Robert Hooke na Inglaterra e Jan Swammerdam na Holanda, haviam construído microscópios compostos e estavam fazendo descobertas importantes com eles. Eles eram muito mais semelhantes aos microscópios em uso hoje, embora Leeuwenhoek às vezes seja chamado de "o inventor do microscópio". No entanto, devido a várias dificuldades técnicas em construí-los, os primeiros microscópios compostos não eram práticos para aumentar objetos mais do que cerca de vinte ou trinta vezes o tamanho natural. A habilidade de Leeuwenhoek em polir lentes, junto com sua visão naturalmente aguçada e grande cuidado em ajustar a iluminação onde trabalhava, permitiu-lhe construir microscópios que aumentavam mais de 200 vezes, com imagens mais claras e brilhantes do que qualquer um de seus colegas poderia alcançar. O que mais o distinguiu foi sua curiosidade em observar quase tudo que pudesse ser colocado sob suas lentes e seu cuidado em descrever o que via. Embora ele próprio não soubesse desenhar bem, ele contratou um ilustrador para preparar os desenhos das coisas que viu, para acompanhar suas descrições escritas. A maioria de suas descrições de microrganismos são instantaneamente reconhecíveis. Em 1673, Leeuwenhoek começou a escrever cartas para a recém-formada Royal Society of London, descrevendo o que tinha visto com seus microscópios - sua primeira carta continha algumas observações sobre as picadas de abelhas. Nos cinquenta anos seguintes, ele se correspondeu com a Royal Society; suas cartas, escritas em holandês, foram traduzidas para o inglês ou latim e impressas em Philosophical Transactions of the Royal Society, e muitas vezes reimpressas separadamente. Leeuwenhoek examinou tecidos animais e vegetais, cristais minerais e fósseis. Ele foi o primeiro a ver foraminíferos microscópicos, que descreveu como "pequenos berbigões ... não maiores do que um grão de areia grosso". Ele descobriu células sanguíneas e foi o primeiro a ver células vivas de espermatozoides de animais. Ele descobriu animais microscópicos como nematóides e rotíferos. A lista de suas descobertas é infinita. Leeuwenhoek logo se tornou famoso quando suas cartas foram publicadas e traduzidas. Em 1680 foi eleito membro titular da Royal Society, juntando-se a Robert Hooke, Henry Oldenburg, Robert Boyle, Christopher Wren e outros luminares científicos de sua época - embora ele nunca tenha participado de uma reunião. Em 1698, ele demonstrou a circulação nos capilares de uma enguia para o czar Pedro o Grande da Rússia, e continuou a receber visitantes curiosos para ver as coisas estranhas que ele estava descrevendo. Ele continuou suas observações até os últimos dias de sua vida. "De acordo com a Para-história, a bactéria foi descoberta em 1676 por Anton Van Laeuwenhoek (1632-1723). As técnicas modernas de estudo da Bacteriologia tiveram início em 1870. Dois pioneiros nas pesquisas das bactérias não podem ser esquecidos: Louis Pasteur (1822-1895) e Robert Koch (1843-1910)" (Vieira, 2003, p. 486). Ref. https://data.bnf.fr/en/12136216/antonie_van_leeuwenhoek/ Ref. https://ucmp.berkeley.edu/history/leeuwenhoek.html Próximo Grupo

  • Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil

    Vacinação: Raiva Para designar o micróbio invisível da raiva, Pasteur usa a palavra “vírus”. Ele mantém este termo porque é mais abstrato, porque torna o contágio uma força nociva que é exercida no organismo. Ele adivinha a existência de um vírus porque espera por ele, sem nunca duvidar de sua existência pelo fato de não poder vê-lo (Debré, 1995, p. 463). Nesta etapa, Pasteur se dedica à patologia humana, e ultrapassa a abordagem profilática para inventar uma imunoterapia ativa, o tratamento por estimulação da imunidade. Pasteur se lembrava da angústia de ouvir o comentário de um lobo com raiva que andava na região de Arbois e mordia homens e animais. Na época ele tinha 8 anos. Estudar a raiva seria um benefício para a humanidade e um triunfo para a difusão das descobertas sobre a vacinação. No estudo experimental da raiva, Pasteur tem um predecessor, Pierre Victor Galtier, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo. Para os adversários de Pasteur, encabeçados por Michel Peter, essa descoberta prova que não é possível acreditar nos micróbios, e diz “Pasteur pretende trabalhar com a raiva, e na verdade estuda outra afecção?”. Com a ajuda de Chamberland, Roux e Thuillier, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas, Inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). O segundo paciente será Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). O mesmo sucesso não ocorre com a criança Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). A notícia do tratamento da raiva atravessa oceanos, e 4 crianças norte-americanas são tratadas em Paris e são salvas, trazendo uma publicidade de proporções inesperadas. Poucos meses depois, é a vez de a Rússia apelar para Pasteur e 19 vítimas também são tratadas. Devido ao longo tempo até chegarem a Paris, algumas já estão em estado muito grave, mas 16 se curam. Sabendo do sucesso, o príncipe Alexandre Oldenburg decide fundar em São Petesburgo um laboratório anti-rábico. Adrien Loir é quem vai para a Rússia. O tratamento se difunde e logo também se vacina em Londres, Viena, na Versóvia, e outros. As pessoas vêm de toda parte para o laboratório na Rua Ulm. Pasteur afirma em 1886 que de 1.235 franceses (França e Argélia) tratados preventivamente contra a raiva, o tratamento só foi ineficaz para 3, e diz, “desafio qualquer um a contradizer esses fatos e asserções” (Debré, 1995, p. 497). No entanto, por mais eloquentes que sejam os números apresentados, os adversários de Pasteur procuram as menores falhas, fazendo com que ele tenha que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continua a atacá-lo. Há vezes em que Vulpian é quem responde as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, há aqueles que acusam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Roux continua denegrindo o método e as críticas diárias chegam a impressionar os mais fiéis colaboradores, em particular Adrien Loir. Os ataques repetidos de Peter e a desconfiança de Roux modificam a atmosfera do tratamento, e Pasteur tem dificuldades em convencer os médicos a respeito da eficácia do método. Mesmo com os ataques, inclusive dos jornais da época, Pasteur se mantém seguro de suas convicções, mas já se encontra com mais de 60 anos e começa a sentir alterações do ritmo cardíaco. Cedendo às orientações dos médicos, aceita fazer um pouco de repouso e viaja com a família para a Itália (Debré, 1995, p. 501-504). Os raros fracassos do tratamento são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necrópsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Broudael observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Broudael sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Broudael. Pasteur também precisou lidar com os ataques hostis das revistas especializadas e de publicações da imprensa geral, especialmente alemãs e italianas, e responde cada um dos argumentos. Contudo, só excepcionalmente escreve em jornais de grandes tiragens, preferindo atuar por meio de comunicações acadêmicas. No entanto, Grancher, Vulpian e Charles Richet o defendem sempre que necessário, publicando numerosos artigos que se propagam por toda a França. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Doenças e vacinas. Cão raivoso. Coleta de saliva de cão raivoso. Pasteur e coelhos usados nos experimentos. Pasteur em seu laboratório na École Normale Supérieure em 1885, segurando o frasco contendo a vacina anti-rábica. Óleo sobre tela de Albert Edelfelt, 1886. Joseph Meister, por volta de 1885, quando recebeu a vacina anti-rábica desenvolvida por Pasteur. Pasteur e Jean-Bapiste Jupille, um jovem de 15 anos que foi o segundo paciente vacinado. Pacientes russos de Smolensk em 1886. Pacientes árabes e bretões em 1890. Pasteur, Metchnikoff, pacientes e equipe de apoio ao serviço de vacinação. Pasteur rodeado de pacientes que buscam seu laboratório para a vacinação anti-rábica. Conferência antipasteuriana. Continue lendo a biografia

  • Dole | Pasteur Brasil

    Dole Em 27 de dezembro de 1822 nasce Louis Pasteur. A cidade natal, Dole, no Jura, surgiu no século XI, às margens do rio Doubs, na região de Bourgogne-Franche-Comté, no leste da França. Pasteur nasceu em família modesta. O pai, Jean-Joseph Pasteur (1791-1865), era curtidor e a mãe, Jeanne-Etienette Roqui (1793-1848), provinha de família de jardineiros. O casal se estabeleceu às margens do Canal des Tanneurs, na casa onde Pasteur veio ao mundo às 2h da madrugada, sendo o terceiro de 5 filhos. A casa de nascimento de Pasteur oferece um excelente testemunho do que é a casa de um curtidor. Na lateral do canal, no andar térreo, as caves se abrem diretamente para a água. É ali que os tanques e poços de curtimento são instalados. Acima, estão as lojas e a oficina de ferro forjado. As salas de estar ficam no segundo andar. Finalmente, os secadores coroam o edifício. A família permaneceu em Dole por pouco tempo. Mudou-se de modo definitivo para Arbois, nas margens do rio Cuisance, quando Pasteur tinha 4 anos. A Maison Natale de Pasteur em Dole foi transformada em museu, dedicado à memória do cientista francês, sendo inaugurada em 1923. Quando vivo, em 14 de julho de 1883, Louis Pasteur esteve pessoalmente em Dole para a entrega da placa comemorativa na fachada da casa na Rua Pasteur, 43. Diante da população local, Pasteur discursou em homenagem aos pais: “Ó meu pai e minha mãe! Ó meus queridos falecidos que viveram tão modestamente nesta casinha, é a vocês que devo tudo!" (Pasteur Vallery-Radot, 1956, p. 8). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. http://www.amisdepasteur.fr/sa-maison-natale-a-dole/maison-natale.html http://www.amisdepasteur.fr/sa-maison-natale-a-dole/tannerie.html Fachada da Maison Natale na Rua Pasteur, 43. Placa sinalizadora na fachada da residência transformada em museu histórico, onde se lê: "Aqui nasceu Louis Pasteur em 27 de dezembro de 1822". Berço de Louis Pasteur. Botas usadas por Louis Pasteur na infância. Sinalização do acesso ao antigo curtume de Jean-Joseph Pasteur. Visão interna do curtume. Objetos usados no curtume pelo pai de Louis Pasteur. Objetos pessoais da família de Louis Pasteur. Área interna da atual exposição na Maison Natale. Estante de livros. Oeuvres de Pasteur. Cômodo da exposição na Maison Natale. Discurso proferido por Louis Pasteur quando em 14 de julho de 1883, o cientista esteve pessoalmente em Dole para a entrega da placa comemorativa na fachada da Maison Natale. Carta da Sociedade dos Amigos de Pasteur. Placa na Maison Natale: reconhecimento enquanto monumento histórico. Placa de inauguração. Busto de Pasteur situado ao lado da Maison Natale. Continue lendo a biografia

  • Academia de Medicina | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Academia de Medicina Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Em 1873 Pasteur é eleito para a Academia de Medicina (Debré, 1995, p. 325). Claude Bernard vê em Pasteur um aliado contra médicos que desprezam a fisiologia (Debré, 1995, p. 327). Eles sentam-se lado a lado e conversam familiarmente (Debré, 1995, p. 392). Bernard defende as experiências de Pasteur e reconhece sua originalidade, concedendo-o o prêmio de fisiologia experimental. Ele é mais cientista do que médico, pois a seus olhos, o trabalho de laboratório é que fundamenta a medicina experimental e permite às antigas terapias se transformarem em ciências (Debré, 1995, p. 395). Durante muito tempo o bisturi ficou separado do microscópio. Só as lições de Pasteur e de Claude Bernard, juntos, na Academia de Medicina conseguirão mudar essa mentalidade. Por chocar com os hábitos de uma casta médica, as contribuições conceituais da microbiologia levarão mais de ¼ de século para penetrar nos costumes e práticas médicas (Debré, 1995, p. 301). Bernard preparou o terreno e foi Pasteur quem redesenhou a paisagem médica onde evoluímos há 1 século (Debré, 1995, p. 550). Bernard fala pouco, não sorri e raramente faz algum comentário. Faz inúmeras experiências com animais, relata as observações feitas e redige comunicações extensas para os padrões das Academias. Nunca faz propaganda de si mesmo e diferentemente de Pasteur, nunca quis sair falando de suas teorias e resultados. Apesar de ser reconhecido em toda a Europa como o primeiro fisiologista de sua época, Bernard só se sente à vontade em seu laboratório (Debré, 1995, p. 395). Uma estima recíproca vai unir estes dois amigos, em laços verdadeiramente pessoais. Bernard, uns 10 anos mais velho, sempre apoiou Pasteur prontamente, sobretudo na época da eleição de Pasteur para a Academia de Ciências. Eles se encontravam regularmente e participaram juntos de um pequeno grupo de peritos encarregado por Napoleão III para fazer um relatório sobre a situação do ensino científico na França (Debré, 1995, p. 397). Na ocasião do adoecimento por enterite de Bernard, Louis Pasteur, para apoiar seu amigo em convalescença e em repouso afastado de Paris, publica o artigo “Claude Bernard, importância de seus trabalhos, seus ensinamentos e de seu método”. Para isso, releu todos os trabalhos do amigo fisiologista. Bernard fica emocionado e agradecido, e lhe escreve “a admiração que o senhor demonstra por mim é recíproca”. Quando, por sua vez, Pasteur é atingido por um AVC, Bernard é um dos primeiros a comparecer à sua cabeceira para lhe trazer, afetuosamente, o seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Mais adiante, em 1878, Bernard fica gravemente doente. Acamado, é assistido pelo seu aluno Arsène d´Arsonval, a quem revela suas dúvidas sobre as teorias de Pasteur a respeito das fermentações. Ele acha que o fenômeno independe das leveduras, negando o papel da bactéria como organismo vivo, e diz ter anotações de resultados preliminares confirmando suas hipóteses. Neste mesmo ano, Bernard falece e seu aluno encontra seus papéis no quarto, e percebe que não são resultados, mas um esboço de trabalhos a realizar. D´Arsonoval e seus amigos optam pela publicação e enviam os papéis a Marcellin Berthelot (que não acredita no papel do ser vivo na fermentação), e publica as notas de Bernard em revista científica. A curiosidade é grande por esta publicação, pois Bernard não era amigo de Pasteur? (Debré, 1995, p. 399). Pasteur inicialmente não sabe se deve reagir publicamente, pois sabia ser uma atitude inerente de Bernard a de questionar tudo, a fim de não deixar passar nenhum erro de raciocínio. Pasteur consulta a opinião de colegas na Academia. Alguns aconselham a não se deixar incomodar pelo que seria uma volta ao passado; outros pensam que o respeito à memória de Bernard obriga a responder apenas com fatos, já que Bernard não está presente para sustentar uma discussão. O que mais choca a retidão de Pasteur é polemizar com um morto, no entanto, após ler os documentos por inteiro, decide se posicionar sugerindo que a publicação de Berthelot não é fiel ao pensamento de Bernard e anuncia que está começando uma nova série de experiências sobre fermentação, não para defender sua teoria, mas para dar continuidade aos trabalhos que Bernard não teve tempo de terminar. Naquele ano, as férias de Pasteur são consagradas a estas experiências e consegue resultados taxativos: a levedura é indispensável para a fermentação. Pasteur publica suas conclusões sob a forma de um exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação, onde afirma no final que “a glória do nosso ilustre colega não foi diminuída” (Debré, 1995, p. 401). Charles-Félix-Michel Peter 1824-1893 *Ver a microbiografia de Michel Peter no grupo Vacinação: Raiva. Michel Peter afirma que um médico não precisa se sobrecarregar com os saberes de um químico, de um físico ou de um fisiologista. Dirigindo-se a Pasteur, fala a respeito da febre tifoide: “O que me importa o seu micróbio?”. Em resposta, Pasteur denuncia o que para ele é uma “blasfêmia médica” e insiste que o médico deve não só curar, mas prevenir a doença, e recomenda a profilaxia e a higiene (Debré, 1995, p. 301). Peter é um dos mais influentes membros da Academia, e afirma que “as descobertas das bactérias são curiosidades da história moderna (...) quase sem nenhum proveito para a Medicina” (Debré, 1995, p. 460). Ele e Pasteur se desprezam, mas são parentes afastados do lado de suas esposas, por meio de um ancestral comum, Joseph Loir, que foi veterinário do exército do Egito. Ele havia se casado sob as ordens de Napoleão Bonaparte. Seu neto é Adrien Loir, sobrinho de Pasteur, que trabalha de manhã com Peter e de tarde com Pasteur. Deste modo, participa da briga dos dois “patrões” (Debré, 1995, p. 459). "Na Academia, Peter se arvora de promotor e transforma a assembleia em uma audiência de acusação: 'A desculpa do senhor Pasteur é a de ser um químico, que inspirado no desejo de ser útil, quis dar força à medicina, ciência que lhe é totalmente estranha" (Debré, 1995, p. 460). Gabriel Constant Colin 1825-1896 Veterinário francês. Foi professor da Escola de Veterinária de Alfort. Membro da Academia de Medicina. Filho de Louis Gabriel Colin e Jeanne Claude Amélie Menoux. Após os estudos veterinários, foi nomeado chefe de departamento na Escola de Veterinária de Lyon 1845, chefe de departamento em Alfort 1847, professor de higiene, botânica, zoologia em Alfort 1862, professor de botânica, zoologia e higiene em Toulouse 1865, professor de patologia e terapia geral, manual de operação, doenças parasitárias e encarregado do Departamento de aplicações cirúrgicas de Alfort 1866. Admitido a seu pedido de aposentadoria e nomeado professor honorário em 1887. Eleito membro da Academia de Medicina para a seção de medicina veterinária em 3 de janeiro de 1865. Nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 1869, promovido a Oficial em 1887. Gabriel Colin se revela um adversário da teoria de Pasteur. O veterinário se apoia em 12 anos de trabalho com o carbúnculo para afirmar que Pasteur está errado em acreditar que o bacilo é o responsável pela doença. Colin também se recusa a admitir o fenômeno de incubação de certas doenças. Pasteur se esforça em vão em convencê-lo apesar das explicações. Colin conserva vários adeptos entre os médicos. Diante de vários debates contraditórios na Academia, Pasteur exclama aos jovens que assistem às sessões: “jovens, vocês que se sentam no alto destas arquibancadas provavelmente são a esperança do futuro médico do nosso país. Não venham aqui para procurar a excitação da polêmica; venham se instruir com os métodos” (Debré, 1995, p. 356-358). Ref. https://data.bnf.fr/en/12298184/gabriel_colin/ Ref. https://cths.fr/an/savant.php?id=127642 Mais informações: https://mediatheque.ifce.fr/index.php?lvl=author_see&id=35842 Henri-Marie Bouley 1814-1885 *Ver a microbiografia de Henri Bouley no grupo Academia de Ciências. Bouley, que é veterinário, se declara impressionado com a interpretação de Colin, e embora partidário de Pasteur, convida-o a examinar de perto as objeções que lhe são feitas, as quais Pasteur replica vigorosamente. Porém, cabe ressaltar que Bouley é um dos grandes apoios de Pasteur (Debré, 1995, p. 355). No bem sucedido experimento de Pouilly-le-Fort, dentre o grande público presente, Bouley também está lá e participa do entusiasmo geral (Debré, 1995, p. 448). Na Academia, cada vez que Bouley tenta louvar os méritos de Pasteur, Peter intervém e é aplaudido em nome da medicina tradicional (Debré, 1995, p. 460). Bouley, um dos mais fiéis apoios de Pasteur na Academia de Ciências e na Academia de Medicina, e amigo de Pasteur, falece no mesmo dia que Louise Pelletier, criança de 10 anos que Pasteur tentou salvar da hidrofobia (raiva) (Debré, 1995, p. 495). Alphonse François Marie Guérin 1817-1895 Doutor em medicina francês (Paris, 1847). Cirurgião. Membro (eleito em 1868) da Academia de Medicina, seção de medicina operativa, então presidente em 1884. Ficou famoso com a invenção da bandagem de algodão que tornava possível proteger os feridos de envenenamento e infecção purulenta. Nomeado Cavaleiro da Legião de Honra em 12 de agosto de 1864. Oficial em 1871. Comandante em 1884. Recebe o colar de um alto funcionário da ordem do czar Stanislas II. A Academia de Ciências concedeu-lhe o Prêmio Montyon em 1875 e o Prêmio Godart em 1879. Alphonse Guérin estudou em Paris. Tornou-se Aide d'anatomie em 1843 e obteve o doutoramento em 1847, tornando-se 'prosector' do anfiteatro em 1848. Em 1850, através de concours, tornou-se Chirurgien des hôpitaux. Foi então sucessivamente cirurgião dos hospitais Lourcine (1857) e Cochin (1862), antes de ser nomeado Chirurgien en chef do Hôpital Saint-Louis. Finalmente, em 1872, foi nomeado cirurgião do Hôtel-Dieu. Ele se aposentou desta posição em 1879 para se tornar cirurgião honorário do hospital. Em 1858, os cirurgiões do hospital elegeram-no seu representante no Conseil deillance d'assistance publique e em 1864 no Conseil général de Departement Morbihan do cantão de Mauron. Em 1896 sua cidade natal teve uma homenagem a ele levantada, como o descobridor do curativo de algodão. Além disso, e de seus muitos epônimos, ele também descreveu um procedimento de transfusão de sangue imediata sob o termo "Communauté de la Circulation. Seu principal interesse era a cirurgia urológica. Diversos cirurgiões higienistas, como Alphonse Guérin, Just Lucas-Championnière, Jules Helot, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat e Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene (Debré, 1995, p. 307). "Foi no fim da guerra de 1870 que, na França, um cirurgião, Alphonse Guérin, faz a suposição de que a infecção poderia ser causada pelos germes do fermento descritos por Pasteur. Então, escreve: Acreditava, mais do que nunca, que os miasmas que emanavam do pus dos feridos eram a causa real dessa doença horrorosa pela qual tive a dor de ver sucumbir os feridos. (...) Pensei, então, que os miasmas, cuja existência eu já admitira por não conseguir explicar de outro modo a produção da infecção purulenta e dos quais eu só conhecia a influência deletéria, pode riam ser os corpúsculos dotados de vida, iguais aos que Pasteur vira no ar. (...) Se os miasmas são fermentos, eu poderia evitar sua influência funesta nos feridos, filtrando o ar, como Pasteur havia feito. (...) Imaginei, então, um curativo acolchoado com algodão e tive a satisfação de ver minhas previsões se realizarem" (Debré, 1995, p. 311). Alphonse Guérin cria o laboratório de anatomia e química patológica para observar os benefícios do uso dos curativos acolchoados. Ele associa o abcesso às febres infecciosas (Debré, 1995, p. 327). Pasteur constata que os curativos de Guérin, assim como os de Lister, são os verdadeiros responsáveis pelos sucessos cirúrgicos constatados, graças à filtragem dos germes por essa separação acolchoada e a consequente destruição destes pela solução antisséptica (Debré, 1995, p. 328). Ref. https://data.bnf.fr/en/12107429/alphonse_guerin/ Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/2626.html Mais informações: https://trehorenteuc-eglise-broceliande.fr/docteur-guerin/ Jules-René Guérin 1801-1886 Médico belga, especialista em deformidades do corpo humano, cujo nome está ligado à síndrome de Guérin-Stern, ao sinal de Guérin-Kerguistel, à lei de J. Guérin. Lançou as bases da ortopedia científica e cirúrgica. Fundador e diretor do Medical Gazette of Paris, de 1830 a 1872. Iniciou seus estudos médicos em Paris em 1821, obtendo seu doutorado nessa universidade em 1826. Desde cedo se interessou pelo jornalismo e, dois anos depois, fundou a revista médica Gazette de santé, da qual foi editor e editor, e para a qual também escreveu artigos. Foi rebatizada de Gazette médicale de Paris em 1830, e foi dirigida por Guérin até 1872. Ele era um advogado de sua profissão, trabalhando, entre outras coisas, para a reintrodução de concursos. Além disso, atuou como escritor em diversas sociedades médicas, relator da comissão ministerial instituída pelos médicos e trabalhou em novas leis relacionadas a uma reforma no ensino e na prática da medicina. Com isso, ele procurou garantir a mais elevada liberdade de ensino possível. Ele foi o criador do Feulleton médico. A partir de 1832 passou a fazer mais trabalhos científicos, primeiro investigando a cólera, antes de voltar seu interesse para a ortopedia, que se tornaria sua especialidade e alicerce de sua reputação (1, 4). Depois de publicar alguns trabalhos nessa área, ele conseguiu estabelecer um hospital ortopédico, o Institut de la Muette em Passsy. Um ano depois, em 1839, foi-lhe confiada a liderança de uma unidade ortopédica de um hospital infantil. De 1838 a 1843 surgiram 13 trabalhos sobre problemas ortopédicos. Os fisiológicos foram recebidos com aclamação quase unânime, enquanto os de terapia e patologia foram recebidos com muita animosidade, especialmente a teno e miotonia recomendados por Guérin. Apesar disso, ele recebeu vários prêmios por seu trabalho. Em 1837 recebeu o grande prêmio de 10.000 francos por seu trabalho sobre as diferenças do sistema esquelético. Guérin era o responsável pela revista que fundou por mais de quarenta anos, mas também contribuiu para outras. A partir de 1842 também esteve bastante ocupado como membro da Academia de Medicina (1). Ele tinha 85 anos quando foi a Marselha e Toulon para ajudar as autoridades da cidade a combater um surto de cólera e evitar que se propagasse. Ele recebeu três prêmios Monthyon da Academia por seu trabalho fisiológico. Quando Pasteur faz uma comunicação à Academia de Medicina dizendo que pretende produzir vacinas, mas ainda sem relatar o processo, que ainda iria dar início, os adversários de Pasteur, encabeçados por Jules Guérin o censuram por não comunicar os detalhes de sua técnica e conseguem que a Academia repreenda a conduta de Pasteur. O cientista fica furioso e abatido, pois naquele mesmo período sua irmã (Virginie) acaba de falecer. Pasteur faz diversos rascunhos de uma carta de demissão da Academia, mas volta atrás. Mais adiante, Pasteur estará apto a revelar em detalhes o seu processo experimental de virulência atenuada (vacinação), que marcará o nascimento de uma nova disciplina, a imunologia (Debré, 1995, p. 427-428). As discussões sobre a varíola e a vacina continuam na Academia, o que se torna cansativo para Pasteur. O conflito entre os dois se agrava e Pasteur o responde grosseiramente. Recusando-se a 'responder a curiosidade indiscreta, intempestiva e malsã do senhor Guérin', acrescenta: 'Doravante, seremos dois no combate e veremos qual de nós sairá ferido e machucado desta luta'. A sessão é suspensa por um grande tumulto. Guérin furioso se precipita sobre Pasteur e é impedido pelo barão Larrey, que se interpõe. Na época, Guérin tem quase 80 anos e Pasteur quase 60 anos. "Jules Guérin desafia Pasteur em um duelo" (Debré, 1995, p. 562). Depois de alguns dias, o conflito vai se extinguir e Pasteur aceita se desculpar, cujas palavras ficaram registradas na ata: “Se, no calor do debate, pronunciei alguma palavra ou julgamento que pudesse prejudicar o renome do senhor Jules Guérin, eu as retiro e declaro que nunca desejei ferir nosso sábio colega. Em nossas discussões, só tive uma preocupação, a de defender, energicamente, a exatidão dos meus trabalhos” (Debré, 1995, p. 441-442). Gabriel Colin e Jules Guérin continuam a atacar Pasteur, mesmo após o sucesso do experimento em Poilly-le-Fort. Não raro, Pasteur deixa a sala, com raiva contra os que não compreendem o valor de suas experiências. Finalmente, resigna-se a não mais assistir às sessões da Academia. Sua ausência, no entanto, não impede as controvérsias sobre a teoria microbiana, a teoria do contágio e sobre as terapias propostas (Debré, 1995, p. 459). Ref. https://data.bnf.fr/en/12462139/jules_guerin/ Ref. https://www.researchgate.net/publication/334005498_The_Most_Influential_Scientists_in_the_Development_of_Public_Health_1_Jules_Rene_Guerin_1801-1886 Ref. https://search.proquest.com/openview/1a85063c7254dd03ebf3d9c9468cfb48/1?pq-origsite=gscholar&cbl=1226372 Mais informações: https://www.bookdepository.com/Gazette-Medicale-de-Paris-Vol-2-Jules-Rene-Guerin/9781390324983 Charles-Emmanuel Sédillot 1804-1883 Médico militar e cirurgião francês. O professor Charles Sédillot é um dos pioneiros da medicina moderna, cirurgia, anestesiologia, histopatologia e infectologia. Infelizmente, ele permanece desconhecido fora dos círculos dos historiadores da medicina militar francesa. Foi o primeiro cirurgião do mundo a oferecer técnicas como luxação coxofemoral e uretrotomia interna, tornando-se pioneiro na cirurgia endoscópica. Ao introduzir a anestesia geral na França, ele revolucionou o atendimento ao paciente. Além disso, ele lançou as bases para o tratamento moderno e algorítmico de tumores, adotando os princípios da histopatologia clínica. Muito antes da descrição feita por Semmelweiss (1818-1865), ele previu e compreendeu a existência e a ação dos microrganismos, que chamou de micróbios, no desenvolvimento de infecções pós-operatórias. Por seu trabalho, ele foi homenageado por seus pares na França, mas permaneceu desconhecido além das fronteiras de sua terra natal. Charles Sédillot foi o inventor da palavra “micróbio” (do grego: mikros , “pequeno” e bios , “vida”), que ele propôs em 1878 em suas comunicações à Academia de Ciências, intitulado 'Sobre a influência do trabalho do Sr. Pasteur sobre o andamento da cirurgia'. Sédillot, que conheceu Pasteur enquanto era nomeado Professor de Química em Estrasburgo de 1848 a 1854, escreveu: Esses organismos formam um mundo composto de espécies, famílias e variedades cuja história, mal iniciada, já é rica em previsão e resultados da maior importância. Louis Pasteur (1822-1895), então com 56 anos, aprovou a palavra “micróbio” e ficou profundamente comovido com as marcas de apego que Sédillot lhe conferiu, especialmente porque as críticas não haviam diminuído. Em 19 de março de 1881, Pasteur escreveu em uma carta a Sédillot sobre este assunto: Caro e ilustre mestre, permita-me publicar (e dizer que é feito com sua permissão) a carta em que o senhor Littré aprovava a palavra micróbio , proposto por você, para silenciar os escrúpulos de algumas pessoas mais ou menos interessadas. Queira aceitar, com a esperança de que eu e todos os seus colegas também ajudemos na recuperação da sua saúde, uma homenagem do meu mais profundo e afetuoso respeito. Em conclusão, Sédillot teve um papel importante e impacto no desenvolvimento da medicina e cirurgia modernas. A evocação de sua vida excepcional, rica e eclética deve nos levar a abordar a questão recorrente da adequação da hiperespecialização em medicina e ciências. Em nossa mente, a vida e a obra de Sédillot estão questionando, de forma adequada, paradigmas médicos “estabelecidos”. Sédillot não era membro da Academia de Medicina, mas era um fervoroso partidário de Pasteur. Com 64 anos, foi um dos primeiros a aceitar e encorajar os trabalhos de Pasteur e suas aplicações cirúrgicas. Ele lê uma nota na Academia resumindo a evolução positiva do tratamento das lesões, com curas mais frequentes e redução de gangrenas e amputações. Se relatório termina com uma apologia à palavra micróbio (em vez de animálculo), dizendo: “a palavra micróbio tem a vantagem de ser mais curta e de possuir um significado mais geral e, tendo meu ilustre amigo Littré, o linguista mais competente da França, aprovado esse nome, nós o adotaremos” (Debré, 1995, p. 408). Ref. https://data.bnf.fr/en/12337301/charles_sedillot/ Mais informações: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1743919112007601?via%3Dihub Mais informações: https://www.academie-sciences.fr/fr/Liste-des-membres-depuis-la-creation-de-l-Academie-des-sciences/les-membres-du-passe-dont-le-nom-commence-par-s.html Maximilien-Paul-Émile Littré 1801-1881 Médico, filósofo, filólogo, lexicógrafo e político francês. Membro da Academia de Medicina (eleito em 1858) e membro da Academia Francesa (eleito em 1871). Estudioso da língua francesa, lexicógrafo e filósofo cujo monumental Dictionnaire de la langue française, 4 vol. (1863-73; “Dicionário da Língua Francesa”), é uma das realizações lexicográficas mais notáveis de todos os tempos. Littré era unanimemente respeitável, sendo descrito como uma das grandes mentes do século, e pela sagacidade de sua mente, Ernest Renan disse ser “uma das consciências mais completas do universo”. Foi autor do célebre Dictionnaire, e mesmo deixando de praticar a medicina, torna-se um erudito na área. Deste modo, torna-se a autoridade mais competente para batizar os pequenos organismos que Pasteur detectou em seu microscópio. Em resposta a Sédillot afirma: “para designar os animálculos, eu daria preferência a ‘micróbio’; primeiro, porque, como você diz, é mais curto, depois porque ele destina ´microbia´, substantivo feminino, para a designação de estudo do micróbio” (Debré, 1995, p. 410). Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). "Nos bancos da antiga Casa de Caridade, Pasteur encontra cinco dos maiores positivistas: Claude Bernard, Émile Littré e, é claro, Marcelin Berthelot; também Paul Broca, o célebre neurologista a quem se deve a primeira descrição anatômica do cérebro e Charles Robin, colaborador de Littré, inventor das palavras "hemácias" e "leucócitos" para designar os glóbulos vermelhos e brancos do sangue. Como revelam as atas das sessões, depois da morte de Claude Bernard, esses cientistas deixam Pasteur lutar sozinho. Por ocasião da famosa comunicação de maio de 1880, quando Pasteur descreve o estafilococo do furúnculo como sendo também responsável pela osteomielite, nenhum deles toma a palavra para destacar a importância da descoberta" (Debré, 1995, p. 416). Ref. https://data.bnf.fr/en/11913139/emile_littre/ Mais informações: NAHAS, Jacqueline; F ERNANDES, Pedro. Homo lexicographus. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2017. Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Paul-Emile-Littre Mais informações: https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803100109344 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/littre-maximilien-paul-emile Edmé Félix Alfred Vulpian 1826-1887 *Ver microbiografia de Alfred Vulpian no grupo Vacinação: Raiva. Vulpian era um dos médicos mais respeitados de sua época. Torna-se membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. Após o sucesso do tratamento e diante da Academia de Ciências, Vulpian pede a palavra dizendo que Pasteur trabalhou durante anos, com uma série de pesquisas feitas sem interrupção até criar um tratamento do qual não duvida do sucesso (Debré, 1995, p. 489, 494). Jean-Martin Charcot 1825-1893 Doutor em Medicina francês (Paris, 1853). Especialista em doenças nervosas para as quais estabelece a nosologia. Conhecido por suas descobertas sobre esclerose múltipla, doença de Parkinson e por suas "aulas de terça-feira" sobre hipnotismo exercido sobre histéricos em La Salpêtrière, Paris. Diretor do Service des hysteriques de la Salpêtrière, Paris. Jean-Martin Charcot foi indiscutivelmente o médico mais conhecido da França durante o início da Terceira República. Ele foi reconhecido por suas brilhantes realizações em três campos distintos da medicina clínica : neurologia, geriatria e medicina interna . Ele também era conhecido pelo círculo de estudantes de medicina leais e talentosos que orientou e por suas extravagantes demonstrações de síndromes patológicas. Além de suas atividades médicas, Charcot conviveu com políticos poderosos, se esforçou para fazer avançar a agenda legislativa do republicanismo francês e reuniu a elite da sociedade cultural parisiense em sua casa para salões semanais. Após a descoberta da vacina da raiva, Charcot aproveita para posicionar-se perante os inimigos de Pasteur na Academia: “o inventor da vacina antirrábica hoje, com mais razão do que nunca, pode andar com a cabeça erguida e prosseguir o cumprimento de seu glorioso labor sem deixar-se desviar dele, no mínimo pelos clamores da contradição sistemática ou pelas insidiosas murmurações da difamação” (Viñas, 1991, p. 156). Ref. https://data.bnf.fr/en/12424494/jean-martin_charcot/ Ref. https://www.encyclopedia.com/history/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/charcot-jean-martin Ulysse Trélat 1828-1890 Cirurgião francês. Doutor em medicina (Paris, 1854). Agrégé da Faculdade de Medicina de Paris. Professor de medicina (1872). Membro da Academia de Medicina (1874). Trélat era filho do médico do exército de mesmo nome (1795-1879). Ele recebeu sua educação científica e prática de seu pai, Philippe-Frédéric Blandin (1798-1849), Philibert Joseph Roux (1780-1854) e Auguste Nélaton (1807-1873). Tornou-se assistente de anatomia em 1853, recebeu o título de doutor em medicina em 1854 e em 1855 assumiu a função de procurador. Ele se tornou agrégé em 1857, chirurgien des hôpitaux em 1860, chirurgien-en-chef na Maternité em 1864. Após extensa prática em outros grandes hospitais de Paris, ele se tornou professor de cirurgia clínica no Hôpital Necker em 1860, e em 1872 foi eleito membro da academia. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/10737796/ulysse_trelat/ Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/1682.html Jacques François Édouard Hervieux 1818-1905 Médico francês. Muito de seu trabalho foi com doenças de mulheres e crianças; o mais notável é o Tratado clínico e prático das doenças puerperais após o parto, onde Hervieux estudou todas as doenças das puérperas do ponto de vista triplo clínico, necroscópico e terapêutico. Este livro, fruto de dez anos de prática em um hospital reservado exclusivamente para o parto e suas consequências, começa com a apresentação da doutrina da intoxicação puerperal, pela qual Hervieux explica a mortalidade que grassa nos hospitais. A par da profissão de obstetra, esteve também envolvido na vacinação, da qual a Academia de Medicina era um dos centros, da qual era diretor. Embora ele mesmo fizesse as vacinas, tinha menos em vista o estudo anatômico e fisiológico dos procedimentos do que sua aplicação profilática imediata. Ele aproveitou todas as oportunidades para intervir assim que chegou uma comunicação a esse respeito e, ao menor alarme, partiu apressadamente em campanha; no dia seguinte à sessão em que o mal havia sido denunciado, ele era visto chegando, às vezes de madrugada, para indagar sobre os fatos relatados e dar sua resposta. Era para ele um sinal de atividade febril, de necessidade de luta, de qualquer explosão ou ameaça de varíola, seja no território ou nas colônias, ou no exterior. Ainda mais, se fosse uma epidemia excepcional. Em 1870, a varíola eclodiu no exército francês, provada pelas misérias do cerco de Paris. Só o hospital Bicêtre recebeu quase 10.000 varíola em três meses. De todos os médicos presentes, nenhum sentiu uma agitação mais profunda do que Hervieux. Essas preocupações com a varíola, que deviam absorver o fim da vida de seu autor, em nada diminuíram a importância de suas outras obras, nem diminuíram o mérito de inúmeras produções sobre os mais diversos temas da patologia médica. Ele foi eleito membro da Academia de Medicina na seção de partos em 10 de junho de 1873. Foi presidente no ano de 1896. Certa vez, Pasteur interrompeu aos brados uma conferência sobre febre puerperal, de Édouard Hervieux, um famoso ginecologista, repleta de termos gregos e romanos, mas sem fazer menção aos microrganismos, para afirmar: "O que está matando as mulheres com infecção puerperal não é nada disso! São vocês, médicos, que transportam micróbios mortais das mulheres doentes para as salas". Colhendo sangue e secreções vaginais das pacientes de Hervieux, que gentilmente abriu a Pasteur as suas enfermarias, Pasteur conseguiu isolar microrganismos nas culturas de caldo de galinha que ele desenvolveu, identificando o estreptococo como o agente causador da febre puerperal, e para sua profilaxia indicou a anti-sepsia com ácido bórico. Ref. https://data.bnf.fr/en/10708546/edouard_hervieux/ Ref. https://www.ccih.med.br/wp-content/uploads/2014/07/capitulo7-As-bases-do-hospital-contempor%C3%A2neo-a-enfermagem-os-ca%C3%A7adores-de-micr%C3%B3bios-e-o-controle-de-infec%C3%A7%C3%A3o.pdf Ref. http://cths.fr/an/savant.php?id=3827# Louis-Félix Terrier 1837-1908 Médico cirurgião francês. Lecionou no Hôpital de la Pitié, Paris. Louis-Félix Terrier nasceu em Paris em 1837. Iniciou os estudos veterinários na Maison-Alfort em 1854 e em 1859 matriculou-se na Faculdade de Medicina da capital francesa. Em 1862 foi internado nos serviços de Jarjavay, Oulmont, Gosselin e Chassaignac. Em 1870 obteve o grau de doutor com a tese De l'oesophagotomie externe (Paris, Baillière, 1870), e em 1872 a agregação com a obra Des anévrismes cirsoïdes (Paris, Baillière, 1872). Foi cirurgião do Central Bureau (1873), cirurgião dos hospitais Salpêtrière (1878), Saint-Antoine (1882) e Bicaht (1883). Ele também foi professor de cirurgia clínica (quarta cadeira) em La Pitié. Quanto ao seu trabalho científico, pode-se dizer que trouxe "o espírito bacteriológico de Pasteur" para as salas de cirurgia e se declarou a favor da esterilização com ar seco. A assepsia permitia que ele, como Courvoisier, penetrasse em campos como a cavidade abdominal que antes eram proibidos. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/12337285/felix_terrier/ Ref. https://historiadelamedicina.org/terrier.html Just Marie-Marcellin Lucas-Championnière 1843-1913 Cirurgião francês em hospitais de Paris. Membro da Academia de Ciências, secção de medicina e cirurgia (eleito em 1912). Membro da Academia de Medicina, seção de medicina operativa (eleito em 1894). Editor-chefe do "Journal of Practical Medicine and Surgery". - Neto do oficial Vendée Pierre-Suzanne Lucas de La Championnière. Just Lucas-Championnière é um médico francês, nascido em Saint-Léonard no Oise em 15 de agosto de 1843 e morreu em 22 de outubro de 1913 em Paris, de um acidente vascular cerebral, durante uma intervenção pública na Academia de Ciências durante a qual acabava de entregou uma importante comunicação sobre trepanação pré-histórica. Filho do doutor Just Lucas-Championnière (1803-1858), fundador da Revista de medicina prática e cirurgia , a primeira revista profissional amplamente distribuída destinada a clínicos gerais disponível nos CFDRMs , ele será codiretor com seu irmão Paul Championnière. Estagiário em medicina em 1866, passou sua tese de doutorado em 1870 antes de ingressar na 5ª ambulância internacional durante a guerra de 1870. Foi nomeado cirurgião hospitalar em 1874. Dirigiu sucessivamente os serviços cirúrgicos do hospital Cochin (maternidade), hospital Tenon, Hospital Saint-Louis, hospital Beaujon e, finalmente, Hôtel-Dieu, até sua aposentadoria em 1906. Em 1867, ainda estudante de medicina, Just Lucas-Championnière ficou intrigado com um artigo na revista médica The Lancet onde o cirurgião britânico Joseph Lister descreveu o trabalho de antissepsia, inspirado nas teorias de Louis Pasteur, que vinha desenvolvendo para dois anos na Glasgow Royal Infirmary. No ano seguinte, ele viajou para a Escócia para observar os métodos de Lister, fez amizade com ele e passou um mês em seu serviço. Em janeiro de 1869, publicou o primeiro artigo em francês sobre as virtudes da antissepsia. Ele será um propagandista fervoroso por toda a vida. Ele é o autor da primeira obra de referência francesa sobre este método, o Manual de cirurgia anti-séptica , publicado em 1875 (segunda edição 1880). Nomeado diretor da maternidade do hospital de Cochin, ele introduziu a antissepsia por meios muito simples: ensaboar as mãos antes das operações, tratar feridas com ácido carbólico. A queda da mortalidade no parto é espetacular: “Em seu departamento de Cochin, em 1878, a mortalidade era de apenas 2 por 1000, enquanto no mesmo ano, nos hospitais onde não se praticava antissepsia, a mortalidade às vezes era de 50 por 1000 ”. Também realizou inúmeros trabalhos considerados na época muito inovadores sobre a cura radical das hérnias (1880-1893) , a trepanação guiada por localizações cerebrais (1878) ou o tratamento de fraturas (1887-1895). Ele é o autor de Tratamento de fraturas por massagem e mobilização de 1895. Currículo: Eleito membro da National Academy of Medicine em 1894 e do Institut de France (Academy of Sciences) em 1912, Just Lucas-Championnière também foi cooptado por prestigiosas instituições estrangeiras: Royal College of Surgeons de Londres, Royal College Edinburgh Surgeons , New York Medical Academy. Ele também foi um doutor honorário da Universidade de Edimburgo e da Universidade de Sheffield. Foi eleito presidente da Sociedade de Cirurgia em 1894, da Associação Francesa de Cirurgia em 1901 e da Sociedade Internacional de Cirurgia em 1911. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). "Em 1869, um jovem cirurgião, Just Lucas-Championnière, vai a Glasgow para encontrar Lister. Ele volta entusiasmado, mas seu relatório, publicado no Journal de médicine et de chirurgie pratique, não convenceu ninguém. Ele vê recusada a solicitação para experimentar, na França, o método de Lister. Só consegue uma evolução das mentalidades em 1874: chamado para substituir o chefe do serviço do hospital Lariboisière, onde todos os feridos têm supuração, ele pode, então, mostrar a eficácia da anti-sepsia. Essa primeira experiência coincide com o início das relações diretas entre Lister e Pasteur" (Debré, 1995, p. 321). "Just Lucas-Championnière, um dos primeiros a introduzir as teorias de Pasteur no hospital, é neto de um chefe vendéen (nome dado durante a Revolução Francesa aos insurretos monarquistas do oeste da França) - seus adversários se aproveitam disso para acusá-lo de obscurantismo católico..." (Debré, 1995, p. 417). Ref. https://data.bnf.fr/en/12950431/just_lucas-championniere/ Ref. http://www.cfdrm.fr/CV_Just_Lucas-Championniere_fils_1843-1913.htm Ref. http://www.whonamedit.com/doctor.cfm/3332.html Mais informações: https://education.persee.fr/doc/revin_1775-6014_1913_num_66_2_9105 Mais informações: https://www.academie-sciences.fr/pdf/eloges/lucas_vol3268.pdf Étienne-Stéphane Tarnier 1828-1897 Médico obstetra francês. Pioneiro da medicina neonatal e inventor da incubadora. Stéphane Tarnier estudou medicina em Paris e se tornou o decano da obstetrícia na França durante a segunda metade do século XIX. Ele foi pioneiro em muitos avanços e encorajou uma abordagem perinatal para o parto que foi desenvolvida por seus discípulos, Budin e Pinard. Tarnier também cuidava da alimentação dos recém-nascidos e, mais particularmente, das crianças prematuras. O final da década de 1880 viu um verdadeiro boom na nutrição infantil, especialmente com as descobertas de Pasteur, e a esterilização então se tornou a regra. Ele se interessou pela causa e prevenção da febre puerperal, que na época ceifava a vida de uma em cada seis parturientes no hospital. Em 1857, Tarnier apresentou à Académie sua dissertação inaugural sobre o assunto. Ele mostrou que a mortalidade por sepsia puerperal foi 13 vezes maior no hospital do que nas mulheres que deram à luz no bairro fora e declarou estar convicto de que a doença era contagiosa. Tal sugestão foi considerada muito polêmica na época, mas seu chefe, Paul Dubois, ficou impressionado e o nomeou chefe da clínica da Maternité e, em 1867, cirurgião-chefe. Durante os 22 anos seguintes sob sua direção, a higiene do hospital foi melhorada; ele introduziu o isolamento de casos infectados e foi o primeiro na França a adotar a antissepsia de Lister, incluindo o spray de ácido carbólico e uma técnica de exclusão peritoneal para cesariana. A mortalidade por infecção puerperal na Maternité caiu de 93/1000 partos para 23/1000 no período de 1870-1880, e então para 7/1000 na década seguinte. Eventualmente, 1000 mulheres consecutivas deram à luz no hospital sem qualquer perda materna. Os estudos de Tarnier sobre a febre puerperal de mais de 40 anos foram publicados em 1894. 4 Em 1886, ele e Oliver Windell Holmes foram nomeados os honorários da Universidade de Edimburgo. Em 1891, Tarnier foi eleito presidente da Academia de Medicina de Paris. Ele estava sobrecarregado há muitos anos e seis anos depois decidiu se aposentar. No mesmo dia de sua aposentadoria, ele sofreu um derrame e morreu pouco depois, em 22 de novembro de 1897. Ele tinha 69 anos. Assim morreu um homem que era amado por seus alunos e adorado por seus pacientes. Ele havia lançado as bases do cuidado perinatal na França. Talvez, porém, sua maior contribuição tenha sido nos homens que treinou, homens como Pierre Budin e Alphonse Pinard que levaram adiante e desenvolveram seus conceitos. Na década de 1860, "São os cirurgiões que vão obrigar Pasteur a deixar de lado a timidez a respeito da medicina humana: explicitando as hipóteses do mestre, Alphonse Guérin, Just-Lucas Championnière, Stéphane Tarnier, Ulysse Trélat, Félix Terrier encorajam Pasteur a interpretar e exaltar os méritos da assepsia e da anti-sepsia, e a pregar o combate contra o contágio por meio da higiene" (Debré, 1995, p. 307). Ref. https://data.bnf.fr/en/13479433/etienne_tarnier/ Ref. https://fn.bmj.com/content/86/2/F137 Mais informações: https://fr.aleteia.org/2018/11/16/stephane-tarnier-le-medecin-qui-a-consacre-sa-vie-aux-meres-et-aux-enfants/ Mais informações: https://embryo.asu.edu/pages/etienne-stephane-tarnier-1828-1897 Mais informações: https://www.cambridge.org/core/books/eponyms-and-names-in-obstetrics-and-gynaecology/tarnier-etienne-stephane-18281897/4610AAE20D62E806A228DB3110C26C25 Próximo Grupo

  • Doenças do Bicho-da-Seda | Pasteur Brasil

    Doenças do Bicho-da-Seda Em 1865, a pedido de Jean-Baptiste Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda (Debré, 1995, p. 203). Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio. Pasteur aceitou o pedido de Dumas, em parte por sua devoção ao mestre. É provável que ele também ansiava pela oportunidade de abordar o campo da patologia experimental, como sugere uma frase de sua carta de aceitação; "Pode ser que o problema ... se enquadre nos meus estudos atuais." Há muito ele previa que seu trabalho com fermentação teria consequências para o estudo dos processos fisiológicos e patológicos do homem e dos animais, mas sua falta de hábito com problemas biológicos foi reconhecida e a insistência de Dumas o ajudou a enfrentar uma experiência que tanto desejava como ele temia (Dubos, 1967a, p. 185). Serão 6 anos dedicados esta pesquisa. Além do sentimento de gratidão ao seu professor, há a possibilidade de salvar uma indústria importante da França, além de pesquisar a possível intervenção do micróbio em seres vivos . As doenças do bicho-da-seda permitirão Pasteur compreender as causas das epidemias. É dito que a lagarta é que o conduzirá ao homem. Pasteur, juntamente com o seu assistente Duclaux vai até a Sorbonne ter aulas com Claude Bernard. Toma notas, como na época da faculdade, mas não tem muito tempo para isso e opta por formar uma ideia pessoal sobre o assunto e segue viagem ao Gard (Debré, 1995, p. 209). Tem contato com Jean Henri Fabre, entomologista, chamado de Homero dos insetos, onde então pela primeira vez vê um casulo e o sacode perto do ouvido. Fabre fica maravilhado com a segurança de Pasteur que, mesmo sem conhecer o bicho-da-seda, chegava para reabilitá-lo (Debré, 1995, p. 210). Pasteur é criticado pelos sericicultores antes mesmo das primeiras verificações práticas e acham lamentável que o governo tenha confiado a um químico o cuidado de esclarecer uma doença tão misteriosa. Ele vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis e depois retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene. Duclaux afirma que obviamente eles não eram a cabeça pensante, pois Pasteur guardava para si suas ideias e projetos. Porém, relata que eles acreditavam adivinhá-las e que isso era suficiente para que as milhares de observações microscópicas de todo dia se tornassem atraentes e despertassem interesse. Depois da morte da filha de Pasteur, Cécile, aos 12 anos, a esposa Marie e a filha mais nova, Marie-Louise, vão se juntar a Pasteur em Alès, e elas também participam do trabalho, realizando experiências microscópicas, acompanhamento das criações e colheita das folhas. O filho mais velho, Jean-Baptiste, fica em Paris para estudar. Pasteur introduz o microscópio entre os sericicultores de Alès, e afirma que o método é fácil, e até uma criança é capaz de fazer. Diz: “Há em meu laboratório uma menina pequena de 8 anos de idade que aprendeu a usá-lo sem dificuldade” (Dubos, 1967a, p. 188). Existem aqueles que se convencem e também os céticos que se recusam a aplicar o método e continuam a criticá-lo, preferindo usar outros remédios. A maioria dos jornais de agricultura prática divulgam relatórios, pareceres e testemunhos, a maioria favoráveis a Pasteur. Nesta mesma época, Pierre-Jacques-Antoine Béchamp era professor da Faculdade de Montpellier, e também estudou doenças do bicho-da-seda e, em 6 de junho de 1865, o mesmo dia em que Pasteur deixou Paris para Alès, fez uma comunicação à Société d Agricultura em Hérault, onde presumiu que a pebrina era parasita. Propôs uma remediação que, seja por serem de baixa eficácia, seja por serem mal aplicados, não surtiram efeito. Por muito tempo, Pasteur se opôs a Béchamp, considerando que a pebrina era constitucional e não parasitária e só depois de vários anos é que ele finalmente admitiu essa natureza parasitária. Diz-se que Pasteur ocultou a obra de Béchamp (Brunet, 2017, p. 147-148). Depois de alguns anos, a doença (pebrina) é esclarecida, porém, nem tudo estava resolvido. Depois, Pasteur percebe que havia uma segunda doença no bicho-da-seda, chamada flacidez. Duclaux e os outros colaboradores ficam entusiasmados para recomeçar a identificação e a prevenção da nova doença descoberta. Pasteur, de início está desencorajado. Duclaux escreve “éramos jovens e tínhamos confiança, não em nós, mas nele” (Debré, 1995, p. 227). Procurando por meios de prevenção, Pasteur observa a pequena filha Marie-Louise. Quando ela cria as larvas na lareira vazia da sala de jantar, ele nota que as criações estão sempre saudáveis e acha que é devido à saída de ar pelo duto, então aconselha ventilação (Debré, 1995, p. 232). Por outro lado, os comerciantes de sementes difundem notícias enganosas sobre os métodos de Pasteur para a prevenção das doenças do bicho-da-seda. O sogro de Pasteur demonstra preocupação e escreve a Marie: noticiaram por aqui que o pouco sucesso dos procedimentos de Pasteur causou comoção na população a ponto de obrigá-lo a deixar a cidade, agredido pelas pedras que os habitantes jogavam de todos os lados (Debré, 1995, p. 234). Pasteur escreve ao Ministro da Agricultura, Jean-Baptiste Dumas, em 1868: “... É próprio de todas as novas práticas uma dificuldade para se impor às pessoas interessadas e até inspirar, de início, a inveja de uns e a desconfiança de muitos”. Enquanto o debate sobre o método de sementagem prossegue no sul, Pasteur encontra em Paris um aliado especial: o marecham Vaillant, ministro da casa do Imperador e membro do Instituto da Sociedade Imperial e Central de Agricultura. Ele mesmo iniciou uma pequena criação de bicho-da-seda em seus escritórios, inspirada no sistema de Pasteur. Convencido de que se tratava de uma técnica eficaz e desejoso de que uma vez por todas fosse colocado um fim nas discussões, não só por causa de Pasteur, mas pela indústria, Vaillant tem a ideia de aplicar o processo em uma serigaria imperial. Devido às suas funções, dentre as quais a manutenção da produtividade das propriedades imperiais, Vaillant aplica o método no local e propõe a Pasteur a fiscalizar as experiências na Vila Vicentina. Como Pasteur estava em convalescença do 1º AVC, ainda enfraquecido, vai acompanhado da esposa e dos dois filhos. Neste período, reúne publicações, notas e documentos e dita a Marie, página por página, aquilo que se transformará em um grosso livro (Debré, 1995, p. 240-241). A colheita de casulos daquele ano é um sucesso, e Vaillant escreve ao imperador Napoleão III dizendo que ele está maravilhado e pensa recompensá-lo com uma cadeira no Senado, assim como fez com Dumas e Claude Bernard. O nome de Pasteur é indicado “pelos serviços prestados à ciência por meio de seus belos trabalhos”. A estada nesta propriedade imperial coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, ele dedica a publicação de seu trabalho à imperatriz Eugénia de Montijo, escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Banner da Expo Pasteur na fachada do Palais de la Découverte em Paris, França. Expo Pasteur no Palais de la Découverte em Paris, França. Personalidades envolvidas na resolução das doenças do bicho-da-seda. Imagem da Expo Pasteur no Palais de la Découverte em Paris, França. Em 1865, a pedido de Jean-Baptiste Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Ele solicita, então, a cooperação de Pasteur para salvar a seda. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda no Instituto Pasteur de Lille, na França. Désiré Gernez. Eugène Maillot. Jules Raulin. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda no Instituto Pasteur de Lille, na França. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda no Instituto Pasteur de Lille, na França. Jean-Henri Fabre. Émile Duclaux. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda na Maison natale de Pasteur na cidade de Dole, França. Exposição sobre as doenças do bicho-da-seda na Maison natale de Pasteur na cidade de Dole, França. Marie e Louis Pasteur. Marie-Louise Pasteur. Continue lendo a biografia

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