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  • Equipe Extrafísica | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Equipe Extrafísica Marco Antônio Ferreira de Almeida 1971- Médico pneumologista e conscienciólogo brasileiro, Marco Almeida n asceu no Rio de Janeiro, RJ, Brasil, em 30 de outubro de 1971. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fez residência médica em Pneumologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), sendo membro da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Fez e specialização em Educação Médica na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), sendo preceptor da residência de Clínica Médica no Hospital Municipal Padre Germano Lauck. Acessou a Conscienciologia em 1991, no Rio de Janeiro, RJ, por meio de Palestra Pública do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC). Voluntário da Conscienciologia desde 2001, nas Instituições Conscienciocêntricas: IIPC, de 2001 a 2002; Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC) em 2003; Organização Internacional de Consciencioterapia (OIC) desde 2003, sendo coordenador geral de 2015 a 2019. Docente de Conscienciologia desde 2001; consciencioterapeuta desde 2003; tenepessista desde 2004; epicon desde 2017. É radicado em Foz do Iguaçu / PR desde novembro de 2002, sendo voluntário-residente no Campus da Organização Internacional de Consciencioterapia (OIC), no bairro Cognópolis, desde 08 de janeiro de 2011. Coautor de capítulo de livro: SARA / SDRA (Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo) na obra Emergências Respiratórias, organizada por Eduardo Cesar Faria, publicada no Rio de Janeiro, RJ pela Editora de Publicações Biomédicas (EPUB) em 2002. Títulos de artigos conscienciológicos: Síndrome da Banalização dos Autodiagnósticos; Fundamentos da Consciencioterapia Dessomática; Posturas Grupais visando à Desperticidade; Autoconscienciometria e Infogrupalidade; Autoprofilaxia das Irracionalidades Antiassistenciais; Apriorismose; Miniconscienciograma das Patologias Humanas; Para-Afetividade: Proposição de Técnicas Consciencioterápicas; A Evolução Histórica dos Paradigmas de Saúde. Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia: Autorremissibilidade Consciencioterápica (2012); Percepção de Auteficácia Consciencioterápica (2013); Síndrome da Banalização do Autodiagnóstico (2013); Parafetividade Terapêutica (2013); Ação Trafaricida (2013); Inteligência Autoconsciencioterápica (2014); Inquietação Aversiva Autocogniciofóbica (2015); Consciencioterapia Metacognitiva (2016); Atendimento consciencioterápico (2017); Antiofensividade Interconsciencial (2018); Ferida Emocional (2019); Superação da Tanatofobia (2020); Traumastenia Consciencial (2020); Interação Coronavírus-Coronochacra (2020); Negacionismo da Autorrealidade (2020); Cicatriz Evolutiva (2020). Tertúlias Matinais: Fisiologia da Autocognição (2017); Alegria: Tonalidades e Sutilezas (2019); Autexposição Interassistencial (2020); Aspectos Autoconsciencioterápicos da Ortodessomaticidade (2023); Expedição Seriexológica Interassistencial (2024). Epicentrismo em Debate: Biparatranse Heurístico (2021); Diligência Assistencial Parapsíquica (2022); P rofilaxia da Iatrogenia Consciencial (2022); Megadesafios Homeostaticológicos do Epicon (2022); Saúde Somática do Epicon (2023); Saúde Energossomática do Epicon (2023); Saúde Psicossomática do Epicon (2023); Saúde Mentalsomática do Epicon (2023); Autocognição Energoterapeuticológica (2023); Saúde Holossomática do Epicon (2024); Síndrome de Cassandra (2024); Expedição Parapsíquica de Desassédio (2024). Ref. https://www.icge.org.br/?page_id=1417 Ref. https://www.conselhodeepicons.org.br/?page_id=651 Ref. Faria, Eduardo Cesar. Emergências Respiratórias. Rio de Janeiro, RJ: EPUB, 2002, p. 97-106. Ref. Vieira, Waldo (org). 500 Verbetógrafos da Enciclopédia da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016, p. 393. Waldo Vieira 1932-2015 Waldo Vieira nasceu em Monte Carmelo, Minas Gerais, em 12 de abril de 1932, filho do dentista Armante Vieira e da professora Aristina Rocha. Pesquisador independente, escritor e professor, graduou-se em Odontologia (1954) e em Medicina (1960), com pós-graduação em Plástica e Cosmética em Tóquio, Japão. Foi o propositor das neociências Projeciologia e Conscienciologia, sistematizadas nos tratados “Projeciologia: Panorama das Experiências da Consciência Fora do Corpo Humano” (1986) e “700 Experimentos da Conscienciologia” (1994). Sensitivo, ainda na infância iniciou seus estudos sobre as habilidades parapsíquicas (percepção extrassensorial, mediunidade, paranormalidade) e tornou-se, posteriormente, membro das principais instituições internacionais e nacionais de pesquisa do parapsiquismo, a exemplo da SPR – Society for Psychical Research (Londres, Reino Unido), ASPR – American Society for Psychical Research (Nova York, EUA), Associação Brasileira de Parapsicologia (Rio de Janeiro – RJ) e CEAEC – Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (Foz do Iguaçu – PR). O pesquisador escreveu dezenas de livros e centenas de artigos relacionados à pesquisa da consciência, de caráter científico, porém sempre apontando a necessidade de um paradigma que considerasse o fenômeno consciencial (e, portanto, o parapsiquismo humano) para além da matéria ou do cérebro biológico apenas. Antes disso, nas décadas de 1950 e 1960, atuou no Movimento Espírita. A psicografia (escrita mediúnica), manifesta aos 13 anos, foi aperfeiçoada e, já com 23 anos, quando conheceu o famoso médium Chico Xavier, já estava plenamente desenvolvida. Desde o início, o encontro de Vieira e Xavier sinalizava ser promissor: o primeiro livro psicografado em coautoria foi “Evolução em Dois Mundos”, publicado em 1958. No Espiritismo, Vieira psicografou dezenas de obras solo ou em parceria com Chico Xavier, além de várias outras ações assistenciais, como a fundação do centro “Comunhão Espírita Cristã”, na cidade de Uberaba (MG). Em 1966, desliga-se do Movimento Espírita e passa a dedicar-se à pesquisa independente, radicando-se na cidade do Rio de Janeiro. Projetor consciente desde os nove anos, o que equivale a dizer que tinha experiências lúcidas fora do corpo desde o início da década de 1940, tornou-se a referência mundial quando o assunto é Projeciologia, o estudo técnico deste fenômeno, principalmente após a publicação, em 1981, do livro “Projeções da Consciência”, onde propõe publicamente, de maneira inédita, a especialidade. Ainda na década de 80, é um dos fundadores do IIP, atual IIPC – Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia, instituição de educação e pesquisa reconhecida como de utilidade pública federal a partir de 1998 e que completou 27 anos de existência no último mês de janeiro. Em 2000, Vieira muda residência para Foz do Iguaçu e passa a morar no campus do CEAEC. A partir de então, concentrou os esforços pessoais na aglutinação de pesquisadores interessados na expansão dos trabalhos da Conscienciologia na Tríplice Fronteira, visando à instalação do bairro Cognópolis, também conhecido por Bairro do Saber ou Cidade do Conhecimento, de modo semelhante ao que havia feito em Uberaba décadas atrás com o Parque das Américas. O bairro Cognópolis foi oficialmente criado através do Decreto Municipal 18.887, de 20 de maio de 2009. Em 2018, o bairro possui, quatro campus conscienciológicos com laboratórios de autopesquisa e auditórios para cursos e palestras, sete condomínios residenciais, instituições de pesquisa da Conscienciologia (várias delas fundadas pelo próprio Vieira), o Hotel Mabu Interludium Iguassu Convention, além de projetos em construção, a exemplo da Ágora Cognopolita e o Megacentro Cultural Holoteca, projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. Na sustentação destes megaempreendimentos, está o aporte humano de mais de 800 voluntários, que transferiram domicílio para Foz do Iguaçu, afora os iguaçuenses com colaboração diária. Com a vida inteira dedicada à pesquisa, docência, autorado e interassistência, nos últimos meses de vida dedicava-se às minitertúlias conscienciológicas, que aconteciam diariamente no Tertuliarium, no campus do CEAEC, e ao terceiro volume de sua obra “Léxico de Ortopensatas”, que deixou no prelo. Conforme sempre fazia questão de enfatizar, todas as atividades intelectuais que desenvolvia eram inteiramente orientadas pelo Princípio da Descrença, que enuncia que “não se deve acreditar em nada”, pois o mais importante para cada indivíduo é usar o senso crítico, o raciocínio e aprender com as próprias experiências. Waldo Vieira veio a óbito no dia 02 de julho de 2015, em Foz do Iguaçu (PR) depois de sofrer um AVC. Síntese das ponto ações de Waldo Vieira: 23 Livros Conscienciológicos, sendo 7 tratados. 89 Artigos nas Revistas Científicas. 2.220 Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia. 19 Livros Psicografados no Espiritismo, sendo 13 solo ou em parceria com o médium Chico Xavier e 6 obras atribuídas ao espírito André Luiz. 14.100 Temos do Dicionário de Neologismos da Conscienciologia, termos neológicos e orismológicos. 101 Cursos Idealizados. 2.191 Tertúlias Conscienciológicas realizadas. 822 Minitertúlias no Tertuliarium no período de março de 2013 a junho de 2015 (atividade diária – número aproximado). 116 Círculos Mentaissomáticos realizados. Ref. https://www.icge.org.br/?page_id=3940 Ref. https://www.icge.org.br/?page_id=6820 Ref. Vieira, Waldo (org). 500 Verbetógrafos da Enciclopédia da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016, p. 25-74. Zéfiro Desde a Antiguidade A consciência Zéfiro é o epíteto que identifica, nas dimensões extrafísicas desde a Antiguidade, a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira (1932-2015). Detalhes acerca da trajetória evolutiva de Zéfiro, considerando retrovidas (vidas pretéritas) e períodos intermissivos (entre vidas), podem ser obtidos no livro "Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira" (Teles, 2014). De acordo com registros de Minitertúlias Conscienciológicas realizadas no Tertuliarium do CEAEC, "A equipex do Zéfiro atuava dando inspiração e segurando a barra no caso do Pasteur: segurança de melhoria do holopensene de onde ele pensava mais, onde a pessoa desenvolvia os melhores pensamentos dela. É o que eles fazem com o Waldo hoje. A melhor coisa que os amparadores podem fazer é melhorar o holopensene de quando a pessoa está fazendo um bom pensamento, isso é o resumo da assistência. Este era o trabalho básico do Zéfiro: dando inspiração e segurando a barra, para não haver excesso, as besteiras da pessoa (ex. pensatas erradas, excessivas, bobeiras, aquelas que mais tarde pode se arrepender). Porque, às vezes, a pessoa pode se entusiasmar com a ideia e aparecer no manuscrito distorcida. O processo dele (Pasteur) não foi só de holopensene, mas também para sossegar o temperamento, ver o neurovegetativo. Ele (Pasteur) levou isso (germes) a sério e conseguiu comprovar. Os castelos não tinham banheiro, era sujeira demais. Muita gente não queria saber disso, pois dá trabalho demais limpar tudo. Ele (Pasteur) começou a raciocinar nisso com clareza, bem claro. Quando se está mexendo com uma coisa nova, se quer saber de tudo" (anotações de Minitertúlia Conscienciológica em 25/09/2013). Nesta mesma Minitertúlia de 25/09/2013, ao ser questionado sobre a holobiografia de Pasteur, Waldo Vieira responde: “Ele é ligado aos nossos processos, é ligado ao Transmentor, é de casa. Tudo é da mesma equipe, ele (Pasteur) e o Littré. É preciso saber onde estão estes foragidos. Semmelweis morreu louco no hospício, porque possivelmente os germes entraram na cabeça dele. É um monte de gente deste jeito. Ampliação da longevidade na Terra, isso está na ficha dele (Pasteur). Naquela época tudo era uma favela, um lixão”. Ref. Teles, Mabel. Zéfiro: a Paraidentidade Intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2014. Mais informações: https://www.shopcons.com.br/produto/zefiro-a-paraidentidade-intermissiva-de-waldo-vieira-5874 Mais informações: https://editares.org.br/livro/zefiro-a-paraidentidade-intermissiva-de-waldo-vieira/ Sandro Botticelli, O Nascimento de Vênus (1485). Recorte da parte superior esquerda do quadro, com a representação de Zéfiro (vento oeste). Transmentor De acordo com Teles (2014, p. 154-155), Transmentor "é o evoluciólogo mais atuante no grupo dos intermissivistas da Conscienciologia. É holobiógrafo e especialista em Paragenética, conhecendo profundamente a retrogenética de cada integrante do grupo que orienta. Apresenta mentalidade enciclopédica, multicultural e universalista. Costuma apresentar-se extrafisicamente com paravisual de homem, tipo inglês, dolicocéfalo, de pele clara e cabelos castanhos, quase louro. Usa roupas ocidentais, estilo casual. É sério, austero, com grande força presencial e capacidade de aglutinação interconsciencial, estado geral- mente acompanhado por chusma de consciexes. Na atual existência, apresentou-se a Vieira ainda na infância, em Monte Carmelo, tendo sido trazido pela Serenona Monja. Desde então, tem assistido o pesquisador em distintas conjunturas de vida, sempre visando a maxiproéxis grupal. Quando o pesquisador decidiu mudar residência para Foz do Iguaçu, o Transmentor se prontificou em estar mais presente nos arre dores extrafísicos da Cognópolis, de modo a auxiliar o encaminhamen to do grupo de intermissivistas. Na juventude de Vieira, em Uberaba, auxiliou o então rapaz a posicionar-se perante os colegas de colégio contra os idiotismos culturais e as automimeses dispensáveis da juventude, através da seguinte inspiração extrafísica: isso não é para você. A partir deste dia, Vieira passa a adotar enquanto princípio evolutivo o bordão isso não é para mim, principalmente nos momentos de decisões críticas de destino, onde se faz necessário aplicar a omissão superavitária. No passado, o Transmentor conviveu com Zéfiro ressomado em várias retrovidas, tendo sido inclusive integrante da mesma família nuclear, na posição de irmão. Vieira o considera seu melhor amigo (Amizade Raríssima)". Em registro de Minitertúlia Conscienciológica no dia 25/09/2013, ao ser questionado sobre a holobiografia de Louis Pasteur, Waldo Vieira responde: “Ele é ligado aos nossos processos, é ligado ao Transmentor, é de casa. Tudo é da mesma equipe, ele (Pasteur) e o Littré. É preciso saber onde estão estes foragidos. Semmelweis morreu louco no hospício, porque possivelmente os germes entraram na cabeça dele. É um monte de gente deste jeito. Ampliação da longevidade na Terra, isso está na ficha dele (Pasteur). Naquela época tudo era uma favela, um lixão”. Ref. Teles, Mabel. Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu. PR: Editares, 2014. Mais informações: https://www.icge.org.br/?page_id=1677 Everton Souza dos Santos 1961- Everton Santos nasceu em Porto Alegre, RS, Brasil. Atualmente está radicado na Cognópolis Foz do Iguaçu, PR. Graduado em Arquitetura e Urbanismo. Especialização em Projeto de Arquitetura Habitacional, Expressão Gráfica, Gestão de Recursos Humanos e Dinâmica de Grupos. Arquiteto, Urbanista e Professor Universitário. Acessou a Conscienciologia em 1991, em Porto Alegre, RS, por meio de Palestra Pública do Instituto Internacional de Projeciologia e Conscienciologia (IIPC). Voluntário da Conscienciologia desde 1994, nas Instituições Conscienciocêntricas: IIPC, de 1994 a 1996; Centro de Altos Estudos da Conscienciologia (CEAEC) desde 1996. Docente de Conscienciologia desde 2000; tenepessista desde 1996; epicon desde 2011; assumiu a Desperticidade na 2ª turma do PROAD. Coautor do livro Manual de Verbetografia da Enciclopédia da Conscienciologia (2012). Títulos de artigos conscienciológicos: Criatividade Evolutiva; Inversão Mesológica. Verbetes da Enciclopédia da Conscienciologia: Criatividade Evolutiva; Edificação Conscienciocêntrica; Assertividade Cosmoética. De acordo com registros de Minitertúlias Conscienciológicas realizadas no Tertuliarium do CEAEC, "A equipex do Zéfiro variou de acordo com o período e o objetivo da assistência que era feita. As modalidades de assistência variam de elemento para elemento. Às vezes vai ter equipex com 10 que atuam na mesma linha de assistencialidade, mas nem sempre é assim. A temporada que teve mais gente foi da época do Everton” (anotações de Minitertúlia Conscienciológica em 16/10/2014). Ainda de acordo com registros da fala de Waldo Vieira em Minitertúlia, “Everton auxiliou a personalidade de Littré e Pasteur. O ponto principal de ajuda é no paracérebro, o processo de interlocução, de comunicação, de transmissão do pensamento” (anotações de Minitertúlia Conscienciológica em 24/09/2013). Ref. https://www.conselhodeepicons.org.br/?page_id=556 Ref. Vieira, Waldo (org). 500 Verbetógrafos da Enciclopédia da Conscienciologia. Foz do Iguaçu, PR: Editares, 2016, p. 221. Francisco Cândido Xavier (Chico Xavier) 1910-2002 Médium brasileiro nascido em Pedro Leopoldo / MG no dia 02 de abril de 1910. Chico Xavier era filho do operário João Cândido Xavier e da lavadeira Maria João de Deus, que morreu quando ele tinha apenas cinco anos. Chico e seus oito irmãos tiveram que ser distribuídos por vários familiares e amigos. Quando estava com nove anos, seu pai casou-se novamente, com dona Cidália, que fez questão de reunir todos os filhos do primeiro casamento do esposo e ainda lhe deu mais cinco filhos. Chico frequentava a escola primária pública pela manhã e depois trabalhava numa indústria de fiação e tecelagem, mal tendo aprendido a ler e a escrever. Depois foi empregado como caixeiro numa loja e, mais tarde, como ajudante de cozinha. Em 1933 o dr. Rômulo Joviano, administrador da Fazenda Modelo do Ministério da Agricultura em Pedro Leopoldo, ofereceu a Chico um emprego modesto. A carreira de funcionário público foi até a década de 1950, quando Chico Xavier se aposentou por invalidez, na função de escrevente datilógrafo, devido a uma doença nos olhos. Mudou-se então para Uberaba, a conselho médico, onde permaneceu até a sua morte. A mediunidade de Chico Xavier manifestou-se aos quatro anos de idade, pela clarividência e clariaudiência. Incompreendido pelo pai, ao se queixar das vozes que o atormentavam, foi repreendido e levado aos cuidados de um padre. Aos 17 anos, no grupo espírita Luiz Gonzaga, desenvolveu a psicografia. Foi nessa época que se desligou da Igreja Católica (onde não encontrava explicação para os fenômenos que se manifestavam nele) e procurou seguir os preceitos do espiritismo. Psicografou poemas de famosos escritores falecidos: Artur Azevedo, Olavo Bilac, Castro Alves, António Nobre, João de Deus e outros. A nove de julho de 1932, publicou "Parnaso De Além-Túmulo", uma coletânea de 259 poesias, ditadas por 56 poetas mortos. Durante a vida, Chico recebeu mais de mil entidades espirituais, entre eles Emmanuel, que foi o seu protetor espiritual e manifestou-se pela primeira vez em 1931, acompanhado-o desde então. Entre as muitas dezenas de obras mediúnicas de Emmanuel, destacam-se "Há 2 mil Anos", "50 Anos Depois", "Ave, Cristo", "Renúncia" e "Paulo e Estevão". Em 1943, uma nova entidade espiritual assinaria algumas de suas mensagens, com o nome André Luiz. Esses relatos começam com o livro "Nosso Lar". Chico Xavier se considerava humildemente apenas uma ponte entre o mundo material e o espiritual. Todos os seus direitos autorais foram cedidos a instituições espíritas e de solidariedade social. O médium atendeu, no seu centro em Uberaba, multidões de pessoas que chegavam de todas as partes do Brasil e do exterior para ouvir conselhos, receber tratamentos e conforto espiritual. Em 1981, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz. Morreu em 2002 aos 92 anos. Especificamente no livro "Libertação" psicografado por Chico Xavier, pelo espírito André Luiz, pode-se ler: "Pasteur, o cientista, defende a saúde do corpo humano, devotando-se, abnegado, ao combate silencioso contra a selva microbiana: todavia, não pode evitar que seus contemporâneos se destruam reciprocamente em disputas incompreensíveis e cruéis" ( Xavier, 2010, p. 15-16). Ref. https://educacao.uol.com.br/biografias/chico-xavier.htm Ref. Xavier, Francisco Cândido. Libertação. Rio de Janeiro, RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010, p. 15-16. Ref. Campetti Sobrinho, Geraldo. A Vida no Mundo Espiritual: estudo da obra de André Luiz. Brasília, DF: FEB, 2018, p. 18, 181, 478. Mais informações: Hirsch, Daniela. 12 Grandes Médiuns Brasileiros: conheça a história de personalidades que viveram com a missão de fazer o bem e de divulgar a doutrina espírita. Rio de Janeiro, RJ: HarperCollins Brasil, 2016, p. 69-85. André Luiz André Luiz é o nome atribuído por Francisco Cândido Xavier à consciência extrafísica que ditou diversos textos psicografados. Segundo Chico Xavier, André Luiz se apresentou informando que escreveriam alguns livros juntos. "Desde o início, o encontro de Vieira e Xavier sinalizava ser promissor, principalmente quando descobriram que ambos recebiam mensagens de espírito em comum: a consciex Carlos Chagas, acostumada a assinar os textos psicografados com o nome André Luiz" ( Teles, 2014, p. 76). Na obra "Libertação", ditada por André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier, há menção à Pasteur: "Pasteur, o cientista, defende a saúde do corpo humano, devotando-se, abnegado, ao combate silencioso contra a selva microbiana: todavia, não pode evitar que seus contemporâneos se destruam reciprocamente em disputas incompreensíveis e cruéis" (Xavier, 2010, p. 15-16). Ref. Teles, Mabel. Zéfiro: a paraidentidade intermissiva de Waldo Vieira. Foz do Iguaçu. PR: Editares, 2014. Ref. Xavier, Francisco Cândido. Libertação. Rio de Janeiro, RJ: Federação Espírita Brasileira, 2010. Mais informações: https://super.abril.com.br/historia/quem-foi-o-espirito-andre-luiz/ Análise dos Grupos

  • Família Louis Pasteur | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Família Louis Pasteur Marie Anne Laurent (Marie Pasteur / Madame Pasteur) 1826-1910 *Ver a microbiografia de Marie Pasteur no grupo Família Laurent. Jeanne Pasteur 1850-1859 Francesa. Aos 9 anos, a primeira filha do casal Pasteur falece de febre tifoide. Jean-Baptiste Pasteur 1851-1908 Francês. Quando criança, os pais o chamavam de “Batitisse” ou “Batitim” (Debré, 1995, p. 83). Aos 18 anos, Jean-Baptiste se alista como voluntário na guerra, e logo depois contrai febre tifoide e fica de cama. Pasteur teme que esta doença leve também seu filho (Debré, 1995, p. 270-271). Esteve na guerra franco-alemã em 1870. Sem esperança de vitória, Pasteur e a esposa partem para o leste, em longa e penosa viagem, enfrentando neve na tentativa de encontrarem o filho. Vasculharam por dias até encontrá-lo sujo, ferido e faminto (Garozzo, 1974, p. 120-121; Viñas, 1991, p. 80; Bazin, 2009, p. 66). Depois de formado em Direito, foi recebido em janeiro de 1891 no concurso Quai d'Orsay e tornou-se secretário da embaixada e depois diplomata em Roma, Copenhague, Madrid e Atenas (Vallery-Radot, 1945, p. 118). Aos 23 anos casou-se com Jeanne Boutroux. O casal não teve filhos (Debré, 1995, p. 366). Leu o discurso do pai na inauguração do Instituto Pasteur, pois um ano antes Pasteur havia sofrido um novo AVC, seguido de afasia (Debré, 1995, p. 522; Geison, 2002, p. 301-302). Falece aos 57 anos, em 17/10/1908, dois anos antes da mãe (Vallery-Radot, 1945, p. 118). Jeanne Boutroux 1854-1932 Natural de Orleans, na França, Jeanne casa-se com Jean-Baptiste, filho de Pasteur, em outubro de 1874. O casal não teve filhos (Debré, 1995, p. 366). Em carta dirigida ao filho, Pasteur o aconselha: "Trabalhe, então, para conseguir sucesso. Que Jeanne encoraje sempre você. A mulher faz o marido. Todo casal que prospera é servido por uma mulher com coração e energia" (Debré, 1995, p. 368). Cécile Pasteur 1853-1866 Francesa. Aos 12 anos, a terceira filha do casal Pasteur também falece de febre tifoide. Marie-Louise Pasteur 1858-1934 Francesa. Apelidada de Zizi. Louis Pasteur chamava a filha de “a minha valente”. O prenome Marie-Louise sela a união de seus pais. Era zelosa em relação à imagem do pai, estando atenta às informações que eram publicadas com distorções (Debré, 1995, p. 140). Marie-Louise colaborava em atividades do laboratório. Exemplo disso são os registros “Observações sobre os bichos-da-seda” (1870). Casa-se em 1879 com René Vallery-Radot, um colega de escola de seu irmão, que começa a se projetar na literatura e no jornalismo (Debré, p. 368). O casal teve três filhos: duas meninas, Camille e Marie-Madeleine (falecida com poucas semanas de septicemia) e um menino, Louis. Camille Pasteur 1863-1865 Francesa. Aos 2 anos, a quinta filha do casal Pasteur falece de tumor no fígado. René Vallery-Radot 1853-1933 Francês. Doutor em Direito (Paris, 1876). Homem de letras, foi colaborador do jornal Le Temps e da Revue des deux Mondes. Dedicou-se à memória e à obra do sogro Louis Pasteur (1822-1895). Presidente do Conselho de Administração do Instituto Pasteur (1917-1933). O genro de Pasteur era seu confidente, zelava pela sua saúde e o acompanhava em viagens. O filho de René, Louis (Pasteur Vallery-Radot, p. 14-15) escreveu sobre o pai: “Não sabendo nada sobre biologia, ele tinha a paciência em aprender”. Em 1884 escreveu “Histoire d'un savant par un ignorant”, resumo dos estudos de Louis Pasteur. Em 1900 publica a biografia de Louis Pasteur (Vallery-Radot, 1951) e em 1913, a biografia de Madame Pasteur (Vallery-Radot, 1945). Entre 1879 e 1895, René Vallery-Radot ajudou o sogro a enfrentar seus detratores, fazendo contato com a imprensa, dando apoio nas respostas às cartas de polemistas e reescrevendo seus discursos. Com objetivo diplomático, auxiliou na adaptação dos textos a serem publicados na imprensa e reescreveu cartas redigidas com raiva por Louis Pasteur, pois o cientista era irascível. O desejo de Vallery-Radot de suavizar as coisas explica a surpresa que se pode ter quando, depois de ler seu livro "La Vie de Pasteur", mergulha-se na correspondência do próprio Pasteur, onde aspectos de seu temperamento o seu genro não conseguiu falar. Ref. https://data.bnf.fr/en/11986373/rene_vallery-radot/ Camille Vallery-Radot 1880-1927 Francesa. Neta de Pasteur, filha de Marie-Louise Pasteur e René Vallery-Radot. Como recordação às filhas perdidas por Louis Pasteur, os pais de Camille definem-se por nomeá-la igualmente à quinta filha do casal Pasteur. "Pasteur observa-a crescer, apaixonadamente. E, setembro de 1891, ele dita a sua esposa uma longa carta destinada à neta: é um relato detalhado da erupção do Krakatoa! Pasteur vira um vulcanólogo improvisado para satisfazer a curiosidade de Camille..." (Debré, 1995, p. 545). Camille permaneceu solteira e não teve filhos. Louis Pasteur Vallery-Radot 1886-1970 Francês. Doutor em medicina (Paris, 1918), professor de Clínica Médica na Faculdade de Medicina de Paris. Membro da Academia Francesa (1944). Membro do Conselho Constitucional (1959-1965). O neto de Louis Pasteur foi autorizado em 1945 a adicionar ao sobrenome de seu pai, Vallery-Radot, também o de sua mãe: Pasteur. Foi médico, professor universitário e escritor francês. Dedicou-se à Imunoalergologia e Nefrologia. Atuou como médico auxiliar durante a guerra de 1914-1918. Cumpriu missões internacionais de saúde (Europa, Ásia, Américas, Japão, África Equatorial Francesa) entre 1929 e 1938. Tornou-se doutor honoris causa pelas Universidades de Munique, Buenos Aires, São Paulo, Montreal, Santiago, Equador, Atenas, Salônica, Jerusalém. Torna-se membro do Conselho da Ordem da Legião de Honra, da qual foi feito Grã-Cruz pelo General Charles de Gaulle, em pessoa, em 1959. É autor de diversos livros, sendo os principais divididos a seguir, em três categorias: 1) Obra autobiográfica: Mémoires d'un non-conformiste (1886-1966). 2) Obras relacionadas com o seu avô, Louis Pasteur: Œuvres de Pasteur, 1924-1939; Les plus belles pages de Pasteur, 1943; Correspondance de Pasteur, annotée, 1952; Images de la vie et de l'œuvre de Pasteur, 1956; Louis Pasteur; a great life in brief, 1958; Pasteur inconnu, 1959. 3) Obras de reflexão sobre a Medicina e Humanismo: Les grands problèmes de la médecine contemporaine, fondateurs et doctrines, 1936; Science et Humanisme, 1956; Médecine à l'échelle humaine, 1959; Médecine d'hier et d'aujourd'hui, 1962. Aproxima-se do músico e compositor Claude Debussy a quem admira desde a infância e sobre o qual escreve um livro. Tinha paixão pela música e pelo teatro. Os avós, Louis Pasteur e Marie, vinham todos os dias depois do almoço, para a casa de seus pais. (…) Nós o cumprimentamos na soleira jogando nossos braços em volta do pescoço. Ele nos beijava. A barba nos picava. Que carinho ele tinha pelos dois netos! (…) Meu avô passava as tardes no jardim e a Sra. Pasteur ou minha mãe (Marie-Louise) estava a ler. Minha irmã e eu brincávamos com ele (…) sua ternura era muito forte... (Pasteur Vallery-Radot, Mémoires d'un non-conformiste 1886-1966, p. 20-22). Aos 51 anos casou-se com Jacqueline Gohièrre de Longchamps, a qual era viúva, com 2 casamentos prévios. O casal não teve filhos. Ref. https://data.bnf.fr/en/12358295/louis_pasteur_vallery-radot/ Ref. https://www.nytimes.com/1970/10/10/archives/louis-pasteurvallery-radot-french-physician-dies-at-84.html Jacqueline Gohièrre de Longchamps 1902-1986 Francesa. Esposa de Louis Pasteur Vallery-Radot. Antes de se casar com o neto de Louis Pasteur, Jacqueline havia tido dois casamentos prévios, e era viúva. O casal não teve filhos. Ref. https://artsandculture.google.com/asset/louis-pasteur-vallery-radot/LgHMQizuo3_Q7g Próximo Grupo

  • Início | Pasteur Brasil

    Vida e obra do cientista francês Louis Pasteur (1822-1895) e seus contemporâneos, sob a ótica da Conscienciologia. Louis Pasteur Vida e obra do cientista e seus contemporâneos Biografia resumida Conheça a trajetória de vida do cientista Em 27 de dezembro de 1822 nasce Louis Pasteur. A cidade natal, Dole, no Jura, surgiu no século XI, às margens do rio Doubs, na região de Bourgogne-Franche-Comté, no leste da França. Pasteur nasceu em família modesta. O pai, Jean-Joseph Pasteur, era curtidor e a mãe, Jeanne-Etienette Roqui, provinha de família de jardineiros. Continue lendo Principais Descobertas O cientista em ação Cristalografia Primeiras descobertas Fermentação Início da microbiologia científica Teoria dos Germes Extensão do método experimental Imunologia Estabelecimento da vacinação "No campo da experimentação, o acaso favorece as mentes preparadas". "A grandeza dos atos humanos mede-se pela intenção de que se originam". Louis Pasteur Louis Pasteur Mais Citações Instagram @PasteurBrasil Load More

  • Estrasburgo | Pasteur Brasil

    Estrasburgo Em 1846 Pasteur obteve a agrégation em Física. Em 1847 defendeu suas teses em Química e Física na Faculdade de Paris e, em 1848, realiza sua primeira comunicação na Academia de Ciências. A pós o doutoramento em Física e Química, Pasteur é nomeado professor secundário de física no Liceu de Dijon, onde atua por pouco tempo. Com a ajuda de Jérôme Balard e Jean-Baptiste Biot, consegue um cargo de professor de química na Faculdade de Estrasburgo. Chega à cidade alsaciana em 22/01/1849, e instala-se na casa do grande amigo Pierre-Augustin Bertin, que exalta as qualidades desta capital universitária e comercial, com numerosas indústrias. Prontamente, Louis Pasteur envia uma carta ao industrial Charles Kestner (1803-1870), para solicitar a gentileza de ceder alguns quilos de ácido racêmico para continuar suas pesquisas sobre a cristalografia. Este industrial fornecerá apoio fundamental para o aprofundamento das pesquisas de Pasteur. No 4º dia em Estrasburgo, o amigo Bertin o apresenta ao reitor da Universidade, Aristide Laurent (1795-1862). Pasteur não era um jovem professor desconhecido, pois seus estudos cristalográficos já haviam lhe rendido reconhecimentos por parte da Academia de Ciências e apoio dos respeitados químicos Biot, Dumas e Balard. Nos domingos à tarde, Laurent realizava reuniões familiares em casa, recebendo professores universitários. Ao visitar a sua residência, Pasteur se sente imediatamente cativado por uma das filhas do reitor, Marie Anne Laurent (1826-1910). A jovem, criada em ambiente intelectual, era educada e séria, com inflexão vocal doce e macia. Ela lhe contou sobre as origens desta que era uma das mais velhas cidades da Europa, mesmo antes da fundação romana. Marie tocou Chopin ao piano e ambos interagiam de modo fluido. No dia seguinte, em uma decisão relâmpago, Pasteur escreve ao pai dizendo-se apaixonado e que faria uma carta respeitosa ao Sr. Laurent com um pedido de casamento à filha do reitor. Pasteur havia completado 26 anos. Após o retorno do pai, despachou a carta ao Sr. Laurent e aguardou ansiosamente pela resposta. Neste ínterim, escreveu às irmãs: “Temo que Marie dê muita importância às primeiras impressões (...) Nada tenho que possa agradar a uma jovem. Mas minhas lembranças me dizem, todavia, que quando as pessoas me conhecem bem, passam a gostar de mim” (Garozzo, 1974, p. 74). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René. Pasteur e a Ciência Moderna. São Paulo, SP: Edart, 1967. GAROZZO, Filippo. Louis Pasteur. Rio de Janeiro, RJ: Três, 1974. PASTEUR VALLERY-RADOT, Louis. Images de la Vie et de l´ Œ uvre de Pasteur. Paris, França: Flammarion, 1956. PICHOT, André. Louis Pasteur: écrits scientifiques et médicaux. Paris, França: Flammarion, 2012. RICHET, Charles. L´Œuvre de Pasteur. Paris, França: Félix Alcan, 1923. Webgrafia: https://phototheque.pasteur.fr/ Pasteur em 1852 em Estrasburgo. Pasteur defende duas teses em 1847. A tese de Química trata sobre a capacidade de saturação do ácido arsenioso; a de Física sobre a capacidade das soluções de desviar o plano de polarização de uma onda luminosa que os atravessa (poder rotatório). Teses de Física e Química. Primeiros trabalhos de envergadura de Pasteur expostos na Academia de Ciências. Graças aos experimentos sobre o poder rotatório das soluções e sobre os cristais, Louis Pasteur mostra que os mesmos átomos podem se organizar espacialmente de diversas maneiras, formando assim substâncias de propriedades distintas. "Pesquisa sobre as propriedades específicas de dois ácidos que compõem o ácido racêmico por ML Pasteur." Annals of Chemistry and Physics, 3rd series. (Janeiro de 1850). Charles Kestner, industrial alsaciano que produziu acidentalmente o ácido tartárico. Esta segunda forma de ácido tartárico foi descoberta em 1819 no vinho por esse industrial da Alsácia. Gay-Lussac visitou a sua fábrica em 1826 e recolheu amostra e depois deu o nome de ácido racêmico. Universidade de Estrasburgo. Marie Pasteur, nascida Laurent (1826-1910), por volta de 1854. Desenhado por sua prima Adèle Laurent. Exibido no museu Pasteur, quarto de Madame Pasteur. Continue lendo a biografia

  • Pasteurização | Pasteur Brasil

    Pasteurização Os vinhos vinham sofrendo alterações comprometedoras ao comércio deste produto. Em 1863, devido à urgência de resolução da qualidade do vinho, Ildephonse Favé, oficial da ordem do imperador Napoleão III, solicita a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho, no qual o cientista realiza sob recusa em receber qualquer ajuda financeira. Durante os próximos dois anos, o cientista reuniu três alunos da École Normalle Supérieure, sendo um deles Émile Duclaux, para acompanhá-lo em Arbois no estudo prático sobre os vinhos. Em 29/11/1865, Pasteur aceita o convite do imperador e se desloca ao castelo de Compiègne. Napoleão III mostrou-se interessado pelas pesquisas do cientista e pediu para constatar pessoalmente as suas descobertas: queria examinar no microscópio amostras de vinho estragado. Foi realizada uma experimentação imperial, com boas impressões ao imperador e sua esposa, Eugênia de Montijo (Debré, 1995, p. 251). Pasteur demonstra que a contaminação era causada por micróbios. Para evitar esse inconveniente o cientista usou um procedimento simples: o aquecimento do vinho entre 60 e 100 graus Célsius, privado do ar, durante alguns minutos, processo este conhecido universalmente como pasteurização. Essa técnica é aplicada até hoje para a prevenção das doenças do vinho, cerveja, vinagre, leite e outros alimentos perecíveis. Pasteur tirou patente da descoberta e decidiu entregá-la ao público. Não obteve proveito financeiro nem mesmo do desenvolvimento ou venda de equipamento industrial em larga escala, inventados para a pasteurização (Dubos, 1967a, p. 51). Para Pasteur, "nada é mais gratificante para um cientista do que aumentar o número de descobertas, mas o máximo é ver suas observações colocadas em prática" (Birch, 1993, p. 33). Referências: BIRCH, Beverley. Louis Pasteur. São Paulo, SP: Globo, 1993. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Idelphonse Favé Napoleão III e Eugénia de Montijo. Continue lendo a biografia

  • Fermentação | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Fermentação Louis Dominique Joseph Bigo 1787-1876 Industrial e político francês, r esidente em Lille. Membro do Conselho Municipal de Lille (1830-1832). Prefeito de Lille (1834-1848). Cavaleiro da Legião de Honra (1838). Oficial da Legião de Honra em 1869 , pelo próprio Napoleão III. O filho de Louis Bigo, Émile Louis Bigo, seguia os cursos de Pasteur na Faculdade de Estrasburgo e veio procurá-lo, pois v ários fabricantes de álcool de beterraba estavam tendo problemas de produção (Debré, 1995, p. 112). Pasteur transforma a adega em laboratório e leva microscópio e outros instrumentos ao local. Observa as leveduras (lactobacillus) e publica seus resultados, em um artigo considerado o ato de nascimento da Microbiologia (Tese sobre a fermentação do chamado ácido lático - Mémoire sur la fermentation appelée lactique). Ref. http://www.dbsld.fr/LBD_LBT_arbre001.jpg Antoine-Laurent de Lavoisier 1743-1794 *Ver a microbiografia de Antoine-Laurent de Lavoisier no grupo Primeiras Influências Científicas. Antes de Pasteur, Lavoisier já havia enfrentado a questão da fermentação. Havia demonstrado a famosa fórmula “na natureza nada se cria e nada se perde”. Apesar de ter observações justas, suas conclusões não são satisfatórias, pois no caso da fermentação, Lavoisier negligencia a levedura, afirmando: “sendo a levedura reabsorvida como entrou, eu não posso levá-la em conta”. Sobre isso, Pasteur escreve “extremamente defeituosa em suas determinações numéricas, é admirável se a considerarmos do ponto de vista das ideias gerais e da filosofia” (Debré, 1995, p. 115). Pasteur está convencido de que a simplificação de Lavoisier é falsa e que, muito pelo contrário, a produção de álcool é um fenômeno tão complexo quanto um ato de natureza biológica (Debré, p. 131). Louis-Joseph Gay-Lussac 1778-1850 Ver a microbiografia de Louis-Joseph Gay-Lussac no grupo Primeiras Influências Científicas. As hipóteses de Lavoisier são confirmadas por uma sequência de erros consideráveis: Gay-Lussac e Thénard retomam as experiências. Se convencem de que Lavoisier não poderiam enganar-se e modificam os resultados para poder enquadrá-los na aparente simplicidade desta teoria. Louis-Jacques Thénard 1777-1857 Ver a microbiografia de Louis-Jacques Thénard no grupo Academia de Ciências. Justus von Liebig 1803-1873 Químico alemão. Foi um dos químicos mais influentes do século XIX. Como cientista, Liebig ofereceu estruturas teóricas arrojadas e treinou uma geração de alunos e colegas que lideraram o desenvolvimento em química orgânica , química farmacêutica, química fisiológica, química agrícola e química industrial por décadas. Como um popularizador da ciência, Liebig explicou a acadêmicos, burocratas, fazendeiros e monarcas a utilidade da química como base para a modernização, melhorias na saúde pública e nutrição e maior cooperação internacional. Como empresário, Liebig demonstrou o potencial comercial da química aplicada por meio de empresas que fabricavam fertilizantes, espelhos, fermento em pó, fórmulas infantis e extrato de carne. Liebig nasceu em Darmstadt em 1803, onde seus pais administravam uma pequena loja que vendia ferramentas e produtos químicos úteis, como tintas e vernizes. Incapaz de concluir o ensino médio formal por razões financeiras, Liebig mudou-se para a vizinha Heppenheim para se tornar um aprendiz de farmacêutico, então o passo mais importante para alguém com interesse profissional em química. Liebig passou a estudar química na Universidade de Bonn e na Universidade de Erlangen, onde recebeu um doutorado com pouco mais do que a promessa de fazer pesquisas sobre o tema da química vegetal. Ele então ganhou uma bolsa que lhe permitiu estudar em Paris com alguns dos principais químicos da época, dentre estes Joseph-Louis Gay-Lussac e Jean-Baptiste Dumas. Em 1824, como parte da iniciativa mais ampla do grão-ducado de modernizar sua infraestrutura, Liebig recebeu um cargo na pequena Universidade de Giessen em seu estado natal de Hessen-Darmstadt. Liebig logo transformou Giessen em um centro de educação química que ganhou reputação internacional por seus métodos de ensino inovadores e graduados de sucesso. A abordagem de Liebig enfatizou o desenvolvimento de habilidades de laboratório. Por meio do uso de técnicas e equipamentos padronizados como o "aparato de potássio" e o "condensador de Liebig", os alunos aprenderam a realizar análises de rotina com eficiência. À medida que suas habilidades se desenvolveram, os alunos abordaram projetos de pesquisa independentes que levaram à síntese e identificação de inúmeros novos compostos e reações. Liebig 'teoria, durante um período crucial em seu desenvolvimento. Em particular, ele refinou a teoria de que certos grupos de compostos orgânicos, chamados radicais, permanecem inalterados por meio de uma série de reações que produzem compostos relacionados. Liebig também editou Annalen der Pharmacie und Chemie, que se tornou a revista mais influente na área. Em 1840, Liebig publicou duas obras que estabeleceram sua reputação como um comentarista influente nas principais questões científicas de sua época. O primeiro, um artigo fortemente crítico da qualidade do ensino de química oferecido na Prússia, levou muitos governos europeus a reformular sua abordagem da educação científica. O segundo, Química Orgânica e Suas Aplicações à Agricultura e Fisiologia, lançou as bases para uma geração de pesquisas nas ciências agrícolas. Liebig argumentou que os agricultores devem estar cientes do papel que os compostos químicos desempenham em todos os aspectos das operações agrícolas. Ilustrando que os nutrientes minerais do solo deixam a fazenda a cada colheita e venda de gado, Liebig delineou claramente um conceito de ciclos químicos que enfatizava um equilíbrio entre entradas e saídas de produtos químicos. Ele também endossou os fertilizantes artificiais como um meio apropriado para manter a fertilidade do solo. Em um livro relacionado sobre química animal, publicado em 1842, Liebig anunciou suas teorias sobre o radical de proteína, o metabolismo das gorduras e a relação entre a digestão e a respiração, lançando as bases para pesquisas futuras sobre nutrição e bioquímica. Na segunda metade de sua carreira, Liebig se distanciou do ensino de laboratório e de seus próprios projetos de pesquisa, concentrando-se em esforços para promover e popularizar a química na área alemã e além. Suas cartas químicas, eventualmente publicadas em 11 idiomas, ensinaram a importância da química em uma linguagem e formato populares. Em 1852, ele assumiu um cargo na Universidade de Munique que exigia pouco em termos de ensino ou pesquisa, permitindo-lhe concentrar-se em seus papéis de conferencista popular e sábio público. Sua carreira posterior também incluiu esforços para reciclar o esgoto de Londres para fins agrícolas, para comercializar os subprodutos da carne bovina sul-americana como extrato de carne de Liebig e para tratar de questões internacionais de política científica e filosofia da ciência. Embora muitas das teorias específicas que Liebig promoveu tenham se mostrado incorretas, sua carreira promoveu o surgimento da química como um ramo central da investigação científica. Quando Pasteur se interessa pelas fermentações, Leibig tem quase 50 anos. O cientista alemão não admite que a fermentação é um fenômeno biológico. Afirma que o fermento age por decomposição da matéria morta. Pasteur rejeita esta teoria. Liebig demora 10 anos para responder a Pasteur e fará uma grande dissertação, pois não estava convencido de que a fermentação era um fenômeno biológico e queria provar que isso era irracional, errôneo e sem fundamento (Debré, 1995, p. 137). Ultrajado, Pasteur publica uma dissertação em que pede que se resolvam a favor de uma das duas teorias em confronto, a ciência biológica francesa ou a química alemã de Leibig. Pasteur quer que se escolha um júri, feito de comissários objetivos, membros da Academia, para julgar a reprodutibilidade de suas experiências e da sua veracidade (um duelo de cientistas). Liebig não o responde. Pasteur vai a Munique para discutir frente a frente os argumentos que se propõe. Liebig não lhe fecha a porta, mas o recebe de pé. Ele recusa qualquer discussão sob o pretexto de estar doente. Ref. https://www.encyclopedia.com/science/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/justus-von-liebig Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Foi professor de Justus von Liebig. Charles Cagniard de la Tour 1777-1859 O Barão Charles Cagniard de la Tour era um engenheiro e físico francês. Nascido em Paris, França, Cagniard de la Tour estudou na École Polytechnique e na École du Génie Géographe. Posteriormente, foi auditor do Conselho de Estado, diretor de projetos especiais para a cidade de Paris e membro do conselho de administração da Société d'Encouragement. Suas honras incluíram ser membro da Legião de Honra e cavaleiro da Ordem de St. Michel. No campo da biologia, Cagniard de la Tour também estudou o papel da levedura na fermentação alcoólica. Põe em evidência a capacidade da levedura de se reproduzir, que ele chama de germinação. Em 1835 está convencido de que essa germinação desempenha um papel na fermentação (Debré, 1995, p. 118). Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/cagniard-de-la-tour-charles Mais informações: https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095541412 Theodor Ambrose Hubert Schwann 1810-1882 Biólogo alemão, Theodor Schwann nasceu em Neuss, perto de Düsseldorf. Na Universidade de Bonn, onde ingressou em 1829, conheceu Johannes Müller, o fisiologista, a quem auxiliou em seus experimentos. Schwann continuou seus estudos médicos na Universidade de Würzburg e mais tarde na Universidade de Berlim, onde se formou em 1834. O trabalho de Schwann acabou sendo reconhecido por cientistas de outros países e, em 1879, ele se tornou membro da Royal Society e também da Academia Francesa de Ciências. Em 1845 ele recebeu a Medalha Copley. Foi um importante fisiologista alemão do século XIX. Entre as suas contribuições para a ciência destaca-se a descoberta da Teoria Celular, que constituiu o ponto fulcral para a fundação da Histologia Moderna. Ele também estava convencido de que a ideia de geração espontânea era falsa. Seus estudos de fermentação de açúcar de 1836 o levaram à descoberta de que a levedura originou o processo químico de fermentação. Questionando os experimentos de Gay-Lussac, ele provou que são necessários microorganismos vivos para que a fermentação alcoólica do suco de uva se produza, mas faz uma dissertação curta e lacônica (Debré, 1995, p. 119). Schwann é mais conhecido por descobrir as células que formam as bainhas de mielina das fibras nervosas (células de Schwann). Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Theodor-Schwann Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/cell-biology-biographies/theodor-schwann Mais infromações: https://www.lexico.com/definition/schwann,_theodor Jöns Jacob Berzelius 1779-1848 Químico sueco. Depois de se mudar para Estocolmo, ele trabalhou com químicos de mineração e, com eles, descobriu vários elementos, incluindo cério (1803), selênio (1817), lítio (1818), tório (1828) e vanádio (1830). Ele também trabalhou em pesos atômicos e eletroquímica e desenvolveu a notação para elementos químicos. É considerado um dos fundadores da química moderna. Ele é especialmente conhecido por sua determinação de pesos atômicos, o desenvolvimento de símbolos químicos modernos, sua teoria eletroquímica, a descoberta e isolamento de vários elementos, o desenvolvimento de técnicas analíticas clássicas e sua investigação de isomeria e catálise, fenômenos que devem seus nomes para ele. Ele era um empirista estrito e insistia que qualquer nova teoria fosse consistente com a soma do conhecimento químico. Berzelius estudou medicina na Universidade de Uppsala de 1796 a 1802 e de 1807 a 1832 foi professor de medicina e farmácia no Instituto Karolinska. Ele se tornou membro da Real Academia Sueca de Ciências em 1808 e serviu a partir de 1818 como seu principal funcionário, o secretário perpétuo. Em reconhecimento à sua crescente reputação internacional, Berzelius foi elevado a uma posição de nobreza em 1818 na coroação do rei Carlos XIV João. Ele foi agraciado com o título de baronete em 1835 após seu casamento com Elizabeth Poppius. Berzelius recebe com desdém as comunicações de Schwann e de Cagniard de la Tour. Escreve que as observações microscópicas nada valem, visto que a levedura é morta. O químico sueco propõe a tese de que a levedura tem o papel de inflamar ao simples contato: é um catalisador. Pasteur rejeita esta teoria, bem como a de Leibig (Debré, 1995, p. 117-118). Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095502379 Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Jons-Jacob-Berzelius Pierre-Eugène-Marcellin Berthelot 1827-1907 Químico francês. Professor de química orgânica no Collège de France (1865), senador (1881), ministro da Instrução Pública (1886-1887), depois das Relações Exteriores (1895-1896), membro da Academia de Ciências (1873), Academia Francesa (eleito em 1900 ). Membro fundador da "Grande Enciclopédia". Foi químico orgânico e físico, historiador da ciência e funcionário do governo. Seu pensamento criativo e trabalho influenciaram significativamente o desenvolvimento da química na última parte do século XIX. Berthelot alcançou grande renome em vida. Ele entrou na Academia Francesa de Medicina em 1863, tornou-se presidente da Sociedade Química de Paris em 1866, foi eleito para a Academia Francesa de Ciências em 1873 e tornou-se seu secretário permanente em 1889. Ele também entrou na Academia Francesa em 1901. Quando ele morreu em 1907, ele foi homenageado em todo o país, com a maioria das cidades francesas nomeando uma rua ou uma praça em sua homenagem. Berthelot nasceu em uma família parisiense de classe média e frequentou a escola secundária no Collège Henri IV, terminando com o bacharel em artes em 1847 e o bacharel em ciências em 1848. Ele se tornou amigo íntimo de um colega que vivia na mesma pensão, Ernest Renan, que mais tarde se tornou famoso como historiador e filólogo. Sua correspondência ao longo da vida mostra a forte influência dessa amizade nas inclinações filosóficas e históricas de Berthelot. Quanto à fermentação, Berthelot reclama na Academia de Ciências e contesta as observações de Pasteur sobre a formação do álcool (Debré, 1995, p. 135). Futuramente, após a morte de Claude Bernard, Berthelot usa registros póstumos deste fisiologista para reiterar que o microorganismo não é necessário à fermentação. Após novos experimentos comprobatórios do contrário e diante da insistência de Berthelot, Pasteur se irrita e o chama de “homem inconstante e volúvel” e constroem tramas, mas finalmente entram em acordo em um ponto: Claude Bernard era um grande homem e a discussão se esgota. Pasteur ainda acrescenta: “ouso a dizer que Bernard tinha esse caráter antes mesmo de nascer” (Debré, 1995, p. 402). Ref. https://data.bnf.fr/en/12276589/marcellin_berthelot/ Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Pierre-Eugene-Marcellin-Berthelot Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/science-and-technology/chemistry-biographies/pierre-eugene-marcellin-berthelot Claude Bernard 1813-1878 Médico fisiologista francês. Membro da Academia de Medicina, secção de anatomia e fisiologia (1861) e da Academia Francesa (1868). Senador (em 1869). Claude Bernard, nasceu em Saint-Julien, França. Aos dezenove anos, ele foi aprendiz de um boticário chamado Millet em Vaise, um subúrbio de Lyon. Assim, ele teve a oportunidade de observar o rude empirismo da farmacoterapia daquele período. O farmacêutico aprendiz voltou-se, porém, naquela época, não para as ciências, mas para o teatro e as belas-letras. Em 1834, Bernard foi para Paris, onde planejava fazer carreira na literatura. O ilustre crítico Saint-Marc Girardin desencorajou-o, porém, e instou-o a primeiro adquirir uma profissão para ganhar a vida. No mesmo ano, com grande dificuldade, Bernard concluiu o bacharelado e ingressou na Faculdade de Medicina de Paris. Assim, como Renan observou em seu Éloge , ao virar as costas para a literatura, Bernard percorreu o caminho que, no entanto, o conduziu à Academia Francesa. Foi no laboratório de Magendie, no Collège de France, que Bernard, antes mesmo de terminar seus estudos clínicos, descobriu sua verdadeira vocação: a experimentação fisiológica. Embora tenha se formado em medicina em Paris em 7 de dezembro de 1843, Bernard nunca praticou medicina e sempre nutriu sentimentos ambivalentes em relação aos médicos. No entanto, seu trabalho foi tal que lançou novos alicerces para a profissão. Foi fisiologista conhecido principalmente por suas descobertas sobre o papel do pâncreas na digestão, a função glicogênica do fígado e a regulação do suprimento de sangue pelos nervos vasomotores. Tanto por meio de descobertas concretas como pela criação de novos conceitos, a obra d e Claude Bernard con stitui o fundamento da moderna fisiologia experimental. Formulou o princípio da homeostase, o mecanismo fisiológico de autocorreção que “automaticamente” busca restaurar o ambiente interno normal do corpo quando ele é interrompido. Os conceitos de Bernard permanecem relevantes nos estudos das bases fisiológicas de muitos problemas de saúde ambiental. Em 1859, a Academia de Ciências confere o prêmio de Fisiologia Experimental a Pasteur. Isso significa que o júri presidido por Claude Bernard reconhece que a fermentação é um fenômeno biológico. No entanto, sem tomar partido da causa, o médico admite que o fermento continua a provir de um ser que vive ou viveu. Essa prudência de Claude Bernard deve-se ao fato de ele não estar totalmente convencido de que a fermentação seja correlata à vida dos micróbios (Debré, 1995, p. 136). Ref. https://data.bnf.fr/11891495/claude_bernard/ Ref. https://www.oxfordreference.com/view/10.1093/oi/authority.20110803095501166 Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Claude-Bernard Mais informações: https://www.encyclopedia.com/people/medicine/medicine-biographies/claude-bernard Napoleão III 1808-1873 *Ver a microbiografia de Napoleão III no grupo Políticos. Em 1863, a pedido do imperador da França, Napoleão III , Pasteur estudou a contaminação do vinho e mostrou ser causada por micróbios. O cientista francês realizou as pesquisas recusando qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, p. 246). De 1863 a 1865 Pasteur reúne três alunos da École Normalle, sendo um deles Émile Duclaux, para acompanhá-lo na cidade de Arbois no estudo prático sobre os vinhos. O primeiro contato de Pasteur com a casa do imperador e a corte ocorre em 29/11/1865 (Debré, 1995, p. 247). Napoleão III mostra-se interessado e pede para constatar pessoalmente as descobertas de Pasteur: quer examinar no microscópio amostras de vinho estragado (Debré, 1995, p. 249). É realizada uma experimentação imperial, com boas impressões aos imperadores (Debré, 1995, p. 251). Para evitar a contaminação, Pasteur usou um procedimento simples: ele aqueceu o vinho a 50–60 ° C (120–140 ° F), um processo conhecido universalmente como pasteurização. Émile Duclaux 1840-1904 *Ver a microbiografia de Émile Duclaux no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. De 1863 a 1865 Pasteur reúne três alunos da École Normalle, sendo um deles Émile Duclaux, para acompanhá-lo na cidade de Arbois no estudo prático sobre os vinhos. Gérard Élisabeth Alfred de Vergnette de Lamotte 1806-1886 Viticultor e enólogo francês. Era visconde e assinava Vergnette-Lamotte. Proprietário de vinícola e propositor de um processo empírico de aquecimento dos vinhos, mas sem fornecer uma explicação científica (Debré, 1995, p. 262). Pasteur faz um pedido de patente para o processo de aquecimento, chamado “pasteurização”. Thénard levanta o problema dos direitos de Vergnette de Lamotte, porém os únicos inventores foram antecessores de Nicolas Appert (1749-1841) que já havia falecido. Pasteur se defende e Thénard abandona essa questão (Debré, 1995, p. 263-264). Ref. https://data.bnf.fr/fr/10743350/alfred_de_vergnette_de_lamotte/ Mais informações: http://www.beaune.fr/spip.php?rubrique198#.YEqBbWhKjnY Jules Tourtel e Prosper Tourtel ?-? Os irmãos Jules e Prosper Tourtel eram franceses e fundaram em 1839 uma cervejaria na cidade de Tantonville. As cervejarias começam a se interessar pela pasteurização. Junto com alguns estagiários, Pasteur vai inspecionar uma fábrica de cerveja durante 8 dias, cujos fundadores e proprietários são os irmãos Jules e Prosper Tourtel. Estes estudos fornecerão material para um livro que será publicado em 1875, no qual Pasteur usa a cerveja como pretexto para abordar teorias sobre a fermentação alcoólica, para a origem das leveduras da uva e até para a transformação das espécies (Debré, 1995, p. 282). Ref. https://www.image-est.fr/Fiche-documentaire-Bi%C3%A8re-Tourtel-_Tantonville_-610-4016-2-0.html Ref. https://phototheque.pasteur.fr/birt_viewer/run?__format=pdf&__report=reports/orphea/f_getmetadata.rptdesign&__resourceFolder=https://phototheque.pasteur.fr/birt_viewer/ressources/orphea/&Title=Jules+et+Prosper+Tourtel&__locale=fr_FR&gw_url=https://phototheque.pasteur.fr/dotgateway/index.pgi&callfrom=frontoffice&function=f_getmetadata&cache_ref=ba33212c86204994cdf770521b9035e3&function1=f_getassetsurl&cache_ref1=ce603f8b99534e041b7cf38d114842ce&logo_file=https://phototheque.pasteur.fr/images/header-logo.png Ref. https://statues.vanderkrogt.net/object.php?webpage=ST&record=frlo059 Jacob Christian Jacobsen 1811-1887 Industrial e filantropo dinamarquês. Fundador da cervejaria Carlsberg. Na Dinamarca, as pesquisas de Pasteur são bem aproveitadas. Jacob se conscientizou da importância das técnicas de conservação. Em 1870 seu filho Karl assumiu os negócios e foi nessa época que tomaram conhecimento dos trabalhos de Pasteur e passam a fazer uso deles para melhorar o processo de fabricação (Debré, 1995, p. 282-283). Em Copenhage, o progresso na cervejaria Carlsberg de Jacob Jacobsen foi tão rentável que ele e o filho Carl destinam uma parte dos lucros ao mecenato: além de um rico museu destinado à conservação de pedras lapidadas, eles subvencionam a Universidade de Copenhage e mantém um laboratório de pesquisa sobre cerveja. Ademais, instalam um busto em mármore de Pasteur em 1878 (Debré, 1995, p. 283). Próximo Grupo

  • Relações Políticas | Pasteur Brasil

    Relações Políticas No final de 1859, Pasteur não tinha a mínima subvenção para instalar-se na Rua Ulm. Escreveu a Gustave Rouland, então ministro da Instrução Pública a fim de chamar a atenção para os benefícios que poderiam ser extraídos de um estudo completo sobre a doença dos vinhos, solicitando fundos necessários para a instalação e experimentos no laboratório na rua Ulm em Paris: "Acho que obedeço, senhor ministro, a uma parte de suas instruções, consagrando todo o tempo de que disponho aos progressos da ciência." Era uma maneira indireta de pedir os fundos necessários destinados à instalação de um rico material. Responderam-lhe que os créditos deveriam ser "inteiramente consagrados à conservação dos edifícios e não à execução dos trabalhos que a conveniência das pessoas alojadas nesse edifícios reclama". De tanto insistir, Pasteur acabou, entretanto, obtendo alguns subsídios. Mas só podia tratar-se de uma instalação provisória. Todavia, o equipamento de que Pasteur precisava na época era modesto. Suas pesquisas sobre a fermentação só exigiam uma estufa, um microscópio, produtos químicos, recipientes de vidro. Mas, se o Ministério quisesse dar algum dinheiro para a reparação da água-furtada, claro estava que era impensável assegurar os respectivos equipamentos ou o funcionamento: "Não há orçamento ad hoc que nos permita subvencionar cinquenta cêntimos para os seus gastos com experiências." Foi, portanto, com seu próprio salário que Pasteur teve de equipar e manter seu laboratório. Tal instalação lhe custou cerca de dois mil francos, soma considerável para a época (Debré, 1995, p. 161, 551). Em 1863, ano seguinte à sua eleição para a Academia de Ciências, Pasteur é apresentado a Napoleão III, por Jean-Baptiste Dumas, segundo o costume da época ao ingressar na Academia. Naquele mesmo ano, Ildephonse Favé, oficial da ordem de Napoleão III, sugere que o imperador proponha a Pasteur um estudo sobre as doenças do vinho. Pasteur aceita o pedido, mas recusa qualquer ajuda financeira (Debré, 1995, 245-246, 254). Dois anos depois, Napoleão III disse ter muito interesse em se manter informado do andamento das pesquisas e o convida para passar 1 semana no castelo de Compiègne (Debré, p. 246). É realizada uma demonstração aos imperadores ao microscópio, com amostras de vinho (Debré, 1995, p. 251). Em 1863, Pasteur escreve a Napoleão III dizendo que “é chegado o tempo de libertar as ciências experimentais das misérias que as entravam” (Debré, 1995, p. 166). No dia seguinte, o imperador pede a Victor Duruy, Ministro da Instrução Pública, que empreenda a construção de um novo laboratório na Rua Ulm. Contudo surgem obstáculos para a continuidade da obra, pois os créditos suplementares que a construção exige são recusados pela administração. Encontra-se dinheiro para levantar a Ópera Garnier, mas não para a pesquisa científica. Pasteur fica indignado e, em 1868, prepara um artigo denominado “O orçamento da ciência” para o jornal Le Moniteur a fim de mobilizar a opinião pública. Em um dos trechos ele diz: “suprimam os laboratórios, e as ciências físicas se tornarão a imagem da esterilidade da morte”. Algumas semanas depois, o imperador reúne todos os membros do governo e um conjunto de cientistas, inclusive Pasteur. Napoleão III convida cada um a se exprimir. Pasteur recorda a criação da função de estagiário e fala em seguirem o exemplo da Alemanha, onde inclusive eles moram nas proximidades do seu laboratório (Debré, 1995, p. 166-168). Victor Duruy foi um interlocutor muito próximo de Pasteur, construindo uma verdadeira relação de amizade. Inclusive, a filha de Duruy, Hélène, era colega de Cécile, filha de Pasteur que faleceu ainda criança. A passagem de Duruy no Ministério da Instrução Pública ficará marcada pela atenção e ajuda concedida aos cientistas, não só a Pasteur. Ele é responsável por criar o decreto generalizando a criação de laboratórios de pesquisa nas faculdades, devido à forte influência de Pasteur. Ambos tinham a convicção de que a ciência constitui uma parte essencial do patrimônio nacional, e Duruy ajuda a vencer obstáculos administrativos para desbloquear o crédito para a finalização do laboratório de química fisiológica (Debré, 1995, p. 168-170). Duruy vela pelo ingresso de Pasteur na Legião de Honra e faz com que seja atribuído um prêmio pelos seus trabalhos sobre a fermentação do vinho, por ocasião da Exposição Universal de 1867. Nesta ocasião, Pasteur divide as honras com 63 outras pessoas, dentre as quais Ferdinand de Lesseps, que recebe uma imensa ovação pelo seu projeto de um canal ligando o Mar vermelho ao Mediterrâneo. Pasteur naquela época, ainda não era conhecido (Debré, 1995, p. 170-171). Por volta de 1863, Pasteur vai ao salão da princesa Mathilde. Lá fala da necessidade de uma reforma na produção do vinho ou do vinagre e queixa-se da pouca consideração de que dispõem os laboratórios e da inércia dos poderes públicos. No fundo esta é a intenção de Pasteur ao comparecer nestas ocasiões. O resultado obtido é a criação de uma cátedra de física e química aplicadas na École de Belas Artes, onde leciona para estudantes de arquitetura, onde fala bastante de higiene e do mal emprego da ventilação (Debré, 1995, p. 152-153). Pasteur é nomeado senador em 1870, mas o decreto não pôde ser oficialmente promulgado (devido à guerra), e portanto, o nome de Pasteur não figura na lista de senadores do Império (Debré, 1995, p. 271, 336-337). No início de 1876, após sua aposentadoria, Pasteur vai concorrer ao Senado Republicano. Ele está com 53 anos. Ele não adere a nenhum partido e diz que enquanto a ciência e a política estiverem separadas, o progresso será impossível. É atacado tanto pela esquerda quanto pela direita e fica em último lugar. Escreve a esposa dizendo-se muito feliz por ter sido derrotado, pois o sucesso o teria atrapalhado. Mesmo não tomando parte diretamente dos debates sobre a reforma do ensino superior, seu recado foi entendido e 3 meses depois toma conhecimento de que o Ministro da Instrução Pública vai conceder novos laboratórios ao Collége de France, aumentar e modernizar a Sorbonne (Debré, 1995, p. 335 a 338). D. Pedro II acompanhava com grande interesse os trabalhos de Pasteur, e desejava que o Brasil seguisse os passos do cientista. Durante os anos 1880 eles trocam algumas cartas. Pedro II preocupa-se particularmente com a febre amarela e em uma carta de 1882 escreve “espero que não se esqueça das pesquisas de micróbios da febre amarela, descobrindo-lhe uma vacina”. O imperador brasileiro desejava muito a vinda de Pasteur para o Brasil, o que não ocorreu devido à idade avançada de Pasteur e as sequelas do AVC. Em 1886, Pedro II confere a Pasteur a “Ordem da Rosa” pelo serviço prestado à humanidade (Lima; Marchand, 2005, p. 17, 25). Em 1884, em carta a Dom Pedro II, Pasteur participa ao imperador do Brasil que até aquele momento ainda não havia efetuado nenhuma experiência com humanos. Verifica a possibilidade de no dia da execução da sentença de morte dos condenados (que ele pensava existir), ser oferecida a escolha de ter uma morte iminente ou a possibilidade de participar de um experimento científico que consistiria em inoculações preventivas da raiva, de modo a tornar-se refratário à doença. Disse: “No caso de ser salvo, e estou persuadido de que isso aconteceria, como garantia para a sociedade que condenou o criminoso, eu o submeteria a uma vigilância para o resto da vida” (Debré, 1995, p. 484). Frederick Hamilton-Temple-Blackwood, conhecido por Lord Dufferin, enquanto embaixador britânico em Paris, escreveu às autoridades britânicas na Índia sugerindo que fossem oferecidas instalações a Waldemar Haffkine, bacteriologista ucraniano do império da Rússia, que iniciou os seus experimentos sobre a cólera no Instituto Pasteur, para continuar seus estudos de cólera naquele local. Lord Dufferin se destacou como diplomata, especialmente como embaixador britânico em São Petersburgo e como governador-geral do Canadá, o que levou à sua nomeação como vice-rei da Índia. Após, foi embaixador britânico em Paris (1891 – 1896). Sadi Carnot, presidente da França, comparece à cerimônia de inauguração do Instituto Pasteur (1888) e ao Jubileu de 70 anos de Pasteur (1892). Carnot disse “não faltarei, vosso Instituto é uma honra para a França” (Masi, 1999, p. 111). Referências: DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. MASI, Domenico de (org.). A Emoção e a Regra: os grupos criativos na Europa de 1850 a 1950. Rio de Janeiro, RJ: José Olympio, 1999. https://www.encyclopedia.com/international/encyclopedias-almanacs-transcripts-and-maps/dufferin-lord Gustave Rouland. Jean-Baptiste Dumas. Napoleão III e Eugénia de Montijo. Victor Duruy. Dom Pedro II. Lord Dufferin Sadi Carnot. Continue lendo a biografia

  • Gerações ditas espontâneas | Pasteur Brasil

    Gerações Ditas Espontâneas Do estudo dos fermentos, Pasteur passa ao da geração dita espontânea, seguindo uma sequência lógica. Não é a primeira vez que o cientista tenta explicar a origem da vida. Suas pesquisas sobre a dissimetria molecular e suas descobertas no campo dos microorganismos responsáveis pelas fermentações, levaram-no a enfrentar a própria definição do que é vivo e as condições do seu aparecimento. Pasteur não escapa de uma das questões fundamentais da ciência: pode-se criar vida a partir do nada? O século todo levanta interrogações sobre a noção de vida. Darwin parte para Galápagos e teoriza sobre a evolução das espécies, enquanto Pasteur, junto ao seu microscópio, investiga a origem dos germes. Félix Archimède Pouchet, naturalista e médico, adquiriu renome pelas diversas pesquisas no campo da biologia animal e vegetal, e enviava comunicações à Academia de Ciências especialmente sobre a geração espontânea, da qual era um fervoroso apóstolo. Em 1859, Pasteur responde uma carta de Pouchet acerca de suas notas ao Instituto: “Penso, pois, que o senhor não tem razão, não por crer na geração espontânea, dado que é difícil em semelhante questão não possuir uma ideia preconcebida, mas por afirmar a certeza da geração espontânea. Nas ciências experimentais, sempre se está errado ao não se duvidar quando o resultado não tende obrigatoriamente à afirmação”. Naquele ano, Pasteur ainda não dispunha de meios para comprovar sua intuição e caracterizar rigorosamente o papel do ar no fenômeno observado: o surgimento da fermentação em seus tubos de ensaio. Mas o cientista vai procurar, por toda uma série de experiências, aprofundar a questão. Pasteur combinava rigor teórico e precisão experimental quando afirmava que nada mais faltava para confrontar um dos mais antigos problemas da humanidade: “a clareza de um raciocínio aritmético para convencer os adversários das suas conclusões” (Debré, 1995, p. 176). Félix Archimède Pouchet desenvolve o conceito de heterogenia e publica em 1859 o espesso livro intitulado “Traité de la Génération Spontanée”, no qual postula que se existe o fenômeno é porque Deus o quis aplicar e afirma: “A geração espontânea é a produção de um ser orgânico novo, desprovido de genitores e cujos elementos primordiais foram todos tirados da matéria ambiente” (Debré, 1995, p. 181). Pouchet não está só: outros dois cientistas o apoiam, Nicolas Joly e Charles Musset. Em contrapartida, na Academia de Ciências mostram-se todos reticentes. Henri Milne-Edwards, Jean-Baptiste Dumas e Claude Bernard, principalmente, tentam suscitar determinadas críticas e levantar-se contra as assertivas do trio espontaneísta. Em 1862 a Academia propôs estabelecer um concurso com o seguinte tema: “Procurar, por meio de experiências bem-feitas, lançar novas luzes sobre a questão das gerações ditas espontâneas”. Pasteur já se mostrava inventivo pela instalação de uma bomba a vácuo para captar o ar da vizinhança, mas será Balard que vai lhe inspirar um outro modelo experimental: balões que se comunicam com o ar exterior através de um gargalo de diferentes formas e comprimentos. Caso se deposite nesses diferentes balões um líquido fermentável, que será fervido após a introdução, e se se colocam esses balões num lugar onde o ar é tranquilo, o líquido permanece límpido durante meses. O pescoço de cisne evita a passagem das partículas; o vidro, dadas suas sinuosidades, extravia os micróbios, que caem nas partes em declive. O sucesso da experiência possibilitará o recebimento do prêmio supracitado, relativo à questão da geração espontânea. No entanto, inúmeras controvérsias vão surgir. Pouchet não valida a presença de germes no ar, e muitas outras experiências são realizadas. A Academia, cansada das discórdias, decide criar uma comissão de investigação. O júri avalia os experimentos e rejeita as reclamações de Pouchet, que deixa o local do debate renunciando ao teste comparativo. Pasteur vai à Sorbonne defender sua posição contrária à geração espontânea em 1864. O público é numeroso. Nos corredores puderam ser vistos Alexandre Dumas, George Sand e a princesa Mathilde. Pasteur vai falar perante toda Paris. Há aplausos, a maioria faz uma ovação a Pasteur, mas o orador não convence a todos. O divulgador Louis Figuier deixa a sala dizendo: “Entrei aqui se ter nenhuma opinião sobre as gerações espontâneas, e parto convencido de que o senhor Pasteur está do lado da falsidade, e o afirmarei” (Debré, 1995, p. 194). O debate deixa a arena estritamente científica para atingir o grande público. Logo se acusa Pasteur de estar a serviço de uma doutrina, e as hostilidades alimentadas pela imprensa continuam a arrastar seus partidários para fora do laboratório e do microscópio. As questões suscitadas pertencem desde então à metafísica e mobilizam jornalistas e filósofos. Os jornais, as revistas literárias e a opinião pública apossam-se de balões de pescoço de cisne da mesma forma que o fazem com a obra “A Vida de Jesus” de Ernest Renan e com a divulgação das ideias de Darwin. Inevitavelmente, tal publicidade falseia os dados e a confusão se instala, porque já não se trata de questão de ciência: é a eterna oposição dos espiritualistas e dos materialistas que reaparece. Por muitos anos os estudos sobre a geração espontânea foram realizados numa atmosfera de intensa excitação e de apaixonada controvérsia, pois era erroneamente julgado, por alguns dos participantes, que o problema envolvia questões religiosas – um ponto de vista que Pasteur negava energicamente (Dubos, 1967, p. 420). Pasteur afirma: "Não há aqui nenhuma questão religiosa, filosófica, materialista ou espiritualista. Posso até acrescentar que o fato de eu ser um cientista não teve a menor importância. Trata-se apenas da realidade. Quando comecei as experiências, estava pronto para ser convencido que a geração espontânea existe, como estou certo agora de que aqueles que acreditam nela são cegos" (Birch, 1993, p. 37). As polêmicas envolvendo as gerações ditas espontâneas não se encerram. Tardias controvérsias irão ocorrer. Pasteur segue lutando contra toda uma série de contraditores, cujas objeções se multiplicarão até o fim do século. No entanto, diante do falecimento de Félix Pouchet em 1872, Pasteur pronunciará: “Este cientista consciencioso merece o reconhecimento de todos pelo o que fez de bom e de útil, e até em seus erros, ele deve ser totalmente respeitado” (Debré, 1995, p. 200). Cansado do combate de cientistas espontaneístas, Pasteur adota um tom cortante aos seus contraditores. De irônico, torna-se duro e exclama com impaciência. Este período perdura inclusive mais tempo que o debate original com Pouchet. Pasteur põe-se a lutar contra todos os adversários com meticulosidade, paixão, força do tom e convicção: “Em resumo, aonde querem chegar, partidários da heterogenia ou sustentáculos complacentes e inconsciente dessa doutrina? Combater as minhas asserções? Ataquem as minhas experiências. Provem que são inexatas, em vez de fazer constantemente outras que não passam de variantes das minhas, mas nas quais os senhores introduzem erros que, em seguida, é preciso mostrar-lhes com o dedo”. Não é por acaso que o início da notoriedade de Pasteur junto ao grande público date desse período. A posição do cientista é desprovida de ambiguidade, a qual ele faz questão de reafirmar continuamente: “Não se trata aqui nem de religião, nem de filosofia, nem de qualquer sistema. Pouco importam as afirmações e as visões a priori, é uma questão de fatos” (Debré, 1995, p. 200). Na palestra em Sorbonne, Pasteur se absteve de filosofar. Não negou que a geração espontânea era uma possibilidade; meramente afirmou que nunca havia sido demonstrada sua ocorrência: “Não há circunstância alguma conhecida na qual tenha sido demonstrado que os seres microscópicos vieram ao mundo sem a presença de gérmens, sem origens semelhantes a eles mesmos. Aqueles que afirmam isso foram enganados por ilusões, por experiências mal conduzidas, por erros que eles não perceberam ou não souberam como evitar” (Dubos, 1967, p. 44). Referências: BIRCH, Beverley. Louis Pasteur. São Paulo, SP: Globo, 1993. DEBRÉ, Patrice. Pasteur. São Paulo, SP: Scritta, 1995. DUBOS, René J. Louis Pasteur. Barcelona, Espanha: Grijalbo, 1967a. Charles Darwin. Felix-Archimede Pouchet. Continue lendo a biografia

  • Saúde e Morte | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Saúde e Morte Henri Étienne Sainte-Claire Deville 1818-1881 Químico francês. Professor da Sorbonne. Diretor dos laboratórios de química da École normale supérieure e da École normale des Hautes Etudes (EHESS). Deville foi um dos químicos mais prolíficos e versáteis do século XIX, fazendo contribuições importantes na maioria das áreas de sua ciência. Ele e seu irmão Charles, mais tarde um físico conhecido, eram filhos do cônsul francês nas Ilhas Virgens, que era um proeminente armador. Os irmãos foram educados em Paris, onde Henri se formou em medicina em 1843. Mesmo antes de se formar, ele se sentiu atraído pelo estudo da química pelas palestras de Thenard. Ele estabeleceu um laboratório privado em seus próprios aposentos e em 1839 publicou seu primeiro artigo, um estudo de terebintina. Logo depois de receber seu doutorado em medicina, ele o seguiu com um em ciências. Em 1845, por influência de Thenard, Deville foi nomeado professor de química e reitor da recém-criada faculdade de ciências da Universidade de Besançon. Aqui, ele estabeleceu tal reputação que, em janeiro de 1851, foi escolhido como professor de química na École Normale Supérieure de Paris. As instalações para pesquisa eram, a princípio, precárias e o ensino, elementar. Deville, no entanto, era um excelente professor e também era ativo na pesquisa. Sempre interessado em ensinar alunos iniciantes, ele aprimorou muito o laboratório de pesquisas da instituição. Muitos químicos mais jovens e notáveis foram treinados por ele. De 1853 a 1866, ele deu aulas de química na Sorbonne. Deville sempre esteve perto de seu irmão, cuja morte em 1876 foi um duro golpe para ele. Sua saúde piorou gradualmente e ele se aposentou em 1880. Deville era essencialmente um experimentalista e tinha pouco interesse na teoria química. Ele começou seus estudos de laboratório em uma época em que a química orgânica estava se desenvolvendo mais ativamente, e seus primeiros trabalhos foram neste campo: investigações de terebintina, tolueno e anidridos ácidos. No entanto, sua habilidade analítica e sua importante síntese de pentóxido de nitrogênio em 1849 voltou sua atenção para a química inorgânica. Ele desenvolveu um processo para a produção de alumínio puro, reduzindo seus sais com sódio. Os métodos de Deville tornaram os dois metais prontamente disponíveis e reduziram drasticamente seus custos, mas ele mesmo não participou muito de seu desenvolvimento industrial posterior. Ele usou o sódio obtido por seu método para a preparação de elementos como silício, boro e titânio. Suas investigações sobre a metalurgia da platina renderam honras do governo russo. Em muitos de seus estudos, como os da produção artificial de minerais naturais, Deville empregou temperaturas altíssimas e se tornou uma autoridade reconhecida no uso dessa técnica. Suas medições das densidades de vapor de compostos em várias temperaturas ajudaram a confirmar a hipótese de Avogadro. Esses estudos levaram Deville a sua descoberta mais notável, a dissociação de compostos químicos aquecidos e sua recombinação em temperaturas mais baixas. Ele aqueceu substâncias como água, dióxido de carbono e cloreto de hidrogênio e depois resfriou-os repentinamente para recuperar os produtos de decomposição. Este trabalho levou a uma melhor compreensão do mecanismo das reações químicas e a desenvolvimentos significativos na físico-química. Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, Pasteur deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos. Os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/13164283/henri_sainte-claire_deville/ Ref. https://www.encyclopedia.com/science/dictionaries-thesauruses-pictures-and-press-releases/deville-henri-etienne-sainte-claire Mais informações: https://www.britannica.com/biography/Henri-Etienne-Sainte-Claire-Deville Antoine-Jérôme Balard 1802-1876 *Ver microbiografia de Antoine Balard no grupo Primeiras Influências Científicas. Em 1868, aos 45 anos, durante as pesquisas com o bicho-da-seda, na manhã em que Pasteur deve ir se apresentar em uma sessão na Academia de Ciências, ele se sente mal e tem um formigamento em todo o lado esquerdo do corpo. Em vez de ficar de repouso, segue até o local, acompanhado pela esposa, e retorna após o fim da sessão, a pé, com Balard e Sainte-Claire Deville. Depois do jantar, Pasteur deita cedo, mas o mal-estar se agrava e ele não consegue mais falar e mexer os membros do lado esquerdo. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 Pierre-Augustin Bertin 1818-1884 Désiré Jean Baptiste Gernez 1834-1910 Émile Duclaux 1840-1904 Jules Raulin 1836-1896 Claude Bernard 1813-1878 *Ver a microbiografia de Jean-Baptiste-André Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. *Ver a microbiografia de Pierre-Augustin Bertin no grupo Amigos de Infância e Adolescência. *Ver as microbiografias de Désiré Gernez, Émile Duclaux e Jules Raulin no grupo Doenças do Bicho-da-Seda. *Ver a microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Após o primeiro AVC, aos 45 anos, os amigos cientistas de Pasteur acorrem à sua cabeceira: Sainte-Claire Deville, Dumas, Bertin, Gernez, Duclaux, Raulin (Debré, 1995, p. 235). Claude Bernard é um dos primeiros a comparecer à cabeceira de Pasteur para trazer, afetuosamente, seu apoio moral (Debré, 1995, p. 398). Nos dias seguintes, há uma lenta melhora. A fala retorna, e oito dias após começa a ditar uma nota a Gernez para a Academia sobre um procedimento para a prevenção da flacidez. Também dita à Marie Pasteur uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). Noël-François-Odon Guéneau de Mussy 1813-1885 Médico francês. Membro da Academia de Medicina (em 1867). Membro fundador da Therapeutic Society (em 1866). Autor de numerosos artigos nos periódicos "Medical Union", "General Bulletin of Therapeutics" e "General Archives of Medicine". Guéneau de Mussy era filho do escritor Philibert Guéneau de Mussy (1776-1854) e neto do higienista Jean Noël Hallé (1754-1822). Em 1835, ele se tornou interno em hospitais de Paris e em 1837 recebeu seu doutorado em medicina. Em 1842 ele se tornou médecin des hôpitaux, trabalhando no Hôpital Saint-Antoine, no Hôpital de la Pitié e no Hôtel-Dieu de Paris. Ele era membro da Académie Nationale de Médecine. Dois de seus assistentes mais conhecidos foram o oftalmologista Henri Parinaud (1844 a 1905) e o cirurgião pediátrico Edouard Francis Kirmisson (1848 a 1927). Ele fez contribuições em sua pesquisa sobre coqueluche, hemiglossite, bócio exoftálmico e angina glandular. Entre suas obras escritas estava a Clinique médicale de quatro volumes (1874-1885). Seu nome é emprestado ao epônimo "ponto Guéneau de Mussy", uma localização anatômica pertinente em casos de pleurisia diafragmática. Ele está localizado na margem esquerda do esterno, no final da porção óssea da décima costela. Se houver pleurisia diafragmática, o ponto torna-se extremamente dolorido quando é aplicada pressão sobre ele. Em 1868, aos 45 anos, Pasteur sofre o primeiro AVC. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham sua recuperação. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/13423570/noel_gueneau_de_mussy/ Ref. https://academictree.org/idtree/peopleinfo.php?pid=58497 Ref. https://peoplepill.com/people/noel-gueneau-de-mussy/ Mais informações: https://www.parismuseescollections.paris.fr/fr/musee-carnavalet/oeuvres/portrait-de-noel-gueneau-de-mussy-1813-1885-medecin-0#infos-principales Gabriel Andral 1797-1876 Médico francês. Foi professor de patologia geral da Faculdade de Medicina de Paris. Embora um tanto esquecido, Gabriel Andral, segundo Ackerknecht, foi o mais famoso de todos os ecléticos. OW Holmes e Rudolf Virchow o classificaram como um dos principais médicos da Escola de Paris. Wunderlich tinha uma estima especial por ele. Andral se considerava um "eclético por necessidade". Esse ecletismo tinha para ele dois objetivos: conciliar os pontos de vista de grupos rivais como os de Laennec e Broussais, por um lado, e se opor vigorosamente a qualquer tentativa de ditadura doutrinária na medicina, por outro. O termo "ecletismo" é frequentemente aplicado para se referir à tendência que superou a oposição entre Broussais e seus seguidores e Laennec e seus seguidores. Do ponto de vista da pesquisa de laboratório, duas posições se distinguem. O primeiro foi o ceticismo que permaneceu em torno do grupo Charité em relação ao uso do microscópio, análises químicas e experimentação animal. O representante mais proeminente foi Armand Trousseau (1801-1867). Por outro lado, o ecletismo que se abriu à pesquisa laboratorial é personificado em Gabriel Andral. Ele estava em condições adequadas para superar a oposição entre brusistas e "anatomopatologistas". A segunda edição de sua Clinique Medicale (1829-1833) reflete como ele abraçou criativamente as contribuições de ambos os grupos. Andral introduziu análises microscópicas, químicas e pesquisas experimentais em animais. Junto com Gavarret, aplicou esses métodos ao estudo das doenças do sangue, tanto que é considerado um dos criadores da hematologia moderna. Seu Essai d'hematologie pathologique , no qual ele expressa sua dívida para com Magendie, é um claro exemplo ou símbolo da transição de um estágio para outro na patologia e na clínica. Posições semelhantes foram tomadas por Pierre F. Olivier Rayer (1793-1867) e Pierre A. Piorry (1794-1879). Gabriel Andral nasceu em 6 de novembro de 1797 em Paris. Seu pai chamava-se Guillaume; Ele foi um médico militar e mais tarde, na Itália, um médico de Murat, rei de Nápoles. Sua mãe chamava-se Madeleine Louis Jobineau de Marolles. Andral passou parte de sua infância na Itália, onde recebeu os primeiros ensinamentos. Em 1813 ele retornou à França e passou dois anos no Lycée Louis-le-Grand. Em 1915 ele começou a estudar medicina. Ele era um interno não oficial a serviço de TN Lerminier (1770-1836) no Hospital de la Charité, amigo de seu pai, discípulo de Corvisart e médico dos exércitos napoleônicos. Durante esta fase, ele também fez amizade com Pierre-Charles-Alexandre Louis (1787–1872), a quem ajudou na cruzada contra a “sede de sangue” de Broussais [4]. Ele não entrou no concurso do internato como de costume, pois pertencia a uma família muito abastada. Em 1820, como aluno da École prática, ganhou o prêmio de química. A partir de 1820, Andral publicou vários trabalhos sobre temas patológicos (sobre hemorragias intersticiais dos músculos e sobre cânceres de estômago) na Gazette de Santé. Em 1821, ele obteve seu doutorado com a tese De la valeur des signes fournis par l'expectoration dans les maladies . Em junho de 1823 foi eleito membro associado da Royal Academy of Medicine, fundada em 1820. Em 1833 tornou-se membro titular. Dez anos depois, ele também entrou na Academia de Ciências. Entre 1823 e 1827, Andral publicou a primeira edição de sua Clinique Medicale, ou choix d'observations recuillies a la Clinique de M. Lerminier, que teve muito sucesso. Consistia em quatro volumes que continham de forma clara e precisa a descrição de numerosos casos clínicos com achados post-mortem do serviço de Lerminier no Charité. Uma síntese dela foi traduzida para o inglês por Spillan em 1836. É um grande compêndio da medicina francesa da época. A segunda edição apareceu entre 1831 e 1833; a terceira, em Bruxelas, em 1838; e a quarta entre 1838 e 1840. Após a reorganização do corpo docente, em 1823 foi criado o corpo de docentes adstritos. Em 1824, Andral entrou na primeira competição com quatro outros médicos, incluindo Jean Cruveilhier, Jacques André Rochoux, Dugès e Alfred Velpeau [8]. Foi o primeiro com sua obra An Antiquorum doctrina de crisibus et diebus criticis admittenda? Um in curandis morbis et praesertim acutis observado? Em 1825 organizou um curso gratuito de anatomia patológica na escola prática. Em 1827 casou-se com Angélique Augustine Royer-Collard, filha de Pierre-Paul Royer-Collard, um dos políticos mais importantes da época. Eles tiveram um filho, Paul Andral, que se tornou vice-presidente do Conselho de Estado entre 1874 e 1879. Em 1826 criou em colaboração com Jean Baptiste Bouillaud, AC Reynaud, Pierre Louis Cazenave, Delmas e Philippe Frédéric Blandin o Journal Hebdomadaire de Médecine . Foi publicado por dois anos. Em seguida, Andral tornou-se médico no Hospital Cochin, depois no Hospital Maternity e mais tarde na Royal House of Health e La Pitié. Em janeiro de 1828, Andral foi chamado para substituir Joseph René Hyacinthe Bertin (1757-1827) como Professor de Higiene. Permaneceu no cargo até a revolução de julho de 1830. Posteriormente, em outubro do mesmo ano, assumiu a cadeira de Patologia Médica, substituindo Pierre Éloy Fouquier, que ocupou até a morte de Broussais, que foi sucedido em sua cadeira pelo 25 de janeiro de 1839. Em 1829, ele publicou o Précis d'anatomie pathologique , dedicado a Lerminier, em três volumes, que logo foi traduzido para o inglês em dois volumes por Townsend e West. O texto é apoiado por um grande número de observações de anatomia comparada feitas por Dupuy, da Escola de Veterinária Alfont. Suas observações tinham um duplo objetivo: relacionar lesões e sintomas, por um lado, e reconhecer que as lesões poderiam existir sem sintomas e sintomas sem eles, por outro. Dessa forma, ele descreveu a importância da inflamação aguda e crônica da membrana que reveste as câmaras cardíacas nos aneurismas cardíacos. A primeira parte é dedicada à anatomia patológica geral, "tout ce que les lesions du corps humain ont de commun entre'elles, soit dans leur forme extérieure, soit dans leur disposition intime, soit dans leur mode de production". O segundo à anatomia patológica especial, onde, "j'ai essay d'appliquer à l'histoire des maladies de quelques appareils la méthode que j'avais suivie dans la première partie. J'ai choisi ceux de ces appareils dont les maladies, étant plus spécialement du domaine de la pathologie interne, ontété plus spécialement also l'objet de mes études. /. É eficaz para mim me recuperar das causas de lesões que foram diminuídas, de saisir leurs rapports, leur mode d'enchaînement et de succession. J'ai eu discuti l ' importância do papel que jouent ces lesões dans la production des maladies. J'ai recherché jusqu'a que aponta o reconhecimento de lesões ces, mas não ajuda a determinar o seguimento e a natureza das doenças. J'ai enfin examinou quelle sorte d'influence l'anatomie pathologique doit avoir sur la thérapeutique ... ”. A primeira seção da primeira parte trata das lesões circulatórias; no segundo, os da nutrição; na terceira, de secreção; no quarto daqueles do sangue; e no quinto daqueles de inervação. Os outros dois volumes tratam de anatomia patológica especial: sistema digestivo, pulmões, coração, vasos linfáticos, fígado, baço, tórax, gônadas e sangue. Ele também se aprofundou no estudo do sistema nervoso central, rejeitando alguns locais. Por meio da análise de 36 tumores intra ou supracerebelares, ele notou que a inteligência permanecia intacta durante o curso da doença. Andral é dito ter sido o primeiro descritor de linfangite carcinomatosa. Costuma-se dizer que a primeira referência ao assunto apareceu em seu Précis d'anatomie pathologique . No entanto, parece que ele já se referia à doença em dois trabalhos anteriores: "Recherches pour servant à la histoire des maladies du système lymphatique" que publicou nos Archives de médecine em 1824, e no segundo volume de sua Clinique Medicale ( 1826). Entre 1840 e 1842, Andral apresentou à Academia de Ciências duas memórias sobre as modificações das proporções de alguns princípios do sangue e sobre a composição do mesmo de alguns animais domésticos em colaboração com Gavarret e Delafond: “Recherches sur les changes de proportion de quelques principes du sang, fibrina, glóbulos, matériaux solides du soro, et eau, dans les maladies ”(Andral e Gavarret) e“ Recherches sur la composition du sang de quelques animaux domestiques, dans l'état de santé et de maladie (Andral , Gavarret e Delafond). A moda do humoralismo voltou na França na década de 1930, mas de forma renovada e científica, principalmente no que diz respeito à patologia hemática. Os trabalhos experimentais de Prévost e Dumas, bem como os de Magendie e Gaspard durante a década anterior, influenciaram. Foi a memória de Andral e Gavarret Recherches sur les modificações de proporção de quelques príncipes du sang (1840) que desempenhou o papel mais proeminente. Era lógico que foram encontrados sintomas que não foram acompanhados por lesões em órgãos sólidos. Em 1843, ele publicou seu Essai d'hématologie pathologiqueque lhe trouxe fama internacional. Nele fala dos estudos do sangue do ponto de vista físico, químico e microscópico, e numa frase, quase profética, diz que onde a anatomia não consegue detectar alterações, é a química que as mostra. Aos poucos, ele se tornará uma das bases da patologia, não apenas estudando os líquidos alterados pela doença, mas também como um estudo das modificações das partes sólidas. Nesse período, estudava-se o que então era permitido pela química: álcalis livres ou combinados, fibrina, dosagem de albumina sérica, hemácias em processos de pletora, febres e processos inflamatórios. Ele observou a modificação da albumina no decorrer do edema de fome e as variações na taxa de sedimentação no decorrer do consumo. Nesta peça, “A hematologia patológica começa no efeito dos faits do quelque valeur, que é o nome de um grande nome da maldade, aura été soumis à l'investigation chimique, e examinado ao microscópio. Sans doute, en étudiant par ce double moyen d'analyse les divers principes du sang, et en les suivant ainsi a un dans tous leurs mudanças possíveis de proporção ou de natureza, il ne sènsuit pas qu'il faille négliger l'étude des mudanças que são feitas com o propósito de fazer propriedade física; É melhor reconhecer o fato de que a pessoa deriva do estudo se presume insuficiente, e que emprega seule, sem o controle do analista, a única lembrança de se tornar uma fonte d'erreur ”. O livro está dividido em dois grandes capítulos. O primeiro refere-se ao "melhor método a ser seguido nos estudos de hematologia patológica". No segundo, ao sangue em diferentes doenças: pletora, anemia, pirexia, fleuma, hemorragia, hidropisia, nas doenças "comumente chamadas de orgânicas" e nas "neuroses". O Essai foi traduzido para o inglês por Meigs e Stillé e publicado na Filadélfia em 1844. De acordo com Duffin, Andral e Alfred Donné (1801-1878) foram os pioneiros no uso da quantificação em hematologia, relacionando várias doenças ao número, concentração, tamanho e formato das hemácias. Além disso, Andral foi o primeiro a sugerir que a anemia era consequência da destruição das hemácias (hemólise) e a descreveu como uma diminuição do número de hemácias no sangue. Ele o associou à gravidez e à clorose. As descobertas de Andral e Donné representaram um avanço na medicina clínica. Em 1845, ele estudou a capacidade pulmonar por espirometria. Ele o fez como um clínico interessado em cardiologia. Em 1828 criou o termo "cardite reumática" que acabou sendo denominado "endocardite". Ele também estudou o edema pulmonar em suas formas de origem cardíaca. Entre 1852 e 1856, Andral foi responsável pelo ensino de História da Medicina. Ele colecionou aulas em várias edições da revista L'Union Medicale . É surpreendente que ele não considerasse Hipócrates um autor vivo e atual, como era costume em sua época. Nisso ele seguiu Bichat mais do que Laennec. Em 1856, ele praticamente abandonou o ensino e a pesquisa para cuidar de sua esposa doente. Em novembro de 1866 ele se aposentou e foi substituído por Charles Ernest Lasègue (1816-1883) em 1867. Quando Pasteur sofreu uma paralisia em 1868, foi Andral quem foi chamado para atendê-lo. Durante a guerra de 1870, ele deixou Paris com sua família para ir para Chateauvieux, onde os Royer-Collards possuíam uma propriedade. Sua esposa faleceu em 1872. Posteriormente, ele ainda participou de algum ato e em 1875 encerrou sua carreira com uma nota que apresentou à Academia de Ciências sobre glicosúria. Nesse mesmo ano, contraiu uma pneumonia que o matou poucas semanas depois, no dia 13 de fevereiro, sendo tratado por Béhier. Andral é uma figura importante no que veio a ser chamado de Escola de Medicina de Paris, à frente da qual Rene Laennec é frequentemente colocado. Como já foi dito, foi eleito membro associado da Academia de Medicina em 1823 e titular em 1833 na secção de patologia médica. Em 1843 ele substituiu Double na Academia de Ciências. Ele também foi membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciências desde 1849. Comandante da Legião de Honra em 1858. Os médicos Godélier, Guéneau de Mussy e Andral acompanham a recuperação de Pasteur. Andral, célebre médico da Academia de Medicina, prescreve a aplicação de sanguessugas atrás das orelhas. Ele reconhece que esse ataque de hemiplegia, tão diferente de todos os outros que testemunhou até o momento, deixa-o perturbado. Apesar do AVC, Pasteur continua consciente e lúcido, o que confunde os médicos (Debré, 1995, p. 235). Ref. https://data.bnf.fr/en/12544310/gabriel_andral/ Ref. https://www.historiadelamedicina.org/andral.html Napoleão III 1808-1873 Eugénia de Montijo 1826-1920 Ildephonse Favé 1794-1878 Jean-Victor Duruy 1794-1878 *Ver a microbiografia de Napoleão III, Eugénia de Montijo, Ildephonse Favé e Victor Duruy no grupo Políticos. Após o primeiro AVC, Pasteur dita à Marie uma carta direcionada ao imperador de que possivelmente está morrendo com o desgosto de não ter feito o suficiente para honrar o reino (Debré, 1995, p. 235). O primeiro pensamento de Pasteur é para o laboratório que Napoleão III havia prometido mandar construir na Rua Ulm. Da janela da sala de jantar que dá para o jardim da École Normale, ele vigia o canteiro de obras. Os operários desaparecem ao primeiro sinal da doença. Por intermédio do general Favé, Pasteur manda dizer que estão com muita pressa de enterrá-lo. Napoleão III e Victor Duruy se desculpam por tal precipitação, e é dada uma ordem para que a construção seja retomada (Debré, 1995, p. 236). Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 André Chantemesse 1851-1919 Élie Metchnikoff (Ilya Ilyich Mechnikov) 1845-1916 Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 Alexandre Dumas (filho) 1824-1895 Charles Chappuis 1822-1897 *Ver a microbiografia de Émile Roux no grupo Doenças Infectocontagiosas. *Ver a microbiografia de André Chantemesse e Élie Metchnikoff no grupo Pasteurianos. *Ver a microbiografia de Jacques Grancher no grupo Vacinação: Raiva. *Ver a microbiografia de Alexandre Dumas (filho) no grupo Academia Francesa. *Ver a microbiografia de Charles Chappuis no grupo Amigos de Infância e Adolescência. Um ano antes da inauguração do Instituto Pasteur, em 23/10/1887 Pasteur sofre um novo AVC seguido de afasia e recupera a fala. Alguns dias depois sofre novo ataque, mais difícil de reabsorver, então sua fala e fraca e embaralhada (Debré, 1995, p. 522-523). Em 01/11/1894 quando se preparava, como fazia diariamente para ver os netos, Pasteur é tomado por um terrível mal-estar e desmaia. Só volta a si à noite para pedir que fiquem a seu lado. Durante 3 meses não sai da cama. Seus filhos e netos se instalam no Instituto Pasteur. Organizam turnos para lhe fazer companhia. Em grupos de 2, pasteurianos e membros da família se revezam na cabeceira de Pasteur, noite e dia. Roux e Chantemesse ficam nos turnos da noite. Quando tem algum tempo livre, Metchnikoff o visita, não importa a hora. O mesmo acontece com Grancher. Em 1º de janeiro de 1895, Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho) para cumprimentá-lo. No Instituto Pasteur, Louis Pasteur passa muitas horas durante a tarde sob os castanheiros conversando em voz baixa com seus colaboradores ou com o fiel amigo Charles Chappuis (Debré, 1995, p. 546-547). No dia 13 de junho de 1895, Pasteur deixa o Instituto Pasteur e vai para Villeneuve-l´Etang, para passar a primavera, mas está cada vez mais fraco e não aproveita o parque. Suas forças declinam. Depois de um novo ataque, falece em 28 de setembro de 1895 às 16h40. De acordo com a vontade da família, é sepultado em uma cripta construída no subsolo de seu Instituto (Debré, 1995, p. 547-552). Próximo Grupo

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    Voltar para os Grupos Academia Francesa Ernest Legouvé 1807-1903 Dramaturgo, romancista, poeta e ensaísta francês. Membro da Académie française (eleito em 1855). Era filho do Acadêmico Gabriel-Marie Legouvé, falecido em 1812; ele obteve o prêmio de poesia na Academia em 1827 com a descoberta da impressão. Em 1847, ele foi encarregado de um curso gratuito no College de France, deu inúmeras palestras, escreveu poemas, brochuras sobre as mulheres, a família, leitura, esgrima, teatro. Como dramaturgo, seus melhores trabalhos são aqueles que fez em colaboração com Scribe: Adrienne Lecouvreur e Bataille de Dames. Em 1881, foi nomeado diretor de estudos da École normale de Sèvres e inspetor geral da educação pública. Quando se trata de recolher a sucessão de Jacques-François Ancelot, Emile Augier desapareceu antes Ernest Legouvé que foi eleito em 1 de março de 1855 contra François Ponsard: a Revue des Deux Mondes criticou a eleição. Foi recebido em 28 de fevereiro de 1856 por Jean-Pierre Flourens e em seu discurso de recepção elogiou a colaboração. Ernest Legouvé havia estabelecido, em 1869, o costume de discutir em reunião especial os títulos acadêmicos dos candidatos a poltrona; em 1896, requereu, sem o obter, o restabelecimento deste uso, que fora extinto em 1880 por proposta de Alexandre Dumas e Nisard. Ele era diretor e reitor da Academia quando o czar Nicolau II a visitou em 1896. A candidatura de Pasteur na Academia Francesa é apresentada por Ernest Legouvé, dramaturgo de sucesso, e tio avô de René Vallery-Radot, seu genro. Legouvé prepara o terreno e se encarrega de desencorajar os adversários (Debré, 1995, p. 419). Ref. https://data.bnf.fr/en/12505094/ernest_legouve/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/ernest-legouve Camille Doucet 1812-1895 Autor e poeta dramático francês. Advogado e escriturário. Secretário do Barão Fain no gabinete do Rei Louis-Philippe. Diretor Geral da Administração Teatral (em 1866). Membro da Académie Française (eleito em 1865), então secretário perpétuo (nomeado em 1876). Grande oficial da Legião de Honra (1891). Escritor e poeta dramático, foi assíduo do salão da princesa Mathilde e diretor de administração teatral do Ministério da Casa do Imperador, quando foi um dos doze candidatos à sucessão de Escriba; foi Octave Feuillet quem foi eleito; em 14 de abril de 1864, concorreu com Joseph Autran para suceder Alfred de Vigny; onze votações ocorreram sem resultado, a eleição foi adiada para o ano seguinte. Desta vez, Camille Doucet tinha Jules Janin como competidor; a aliança de governos e clérigos que queriam descartar este último garantiu a eleição de Camille Doucet, eleito em 6 de abril de 1865 para substituir Alfred de Vigny, e recebido por Jules Sandeau em 22 de fevereiro de 1866. Com a morte de Patin, em 1876, ele foi nomeado secretário perpétuo. Ele era um Grande Oficial da Legião de Honra. Ele fazia parte da Comissão de Dicionário. Pasteur envia ao secretário vitalício da Academia Francesa, Camille Doucet, sua candidatura oficial (Debré, 1995, p. 419). Ref. https://data.bnf.fr/en/12466429/camille_doucet/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/camille-doucet?fauteuil=32&election=06-04-1865 Jean-Baptiste-André Dumas 1800-1884 *Ver microbiografia de Jean-Baptiste Dumas no grupo Primeiras Influências Científicas. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia (Debré, 1995, p. 420). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam os manuscritos do discurso. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Claude Bernard 1813-1878 *Ver microbiografia de Claude Bernard no grupo Fermentação. Depois da morte de Claude Bernard, só resta o amigo Jean-Baptiste Dumas para representar os cientistas nesta Academia (Debré, 1995, p. 420). Charles-Augustin Sainte-Beuve 1804-1869 Romancista francês. Poeta. Crítico. Membro da Académie Française (eleito em 1844). Curador da Biblioteca Mazarina (1840-1848). Professor na Escola Normal (1858-1861). Senador (em 1865). Frequentou o salão de Charles Nodier no Arsenal, fez parte do primeiro "Cenáculo" de Victor Hugo com quem mais tarde brigou, foi amigo de saint-simonianos e místicos, de Pierre Leroux, de Lamennais e de Lacordaire. Seus poemas apareceram sob o pseudônimo de Joseph Delorme em 1829; seu primeiro trabalho, o Tableau historique et critique de la Poésie française au XVIe siècle, publicado no ano anterior, ainda está sendo consultado com frutas, assim como sua Histoire de Port-Royal; sua Crítica Literária e Retratos, 5 volumes publicados de 1832 a 1839, seu Lundi Causeries e seu Nouveaux Lundis, formam um monumento mais notável da crítica literária; nestas duas últimas obras, muitas vezes lida com o presente e também com o passado da Academia, julgando os autores e as obras com grande autoridade, mas sem dúvida trazendo um pouco de parcialidade nas escolhas contemporâneas; pode-se, no entanto, considerá-lo um dos melhores historiadores da Academia, se agruparmos em uma obra especial tudo o que publicou nela ou na ocasião. Sainte-Beuve escreveu um romance, Volupté, e contribuiu para o Globe, Revue de Paris, Revue des Deux-Mondes, Constitutionnel, Moniteur; foi, durante quatro anos, professor da Escola Normal, professor de poesia latina no College de France, curador da Biblioteca Mazarina, membro do Senado Imperial. Candidato à Academia, seu concorrente foi Jean Vatout, e, após 7 votações, nenhuma delas tendo obtido a maioria, a eleição foi adiada para outra data. Ele foi eleito em 14 de março de 1844 para substituir Casimir Delavigne; Victor Hugo que, ao que consta, votou onze vezes contra ele, o recebeu em 27 de fevereiro de 1845 e, em sua resposta, esqueceu-se de elogiar o agraciado. A inimizade do grande poeta foi atribuída a motivos pessoais que, apesar da publicidade que lhes foi dada por Alphonse Karr e pelas polémicas recentes, preferimos ignorar. Ele fazia parte da Comissão de Dicionário. No Segundo Império, Sainte-Beuve, que conhecia o salão da princesa Mathilde, era na Academia o líder do partido governamental e anticlerical; desempenhou um papel importante, mas geralmente malsucedido, nas eleições; ele lutou ardentemente o bispo Dupanloup, Victor de Laprade, o padre Lacordaire, que foram eleitos, e não conseguiu nomear nem Théophile Gautier nem Charles Baudelaire; ele conseguiu, no entanto, nas eleições de Émile Augier, de Champagny e Camille Doucet, aprovar candidatos que eram agradáveis ou menos hostis ao imperador. Certas escolhas feitas pela Academia irritavam-no a tal ponto que em 1856 retomou a ideia anteriormente avançada pelo Evento de Victor Hugo de uma Academia de sufrágio universal (cf. nota 376), e em 1862 solicitou no Constitutionnel que a Academia foi dividido em oito seções, cada uma representando um gênero de literatura. Essa proposta, aprovada pelo Século e pelo Parecer Nacional, e contestada pela Time, não foi aceita. O centenário de Sainte-Beuve foi celebrado em 23 de dezembro de 1904. Ele mesmo escreveu sua biografia (Nouveaux Lundis, XIII). Charles-Augustin Sainte-Beuve solicita a Pasteur sua candidatura na Academia Francesa. Conquanto suas opiniões, em política e religião, sejam opostas às de Pasteur, ele admira o cientista. E a recíproca é verdadeira (Debré, 1995, p. 143, 152, 154-159). Ref. https://data.bnf.fr/en/11923412/charles-augustin_sainte-beuve/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/charles-augustin-sainte-beuve?fauteuil=28&election=14-03-1844 Alexandre Dumas (filho) 1824-1895 Romancista e dramaturgo francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1874). Escritor e romancista dramático, publicou seu primeiro romance, La Dame aux Camélias , em 1848, e teve sua primeira peça, Diane de Lys, encenada em 1851. Seus principais sucessos teatrais são: La Dame aux Camélias , 1852; Le Demi-Monde , 1855, Le Fils naturel, 1858, Les Idées de Madame Aubray , 1867, Princess Georges , 1871, L'Etrangère , 1876; ele também publicou uma série de brochuras sobre divórcio, a busca pela paternidade, etc. Foi eleito em 29 de janeiro de 1874 para substituir Pierre-Antoine Lebrun, por 22 votos contra 11 votos atribuídos a vários concorrentes: Victor Hugo, ausente da Academia desde 1851, voltou a votar em Alexandre Dumas fils; ele foi recebido em 11 de fevereiro de 1875 pelo conde d'Haussonville, cuja resposta foi imbuída de cortês ironia. Alexandre Dumas fils fez um discurso notável em 1877 sobre os prêmios à virtude. Alexandre Dumas (filho) agradece a Pasteur por “querer ser um dos nossos” (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Em 1º de janeiro de 1895 (ano da morte de ambos), Pasteur recebe todos os seus alunos e colaboradores para exprimir-lhes seus votos de fim de ano. Neste dia, também aparece Alexandre Dumas (filho), colega da Academia Francesa, para cumprimentá-lo (Debré, 1995, p. 546). Ref. https://data.bnf.fr/en/11901062/alexandre_dumas/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/alexandre-dumas-fils?fauteuil=2&election=29-01-1874 Jean-Marie-Napoléon-Désiré Nisard 1806-1888 Crítico acadêmico e literato francês. Membro da Académie Française (eleito em 1850). Deputado (em 1842) e depois senador (em 1867). - Publicou a "Coleção de autores latinos com tradução francesa" com muitos colaboradores, incluindo seus irmãos: Nisard, Auguste (1809-1892) e Nisard, Charles (1808-1889). Crítico, contribuiu para o Journal des Débats, o National, a Revue de Paris e a Revue des Deux Mondes; ele foi professor de eloqüência latina no College de France em 1833, depois de eloqüência francesa. Seu curso deu origem a distúrbios seguidos de um julgamento sensacional na polícia correcional. Deputado em 1842, foi senador em 1867; foi diretor da Escola Normal e membro da Académie des Inscriptions. Oponente apaixonado dos românticos, ataca Victor Hugo em 1836, também quando foi eleito para a Academia a 28 de novembro de 1850 para substituir o Abade de Féletz, a sua eleição foi ainda mais fortemente criticada pela imprensa literária e romântica. tinha sido preferido a Alfred de Musset. O jornal de Victor Hugo, L'Événement, gritou escândalo e propôs que os acadêmicos fossem eleitos pela Société des Gens de Lettres e pela Société des Auteurs dramatiques. Ele foi recebido por Saint-Marc-Girardin em 22 de maio de 1851; Pertenceu ao partido imperialista, recebeu Alfred de Musset, Victor de Broglie, Ponsard e Cuvillier Fleury e fez parte da Comissão de Dicionário. Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam os manuscritos do discurso . Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Ref. https://data.bnf.fr/en/12052360/desire_nisard/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/desire-nisard?fauteuil=39&election=28-11-1850 Maximilien-Paul-Émile Littré 1801-1881 *Ver microbiografia de Émile Littré no grupo Academia de Medicina. Pasteur é admitido na Academia Francesa em 08/12/1881, pouco antes de completar 60 anos, sucedendo Émile Littré (Debré, 1995, p. 392). Quando Littré era vivo, Pasteur o presenteou com a obra escrita por ele em 1879 “Exame crítico de um escrito póstumo de Claude Bernard sobre a fermentação”. O livro contém uma dedicatória de Pasteur a Émile Littré: “ao senhor Littré, da Academia Francesa, homenagem de profundo respeito. L. Pasteur”. Pasteur e Littré se respeitam, mas existem entre eles diferenças: Littré é republicano, franco-maçon e positivista. Para Pasteur, os positivistas não entenderam o sentido do método científico, e afirma “Para julgar o valor do positivismo, meu primeiro pensamento foi procurar nele a invenção. Não achei. Como não me oferece nenhuma ideia nova, o positivismo me deixa reservado e desconfiado” (Debré, 1995, p. 413). As profundas razões que levam Pasteur a se opor à filosofia positivista são mais específicas, por exemplo, o positivismo rejeita o uso do microscópio, e separa a química da biologia, por exemplo. Entretanto, é a questão da existência de Deus, que Pasteur chama de infinito, que o afasta do positivismo. Pasteur diz: “aquele que proclama a existência do infinito reúne mais sobrenatural nessa afirmação do que o existente em todos os milagres de todas as religiões. (...) Vejo em toda a parte a inevitável expressão da noção do infinito no mundo. A ideia de Deus é uma forma da ideia do infinito” (Debré, 1995, p. 414). Ao ingressar na Academia, a preocupação de Pasteur passa a ser o discurso tradicional de sucessão, no qual deve elogiar o seu predecessor. Além do desacordo quanto ao positivismo, a antipatia de Pasteur deve-se a um desacordo político, pois Littré foi um dos primeiros a pedir a perda do trono de Napoleão III. Um longo espaço de tempo vai separar a eleição da recepção: mais de 4 meses. Pasteur passa todo o inverno a trabalhar nisso. À noite, se isola e tenta polir as frases. Contudo, não quer deixar de ser justo (em sua visão): o positivismo lhe parece um erro perigoso que é preciso combater, mas nada o impede de reconhecer as qualidades pessoais de Littré e o valor de seus trabalhos. Então, vai até a casa de campo onde vive a viúva e a filha de Littré. Lá Pasteur se sente comovido pela simplicidade com a qual Littré vivia, cujo trabalho, na intimidade da vida em família era sua verdadeira felicidade (Vallery-Radot, 1951, p. 313). Percorrendo a casa e o pequeno jardim onde Littré cultivava seus legumes e colhia frutas, Pasteur tenta compreendê-lo, mas considera um erro que o positivismo não tinha em conta a noção do infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 315). Pasteur consulta Jean-Baptiste Dumas e Désiré Nisard, que revisam seus manuscritos. Eles foram escolhidos por Pasteur para serem seus padrinhos acadêmicos no dia da sessão solene na Academia Francesa (Vallery-Radot, 1951, p. 316). Em 27 de abril de 1882 Pasteur entra na Academia Francesa acompanhado dos dois padrinhos (Dumas e Nisard), com um estilo enérgico e físico robusto (como descreve um jornalista). Além dos vários membros da Academia e de toda a família de Pasteur, está presente também a princesa Matilde, que veio aplaudi-lo. Na época, alguns jornalistas destacam que neste mesmo dia, Charles Darwin, que havia falecido em 19 de abril, é enterrado com grande pompa na abadia de Westminster. Cabe lembrar que foi Littré quem popularizou na França as teorias sobre a evolução das espécies. Pasteur discursa com uma homenagem a Littré, mas também com a confissão quase imediata de um distanciamento filosófico. Pasteur mostra, em sua visão, o erro do positivismo ao querer suprimir a ideia de infinito (Vallery-Radot, 1951, p. 319). Também critica a pretensão positivista de encontrar um fundamento científico na política e sociologia devido ao grande número de fatores que concorrem para a solução de questões que elas levantam, e diz “nesse lugar onde as paixões humanas intervêm, o campo do imprevisto é imenso” (Debré, 1995, p. 423). Ref. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Joseph Ernest Renan 1823-1892 Filólogo, filósofo, escritor e historiador francês. Professor de hebraico no Collège de France (de 1862, depois 1870-1883), depois administrador (de 1883). Membro da Académie des Inscriptions et belles-lettres (eleito em 1856), e da Académie française (eleito em 1879). Ernest Renan era filólogo bem versado nas línguas semíticas, depois de ter abandonado o estado eclesiástico, foi duas vezes laureado pelo Instituto; Professor de hebraico no College de France em 1862, publicou em 1863 a Vida de Jesus , que é sua obra principal e que suscitou controvérsias extraordinárias; incríveis quantidades de ataques ou defesas dessa obra apareceram na França e no exterior; o papa o chamou de blasfemador europeu, manifestações hostis ocorreram no Collège de France, o que levou à suspensão de seu curso. O governo imperial ofereceu-lhe como compensação a administração da Biblioteca Nacional, que ele recusou. Seu nome foi pronunciado para uma poltrona na Academia, mas o bispo Dupanloup associou o nome de Ernest Renan e Taine ao de Littré, por quem ele lutou com paixão. Após a guerra de 1870, as ideias do mundo governamental mudaram, Ernest Renan foi reintegrado em sua cadeira em 1870 e nomeado pelo administrador eleitoral do Colégio da França em 1883, onde foi reeleito a cada três anos. Membro da Académie des Inscriptions desde 1856, foi eleito para a Académie Française em 13 de junho de 1878 para substituir Claude Bernard, e recebido em 3 de abril de 1879 por Alfred Mézières. Seu discurso de recepção produziu uma forte emoção na Alemanha que Ernest Renan teve que acalmar ao publicar uma carta supostamente endereçada a um amigo na Alemanha. O ódio do partido religioso contra Renan nunca se desarmou; O marechal Mac-Mahon recusou-se a nomeá-lo oficial da Legião de Honra; Renan obteve esta patente apenas em 1880, ele morreu Grande Oficial da Legião de Honra no College de France em 2 de outubro de 1892; seu funeral aconteceu às custas do estado. Onze anos após sua morte, uma estátua foi erguida para ele em Tréguier, seu país natal; a inauguração deu origem a tais manifestações que o governo que as havia planejado teve que tomar medidas policiais importantes para evitar tumultos (13 de setembro de 1903). Ernest Renan deixou a História das origens do Cristianismo , 8 volumes, a História do povo de Israel , 5 volumes, Estudos de História Religiosa , Dramas Filosóficos , traduções e várias outras obras. A história comparada das línguas semíticas . Recebeu Claretie e fez parte da Comissão de Dicionário. Três novas segundas-feiras, incluindo uma pela vida de Jesus. O diretor da Academia Francesa em exercício, Ernest Renan (autor de Vida de Jesus), recebe Pasteur na Academia Francesa e profere um discurso após o cientista A obra e a personalidade de Renan foi descrita como situada na junção do espiritualismo com o positivismo. Convertido ao positivismo, torna-se o porta voz do ceticismo, embora continue a se dizer “católico fervoroso”. Em seu discurso, Renan diz que “na ordem intelectual também existem sentidos diversos, oposições aparentes que não excluem um fundo de similitude” (Debré, 1995, p. 424). Segue parte da resposta de Renan ao discurso de Pasteur: "Sua vida austera, inteiramente devotada à pesquisa altruísta, é a melhor resposta àqueles que consideram nosso século privado dos grandes dons da alma. Sua diligência meticulosa não queria conhecer distrações nem descanso. Recebam a recompensa pelo respeito que vos rodeia, por esta simpatia cujas marcas hoje tão numerosas se produzem ao vosso redor e, sobretudo, pela alegria de ter cumprido bem a vossa tarefa, de teres lugar na primeira fila". Ref. https://data.bnf.fr/en/11921486/ernest_renan/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/ernest-renan?fauteuil=29&election=13-06-1878 Ref. http://www.academie-francaise.fr/reponse-au-discours-de-reception-de-louis-pasteur Victor-Marie Hugo 1823-1892 Escritor francês. Membro da Académie française (eleito em 1841). Poeta precoce, concorreu ao Prêmio de Poesia da Academia aos 15 anos; a Academia acreditava que o jovem poeta ria dela ao dar essa idade e lhe deu apenas uma menção; Prémio dos Jogos Florais de Toulouse em 1819 e 1820, foi nomeado Mestre dos Jogos Florais. Ele publicou o primeiro volume de Odes et Ballades em 1822 e o segundo em 1826; entre esses dois volumes apareceram os dois primeiros romances, Han d'Islande em 1823 e Bug Jargal em 1825, e o Cenáculo foi fundado. O Prefácio de Cromwell em 1827 fez de Victor Hugo o líder da nova escola romântica; Les Orientales apareceu em 1828. Luís XVIII havia aposentado o jovem poeta, e a censura tendo banido Marion Delorme, o primeiro drama escrito para o palco, Carlos X queria compensá-lo dobrando o valor de sua pensão, mas Victor Hugo recusou. Em seguida, escreveu Hernani, cuja primeira apresentação no Théâtre-Français, em 26 de fevereiro de 1830, foi uma batalha entre as duas partes literárias e um triunfo dos românticos. Le Roi Amuse, tocado em 22 de novembro de 1832, foi banido no dia seguinte; um julgamento foi realizado no Tribunal de Comércio e o autor apresentou um magnífico apelo pela liberdade do teatro. Um após o outro, Victor Hugo publicou poemas, um romance admirável e encenou dramas: Notre-Dame de Paris, sua obra-prima em prosa, em 1831, o Feuilles d'automne, mesmo ano, Lucrèce Borgia e Marie Tudor, 1833, Angelo et les Chants du Crépuscule, 1835, les Voix interiors, 1837, Ruy Blas, 1838, les Rayons et les Ombres, 1840, le Rhin, 1842, les Burgraves, 1843. A trágica morte de sua filha Léopoldine, afogada em Villequier com Charles Vacquerie, a quem ela acabara de se casar, mergulhou o poeta em dores profundas e o deixou mudo por vários anos. Nomeado par da França em 15 de abril de 1845, foi capturado pela política: deputado à Assembleia Constituinte em 4 de junho de 1848, e reeleito à Assembleia Legislativa, votou com a direita na primeira assembleia e com a extrema esquerda na segunda, lutou com ardor apaixonado o príncipe-presidente e organizou a resistência contra o golpe de estado de 2 de dezembro. Durante esses cinco anos, ele fez muitos discursos que foram reunidos no primeiro volume de Atos e Palavras, Antes do Exílio; durante os últimos dois anos desse período, ele fundou e dirigiu The Event, que, após processo e condenação, se tornou The Event; ele defendeu suas idéias políticas e literárias lá e muitas vezes lidou com os atos da Academia. Proscrito em 1851, refugiou-se em Jersey, de onde teve de partir em 1855 para Guernsey, onde permaneceu quinze anos. Ele publicou em Bruxelas Napoléon le Petit em 1852 e os Châtiments em 1853, em Paris as Contemplações em 1856, o Légende des Siècles em 1859, que foi concluído mais tarde, Les Misérables em 1862 que teve um grande impacto, os Chansons des Rues e des Bois em 1865, Les Travailleurs de la Mer em 1866, L'Homme qui rit em 1869. Nesse mesmo ano, ele contribuiu para o novo jornal que seus filhos fundaram com Auguste Vacquerie e Paul Meurice, Le Recall. Os desastres da guerra de 1870 e a queda do Império trouxeram Victor Hugo de volta a Paris, onde encontrou uma popularidade que continuou a crescer até sua morte. Deputado à Assembleia Nacional, então senador pelo Sena, interveio frequentemente por meio de cartas e discursos nas lutas políticas dos primeiros anos da Terceira República. Ao mesmo tempo, ele continuou a publicar suas obras-primas: O Ano Terrível apareceu em 1872, Noventa e três em 1874, A História de um Crime e a Arte de Ser Avô em 1877, então a nova série da Lenda dos Séculos e os Quatro Ventos do Espírito; a morte não interrompeu este desabrochar extraordinário: bastariam as suas obras póstumas para imortalizar um poeta. Victor Hugo fez campanha pela candidatura acadêmica de Lamartine em 1825; frequentou o salão de Charles Nodier e criou o Cenáculo. Candidato à Academia desde 1836, foi espancado por Dupaty, Mignet e Flourens. Toda a energia e toda a fúria dos clássicos concentraram-se no nome de Victor Hugo, reconhecido por todos como o verdadeiro líder da escola romântica; ele foi finalmente eleito em 7 de janeiro de 1841 por 17 votos de 32 eleitores, substituindo Népomucène Lemercier e recebido em 3 de junho pelo conde de Salvandy. Esta vitória, dolorosamente obtida, consagra, no entanto, o triunfo do romantismo. Victor Hugo apoiou a candidatura de Alfred de Vigny, Balzac, Alexandre Dumas, Alfred de Musset, de Béranger; recebeu Saint-Marc-Girardin e Sainte-Beuve. Alfred de Vigny, tendo feito inimigos na Academia, foi quase colocado em quarentena; Victor Hugo deu-lhe provas de simpatia e estima ao recusar-se a ser diretor, enquanto durou esse ostracismo. Insatisfeito com algumas das escolhas feitas pela Academia, o jornal de Victor Hugo, L'Événement, frequentemente atacava a Companhia e, após a eleição de Nisard em 1850, ele exigiu que as eleições para acadêmicos fossem feitas pela Society. Des Gens de Lettres e o Sociedade de Autores Dramáticos. A primeira visita à Academia após o regresso do exílio foi para dar voz a Alexandre Dumas fils, “não tendo podido votar no pai”, disse. Ele votou em Jules Simon, que foi eleito, e em Leconte de Lisle, que foi nomeado apenas para substituí-lo. Nos últimos anos de sua vida e após sua morte, grandes homenagens foram prestadas a ele, tanto pelo povo como pelo mundo literário e pelo poder público. O quinquagésimo aniversário de Hernani foi festejado com esplendor na Comédie Française; uma grande manifestação foi organizada por ocasião da entrada do poeta em seus oitenta anos, em 26 de fevereiro de 1881. Por ocasião de sua morte, a igreja de Sainte-Geneviève (Panthéon) foi abandonada e devolvida ao túmulo de grande homens; seu funeral nacional aconteceu em meio a uma imensa multidão de pessoas, com todas as honras civis e militares que o governo poderia lhe render; seu corpo descansou por três dias sob o Arco do Triunfo, guardado à noite por couraceiros carregando tochas. O centenário de seu nascimento foi celebrado brilhantemente; incluiu entre outras cerimônias a inauguração do monumento elevado à sua glória e a inauguração do Museu Victor-Hugo instalado na casa da Place des Vosges onde o poeta havia escrito obras-primas imortais, enquanto ela era chamada de Place Royale. Ele legou seus manuscritos e desenhos à Biblioteca Nacional. Pasteur, na época da candidatura à Academia Francesa, parece não duvidar da própria eleição, quaisquer que sejam os outros candidatos. Vários nomes são citados para ocupar a vaga, a exemplo de Ferdinand de Lesseps (canal de Suez), o poeta Sully Prudhomme (que será em 1901 o primeiro laureado do prêmio Nobel de Literatura), Paul de Saint-Victor (jornalista brilhante patrocinado / apoiado por Victor Hugo) e Victor Cherbuliez (romancista) (Debré, 1995, p. 419-420). Em 27 de abril de 1882, Pasteur vai à cúpula. Nem todos os 40 membros estão presentes. Victor Hugo, doente, manda se desculpar pela ausência. No entanto, há relato de que “Louis Pasteur era sem dúvida um grande admirador de Victor Hugo. Em um manuscrito datado de 07/02/1885, pouco antes da morte do grande poeta, Pasteur escreve ´O menino sublime como Chateaubriand o chamou, merece ser chamado de velho sublime. Diante desta longevidade gloriosa, a França dá um espetáculo lindo. Sua aclamação é um grito de patriotismo”. Antes da eleição, Pasteur havia se apresentado a Victor Hugo, e este respondeu resmungando “O que o senhor diria se eu pretendesse ser eleito para a Academia de Ciências?” (Debré, 1995, p. 420). Ref. https://data.bnf.fr/en/11907966/victor_hugo/ Ref. http://www.academie-francaise.fr/les-immortels/victor-hugo?fauteuil=14&election=07-01-1841 Ref. https://www.abebooks.com/signed-first-edition/DEDICATED-PASTEUR-VICTOR-HUGO-Examen-critique/19603200427/bd Próximo Grupo Em construção

  • Primeiros Beneméritos | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Primeiros Beneméritos Jean-Joseph Pasteur 1791-1865 *Ver a microbiografia de Jean-Joseph Pasteur no grupo Família Nuclear. O pai de Pasteur foi seu primeiro preceptor. Ele gostaria de ver o filho diretor do Collège d´Arbois. Tinha poucos amigos, mas eruditos: professores, o médico da cidade (Dr. Dumont – ex-médico militar que se tornou médico do hospital de Arbois) e outros (Debré, 1995, p. 33-34). Etienne Renaud ? Renaud era um jovem e ardente professor francês que se apegava aos alunos e sabia como diverti-los. Foi o primeiro professor de Louis Pasteur na escola primária, em 1831, na cidade de Arbois. Gostava de contar seus atos heroicos durante as campanhas bonapartistas. Mais tarde, na época das honras e dos discursos, Pasteur sempre citará, com reconhecimento, este docente que ministrou suas primeiras aulas (Debré, 1995, p. 32-33; Garozzo, 1974, p. 29-30). Emmanuel Bousson de Mairet 1796-1871 Amigo do pai de Pasteur, Mairet era homem de letras, filósofo e historiador francês. É autor de pelo menos 30 textos, dentre estes, sobre a história de Arbois, batalha de Alésia de Júlio César, escreveu uma tragédia sobre Joana d´Arc, dentre outros. Foi devido a este erudito local que a família de Pasteur se instalou em Arbois. Emmanuel foi professor no Collège d´Arbois, mas, vítima de surdez, teve de se aposentar prematuramente. Torna-se tutor de Louis Pasteur, ajudando-o a progredir consideravelmente, inclusive em retórica, onde amealha vários prêmios (Debré, 1995, p. 34-35; Viñas, 1991, p. 34; Garozzo, 1974, p. 32). Ref. https://data.bnf.fr/en/12251066/emmanuel_bousson_de_mairet/ Romanet ? Diretor do Collège d´Arbois, o francês Romanet teve influência decisiva na carreira de Louis Pasteur. Na época, Louis Pasteur o escuta enaltecer os benefícios da educação e descrever o único lugar que lhe parece digno das capacidades que vê no infante Louis: a École Normale Supérieure (Debré, 1995, p. 35, 39; Viñas, 1991, p. 36; Garozzo, 1974, p. 32-33). Barbier ? Amigo do pai de Pasteur, o capitão Barbier provinha de Arbois, na França. Era Oficial da Guarda Municipal de Paris. Propõe ao pai de Louis ser o correspondente do jovem caso fique decidido que ele prossiga os estudos em Paris. Barbier fala de uma instituição no Quartier Latin onde se preparam os alunos para as Écoles, dirigida por uma pessoa também do Franco-Condado, o sr. Barbet (Debré, 1995, p. 35-36, 39; Viñas, 1991, p. 36). Barbet ? Barbet, proveniente de Pagnoz, cidade do Franco-Condado, na França. Era dono do internato onde Louis Pasteur vai, primeiro aos 15 anos com Jules Vercel, e depois aos 17 anos com Cahrles Chappuis, se preparar para o concurso da École Normale Supérieure. Este senhor cortou pela metade as mensalidades de Pasteur e Jules. Aconselhou os rapazes e explicou o sistema de estudo. Aos 17 anos, Pasteur é recebido novamente neste internato. Logo, prontificou-se a dar aulas aos rapazes mais atrasados e conseguiu desconto de dois terços no valor da mensalidade. Barbet permitiu, desde que não lecionasse nos horários dedicados aos seus estudos, e assim decidiu-se por fazê-lo todos os dias das 6h às 7h da manhã. Depois de alguns meses, o Sr. Barbet resolveu isentá-lo de qualquer taxa, por toda sua dedicação e ajuda ao internato (Debré, 1995, p. 36; Viñas, 1991, p. 34, 36; Garozzo, 1974, p. 37, 39). Répécaud ? *Mais informações sobre os autores Droz e Pellico podem ser encontradas no grupo Leituras Iniciais. Répécaud era provedor do Colège de Besançon. Depois da formatura de Louis Pasteur, ofereceu-lhe o cargo de professor suplementar neste mesmo colégio, mas sem remuneração (Garozzo, 1974, p. 47-49). Louis aceitou a proposta, aos 18 anos, ganhando prática e com o tempo se tornando um dos professores mais queridos do colégio. Foi nesta época que achou indispensável aperfeiçoar o seu caráter, e algumas obras ajudaram bastante neste período, dentre elas a de Joseph Droz e de Silvio Pellico. Jean-Marie-Napoléon-Désiré Nisard 1806-1888 *Ver microbiografia de Désiré Nisard no grupo Academia Francesa. Crítico acadêmico e literato francês. Membro da Academia Francesa (eleito em 1850). Deputado (em 1842) e depois senador (em 1867). Publicou a "Coleção de autores latinos com tradução francesa" com muitos colaboradores, incluindo seus irmãos: Nisard, Auguste (1809-1892) e Nisard, Charles (1808-1889). Désiré Nisard nomeia Pasteur como Diretor de Estudos Científicos da École Normale Supérieure. Ref. https://data.bnf.fr/en/12052360/desire_nisard/ Próximo Grupo

  • Vacinação: Raiva | Pasteur Brasil

    Voltar para os Grupos Vacinação: Raiva Pierre-Victor Galtier 1846-1908 Veterinário francês. Membro da Academia Veterinária Francesa (1903-1908). Galtier nasceu em 1846 em Langogne, filho de pais de baixos recursos. Em 1853, ele foi confiado às freiras que dirigiam a escola local. Ele escapou desta escola duas vezes e foi então colocado com sua avó na cidade de Langogne. A partir daquele momento, com o incentivo de professores que lhe incutiram a importância do trabalho escolar, sua atitude em relação à escola mudou. Frequentou a escola secundária em Langone e depois em Mende, Lozère, saindo após a décima série. Ele leu os estudos greco-romanos em La Chapelle-Saint-Mesmin no "Petit Séminaire", a famosa escola secundária eclesiástica do bispo Félix Dupanloup, um posto avançado do Seminar d'Orléans. Ele recebeu seu diploma de bacharel com honras. Ele estudou para seu mestrado e sua licença veterinária na faculdade Marvejols. Por volta dessa época, Lozère criou uma bolsa para ajudar estudantes pobres a estudar para se tornarem veterinários, que Galtier recebeu e usou para estudar na École Vétérinaire de Lyon. Ele foi o primeiro da classe por quatro anos consecutivos e se formou em 1873 como orador da turma, recebendo o "Grande Prêmio Bourgelat". Galtier começou sua carreira profissional como associado de Monsieur Delorme, um veterinário em Arles, com quem se casou com a filha. Ele começou a ensinar patologia veterinária e eventualmente se tornou o Presidente de Doenças Infecciosas. Aos 33 anos, ele começou seu trabalho com a raiva. Em 1876, foi nomeado Presidente de Patologia e Medicina Interna do Departamento de Ciências Veterinárias de Lyon. Em 1877, seu departamento começou a realizar estudos sobre patologia microbiana e microbiologia. Isso fez com que a escola apoiasse a ideia de doenças contagiosas como a tuberculose, o resfriado comum e a raiva, em oposição à Escola de Alfort que sustentava a ideia de geração espontânea. Em 1878 foi nomeado professor de patologia de doenças infecciosas, saúde animal, comércio e direito médico. No mesmo ano, o Sr. Bouley, Inspetor Geral das escolas veterinárias, cria um novo departamento que separaria o ensino de patologia geral do de doenças transmissíveis. Pierre Victor Galtier foi nomeado chefe do departamento e ocupou o cargo por 30 anos. Em 1879, ele fez descobertas importantes sobre duas doenças mortais: o resfriado comum e a raiva. Em 1883, ele se formou em direito. Galtier foi indicado ao Prêmio Nobel por seu trabalho sobre a raiva. Mas ele morreu em 1908, pouco antes de o vencedor ser escolhido, então foi concedido a Paul Ehrlich e Ilya Ilyich Mechnikov. Em 1879, Pierre-Victor Galtier (1846–1908), professor da Escola de Veterinária de Lyon, demonstrou que a raiva podia ser transmitida de cães para coelhos, o que fornecia um animal experimental mais seguro. Pasteur e seus associados prepararam uma vacina suspendendo a medula espinhal de coelhos infectados em uma câmara de secagem para atenuar o vírus da raiva. Após cerca de duas semanas, o material tornou-se essencialmente inofensivo. Usando essas preparações, Pasteur poderia proteger cães que foram mordidos por animais raivosos ou inoculados com preparações de laboratório virulentas contendo o vírus vivo. No estudo experimental da raiva, Pasteur teve Galtier como predecessor, que comunica à Academia de Medicina, da qual Pasteur faz parte, uma nota que chama a atenção de Pasteur: mostrou que os coelhos eram os melhores animais para desenvolverem a raiva, depois da inoculação, de cachorros suspeitos. Pasteur faz um experimento, mas percebe que o coelho morre rápido demais para que seja “raiva”. De modo cauteloso, analisa o sangue dos coelhos mortos no laboratório e sua descrição o leva a revelar a descoberta do pneumococo (Debré, 1995, p. 468-469). Convém especificar que a parte de Galtier no sucesso de Pasteur nunca foi suficientemente destacada (Debré, 1995, p. 470). Ref. https://data.bnf.fr/en/10352816/victor_galtier/ Mais informações: https://www.encyclopedia.com/science/science-magazines/biomedicine-and-health-virology Mais informações: https://peoplepill.com/people/pierre-victor-galtier Pierre-Henri Duboué 1834-1889 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1859). Correspondente da Academia de Medicina. Com a ajuda de seus assistentes, Pasteur começa a estudar a raiva, e se apoia em trabalhos anteriores, não só de Galtier, mas também de Henri Duboué. Este médico envia seus trabalhos a Pasteur e se mostra particularmente interessado em tudo o que diz respeito à localização evidente da doença na substância cerebral. Duboué escreve: 'O agente mórbido progride lentamente, numa direção centripeta, do lugar da mordida para o bulbo raquiano, e muito rapidamente, numa direção centrífuga, deste último para os nervos que saem dele'. Contudo, Pierre-Victor Galtier está inquieto com os trabalhos de Pasteur: não precisava de um rival com tanto prestigio... Por isso, ele se apressa a oferecer a Henri Bouley novos dados pedindo-lhe que os comunique, urgentemente, à Academia de Medicina. No início de 1881, afirma só encontrar o vírus rábico na saliva e assinala, também, que os tecidos nervosos não são contagiosos: ' Inoculei mais de dez vezes, sem nenhum sucesso, o produto extraído da substância cerebral do cerebelo e da medula do cão raivoso'. A partir dessas constatações científicas opostas, Pasteur formula um problema para resolver, ao mesmo tempo que deduz o esboço de um procedimento. Trata-se, em primeiro lugar, de localizar o vírus rábico e depois responder às seguintes perguntas: a substância cerebral é ou não infectada A baba é o único lugar onde o vírus está presente? Se Pasteur segue a pista indicada por Duboué e por Galtier, é porque ainda não conseguiu isolar o vírus rábico na saliva e porque está pesquisando novas vias de inoculação. A substância cerebral de um cão raivoso vai constituir sua primeira e principal abordagem da doença" (Debré, 1995, p. 469-470). Ref. https://data.bnf.fr/en/10432755/henri_duboue/ Mais informações: https://bibliotheques-numeriques.defense.gouv.fr/document/aabcc7fd-08ad-4d08-a512-2ee70838d61a Charles Darwin 1809-1882 Naturalista e geólogo inglês. Autor da teoria da seleção natural. Charles Darwin foi um cientista inglês que estudou a natureza e se tornou célebre por sua teoria da evolução por meio da seleção natural. De acordo com essa teoria, todos os seres vivos estão em uma constante luta para sobreviver. Aqueles que possuem as características mais úteis em seu ambiente tendem a permanecer. Esses seres vivos então transmitem tais características úteis à prole (isto é, seus filhos). Dessa maneira, os animais se transformam, ou evoluem, ao longo de centenas de anos. Darwin apresentou essas ideias em seu importante livro Sobre a origem das espécies por meio da seleção natural ou A conservação das raças favorecidas na luta pela vida (1859), mais conhecido como A origem das espécies. Charles Robert Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shropshire, na Inglaterra. Na escola, nunca se saiu muito bem, mas mesmo assim estudou na Universidade de Edimburgo e na Universidade de Cambridge. Um professor em Cambridge incentivou seu interesse por história natural. Em 1831, Darwin partiu em uma expedição para explorar o litoral da América do Sul. O grupo iniciou a viagem em 27 de dezembro de 1831 no navio HMS Beagle. O propósito era estudar a história natural das regiões visitadas. A viagem durou cerca de cinco anos. As observações que Darwin fez durante esse período o levaram a indagar-se sobre como se desenvolvem novas espécies. Para explicar esse processo, ele formulou a teoria da seleção natural. Darwin apresentou sua teoria pela primeira vez em 1858. O conceito de evolução não era novo, mas a teoria de Darwin explicava como ela se dava. Quando Darwin publicou A origem das espécies, o livro fez sucesso imediato. No entanto, não foi bem recebido pelos criacionistas (os criacionistas acreditam que Deus criou tudo o que existe no mundo, tudo ao mesmo tempo). Darwin continuou a escrever sobre sua teoria em vários outros livros. Ele morreu em 19 de abril de 1882. Depois da morte de Claude Bernard, Pasteur se torna o alvo principal dos antivivissecionistas,inclusive na Inglaterra. Em defesa de Pasteur, Charles Darwin declara que “a fisiologia não poderá avançar se suprimirmos experiências com animais vivos, e tenho a íntima convicção de que retardar o progresso da fisiologia é cometer um crime contra o gênero humano” (Debré, 1995, p. 482). Ref.https://data.bnf.fr/en/11898689/charles_darwin/ Ref. https://escola.britannica.com.br/artigo/Charles-Darwin/481114 Charles-Édouard Chamberland 1851-1908 Pierre-Paul-Émile Roux 1853-1933 Louis Thuillier 1856-1883 Adrien Loir 1862-1941 *Ver microbiografias de Chamberland, Roux e Thuillier no grupo Doenças Infectocontagiosas. *Ver microbiografia de Adrien Loir no grupo Família Laurent. Com a ajuda de seus colaboradores Chamberland, Roux, Thuillier e Loir Pasteur começa a estudar a raiva (Debré, 1995, p. 469). Porém, Roux se opõe frontalmente à vacinação da primeira criança (Joseph Meister), recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). Joseph Meister 1876-1940 O primeiro paciente tratado por Pasteur será Joseph Meister, uma criança francesa de 9 anos que foi atacada por um cão raivoso. Ele e sua mãe correm até Pasteur pedindo ajuda. Pasteur conta 14 lesões de gravidade alarmante, mas a circunstância favorável é de que as mordidas são recentes. Antes de se pronunciar, Pasteur consulta dois médicos nos quais confia plenamente: Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação. O outro médico é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Estes dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). O tratamento é um sucesso e Pasteur continua a se interessar pela educação do menino, inclusive abrindo-lhe uma poupança para suas pequenas despesas. Os Meister pedem a Pasteur ajuda para arranjar um emprego ao pai, pois como são da Alsácia, querem sair da tutela alemã. Pasteur faz todo o possível para ajudar a família. Futuramente, Joseph será empregado como guarda do Instituto Pasteur (Debré, p. 492). Em 1940, quando os alemães invadiram Paris, querem entrar no túmulo de Pasteur e de Marie. Eles encontram a oposição de Joseph Meister, zelador do Instituto. Ele se recusa a abrir os portões da cripta, e numa profunda depressão, ele se tranca em seu pequeno alojamento e acaba cometendo suicídio (Debré, 1995, p. 548). Edmé Félix Alfred Vulpian 1826-1887 Médico francês. Professor e Reitor da Faculdade de Medicina de Paris. Membro da Academia de Ciências e da Academia de Medicina, seção de anatomia e fisiologia. Médico neurologista e patologista. Ele foi o co-descobridor da atrofia muscular espinhal de Vulpian-Bernhardt e do fenômeno Vulpian-Heidenhain-Sherrington. Entre outras descobertas e experimentos notáveis, Vulpian descobriu adrenalina na medula adrenal. Ele foi o primeiro a usar o termo "fibrilação" para descrever um ritmo caótico e irregular do coração. Antes de se pronunciar sobre a vacinação da criança Joseph Meister, Pasteur consulta Alfred Vulpian (seu colega na Academia de Medicina), que é um dos médicos mais respeitados de sua época. Ele é membro da Comissão Oficial da Raiva, criada pelo governo, a pedido de Pasteur, para controlar e avaliar as pesquisas em curso sobre a doença. Diante do exame do paciente Joseph Meister, diz a Pasteur que acha o caso sério o suficiente para que se justifique esta primeira tentativa de vacinação (Debré, 1995, p. 489). Ref. https://data.bnf.fr/en/13084570/alfred_vulpian/ Ref. https://dbpedia.org/page/Alfred_Vulpian Mais informações: https://collection.sciencemuseumgroup.org.uk/people/cp83366/edme-felix-alfred-vulpian Jacques-Joseph Grancher 1843-1907 Médico francês. Doutor em medicina (Paris, 1873). Presidente do Conselho de Administração do Instituto Pasteur, Paris, e membro da Academia de Medicina na seção de anatomia patológica. Além de Alfred Vulpian, outro médico que Pasteur consulta é Jacques-Joseph Grancher, um jovem doutor chefe da unidade de Pediatria do Hospital Enfants-Malades, que associa um excelente conhecimento de microbiologia e a especialização em pediatria. Grancher também aconselha a Pasteur administrar o tratamento anti-rábico. Os dois médicos examinam o paciente e realizam as inoculações, o que é de grande felicidade para Pasteur, tendo em vista que precisa de um médico para fazer as injeções, e Roux se opõe frontalmente, recusando, inclusive, a assinar os protocolos de estudo (Debré, 1995, p. 489). Ref. https://data.bnf.fr/en/12487158/joseph_grancher/ Mais informações: https://artsandculture.google.com/entity/jacques-joseph-grancher/m02pk6lc?categoryid=historical-figure Mais informações: http://himetop.wikidot.com/jacques-joseph-grancher-s-bust Mais informações: https://web.archive.org/web/20070221115153/http://www.pasteur.fr/infosci/archives/grc0.html Jean-Baptiste Jupille 1869-1923 O segundo paciente será Jean-Baptiste Jupille, um jovem francês de 15 anos. O tratamento também é realizado com sucesso e há grande repercussão na imprensa, com o jovem se tornando uma “celebridade”. Futuramente, este também será empregado como porteiro do Instituto Pasteur, assim como Meister (Debré, 1995, p. 492-493). Louise Pelletier ? O mesmo sucesso da vacinação contra a raiva não ocorre com a criança francesa Louise Pelletier, que só é levada a Pasteur 37 dias após ser mordida por um cachorro raivoso, com lesões supurando. Pasteur sabe que o prazo é muito longo e que caminha para o fracasso do tratamento. Contudo, ele se dobra diante da insistência dos pais e diante do sofrimento da criança. Poucos dias depois a criança falece, no mesmo dia do enterro do amigo Henri Bouley, da Academia de Medicina e Academia de Ciências. Os adversários de Pasteur tentam explorar o drama, mas não conseguem abalar a confiança geral no tratamento (Debré, 1995, p. 495). Charles-Félix-Michel Peter 1824-1893 Médico francês. Foi professor de patologia interna na Faculdade de Paris. Membro da Academia de Medicina. "Michel Peter (1824-1893) era parente de um cunhado de Pasteur. Isso não o impediu de ser um de seus adversários mais ferozes. Nascido em Paris, de pais muito pobres, começou como aprendiz e depois como tipógrafo em uma gráfica. Autodidata, preparou e obteve o bacharelado em ciências. Enquanto permanecia como chefe de oficina na mesma gráfica, ele começou seus estudos médicos. Estagiário aos 30 anos, doutor em medicina aos 35, chefe da clínica de Armand Trousseau no Hôtel-Dieu em 1863, encerrou a carreira como professor da faculdade de medicina, membro da Academia de Medicina. Excelente médico, orador eloquente e espirituoso, infelizmente considerou uma heresia aplicar experimentos de laboratório à patologia. Ele defendeu uma teoria, 'espontaneidade mórbida', que se opunha à teoria dos germes de Pasteur. Segundo ele, '... toda essa pesquisa sobre micróbios não vale o tempo que passamos lá, nem o barulho que fazemos a respeito ...'. Nisso se enganou, mas teve o mérito de fazer as pessoas admitirem que nem sempre é suficiente que um germe entre no organismo para que uma doença infecciosa se desenvolva; isso também requer o que ele chamou de 'consentimento do organismo'. A oposição entre Peter e Pasteur era particularmente violenta na época do trabalho de vacinação contra a raiva. Ela liderou as sessões da Academia de Medicina por dez anos" (Perrot & Schwartz, 2017, p. 176). Por mais eloquentes que fossem os números apresentados, os adversários de Pasteur procuraram as menores falhas, fazendo com que ele tivesse que se justificar constantemente. Michel Peter, um dos mais obstinados oponentes de Pasteur, continuou a atacá-lo. Havia vezes em que Vulpian é quem respondia as controvérsias, defendendo Pasteur. No entanto, havia aqueles que acusavam Pasteur de homicida, inclusive na Faculdade de Medicina. Alguns alunos se dividiam entre pasteurianos e antipasteurianos e trocavam socos por causa disso (Debré, 1995, p. 498-501). Ref. https://data.bnf.fr/en/13167090/michel_peter/ Adolphe Rueff 1854-1912 Médico francês. Vice-chefe da clínica de patologia mental da Faculdade de Medicina de Paris, anexo à enfermaria especial da Prefeitura de Polícia de Paris, então médico da cidade de Paris. Os raros fracassos do tratamento contra a raiva são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necropsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur (Debré, 1995, p. 505-506). Ref. https://data.bnf.fr/fr/17145865/adolphe_rueff/ Mais informações: https://curiosity.lib.harvard.edu/contagion/catalog?f%5Bcreators-contributors_ssim%5D%5B%5D=Rueff%2C+Ad.+%28Adolphe%29&f%5Bplace-of-origin_ssim%5D%5B%5D=France&f%5Bsubjects_ssim%5D%5B%5D=Tuberculosis--Treatment Georges Clemenceau 1841-1929 Estadista francês, apelidado de "O Tigre" ou "O Pai da Vitória" após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Chefe do Governo (1906-1909; 1917-1920). Deputado pelo Sena (1876-1885), depois pelo Var (1885-1893). Senador de Var (1902-1920). Jornalista, diretor-fundador do jornal "La Justice" (em 1880), depois de "L'Homme libre" (em 1913) que se tornou "L'Homme enchaîné" (em 1914). Doutor em medicina (Paris, 1865). Membro da Academia de Ciências e da Academia Francesa (eleito em 1918). Foi primeiro-ministro da França por vários mandatos, dos quais o mais importante ocorreu durante a Primeira Guerra Mundial, quando assumiu o cargo em 15 de novembro de 1917. Seus sentimentos antialemães antes da guerra e uma ardente determinação para derrotar a Alemanha o fizeram insistir que o Tratado de Versalhes exigisse o desarmamento alemão e estritas indenizações à França. Esta fotografia faz parte da Guerra das Nações, uma compilação de 1.398 imagens de rotogravura com breves legendas descritivas referentes à Primeira Guerra Mundial e suas consequências imediatas. O livro foi publicado pela New York Times Company e inclui imagens que apareceram na Mid-Week Pictorial, uma revista semanal de fotografias de notícias publicada pela New York Times Company entre 1914 e 1937. As fotografias retratam os principais líderes militares e civis dos países envolvidos na guerra, cenas de batalha, importantes sistemas de armas, ruínas e destruições causadas pelo conflito, o retorno das tropas depois da guerra e as celebrações de vitória em vários países, e cenas da Conferência de Paz de Paris. Além da frente ocidental na França e na Bélgica, as imagens abrangem outros teatros de operações, incluindo as frentes orientais, italianas e dos Balcãs, a Campanha de Galípoli (ou Batalha dos Dardanelos), e a campanha na Mesopotâmia e na Palestina. Entre os acontecimentos do pós-guerra estão as revoluções na Alemanha e na Rússia e a intervenção de tropas aliadas e americanas na Sibéria. O livro contém um índice; 32 mapas, incluindo mapas pictóricos que ilustram frentes e campanhas; e um apêndice de três páginas que fornece uma cronologia de 1914 a 1919, estatísticas (incluindo a força mobilizada e o número de mortos, feridos e desaparecidos de todos os beligerantes), os principais eventos durante a guerra, e as principais disposições do Tratado de Versalhes, que encerrou formalmente a guerra. "Muito mais grave foi a oposição de parte da Academia de Medicina, liderada em particular pelo médico Michel Peter. Segundo os opositores, que contavam com o jovem médico Georges Clemenceau, não só o tratamento de Pasteur era ineficaz, mas perigoso" (Perrot; Schwartz, 2017, p. 182). Georges Clemenceau inicialmente era defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur (Debré, 1995, p. 506). Como um jovem jornalista, Clemenceau atacou violentamente o trabalho de Louis Pasteur (que não era médico). No entanto, uma vez que as demonstrações deste último foram realizadas e endossadas por Joseph Lister, ele admitiu seu erro. Ref. https://data.bnf.fr/en/11897013/georges_clemenceau/ Ref. https://www.histoiredumonde.net/Georges-Clemenceau.html Mais informações: https://www.wdl.org/pt/item/19316/ Paul Camille Hippolyte Brouardel 1837-1906 Médico patologista francês. Médico do hospital Saint-Antoine (desde 1873), depois do hospital Pitié, em Paris. Doutor em medicina (1865). Decano da Faculdade de Medicina de Paris (desde 1887). Membro da Academia Nacional de Medicina (eleito em 1880). Membro do Instituto, membro livre da Academia das Ciências (eleito em 1892). Em 1858 ele se tornou um externe do Hôpital Cochin, em Paris, e em 1865 obteve seu doutorado médico. Em 1873 ele se tornou diretor de serviços médicos no Hôpital Saint-Antoine e de la Pitié. Em 1879 ele se tornou um professor de ciência forense na Faculté de Médecine de Paris, e conseguiu Auguste Ambroise Tardieu, como decano da medicina forense francesa. De 1884 a 1904 foi presidente da Comissão Consultiva de Higiene, e em 1899 foi eleito presidente da Associação Francesa para o Avanço das Ciências. Brouardel foi uma das principais autoridades da medicina legal e também foi um defensor apaixonado sobre todos os aspectos da saúde pública e higiene. Ele estava na vanguarda de questões como segurança alimentar, tuberculose, doenças venéreas, abuso infantil, alcoolismo e da decência pública. Brouardel exerceu uma grande influência sobre a carreira do neurologista Georges Gilles de la Tourette. Os raros fracassos do tratamento contra a raiva são explorados. Por isso, depois de cada morte, Pasteur levanta provas para se defender. Um dos primeiros casos, que transforma a vida no laboratório é de Jules Rouyer, é de uma criança mordida que é tratada. Depois, falece logo após receber um pontapé na região lombar. O médico legista solicita necropsia. Pasteur está na Itália de férias com a família, então Loir vai até o necrotério acompanhado de um delegado de polícia, onde a necropsia é feita na sua presença e de Grancher. Roux pede que enviem o bulbo raquiano, pois é o único modo de saber se a criança morreu de raiva. No dia seguinte, duas testemunhas, hostis ao método de Pasteur comparecem à necropsia: um conselheiro municipal, Adolphe Rueff e o médico Georges Clemenceau, defensor da geração espontânea e opositor de Pasteur. O médico legista, Paul Brouardel observa a disfunção renal provocada pelo pontapé. No laboratório de Pasteur identificam também o vírus da raiva. Brouardel sabe que se colocar no relatório as duas doenças como causa da morte, a responsabilidade de Pasteur será questionada e se recuaria 50 anos na evolução da ciência (em suas palavras), então opta por colocar apenas insuficiência renal. Posteriormente, após a inoculação em coelhos que ficam bem e não morrem, comprova-se definitivamente a versão oficial da morte dada por Brouard el (Debré, 1995, p. 506-507). Ref. https://data.bnf.fr/en/12208850/paul_brouardel/ Ref. https://artsandculture.google.com/entity/paul-brouardel/m02q_xf0 Próximo Grupo

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