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  • Pasteurianos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Pasteurianos Jules Raulin 1836-1896 *Ver microbiografia de Jules Raulin no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Jules Raulin pertencia à primeira geração de estagiários, na época da química fermentativa. Passou a fazer parte da história das ciências como inventor de um novo caldo de cultura. Era um dos alunos preferidos de Pasteur e terminou sua carreira como professor de química industrial em Lyon. Raulin e Eugène Maillot ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu 1º AVC. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Eugène Maillot 1841-1889 *Ver microbiografia de Eugène Maillot no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Eugène Maillot e Jules Raulin ajudaram Pasteur no laboratório da Rua Ulm, inclusive logo após o seu 1º AVC. Eles iam até a casa de Pasteur para receber as ordens do dia e dar a continuidade aos experimentos (Debré, 1995, p. 521; Garozzo, 1974, p. 116). Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 *Ver microbiografia de Désiré Gernez no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Quando Pasteur vai a Paris com algumas mariposas e crisálidas saudáveis, retorna a Alès acompanhado de dois ex-alunos que se tornaram seus assistentes, Désiré Gernez e Eugène Maillot. Mais tarde, Émile Duclaux e Jules Raulin vão também se juntar a eles. Eles se engajam durante vários meses neste projeto e se estabelecem em uma casa que servirá de moradia para todos e que também será transformada em laboratório. Eles viviam em comunidade nesta grande casa, mantida sempre limpa. O trabalho era duro. Levantam-se às 4h30 para observar as larvas e no local era preconizada a mais rigorosa higiene (Debré, 1995, p. 215). Jules François Joubert 1834-1910 Doutor em Ciências Físicas (1874) francês. Professor de física. Inspetor Geral de Educação Secundária. Jules Joubert é da segunda geração, a da biologia médica. Professor de física em um liceu de Paris, vai para a rua Ulm testar a ação dos agentes físicos sobre os micróbios. Físico, antes de tudo, interrompe a colaboração com Pasteur para voltar aos campos magnéticos e aos solenoides, acabando como Inspetor da Academia de Paris (Debré, 1995, p. 377). Ref. https://data.bnf.fr/en/13479027/jules_joubert/ Mais informações: https://digital.sciencehistory.org/works/0k225b14x Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 *Ver microbiografia de Charles Chamberland no grupo Doenças Infectocontagiosas. Charles Chamberland substitui Jules Joubert. Na época, tem 27 anos ao entrar para o laboratório. Suas origens no Jura despertam a simpatia de Pasteur. Alegre e bom vivant, possui uma mente engenhosa e aprecia a inovação técnica. Devemos a ele a invenção da autoclave. Uma curiosidade: ao se queixar de numerosos furúnculos no pescoço, nuca e coxa, Pasteur o examina e propõe uma experiência: colhe um pouco de pus de sua nuca e o cultiva. Deste modo, descobre o estafilococo, o mais frequente dos germes patogênicos (Debré, 1995, p. 384-385). Chamberland, no Instituto Pasteur é quem orienta o serviço das vacinas (Debré, 1995, p. 521). Louis Thuillier 1856-1883 *Ver microbiografia de Louis Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. Pierre-Augustin B ertin, físico, amigo desde a juventude de Pasteur é quem seleciona os primeiros estagiários entre seus próprios alunos. Louis Thuillier é um dos escolhidos e se dedica ao estudo da erisipela suína. Pasteur cria grande amizade pelo jovem e fica muito abalado com a sua morte precoce no Egito, onde havia ido estudar a cólera. Thuillier falece em serviço, na cidade de Alexandria, com apenas 26 anos. Émile Duclaux 1840-1904 *Ver microbiografia de Émile Duclaux no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. Duclaux chega em 1862, em plena época da discussão sobre as gerações espontâneas. Mesmo atuando como professor de química, participa ativamente dos trabalhos de Pasteur, tanto na época do bicho-da-seda como nos estudos do vinho. Ele se torna o diretor técnico do laboratório. Muito ordeiro, controla para que tudo fique no lugar. É a ele que procuram quando é necessário tomar alguma decisão e não querem incomodar Pasteur. Diante das respostas de Pasteur a todos os seus contestadores, Duclaux, pela proximidade afetiva, escreve a Pasteur “enxergo perfeitamente o que o senhor perde nessas lutas: seu descanso, seu tempo, sua saúde. Procuro, em vão, o que o senhor pode ganhar com isso” (Debré, 1995, p. 364). No Instituto Pasteur, Duclaux é o responsável pela microbiologia geral (Debré, 1995, p. 521). Após a morte de Pasteur em 1895, Duclaux tornou-se diretor do Instituto, com Roux e Chamberland servindo como seus sub-diretores. Duclaux escreve a biografia de Pasteur, denominada Pasteur, histoire d'un esprit. Paris, França: Imprimerie Charaire, 1896. Participou da fundação de universidades populares e da Liga dos Direitos Humanos, e pela defesa do capitão Dreyfus, antes mesmo de Émile Zola, Duclaux é recebido com entusiasmo nos círculos Dreyfus, principalmente pela elite científica. A posição de Duclaux em março de 1898 o faz aparecer como um dos mais destacados porta-vozes dessa nova força que são os intelectuais. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 *Ver microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. Duclaux é quem apresenta Émile Roux a Pasteur. Na época, ele era um jovem estudante de Medicina e um dos mais assíduos ouvintes dos debates de Pasteur na Academia de Medicina. Sua chegada começa com a aplicação de uma injeção na ausência de Pasteur, o que contrariou Pasteur, mas a continuação da experiência mostrou que o jovem sabia o que estava fazendo, então Pasteur o escolheu como estagiário (Debré, 1995, p. 360, 379). Pessoa solitária, sem ambição aparente e que se tornará o mais próximo colaborador de Pasteur (Debré, 1995, p. 360, 379), Roux se torna, nas palavras de Debré (1995, p. 531-532) o campeão das terapias antiinfecciosas, com imensas contribuições na cura da difteria, por exemplo. É considerado também o discípulo mais contraditório de Pasteur. Em certas ocasiões ele não hesitava em se opor ao mestre, apesar de respeitar a hierarquia e os 30 anos de diferença de idade que os separavam. Quando Pasteur chegava a algum resultado, construía uma teoria e a expunha, Roux nunca deixava de procurar uma falha, o que se tornou irritante para Pasteur, que reclamava: “como esse Roux é desagradável. Se eu o escutasse, ele poria fim em qualquer coisa que eu quisesse realizar” (Debré, 1995, p. 379). O caráter de Roux é descrito como muito particular. Ele compreendia que a calma e a concentração eram as palavras mestras do laboratório, e embora fizesse críticas constantes, isso não o impedia de conservar o silêncio e de servir de filtro entre Pasteur e o mundo exterior. Na hora certa, por exemplo, se desembaraçava dos rivais de Pasteur, mantendo-os à distância. Durante 8 anos, Roux será o único médico admitido no laboratório da Rua Ulm. Ele se torna um inoculador de profissão, sabendo, por exemplo, injetar precisamente os germes (Debré, 1995, p. 382). No Instituto Pasteur, Roux é o responsável pela microbiologia médica técnica (Debré, 1995, p. 521). Roux dedicou 46 anos de sua vida ao Instituto Pasteur. Foi ele quem recomendou Oswaldo Cruzàs autoridades brasileiras para a criação de um laboratório (Lima & Marchand, 2005, p. 33). Foi um dos mais próximos colaboradores de Louis Pasteur, cofundador do Instituto Pasteur e descobridor do soro anti-difteria, a primeira terapia efetiva contra esta enfermidade. A Rua do Instituto Pasteur em Paris, se tornou Rua Doutor Roux. Edmond Isidore Etienne Nocard 1850-1903 *Ver microbiografia de Edmond Nocard no grupo Doenças Infectocontagiosas. Na época das pesquisas sobre a cólera, Pasteur propõe ao Comitê Consultor de Higiene enviar uma missão francesa ao Cairo, no Egito. Três voluntários se declaram prontos para partir: Émile Roux, Edmond Nocard e Isidore Straus (Debré, 1995, p. 388). Adrien Charles Marie Loir 1862-1941 *Ver microbiografia de Adrien Loir no grupo Família Laurent. Adrien Loir, sobrinho de Pasteur (filho da irmã caçula de Marie Pasteur, Amélie), começa atuando como um estagiário onipresente, com o qual Pasteur pode contar, especialmente para completar seus movimentos devido ao braço paralisado. Pasteur dá suas diretrizes e traça planos dos ensinamentos ao seu sobrinho: aprender a soprar o vidro, assimilar as bases da cristalografia, melhorar a letra em curso de caligrafia. Uma curiosa relação se estabelece entre tio e sobrinho. Loir escreve, em tom de reclamação, que Pasteur o usava para realizar o que sua mente concebia. Também escolheu a formação que ele deveria fazer, no caso, Medicina (Debré, 1995, p. 381). A pedido de Pasteur, Loir vai à Rússia (Debré, 1995, p. 497), à Austrália (ficará por 5 anos) e lá fundará o primeiro Instituto Pasteur além-mar (Debré, 1995, p. 527, 528). Loir também funda o Instituto Pasteur de Túnis (capital da Tunísia, no norte da África) quando volta da Austrália (Debré, 1995, p. 541). Loir recorda que Pasteur era bastante influenciado pela visão de Duclaux, e que se tornava calmo e se punha a trabalhar, diferentemente de Roux (Debré, 1995, p. 379). Loir escreveu a obra "A l'ombre de Pasteur: souvenirs personnels" (Na sombra de Pasteur: memórias pessoais) pela editora Le Mouvement Sanitaire,1938. Adrien Loir desempenhou um papel importante ao lado de Pasteur, ele mesmo, como seu assistente pessoal e, em seguida, como um agente para a difusão da ciência pasteuriana em todo o mundo. No entanto, Loir permaneceu nas sombras. "Algo aconteceu em sua vida: quando ele havia sido mais ou menos casado por sua família com uma filha de um amigo da família, ele se divorciou dessa mulher e saiu com a babá das crianças, depois se casou novamente com essa outra mulher. E isso foi extremamente desaprovado. Na época, ele foi rejeitado pelos pasteurianos, por sua família, etc. Foi por isso que ele foi completamente esquecido" [Maxime Schwartz, em trecho traduzido livremente da obra Le Neveu de Pasteur ou la Vie aventureuse d'Adrien Loir, acadêmico e globetrotter (1862-1941) , publicado por Odile Jacob, em março de 2020]. Mais informações: https://en.odilejacob.fr/catalogue/documents/biographies-memoirs/pasteurs-nephew_9782738151353.php Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/research-journal/news/pasteur-s-nephew-adventurous-life-adrien-loir-scholar-and-globe-trotter Mais informações: https://www.franceculture.fr/emissions/le-cours-de-lhistoire/un-destin-pour-le-soin-quatre-figures-de-lhistoire-du-soin-et-de-la-medecine-14-adrien-loir-etre-le Mais informações: https://atlantico.fr/article/decryptage/adrien-loir--une-vie-a-l-ombre-de-louis-pasteur-histoire-science-decouverte-medecine-biologie-virus-epidemie-cholera-rage-annick-perrot-maxime-schwartz Élie Metchnikoff (Ilya Ilyich Mechnikov) 1845-1916 Microbiologista e zoólogo russo. Professor de zoologia em Odessa, Ucrânia (1870), diretor do instituto bacteriológico de Odessa, Ucrânia (1870-1882), colaborador científico do Instituto Pasteur, Paris (1888-1916). Prêmio Nobel de Medicina (em 1908). Ilya Ilyich Mechnikov nasceu em 15 de maio de 1845, em uma vila perto de Kharkoff, na Rússia. Ele era filho de um oficial da Guarda Imperial, que era proprietário de terras nas estepes da Ucrânia. Sua mãe, née Nevakhowitch, era de origem judaica. Mechnikov foi para a escola em Kharkoff e, mesmo quando era pequeno, tinha um interesse apaixonado por história natural, sobre a qual costumava dar palestras para seus irmãos menores e outras crianças. Na época, ele estava especialmente interessado em botânica e geologia. Quando ele deixou a escola, ele foi para a Universidade de Kharkoff para estudar ciências naturais e trabalhou lá tanto que foi capaz de concluir o curso de quatro anos em dois anos. Graduando-se em Kharkoff, ele foi, primeiro para estudar a fauna marinha em Heligoland, e depois para a Universidade de Giessen, onde trabalhou com Leuckart. Posteriormente, ele foi para a Universidade de Göttingen e a Academia de Munique, onde trabalhou no laboratório de von Siebold. Enquanto ele estava em Giessen, ele descobriu, em 1865, a digestão intracelular em um dos platelmintos, uma observação que influenciou suas descobertas posteriores. Em Nápoles preparou uma tese de doutorado sobre o desenvolvimento embrionário da choco.Sepiola e o Crustáceo Nelalia. Em 1867 ele retornou à Rússia, tendo sido nomeado docente na nova Universidade de Odessa e de lá ele foi assumir um cargo semelhante na Universidade de São Petersburgo. Mas em 1870 ele foi nomeado Professor Titular de Zoologia e Anatomia Comparada na Universidade de Odessa. Em São Petersburgo, ele conheceu sua primeira esposa, Ludmilla Feodorovitch, que sofria de tuberculose tão grave que teve de ser carregada em uma cadeira para o casamento na igreja. Por cinco anos Mechnikov fez tudo o que pôde para salvar sua vida, mas ela morreu em 20 de abril de 1873. Destruído por essa perda, perturbado por problemas de visão e coração e por dificuldades na Universidade, Mechnikov tornou-se, nessa época, tão pessimista que ele tentou tirar a própria vida engolindo uma grande dose de ópio; mas, felizmente para ele e para o mundo, ele não morreu. Foi em Odessa, de fato, que conheceu a sua segunda mulher, Olga, com quem se casou em 1875. Em 1880 a sua segunda mulher teve um grave ataque de febre tifoide e, embora não tenha morrido, Mechnikov, cuja saúde ainda era fraca, mais uma vez tentou tirar a própria vida. Desta vez, no entanto, ele decidiu, para evitar o constrangimento de sua esposa e de outros, fazer isso por meio da experiência científica de se inocular com febre recorrente para descobrir se ela era transmissível pelo sangue. O ataque de febre recorrente que se seguiu foi severo, mas não o matou. Em 1882, após sua recuperação desta doença, Mechnikov renunciou à sua nomeação em Odessa por causa de dificuldades na Universidade durante o período de governo reacionário que se seguiu ao assassinato de Alexandre II. Em seguida, foi a Messina para continuar, em um laboratório particular que instalou ali; seu trabalho em embriologia comparada, e foi aqui que ele descobriu o fenômeno da fagocitose ao qual seu nome sempre será associado. Essa descoberta foi feita quando Mechnikov observou, nas larvas de estrelas do mar, células móveis que poderiam, segundo ele, servir como parte das defesas desses organismos e, para testar essa ideia, introduziu neles pequenos espinhos de uma tangerina que tinha foi preparado como uma árvore de Natal para seus filhos. Na manhã seguinte ele encontrou os espinhos circundados por células móveis e, sabendo que, quando ocorre inflamação em animais que possuem um sistema vascular sanguíneo, os leucócitos escapam de seus vasos sanguíneos. Voltando a Odessa, Mechnikov visitou Viena no caminho e explicou suas ideias a Claus, professor de zoologia da cidade, e foi Claus quem sugeriu o termo fagócito para as células móveis que agem dessa maneira. Finalmente, em 1883, Mechnikov deu, em Odessa, seu primeiro artigo sobre fagocitose. Além de sua importância fundamental na imunologia, a descoberta teve uma influência marcante no próprio Mechnikov. Ele mudou completamente sua visão da vida; abandonou sua filosofia pessimista e decidiu encontrar mais provas de sua hipótese. Alguma prova disso ele encontrou no pequeno crustáceo Daphnia de água doce, no qual ele descobriu que os esporos de fungos que o atacavam eram eles próprios atacados pelos fagócitos do crustáceo. Ele então estudou os bacilos do antraz e descobriu que as cepas mais virulentas desses não eram atacadas pelos fagócitos, enquanto as cepas menos virulentas eram. Durante este período, Mechnikov foi nomeado Diretor de um Instituto estabelecido em 1886 em Odessa para realizar o tratamento da vacina contra a raiva de Pasteur, mas havia muita hostilidade local a esse tratamento. Mechnikov descobriu que, em parte por não ser médico, as circunstâncias se tornaram tão difíceis que, em 1888, ele deixou Odessa e foi a Paris pedir conselho a Pasteur. Quando Pasteur ouve falar das descobertas deste russo sobre a fagocitose, manda publicar seus trabalhos nos Anais do Instituto Pasteur e lhe outorga um duplo posto: diretor do laboratório de microbiologia morfológica e chefe de serviço no Instituto Pasteur (Debré, 1995, p. 521, 533-534). Ali ele permaneceu para o resto de sua vida. Além de seu trabalho sobre fagocitose, Mechnikov publicou, durante seu período inicial de atividade científica, muitos artigos sobre embriologia de invertebrados. Estes incluíram trabalhos sobre a embriologia de insetos, publicados em 1866, e, em 1886, seus estudos sobre a embriologia de Medusas. No Instituto Pasteur em Paris, Mechnikov estava envolvido no trabalho associado ao estabelecimento de sua teoria da imunidade celular, que, como muitos grandes avanços da ciência, encontrou considerável hostilidade. Ele publicou, durante este período, vários artigos e dois volumes sobre a patologia comparativa da inflamação (1892), e seu tratado intitulado L'Immunité dans les Maladies Infectieuses (Imunidade em doenças infecciosas, 1901). Em 1908 ele foi premiado, junto com Paul Ehrlich , o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina. Além desse trabalho, ele, junto com Roux, provou que a sífilis pode ser transmitida para macacos. Mais tarde, ele se dedicou ao estudo da flora do intestino humano e desenvolveu uma teoria de que a senilidade se deve ao envenenamento do corpo por produtos de algumas dessas bactérias. Para evitar a multiplicação desses organismos, ele propôs uma dieta contendo leite fermentado por bacilos que produzem grandes quantidades de ácido láctico e por um tempo essa dieta tornou-se amplamente popular. Mechnikov recebeu muitas distinções, entre as quais o honorário D. Sc. da Universidade de Cambridge, a Medalha Copley da Royal Society da qual era um membro estrangeiro, os membros honorários da Academia de Medicina de Paris e das Academias de Ciências e de Medicina de São Petersburgo. Além disso, ele era um membro correspondente de várias outras sociedades e um membro estrangeiro da Sociedade Médica Sueca. Fotos tiradas quando ele trabalhava no Instituto Pasteur mostram-no com cabelo comprido e uma barba desgrenhada. Diz-se dele que, nessa época, geralmente usava galochas em todos os climas e carregava um guarda-chuva, seus bolsos estavam cheios de artigos científicos, e que sempre usava o mesmo chapéu. A partir de 1913, Mechnikov começou a sofrer ataques cardíacos e, embora tenha se recuperado por um tempo e se recuperado da angústia que a Guerra de 1914-1918 lhe causou, ele morreu em 15 de julho de 1916. Ref. https://data.bnf.fr/en/12938930/il_a_il_ic_mecnikov/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1908/mechnikov/biographical/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Elie-Metchnikoff Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/institut-pasteur/history/ilya-mechnikov-elie-metchnikoff-french-1845-1916 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/elie-metchnikoff Nicolas Gamaleia (Nikolay Gamaleya) 1859-1949 Médico microbiologista russo. Metchnikoff trabalhou na mesma estação bacteriológica na Rússia que Nicolas Gamaleia, que foi diretor do Instituto da Raiva na cidade de Odessa. No Instituto Pasteur, Gamaleia foi o responsável pela pesquisa em microbiologia médica (Debré, 1995, p. 521). Gamaleya veio de uma família ucraniana que havia crescido por meio do serviço ao país desde o século XVII. Seu pai, Fyodor Mikhailovich Gamaleya, era um soldado; sua mãe, Karolina Vikentievna Gamaleya, era de origem polonesa. Tendo se formado no Gymnasium em 1876, Gamaleya matriculou-se na Faculdade de Física e Matemática da Universidade Novorossysky. Enquanto estudante lá, ele ficou fascinado com biologia. Um de seus professores foi EI Mechniknov, e em Estrasburgo, onde Gamaleya passava férias, ele estudou bioquímica com Hoppe-Seyler. Depois de se formar na universidade em 1881, Gamaleya matriculou-se na Academia Médica Militar de São Petersburgo, então o centro de educação médica na Rússia. Seus professores incluíram figuras proeminentes como SP Botkin. V. V, Pashutin e VA Manassein. Após a formatura em 1883 com o título de médico, Gamaleya voltou para Odessa. O jovem médico interessou-se ativamente pela bacteriologia, uma ciência então em sua infância, e conduziu pesquisas em um laboratório bacteriológico que havia instalado em seu apartamento. A inoculação bem-sucedida de Pasteur contra a raiva em 1885 determinou definitivamente os interesses científicos de Gamaleya. Em 1886, a Odessa Society of Physicians o encarregou de se familiarizar no laboratório de Pasteur com a técnica de inoculação anti-rábica. Sua persistência e curiosidade, conhecimento médico e treinamento microbiológico lhe permitiram dominar o método. A convivência com Pasteur foi o início de uma colaboração criativa e de uma amizade pessoal que foi fortalecida pela luta com os oponentes do método de Pasteur. Na época de críticas especialmente duras a seu método na Inglaterra, Pasteur pediu a Gamaleya que o defendesse. Gamaleya foi o primeiro a se inocular com a vacina anti-rábica, provando assim sua inocuidade para um organismo saudável. Em 1886, a segunda estação bacteriológica mundial - já havia uma em Paris - foi instalada em Odessa, com a participação de Mechnikov e Gamaleya. Ali as inoculações anti-rábicas foram administradas com sucesso de acordo com o método de Pasteur, que sem dúvida era sua melhor propaganda e defesa. Defensor fervoroso desse método, Gamaleya o utilizou amplamente e introduziu importantes acréscimos à sua base teórica e valiosos refinamentos práticos. Em preparações contendo o vírus vivo, Gamaleya estabeleceu que a eficácia da vacinação anti-rábica depende de seu conteúdo quantitativo. Com base neste princípio, ele desenvolveu um método intensivo de vacinação através da utilização de tecido cerebral menos sujeito a ressecamento. Além disso, ele descobriu que a imunidade anti-raiva inoculativa é fisiologicamente limitada e que a vacinação é ineficaz contra a raiva manifesta, bem como durante o período latente da infecção (cerca de quatorze dias). Na década de 1880, Gamaleya estudou questões relacionadas ao preparo de uma vacina contra a peste siberiana (antraz). Em 1887, ele descobriu um vibrião semelhante ao da cólera nos intestinos de aves doentes, que chamou de bacilo Mechnikov. O estudo desse bacilo marcou o início de muitos anos de pesquisas sobre o cólera. No laboratório de Pasteur, bem como nos de Charles Bouchard e Joseph Strauss, Gamaleya estudou os fenômenos de inflamação e os processos pelos quais os micróbios são destruídos em um organismo. Ele acreditava que os micróbios que invadem um organismo vivo estão sujeitos à ação de dois fatores intimamente relacionados - humoral e celular, ou seja, a ação de anticorpos solúveis produzidos pelas células do sistema reticuloendotelial. Esta pesquisa produziu novos dados e conceitos sobre esses fenômenos. Retornando à Rússia em 1892 da França, onde trabalhou por um total de seis anos, Gamaleya iniciou seu estudo sobre cólera. Em 1893, ele defendeu sua tese de doutorado, Etiologia kholery s tochki zrenia eksperimentalnoy patologii (“A etiologia do cólera do ponto de vista da patologia experimental”). O estudo da cólera e a luta contra esta doença ocuparam um lugar de destaque no trabalho científico de Gamaleya e em suas atividades como médico. Em 1899, Gamaleya publicou o livro didático Osnovy obshchey bakteriologii (“Foundations of General Bacteriology”); suas generalizações frutíferas e visões originais sobre questões fundamentais em bacteriologia tiveram grande significado para o desenvolvimento da nova ciência. A hipótese de uma origem viral para o câncer foi declarada pela primeira vez neste livro e, em 1910, Mechnikov apoiou essa hipótese. Até 1910, Gamaleya trabalhou em Odessa no Instituto Bacteriológico-Fisiológico por ele fundado, lecionou bacteriologia geral na escola de estomatologia e publicou diversos trabalhos. A importância de Gamaleya na história da bacteriologia é como um destacado pesquisador e lutador contra a peste bubônica. Em 1902, em conexão com uma epidemia de peste que eclodiu em Odessa, Gamaleya iniciou uma investigação teórica de sua epidemiologia. O sistema de medidas práticas que ele desenvolveu teve um significado decisivo na liquidação e prevenção dessa temida doença. No período anterior à Revolução de 1917, Gamaleya se preocupou ativamente com a prevenção de epidemias. Em 1908-1909, ele conduziu investigações sobre o tifo; ele foi o iniciador de um programa de fumigação na Rússia. De 1912 a 1928 ele estudou a varíola, que era endêmica na Rússia. Como diretor do Instituto de Inoculação da Varíola, ele desenvolveu um meio novo e refinado de obter detritos da varíola. O estudo exaustivo da teoria e do uso prático das inoculações contra a raiva permitiu a Gamaleya explicar as causas das falhas observadas na aplicação do método e propor o denominado método intensivo, que foi imediatamente aceito por Pasteur e divulgado amplamente. uso em casos críticos de raiva. O trabalho de Gamaleya na raiva paralítica, então não estudado, foi importante. Sua pesquisa ganhou o grande apreço de Pasteur, que em 1887 expressou seu “grande apreço por seus raros serviços”. As propostas de Gamaleya em relação à luta contra a cólera foram excepcionalmente valiosas na Rússia pré-revolucionária, onde o baixo nível de saneamento levou a uma ampla propagação de doenças epidêmicas. Em oposição à ideia então aceita de que a cólera era transmitida exclusivamente por contato pessoal, Gamaleya argumentou que as epidemias resultavam da multiplicação colossal de bacilos da cólera em águas estagnadas. Nesse sentido, ele insistiu na máxima observância das medidas de saneamento em áreas densamente povoadas. Além disso, Gamaleya propôs que a vacinação contra o cólera fosse administrada como profilaxia. O sucesso desse arranjo levou à eliminação completa da cólera na União Soviética na década de 1920. Em 1883, Mechnikov expressou sua teoria da imunidade por fagócitos. Gamaleya voltou-se para um estudo do mecanismo de imunidade contra o antraz. Experimentos extensos e cuidadosos na preparação de vacinas e estudo microscópico de sua ação sobre os bacilos do antraz em todos os organismos permitiram a Gamaleya estabelecer a importante regularidade da relação entre a febre no organismo vacinado e a fabricação de anticorpos. O estudo da epidemiologia da peste bubônica confirmou que ela foi transferida por pulgas em roedores. Tendo explicado, em particular, o papel dos ratos cinzentos como portadores da peste, Gamaleya lançou uma campanha durante uma epidemia de peste para seu extermínio completo nas cidades. Ele também demonstrou que icterícia epidêmica, sarna e tifo também são transmitidos por ratos. Seguindo a sugestão de Gamaleya, os ratos foram aniquilados não só por veneno, mas também com a ajuda de micróbios pertencentes ao grupo dos paratifóides. As muitas investigações de Gamaleya sobre o tifo foram o resultado de muito trabalho na vigilância do saneamento público. Já em 1874, o médico GN Minkh, tendo-se inoculado com o sangue de uma pessoa que sofria de febre recorrente, provou a contagiosidade da doença e levantou a hipótese de que fosse transmitida por piolhos. Em 1908, Gamaleya confirmou essa hipótese por meio de investigações epidemiológicas. Estudando métodos de aniquilação de piolhos, ele descobriu que o único método eficaz era o tratamento com calor seco (100 ° C) dos insetos infectados, já que seu comportamento não é determinado por quimiotaxia, como se supunha, mas apenas por termotaxia. Ao estudar a tuberculose, Gamaleya descobriu vários tipos de micróbios que causam a doença. Em 1910, ele descobriu um método para o cultivo do bacilo da tuberculose em meio artificial. Ele trabalhou persistentemente na criação de imunidade à tuberculose e métodos específicos para o tratamento da doença. Gamaleya contribuiu muito para a história da virologia. Ele foi o primeiro a afirmar, já em 1886, que os vírus filtráveis são patógenos de várias doenças. O desenvolvimento subsequente da virologia confirmou essa visão brilhante. O estudo da inflamação e dos processos de destruição dos micróbios levou Gamaleya à descoberta, em 1898, de certas substâncias bacteriolíticas que destroem os micróbios. Esses agentes até então desconhecidos revelaram-se bacteriófagos, cuja presença na natureza foi confirmada por d'Hérelle. Depois de 1917, Gamaleya trabalhou com sucesso em problemas de imunologia, virologia e tuberculose. Questões de saneamento, higiene e medicina profilática continuaram a ser o centro de sua atenção. Ele foi o diretor científico do Instituto Central de Microbiologia e Epidemiologia (1929-1931), que agora leva seu nome. Em 1931, ele chefiou a organização do Instituto de Epidemiologia e Microbiologia de Yerevan. A partir de 1938, Gamaleya chefiou o departamento de microbiologia do Segundo Instituto de Medicina de Moscou. Ele serviu como organizador e presidente permanente da All-Union Society of Microbiologists, Epidemiologists e Infectionists. Das mais de 350 obras de Gamaleya, mais de 100 - principalmente obras e monografias fundamentais - foram escritas depois de 1917. Muitas foram traduzidas e publicadas em diversos idiomas. Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/gamaleya-nikolay-fyodorovich Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 *Ver microbiografia de Joseph Grancher no grupo Vacinação: Raiva. Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). André Chantemesse 1851-1919 Médico e biólogo francês vinculado ao Instituto Pasteur (1885-1897). Membro do Conselho de Administração (em 1909). Inspetor-geral dos serviços de saúde (1893-1908). Professor de patologia experimental e comparativa na Faculdade de Medicina de Paris (1897-1903). André Chantemesse foi um bacteriologista francês nascido em Le Puy-en-Velay, Haute-Loire. De 1880 a 1885 atuou como interne des hôpitaux em Paris, obtendo seu doutorado em 1884 com uma dissertação sobre meningite tuberculosa adulta intitulada Étude sur la méningite tuberculeuse de l'adulte les formes anormales en particulier. Em 1885, ele viajou para Berlim para estudar bacteriologia no laboratório de Robert Koch (1843-1910). Após seu retorno a Paris, ele tornou-se associado à obra de Louis Pasteur. Em 1886, ele iniciou uma extensa pesquisa sobre a febre tifoide. Em colaboração com Georges-Fernand Widal (1862–1929), ele estudou a etiologia da doença e, em 1888, desenvolveu uma inoculação antitifoide experimental. Também com Widal, isolou o bacilo causador da disenteria, mas os dois cientistas não conseguiram estabelecer a ligação etiológica da doença. De 1897 a 1903 foi professor de patologia comparativa e experimental em Paris, tornando-se membro da Académie de Médecine em 1901. Em 1904 tornou-se membro do conselho editorial dos Annales de l'Institut Pasteur. Joseph Grancher dirige, no Instituto Pasteur, o departamento da raiva com André Chantemesse (Debré, 1995, p. 521). André Chantemesse foi enviado por Pasteur para junto do sultão Abdül-Hamid II para estudar as causas das epidemias de cólera e sugeriu fundar um laboratório de microbiologia na Turquia (Debré, 1995, p. 540). Ref. https://data.bnf.fr/en/12011714/andre_chantemesse/ Ref. https://mahlerfoundation.org/mahler/contemporaries/andre-chantemesse/ Mais informações: https://www.laposte.fr/toutsurletimbre/connaissance-du-timbre/dicotimbre/timbres/andre-chantemesse-2229 Mais informações: https://phototheque.pasteur.fr/en/asset/fullTextSearch/WS/HOME_MENU/node/95/slug/typhoid-fever/nobc/1/page/1 Albert-Léon-Charles Calmette 1863-1933 Médico bacteriologista francês. Fundador do Instituto Pasteur de Lille. Professor Catedrático de Bacteriologia e Higiene da Faculdade de Lille. Vice-diretor do Instituto Pasteur de Paris (1917-1933). Desenvolveu a vacina BCG, em colaboração com Camille Guérin (1921). Membro da Academia Francesa de Ciências. Albert Calmette ficou mais conhecido por estabelecer a cepa viva atenuada do bacilo da tuberculose que foi usada como vacina contra a tuberculose. O Bacillus Calmette-Guérin (BCG) foi originalmente produzido por Calmette e Camille Guérin em 1906. Desde a década de 1920, o BCG é utilizado como vacina contra a tuberculose em crianças. Calmette também conduziu estudos de venenos, imunizou animais para criar soros terapêuticos e investigou vacinas para a peste bubônica e purificação de água. Calmette entra para o laboratório de Émile Roux em 1890. Ele era médico da marinha. Apaixonado pela microbiologia, levava consigo um microscópio em todas as campanhas e andava atrás de micróbios em várias partes. Mostra seu trabalho a Roux que logo fica impressionado. Trabalha por um tempo em Paris. Pasteur, para aproveitar a sua experiência na Indochina, o envia para fundar em Saigon um laboratório de preparação de vacinas antivariólicas e anti-rábicas, que será o Instituto Pasteur de Saigon (Debré, 1995, p. 537). Pouco antes de morrer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. Nesta época, Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose (Debré, 1995, p. 538, 522, 531). Ref. https://data.bnf.fr/en/12360554/albert_calmette/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Albert-Calmette Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/leon-charles-albert-calmette Alexandre-Émile-John Yersin 1863-1943 Médico bacteriologista suíço. Descobridor do bacilo da peste (Yersinia pestis) em 1894. Doutor em medicina (Paris, 1888). Grande Oficial da Legião de Honra (1939). Alexandre Yersin recebeu sua educação secundária em Lausanne antes de entrar na Academia; posteriormente frequentou a Universidade de Marburg e a Faculdade de Medicina de Paris. Tendo se cortado durante a autópsia de um paciente que morrera de raiva, Yersin imediatamente contatou Émile Roux, um dos colaboradores mais brilhantes de Pasteur, que lhe deu uma injeção de um novo soro terapêutico que salvou sua vida. Este incidente colocou Yersin em contato próximo com Roux, que o contratou como seu assistente em 1888 e com quem conduziu pesquisas sobre raiva. Ele então trabalhou com Robert Koch, em Berlim, colaborando com o famoso microbiologista em sua pesquisa sobre o bacilo da tuberculose. Ao retornar a Paris, Yersin iniciou sua própria pesquisa com Roux, no Instituto Pasteur, sobre as propriedades tóxicas do bacilo da difteria. Em 1889, entretanto, ele embarcou repentinamente como médico de navio em um vapor com destino a Saigon e Manila. Ele voltou para Paris e partiu novamente para a Indochina; e durante três expedições perigosas ao interior, ele descobriu o planalto de Langbiang, onde fundou uma pequena aldeia colonial. A área logo se tornou um centro de férias para europeus, e a cidade de Dalat foi desenvolvida ali. Em 1935, as autoridades municipais estabeleceram o Liceu Yersin em Dalat. Em 1894, Yersin tornou-se oficial médico do serviço colonial francês e fez pesquisas sobre a epidemia de peste bubônica que assolava a China, a fim de determinar as medidas que deveriam ser tomadas para evitar sua propagação à Indochina. Em um pequeno laboratório de pesquisa bacteriológica, criado para ele em Hong Kong, ele descobriu a bactéria da peste, praticamente ao mesmo tempo que Kitasato o fez de forma independente; e depois de muito trabalho, isolou um soro eficaz. Em 1904, ele foi chamado de volta a Paris e continuou suas pesquisas no Instituto Pasteur, do qual Roux havia se tornado diretor. Com Albert Calmette e Amédée Borrel, ele fez a importante observação de que certos animais podem ser imunizados contra a peste por meio da injeção de bactérias mortas da peste. Ele então retornou a Nha Trang, onde uma filial do Instituto Pasteur havia sido estabelecida sob sua direção. Lá, em modestos laboratórios, Yersin aperfeiçoou um soro anti-praga que tornou possível reduzir a taxa de mortalidade de 90% para cerca de 7%. Com a ajuda de Paul Doumer, então governador-geral da Indochina, uma escola de medicina foi fundada em Hanói; Yersin dirigiu este centro de estudo e pesquisa por muitos anos. Por meio do trabalho de Yersin, a Indochina conseguiu controlar as epidemias que assolam o país, especialmente a malária. Em homenagem às suas conquistas médicas, o governo francês nomeou Yersin como diretor honorário do Instituto Pasteur. Além de sua atividade científica e médica na Indochina, Yersin conduziu pesquisas na área de agronomia. Seu interesse pelo cultivo de grãos e pelas condições do solo o levou a iniciar uma série de estudos ecológicos. Também refletiu sobre a história natural da Indochina, tendo-se fascinado pela flora e fauna de seu país de adoção. Yersin ficou profundamente preocupado com as necessidades dos doentes e dos pobres e lutou muito contra a exploração das classes mais baixas. Durante o curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva. No local, durante uma necropsia, encontra Roux e eles se entendem profundamente. Em 1886, Yersin passa todas as tardes no laboratório na Rua Ulm onde assiste Roux nas preparações e se torna o estagiário pessoal de Roux. Pasteur o encarrega de fazer os curativos nos doentes. Desde a criação do Instituto Pasteur, ele vai participar, aos 25 anos, dos primeiros trabalhos sobre a toxina diftérica (Debré, p. 538, 522, 531). No idioma português, a biografia de Alexandre Yersin pode ser lida na obra "Peste e Cólera" de Patrick Deville, Editora 34, 2017. Ref. https://data.bnf.fr/en/12366805/alexandre_yersin/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/yersin-alexandre Charles Robert Richet 1850-1935 Fisiologista francês. Membro da Academia de Ciências. Professor de fisiologia na Faculdade de Medicina de Paris (1887-1925). Prêmio Nobel de Medicina em 1913. Fundador da Metapsíquica. Charles Richet nasceu em 26 de agosto de 1850, em Paris. Ele era filho de Alfred Richet, Professor de Cirurgia Clínica na Faculdade de Medicina de Paris, e de sua esposa Eugenie, nascida Renouard. Ele estudou em Paris, tornando-se Doutor em Medicina em 1869, Doutor em Ciências em 1878 e Professor de Fisiologia a partir de 1887 na Faculdade de Medicina de Paris. Durante 24 anos (1878-1902) foi Editor da Revue Scientifique , e a partir de 1917 foi co-editor do Journal de Physiologie et de Pathologie Générale . Ele publicou artigos sobre fisiologia, química fisiológica, patologia experimental, psicologia normal e patológica e numerosas pesquisas feitas no laboratório fisiológico da Faculdade de Medicina de Paris, onde tentou estudar fatos normais e patológicos juntos. Em fisiologia, ele trabalhou o mecanismo de termorregulação em animais homoiotérmicos. Antes de suas pesquisas (1885-1895) sobre polipneia e tremores devido à temperatura, pouco se sabia sobre os métodos pelos quais animais privados de transpiração cutânea podem se proteger do superaquecimento e como os animais gelados podem se aquecer novamente. Em terapêutica experimental, Richet mostrou que o sangue de animais vacinados contra uma infecção protege contra essa infecção (novembro de 1888). Aplicando esse princípio à tuberculose, ele aplicou a primeira injeção soroterapêutica no homem (6 de dezembro de 1890). Em 1900, Charles Richet mostrou que alimentar com leite e carne crua (zomoterapia) pode curar cães tuberculosos. Em 1901, ele estabeleceu que, ao diminuir o cloreto de sódio nos alimentos, o brometo de potássio se torna tão eficaz no tratamento da epilepsia que a dose terapêutica cai de 10 g para 2 g. Em 1913, ele recebeu o Prêmio Nobel por suas pesquisas sobre anafilaxia. Ele inventou essa palavra para designar a sensibilidade desenvolvida por um organismo após ter recebido uma injeção parenteral de um coloide, substância proteica ou toxina (1902). Mais tarde, ele demonstrou os fatos de anafilaxia passiva e anafilaxia in vitro . As aplicações da anafilaxia na medicina são extremamente numerosas. Já em 1913, mais de 4000 memórias foram publicadas sobre esta questão e ela desempenha um papel importante hoje em dia na patologia. Ele mostrou que de fato a injeção parenteral de substância proteica modifica profunda e permanentemente a constituição química dos fluidos corporais. A maioria dos trabalhos fisiológicos de Charles Richet espalhados em várias revistas científicas foram publicados noTravaux du Laboratoire de la Faculté de Médecine de Paris (Alcan, Paris, 6 vols. 1890-1911) (Trabalhos do Laboratório de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Paris). Entre suas outras obras estão: Suc Gastrique chez l'Homme et chez les Animaux , 1878 (Suco gástrico no homem e nos animais); Leçons sur les Muscles et les Nerfs , 1881 (Palestras sobre os músculos e nervos); Leçons sur la Chaleur Animale , 1884 (Palestras sobre o calor animal); Essai de Psychologie Générale , 1884 (Ensaio sobre psicologia geral); Souvenirs d'un Physiologiste , 1933 (Memórias de um fisiologista). Ele também foi o editor do Dictionnaire de Physiologie , 1895-1912 (Dicionário de Fisiologia), do qual apareceram 9 volumes. Entre suas recreações estava o interesse pelo espiritualismo e a escrita de algumas obras dramáticas. Em 1877, Charles Richet casou-se com Amélie Aubry. Tiveram cinco filhos, Georges, Jacques, Charles (que, como seu pai, foi professor na Faculdade de Medicina de Paris e foi, por sua vez, sucedido por seu filho Gabriel), Albert e Alfred, e duas filhas, Louise ( Mme Lesné) e Adèle (Mme le Ber). Ele morreu em Paris em 4 de dezembro de 1935. No curso de microbiologia que fez no Instituto Pasteur, Calmette encontrou um jovem médico, que tinha sua idade: Alexandre Yersin, que foi à Paris preparar sua tese de Medicina sobre tuberculose. Ao mesmo tempo, ele trabalhava na Santa Casa de Misericórdia na unidade de Charles Richet, onde fazia a necropsia de pacientes que morriam de raiva (Debré, 1995, p. 538). Largamente conhecido pela fundação da Metapsíquica e grandes contribuições à Medicina, Charles Richet (1850-1935) foi colaborador próximo de Louis Pasteur, mesmo antes da fundação do Instituto em 1888. Richet escreveu uma biografia sobre Pasteur, cujo título em tradução livre é: "A Obra de Pasteur: lições professadas na Faculdade de Medicina de Paris", a qual pode ser consultada gratuitamente. Destaca-se o último parágrafo desta obra, em que Richet, na página 118, direciona sua fala aos jovens: "Meditem, jovens, nesta bela vida de trabalho perseverante e tenaz, e compreendam que o que faz o cientista não é apenas sua inteligência, seu trabalho, seu saber. Você ainda precisa de fé, ardor, entusiasmo. Ninguém mais que Pasteur era apaixonado pela ciência, e é porque ele fertilizou seu poderoso gênio com entusiasmo perpétuo que ele foi o maior benfeitor da humanidade". Ademais, Richet publicou uma poesia intitulada "La Gloire de Pasteur", tendo recebido prêmio de poesia pela Academia Francesa. Ref. https://data.bnf.fr/en/11921904/charles_richet/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1913/richet/biographical/ Mais informações: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k6564248t.texteImage Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/charles-robert-richet Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Charles-Richet Paul Gibier 1872-1961 *Ver microbiografia de Paul Gibier no grupo Parapsiquismo. Médico francês. Diretor do Laboratório de Patologia Experimental e Comparada do Museu de História Natural de Paris. Ex-interno dos Hospitais de Paris, condecorado pela Faculdade de Medicina de Paris pela apresentação de tese sobre a raiva, incumbido pelo governo francês de estudar na França e no Exterior várias epidemias de "cólera-morbo" e de febre amarela. Diretor do Instituto Bacteriológico (Instituto Pasteur) de Nova Iorque, membro da Academia de Ciências de Nova Iorque, membro da Sociedade de Pesquisas Psíquicas de Londres, Cavaleiro da Legião de Honra (Gibier, 2001, p. 7). Jean-Marie Camille Guérin 1872-1961 Veterinário e biólogo francês. Descobridor da vacina BCG (Bacille Calmette-Guérin). Chefe de departamento no Instituto Pasteur em Lille, em seguida, em Paris. Membro (eleito em 1935), depois presidente (em 1951), da Academia Nacional de Medicina. Membro (1936), então presidente da Academia Veterinária da França. Vice-presidente da Sociedade de Patologia Comparada e do Comitê Nacional de Defesa da Tuberculose. Veterinário francês que desenvolveu o bacilo Calmette-Guérin, ou BCG, em associação com Albert Calmette no Instituto Pasteur de Lille. O BCG foi amplamente utilizado como vacina para prevenir a tuberculose infantil. Guérin e Calmette passaram 13 anos desenvolvendo uma cepa fraca da bactéria da tuberculose bovina. Na década de 1920, convencidos de que o BCG era inofensivo para os humanos, mas poderia induzir imunidade ao bacilo da tuberculose, eles começaram uma série de inoculações experimentais em bebês recém-nascidos no Hospital Charité, em Paris. Pouco antes de falecer, Pasteur confia a Calmette a missão de criar e dirigir um Instituto Pasteur em Lille. É neste momento que Calmette começa com Camille Guérin suas pesquisas sobre o bacilo da tuberculose que terá como resultado a vacina BCG (Debré, 1995, p. 537-538). Ref. https://data.bnf.fr/en/12936575/camille_guerin/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/camille-guerin Félix Le Dantec 1869-1917 Biólogo francês. Professor da Faculdade de Ciências de Paris (em 1899). Le Dantec, cujo pai era um médico naval e amigo de Ernest Renan, foi excepcionalmente precoce. Ele teve um desempenho brilhante no exame de admissão para a École Normale Supérieure; durante sua estada lá, ele foi influenciado por C. Hermite e J. Tannery, que cultivou sua inclinação para a matemática. De repente atraído pelas ciências naturais, ele conheceu A. Giard, que, por meio de seu senso crítico implacável, libertou Le Dantec da rigidez intelectual. Pasteur nomeou-o assistente de laboratório no Instituto Pasteur em 1888, e o enviou primeiro para o Laos e depois para o Brasil, onde fundou um laboratório para o estudo da febre amarela . Le Dantec então deu rédea solta aos amplos interesses de uma mente insaciavelmente curiosa. Em 1891, ele defendeu uma tese de doutorado sobre a digestão intracelular em protozoários, seguida de inúmeras pesquisas científicas e brilho de seu intelecto. Embora ateu, Le Dantec sempre esteve aberto à discussão religiosa. Ele foi professor titular na Universidade de Lyon em 1893, professor assistente em 1899 e professor titular de biologia geral na Sorbonne em 1908. Os dons de Le Dantec para generalização traziam a marca de seu treinamento matemático. Seu trabalho biológico começou com um estudo de bactérias. Ele sustentava que sua atividade fisiológica podia ser interpretada nos termos simbólicos de uma equação química e que a vida elementar era explicável pela existência de uma substância específica que só era transmitida por hereditariedade. Assim, ele procurou reconstruir a biologia de acordo com a linguagem precisa da química, eliminando qualquer antropomorfismo. Sua lógica o levou aos princípios lamarckianos de adaptação e à herança de características adquiridas , que eram a base de sua lei de assimilação funcional. Para Le Dantec, o protoplasma cresce com a vida; a vida e o crescimento são um fenômeno único. A estase produz erosão, destruição e morte. Partindo dessa concepção, ele explicou a lei da seleção natural e considerou questões psicológicas e sociais. A consciência, acreditava ele, não existe: os homens são fantoches, sujeitos apenas às leis da mecânica. A obra de Le Dantec sobrevive apenas por seus lampejos de percepção e clareza. Embora tenha construído um sistema precário baseado em fatos obtidos em segunda mão, seus ataques vigorosos ao antropomorfismo, sua paixão pela verdade, seu caráter nobre e sua veneração pela ciência explicam que ele foi descrito como um santo secular. --------- O primeiro diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo foi Félix Alex Le Dantec, na época com 23 anos, já renomado bacteriologista francês indicado pelo próprio Pasteur para presidir a instituição. Entretanto, sua permanência no Brasil foi bastante curta, de apenas quatro meses (Teixeira, 1995, p. 42). Segundo Lima e Marchand (2005, p. 32), na ata do Conselho de Administração do Instituto Pasteur, datada de 22 de fevereiro de 1893, lê-se "O Sr. Pasteur comunica ao Conselho as mudanças efetuadas no quadro de pessoal do Instituto. O Sr. Le Dantec viajou para fundar uma instituição bacteriológica no Brasil; o Sr. Yersin, para explorar o reino de Sião. Os Srs. Loir, Calmette, Haffkine foram dirigir laboratórios em Sydney, Saigon e Calcutá". Na Revista do Instituto Adolfo Lutz de 1954, Fernando Cerqueira Lemos escreve: "Le Dantec, 'hábil e ilustre professor', chegou a São Paulo no mesmo ano da criação do nóvel Laboratório, ou melhor, no dia 15 de dezembro, tomando posse de sua direção, no mesmo mês. ("O Estado de São Paulo", de 15-12-1892).O professor Le Dantec, autor de várias obras científicas de importância sôbre o parasitismo intracelular e protozoários, muitas das quais feitas na Ásia, onde esteve comissionado, montou o Laboratório e iniciou suas atividades. Estudou diversos casos de febre amarela e preparou meios de cultura indispensáveis aos estudos bacteriológicos". Nesta mesma Revista, em 1955, Augusto de E. Taunay registra:"Quando, em 1893, Le Dantec, primeiro diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo teve de voltar à França, recomendou ao governo do Estado que nomeasse para seu sucessor Adolfo Lutz, então seu assistente". Ref. https://data.bnf.fr/en/12174264/felix_le_dantec/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/le-dantec-felix Mais informações: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/RIAL/article/view/33259 Mais informações: https://periodicos.saude.sp.gov.br/index.php/RIAL/article/view/33274 Charles Jules Henri Nicolle 1866-1936 Médico bacteriologista e filósofo francês. Foi diretor do Instituto Pasteur de Tunis (1903-1936), professor de medicina no Collège de France (1932). Prêmio Nobel de Medicina (1928). Charles Nicolle nasceu em Rouen em 21 de setembro de 1866, onde seu pai, Eugène Nicolle, era médico em um hospital local. Charles recebeu, junto com seus irmãos, aulas precoces em biologia de seu pai e, após a educação no Lycée Corneille de Rouen, ele ingressou na escola de medicina local, onde estudou por três anos antes de seguir seu irmão mais velho, Maurice, que estava trabalhando em Hospitais de Paris. (Maurice mais tarde se tornou Diretor do Instituto Bacteriológico de Constantinopla e professor do Instituto Pasteur, Paris.) Enquanto isso, Charles estudou com A. Gombault na Faculdade de Medicina e com Roux no Instituto Pasteur (servindo ao mesmo tempo como demonstrador no curso de microbiologia) para concluir a tese “Recherches sur la chancre mou” (Pesquisas sobre o cancro mole), que lhe rendeu o MD Licenciado em 1893. Regressou a Rouen para se tornar membro da Faculdade de Medicina e em 1896 foi nomeado Diretor do Laboratório de Bacteriologia. Ele continuou nesta posição até 1903, quando foi nomeado Diretor do Instituto Pasteur de Túnis, cargo que ocupou até sua morte em 1936. No início de sua carreira, Nicolle trabalhou com câncer e, em Rouen, investigou a preparação de anti-soro contra difteria. No Norte da África, sob sua influência, o Instituto de Túnis rapidamente se tornou um centro mundialmente famoso de pesquisa bacteriológica e para a produção de vacinas e soros para combater a maioria das doenças infecciosas prevalentes. Sua descoberta em 1909 de que a febre do tifo é transmitida pelo piolho do corpo ajudou a fazer uma distinção clara entre o tifo epidêmico clássico ligado ao piolho e o tifo murino, que é transmitido ao homem pela pulga do rato. Ele também fez contribuições inestimáveis para o conhecimento atual da febre de Malta, onde introduziu a vacinação preventiva; febre do carrapato, onde descobriu os meios de transmissão; escarlatina, por reprodução experimental com estreptococos; peste bovina, sarampo, gripe, por seu trabalho sobre a natureza do vírus; tuberculose e tracoma. Ele foi responsável pela introdução de muitas novas técnicas e inovações em bacteriologia. Nicolle foi uma das primeiras a reconhecer as propriedades protetoras do soro de convalescença contra o tifo e o sarampo; e conseguiu cultivar Leishmania donovani e Leishmania tropica em meios de cultura artificiais. Sua descoberta do mecanismo de transmissão da febre tifóide criou a base para os cuidados preventivos contra essa doença, durante as Guerras de 1914-1918 e 1939-1945. e conseguiu cultivar Leishmania donovani e Leishmania tropica em meios de cultura artificiais. Sua descoberta do mecanismo de transmissão da febre tifóide criou a base para os cuidados preventivos contra essa doença, durante as Guerras de 1914-1918 e 1939-1945. e conseguiu cultivar Leishmania donovani e Leishmania tropica em meios de cultura artificiais. Sua descoberta do mecanismo de transmissão da febre tifoide criou a base para os cuidados preventivos contra essa doença, durante as Guerras de 1914-1918 e 1939-1945. Nicolle escreveu vários livros importantes, incluindo Le Destin des Maladies infectieuses ; La Nature, concepção et moral biologiques ; Responsabilités de la Médecine e La Destinée humaine. Nicolle era associado da l'Academie de Médecine e recebeu o Prix Montyon em 1909, 1912 e 1914; o Prix Osiris em 1927, e uma medalha de ouro especial para comemorar seu Jubileu de Prata em Tunis em 1928. Nesta ocasião, ele também foi nomeado membro da Académie des Sciences de Paris. Em 1932, foi eleito Professor do Colégio da França. Charles Nicolle também gozava de considerável reputação como filósofo e escritor de histórias fantásticas, como Le Pâtissier de Bellone , Les deux Larrons e Les Contes de Marmouse . Ele foi dito por Jean Rostand ser “um poeta e realista, um homem de sonhos e um homem de verdade”. Nicolle se casou com Alice Avice em 1895; desse casamento nasceram dois filhos, Marcelle (n. 1896) e Pierre (n. 1898). Ele morreu em 28 de fevereiro de 1936. Charles Nicolle teve pouco tempo de conhecer Pasteur antes de sua morte. Ele trabalhou como estagiário ao lado de Élie Metchnihov e também ajuda Roux. Ele sofria de uma pequena surdez. O irmão mais velho de Charles, Maurice Nicolle, foi enviado por Roux para fundar o Instituto Pasteur em Constantinopla. Charles é solicitado a dirigir o Instituto Pasteur de Túnis, criado em 1893 por Adrien Loir, em sua volta da Austrália. Em Túnis estabelece que a leishmaniose é transmitida pelo piolho, além de identificar também este piolho como o vetor do tifo (Debré, 1995, p. 540-541). Ref. https://data.bnf.fr/en/12515901/charles_nicolle/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1928/nicolle/biographical/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/charles-jules-henri-nicolle Jules Jean Baptiste Vincent Bordet 1870-1961 Médico e bacteriologista belga. Doutor em medicina (1892). Isola o bacilo da coqueluche (em 1906). Titular da cadeira de bacteriologia da Université Libre de Bruxelles (1907-1935). Diretor do Instituto Pasteur de Brabante, Bruxelas (1901-1940). Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina (1919). Jules Bordet nasceu em Soignies, Bélgica, em 13 de junho de 1870. Foi educado em Bruxelas, onde se graduou como Doutor em Medicina em 1892. Em 1894 foi para Paris trabalhar no Instituto Pasteur até 1901, quando retornou à Bélgica para fundou o Instituto Pasteur, em Bruxelas. É Diretor do Instituto Belga desde o seu início (honorário desde 1940) e Professor de Bacteriologia da Universidade de Bruxelas desde 1907 (honorário desde 1935). Os primeiros estudos de Bordet mostraram que os soros antimicrobianos incluem duas substâncias ativas, uma existente antes da imunização, conhecida como alexina, e a outra um anticorpo específico criado pela vacinação: ele desenvolveu um método de diagnóstico de micróbios por soros. Em 1898, ele descobriu os soros hemolíticos e mostrou que o mecanismo de sua ação sobre o sangue estranho é semelhante àquele pelo qual um soro antimicrobiano atua sobre os micróbios e, além disso, que as reações dos soros são de natureza coloidal. Ele tem contribuído muito para a compreensão da formação da coagulina e também dos venenos anafiláticos. Junto com Gengou (em 1906), ele cultivou B. pertussise lançou as bases da opinião geralmente aceita de que este organismo é a causa bacteriana da tosse convulsa. Além de ser uma autoridade mundial reconhecida em muitos ramos da bacteriologia, Bordet era considerado um grande expoente e trabalhador da imunologia. Ele foi o autor de Traité de l'Immunité dans les Maladies Infectieuses (2ª ed., 1939) (Tratado sobre a imunidade em doenças infecciosas) e de um grande número de publicações médicas. Bordet foi membro permanente do Conselho Administrativo da Universidade de Bruxelas, foi Presidente do Primeiro Congresso Internacional de Microbiologia (Paris, 1930) e Ex-Presidente do Primeiro Conselho de Higiene da Bélgica, o Conselho Científico do Instituto Pasteur de Paris e a Academia Belga de Medicina. Ele era doutor, honoris causa, das Universidades de Cambridge, Paris, Estrasburgo, Toulouse, Edimburgo, Nancy, Caen, Montpellier, Cairo, Atenas e Quebec. Ele foi membro da Academia Real da Bélgica, da Royal Society (Londres), da Royal Society de Edimburgo, da Academy of Medicine (Paris), da National Academy of Sciences (EUA) e de muitas outras academias e sociedades. Bordet ganhou muitos prêmios durante sua carreira, incluindo o Grande Cordon de l'Ordre de la Couronne de Belgique (1930), o Grande Cordon de l'Ordre de Léopold (1937), o Grand Croix de la Légion d'Honneur (1938) e honras públicas da Romênia, Suécia e Luxemburgo. Em 1899, Bordet casou-se com Marthe Levoz. Eles tiveram um filho, Paul, que sucedeu seu pai como Chefe do Instituto Pasteur em Bruxelas e também como Professor de Bacteriologia, e duas filhas. Jules Bordet morreu em 6 de abril de 1961. Jules Bordet é o último dos grandes pasteurianos desta geração, talvez o menos conhecido do público. Entra no Instituto Pasteur em 1894 e trabalha com Metchnikov. Descobre os anticorpos, os antígenos, e inventa os princípios do sorodiagnóstico das afecções microbianas. Em 1901, quando regressa ao seu país, a Bélgica, pede e obtém de Marie Pasteur, depositária do Instituto Pasteur, o direito de batizar o nome de seu laboratório de Instituto Pasteur de Brabante. Em Bruxelas descobre o bacilo da coqueluche e estuda a coagulação do sangue. Em 1919, ao ganhar o Prêmio Nobel de Medicina, homenageia Pasteur (Debré, 1995, p. 541-543). Ref. https://data.bnf.fr/en/12347861/jules_bordet/ Ref. https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1919/bordet/biographical/ Mais informações: https://www.pasteur.fr/en/institut-pasteur/history/jules-bordet-1870-1961 Émile Marchoux 1862-1943 Médico e biólogo francês. Doutor em medicina (Paris, 1887). Chefe do Departamento de Microbiologia Tropical, Instituto Pasteur, Paris. Fundador e presidente da Société de pathologie exotique. Membro da Academia Nacional de Medicina. Émile Marchoux nasceu em Saint-Amand-de-Boixe, Charente, França, a 24 de março de 1862. Depois de estudar em Angoulême, estudou medicina em Paris e em 1887 escreveu a sua tese sobre a história da febre tifoide nas tropas marítimas. Após a universidade, ele embarcou na carreira de médico do exército em Daomé e na Indochina. Entre 1893 e 1905, fez curso no Instituto Pasteur, dirigiu o laboratório em Saint-Louis, no Senegal e contribuiu com a missão de estudos da febre amarela no Brasil. Em 1905 deixou o exército para assumir um posto permanente no Instituto Pasteur, como chefe do Serviço de Microbiologia Tropical. Durante esse tempo, ele liderou importantes pesquisas sobre hanseníase e malária. Ele se tornou um campeão da profilaxia anti-hansênica e a maior parte de seu trabalho científico foi feito sobre a hanseníase. Ele fez um estudo detalhado da hanseníase em ratos e relatou hanseníase "inaparente" no rato, infecção sendo comprovada pela presença de bacilos álcool-ácido resistentes nas glândulas linfáticas. Ele descreveu um caso de hanseníase humana em que apresentou evidências que sugeriam ser atribuível à inoculação subcutânea acidental de material contendo o bacilo de Stefansky. Foi cofundador da Société de Pathologie Exotique (SPE) em 1908, da qual foi posteriormente presidente, de 1928 a 1932. Em 1923, foi presidente do Congresso Internacional da Hanseníase, após o que foi eleito o segundo presidente da Associação Internacional da Hanseníase (ILA), e em 1931 fundou o Institut Central de la Lèpre em Bamako, com F Sorel. Ele foi presidente do Primeiro Congresso Internacional de Higiene do Mediterrâneo em 1932 e em 1934 tornou-se Secretário Geral da Fundação Roux. Ele também foi membro da Academia Francesa de Medicina e Grande Oficial da Legião de Honra. Ele morreu em 19 de agosto de 1943. Marchoux fundou o Instituto Pasteur do Senegal (Debré, 1995, p. 543). Ref. https://data.bnf.fr/en/11184293/emile_marchoux/ Ref. https://leprosyhistory.org/database/person59 Jean Marie Marcel Mérieux 1870-1937 Bioquímico francês. Marcel Mérieux, aluno de Émile Roux, criou sua própria empresa em Lyon, no ano de 1897 (Debré, 1995, p. 543). Em 1897, Marcel Mérieux, que foi aluno de Louis Pasteur, fundou um laboratório de análises em Lyon, que posteriormente se tornaria no Instituto Mérieux. Em 1937, seu filho, Dr. Charles Mérieux, assumiu a direção do laboratório de seu pai. Na década de 1940, introduziu uma técnica desenvolvida pelo professor holandês Frenkel - cultura in vitro - que revolucionou a produção de vacinas e foi pioneiro na produção de reagentes para testes de diagnóstico in vitro. Em 1963, Alain Mérieux, neto de Marcel, fundou a bioMérieux, uma empresa de diagnóstico. Hoje faz parte do Instituto Mérieux, empresas de diagnósticos, imunoterapia, saúde alimentar e nutrição. Ref. https://www.biomerieux.com.br/sobre-nos/biomerieux-no-mundo/nossa-historia Ref. https://data.bnf.fr/en/11875957/fondation_merieux/ Mais informações: https://www.fondation-merieux.org/en/who-we-are/history/ Mais informações: https://www.youtube.com/watch?v=kM7SG3rlosU Charles Louis Alphonse Laveran 1845-1922 Médico militar francês. Descobriu o hematozoário responsável pela malária (1880). Prêmio Nobel de Medicina (1907). Membro da Academia de Medicina, seção de terapêutica e da Academia de Ciências. Alphonse Laveran foi o pioneiro da parasitologia no Instituto Pasteur com Félix Mesnil. Antes de ingressar no Instituto Pasteur, ele descobriu o que pensava ser o agente da malária, um protozoário que infectava as células vermelhas do sangue de seu hospedeiro. Isso foi no hospital Constantine em 1880. De 1880 a 1882, ele descreveu os protozoários em várias publicações. Em 1889, Alphonse Laveran participou de palestras de microbiologia no Instituto Pasteur e cinco anos depois começou a trabalhar como cientista voluntário. De 1900 a 1903, ele investigou a conexão potencial entre os mosquitos Anopheles e a malária. Ele viajou para a Córsega e a Camargue para estudar os mosquitos. Aqui ele também examinou mosquitos que recebeu de todo o mundo. Ele acreditava que poderia haver uma ligação entre esses mosquitos e a propagação da malária. Em 1900, Laveran e Mesnil estudaram os tripanossomos, os agentes causadores de várias epizootias e doenças humanas, como a doença do sono. Quatro anos depois publicaram um tratado sobre o assunto, concluído posteriormente em 1912. Em 1903, os cientistas mostraram que o parasita causador de Kala-azar, uma febre disseminada na Índia anteriormente identificada por Sir William Boog Leishman, era um novo protozoário, diferente dos tripanossomas e hematozoários que causam a malária. Eles o chamaram de Piroplasma donovani depois de Charles Donovan, que também estava trabalhando com leishmaniose. Ronald Ross criou o gênero Leishmania para o parasita que mais tarde foi denominado Leishmania donovani. O trabalho de Alphonse Laveran foi recebido com ceticismo de vários colegas cientistas. A importância de seu trabalho foi reconhecida, no entanto, e em 1907 ele foi agraciado com o Prêmio Nobel "por seu trabalho sobre o papel dos protozoários em causar doenças". Ele deixou quase toda a receita de seu prêmio para o Instituto Pasteur para o desenvolvimento de instalações dedicadas à parasitologia. Ref. https://data.bnf.fr/en/12511339/alphonse_laveran/ Ref. https://www.pasteur.fr/en/institut-pasteur/history/alphonse-laveran-1845-1922 Mais informações: https://www.nobelprize.org/prizes/medicine/1907/laveran/biographical/ Próximo Grupo

  • Citações | Pasteur Brasil

    Citações Excertos de escritos e declarações de Louis Pasteur, agrupados por temas. Acesse as referências utilizadas nesta compilação. Foi utilizada tradução livre de trechos extraídos de outros idiomas. Ciência e Pesquisa "O grande segredo consiste em fazer experiências que não deixem lugar à fantasia do observador. No começo das pesquisas em torno de um determinado objetivo, a força da imaginação deve dar asas ao pensamento. No momento de se tirar uma consequência e da demonstração de fatos colhidos pelas observações, a fantasia deve, pelo contrário, ser dominada pelos resultados concretos das experiências e a eles submetida" (Unger, [196-], p. 24). “Na ciência, algumas pessoas têm convicções; outros têm apenas opiniões. A convicção supõe prova; as opiniões são frequentemente baseadas em hipóteses" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Acreditar que se descobriu um fato científico importante, ansiar anunciá-lo e ainda assim esperar dias, semanas ou até anos; esforçar-se para invalidar as próprias experiências; publicar as descobertas só depois de exaustivas verificações - sim, a tarefa é dura. Mas, quando se consegue a certeza, a recompensa é um dos melhores bálsamos para a alma humana" (Birch, 1993, p. 32; Cuny, 1963, p. 172 ). "Sempre duvide de si mesmo, até que os fatos se apresentem de forma indubitável" (Birch, 1993, p. 7). "Não apresente nada que não possa ser comprovado de forma simples e decisiva" ( Cuny, 1963, p. 172) . "Vamos, revolucionemos o mundo com os nossos descobrimentos!"(Unger, [196-], p. 97). "Nada é mais gratificante para um cientista do que aumentar o número de descobertas, mas o máximo é ver suas observações colocadas em prática" (Birch, 1993, p. 33). "Para quem dedica sua vida à ciência, nada pode dar-lhe mais felicidade do que aumentar o número de suas descobertas, mas sua alegria transborda quando os resultados de seus estudos encontram imediatamente aplicações práticas" (Dubos, 1967a, p. 76). "Não há ciência pura e ciência aplicada - há apenas ciência, e as aplicações da ciência" (Dubos, 1967b, p. 51). "Não existe uma categoria de ciências que possa ser chamada de ciências aplicadas. Existe a ciência e as aplicações da ciência, ligadas entre si como o fruto à árvore que o gerou" (Cuny, 1963, p. 173 ). "Sem teoria, a prática nada mais é do que rotina nascida do hábito. Somente a teoria pode trazer o avanço e o desenvolvimento do espírito de invenção" (Dubos, 1967a, p. 22). "Quando medito sobre uma doença nunca penso encontrar um remédio para ela, porém, em vez disso procuro meios de preveni-la" (Dubos, 1967b, p. 106). "A cultura das ciências em sua expressão mais elevada talvez seja ainda mais necessária para o estado moral de uma nação do que sua prosperidade material" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O papel dos infinitamente pequenos na Natureza é infinitamente grande" (Dubos, 1967b, p. 57). "As concepções mais elevadas, as especulações mais legítimas, ganham corpo e alma apenas no dia em que são consagradas pela observação e pela experiência. Acabem com o trabalho, as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade e da morte. Não serão mais do que ciências da educação, limitadas e impotentes, e não ciências do progresso e do futuro" ( Cuny, 1963, p. 175) . "O verdadeiro sábio tem um só dever e uma única tarefa: procurar aquilo que existe" (Unger, [196-], p. 66). Vida "A vida não tem valor, quando não se pode ser útil a outrem" (Unger, [196-], p. 12). "Há na vida de todo homem, na carreira das ciências experimentais, uma idade em que o emprego do tempo é inestimável: a idade rápida em que floresce o espírito de invenção, na qual cada ano deve ser marcado por um progresso" (Debré, 1995, p. 162). "Gostaria de ser mais jovem para me dedicar com novo ardor ao estudo de novas doenças" ( Cuny, 1963, p. 171) . "Se eu tivesse outra vida para viver, tentaria sempre me lembrar do admirável preceito de Bossuet: 'A pior atitude que podemos tomar é acreditar que as coisas são como são porque queremos que elas assim sejam´" (Birch, 1993, p. 36; Cuny, 1963, p. 171). "O único consolo, quando começamos a sentir que as nossas próprias forças se esvaem, é dizer a nós mesmos que podemos ajudar quem nos segue a fazer mais e melhor do que nós, caminhando com os olhos fixos nos grandes horizontes que só podemos vislumbrar" ( Cuny, 1963, p. 172) . Personalidade "Deixe-me contar-lhe o segredo que me fez chegar a meu objetivo. Minha única força reside em minha tenacidade" (Birch, 1993, p. 6). "No campo da experimentação, o acaso favorece as mentes preparadas" (Birch, 1993, p. 52). "Não basta amar a verdade, é preciso defendê-la também" (Unger, [196-], p. 49). "Sou o mais hesitante dos homens, o que mais teme se comprometer quando não tem provas. Mas, ao contrário, nenhuma consideração pode me impedir de defender o que penso ser a verdade quando posso contar com sólidas provas científicas" (Birch, 1993, p. 6). "Querer é muito, porque do querer se segue sempre uma ação, um trabalho, a maioria das vezes coroado de êxito. Destas três coisas, vontade, trabalho e êxito é que se compõe a vida humana. A vontade abre as portas de uma carreira feliz; o trabalho tudo vence; e o êxito coroa a obra" (Unger, [196-], p. 74). "Seria aos meus próprios olhos um ladrão, se passasse um dia inteiro sem trabalhar" (Unger, [196-], p. 112). "Meu trabalho, minha família, minha pátria, isso é o que sempre amei" (Vallery-Radot, 1994, p. 58). Residindo em Lille, Pasteur escreve ao amigo Charles Chappuis: "Tenho, finalmente, o que sempre quis, um laboratório que posso ir a qualquer hora, no andar térreo do meu aposento; e, por vezes, enquanto estou dormindo, principalmente nestes dias, o gás queima toda a noite e as operações continuam em curso (...) Trabalhemos todos, só isso é que diverte" (Debré, 1995, p. 111). "É na leitura das obras dos inventores que a chama sagrada da invenção se acende e se mantém unida" (Blaringhem, 1923, p. vii). "Seria muito interessante e proveitoso se dos progressos da ciência participasse também o coração" (Unger, [196-], p. 84). "A grandeza dos atos humanos mede-se pela intenção de que se originam" (Unger, [196-], p. 123). "Frequentemente, uma observação do homem mais inculto, mas que faz bem o que faz, é infinitamente preciosa" ( Cuny, 1963, p. 174) . "O cientista que se entrega à tentação das aplicações industriais deixa assim de ser o homem da ciência pura, complica a sua vida e a ordem normal dos seus pensamentos de preocupações que paralisam nele qualquer inventividade para o futuro" ( Cuny, 1963, p. 174) . "Mantenha o seu entusiasmo, mas dê a este companheiro um controle severo" (Cuny, 1963, p. 175) . "Cultive o pensamento crítico. Reduzido apenas a ele, não será um despertador de ideias, nem um estimulante de grandes coisas, mas sem ele, tudo é nulo e vazio. Ele sempre tem a última palavra" (Cuny, 1963, p. 175) . "Quando me aproximo de uma criança, ela me inspira dois sentimentos: o de ternura pelo presente, e o de respeito por aquilo que um dia pode se tornar"(Cuny, 1963, p. 175) . Religião e Espiritualidade "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). "Os gregos nos deram uma das mais belas palavras de nossa linguagem, a palavra 'entusiasmo' um deus interno. A grandeza dos atos dos homens é medida pela inspiração que lhes dá origem. Feliz é aquele que tem um deus interno" (Dubos, 1967a, p. 25; Dubos, 1967b, p. 119). "A ciência é incapaz de resolver a questão da origem e do fim das coisas" (Vallery-Radot, 1994, p. 377). "Além desta abóbada estrelada, o que há? Novos céus estrelados, que assim seja! E além? ... Além... é infinito". "Aquele que proclama a existência do infinito, e ninguém pode escapar disso, acumula nesta afirmação mais sobrenatural que não há em todos os milagres [religiosos], porque a noção de infinito tem esse duplo caráter de ser imposta e de ser incompreensível" (Vallery-Radot, 1994, p. 399-400). "Pretender introduzir a religião na ciência é um equívoco da mente. Ainda mais falsa é a mente de quem afirma introduzir a ciência na religião, porque é obrigada a respeitar o método científico" ( Cuny, 1963, p. 173-174) . "Onde estão as verdadeiras fontes da dignidade humana, da liberdade e da democracia moderna, senão na noção do infinito perante o qual todos os homens são iguais?" ( Cuny, 1963, p. 174) . Pátria / Nação "A ciência não tem pátria" (Vieira, 2014, p. 885). "A ciência não tem pátria, ou melhor, a pátria da ciência é o mundo inteiro" (Unger, [196-], p. 7). "Estou imbuído de duas profundas impressões; a primeira, que a ciência não conhece países; a segunda, que parece contradizer a primeira, embora seja na realidade uma consequência direta dela, que a ciência é a mais alta personificação da nação. A ciência não conhece país, porque o conhecimento pertence à humanidade, e ela é a tocha que ilumina o mundo. A ciência é a mais alta personificação de uma nação porque a primeira dentre as nações será aquela que levar mais longe os trabalhos do pensamento e da inteligência. A convicção de ter alcançado a verdade é uma das maiores alegrias do homem, e a ideia de ter contribuído para a honra do nosso país torna esta alegria ainda mais profunda. Se a ciência não tem país, o homem de ciência tem. E é ao seu país que deve dedicar sua influência para que sua obra tenha impacto no mundo" (Dubos, 1967a, p. 76; Dubos, 1967b, p. 118-119). "Quem sofre não é questionado sobre qual é o seu país e qual é a sua religião. Diz-se simplesmente: 'Você sofre, isso me basta: você me preocupa e eu o ajudarei" (Dubos, 1967a, p. 76-77). "Estou absolutamente convencido de que a Ciência e a Paz triunfarão sobre a Ignorância e a Guerra. Que as nações finalmente se unirão, não para destruir, mas para construir, e que o futuro pertencerá àqueles que trabalharam mais para o benefício da humanidade sofredora" (Dubos, 1967a, p. 77). Política "Não tenho e não quero ter nenhuma coloração política. Não quero ser nada senão um cidadão, um trabalhador dedicado ao seu país" ( Cuny, 1963, p. 171) . "A ciência, em nosso século, é a alma da prosperidade das nações e a fonte viva em todo o progresso. Sem dúvida, a política, com suas discussões cansativas e diárias parecem ser a nossa guia. Aparência vã! O que nos conduz são as descobertas científicas e suas aplicações... É a ciência que representarei no Senado" ( Cuny, 1963, p. 22-23). "Uma das grandes desgraças da França é que existem muitos políticos nas Assembleias. A política com suas fatigantes e cotidianas discussões parece ser nosso guia. Vã aparência! O que nos governa são algumas descobertas científicas e suas aplicações. No século atual, a ciência é a alma da prosperidade dos povos e a fonte festejada de todo o progresso" (Debré, 1995, p. 337). "É a Ciência na sua pureza, sua dignidade, sua independência que representarei no Senado" (Debré, 1995, p. 336). "A verdadeira democracia é aquela que permite a cada indivíduo dar o seu máximo esforço no mundo. Por que é necessário que ao lado desta fecunda democracia haja outra, estéril e perigosa, que, não sei sob que pretexto de igualdade quimérica, sonha em absorver ou aniquilar o indivíduo no Estado? Esta falsa democracia tem o gosto, atrevo-me a dizer o culto, da mediocridade ... Poderíamos definir esta democracia: a liga de todos aqueles que querem viver sem trabalhar, consumir sem produzir, chegar ao trabalho sem estar preparados para isso, para honrar sem ser digno..." ( Cuny, 1963, p. 29). Pasteur, enquanto candidato ao Senado confessa não aderir a nenhum partido, e seu discurso suscita indignação tanto da direita quanto da esquerda. Para o cientista, enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível: "Se, na nossa infeliz França, há trinta ou quarenta anos, os governos e as grandes corporações do Estado não se tivessem desinteressado das instituições próprias para fazer florescer as ciências, a Alemanha teria sido vencida. Ignoram vocês que, enquanto a política nos irrita por suas divisões insensatas que fazem a alegria satânica de nossos inimigos, o vapor, a telegrafia e tantas outras maravilhas transformam as sociedades modernas?" (Debré, 1995, p. 336). Arte "Grandes artistas quase sempre têm grandes corações" ( Cuny, 1963, p. 171). Animais " O sofrimento de um animal me impressiona o suficiente para que eu nunca quisesse matar um animal enquanto caçava (pescava). O gemido de uma cotovia ferida iria rasgar meu coração. Mas se se trata de escrutinar os mistérios da vida e adquirir uma nova verdade, a soberania da meta carrega tudo consigo (Em resposta a um protesto antiviseccionista) ( Cuny, 1963, p. 173). Com cães, você nunca deve começar. É muito difícil separar-se de um cachorro que você ama. Tudo bem não começar a amar um. Nunca tenha um (Resposta a uma pergunta feita durante a pesquisa sobre raiva) ( Cuny, 1963, p. 172 ). Exposições orais Após os desastres franceses na Guerra Franco-Prussiana de 1870-71, quando o governo italiano ofereceu-lhe uma cadeira de Química na Universidade de Pisa, com um alto salário: "O pensamento da França sustentou minha coragem durante as horas difíceis que foram uma parte inevitável dos prolongados esforços. Associei sua grandeza à grandeza da Ciência". "Eu me sentiria como um desertor se procurasse, fora de meu país em desgraça, uma situação material melhor do que aquela que ele pode oferecer-me (Dubos, 1967b, p. 116-117). Conferência pública na Sorbonne: "Na imensidão da criação, peguei minha gota de água, cheia de um alimento rico - ou seja, para usar a linguagem científica, cheia de elementos apropriados para o desenvolvimento de pequenos seres. E espero, observo, interrogo-a, peço-lhe mais uma vez que tenha a gentileza de começar, só para me agradar, o ato primário da criação. Seria tão lindo se ela me atendesse! Mas ela é muda! Permaneceu muda por anos. Ah! Isso aconteceu porque eu a mantive longe, e ainda a mantenho, da única coisa que o homem não pode produzir. Eu a mantive protegida dos micróbios que flutuam no ar; eu a protegi da vida, da vida de um micróbio, pois um micróbio é uma vida. A teoria da geração espontânea jamais se recuperará do golpe mortal que sofreu com esta simples experiência" (Birch, 1993, p. 10). Em discurso na Academia de Medicina: "Essa água, essa esponja, esse algodão com o qual vocês lavam ou cobrem uma ferida, podem depositar germes que têm o poder de se multiplicar rapidamente dentro dos tecidos... Se eu tivesse a honra de ser um cirurgião, impressionado como estou com os perigos a que o paciente está sujeito pelos micróbios presentes sobre as superfícies de todos os objetos, particularmente nos hospitais, não apenas usaria somente instrumentos perfeitamente limpos, como limparia minhas mãos com o maior cuidado e as sujeitaria a um rápido flambar... Eu usaria algodão, ataduras e esponjas previamente expostas a uma temperatura de 130 a 150º C." (Dubos, 1967b, p. 106-107). Para jovens cientistas no Instituto Pasteur: "Aquele entusiasmo que vocês mostraram desde o início, meus queridos colaboradores, conservem-no, mas deixem que a checagem precisa seja sua companheira de viagem. Jamais emitam uma opinião que não possa ser provada, cultuem o espírito crítico. Ele sozinho não pode despertar ideias nem levar a mente a fazer coisas brilhantes. Mas, sem ele, tudo é precário. Invariavelmente, ele dá a última palavra" (Birch,1993, p. 63). No discurso de seu jubileu: "Jovens, confiem no método científico, cujos primeiros segredos nós mal desvendamos. Não percam a coragem. Vivam no sereno ambiente dos laboratórios e das bibliotecas. No fim da vida, que vocês possam dizer: 'Fiz o que pude'." (Birch, 1993, p. 63; Dubos, 1967a, p. 52 ). "Jovens, tenham fé nos métodos eficientes e seguros dos quais ainda não conhecemos todos os segredos. E, qualquer que seja vossa carreira, não vos deixei desencorajar pela tristeza de certas horas que passam sobre as nações. Vivam na paz serena dos laboratórios e bibliotecas..." (Dubos, 1967b, p. 121). Sobre os laboratórios: "Tomem interesse, eu lhes imploro, naquelas sagradas instituições que designamos sob o expressivo nome de laboratórios. Peçam que elas sejam multiplicadas e adornadas; eles são os templos da riqueza e do futuro. Lá é que a humanidade cresce, torna-se mais forte e melhor. Lá é que ela aprende a ler nos trabalhos da Natureza, símbolos do progresso e da harmonia universal, enquanto que os trabalhos do ser humano são muito frequentemente aqueles do fanatismo e da destruição" ( Dubos, 1967a, p. 71; Dubos, 1967b, p. 119-120 ). Um dia, disse a seus alunos: "Vocês me trazem toda a alegria que pode sentir um homem cuja crença inabalável é a de que a ciência e a paz triunfarão sobre a ignorância e a guerra (...) que o futuro pertence àqueles que mais trabalharem para amenizar o sofrimento da humanidade" (Birch, 1993, p. 59). No discurso de inauguração do Instituto Pasteur: "Duas leis contrárias parecem estar lutando entre si atualmente: a primeira, a lei do sangue e da morte, sempre imaginando novos meios de destruição e forçando as nações a se encontrarem constantemente prontas para a batalha; a outra, a lei da paz, trabalho e saúde, sempre desenvolvendo novos meios para libertar o homem dos flagelos que o assolam" ( Dubos, 1967b, p. 120 ). Ao olhar pelo microscópio pela última vez em vida (micróbio da peste bubônica descoberto por Alexandre Yersin), comentou: "Ah, quanta coisa ainda há por fazer!" (Birch, 1993, p. 58). Em construção

  • Políticos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Políticos Charles-Louis-Napoléon Bonaparte (Napoléon III) 1808-1873 Napoleão III, também chamado (até 1852) Louis-Napoléon, nome completo Charles-Louis-Napoléon Bonaparte, nascido Paris e falecido em Chislehurst, Kent, Inglaterra, sobrinho de Napoleão I, foi presidente da Segunda República da França (1850 a 1852) e imperador dos franceses (1852 a 1870). Devido à extensão da biografia de Napoleão III, sugere-se consultar os links referentes a "mais informações". Em ano seguinte à sua eleição para a Academia de Ciências, Pasteur é apresentado a Napoleão III, por Jean-Baptiste Dumas, segundo o costume da época ao ingressar na Academia. Naquele mesmo ano, Ildefonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, p. 245-246, 254). Dois anos depois, Napoleão III disse ter muito interesse em se manter informado do andamento das pesquisas e o convida para passar uma semana no castelo de Compiègne (Debré, 1995, p. 246). É realizada uma demonstração aos imperadores ao microscópio, com amostras de vinho (Debré, 1995, p. 251). Em 1863, Pasteur escreve a Napoleão III dizendo que “é chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, o imperador pede a Victor Duruy, Ministro da Instrução Pública, que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo surgem obstáculos para a continuidade da obra, pois os créditos suplementares que a construção exige são recusados pela administração. Encontra-se dinheiro para levantar a Ópera Garnier, mas não para a pesquisa científica. Pasteur fica indignado e, em 1868, prepara um artigo denominado “O orçamento da ciência” para o jornal Le Moniteur a fim de mobilizar a opinião pública. Em um dos trechos ele diz: “suprimam os laboratórios, e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte”. Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um conjunto de cientistas, inclusive Pasteur. Napoleão III convida cada um a se exprimir. Pasteur recorda a criação da função de estagiário e fala em seguirem o exemplo da Alemanha, onde inclusive eles moram nas proximidades do seu laboratório (Debré, 1995, p. 166-168). Ref. https://data.bnf.fr/fr/12462544/napoleon_3/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Napoleon-III-emperor-of-France Mais informações: https://www.napoleon.org/en/young-historians/napodoc/napoleon-iii-emperor-of-the-french-1808-1873/ Ildefonse Favé 1812-1894 General francês de artilharia. Ajudante de campo do imperador Napoleão III. - Membro da Academia das Ciências (eleito em 1876). Natural de Dreux, França, foi general de artilharia, comandante da Escola Politécnica Imperial, ajudante de campo do imperador e membro da Academia das Ciências (eleito em 1876). Favé passou pela Escola de Aplicação Metz e se tornou tenente de artilharia. Em 1841, ele publicou um Novo Sistema para a Defesa de Fortalezas e foi destacado para a Manufatura de Armas de Tule. Em 1845, foi vice-diretor das oficinas de precisão do depósito central de artilharia; ele publicou uma História Tática das Três Armas. Em 1846, ele publicou o primeiro volume de Estudos sobre o Passado e o Futuro da Artilharia, escrito por Louis-Napoleón durante sua detenção em Fort Ham; em 1847, ele estudou um novo modelo de rifle. Louis-Napoléon, que se tornou Presidente da República em 1848, chamou Favé que publicou seu Novo Sistema de Artilharia em 1850. Em seguida, foi enviado em uma missão de estudos à Inglaterra, Holanda e Bélgica para avaliar seus equipamentos. Artilharia (fabricação de explosivos e organização de fábricas de armas). Em seu retorno, nomeado professor de arte militar na École Polytechnique, ele se tornou o oficial ordenado de Luís Napoleão em 1852 e depois o líder de seu esquadrão. Em 1853, durante a Guerra da Crimeia, ele desenvolveu navios de guerra flutuantes a vapor para o ataque ao porto de Kronstadt, três dos quais foram usados em Sebastopol em 1855. Chefe do gabinete militar de Napoleão III durante a campanha da Itália, ele depois trabalhou na artilharia de canhão rifled e criou as primeiras metralhadoras. Coronel em 1859, general de brigada em 1865, Favé foi nomeado comandante da École Polytechnique em 1865 e juntou-se ao estado-maior do imperador em 1870, onde participou na defesa de Paris. Ele mudou-se para o quadro da reserva em 1874. Em 1876, foi eleito para a Academia de Ciências. Professou arte militar na Polytechnique de 1874 a 1882. Publicou, além das obras citadas acima, entre outras: O exército francês desde a guerra, 1874-1875; Curso de Arte Militar, 1877 e 1878-1879. Em 1870, Favé, comandante da Escola, participou da defesa de Paris. Em 1855, Ildefonse Favé, então oficial ordenado do imperador e professor na École Polytechnique, apoiou o trabalho de Henri Sainte-Claire Deville (1818-1881) com o imperador. Ildefonse Favé apoiará outros cientistas, que também contarão com a ajuda financeira do imperador, incluindo dois próximos a Sainte-Claire Deville, Louis Pasteur (1822-1895) e Léon Foucault (1819-1868). Ildefonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, p. 245-246, 254). Ref. https://data.bnf.fr/fr/13486599/ildefonse_fave/ Mais informações: https://www.polytechnique.edu/bibliotheque/fr/1865-fave-ildefonse-dreux-1812-paris-1894 Jean-Victor Duruy 1811-1894 Político e historiador francês. Agrégé d'histoire (1833). Doutor em Letras (1853). Professor de História no Lycée Henri IV em Paris. Inspetor Geral da Educação Secundária (1862). Ministro da Instrução Pública (1863-1869). Senador (1869-1870). Membro da Académie des Inscriptions et Belles-Lettres (eleito em 1873), Academy of Moral and Political Sciences (eleito em 1879), Académie française (eleito em 1884). Victor Duruy, natural de Paris, França foi um acadêmico francês e funcionário público que, como ministro nacional da educação ( 1863-69), iniciou reformas extensas e controversas. Ele foi professor em Reims e Paris e, como ministro da instrução pública (1863-1869) sob Napoleão III, incentivou a adoção do princípio da educação primária obrigatória gratuita. Sua obra mais conhecida é sua Histoire des Romans (7 vol., 1870-85; tr., 8 vol., 1883), mas ele também escreveu outras histórias populares, notadamente da Grécia e da França. Victor Duruy foi um interlocutor muito próximo de Pasteur, construindo uma verdadeira relação de amizade. Inclusive, a filha de Duruy, Hélène, era colega de Cécile, filha de Pasteur que faleceu ainda criança. A passagem de Duruy no Ministério da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajuda concedida aos cientistas, não só a Pasteur. Ele é responsável por criar o decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades, devido à forte influência de Pasteur. Ambos tinham a convicção de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, e Duruy ajuda a vencer obstáculos administrativos para desbloquear o crédito para a finalização do laboratório de química fisiológica (Debré, 1995, p. 168-170). Duruy vela pelo ingresso de Pasteur na Legião de Honra e faz com que seja atribuído um prêmio pelos seus trabalhos sobre a fermentação do vinho, por ocasião da Exposição Universal de 1867. Nesta ocasião, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Ref. https://data.bnf.fr/en/12453369/victor_duruy/ Ref. https://www.encyclopedia.com/reference/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/duruy-victor Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Victor-Duruy Mais informações: https://www.jstor.org/stable/286006?seq=1 Mathilde Laetitia Wilhemine Bonaparte 1820-1904 Mathilde Bonaparte, filha de Jerônimo Bonaparte (1784–1860), rei da Westfália (irmão mais novo de Napoleão) e Catarina de Wurttemberg (1783–1835); irmã do Príncipe Napoleão (Plon-Plon) e sobrinha de Napoleão I, imperador da França. Casou-se em 1840 com o Príncipe Anatole Demidoff, Príncipe de San Donato (1813-1870). Ela passou os primeiros anos de sua infância em Roma e quase se casou com seu primo Luís Napoleão em 1836, mas o noivado foi rompido após o fracasso do golpe de Estrasburgo. Casada em 1840 com o príncipe russo Anatoli Demidoff de San Donato, ela se separou dele em 1845 e se estabeleceu em Paris. Lá ela manteve um salão de renome frequentado pela elite intelectual e artística do Segundo Império. Ela organizava jantares de homens de letras às quartas-feiras, onde se podia conhecer escritores como Sainte-Beuve, Ernest Renan, Émile Littré, Guy de Maupassant, Gustave Flaubert, Théophile Gautier, Alexandre Dumas ou François Coppée. Também convidou jornalistas como Émile de Girardin, Doutor Véron, diretor do Constitutionnel, ou Villemessant, fundador do Le Figaro. Os cientistas não foram esquecidos: Louis Pasteur, Claude Bernard ou Marcelin Berthelot. A princesa Mathilde foi extremamente influente durante o Segundo Império por causa de sua estreita amizade com seu primo Napoleão III. Por volta de 1863, Pasteur vai ao salão da princesa Mathilde. Lá fala da necessidade de uma reforma na produção do vinho ou do vinagre e queixa-se da pouca consideração de que dispõem os laboratórios e da inércia dos poderes públicos. No fundo esta é a intenção de Pasteur ao comparecer nestas ocasiões. O resultado obtido é a criação de uma cátedra de física e química aplicadas na École de Belas Artes, onde leciona para estudantes de arquitetura, onde fala bastante de higiene e do mal emprego da ventilação (Debré, 1995, p. 152-153). Ref. https://data.bnf.fr/en/12071715/mathilde_bonaparte/ Ref. https://histoire-image.org/fr/etudes/salon-princesse-mathilde Mais informações: https://www.encyclopedia.com/women/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/mathilde-1820-1904 Pedro de Alcântara... de Bragança (Dom Pedro II) 1825-1891 Dom Pedro II foi o segundo e último Imperador do Brasil. Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil, no dia 02 de dezembro de 1825. Filho do Imperador Dom Pedro I e da Imperatriz Dona Maria Leopoldina, recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Bragança. Tornou-se príncipe regente aos cinco anos de idade, quando seu pai, Dom Pedro I, abdicou do trono. Aos 15 anos foi declarado maior e coroado Imperador do Brasil. Seu reinado teve início no dia 23 de julho de 1840 e terminou no dia 15 de novembro de 1889, quando foi proclamada a República. D. Pedro II acompanhava com grande interesse os trabalhos de Pasteur, e desejava que o Brasil seguisse os passos do cientista. Durante os anos 1880 eles trocam algumas cartas. Pedro II preocupa-se particularmente com a febre amarela e em uma carta de 1882 escreve “espero que não se esqueça das pesquisas de micróbios da febre amarela, descobrindo-lhe uma vacina”. O imperador brasileiro desejava muito a vinda de Pasteur para o Brasil, o que não ocorreu devido à idade avançada de Pasteur e as sequelas do AVC. Em 1886, Pedro II confere a Pasteur a “Ordem da Rosa” pelo serviço prestado à humanidade ( Lima; Marchand, 2005, p. 17, 25 ) . Em 1884, em carta a Dom Pedro II, Pasteur participa ao imperador do Brasil que até aquele momento ainda não havia efetuado nenhuma experiência com humanos. Verifica a possibilidade de no dia da execução da sentença de morte dos condenados (que ele pensava existir), ser oferecida a escolha de ter uma morte iminente ou a possibilidade de participar de um experimento científico que consistiria em inoculações preventivas da raiva, de modo a tornar-se refratário à doença. Disse: “No caso de ser salvo, e estou persuadido de que isso aconteceria, como garantia para a sociedade que condenou o criminoso, eu o submeteria a uma vigilância para o resto da vida” (Debré, 1995, p. 484). Mais informações: https://www.encyclopedia.com/humanities/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/pedro-ii-brazil-1825-1891 Mais informações: https://www.ebiografia.com/dompedro_ii/ Frederick Hamilton-Temple-Blackwood (Lord Dufferin) 1826-1902 Frederick Hamilton-Temple-Blackwood, nasceu em Florença, Itália, e faleceu perto de Belfast, Irlanda. Foi primeiro marquês de Dufferin e AVA. Ele se destacou como diplomata, especialmente como embaixador britânico em São Petersburgo e como governador-geral do Canadá, o que levou à sua nomeação como vice-rei da Índia (1884 - 1896). Após, foi embaixador britânico em Paris (1891 – 1896). Lord Dufferin, enquanto embaixador britânico em Paris, escreveu às autoridades britânicas na Índia sugerindo que fossem oferecidas instalações a Waldemar Haffkine, bacteriologista ucraniano do império da Rússia, que iniciou os seus experimentos sobre a cólera no Instituto Pasteur, para continuar seus estudos de cólera naquele local. Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Frederick-Temple-Hamilton-Temple-Blackwood-1st-Marquess-of-Dufferin-and-Ava Mais informações: https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/dufferin-lord Gustave Rouland 1806-1878 Gustave Rouland, nascido em França, foi deputado por Dieppe, Seine-Maritime (1846), vice-presidente do Senado (1863) Ministro da Educação Pública (1856-1863), Advogado-Geral no Tribunal de Cassação, Presidente do Conselho de Estado (1863) e Governador do Banque de France (1863-1878). Deputado de 1846 a 1848, senador do segundo império, ministro senador de 1876 a 1878, nascido em Yvetot (Seine-Inférieure) em 1º de fevereiro de 1806, falecido em Paris em 12 de dezembro de 1878, estudou no colégio de Rouen, seu direito a Paris, foi admitido como advogado em 1827, entrou no judiciário como juiz no tribunal des Andelys e, sucessivamente, tornou-se procurador-adjunto do rei em Louviers (1828), em Evreux (1º de junho de 1831), procurador do rei em Dieppe (1º de outubro após), procurador-geral adjunto em Rouen, procurador-geral adjunto no tribunal (17 de janeiro de 1835), advogado-geral (1 de novembro de 1838) na mesma cadeira, procurador-geral em Douai (28 de abril de 1843). Eleito em 1º de agosto de 1846, deputado do 7º colégio de Seine-Inférieure (Dieppe) por 268 votos em 490 eleitores e 517 registrados, contra 221 do senhor Levavasseur, foi majoritário, falou sobre questões legislativas, e foi nomeado, em 23 de maio de 1847, advogado-geral no Tribunal de Cassação: nesta ocasião, os seus eleitores renovaram o seu mandato legislativo por 314 votos em 441 eleitores. M. Rouland renunciou ao cargo de magistrado na revolução de fevereiro de 1848, foi reintegrado em suas funções em 10 de julho de 1849 e foi nomeado procurador-geral no tribunal de Paris em 10 de fevereiro de 1853. Ele falou, nesta qualidade, em negócios de os enredos da Opéra-comique e do Hipódromo, no dos correspondentes estrangeiros, de Pianori, etc. Com a morte de M. Fortoul, o imperador confiou-lhe a pasta de Educação Pública e Culto (13 de agosto de 1856-24 de junho de 1863): ele modificou o chamado sistema de bifurcação, inaugurou a educação profissional, fundada por M. Renan assumiu a cadeira de lingüística comparada no Collège de France (11 de janeiro de 1862) e suspendeu o curso no dia seguinte à aula de abertura (18 de janeiro) por "ataques às crenças cristãs". Como Ministro da Religião, ele tentou impedir o movimento dos bispos em favor do Papa (1860); ao Senado, onde havia sido convocado pelo Imperador em 14 de novembro de 1857, respondeu ao Arcebispo de Bordéus, em 1865, na discussão do Discurso, que a camarilha da Ency e o Syllabus eram apenas uma resposta à convenção de 25 de setembro, a vingança do partido ultramontano, cuja influência crescia a cada dia; em 1867, discursou contra o ensino gratuito, dizendo que "o professor deveria ser amigo da ordem pública, amigo do governo", e que era preciso deixar aos prefeitos o direito de escolher e nomeá-los. Na mesma discussão, em uma alusão ao Sr. Renan, o Sr. Rouland afirmou que este último, antes de sua nomeação, havia feito compromissos condicionais com o Ministro que não havia cumprido; M. Renan se opôs a esta alegação, no Journal des Débats no dia seguinte, uma negação formal. M. Rouland foi nomeado Ministro que preside o Conselho de Estado (18 de outubro de 1863 - 27 de setembro de 1864), membro do Conselho Superior da Educação Pública (7 de novembro), Governador do Banque de France (28 de setembro de 1864) ; ele foi vice-presidente do Senado desde o ano passado. Em 5 de junho de 1871, foi chamado ao cargo de Procurador-Geral do Tribunal de Contas. Mas o Sr. Ernest Picard, nomeado em seu lugar Governador do Banque de France, tendo recusado este cargo, o Sr. Rouland foi reintegrado nessas funções no dia 29 de dezembro seguinte. Conselheiro geral do cantão de Yvetot, secretário e presidente da assembleia departamental, foi eleito, em 30 de janeiro de 1876, senador de Seine-Inferior por 495 votos em 868 eleitores; sentou-se à direita bonapartista, concedeu a dissolução da Câmara solicitada pelo gabinete de 16 de maio, lutou contra os ministérios republicanos com seus votos e morreu durante a legislatura. Grã-cruz da Legião de Honra (14 de agosto de 1862). Temos dele: Discursos e acusações (1804). No final de 1859, Pasteur não tinha a mínima subvenção para ins talar-se na Rua Ulm. Escreveu a Gustave Rouland, então ministro da Instrução Pública a fim de chamar a atenção para os benefícios que poderiam ser extraídos de um estudo completo sobre a doença dos vinhos, solicitando fundos necessários para a instalação e experimentos no laboratório na rua Ulm em Paris : "Acho que obedeço, senhor ministro, a uma parte de suas instruções, con sagrando todo o tempo de que disponho aos progressos da ciência." Era uma maneira indireta de pedir os fundos necessários destinados à instala ção de um rico material. Responderam-lhe que os créditos deveriam ser "inteiramente consagrados à conservação dos edifícios e não à execução dos trabalhos que a conveniência das pessoas alojadas nesse edifícios reclama". De tanto insistir, Pasteur acabou, entretanto, obtendo alguns subsídios. Mas só podia tratar-se de uma instalação provisória. Todavia, o equipamento de que Pasteur precisava na época era modes to. Suas pesquisas sobre a fermentação só exigiam uma estufa, um micros cópio, produtos químicos, recipientes de vidro. Mas, se o Ministério quises se dar algum dinheiro para a reparação da água-furtada, claro estava que era impensável assegurar os respectivos equipamentos ou o funcionamento: "Não há orçamento ad hoc que nos permita subvencionar cinqu enta cêntimos para os seus gastos com experiências." Foi, portanto, com seu próprio salá rio que Pasteur teve de equipar e manter seu laboratório. Tal instalação lhe custou cerca de dois mil francos, soma considerável para a época (Debré, 1995, p. 161, 551). Ref. https://data.bnf.fr/fr/15587634/gustave_rouland/ Ref. https://www.senat.fr/senateur-3eme-republique/rouland_gustave1602r3.html Marie-François-Sadi Carnot 1837-1894 Político francês. Presidente da República Francesa (1887-1894). Ex-aluno da École Polytechnique. Filho de: Carnot, Hippolyte (1801-1888). Sadi Carnot, nome completo Marie-François-Sadi Carnot, natural de Limoges, França foi um engenheiro e político francês que se tornou estadista e serviu como presidente (1887-94) da Terceira República. Carnot era um engenheiro que se tornou estadista que serviu como quarto presidente (1887-94) do Terceiro República até ser assassinado por um anarquista italiano. Carnot era filho de um deputado de esquerda (Hippolyte Carnot) que era um vigoroso oponente da Monarquia de Julho (depois de 1830) e neto de Lazare Carnot, o famoso “Organizador da Vitória” da Revolução Francesa. Ele se formou como engenheiro na École Polytechnique e depois na École des Ponts et Chaussées (Escola de Pontes e Rodovias). Sadi Carnot comparece à cerimônia de inauguração do Instituto Pasteur (1888) e ao Jubileu de 70 anos de Pasteur (1892). Carnot disse “não faltarei, vosso Instituto é uma honra para a França” (Masi, 1999, p. 111). Ref. https://data.bnf.fr/en/12466621/sadi_carnot/ Ref.: https://www.britannica.com/biography/Sadi-Carnot María Eugénia Ignacia Augustina de Montijo de Guzmán 1826-1920 Eugénia ou Eugénie (em francês), condessa de Teba, era natural de Granada, Espanha. Esposa de Napoleão III e imperatriz da França (1853-70), que passou a ter uma influência importante na política externa de seu marido. Eugénie era filha de um nobre espanhol que lutou ao lado da França durante a Guerra Peninsular de Napoleão I na Espanha, Eugénie foi para Paris quando Luís Napoleão se tornou presidente da Segunda República em dezembro de 1848. Eles se casaram em janeiro de 1853, depois que ele se tornou imperador Napoleón III. A estada de Pasteur na propriedade imperial em parte da tempo de pesquisa das doencças do bicho-da-seda, coroa, simbolicamente, um estudo empreendido pelo governo de Napoleão III, e por isso, o cientista dedica a publicação de seu trabalho à imperatriz Eugénia, escrevendo “a imperatriz dignou-se a se interessar pelas minhas primeiras observações e convidou-me a continuá-la ao me dizer que a maior grandeza da ciência está em seus esforços para estender o círculo de suas aplicações benéficas. Fiz, então, Vossa Majestade, uma promessa que procurei cumprir durante cinco anos de perseverantes pesquisas” (Debré, 1995, p. 243). Ref. https://data.bnf.fr/en/13013975/eugenie/ Ref.: https://www.britannica.com/biography/Eugenie Ferdinand Marie de Lesseps 1805-1894 Natural de Versailles, França, foi diplomata e administrador, presidente da Compagnie de l'isthme de Suez e membro da Academia Francesa (eleito em 1884). Ferdinand de Lesseps nasceu em 19 de novembro de 1805 em uma família de diplomatas de carreira franceses. Ele seguiu a mesma profissão e, no início de sua carreira, foi enviado para a Tunísia e o Egito. No Egito, ele fez amizade com Said Pasha, filho do vice-rei. De Lesseps ficou fascinado com as culturas do Mediterrâneo e do Oriente Médio e com o crescimento do comércio da Europa Ocidental. Depois de postagens na Espanha e na Itália, em 1849 ele se aposentou após um desentendimento com o governo francês. Em 1854, seu amigo Said Pasha tornou-se o novo vice-rei do Egito. De Lesseps retornou imediatamente ao Egito, onde foi recebido calorosamente e, logo em seguida, permissão para iniciar as obras no Canal de Suez. De Lesseps inspirou-se lendo sobre Napoleão ' O esquema de De Lesseps foi apoiado por uma comissão internacional de engenheiros, mas não conseguiu obter o apoio do governo britânico, apesar de De Lesseps fazer uma série de viagens a Londres. Ele perseverou e acabou atraindo apoio financeiro do imperador francês Napoleão III e de outros. De Lesseps não era um engenheiro - sua conquista consistiu em organizar o apoio político e financeiro necessário e em fornecer o suporte técnico necessário para um projeto tão grande. A construção começou em abril de 1859 e o Canal de Suez foi inaugurado em novembro de 1869. As atitudes britânicas mudaram quando o canal foi considerado um sucesso e de Lesseps foi tratado como uma grande celebridade em sua visita subsequente à Grã-Bretanha. Em 1875, o governo egípcio vendeu suas ações no canal e o primeiro-ministro britânico, Benjamin Disraeli. Em seu 74º ano, de Lesseps começou a planejar um novo canal no Panamá. Em 1879, um congresso internacional foi realizado em Paris, que escolheu o caminho para o Canal do Panamá e nomeou de Lesseps como líder do empreendimento. O trabalho começou em 1881, mas o canal revelou-se muito mais complicado de construir do que o Canal de Suez. Depois de oito anos, pouco progresso parecia ter sido feito (acabou sendo concluído em 1914). Um tribunal francês considerou De Lesseps e seu filho Charles culpados de má administração. Ambos foram multados pesadamente e condenados à prisão. No caso, de Lesseps não foi para a prisão, mas seu filho pagou pelos erros de julgamento do pai idoso com um ano de prisão. De Lesseps morreu em 7 de dezembro de 1894. Na ocasião da Exposição Universal de 1867, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Em 1881, Pasteur parece não duvidar da própria eleição para a Academia Francesa, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (Debré, 1995, p. 419-420). Ref.: https://data.bnf.fr/fr/12068024/ferdinand_de_lesseps/ Ref. http://www.bbc.co.uk/history/historic_figures/de_lesseps_ferdinand.shtml Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Ferdinand-vicomte-de-Lesseps Jean-Baptiste-André Dumas 1774-1862 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Ao ingressar na Academia de Ciências, é Dumas quem apresenta Pasteur a Napoleão III. Dumas consegue a subvenção à viagem de pesquisa de Pasteur 1852, que foi considerada uma missão oficial aos laboratórios alemães. Na volta, Pasteur escreve agradecendo ao amigo, pois a viagem teria sido impossível sem esse apoio financeiro. Afirma que para agradecer-lhe a confiança, vai trabalhar “tanto quanto lhe for humanamente possível” (Debré, 1995, p. 93). Em 1865, a pedido de Jean-Baptiste Dumas, Pasteur vai se dedicar às pesquisas do bicho-da-seda. Dumas era Ministro da Agricultura e Comércio e precisava redigir um relatório para o Senado sobre o flagelo que dizimava a indústria sericícola na França. Dumas solicita então a cooperação de Pasteur para salvar a seda. Pasteur inicialmente hesita. Entende que o objetivo da pesquisa é nobre, mas se sente embaraçado, pois nunca havia antes tocado em um bicho-da-seda. De todo modo, escreve que teria remorsos em recusar a proposta devido a toda bondade que Dumas já havia dispensado a ele, e se dispõe a enfrentar este desafio (Debré, 1995, p. 202; Dubos, 1967a, p. 184). Próximo Grupo

  • Jubileu: 70 Anos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Jubileu: 70 Anos Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 *Ver a microbiografia de Joseph Grancher no grupo Vacinação: Raiva. No início de 1892 a saúde de Pasteur deteriora bruscamente, e ele não sai do quarto. Em maio deste ano é formado na Dinamarca um comitê que anuncia a intenção de festejar os 70 anos do cientista e abre uma subscrição nacional para conseguir fundos para enviar uma medalha comemorativa. O movimento se estende à Noruega, Suécia. Na França, a Academia de Ciências forma um comitê e Joseph Grancher é nomeado secretário (Debré, 1995, p. 543-544) Marie-François-Sadi Carnot 1837-1894 *Ver a microbiografia de Sadi Carnot no grupo Políticos. O reitor da Academia de Paris abre as portas do grande anfiteatro da Sorbonne. 4.000 convites são distribuídos. A cerimônia acontece em 27 de dezembro, dia do aniversário de Pasteur. Da França, comparecem os Membros do Instituto Pasteur (pasteurianos), professores de faculdades, delegados das academias, representantes de sociedades científicas (francesas e estrangeiras), delegações da École Normale Supérieure, da École Polytechnique, da École Central, da École Vétérinaire, bem como estudantes de Medicina e Farmácia. Pasteur entra pelo braço do Presidente da República, Sadi Carnot. Os dois usam a grã-cruz da Legião de Honra (Debré, 1995, p. 543-544). Joseph Lister 1827-1912 *Ver a microbiografia de Joseph Lister no grupo Doenças Infectocontagiosas. Na cerimônia, estão presentes representantes da Suécia, Turquia, Alemanha, Itália, Áustria-Hungria, Bélgica, Inglaterra, entre outros. Pasteur se levanta para abraçar Lister (Debré, 1995, p. 544). Émile Gallé 1846-1904 Vitralista e ebanista francês. Émile Gallé foi um dos expoentes da art nouveau. Trabalhou com vidros opacos e semitransparentes, ganhando fama internacional pelos motivos florais. Em termos de mobiliário reinaugurou a tradição da marchetaria. A principal temática de seus artefatos são flores e folhagens, realizadas em camadas sobrepostas de vidro, técnica por ele desenvolvida, trabalhando com maestria a opacidade e translucidez do material. Uma produção de fins de século XIX e início do Século XX, traz especificamente paisagens tropicais, inspiradas no Rio de Janeiro. Gallé fabrica uma taça única para “cristalizar o pensamento” de Pasteur. Este vitralista encontrou um meio de incluir micróbios na transparência do cristal (Debré, 1995, p. 544). Jean-Baptiste Pasteur 1851-1908 *Ver microbiografia de Jean-Baptiste Pasteur no grupo Família Louis Pasteur. O filho de Pasteur, é quem lê o discurso de Louis Pasteur, assim como o fez na inauguração do Instituto Pasteur, devido às sequelas dos AVCs do pai. As palavras são dirigidas aos jovens para não se deixarem dominar pelo “ceticismo difamante e estéril” e para viverem na “paz serena dos laboratórios e bibliotecas”. Prossegue aconselhando “Digam a vocês mesmos: o que fiz pela minha instrução? Depois, à medida que forem avançando: o que fiz pelo meu país? Até o momento em que, talvez, tenham essa imensa felicidade de pensar que contribuíram alguma coisa para o progresso e o bem da humanidade” (Debré, 1995, p. 544-545). Próximo Grupo

  • Infância e Juventude | Pasteur Brasil

    Infância e Juventude Pasteur cresceu entre o cheiro do curtume da família e o aroma da uva das viticulturas locais de Arbois, no Jura. Essas primeiras sensações olfativas serão fundamentais para seus futuros trabalhos sobre as leveduras e seus preceitos higiênicos. Dois dos melhores amigos de infância, os irmãos Jules e Altin Vercel, são filhos de vinhateiros, e residem em frente à sua casa. Pasteur produz o retrato de Altin em pastel. O amigo do pai de Pasteur, capitão Barbier, fala de uma instituição no Quartier Latin, onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet. Aos 15 anos, Pasteur e Jules vão à Paris para estudar e alojam-se neste local, Instituto Barbet, situado na Rua des Feuillantines, sem saída. Jules era divertido e alegre, de modo que tudo era bom e agradável em Paris. Porém, Pasteur fica sem dormir, não come direito e só fala do Jura. O Sr. Barbet faz tudo o que pode para ajudar na nostalgia do jovem Pasteur, que se encontra mudo e triste pela distância da família e saudades de Arbois. No entanto, vendo a situação não mudar, o dono do internato escreve ao pai para vir buscá-lo. Futuramente, aos 17 anos, Pasteur retornará a este mesmo internato em Paris para se preparar para as provas da École Normale Supérieure. Desta vez irá com o amigo Charles Chappuis, conhecido desde o período em que estudou na cidade de Besançon, dos 15 aos 17 anos. Logo, Pasteur prontificou-se a dar aulas particulares aos colegas mais atrasados, e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. O sr. Barbet permitiu, desde que o jovem não lecionasse nos horários dedicados aos estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias, das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, pela sua dedicação e ajuda ao internato. Pasteur e Chappuis eram amigos próximos, compartilhavam leituras e mergulhavam em seus deveres de Filosofia. Gostavam de passar os finais de semana em uma biblioteca, lendo obras filosóficas. Os passeios na cidade eram raros. Futuramente, Chappuis torna-se filósofo, doutor em Letras, professor e escritor, atuando como professor de Filosofia da Faculdade de Letras de Besançon. Uma das principais obras de Chappuis é sobre a Travessia dos Alpes por Aníbal (247 a.e.c-184 a.e.c), um dos primeiros eventos da Segunda Guerra Púnica. Uma litografia deste amigo é feita por Pasteur em 1841, na época em que estudaram juntos em Besançon. “Chappuis vai tornar-se, na vida, o amigo privilegiado e confidente de Pasteur” (Debré, 1995, p. 41). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Pintura em pastel de Altin Vercel, amigo de infância, feita por Louis Pasteur em 1839, aos 16 anos. Altin e Jules eram filhos de vinhateiros. Este último acompanhou Louis Pasteur em sua primeira estada na cidade de Paris. Jules Vercel, amigo de infância de Pasteur. Eles mantiveram contato por toda a vida. Cartas ao amigo Jules Vercel. Placa sinalizadora da Maison Vercel em Arbois. Maison Vercel em Arbois, situada em frente à Maison Louis Pasteur. Charles Chappuis, em litografia realizada por Louis Pasteur e dedicada: "Retrato do meu amigo da filosofia, Ch. Chappuis. Feito em Besançon em 1841", Chappuis foi amigo e confidente de Pasteur até o fim da vida. Obra de Charles Chappuis. Continue lendo a biografia

  • Orçamento da ciência | Pasteur Brasil

    Orçamento da Ciência Em 1867, na qualidade de diretor do laboratório na Rua d´Ulm, Pasteur dirige uma carta ao imperador Napoleão III: “Senhor, minhas pesquisas sobre as fermentações e sobre o papel dos microorganismos microscópicos abriram à química fisiológica novas vias de que as indústrias agrícolas e os estudos médicos começam a recolher frutos. Porém o campo que resta percorrer é imenso. Meu maior desejo seria explorar com novo ardor, sem estar à mercê da insuficiência de recursos materiais (...) É chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, Napoleão III pede a Victor Duruy que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo, em dezembro de 1867 surgem obstáculos que fazem parar a obra. Os créditos para a construção do novo prédio são recusados. Encontra-se dinheiro para levantar o novo Ópera de Charles Garnier, mas não há mais dinheiro nos cofres imperiais para a pesquisa científica. Furioso, Pasteur publica um artigo para o jornal Le Moniteur Universel, intitulado “O Orçamento da Ciência” a fim de sacudir a opinião pública: “Laboratório e descoberta são termos correlatos. Suprimam os laboratórios e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte (...) Deem-lhe os laboratórios e com eles reaparecerá a vida, sua fecundidade, e seu poder” (Debré, 1995, p. 166). Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um areópago de cientistas: Louis Pasteur, Henri Milne-Edwards, Claude Bernard e Henri Sainte-Claire Deville. Pasteur recorda ainda a criação da função de estagiário, demonstrando a necessidade de iniciar os melhores alunos à pesquisa, e diz: “Olhem para os cientistas alemães. Eles moram nas cercanias de seu laboratório. Sigamos o exemplo!” (Debré, 1995, p. 168). Indo além, pensa que as próprias cidades deveriam se interessar pelos trabalhos científicos. A passagem de Victor Duruy como Ministro da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajudas concedidas aos homens de ciência, além de desenvolver uma amizade verdadeiramente pessoal com Louis Pasteur. Uma decisão de Duruy vai ser particularmente cara a Pasteur: um decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades. A convicção de ambos os amigos de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, assim como o apoio de Napoleão III, vão vencer os obstáculos administrativos: o desbloqueio de créditos para a continuação da construção do laboratório na Rua Ulm, o berço de prodigiosas descobertas. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Ópera Garnier Jornal Le Moniteur Universel. Henri Milne-Edwards. Claude Bernard. Henri Sainte-Claire Deville. Laboratório na Rue d´ Ulm em Paris. Victor Duruy. Continue lendo a biografia

  • Enumerologia | Pasteur Brasil

    Enumerologia Consulte as 250 personalidades do Grupocarmograma por ordem alfabética de sobrenome. São 217 homens e 33 mulheres, distribuídos em 25 grupos de personalidades. Ao clicar no nome, você será direcionado para um dos grupos no qual a personalidade está alocada. Obs. Há personalidades em mais de um grupo. Posteriormente, disponibilizaremos tabela completa com as informações. 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 94 95 96 97 98 99 100 101 102 103 104 105 106 107 108 109 110 111 112 113 114 115 116 117 118 119 120 121 122 123 124 125 126 127 128 129 130 131 132 133 134 135 136 137 138 139 140 141 142 143 144 145 146 147 148 149 150 151 152 153 154 155 156 157 158 159 160 161 162 163 164 165 166 167 168 169 170 171 172 173 174 175 176 177 178 179 180 181 182 183 184 185 186 187 188 189 190 191 192 193 194 195 196 197 198 199 200 201 202 203 204 205 206 207 208 209 210 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 229 230 231 232 233 234 235 236 237 238 239 240 241 242 243 244 245 246 247 248 249 250 Albert, Jacques Victor Alexander III Almeida, Marco Antônio Ferreira de Anderson, Thomas Andral, Gabriel Arago, Dominique François Jean Aristóteles Armond, Edgard Pereira Augier, G. V. Émile Auzias-Turenne, Joseph-Alexandre Balard, Antoine-Jérôme Barbet Barbier Béchamp, Pierre-Jacques-Antoine Bernard, Claude Berthelot, Pierre-Eugène-Marcellin Bertin, Pierre-Augustin Berzelius, Jöns Jacob Bigo, Louis Dominique Joseph Biot, Jean-Baptiste Bonaparte, Charles-Louis-Napoléon (Napoléon III) Bonaparte, Mathilde Laetitia Wilhemine Bordet, Jules Jean Baptiste Vincent Boucicaut, Marguerite Bouley, Henri-Marie Boutet, Antoine-François-Daniel Boutroux, Jeanne Boyle, Robert Bragança, Pedro de Alcântara... (Dom Pedro II) Brébant, Félicien Brongniart, Adolphe-Théodore Brouardel, Paul Camille Hippolyte Bussy, Alexandre Antoine Brutus Calmette, Albert-Léon-Charles Carnot, Marie-François-Sadi Caventou, Joseph-Bienaimé Chamberland, Charles-Édouard Chambon, Ernest Chantemesse, André Chappuis, Charles Charcot, Jean-Martin Charrière, Alexandre Chassaignac, Édouard Chevreul, Michel-Eugène Clemenceau, Georges Colin, Gabriel Constant Corelli, Marie (Mary Mackay) Coubert, Gustave Coulon, Ferdinand Courture, Thomas Cruz, Oswaldo Gonçalves D´Orleans, Henri Eugène Philippe Louis Darwin, Charles Davaine, Casimir Joseph Delafosse, Gabriel Després, Armand Deville, Henri Étienne Sainte-Claire Doucet, Camille Droz, François-Xavier-Joseph Dubois, Paul Duboué, Pierre-Henri Duclaux, Émile Dumas, Alexandre (filho) Dumas, Jean-Baptiste-André Duruy, Jean-Victor Edelfelt, Albert Ehrlich, Paul Erdmann, Otto Linné Fabre, Jean-Henri Casimir Falloux, Alfred de Favé, Ildefonse Feuillet, Octave Fikentscher, Friedrich Christian Flajoulot, Charles-Antoine Flourens, Marie-Jean-Pierre Furtado-Heine, Cécile Gallé, Émile Galtier, Pierre-Victor Gamaleia, Nicolas (Nikolay Gamaleya) Gay-Lussac, Louis-Joseph Gernez, Désiré Jean Baptiste Gibier, Paul Godélier Grancher, Jacques-Joseph Gravière, Edmond Jurien de la Guérin, Alphonse François Marie Guérin, Jean-Marie Camille Guérin, Jules-René Guillemin Guzmán, María Eugénia Ignacia Augustina de Montijo de Haffkine, Waldemar-Mordecai Hamilton-Temple-Blackwood, Frederick (Lord Dufferin) Hankel, Wilhelm Gottlieb Haüy, René Just Henner, Jean-Jacques Hervieux, Jacques François Édouard Hirsh, Clara de Huet, Amélie Hélène (Madame Laurent) Hugo, Victor-Marie Iffla, Daniel "Osiris" Jacobsen, Jacob Christian Jenner, Edward Joly, Nicolas Joubert, Jules François Jupille, Jean-Baptiste Kestner, Charles Koch, Heinrich Hermann Robert Labiche, Eugène Marin Lamartine, Alphonse Marie Louis de Prat de Lamotte, Gérard Élisabeth Alfred de Vergnette de Laubespin, Léonel-Antoine Mouchet de Battefort Laurent, Amélie (Amélie Loir) Laurent, Aristide Laurent, Auguste Laurent, Célie (Célie Zévort) Laurent, Henri Laurent, Marie Anne (Marie Pasteur / Madame Pasteur) Laveran, Charles Louis Alphonse Lavoisier, Antoine-Laurent de Lebaudy, Jules Le Dantec, Félix Leeuwenhoek, Antonie van Legouvé, Ernest Lesseps, Ferdinand Marie de Liebig, Justus von L'Isle, Jean-Baptiste Louis de Romé de Lister, Joseph Littré, Maximilien-Paul-Émile Loir, Adrien Charles Marie Loir, Adrien Joseph Jean Longchamps, Jacqueline Gohièrre de Lucas-Championnière, Just Marie-Marcellin Luiz, André Maillot, Eugène Mairet, Emmanuel Bousson de Maizier, Ferdinand Malus, Étienne-Louis Manet, Édouard Marchetti, Paola Marchoux, Émile Marcou, Jules Martin, Bon Louis Henri Meister, Joseph Mendeleev, Dmitrÿ Ivanovič Mérieux, Jean Marie Marcel Metchnikoff, Élie (Ilya Ilyich Mechnikov) Mignet, François Milne-Edwards, Henri Mitscherlich, Eilhardt Monatgu, Mary Wortlay Monet, Claude Musset, Charles Mussy, Noël-François-Odon Guéneau de Needham, John Tuberville Netzer, Didier Nicolle, Charles Jules Henri Nightingale, Florence Nisard, Jean-Marie-Napoléon-Desiré Noailles, Paul de Nocard, Edmond Isidore Etienne Nostredame, Michel de (Nostradamus) Ollivier, Émile Pareau, Emanuel Pasteur, Camille Pasteur, Cécile Pasteur, Émilie Pasteur, Jean-Baptiste Pasteur, Jean-Denis Pasteur, Jean-Joseph Pasteur, Jeanne Pasteur, Jeanne-Antoine (Virginie) Pasteur, Joséphine Pasteur, Marie-Louise Péligot, Eugène Melchior Pelletier, Louise Pelletier, Pierre-Joseph Pellico, Silvio Pelouze, Théophile-Jules Perraud, Jean-Joseph Peter, Charles-Félix-Michel Pissarro, Jacob Abraham Camille Plínio Segundo (ou Plínio, o Velho) Pointurier, Étienne-Charles Pouchet, Félix-Archimède Prévost, Louis Constant Rasmann Raulin, Jules Rayer, Pierre-François-Olive Redi, Francesco Redtenbacher, Josef Regnault, Henri-Victor Renan, Joseph Ernest Renaud, Etienne Répécaud Richet, Charles Robert Romanet Roqui, Jeanne-Etiennette (Jeanne-Etiennette Pasteur) Rose, Gustav Rossignol, Hippolyte Rothschild, Alphonse James de Rouland, Gustave Roux, Pierre-Paul-Émile Rueff, Adolphe Sainte-Beuve, Charles-Augustin Saint-Hilaire, Albert Geoffroy Saintine, Xavier Boniface de Santos, Everton Souza dos Schwann, Theodor Ambrose Hubert Sédillot, Charles-Emmanuel Semmelweis, Ignaz Philipp Sénarmont, Henri Hureau de Serres, Albert Seybel Sículo, Diodoro (ou Diodoro de Sicília) Sisley, Alfred Somerville, Mary Fairfax Grieg Spallanzani, Lazzaro Straus, Isidore Taine, Hyppolyte Tarnier, Étienne-Stéphane Teofrasto de Eresos Terrier, Louis-Félix Thénard, Louis-Jacques Thomaz, Martha Gallego (Vó Martha) Thuillier, Louis Tour, Charles Cagniard de la Tourtel, Jules Tourtel, Prosper Toussaint, Jean-Joseph-Henri Transmentor Trélat, Ulysse Vaillant, Jean-Baptiste Philibert Vallery-Radot, Camille Vallery-Radot, Louis Pasteur Vallery-Radot, Madeleine Vallery-Radot, René Vercel, Altin Vercel, Jules Vieira, Waldo Vinsot, Auguste (Jules?) Virchow, Rudolf Vulpian, Edmé Félix Alfred Warfield, Bessie Wallis Whittel, Elsie Xavier, Francisco Cândido Yersin, Alexandre-Émile-John Zéfiro Zévort, Charles Zévort, Edgar Zühlke, Neide Prado Voltar para os Grupos

  • Biógrafos | Pasteur Brasil

    Biógrafos Biografia resumida Contextualização da análise de parte dos biógrafos "Se Pasteur foi frequentemente descrito com um excesso de complacência (santificação), ele também sofreu ataques severos durante sua vida e após sua morte (demonização). Os oponentes e detratores não falharam. E ainda há alguns de nossos contemporâneos 'revisionistas' que publicam artigos de vez em quando. De que valem essas acusações, esses julgamentos de falsificação e plágio? Não se pode negar que Pasteur foi inspirado por um trabalho anterior ao seu, uma prática comum na pesquisa científica, e que ele não avançou suficientemente os nomes de seus predecessores é um fato. Mas não podemos negar-lhe a paternidade de suas descobertas validadas por experimentos decisivos e consagrados por aplicações. Neste ensaio, Jean-Pierre Brunet quer expressar sua opinião, muito pessoal - mas também muito compartilhada por numerosos pesquisadores e historiadores - sobre os escritos dos contundentes, denegridores e outros difamadores de Pasteur. Se o autor não lista todos os detratores, ele aponta alguns para relembrar suas críticas e desmontá-las. Porque observamos que essas críticas muitas vezes são recorrentes, copiadas por historiadores, ou afirmadas como tal, sem nos preocuparmos em voltar às fontes, que assim perpetuam indefinidamente afirmações errôneas, falsas ou totalmente fantasiosas". Tradução livre de excerto do prefácio de Annick Perrot ao livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 9-10 ) "Em 28 de setembro de 1895, Louis Pasteur morreu com 72 anos de idade (...) Depois de um período de 'contestação', em que foi perpetuamente objeto de crítica, e depois um período de 'celebração' em que suas descobertas foram finalmente admitidas, Pasteur entrou em um período que poderia ser descrito sem exagerar como santificação. O governo decreta um funeral nacional. Uma grande procissão acompanha o carro funerário onde, entre a multidão, podemos reconhecer Felix Faure, seus ministros, Constantino da Rússia, Nicolau da Grécia e muitos outros. Ao contrário do que alguns desejam, Pasteur não será enterrado no Panteão. Ele vai descansar um ano em uma capela de Notre-Dame de Paris enquanto espera a conclusão da cripta que lhe foi destinada, no porão do Instituto que leva seu nome (...) E, embora os institutos Pasteur sejam fundados em vários países, que avenidas, avenidas, ruas tomem o nome de Pasteur, não só na França, mas no exterior, que suas estátuas se ergam por toda parte, que colégios, clínicas, hospitais sejam colocados sob seu nome (...) que selos, moedas, medalhas são emitidas com sua efígie, que peças de teatro, filmes representem-no no palco ou na tela, (...) a publicidade se aproveita de sua imagem para promover marcas de cerveja ou camembert. Pasteur tornou-se uma glória nacional, conhecida e celebrada universalmente". Tradução livre de trecho adaptado do livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 13-15 ) Santificação René Vallery-Radot (A Vida de Pasteur. 4ª ed. Rio de Janeiro, RJ: Vecchi, 1951). Louis Pasteur Vallery-Radot (Pasteur Inconnu. Paris, França: Flammarion, 1954). Hellmuth Unger (Luís Pasteur: retrato de um gênio. São Paulo, SP: Melhoramentos, [196-]). J. M. Escamez (Pasteur. São Paulo, SP: Cultura Moderna, [19--]). Exemplos de biografias de teor hagiográfico René Vallery-Radot Entre 1879 e 1895, René Vallery-Radot ajudou o sogro a enfrentar seus detratores, fazendo contato com a imprensa, dando apoio nas respostas às cartas de polemistas e reescrevendo seus discursos. Com objetivo diplomático, auxiliou na adaptação dos textos a serem publicados na imprensa e reescreveu cartas redigidas com raiva por Louis Pasteur, pois o cientista era irascível. O desejo de Vallery-Radot de suavizar as coisas explica a surpresa que se pode ter quando, depois de ler seu livro "La Vie de Pasteur", mergulha-se na correspondência do próprio Pasteur, onde aspectos de seu temperamento o seu genro não conseguiu falar. Louis Pasteur Vallery-Radot Guardadas todas as considerações ao grande trabalho de compilação da obra de Pasteur em sete tomos e disponibilização de diversos materiais do cientista em variadas publicações, o neto de Pasteur, o médico Louis Pasteur Vallery-Radot (1886-1970), retrata, em suas palavras "a glória científica de Pasteur e suas qualidades excepcionais", sendo necessário ter em consideração o viés do afeto genuíno pelo avô em suas análises. Hellmuth Unger O médico e escritor alemão Hellmuth Unger (1891-1953), autor de mais de 60 livros, inclusive biográficos, referentes a Robert Koch, Rudolf Virchow e outros, utilizou tons elogiosos à figura de Louis Pasteur. Ainda assim, nesta obra traduzida para o português, é possível extrair diversas citações diretas de Pasteur, as quais estão indicadas na página Citações, deste site. "Contudo, depois do fluxo, vem o refluxo. Se Pasteur não foi mais contestado por várias décadas, a partir do século XX surgiu um movimento que, segundo um jargão, poderia ser qualificado de demonização". Tradução livre de trecho adaptado do livro "La Rage Envers Pasteur: de la sanctification à la diabolisation?" de Jean-Pierre Brunet (2017, p. 13-15 ) Demonização Ethel Douglas Hume (Pasteur exposed, germs genes vaccines, the false foundations of modern medicine, first published 1923, last published 1988, Ed. Bookreal, Australia). Jules Tissot (Constitution des organismes animaux et végétaux Causes des maladies qui les atteignent. Preuves de l'inefficacité et des dangers des vaccinations actuelles, 1926). Pierre Yves Laurioz (Louis Pasteur, la réalité après la légende, Ed. De Paris, 2005). Sylvie Simon (Pasteur, l'intouchable mythe, Univers Spirale, 2005). Eric Ancelet (Pour en finir avec Pasteur: un siècle de mystification scientifique. vétérinaire. Ed. Résurgences, 1998). Marc Averous (Un bon Pasteur?. Ed. Louise Courteau, 2007). Gérald Geison (The private science of Louis Pasteur. Ed. Princeton University Press, 1995 / A ciência particular de Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Ed. Contraponto, 2002). Yves Robin (Lettre ouverte à Monsieur Pasteur Louis. Éditions Livres, 2003). Gerald Geison A despeito dos pontos positivos desta obra, Max Perutz (1914-2002) chegou a uma conclusão muito desfavorável sobre a vida de Pasteur de Gerald Geison: "Derrubar grandes homens de seus pedestais, às vezes com a menor evidência, tornou-se uma indústria elegante e lucrativa, e segura, já que eles não podem processar porque estão mortos. Geison está em boa companhia, mas ele, em vez de Pasteur, parece-me culpado de conduta antiética e desagradável quando vasculha os cadernos de Pasteur em busca de fragmentos de supostas irregularidades e, em seguida, os aumenta desproporcionalmente, a fim de arrastar Pasteur para baixo. Na verdade, sua evidência é artificial e não sobrevive ao exame científico" (New York Review of Books, 21 de dezembro de 1995). O link de acesso ao texto encontra-se a seguir. Ethel Douglas Hume Nesta obra, segundo Ethel Hume (1923), “O herói da medicina ortodoxa, Pasteur, é apresentado como um químico que, mesmo sem ter sido médico, ousou nada menos do que alegar revolucionar a medicina. A busca pelo sucesso pessoal dominou seu ego. Ele alcançou seus objetivos com sua energia e tenacidade. Ao fazer isso, ele deixou de lado toda a ternura e amor pela vida, cometendo friamente atrocidades bárbaras em animais para 'provar' suas teorias". Acerca desta passagem, Jean-Pierre Brunet (2017, p. 53-54) pondera: "Em seu laboratório, Pasteur não lidava apenas com micróbios ou pessoas. Ele também lidava com animais, já que os experimentos que fazia exigiam seu uso, o que permitiria que pessoas como Ethel Douglas Hume o acusassem de se envolver em 'atrocidades bárbaras'. No entanto, Pasteur, embora não hesitasse em inoculá-los com todo tipo de doenças, manteve-se sensível ao sofrimento dos animais. É Adrien Loir quem diz que: 'Durante os experimentos com raiva, Pasteur mandou preparar uma caixa de zinco e quando não era necessário deixar os animais morrerem de sua bela morte, ele os colocou nessa caixa para asfixiá-los com clorofórmio e evitar assim uma longa agonia'. Pasteur nunca havia feito uma vivissecção. Ele fazia vacinas e principalmente para raiva. Quando trepanava animais, sempre exigia que eles fossem anestesiados de antemão. Que diferença com seu amigo Claude Bernard, que incisou, dissecou, recortou sem escrúpulos um zoológico inteiro gemendo de dor, porque a anestesia teria estragado as condições fisiológicas necessárias para os experimentos, e assim se justificava em sua Introdução ao Estudo da Medicina Experimental: 'É essencialmente moral ter experiências com um animal que são dolorosas e perigosas para ele, pois podem ser úteis ao homem'. Podemos imaginar os diálogos que ele poderia ter com a esposa, integrante da iniciante SPA e, como tal, contrária à vivissecção!". Além disso, a presente obra "Béchamp ou Pasteur" se utiliza da rivalidade entre os dois cientistas para tentar justificar a homeopatia e o movimento anti-vacina. Eric Ancelet "Na apresentação do livro de Eric Ancelet: nosso fim com Pasteur 'desmonta-se, em 250 páginas, mais de um século de dogmas em torno das vacinas, da medicina alopática, mantidos em vigor por líderes religiosos, científicos, estaduais e industriais, graças à ignorância e ao medo'. É neste trabalho que podemos encontrar, em uma fórmula concisa, todas as alegações hostis, ou melhor, insultuosas a respeito de Pasteur: '(...) oposição ao químico Louis Pasteur, plagiador, mentiroso, impostor e criminoso', reitera, caso o leitor não entenda a mensagem, na seguinte frase: 'Geralmente não se sabe quem foi Louis Pasteur: um agressivo sem escrúpulos, intrigante, cortesão, trapaceiro, plagiador e, no final, um assassino de crianças" (Brunet, 2017, p. 19). Equilíbrio Annick Perrot e Maxime Schwartz (Pasteur et Koch. Paris, França: Odile Jacob, 2014, dentre outros). Patrice Debré (Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995). René J. Dubos (Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a; Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967b). Bruno Latour (Pasteur: une science, une style, um siècle. Paris, França: Perrin, 1994, dentre outros). Exemplos de biografias tendentes à análise equilibrada dos fatos Annick Perrot e Maxime Schwartz Esta obra redigida por Perrot e Schwartz inspirou o documentário Pasteur e Koch: Duelo de Gigantes no Mundo dos Micróbios, acessível pelo Youtube no link a seguir. Patrice Debré Este biógrafo é um dos pesqiusadores mais respeitados e completos a respeito da vida e obra de Louis Pasteur. Foi, inclusive, um dos entrevistados no canal espanhol Historia para o documentário "Pasteur y Koch: medicina y revolución". É possível conhecer um pouco da abordagem deste pesquisador no vídeo do Youtube a seguir. René Dubos Microbiologista, humanista e ambientalista franco-estadunidense, René Jules Dubos (1901-1982) é autor de pelo menos 20 livros, e foi professor emérito na The Rockefeller University em New York. Devido às suas contribuições científicas, ele mesmo foi também biografado por James G. Hirch e Carol L.. Moberg da National Academy of Sciences nos Estados Unidos, sendo possível visualizá-la no link a seguir. Destaque: Biógrafos pasteurianos Émile Duclaux (Pasteur, histoire d'un esprit. Paris, França: Imprimerie Charaire, 1896). Charles Richet (L´Œuvre de Pasteur: leçons professés a la faculté de médecine de Paris. Paris, França: Félix Alcan, 1923). Albert Delaunay (Pasteur e os Micróbios. Lisboa, Portugal: Publicações Europa-América, [ca. 1950]. / L´Institut Pasteur des Origines a Aujourd´hui. Paris, França: France-Empire, 1962.). Exemplos de biografias redigidas por pesquisadores ligados à Pasteur, autodenominados "pasteurianos" Émile Duclaux Um dos mais próximos colaboradores de Pasteur, Émile Duclaux (1840-1904) escreve a biografia "Pasteur, histoire d´un esprit", da qual podemos assinalar a tradução livre da sinopse: "Se quisermos obter um relato exato do progresso feito na ciência pelas várias obras de Pasteur, a primeira coisa a fazer é imaginar o estado de nosso conhecimento no momento em que cada uma delas estava progredindo. Para compreender totalmente o progresso que fizeram, você precisa saber de onde elas começaram. Mas não é tão fácil quanto você imagina. Não se pode contentar em ter uma ideia do estado de espírito geral em qualquer período, sem ler os livros clássicos e livros didáticos da época: esses livros estão sempre por trás da ciência dos laboratórios, aquilo que flutua no ar que respiramos e que empolga os pesquisadores". A obra completa pode ser acessada gratuitamente no site da BNF (Biblioteca Nacional Francesa), no link indicado a seguir. Ressalta-se também a iniciativa original de Duclaux em criar, em comum acordo com Pasteur, os Annales de l´ Institut Pasteur, revista científica mensal publicada desde 1887 até os dias de hoje. "(...) Mês após mês os Annales vão modificar a higiene pública e a política da saúde (...)" (Debré, 1995, p. 518). Charles Richet Largamente conhecido pela fundação da Metapsíquica e grandes contribuições à Medicina, Charles Richet (1850-1935) foi colaborador próximo de Louis Pasteur, mesmo antes da fundação do Instituto em 1888. Médico, laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1913, Richet escreveu a seguinte biografia, em tradução livre: "A Obra de Pasteur: lições professadas na Faculdade de Medicina de Paris", a qual pode ser consultada gratuitamente no link indicado a seguir. Destaca-se o último parágrafo desta obra, em que Richet, na página 118, direciona sua fala aos jovens: "Meditem, jovens, nesta bela vida de trabalho perseverante e tenaz, e compreendam que o que faz o cientista não é apenas sua inteligência, seu trabalho, seu saber. Você ainda precisa de fé, ardor, entusiasmo. Ninguém mais que Pasteur era apaixonado pela ciência, e é porque ele fertilizou seu poderoso gênio com entusiasmo perpétuo que ele foi o maior benfeitor da humanidade". Ademais, Richet publicou uma poesia intitulada "La Gloire de Pasteur", tendo recebido prêmio de poesia pela Academia Francesa. Albert Delaunay Médico e chefe do departamento de Patologia Experimental do Instituto Pasteur entre 1956 e 1974, Albert Delaunay (1910-1993) escreveu mais de uma obra referente a Pasteur. Além do livro intitulado "Pasteur et la microbiologie", Delunay também redigiu em 1962, "L´Institut Pasteur: des origines a aujourd´hui" e "Presence de Pasteur" em 1973. Seus trabalhos podem ser conhecidos no link abaixo.

  • Geração Espontânea x Teoria dos Germes | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Geração Espontânea x Teoria dos Germes Aristóteles 384 a.e.e - 322 a.e.c Filósofo grego. Os escritos de Aristóteles (384-322 a.C.) falam da pneuma, que seria uma espécie de matéria divina e que constituiria a vida animal. A pneuma seria um estágio intermediário de perfeição logo abaixo do da alma humana. A dualidade matéria/vida nos animais (ou corpo/alma nos seres humanos) já aparecia na escola socrática, da qual Aristóteles era membro, embora de modo um pouco diferente. Entre os animais superiores, o sopro vital passaria para os descendentes por meio da reprodução. Entretanto, Aristóteles acreditava que alguns seres (insetos, enguias, ostras) apareciam de forma espontânea, sem serem frutos da "semente" de outro ser vivo. Essa concepção é conhecida como geração espontânea e parece ter sido derivada dos pré-socráticos, que imaginavam que a vida, assim como toda a diversidade do mundo, era formada por poucos elementos básicos. A ideia de geração espontânea está também presente em escritos antigos na China, na Índia, na Babilônia e no Egito, e em outros escritos ao longo dos vinte séculos seguintes, como em van Helmont, W. Harvey, Bacon, Descartes, Buffon e Lamarck. Parece que sua dispersão pelo mundo ocidental se deu por intermédio de Aristóteles, dada sua grande influência em nossa cultura. Ref. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142007000100022&script=sci_arttext Teofrasto de Eresos 372 a.e.e - 287 a.e.c Filósofo grego. Continuou a obra de Aristóteles. Ficou mais conhecido pelas contribuições ao estudo das plantas (botânica). Entre os defensores da doutrina da geração espontânea, além de Aristóteles, destacava-se Teofrasto de Eresos, Plínio (o velho), Plutarco, Lucrécio, Avicena, Fracastório, Cardano, Francis Bacon, Atanásio Kircher, desde a Antiguidade até o século XVII. Ref. https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1678-31662010000300004&script=sci_arttext&tlng=pt Diodoro Sículo (ou Diodoro de Sicília) c. 90 a.e.e - 30 a.e.c Historiador grego. Autor de uma “história universal” da Grécia e de Roma, dos tempos míticos até meados do século I. Enunciou, assim como outros pensadores, que certos seres podem não ter provindo de animais da mesma espécie. Mais informações: https://philarchive.org/archive/ASSPQS Plínio Segundo (ou Plínio, o Velho) 22 - 79 Historiador, naturalista e oficial romano. Foi chamado de “o apóstolo da ciência romana”. No século I d.C., Plínio Segundo, ou Plínio o velho, compôs uma obra em trinta e sete volumes intitulada Naturalis Historia, segundo ele, a primeira enciclopédia da Antiguidade. Ali, o autor aborda os mais diversos assuntos, desde antropologia, geografia, zoologia e medicina, até as artes, como a pintura ou a arquitetura. Mais informações: O CONCEITO DE NATUREZA EM PLÍNIO O VELHO John Tuberville Needham 1713 - 1781 Naturalista inglês. John Needham conduziu uma série de experimentos que pareciam fornecer prova de geração espontânea - o súbito aparecimento de organismos a partir de materiais inanimados. Seu trabalho estimulou o do cientista italiano Lazzaro Spallanzani (1729-1799), que conduziu experimentos semelhantes, mas teve resultados opostos. Needham nasceu em Londres em 1713. Ele deixou a Inglaterra a fim de receber a educação necessária para o sacerdócio católico romano, que concluiu em 1738. Tal escolaridade teria sido difícil de obter na Inglaterra, que estava sob o domínio protestante após um período de turbulência religiosa. Em vez de servir como padre, porém, Needham passou grande parte de sua vida como tutor de jovens católicos ingleses enquanto eles percorriam o continente europeu. Needham havia lido sobre descobertas recentes feitas com microscópios, incluindo a descoberta de "animálculos" (chamados posteriormente de microorganismos). Ele ficou fascinado com a microscopia, o uso de microscópios para fazer observações científicas. Em 1745, ele publicou Um relato de algumas novas descobertas microscópicas . Este trabalho incluiu suas observações de diferentes tipos de pólen. Enquanto estudava microscopia em Paris, Needham conheceu Georges Buffon (1707-1788), um naturalista francês que desenvolveu as primeiras ideias relacionadas à evolução. Buffon apresentou a Needham algumas das ideias do filósofo e matemático alemão Gottfried Wilhelm Leibniz (1646-1716). Leibniz havia proposto a existência de moléculas vivas, que chamou de mônadas. Needham não apenas aceitou essa ideia, mas também acreditava que, quando os organismos morriam e se decompunham, suas moléculas individuais continuavam a viver e podiam se unir para formar uma nova matéria viva. Ele acreditava que uma força, que ele chamou de "força vegetativa", uniu essas moléculas, assim como átomos de carga oposta serão atraídos juntos. Na época de Needham, era geralmente aceito que os animais não podiam se formar por geração espontânea. No entanto, a ideia de geração espontânea entrou em moda no que diz respeito aos "animálculos". Alguns naturalistas não acreditavam que organismos tão minúsculos fossem capazes de produzir descendentes ainda menores. Eles sugeriram que esses organismos devem, portanto, se formar espontaneamente. Needham e Buffon apoiavam essa visão. Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/john-turberville-needham Lazzaro Spallanzani 1729 - 1799 Sacerdote católico e fisiologista italiano. Entre os muitos filósofos naturais dedicados do século XVIII, Spallanzani se destaca por aplicar métodos experimentais ousados e imaginativos a uma gama extraordinária de hipóteses e fenômenos. Seus principais interesses científicos eram biológicos e ele adquiriu o domínio da microscopia; mas ele investigou também problemas de física, química, geologia e meteorologia e foi pioneiro na vulcanologia. Poderosos poderes de observação e uma mente amplamente treinada e lógica ajudaram-no a esclarecer mistérios tão diversos como pedras saltando na água; a ressuscitação de Rotifera e a regeneração de cabeças de caramujos decapitadas; as migrações de andorinhas e enguias e o voo dos morcegos, a descarga elétrica do peixe torpedo; e a gênese das nuvens de tempestade ou uma bica d'água. Suas pesquisas engenhosas e meticulosas iluminaram a fisiologia da circulação sanguínea e da digestão em animais humanos, e também da reprodução e respiração em animais e plantas. O rigor implacável de seu trabalho sobre os animálculos das infusões desacreditou a doutrina da geração espontânea e apontou o caminho para a preservação dos alimentos pelo calor. Spallanzani, com suas experiências, mostrou que os micróbios movem-se pelo ar e que podem ser eliminados por fervura . Seu intuito era derrubar as ideias de John Needham , que por meio dos seus experimentos demonstrava a geração espontânea. Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/biology-biographies/lazzaro-spallanzani Francesco Redi 1626 - 1697 Biólogo italiano. Redi era filho de Gregorio Redi, um renomado médico florentino que também trabalhou na corte dos Médici, e de Cecilia de 'Ghinci. Formou-se em filosofia e medicina pela Universidade de Pisa em 1 de maio de 1647. Em 26 de abril de 1648, inscreveu-se no Collegio Medico de Florença. Ele serviu na corte dos Medici como médico-chefe e superintendente da farmácia e fundição ducal. Amigo, conselheiro e secretário virtual de seus patrões, foi também membro da pequena Accademia del Cimento, que floresceu ativamente, embora de forma intermitente, na corte dos Médici de 1657 a 1667. Essa década na Academia coincidiu com o período em que Redi produziu suas obras mais importantes. A obra-prima de Redi é considerada Esperienze intorno alia generazione degli insetti (1668), na qual refutou a doutrina da geração espontânea em insetos, herdada de Aristóteles e ainda considerada dogma. O microscópio revelou nos insetos uma organização tão maravilhosa quanto insuspeitada. Redi preparou e observou o aparato produtor de ovos dos insetos, e também utilizou o microscópio com grande vantagem para observar os elementos morfológicos característicos dos ovos de cada espécie. Redi então começou a atacar a doutrina da geração espontânea nos animais inferiores. Mesmo que animais ou plantas em decomposição parecessem “dar à luz uma infinidade de vermes [larvas]”, a realidade era bem diferente, afirmou ele. Deve ser assumido "que a carne e as plantas e outras coisas, putrefatas ou putrefatas, não desempenham nenhum outro papel, nem têm qualquer outra função na geração de insetos, a não ser preparar um local ou ninho adequado no qual, no momento da procriação, vermes ou ovos ou outras sementes de vermes são trazidos e chocados pelos animais; e neste ninho os vermes, assim que nascem, encontram alimento suficiente para se nutrirem de forma excelente. ” Esses corpos orgânicos "nunca se tornam nocivos se forem mantidos em um lugar onde moscas e mosquitos não possam entrar." Redi demonstrou isso em experimentos de simplicidade quase única. Porém seu experimento não satisfez os abiogênicos, que seguiam os conceitos que a vida surgia espontaneamente da matéria bruta, que para Aristóteles continha um princípio ativo capaz de gerar a vida. E falaram que no frasco selado, não continha a matéria bruta principal, o ar. Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/francesco-redi Félix-Archimède Pouchet 1800-1872 Naturalista e médico francês. Filho de um industrial, Pouchet formou-se em medicina em 1827, após estudar em Rouen e em Paris. Quase imediatamente, ele se tornou diretor do Muséum d'Histoire Naturelic em Rouen, uma instituição à qual esteve associado durante o resto de sua vida. Além disso, Pouchet exerceu funções de professor em Rouen, nomeadamente na École Supérieure des Sciences et Lettres e na École de Médecine. Membro de muitas sociedades eruditas e membro correspondente da Académie des Sciences, ele se tornou cavaleiro da Legião de Honra em 1843. Um autor prolífico, Pouchet cobriu muitas áreas da botânica, zoologia, fisiologia e microbiologia. Ele também tinha uma mente voltada para a história, escrevendo, por exemplo, Histoire des sciences naturelles au moyen age (Paris, 1853). Muito lido e, em muitos tópicos, de pensamento independente, Pouchet também foi um excelente divulgador da ciência. Notável foi seu livro de biologia geral profusamente ilustrado, L'univers (Paris, 1865). “Meu único objetivo ao escrever isso”, comentou Pouchet no prefácio, “foi inspirar e estender ao máximo meu gosto pelas ciências naturais”. Nisso, tanto quanto pode ser julgado, ele foi bem-sucedido; certamente a edição em inglês foi muito popular. Grande parte da literatura biológica mais especializada de Pouchet aguarda avaliação detalhada, mas sem dúvida contém muito valor: por exemplo, seu claro reconhecimento de que a ovulação humana ocorre dentro de um período limitado do ciclo menstrual. Em vista das amplas contribuições de Pouchet à biologia, é lamentável que ele seja frequentemente lembrado apenas como o adversário derrotado de Pasteur na questão de se microrganismos poderiam ser gerados espontaneamente, embora esse fosse o problema mais fundamental com o qual Pouchet lidou. Muitos outros trabalhadores estiveram envolvidos nas controvérsias de geração espontânea ferozes, muitas vezes amargas, que, pelo menos na França, atingiu um crescendo durante 1858-1864. Pouchet escreveu muito sobre o assunto, mas foi sua Hétérogénie ou traité de la génération spontanée basé sur de nouvelles expériences (Paris, 1859) que muito fez para despertar o interesse generalizado. Pouchet se sentiu diminuído quando Pasteur se pronunciava no sentido de estar no ar atmosférico a origem da levedura, e que se fosse suprimido qualquer contato com o ar e realizada a ebulição, a fermentação não mais se produziria. Pouchet pede então explicações a Pasteur, que responde a carta, com polidez, mas certa altivez: “Penso que o senhor não tem razão (...) por afirmar a certeza da geração espontânea. Nas ciências experimentais, sempre se está errado ao não se duvidar quando o resultado não tende obrigatoriamente à afirmação (...)” (Debré, 1995, p. 175). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/pouchet-felix-archim Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Felix-Archimede-Pouchet Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/science-magazines/biomedicine-and-health-germ-theory-disease Nicolas Joly 1812-1885 Francês. Doutor em ciências naturais, zoologia e botânica (1840) e em medicina (1851). Professor de zoologia na Faculdade de Ciências de Toulouse (1840-1878) e de fisiologia humana na Faculdade de medicina e farmácia. Correspondente da Academia de Ciências (eleito em 1873. Vereador municipal de Toulouse. Joly se alinha ao campo Pouchet defendendo a tese da heterogeneidade, ao contrário de Pasteur, a questão é arbitrada e decidida pela Academia de Ciências que concorda com este último, que através da experimentação demonstrará o mérito de sua tese. O debate foi animado, acalorado; Além das discussões científicas, a oposição Paris-Província frequentemente emerge, e a questão da ética dos pesquisadores é claramente colocada. Pasteur escreveu em carta a Bertin em 1864 sobre seus oponentes: “eles não têm princípios, apenas opiniões”. No final de sua vida, vinte anos depois, Nicolas Joly ainda escrevia sobre este assunto: “M. Pasteur teve sobre mim a imensa vantagem de poder continuar, estender, variar sua pesquisa no novo caminho que havia trilhado e que, nós reconhecemos sem hesitação, levou-o a resultados maravilhosos, maravilhosos demais, talvez até elogiados, especialmente por defensores mais ou menos interessados no assunto, por seguidores entusiastas a ponto do exagero, digamos melhor, do servilismo. [...] Se nossas discussões, já antigas, com o Sr. Pasteur, poderiam ter contribuído em algo para fazê-lo obter um resultado tão magnífico, nos regozijamos do fundo de nossos corações, e alegremente esquecemos que ele foi para nós um duro e adversário não muito cortês ”(Trecho das memórias da Royal Academy of Sciences and Belles Letters of Toulouse, 1891,“ Éloge de Nicolas Joly, par M. le Dr. Alix ”, p. 512). Ref. https://data.bnf.fr/en/12158935/nicolas_joly/ Mais informações: https://exploreur.univ-toulouse.fr/nicolas-joly-un-naturaliste-regional-au-coeur-des-controverses-de-son-temps Charles Musset ?-? Fisiologista francês. Discípulo de Pouchet. Musset preparava uma tese sobre geração espontânea. A obra foi dedicada a Archimède Pouchet: "Vindo depois, só podemos rebuscar as sobras; na verdade, o senhor já disse tudo" (Debré, 1995, p. 182). Em novembro de 1863, Pouchet e dois colaboradores, Nicolas Joly e Charles Musset, anunciaram que os resultados de seus experimentos, conduzidos nos Pireneus espanhóis, contradiziam os resultados de Pasteur em Montanvert. Pois quando eles expuseram seus frascos ao ar, todos subsequentemente mostraram crescimentos microbianos, como seria de esperar se o material orgânico em infusões necessitasse apenas de oxigênio para se organizar espontaneamente em organismos vivos. Em sua resposta desdenhosa a este anúncio, Em janeiro de 1864, a Académie des Sciences nomeou uma comissão para julgar a disputa. Quando a comissão propôs que os participantes do debate repetissem seus principais experimentos antes dela em março, Pouchet e seus colaboradores pediram que a reunião fosse adiada até o verão, sob o argumento de que o clima quente favorecia o sucesso de seus experimentos. Em junho, a comissão se reuniu com Pasteur e seus adversários, mas estes se opuseram ao programa arranjado pela comissão e se retiraram sem repetir seus experimentos. Mais informações: https://ccfr.bnf.fr/portailccfr/ark:/06871/0015080580 Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/louis-pasteur Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 *Ver a microbiografia de Antoine-Jérôme Balard no grupo Primeiras Influências Científicas. Balard tem um papel fundamental nas pesquisas de Pasteur, inspirando o modelo experimental dos balões pescoço de cisne, para evitar a passagem de partículas, de modo que o líquido permanecesse límpido. Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. A Academia de Ciências, em 1864, cansada das discórdias cede aos apelos dos heterogenistas e decide criar uma comissão de investigação, em que integram, dentre outros, Dumas, Balard, Flourens e Milne-Edwards (Debré, 1995, p. 191). Marie-Jean-Pierre Flourens 1794-1867 Anatomista e fisiologista francês. Titular da cadeira de anatomia humana no Jardin du Roi, hoje Museu Nacional de História Natural, (desde 1832). Membro da Academia Francesa (eleito em 1840), da Academia das Ciências (eleito em 1828), do Collège de France (a partir de 1828). Deputado por Hérault (1837-1839). Determinou as funções das principais partes do cérebro dos vertebrados. Usando pombos, ele observou as mudanças fisiológicas que ocorreram quando certas partes de seus cérebros foram removidas. A partir de seus estudos, ele demonstrou que habilidades intelectuais superiores são encontradas nos hemisférios cerebrais, que o movimento é regulado pelo cerebelo e que as funções corporais vitais são controladas pela medula oblonga. Ele também ligou os canais semicirculares do ouvido interno ao equilíbrio do corpo. Foi o primeiro a demonstrar experimentalmente as funções gerais das principais porções do cérebro dos vertebrados. Depois de se formar em medicina pela Universidade de Montpellier, Flourens foi para Paris, onde o renomado naturalista francês Georges Cuvier se tornou seu patrono. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de P ouchet (Debré, 1995, p. 183). A Academia de Ciências, em 1864, cansada das discórdias cede aos apelos dos heterogenistas e decide criar uma comissão de investigação, em que integram, dentre outros, Dumas, Balard, Flourens e Milne-Edwards (Debré, 1995, p. 191). Ref. https://data.bnf.fr/en/11902979/pierre_flourens/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Marie-Jean-Pierre-Flourens Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/marie-jean-pierre-flourens Henri Milne-Edwards 1800-1885 Entomologista, zoologista francês. Doutor em medicina (Paris, 1823). Doutor em Ciências (1836). Professor de entomologia (1841), então titular da cadeira de Mamíferos e Aves (1861), Museu Nacional de História Natural, Paris. Decano da Faculdade de Ciências de Paris (desde 1849). Membro do Instituto, Academia de Ciências, seção de anatomia e zoologia (eleito em 1838). Em contraste com as tendências de seus contemporâneos, Milne-Edwards sentiu-se atraído desde a juventude pelo estudo dos invertebrados, especialmente aqueles que habitavam as regiões costeiras. Com seus amigos do Museu e posteriormente com seus alunos, organizou excursões científicas ao longo das margens do Canal da Mancha . Não contente em coletar e classificar os animais, fazia questão de examiná-los em seu habitat e observar seu comportamento, seus movimentos, sua localização ao nível das marés e seus modos de obter alimento e de se reproduzir. Milne-Edwards registrou uma grande quantidade de observações nas quais os dados fisiológicos foram combinados com os dados da morfologia comparativa. Esse método, essencialmente o da ecologia, parecia proporcionar uma abordagem nova aos invertebrados marinhos, embora fosse inspirado pelo o que Georges Cuvier aplicara a outros grupos. Isso levou Milne-Edwards a descobertas brilhantes e deu início à criação de laboratórios marítimos na França e no exterior. Essas investigações anatomofisiológicas serviram como base para a síntese abrangente de três volumes à qual Milne-Edwards dedicou muitos anos - a clássica Histoire naturelle des crustacés (1834-1840). Neste trabalho ele desenvolveu algumas idéias altamente originais. Ele relatou que as Crustaceae são compostas por cerca de vinte segmentos metaméricos homólogos, as “zoonitas”, que são variadas de acordo com as funções que desempenham e o modo de vida (livre, fixo ou parasitário) da espécie. A variedade de combinações naturais possíveis, dentro dos limites de uma estrutura básica, é, portanto, virtualmente infinita. Entre outras obras de Milne-Edwards estão Histoire naturelle des coralliaires (1858–1860), Monographie des polypes des terrains paléozoïquese os Recherches de dois volumes pour servir á l'histoire des mammifères (1868-1874). Como adjunto às suas funções de ensino na Faculdade de Ciências Milne-Edwards reuniu suas palestras em uma publicação de quatorze volumes, Leçons sur la physiologie et l'anatomie comparée de l'homme et des animaux , cuja composição foi divulgada em mais mais de vinte anos (1857-1881). Ao mesmo tempo, ele forneceu um valioso desenvolvimento de suas idéias sobre a organização animal em Introduction a la zoologie générale, ou considérations sur les tendances de la nature dans la constitution du règne animal(1858). Neste livro, Milne-Edwards expõe suas principais descobertas. Elas dizem respeito às variações que se obtêm entre grupos de animais, variações que, em última análise, apresentam um grande princípio fundamental, a lei da divisão do trabalho dentro dos organismos. Milne-Edwards suspeitou da existência desta lei com seus primeiros estudos de crustáceos, e ele a verificou posteriormente entre os outros grupos. Nos animais inferiores, o mesmo tecido pode se adaptar a diferentes funções. Ele observou esse fenômeno, por exemplo, nos celenterados, onde um único fragmento era capaz de regenerar todo o animal. Mas em animais de ordem zoológica superior, essa habilidade tende a desaparecer e é progressivamente substituída por uma especialização dos tecidos. Sistemas, ou grupos de órgãos relacionados, sistema digestivo , sistema respiratório , sistema reprodutivo e assim por diante. Dentro de cada sistema, cada órgão tem uma função bem definida. Portanto, o sistema digestivo é dividido em um tubo digestivo e as glândulas anexadas; e o próprio tubo digestivo consiste em uma primeira região na qual o alimento é introduzido, uma segunda na qual os nutrientes sofrem a ação dos sucos digestivos e uma terceira onde as substâncias úteis ao organismo são absorvidas e onde os resíduos são eliminados. Pode-se reconsiderar cada uma dessas regiões e determinar outras subdivisões dentro delas, variando de acordo com a dieta e outros fatores. Essas especializações, que se tornam cada vez mais precisas, determinam a posição de um organismo na série animal. É em grande parte por meio da descoberta, análise e aplicação desses princípios fundamentais que Milne-Edwards foi durante anos o líder dos naturalistas franceses e que sua obra permaneceu famosa por muito tempo depois de sua morte. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de P ouchet (Debré, 1995, p. 183). A Academia de Ciências, em 1864, cansada das discórdias cede aos apelos dos heterogenistas e decide criar uma comissão de investigação, em que integram, dentre outros, Dumas, Balard, Flourens e Milne-Edwards (Debré, 1995, p. 191). Ref. https://data.bnf.fr/en/12399524/henri_milne-edwards/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/zoology-biographies/henri-milne-edwards Adolphe-Théodore Brongniart 1801-1876 Doutor associado em medicina (Paris, 1827). Botânico, fundador da paleontologia vegetal. Professor de botânica e fisiologia vegetal no Museu de História Natural. Membro da Academia de Ciências (1834). Filho de Alexandre Brongniart , o eminente geólogo, Brongniart foi formado pelo pai e desde cedo colaborou com ele. Rapidamente mostrou sinais de ser um estudante superior, e seus dons foram tão cuidadosamente desenvolvidos que ele se tornou um cientista precoce capaz de um nível de trabalho imediatamente elevado. Nada na vida de Brongniart indica a menor hesitação em sua busca pela ciência. Entre 1817 e 1828, ele pôde realizar seus estudos e sua iniciação na ciência enquanto fazia pesquisas originais. Em 1818 ele foi matriculado em cursos de medicina, mas eles constituíam apenas uma fração de suas ocupações; dois anos depois, ele publicou seu primeiro relatório, sobre um novo gênero de crustáceo. Após essa tentativa juvenil, Brongniart esperava atingir o nível dos grandes movimentos biológicos de seu tempo: pesquisa sobre as divisões primárias do reino vegetal, anatomia e anatomia taxonômica (seguindo o trabalho de Mirbel e Candolle), e a teoria da sexualidade vegetal generalizada. Os progressos já alcançados nestes campos, bem como os da geologia e da geografia botânica (desde cedo adquiriu conhecimentos sobre a flora tropical). Em 1822, Brongniart publicou seu primeiro livro de memórias importante, sobre a classificação e distribuição de plantas fósseis. Nele, ele concebeu a paleobotânica como parte da botânica e deu-lhe um valor teórico de importância primordial para a biologia, bem como para a geologia. Vindo como fez depois de estudiosos como Ernst Schlotheim e Kaspar von Sternberg, Brongniart não foi totalmente inovador, mas seu estudo mostrou uma garantia até então desconhecida. As obras-primas de 1828, o pródromo e os fósseis da Histoire des végétaux , principalmente confirmaram e ampliaram suas primeiras idéias, dando-lhes fundamento e amplitude de perspectiva. A Histoire , que ele esperava continuar em um segundo volume (apenas as primeiras partes apareceram em 1837), foi um estudo longo, metódico, detalhado e preciso que mostrou claramente as duas preocupações de Brongniart: nomenclatura e ilustração. Seus princípios gerais e pontos de vista teóricos foram expressos de forma condensada no Prodrome, para um efeito impressionante. Nele Brongniart reconheceu a existência de quatro períodos sucessivos de vegetação, cada um caracterizado geologicamente. Três foram particularmente bem caracterizados: o primeiro, estendendo-se até o final do Carbonífero, pelos criptogramas vasculares; a terceira, cobrindo o Jurássico e o Cretáceo, por samambaias e gimnospermas; o quarto, que era o Terciário, pelas dicotiledôneas. Brongniart então dividiu o reino vegetal em seis classes: Agamae (talófitas), criptogramas celulares (hepáticas e musgos, isto é, Hepaticae e Muscae), criptogramas vasculares e três classes de fanerógamas: gimnospermas, angiospermas monocotiledôneas e angiospermas dicotiledôneas. Esta excelente classificação indicava claramente visões modernas, mas infelizmente, por razões desconhecidas, Brongniart não a seguiu em suas publicações posteriores. Pela primeira vez, as gimnospermas foram tomadas como uma classe e corretamente colocadas entre os fanerógamas. Depois de mais de um século, os cotilédones não eram mais o principal critério de classificação. Brongniart foi um dos maiores botânicos franceses do século XIX e seu trabalho exerceu uma grande influência no progresso da botânica. É possível, entretanto, que ele tenha sido muito influenciado por Cuvier e muito pouco por Lamarck, pois o aspecto teórico de sua obra pode não se igualar a sua excelência descritiva. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de Pouchet (Debré, 1995, p. 183). Ref. https://data.bnf.fr/en/12321960/adolphe_brongniart/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/brongniart-adolphe-theodore-0 Albert Serres 18?-18? Doutor em Medicina pela Faculdade de Paris. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de Pouchet (Debré, 1995, p. 183). Ref. https://data.bnf.fr/en/10485692/albert_serres/ Mais informações: https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5448060t Albert Geoffroy Saint-Hilaire 1835-1919 Zoólogo francês. De 1865 a 1893, foi diretor do Jardim de Aclimatação em Bois de Boulogne, em Paris. Filho de Isidore Geoffroy Saint-Hilaire (1805-1861) e de sua esposa Louise Blacque-Belair (filha de François-Charles Blacque-Belair). Em 1855 recebeu seu diploma de bacharel em ciências, atendendo a um desejo de seu pai para que "ele se ocupasse com seriedade às ciências". Albert se envolveu com o planejamento e construção do Jardim Zoológico de Aclimatação de Paris, fundado pelo seu pai quinze anos antes, e que abriu suas portas em 6 de Outubro de 1860, tornando-se diretor assistente em 1865. Contudo, Albert era mais um empreendedor do que um cientista, e durante a sua gestão como diretor do Jardim Zoológico, procurou torná-lo um lugar muito atrativo, fazendo com que um quarto de milhão de pessoas o visitassem para ver mais de 5 mil animais. A instituição fechou as suas portas durante a Guerra Franco-Prussiana, reabrindo posteriormente em 1877, quando também se transformou num Centro de Aclimatação Antropológica, até 1912. A Academia de Ciências propôs estabelecer propôs estabelecer para o concurso do prêmio Alhumbert de Ciências Naturais, referente ao ano de 1862, o seguinte tema: "procurar, por meio de experiências bem feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas". Esse prêmio, de dois mil e quinhentos francos, será atribuído após o relatório de uma comissão composta por Milne-Edwards, Flourens, Brongniart, Serres e Geoffroy Saint-Hilaire Fils - uma comissão composta majoritariamente por adversários da teoria de Pouchet (Debré, 1995, p. 183). Ref. https://data.bnf.fr/en/12991194/albert_geoffroy_saint-hilaire/ Mais informações: https://peoplepill.com/people/albert-geoffroy-saint-hilaire Próximo Grupo

  • École Normale Supérieure | Pasteur Brasil

    École Normale Supérieure Pasteur é reprovado no 1º exame para a conquista do baccalauréat em ciências. Esse fracasso o fará se dedicar de modo mais determinado e menos orgulhoso aos estudos. Louis sente-se inclinado às realizações práticas, e pensa, naquele momento, que seria melhor tornar-se engenheiro em vez de professor. Começa a se preparar concomitantemente para a École Polytechinique e para a École Normale Supérieure (ENS), mas o que o faz desviar da primeira opção é o aspecto militar, pois não está disposto a servir à bandeira. Volta-se para o objetivo inicial das ciências. É admitido para a 2ª fase dos exames, mas insatisfeito com a 15ª colocação dentre 22 candidatos, prefere não fazer as provas e se preparar melhor para a reapresentação no ano seguinte. Decide realizar novo ano preparatório em Paris, e não mais em Besançon. A habituação local junto ao amigo Chappuis o ajudará a superar o antagonismo repulsa-atração pela capital francesa. Em Paris, assiste às aulas no Collège Saint-Louis e também atua como professor particular de matemática elementar a colegas igualmente instalados no Instituto Barbet. Pasteur nem pensa em se distrair com a vida parisiense. Interessa-se por assistir às aulas ministradas na Sorbonne pelo químico Jean-Baptiste Dumas (1800-1884). O curso atrai um público considerável, de até 700 pessoas. A força deste exemplo o fará perceber a importância de ser capaz de cativar um auditório. Este primeiro contato com a química será decisivo na escolha profissional de Pasteur, que seguirá admirando Dumas por toda a vida. Este respeitável químico se tornará seu mentor, peça-chave de diversas pesquisas científicas vindouras e também grande amigo. Em 1843, Pasteur é admitido na E. Normale em 4º lugar. Solicita e obtém permissão para morar nesta École. Diariamente se dedica a 12h de estudos, incluindo conferências e trabalhos práticos. Durante os 3 anos na ENS, Pasteur estuda e trabalha sem parar. O amigo Chappuis o arrasta para passeios forçados no Jardim de Luxemburgo, mas as conversas só dizem respeito às aulas e às experiências em andamento. As primeiras experiências científicas vitoriosas enquanto aluno o motivavam a fazer parte da engrenagem universitária de compartilhamento de saberes. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. ENS situada na Rua d'Ulm em Paris. Louis Pasteur aos 21 anos, época em que ingressou na ENS. Sorbonne Université Sorbonne Université Pasteur se inspira em Jean-Baptiste Dumas, em sua eloquência e capacidade de cativar um auditório. Dumas torna-se um mentor para Pasteur, além também de um grande amigo. Seu afeto por Pasteur é evidente nas correspondências. Ao ingressar futuramente na Academia de Ciências, é Dumas quem apresenta Pasteur a Napoleão III. Busto Jean-Baptiste Dumas. Entrada histórica da École Normale Supérieure. Ingresso na École Normale Suérieure em 1843. Um dos acessos ao Jardim de Luxemburgo. Passeio do Jardim de Luxemburgo Jardim de Luxemburgo Continue lendo a biografia

  • Beneméritos | Pasteur Brasil

    Beneméritos Louis Pasteur teve seu pai como primeiro preceptor. O primeiro dicionário da família “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia” foi publicado por Rolland e Rivoire em 1803. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho. O pai de Louis tinha poucos amigos, mas eruditos, a exemplo de professores e o médico de Arbois, Dr. Dumont. Aos 9 anos, L. Pasteur é admitido no Collège d´Arbois (atualmente Lycée Pasteur). Seu primeiro mestre foi o jovem Etienne Renaud, apegado aos alunos e contador de seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, ao receber homenagens e prêmios, Pasteur sempre reconhecerá este primevo professor. Emmanuel Bousson de Mairet (1796-1871), literato e filósofo, foi o amigo que ajudou a família Pasteur a se instalar em Arbois. Este erudito local escreveu pelo menos 30 textos, dentre os quais, a história dos habitantes de Arbois, a batalha de Alésia de Júlio César, e uma tragédia sobre Joana d´Arc. Mairet foi professor no Collège d´Arbois, mas, acometido pela surdez, precisou se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis, ajudando-o a progredir consideravelmente nos estudos, inclusive em retórica, onde Pasteur amealha vários prêmios. No entanto, quem terá influência decisiva nos futuros estudos de Pasteur será o Sr. Romanet, diretor do Collège d´Arbois. Ele ajuda a desenvolver no jovem aluno a circunspecção e a motivação pelos estudos. Pasteur o admira e, ainda criança, o escuta enaltecer os benefícios da educação, descrevendo a instituição que seria digna às suas capacidades: a École Normale Supérieure em Paris. A proposta prática para viabilizar a ida do jovem a Paris provém do capitão Barbier. Este amigo do pai de Pasteur, proveniente de Arbois, é Oficial da Guarda Municipal de Paris, e é quem fala de uma instituição no Quartier Latin, onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet. Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Etienne Renaud foi o 1º professor em Arbois (escola primária). É um jovem e ardente professor que se apega aos alunos e sabe como diverti-los. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este professor que lhe deu suas primeiras aulas. Romanet era Diretor do Collège d´Arbois. Teve influência decisiva na carreira de Pasteur. Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê na criança Pasteur: a École Normale. O primeiro dicionário da família de Pasteur, “Novo Vocabulário ou Dicionário Portátil da Língua Francesa com Pronúncia”, foi publicado por Rolland e Rivoire em 1803. Jean-Joseph Pasteur ansiava pelo conhecimento e encorajava os estudos do filho, Louis Pasteur. Emmanuel Bousson de Mairet (1796-1871). Homem de letras e filósofo, amigo do pai de Louis. É autor de pelo menos 30 textos: história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a ele que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios. Barbet, dono do internato em Paris onde Pasteur vai aos 15 anos com Jules Vercel, e aos 17 com Chappuis se preparar para o concurso da École Normale. Barbet cortou pela metade as mensalidades dos jovens. Aconselhou-os e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de taxas. Lições elementares a Louis Pasteur na infância. Placa Rue du Collège Pasteur em Arbois. Lycée Pasteur. Placa em frente ao Collège Pasteur, onde o cientista estudou de 1831 a 1838. Vista interior do Collège Pasteur. Concours publics em 1832. Livro de Louis Pasteur sobre a história dos imperadores. Busto de Pasteur em praça de Arbois. Continue lendo a biografia

  • Saúde e Morte | Pasteur Brasil

    Saúde e Morte Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham sua recuperação. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos. Os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin. Além destes, o imperador e a imperatriz enviam um lacaio encarregado de se informar do seu estado de saúde (Debré, 1995, p. 235). Claude Bernard é um dos primeiros a comparecer à cabeceira de Pasteur para trazer, afetuosamente, seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Nos dias seguintes, há uma lenta melhora. A fala retorna, e oito dias após começa a ditar uma nota a Gernez para a Academia sobre um procedimento para a prevenção da flacidez. Também dita à Marie Pasteur uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). O primeiro pensamento de Pasteur é para o laboratório que Napoleão III havia prometido mandar construir na Rua Ulm. Da janela da sala de jantar que dá para o jardim da École Normale, ele vigia o canteiro de obras. Os operários desaparecem ao primeiro sinal da doença. Por intermédio do general Favé, Pasteur manda dizer que estão com muita pressa de enterrá-lo. Napoleão III e Victor Duruy se desculpam por tal precipitação, e é dada uma ordem para que a construção seja retomada (Debré, 1995, p. 236). Pasteur perde o uso da mão esquerda a ponto de depender de seus colaboradores para as experiências mais delicadas. Em janeiro de 1869 Pasteur consegue andar novamente e retorna ao sul com alguns dos seus colaboradores para retomar o trabalho com o bicho-da-seda. De sua cadeira ou de sua cama, Pasteur aconselha e orienta seus discípulos. Na primavera, retornam para Pont-Gisquet e a partir de então são organizadas missões para cada um dos alunos, transformados em “apóstolos”: Duclaux e Gernez. Um ano antes da inauguração do Instituto Pasteur, em 23/10/1887 Pasteur sofre um novo AVC seguido de afasia e recupera a fala. Alguns dias depois sofre novo ataque, mais difícil de reabsorver, então sua fala se torna fraca e embaralhada (Debré, 1995, p. 522-523). Em 01/11/1894 quando se preparava, como fazia diariamente para ver os netos, Pasteur é tomado por um terrível mal-estar e desmaia. Só volta a si à noite para pedir que fiquem a seu lado. Durante 3 meses não sai da cama. Seus filhos e netos se instalam no Instituto Pasteur. Organizam turnos para lhe fazer companhia. Em grupos de 2, pasteurianos e membros da família se revezam na cabeceira de Pasteur, noite e dia. Roux e Chantemesse ficam nos turnos da noite. Quando tem algum tempo livre, Metchnikoff o visita, não importa a hora. O mesmo acontece com Grancher. Em 1º de janeiro de 1895, Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho) para cumprimentá-lo. No Instituto Pasteur, Louis Pasteur passa muitas horas durante a tarde sob os castanheiros conversando em voz baixa com seus colaboradores ou com o fiel amigo desde à infância, Charles Chappuis (Debré, 1995, p. 546-547). Em maio recebe a notícia que a Academia de Ciências de Berlim quer conceder-lhe a medalha da Ordem do Mérito da Prússia pelo imperador Guilherme II, mas sua raiva ainda está presente, pela perda da Alsácia e Lorena em 1870, e recusa a honr a. No dia 13 de junho de 1895, Pasteur deixa o Instituto Pasteur e vai para Villeneuve-l´Etang, para passar a primavera, mas está cada vez mais fraco e não aproveita o parque. Suas forças declinam. Depois de um novo ataque, falece em 28 de setembro de 1895 às 16h40. De acordo com a vontade da família, é sepultado em uma cripta construída no subsolo de seu Instituto (Debré, 1995, p. 547-552). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. Com quase 46 anos Pastuer sofre um AVC que o deixa hemiplégico. Pouco a pouco recupera a fala, mas continua a mancar e perde definitivamente o uso da mão esquerda. Casa em Villeneuve-l´Etang onde Pasteur passa os últimos meses de vida. As janelas do quarto de Pasteur tinham vista para o parque. Um recanto do parque de Villeneuve-l´Etang. Em frente à fonte havia faias roxas sob as quais Pasteur descansava todas as tardes. Quarto de Pasteur, com aparência monacal (monástica), em Villeneuve-l'Etang. Acima da cama foi afixado na parede um desenho de Maurice Leloir representando Pasteur em seu leito de morte. Obséquias Nacionais a Pasteur. Capa do Le Petit Journal de 13 de outubro de 1895. Contra-capa do Le Petit Journal de 13 de outubro de 1895. Cripta no subsolo do Instituto Pasteur. Estátua de Pasteur em Paris. Saguão de entrada da Expo Pasteur no Palais de la Découverte em Paris, 2018. Retorne para a biografia

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